quarta-feira, 30 de maio de 2018

Foto Memória de Macapá: O Pioneiro RENATO FILGUEIRAS VIANNA (em memória)

Renato Filgueiras Vianna, amazonense, nascido em Manaus no dia 4 de novembro de 1926. Técnico Agrícola, filho de índia tapuia, dos lagos de Óbidos que se tornou a professora Filomena Felgueiras, das escolas de Manaus e Oswaldo de Mendonça Vianna, membro da Academia Paraense de Letras e da Superintendência de Valorização da Amazônia, figura expressiva da sociedade modernista amazonense e paraense. Neto de Adelina de Mendonça, “A Redentora”, célebre protagonista da história amazônica na libertação dos escravos amazonenses, um ano antes da Lei Áurea.
O nome dado a Renato Vianna é o mesmo do seu tio, precursor da dramaturgia brasileira. O jovem Renato, imaginava-se artista de teatro, dominando expressões, o espetáculo real e reflexivo, tocando a alma dos expectadores. Acreditava nessa quimera. Para isto, acompanhou seu tio em excursões da Companhia do Teatro Escola, em algumas capitais brasileiras. Associou-se em 1960, ao Teatro de Amadores do Amapá.
Viveu sua infância em Manaus, sua marcante juventude na cidade do Rio de Janeiro e acabou vivendo em Macapá.  Casou-se em 27 de dezembro de 1952, com Maria Raimunda Braga Coutinho que lhe deu nove filhos, todos encaminhados e participantes do desenvolvimento do Amapá.
Renato Vianna chegou ao Amapá em 1950. Atendendo ao convite do Dr. Coaracy Nunes, depois de cursar operação de máquinas agrícolas no Centro de Treinamento de Engenharia Rural em São Paulo. Em Macapá, começou como Prático Rural trabalhando na Divisão de Produção. Cedido à Divisão de Educação, compartilhou seus conhecimentos inicialmente na Fazendinha, distrito da capital, passando pela Escola de Iniciação Agrícola instalada na Base Aérea do Amapá, onde foi professor de moto-mecanização.
Ao retornar para Macapá, reassumiu suas funções na Produção, chefiando a Seção de Fomento Vegetal. Foi Chefe de Fomento da Produção Industrial e Mineral. Chefiou diversos Postos agropecuários. Administrou Colônias e Núcleos Coloniais. Dirigiu a Divisão de Terras e Colonização.
Pioneiro, polêmico, reto e humano, de forte caráter, expressão contrária à Revolução, foi perseguido, mas não se intimidou. Participou de campanhas políticas. Acreditava nos ideais do “Amapá para os amapaenses”.  Autêntico oposicionista, membro fundador de partidos políticos como: a Aliança Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro, neste, foi Presidente do Diretório Municipal em Macapá.
Funcionário desbravador exemplar, figura ilustre da vida pública no Amapá. Atuou por trinta e cinco anos na Agricultura, desde o preparo e conservação de solos, suportando o sol causticante dirigindo um trator, até exercer funções de chefia e liderança, tendo sido responsável com outros líderes na organização administrativa e na implantação das atribuições do órgão gestor da produção. Sua participação técnica foi muito importante para a introdução da Escola de Iniciação Agrícola, de Núcleos Coloniais e do Museu Industrial.  Renato, muito contribuiu para melhorar a gestão da comercialização nesses setores.
Católico participante do Movimento Cursilho da Cristandade e Membro fundador da Confraria Tucujú. Espaços onde manifestou importantes contribuições como Cidadão Macapaense.
Seus dotes artísticos se estendem à parceria musical de tantas expressões amapaenses, seja no rádio novela da Rádio Nacional nos idos 50 ou em quermesses de clubes ou serestas nas noites de luar da estrelada Macapá.                                                  
Animador dos antigos carnavais de rua comunicava-se de maneira popular. Alegrava-se em falar aos brincantes, informando roteiros culturais e festivos durante os carnavais.  Participante do movimento musical e instrumental que consagraria a velha guarda. A boemia aprendida no Rio de Janeiro o fez Presidente da Escola de Samba Boêmios do Laguinho, e no esporte foi fundador dos Clubes Fazendinha e Cruzeiro. Presidente do 13 de setembro Desportivo Clube. Secretário por duas décadas do Tribunal de Justiça Desportiva do Amapá.
Apaixonado por música popular, política e um bom papo, revolucionário do seu tempo, acompanhou a transformação do Amapá e do Brasil por mais de oito décadas. Cidadão comprometido com a instalação do Território Federal e organização da vida econômica e sócio cultural do Estado do Amapá.
Renato Filgueiras Vianna, faleceu em Macapá, no dia 6 de dezembro de 2011, aos 85 anos.
Fonte: Carlos Vianna, filho do biografado.

Um comentário:

  1. Olá João! Eu me lembro do Renato Vianna dos tempos da Fazendinha, quando, menino, morei lá, nos anos 1950 e início dos anos 1960. Inclusive do Fazendinha Esporte Clube.

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