sábado, 30 de junho de 2012

O incorruptível João Barbosa Ribeiro

O Pioneiro João Barbosa Ribeiro chegou ao Amapá no ano de 1947, contratado pelo governador do Território na função de mecânico de máquinas pesadas, levando uma grande experiência já conhecida pelo governador Janary Nunes nas obras do aeroporto de Val de ns.
Dois anos após, assumiu a chefia da usina de energia elétrica, dando assistência a três geradores Catterpilar que serviam à cidade de Macapá, permanecendo nessa função durante 15 anos. Cidadão sério, competente e extremamente disciplinado, incorruptível, se surpreendeu ao ser convocado pela Comissão de Inquérito Militar, criada pelo governo no ano de 1964 para justificar-se sobre a exisncia de um motor de partida sem nota fiscal. Não mentiu e contou que ao fazer uma compra de materiais e equipamentos, não quis receber a comissão de vinte por cento como era costume, solicitando que em vez disso a firma doasse um motor de partida para o governo. Por isso se encontrava na usina sem nota fiscal. Os membros da Comissão não aceitaram a justificativa e o mesmo foi atingido pelo Ato lnstitucional. Não aceitaram a comprovação da inocência. Foi exonerado do cargo e excluído do Quadro de Funcionários do Governo. Foi para sua casa chorando e nunca mais apareceu na porta. Não recebia visitas, não aceitou a anistia dez anos depois e só saiu de casa no dia 28 de fevereiro e 1982, quando morreu, ou seja, dezoito anos depois de depor na Comissão de Inquérito Militar. Aqueles que conseguiam se aproximar dele ouviam-no dizer sempre: "O homem tem que ter vergonha na cara. Nem todas as pessoas sabem se sou realmente inocente ..." Esse era o incorruptível João Barbosa Ribeiro.

Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá  Vol 1", de Coaracy Sobreira Barbosa – Edição de 1997.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Do Fundo do Baú: "O Clube do Guri", do Independente Esporte Clube


Quem nos manda lembrança de seu baú histórico é o amigo Aílson Rodrigues Lobato, que foi meu companheiro de ICOMI, nos anos 70.
Na imagem o registro fotográfico – em meados  de 1969 - de um programa de auditório “O Clube do Guri” que era apresentado por ele, nas manhãs de domingo na sede do Independente Esporte Clube – o “Carcará” da Vila Maia, Santana. Nesse dia o acompanhamento dos calouros estava sendo feito pelo Conjunto “Os Cometas”.
Da esquerda para direita vemos:  Raimundo Oeiras, Diretor do clube; na bateria de chapéu e barbicha Walfredo;  ao lado dele Aurílio (ex-funcionário da ICOMI); ao microfone (de boné e camisa branca) Ailson Rodrigues Lobato; e atrás dele dois quitarristas dos Cometas, sendo o da direita o Jacy . Não sabemos o nome do outro guitarrista. Quem souber e quiser colaborar, pode nos informar pelo e-mail jolasil@gmail.com ou deixar registro nos comentários.

sábado, 23 de junho de 2012

Do Fundo do Baú: Formatura no I.E.T.A.

Quem abre seu "baú de lembranças" e nos brinda com inúmeras fotos, é a Profª Nazaré Braga, uma das Pioneiras da Educação do Amapá.
(Imagem gentilmente enviada, via e-mail, pela amiga Maria Teresa Braga, filha da Profª Nazaré Braga)
Hoje estamos publicando uma foto de 1968, com imagem das Formandas do Curso Pedagógico do IETA, com Pais e Padrinho.
A partir da esquerda: Professor Reinaldo Damasceno (foi Padrinho de Nazaré Braga); as (irmãs)formandas Nazaré e Conceição Braga e os pais delas, casal Jacy e José Braga.
Registro Histórico: O professor e pesquisador Reinaldo Maurício Goubert Damasceno, foi um dos Pioneiros da Saúde do Amapá e lecionou em vários estabelecimentos de Macapá, entre eles, no Colégio Amapaense e no Instituto de Educação do Território do Amapá, onde foi professor de Biologia do Curso Pedagógico.
Professora Nazaré Braga - viúva, aposentada, com idade avançada e sérios problemas de saúde - reside, há muitos anos,  em Belém do Pará com a filha Maria Teresa.
(Post atualizado em 24.06.2012)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Do Fundo do Baú: Bons tempos do Colégio Amapaense

Nosso amigo e confrade Ernani Marinho Ferreira, tirou do fundo de seu "baú de lembranças" e compartilha conosco, esta relíquia fotográfica(dos anos 60) de estudantes do Colégio Amapaense, todos eles membros da diretoria do Grêmio Literário e Cívico ¨Ruy Barbosa¨, organizados à semelhança de time de futebol, em frente ao salão de festas da piscina territorial, numa manhã de domingo.
Da esquerda para a direita, em pé: Iranildo Trindade Pontes (falecido), Laércio Monteiro, Edemburgo Almeida (falecido), José Maria Cunha Nery, Ernani Marinho e Francisco Quintela. Na mesma ordem, agachados: Abemor Coutinho (falecido), Pedro Assis Azevedo, José Borges Tavares Filho, Augusto Monte de Almeida e Guioberto Alves (falecido).

Adequação - Desde o final dos anos 40 até 1964, existiram em Macapá os Grêmios Literários e Cívicos, nas escolas de segundo grau.  Na Escola Normal (ex-IETA) funcionava o GLC “Barão do Rio Branco”; na Escola Técnica de Comércio (ex-CCA - atual E.E. Gabriel de Almeida Café) o GLC “Dr. Acilino de Leão” e no Colégio Amapaense o GLC “Ruy Barbosa”.
Referência  Histórica - O Grêmio Ruy Barbosa foi fundado em 12 de março de 1949.  Congregava alunos do Ginásio Amapaense (primeira denominação do Colégio Amapaense).  A primeira diretoria foi constituída pelos pioneiros José Raimundo Barata (Presidente), Mário Quirino da Silva e Edilson Borges de Oliveira. A posse ocorreu em 24 de março, em solenidade no Salão Nobre da Escola Profissional Getúlio Vargas  (antigo GM / Escola Industrial de Macapá e atual Escola Integrada de Macapá). (Fonte: Edgar Rodrigues)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pioneiros da Segurança Pública

(Foto gentilmente compartilhada pelo leitor e colecionador de fotos antigas - Orion Yataco.)
Nesta foto clicada no interior do estádio Municipal Glycério Marques, vemos entre outros - em primeiro plano - o veterano Raimundo Dário da Costa, o "Peixeira", paraense de Cametá, soldado da Guarda Territorial que exercia sua função na Inspetoria de Trânsito do Território do Amapá; esportista, ex-bandeirinha e juiz de futebol.
Os demais, seus colegas de farda, conheci, mas não lembrei os nomes. Nosso amigo e confrade Ernani Marinho nos lembra, por e-mail, que o que está ao lado do Peixeira é o Antenor, e o outro, não lhe ocorre o nome, mas lembra que era conhecido como Zorro. Os dois, Zorro e Antenor, eram os motoqueiros da polícia, pilotando aquelas imensas motos de antigamente. Valeu Ernani! 
Quem souber o nome do Zorro, e quiser nos ajudar a completar a legenda, favor informar para o e-mail jolasil@gmail.com, ou deixar registrado nos comentários.
(Atualizado em 02.07.2012)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Grupo Escolar de Macapá - embrião da Escola Barão do Rio Branco

(Reprodução)
(Foto: Acervo do Museu Histórico do Amapá)
Ano 1944 - O Grupo Escolar de Macapá, que tornou-se o embrião do Grupo Escolar "Barão do Rio Branco",  foi criado, oficialmente, por decreto do Governador Janary Nunes, em 20 de abril de 1946, entretanto já vinha funcionando em prédio particular, desde o ano de 1944. Funcionou - inicialmente - no antigo prédio - hoje demolido - localizado no canto da antiga Praça São Sebastião (atual Veiga Cabral) onde hoje é o cruzamento da Av. Presidente Vargas com a Rua Cândido Mendes.
Por isso esse prédio era considerado Uma Relíquia Histórica.
(Reprodução)
(Foto: Acervo do Museu Histórico do Amapá)
Ano 1946 - Antes da construção do prédio próprio do Barão do Rio Branco (na Praça do mesmo nome), o Grupo Escolar de Macapá transferiu-se para o prédio da foto acima que localizava-se na Rua São José, esquina com Av. General Gurjão: um casarão (demolido) que pertencia à família Mendes Coutinho (leia-se Profª Guita), na antiga Praça da Matriz (hoje Veiga Cabral).
Entre os primeiros prédios construídos no governo Janary estava o do Grupo Escolar de Macapá, que constituiu-se na primeira escola em alvenaria de Macapá.
Nesta foto reproduzida do Relatório Oficial do Governo Janary Nunes, em 1944, vemos a parte  lateral esquerda do prédio, sendo erguida na Av. FAB, apenas com o andar térreo e sem o telhado.
Nesta segunda foto, também de 1944, já vemos o mesmo ângulo com os trabalhos de montagem do prédio bem mais adiantados e com a estrutura já pronta para receber o telhado.
Nesta terceira foto, vemos o prédio por sua parte lateral direita, tendo aos fundos o Cine Teatro Territorial, já totalmente arguido, pois o mesmo foi concluído antes do prédio do Grupo Escolar.

(Post repaginado e atualizado em junho de 2012)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Grupo Escolar Barão do Rio Branco

(Reprodução)
(Foto 1 ) - 1946 - Inauguração em 13 de setembro de 1946, do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, a primeira escola de alvenaria de Macapá.
Sua primeira denominação foi Grupo Escolar de Macapá.
Nesta escola também funcionou o 1º cinema oficial de Macapá, o ex-Cine Teatro Territorial.
(Foto do Acervo/Coleção Digital/IBGE)
(Foto 2) - Aspecto da Praça Barão do Rio Branco no ínício dos anos 50, ainda sem arborização. Ao fundo o prédio do Barão do Rio Branco e da Escola Industrial de Macapá, à esquerda da imagem.
(Foto: Reprodução / Acervo digital IBGE)
(Foto do Acervo/Coleção Digital/IBGE)
(Foto 3) - Veja como era a Av. FAB em frente ao Grupo Escolar "Barão do Rio Branco", no início dos anos 50.
(Foto: Reprodução/IPHAN)
(Foto 4) - Praça ainda sem arvores.
(Foto: Reprodução / acervo particular de Sarah Zagury)
(Foto: Contribuição da amiga Sarah Zagury)
(Foto 5 - Nesta outra foto já aparece a arborização da praça.
(Foto: Reprodução/Acervo Histórico do Amapá)
(Foto 6) - 1969 - Alunos em frente ao prédio do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.
(Foto: Reproduzida do blog do Fernando Canto)
Foto 7 - Fachada do Grupo Escolar "Barão do Rio Branco.
(Foto: Reprodução)
(Foto 8) - 1978 - Em primeiro plano o anexo do Grupo Escolar Barão do Rio Branco localizado na lateral esquerda do estabelecimento para o lado da Rua Cândido Mendes. Nesse anexo funcionou, (salvo engano), o Serviço de Administração Geral do ex-Território Federal do Amapá. Quem souber pode confirmar nos comentários.
(Foto: Reprodução)



(Foto 9) - 1988 - Em primeiro plano vista lateral da área esquerda do prédio do Barão do Rio Branco com o anexo onde funcionou o Jardim de Infância. Em seus primeiros anos o Colégio Amapaense, funcionou nas salas do Barão, no horário noturno, até 1952, quando foi transferido para seu prédio próprio na Praça da Bandeira. Observe que o muro ainda era original e o leito da Av. Fab estava todo irregular.
(Foto: Reprodução)

(Foto 10) - 1978 - Mostra uma tomada da lateral direita do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

(Repaginado em 30/11/2011)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Do Fundo do Baú: Vestígios da Macapá de Outrora

(Foto gentilmente compartilhada pelo leitor e colecionador de fotos antigas - Orion Yataco.)
Foto histórica e rara datada de 1913 apresenta espressivos  vestígios da Macapá, de outrora, quando esta ainda pertencia ao estado do Pará.

"Essa estreita via pública, atualmente denominada Av. Mário Cruz - que antes da criação do Território Federal do Amapá em 1943, chamava-se rua Siqueira Campos -começava na Travessa Visconde de Souza Franco e se estendia até a Rua São José. A fotografia foi tirada do meio da avenida, no trecho que hoje corresponde a seu cruzamento com a Rua Vereador Benedito Uchoa. Pelo lado esquerdo de quem observa a imagem merece destaque o prédio da Intendência Municipal, onde atualmente funciona o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva. O imóvel foi construído na gestão do Intendente Municipal Coriolano Finéas Jucá e inaugurado no dia 15 de novembro de 1895. Antes dele vê-se uma casa residencial que pertenceu ao casal Antônio Topson e Emidia Picanço. Nela, já na fase de Macapá como capital do Território Federal do Amapá, funcionaram duas lojas: “A Barateira”, de Hamilton Henrique da Silva (o piloto)  e a “Casa Olímpia”, de Raimundo Pessoa Borges, o popular desportista Marituba. Pelo lado direito a referência fica por conta  da famosa “casa amarela”, cujo primeiro proprietário foi o Tenente-Coronel Coriolano Finéas Jucá. Nela nasceram quase todos os vinte filhos do famoso intendente, frutos de sua união com três esposas. Após sua morte, o prédio ficou sob gestão do filho Jacy Barata Jucá que o vendeu ao senhor José Pereira Montoril, mais conhecido como Cazuzinha. A casa amarela, que originalmente foi pintada de branco, fazia fundos com a residência do maroquino Leão Zagury. Nenhuma das residências possuía quintal. Na casa amarela havia um pórtico de entrada com um sótão, um amplo pátio central, inúmeros quartos, cozinha, dispensa e poço amazônico. Os cômodos que faziam frente para a antiga Rua Independência, também chamada Rua de Cima, abrigaram a sede do Amapá Clube e o Elite Bar do senhor João Vieira de Assis. Logo na entrada do prédio funcionou o “Café Aymoré”, pertencente aos comerciantes Francisco Torquato de Araújo (meu genitor) e Francisco Aymoré Batista (pai do cidadão que hoje mantém em funcionamento o estabelecimento de igual nome na Avenida Iracema Carvão Nunes). O gerente do "Café Aymoré" era o Carlos Cordeiro Gomes, o popular “Segura o Balde”(falecido) que depois enveredou pelo jornalismo e integrou a equipe esportiva da Rádio Difusora de Macapá.
No tempo que o prédio pertenceu ao meu tio Cazuzinha Montoril (< foto), parte das instalações foi alugada à madame Charlote para a instalação de uma pensão. Vários jovens vindos de Belém para trabalhar no Território do Amapá residiram nos quartos da casa amarela e compravam alimentação da madame Charlote. Quando o casal Isnard Brandão e Walkiria Lima se mudou para Macapá, a casa amarela foi o primeiro imóvel que o abrigou. Numa deferência especial do tio Cazuzinha, graças à intermediação de meu pai Francisco Torquato de Araújo, um assoalho foi colocado no sótão. Nesse local o casal Lima e o filho Isnard Brandão Filho moraram por um relativo período de tempo. Com o passar do tempo a Rua Siqueira Campos recebeu duas denominações: Mendonça Furtado e Mário Cruz. Essa última ainda prevalece.
A denominação de Mendonça Furtado permanece a partir da Igreja Matriz, no sentido oeste da cidade.
A casa amarela foi vendida ao comerciante Moysés Zagury que mandou demoli-la para erguer a oficina mecânica dos carros Ford que ele vendia. Atualmente, naquela área demora(funciona) parte da loja 246.
No prédio da Intendência, funcionaram também o Conselho de Intendência, a Câmara de Vereadores e o Tribunal do Juri. Os bailes de gala também aconteciam no Salão Nobre da Comuna Macapaense." (Nilson Montoril)

Fonte: Texto de Nilson Montoril - devidamente adaptado para o blog Porta Retrato - originalmente publicado em seu blog Arambaê, em 09 de junho de 2011, sob o título Paisagem de Macapá da Década de 1930.

(Post repaginado em Junho de 2012)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Do Fundo do Baú: Cinco Ilustres Pioneiros

Mais um foto rara que nos foi compartilhada pelo amigo Marcelo Porpino:
(Foto compartilhada, via e-mail, pelo amigo Marcelo Porpino - neto do saudoso José Porpino da Silva)
Foto dos anos 50 reune cinco ilustres pioneiros do Amapá,  a bordo de uma lancha.
O historiador Nilson Montoril, nos mandou detalhes da foto acima:
"A lancha utilizada na viagem, entre Macapá e a Vila Itatupã, onde meu tio José Torquato de Araújo tinha a Usina Sacramento, é a traineira Mário Cruz. Ela foi comprada para atuar na pesca, mas acabou sendo utilizada para a execução de serviços rápidos, com poucas pessoas.(...) O cidadão de branco, o primeiro no sentido dos ponteiros do relógio é o Benedito Paiva, conhecido como Bena. Entre ele e o Dr. Hildemar Maia vemos o Sr. José Porpino da Silva. O rapaz à esquerda do Dr. Maia é o Raimundo de Azevedo Coutinho, neto do Coronel Matheus de Azevedo Coutinho. O homem sentado à frente do Dr. Maia é meu pai, Francisco Torquato de Araújo." (Nilson Montoril)

Valeu Nilson, obrigado!

(Nota do Editor: Post reeditado em 05/06/2012, por haver saído com incorreções)

sábado, 2 de junho de 2012

ESPECIAL: O Burro do Pitaíca (Nilson Montoril)

Manuel Eudóxio Pereira, é nome de uma das ruas da capital do Amapá, numa justa homenagem a um dos mais ilustres filhos daquela terra tucuju.
Um comerciante conhecido, na Macapá de outrora,  pela alcunha (ou seja, apelido ou se você preferir os sinônimos: apodo, antonomásia, cognome e epíteto) de Pitaíca.

O historiador Nilson Montoril, conta em seu blog, que Manoel Eudóxio Pereira era  amigo de todos e procurava ajudar os mais necessitados, notadamente os que apreciavam uma aguardente  (conhecida popularmente  como cachaça, água-que-passarinho-não-bebe, a-que-matou-o-guarda, birita,  caninha, gengibirra) que o nosso ilustre historiador prefere chamar de  a “marvada pinga”.
“Católico fervoroso, podia ser encontrado com facilidade na Igreja de São José durante os cultos católicos. Era forte, decidido, daí o apelido de Pitaíca, nome de uma árvore encontrada no campo, na terra-firme e na várzea."
(Foto: Reprodução de arquivo)
Casa do Povo estabelecimento comercial do Sr. Manuel Eudóxio Pereira, situado na esquina da Rua São José com a atual Avenida Presidente Getúlio Vargas.
Nilson conta em sua narrativa que "seu Pitaíca possuía um burro muito  enfezado, que puxava uma carroça destinada aos serviços da Casa do Povo, (foto) de sua propriedade. Mesmo atrelado à carroça, o burro dava trabalho. Em razão de ser endemoniado, o burro passava a maior parte do tempo preso a uma corda, num terreno vago que existiu na esquina da Travessa Floriano Peixoto com a Rua São José, local onde funcionou o Banco da Lavoura de Minas Gerais e hoje abriga uma loja. O cenário das peripécias do burro do Pitaíca é a Macapá do final da década de 1930 e início da década de 1950. Naquele tempo, era coisa comum os quadrúpedes viverem soltos nas ruas, principalmente depois das 18 horas. Na periferia da pequena cidade muitos moradores mantinham atividades agrícolas e pecuárias. Cavalos, éguas, burro e mulas trabalhavam durante o dia, puxando carroças e transportando cargas e até gente. Valiam-se da noite para pastar, beber água e praticar “o aquele”. O burro do Pitaíca adorava pastar no campo de futebol que existia na Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos,(atual Veiga Cabral) onde reinava absoluto entre as éguas e mulas mais velhas que já não interessavam aos mais novos. O diabo é que o burro do Pitaica era demasiadamente avexado, partidário do “vamos que vamos”. Ele só vivia de orelha em pé e voltadas para trás, sinal evidente de que estava a fim de transar. Nem sequer cortejava as pretendidas.
Como o burro era muito violento, as fêmeas o rejeitavam com coices e mordidas, coisa que ele retribuía com maestria. Parece que o burro era fã da máxima “ou dá, ou desce”. O pior é que não eram só as orelhas que o burro levantava. A genitália do bicho era de tal forma desconforme, que dava a impressão dele ter nascido com cinco pernas. Com relativa frequência, os donos dos animais maltratados iam ter com o Pitaíca pedindo que ele mandasse o burro para a região rio Pedreira, caso contrário a vida do bicho iria correr grande risco. Reclamar na Polícia era perda de tempo, haja vista que o senhor Manuel Eudóxio Pereira tinha muita influência na cidade, sendo vizinho da Delegacia Central. A solução do Pitaíca consistia em prender o burro. Em contrapartida, os donos das vítimas do burro deveriam encontrar outro local para que elas pastassem em paz. Quando o burro encontrava uma fêmea assanhada como ele, o “love you” era "da mulesta". Houve um caso muito interessante protagonizado pelo burro ao montar, na marra, em uma éguinha prestes a debutar no exercício da luxúria. O dono da éguinha exigiu indenização, alegando que o burro havia emprenhado sua cria. O queixoso alegou que a maneira violenta como o estupro foi praticado causou o remonte de cinco costelas da infeliz criatura. Pitaíca lhe passou uma descompostura, dizendo que o burro é um animal estéril e não tem como gerar filhos. Na prática, a éguinha gostou tanto do desempenho do burro, que ia direto ao local de seu cativeiro todas as vezes que fugia da casa do dono.
Outro fato diz respeito a uma exigência que algumas beatas fizeram ao senhor Pitaíca através do Padre Felipe Blanck, vigário da Matriz de São José. Elas costumavam assistir à missa das 6 horas da manhã, diariamente, e não suportavam ver o burro todo excitado, olhando as fêmeas que pastavam no campo de futebol. Consta que elas colocavam as mãos sobre os olhos, mas o povo comentava que os dedos sempre ficavam afastados. A injúria foi de tal monta, que uma das beatas sugeriu que o Pitaíca mandasse fazer um calção de mescla reforçado para esconder as vergonhas do animal. O priapismo(*) do burro ficou tão famoso, que passou a ser referência sempre que alguém cheio de frescura queria dar uma de gostosão: “o que falta pra ti é o burro do Pitaíca”.

(*) Priapismo é uma condição médica geralmente dolorosa e potencialmente danosa na qual o pênis ereto não retorna ao seu estado flácido, apesar da ausência de estimulação física e psicológica. A ereção dura em média 4 horas, e pode levar à impotência sexual definitiva. (Wikipédia)
Fonte: Texto publicado originalmente por Nilson Montoril em seu blog Arambaé, na segunda-feira, 28 de maio de 2012.