sábado, 11 de setembro de 2021

MEMÓRIA DO RÁDIO AMAPAENSE: JACY DUARTE TAMBÉM PASSOU PELA DIFUSORA

 ICÔNICA PERSONAGEM DO RÁDIO

Por José Machado

Jacy Duarte (Arquivo pessoal)

JACY DUARTE, está entre os inúmeros personagens que contribuíram com seu talento e profissionalismo para a historiografia da Difusora de Macapá, 

Iniciou sua carreira profissional em radionovelas em Belém/Pa. São mais de sessenta anos ininterruptos de microfone e, representa talvez a mais longa e permanente carreira do rádio no Norte do país.

O fenômeno das radionovelas dívididas em capítulos, tinha como principal público-alvo o feminino, e havia total fascínio que a fantasiada ficção proporcionava.

As jovens e senhoras, se postavam junto ao receptor em dias alternados à espera da novela que teve grande popularidade e imensa aceitação, atraindo cada vez mais ouvintes. Vendia ilusões e esperanças em arrebatados dramalhões. 

Seguidos das radionovelas, surgiram os seriados que ressignificavam experiências emocionais, no melhor estilo folhetinesco que passavam a se mesclar ao imaginário dos ouvintes, já fidelizados a este novo veículo de difusão da indústria cultural.

Eram o carro-chefe das programações radiofônicas e, as emissoras iniciaram um processo de adaptação que o tempo exigia. Se no início os seriados e novelas eram importados, suas produções passaram a ser locais, gerando um novo nicho de mercado para escritores e jornalistas e aspirantes a carreira de rádio atores e atrizes.

À época, a carência de recursos humanos qualificados, obrigava as emissoras a selecionarem dentre seu próprio quadro de locutores, candidatos a essa modalidade profissional. 

Pauxy Gentil Nunes, então governador do Território Federal do Amapá e, colega de faculdade de Edir Proença (Rádio Clube do Pará), ao fazer uma visita ao amigo, manifestou a intenção de criar o cast de rádio atores (atrizes) da Difusora de Macapá.

Autorizado pelo governador, Mário Quirino, diretor da RDM á época, manteve gestões junto a direção da Rádio Clube, que liberou dois funcionários.

Foi assim, que em meados de 1955, indicados por Proença, os jovens (em idade) mas veteranos radialistas Jacy Duarte e Lindolfo Pastana, migraram para Macapá.

Jacy, à época integrante da Força Aérea Brasileira, pediu transferência para um destacamento avançado da FAB em Macapá, a fim de conciliar ambas as atividades.

Foi um período de intenso trabalho, mas bastante produtivo, inclusive na montagem da grade de programação da emissora, que funcionava no estilo “vitrolão” (música, prefixo) e poucas propagandas. Montaram um elenco com estreantes, que surpreenderam pela versatilidade e exponencial artístico.

Concluída suas missões, Lindolfo Pastana permanece mais alguns anos em Macapá e, Jacy Duarte, retorna a Rádio Clube do Pará PRC-5 e, cria “o Regatão vem aí”, sua marca registrada, que o tornou conhecido em toda a Amazônia e ficou na história da radiofonia paraense.

Inspirado no mascate que viajava pelos rios da Amazônia, comercializando gêneros de primeira necessidade com os ribeirinhos, na base do “escambo” (troca de produtos regionais, agrícolas e extrativistas), JACY, viu sua audiência subir vertiginosamente.

Teve grande aceitação pelo estilo irreverente, coloquial e regionalista de se comunicar, e o repertório sertanejo, entremeado com pequenas esquetes que ficaram consagradas no rádio.

Personagens memoráveis como o velho caboclo, de origem nordestina (muito esperto), o padre, o sacristão, tudo isso intervalado pela leitura das cartas dos ouvintes dos mais longínquos lugares da Amazônia e do exterior, como Noruega e Suíça, ouvido através dos clubes de rádio escuta. 

Tipos folclóricos que ficaram na memória dos ouvintes, tudo   feito de improviso. Um dos programas mais duradouros da emissora e líder absoluto de audiência no horário.

Há 65 anos no ar, “O Regatão vem Aí”, acompanhou a evolução tecnológica e adaptou-se a modernidade do rádio e da mídia digital.

Totalmente “repaginado” em seu conteúdo, as   viagens agora são limitadas pelo sinal da Rádio FM Cultura, e duram o tempo de uma hora.

Jacy, colocou o seu talento e conhecimentos que experienciou ao longo de sua carreira, à compreensão da cultura popular e da alma do povo amazônida através do rádio. 

Um ser humano especial, durante contatos que mantivemos, confirmou o perfil que haviam traçado sobre ele. Um indivíduo educado, atencioso e modesto.

Quando lhe, pedi que falasse sobre sua atuação na Difusora de Macapá, tamanha foi sua surpresa de como soubera dessa fase de sua carreira e, que poucos tomaram conhecimento e que ele julgava perdida no tempo.

Falei do meu propósito de homenageá-lo nesta data, quando do aniversário da RDM. Chegou a enfatizar, que pelo curto período, e o trabalho desenvolvido, não se achava merecedor de homenagens.

Não habituado com modéstia, fiquei surpreso, haja vista que poucos seres humanos estão à prova da vaidade de uma atenção interessada.

Preservar a memória da emissora, torna possível a compreensão dos períodos anteriores, da identidade e da cultura, além do trabalho que envolveram os seus colaboradores.

É importante pontuar que a consolidação, prestígio e conceito conquistados pela RDM perante seus milhares de ouvintes, foi graças ao cast transato, vanguarda de nossas alegrias e orgulho.

Essas figuras icônicas, abriram à várias gerações o campo de expressão artística local, um circuito voltado para o mercado nacional.

Não foram apenas o grande público e os artistas que ganharam, sobretudo, foi notável seu papel na formação de profissionais.

JACY DUARTE, é graduado em Direito e Administração de empresas. Aos 83 anos de idade bem vividos, esbanjando saúde, divide seu tempo entre a produção e apresentação de seu programa, e a Direção da agência de publicidade da família.

E, nas vagas horas, se dedica a Literatura. Publicou “Banco de Praça” que presenteou o articulista com um exemplar (foto) abaixo.

JACY DUARTE, é daqueles indivíduos, que sua   identidade biográfica confrontada com a travessia do tempo, ultrapassou os limites biológicos da finitude e da existência.

Ao ensejo dos 75 anos da Rádio Difusora de Macapá completados hoje, prestamos esta justa e mais que merecida homenagem, a uma icônica e eclética personagem, ainda atuante no rádio paraense e, talvez no Norte do Brasil.

JACY DUARTE, figura entre aqueles que com talento e profissionalismo, ajudaram a escrever a história, deram sentido e feição à pioneira da radiofonia amapaense. Seu contributo foi imensurável para a trajetória de sucesso da RDM, cuja história se confunde com a do Amapá.

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