terça-feira, 19 de março de 2019

Dia 19 de março: Fundação dos Jornais Amapá e A Voz Católica

Em 19 de março de 1945 circulou pela primeira vez, em Macapá, o jornal AMAPÁ, (extinto) de propriedade do Governo do ex-Teritório Federal do Amapá,...
...tendo como primeiro diretor Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque.
Dezessete anos depois, surgia o Jornal A Voz Católica fundado em 19 de março de 1962, dia de S. José,...
...por Dom Aristides Piróvano, primeiro bispo prelado de Macapá. Atualmente está extinto, também. Era um periódico semanal, com tiragem média de mil exemplares. Iniciativa da então Prelazia de Macapá. 
O órgão religioso, teve como seu primeiro editor o padre Jorge Basile,...

Foto;Reprodução web: http://memoriadaliteraturadopara.blogspot.com
...auxiliado pelo cônego Ápio Campos.
O jornal surgiu para divulgar as notícias da Igreja Católica em Macapá, mas também em sua linha editorial havia publicação de notícias sobre o cotidiano do Território do Amapá. A grande importância da Voz Católica, é que nele poderiam ser publicadas notícias censuradas pelo órgão oficial do Governo (jornal Amapá). Resistindo aos caprichos e exageros da ditadura militar, a Voz Católica ficou entre nós até meados de 1974, quando desapareceu, juntamente com a Rádio Educadora São José. Entre outras notícias, a Voz Católica publicou: 1 - A instalação do "Tiro de Guerra 130" (AVC 20.02.1962); 2 – A criação da Guarda Noturna de Macapá, pelo tenente R-2 Uadih Charone, à época comandante da Guarda Territorial (AVC 01.03.1963); 3 – A fundação da Associação Amapaense de Imprensa, ocorrida em 14 de abril de 1963, no pavilhão da então Piscina Territorial, às 20h30min, pelo governador Terêncio Porto, e o desportista Paulo Conrado (AVC 15.04.1963); 4 – A fundação da Sociedade Esportiva e Recreativa São José (AVC 16.05.1963); 5 – A publicação do primeiro Manifesto Popular Pró-Estado do Amapá (AVC 09.06.1963).
(Fonte: EDGAR RODRIGUES)

segunda-feira, 18 de março de 2019

Foto Memória da Cidade de Macapá: Fortaleza de São José – ontem e hoje

Na primeira foto, em preto e branco, vista da lateral do baluarte São José, antes do aterro da área do Igarapé do Igapó. Na colorida, vemos a situação depois do local aterrado.
Abaixo, mais duas fotos comparativas do monumento histórico que mais atrai turistas para o Amapá: a Fortaleza de São José de Macapá.
Antes do aterro do lado direito de seu entorno, as águas do Rio Amazonas, passavam bem próximas à sua muralha, pois era e entrada do Igarapé do Igapó ou Igarapé da Fortaleza.
A Fortaleza de São José é um dos pontos preferidos para visitação pública, em Macapá.
Resumo histórico - É o único monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amapá, segundo o historiador e jornalista Edgar Rodrigues. Com quase 20 anos de construção, a fortaleza foi inaugurada no dia 19 de março de 1782 e, portanto, completa em 2019, 237 anos.
Considerado o mais belo, o mais imponente e o mais sólido monumento militar do Brasil no período colonial, a planta era do engenheiro Henrique Antônio Gallúcio, estilo Vauban, de oitava classe, em quadrado e seus baluartes pentagonais nos vértices.
Os engenheiros e técnicos que a construíram, enfrentaram grandes dificuldades na movimentação do terreno, na condução dos blocos de pedras, na edificação do monumento propriamente dita. Trabalharam durante dezoito anos até darem por concluída a empreitada gigantesca que iniciaram.
De acordo com o historiador Nilson Montoril, o baluarte de São Pedro foi o primeiro a ser construído.
A pedra fundamental da construção da Fortaleza de São José de Macapá foi lançada pelo então governador do Grão-Pará, Ataíde Teive, e o engenheiro da fortificação, Henrique Galúcio, que morreu em 1769 após contrair malária.
Segundo Nilson Montoril, a construção da Fortaleza de São José de Macapá, durou 18 anos, e teve o uso de 2 mil trabalhadores, entre negros e índios. "Os escravos trabalharam em várias frentes na fortaleza. Uns eram usados para erguer a estrutura do forte, outros ficavam perto do Rio Pedreira (Macapá) para tirar as pedras do fundo d'água para serem utilizadas na construção", explicou o historiador.
Fontes consultadas: G1 e Amapá em destaques

sexta-feira, 15 de março de 2019

Foto Memória de Macapá: Inauguração da Praça Barão do Rio Branco

Nossa Foto Memória de hoje, foi extraída do livro “História do Amapá: da autonomia territorial ao fim do janarismo 1943 - 1970” de Fernando Rodrigues dos Santos – Editora Gráfica o Dia - 1998.
Colaboração do amigo Rogério Castelo, parceiro do blog.
Um registro da inauguração da Praça Barão do Rio Branco em 1 de dezembro de 1950, pelo governador Janary Gentil Nunes. Presença de autoridades e estudantes.
Fonte: Sugestão de pauta -  Biblioteca da SEMA/AP

terça-feira, 12 de março de 2019

Meio Ambiente: Bosques de aturiá - A cortina verde em frente à cidade

Édi Prado *
Quem é ou mora há muito tempo em Macapá olha, mas não vê os bosques que se multiplicam em frente à cidade. Eles começaram a se formar logo após a construção do Trapiche Municipal. Começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, contudo a inauguração aconteceu somente em 1945, quando o prefeito estava no segundo mandato.
O projeto de construção, inicialmente foi submetido à Marinha Brasileira, que inviabilizou a obra, prevendo exatamente aquilo que aconteceu após a inauguração.
Não foi de imediato. Mas era preciso uma prevenção. O local por ser raso e pela bravura avassaladora das águas, não oferecia segurança nem condições de atracação das embarcações oriundas das outras cidades amazônicas. Ocorria o rápido assoreamento do Rio Amazonas, ou seja, o acúmulo de terra ou barro do leito nas vazantes, que impediria a atracação de barcos, durante a maré baixa. 
Como se observa na foto de 1958, quando da chegada dos corpos carbonizados de autoridades do então Território do Amapá, várias “maternidades” em forma de touceiras se formando. “Maternidade” é o termo técnico que os biólogos chamam as touceiras de aturiás e outras vegetações, durante a formação.
A intensificação se deu com a construção do sistema de captação de água da Caesa-Companhia de Água e Esgoto do Amapá, empresa estatal, da qual o governo do Estado é o sócio majoritário.
Em 1971 foi inaugurada a primeira Estação de Tratamento de Água (ETA) no bairro do Beirol, abastecida pela Estação de Captação construída na orla da cidade, no Rio Amazonas. A segunda ETA foi construída em 1997, ao lado da primeira, e a terceira vem sendo estudada para ser construída. Todas essas obras em nenhum assessoramento técnico especializado.
“E são essas construções erguidas sem nenhum critério técnico da convivência harmônica entre a intervenção humana com a natureza, as responsáveis por trapear, ou formar armadilhas para o depósito e o transporte dos resíduos, trazidos pela maré, causando a sedimentação e o assoreamento das áreas”, explica o Mestre em biologia do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá – Iepa- Salustiano Vilar da Costa Neto(UFA), reforçado pela Dra. em Geofísica Marinha (UFF), Valdenira Ferreira dos Santos e também geóloga especialista em Estudos da Amazônia.
A formação desses bosques faz parte do processo natural da hidrodinâmica nos rios do Amazonas e são alterados drasticamente quando se cria estruturas nessas áreas de várzeas, sem estudos, ignorando as correntes fluviais e de marés e a direção dos ventos.
“A tecnologia precisa ser uma aliada da natureza. Não se opor a ela. A natureza veio primeiro e precisa ser priorizada nesses projetos”, adverte a Dra. Valdenira Ferreira.
Priorizada não apenas pela questão da preservação dos ambientes, mas quando a tecnologia se opõe as forças da natureza, na maioria das vezes o homem perde.
Floresta urbana - Pelos cálculos dos moradores, esses bosques vêm se formando há mais de 56 anos e o processo de formação é irreversível. Mas não para os técnicos do Iepa, que vêm monitorando o ambiente desde maio de 2007, quando um grupo de moradores do bairro Perpétuo Socorro foi solicitar permissão para a retirada dos bosques, sob a justificativa de que o assoreamento estaria estreitando o canal, que permite o acesso às embarcações que atracam naquele porto, trazendo das ilhas do Pará e Amapá, alimentos, produção agrícola, telhas, madeira, tijolos e fazendo o transporte de cargas e passageiros. O máximo que eles conseguiram foi à licença para podas e limpeza nos pés das árvores na área, a fim de dar mais vazão ao volume d'água, explicou Salustiano Neto.
Perfil do lugar - O levantamento, registro e medição desse processo são lentos. Existem variações de velocidade da maré e direção dos ventos, explicam os especialistas. Para se emitir um parecer técnico abalizado, eles fazem o registro fotográfico em terra e coletam as fotos de satélites para elaborar o mapa em determinado período. “Os canais e os bancos de areia migram com frequência. Não existe um mapeamento fixo. Tudo depende da hidrodinâmica. Da quadratura, que é o movimento da maré de acordo com as fases da lua e outros fatores determinantes nesse processo” orientam os estudiosos.
Devagar e sempre - Eles explicam porque as pessoas que caminham, passam diariamente pela frente da cidade, deleitam-se com os ventos nos quiosques enquanto desfrutam da culinária local e sorvem os licores e nem percebem a formação desses bosques. “Olham, mas não veem” porque o processo é lento para quem se acostumou com essa nova paisagem. “Ainda é cedo para tecer um perfil e diagnosticar o futuro desses bosques. Mas a tendência é que esses blocos de bosques isolados venham colar com a floresta que está formada no Perpétuo Socorro e formar uma grande vegetação em frente a cidade”, avalia a Dra. Valdenira Ferreira.
Como otimizar o espaço? - Resta definir com outros setores, como a Secretaria Estadual e Municipal do Meio Ambiente - Sema - Ibama, Secretarias Estadual e Municipal de Turismo o que fazer para aproveitar este cenário como atração turística, laboratórios vivos e área de lazer e de contemplação do maior Rio do mundo, em forma de passarelas ou até mesmo numa espécie de tablado ou píer flutuante. “Só ver de longe já é uma paisagem intrigante, diferente e bela”.
Imaginar-se no meio dos bosques, andando sobre o Amazonas e conhecendo como se forma todo esse processo é um espetáculo e tanto para os estudiosos, cientistas, alunos e, principalmente para o turista que ficará deslumbrado com essa experiência inesquecível.
“É um projeto autossustentável que se paga em pouco tempo e pode expandir-se para outros bosques ao longo dos quilômetros de extensão, onde o Amazonas beija’ a frente da cidade de Macapá”.
Viver em harmonia - “Assim não há necessidade de conflitos. Homem e a natureza voltam a integrar-se harmoniosamente. O que não é recomendável é que as obras sejam projetadas sem a orientação técnica de especialistas em geofísica marinha, biólogos e outros especialistas afins”, adverte severamente a Dra. Valdenira Ferreira. Enquanto isso a natureza vem realizando a transformação e compondo novos cenários em frente da cidade de São José de Macapá.
O verde sem ver-te - Resta definir se tudo ficará verde sem visão para a cidade ou se “esse presente” poderá se transformar numa nova, atraente e única paisagem do Brasil, em frente do maior rio do mundo, na linha imaginária do Marco Zero do Equador”, questionam os técnicos, que apresentam propostas projetadas numa visão equacionada entre a preservação e a contemplação num projeto turístico viável e rentável.
Identificação fitoterápica
Aturiá: Drepanocarpus ferox, Machaerium ferox
Família - Leguminosas.
Sinonímia - Juquiri.
Resumo Descritivo - Cipó ou arbusto trepador.
Alternativa de Uso - Utilizado como resolutivo.
Parte usada – folhas.
Aturiá: s. m. Etim. (Tupi ‘aturi’a). Árvore leguminosa (Machaerium lunatum (L)), de ramos compridos e tortuosos, no baixo Amazonas e litoral do Pará e o Drepanocarpus ferox M., de campo de várzea da Amazônia. Esta planta ribeirinha arbustiva só vinga no estuário. Vive em família, debruçada na borda dos canais e ilhas. Tem o sinal da maré alta deixado pelo sedimento fluvial na ramaria.
Significado de aturiá
sm (tupi aturiá) 1 Bot Árvore leguminosa-papilionácea (Drepanocarpus lunatus). 2 Ornit
O mesmo que cigana, acepção 3.
Box
A opinião pública
O observador leigo pergunta por que deixaram ou permitiram que continuasse se formando verdadeiros bosques em frente da cidade ou é um processo irreversível da dinâmica natural do Amazonas?
O cenário está tirando a visão de quem chega à cidade e para quem está nela. Novos focos de outros bosques, como maternidades, estão se formando bem ao lado do trapiche municipal em toda a extensão até a Fortaleza. O que deve ser feito diante desta realidade? Qual a função desses bosques? O assoreamento e a sedimentação de terras e os entulhos trazidos pela maré estão sendo mais de contenção do que retorno.
A sua majestade, o tempo está confirmando essa tendência. Qual o destino desses bosques? A legislação não permite a retirada, uma vez que já existe um ecossistema e as condições de procriações de vários espécimes, além de pousadas para os pássaros. É possível aliar ecologia com turismo? Transformar aquelas áreas numa espécie de laboratório vivo da natureza?
Num espaço de lazer e um ponto para desfrutar da natureza? Até onde vão permitir a expansão, se é que o ser humano deve fazer essa intervenção sem causar graves consequências para o meio ambiente? Qual a importância para o ecossistema? O bosque permite e facilita a sedimentação. Assim vai rompendo a barreira de contenção ficando mais alta nivelando com a terra. Há risco de invasão do Amazonas sem a contenção? No bairro do Aturiá a erosão tem sido devastadora. O que fazer para conter a fúria do Amazonas e evitar que o Rio avance para a cidade como está ocorrendo naquele lugar?
Legendas: Fotos Erick Macias – Danda, Édi Prado
*Édi Prado – Jornalista amapaense, formado pela FACHA , Rio de Janeiro em 1982.
Pós-graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing (CEAP).

sexta-feira, 8 de março de 2019

Fotos Memória de Macapá: Expedição Boanerges Lopes de Souza

Nossas fotos memórias de hoje, foram sugeridas pelo amigo Rogério Castelo, parceiro e colaborador do Porta-Retrato. Ele é editor do blog Amapá, minha amada terra!”, onde podemos encontrar uma infinidade de informações relacionadas com a história da cultura, das artes e da diversidade da Amazônia. Rogério é um pesquisador nato, interessado em ajudar as pessoas que buscam o conhecimento sobre inúmeros temas amazônicos.
E hoje ele nos brinda com informações inéditas e preciosas sobre expedições lideradas pelo militar e sertanista mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon.
Tratam-se de preciosidades históricas,  extraídas do livro Índios e Explorações Geográficas, de autoria do Marechal Boanerges Lopes de Sousa, editado pelo Ministério da Agricultura - Conselho Nacional de Proteção aos Índios, no ano de 1955.
O livro com relatórios de viagens realizadas pelo Marechal Boanerges Lopes de Sousa, colaborador de Rondon, com estudos geográficos na década de 1920, está dividido em 4 partes:
1ª Parte - "Explorações Geográficas na Região do Alto Rio Negro" - contribuição para o 9º Congresso de Geografia, realizado em 1942.
2ª Parte - "Uma viagem ao Oiapoque" - tema de uma conferência em que Boanerges conduz o leitor do porto de Belém (Pará) até o de Clevelândia, no Rio Oiapoque, proporcionando-nos excelentes informações do contexto de época.
3ª Parte - Constituída por palestras e conferências em que o autor aborda aspectos concernentes à proteção e assistência a povos indígenas.
4ª Parte - Exposição sucinta de trabalhos da Comissão Rondon no Sul de Mato Grosso, na construção de linhas telegráficas. E uma homenagem ao Marechal Rondon pela Sociedade Brasileira de Telecomunicações, em 1954.
Na parte referente ao Amapá (página 78 à 120), apresentada em Conferência realizada em 23/11/1942 pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, reproduzimos algumas imagens e texto interessantes.
Nesta primeira foto da década de 20, vemos o desembarque em Macapá, em carroças que cooperam no transporte dos passageiros.
"...Chegada a Macapá... O navio ficou à distância. O porto é pior que o de 'Chaves'. A praia é extensa e rasa, de leito coberto de lama endurecida. Para o desembarque, recorre-se ao serviço de carroças, puxadas por muares; estas se adentram pelo mar, ao encontro das canoas, para receber os passageiros e as bagagens."
Importante observar no texto, a preocupação do autor com as dificuldades inerentes do desembarque e, àquela época, já era sentida a necessidade da construção de um trapiche com tais finalidades, o que só aconteceu 20 décadas depois.                                            ´
"É um espetáculo interessante e um tanto cômico esta baldeação das canoas para as carroças e o acesso ao ponto de desembarque. Poder-se-ia evitá-la construindo um trapiche para atracação dos vapores, mas isso demanda estudos especiais, porque são fortes os ventos que sopram do Norte e a ação demolidora do mar, acossado pelo vento, faz a costa recuar, dia a dia, o que é agravado pelo fluxo e refluxo das marés. A cidade bicentenária já perdeu algumas ruas, recuando cerca de quatrocentos metros para o interior. Entre os edifícios que desapareceram com o efeito da erosão, cita-se o Hospital Militar da antiga guarnição."
"Uma testemunha da costa de outrora é a 'Pedra do Guindaste', um bloco de argila tão endurecido que ali permanece cerca de 500 metros afastado do cais de proteção contra a ação hidro eólica. Contam que foi ali que os portugueses desembarcaram para construir a Fortaleza de Macapá.
Quem foi Boanerges?
Marechal Boanerges Lopes de Sousa foi um dos eficientes colaboradores de Rondon, servindo na Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (Comissão Rondon) no período de 1910 a 1922; foi chefe de Estado Maior do Marechal Rondon na Inspeção de Fronteiras (Comissão organizada no governo do Presidente Washington Luiz); e entre outras atribuições, também foi Presidente do Conselho Supremo de Justiça Militar e integrou o Conselho Nacional de Proteção aos Índios, do qual, durante 9 anos, foi um dos mais estudiosos e dedicados membros. Os trabalhos que apresentou no decorrer do longo período que serviu sob a chefia de Rondon estão consubstanciados em minuciosos relatórios contendo valiosa documentação ilustrada com mapas, fotografias e dados estatísticos, os quais merecem ser divulgados.
Fonte: BIBLIOTECA AMBIENTAL DA SEMA EM MACAPÁ

sábado, 2 de março de 2019

Foto Memória de Santana: O Pioneiro Eládio dos Santos (em memória)

Hoje, nosso blog “Porta-Retrato – Macapá”, presta uma justa homenagem ( em memória ) a um pioneiro do Estado, que, como muitos outros, prestou relevantes serviços ao Amapá. 
(Reprodução)
Falo do cidadão simples, humilde, trabalhador e de um coração maior que ele: Sr. Eládio do Santos, pai do amigo Altamir Guiomar, uma figura que conheci através da rede social, e que tem propósitos semelhantes aos do blog, de preservar e compartilhar os registros históricos e fotográficos da memória do Amapá e de seu povo. Ele é editor da página Portal ICOMI, no Facebook. Altamir, como eu, João Lázaro, também passou pela ICOMI. Ele, na verdade, passou pelo Grupo CAEMI: iniciou pela BRUMASA depois transferiu-se para a ICOMI, em Santana, passando ainda pela CODEPA, AMCEL e finalmente pela Prefeitura de Santana.
Seu Eládio dos Santos, também foi funcionário da ICOMI, e trabalhou no Escritório Central da Empresa, em Santana. Foi lá que o conheci quando passei pela mineradora, de 1970 a 1977. Seu Eládio era paraense de Breves, onde nasceu em 1909. Chegou a Macapá em 1944 com 35 anos, indo morar no Igarapé das Mulheres e lá sobreviveu da agricultura de subsistência por 8 anos. Em 1952 foi admitido pela ICOMI onde trabalhou por 22 anos vindo a se aposentar por idade em 1974. Seu Eládio dos Santos faleceu em 2002, com 93 anos, deixando 14 filhos.
O corpo de Seu Eládio, descansa em Paz no Cemitério de Santana, ao lado da esposa e mais três membros da família, já falecidos.
Informações prestadas por Altamir Guiomar.
Fonte: Facebook

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Ontem e hoje

Nossa Foto Memória de hoje, faz comparação da Escola Estadual Alexandre Vaz Tavares, antes e agora.
A Escola Estadual Dr. Alexandre Vaz Tavares, localizada na Av. Feliciano Coelho nº 117, foi criada através do Decreto nº104/50-GAB/GTFA, no governo de Janary Gentil Nunes, com o nome de Grupo Escolar Alexandre Vaz Tavares. Sua inauguração aconteceu no dia 1° de maio de 1950(um domingo).
Fotos: Acervo IBGE; Fabiana Figueiredo/G1 - Montagem: Rogério Castelo
Sua construção original foi erguida com a frente para a Av. Pedro Baião. Na foto em preto e branco vemos, portanto, a parte de trás do antigo prédio. Até 1970, a Escola possuía apenas um dos dois pavilhões existentes atualmente, com entrada pela Av. Pedro Baião.
Nas imagens da parte dos fundos do prédio, pode ser vista a área coberta, onde funcionou o Jardim de Infância do estabelecimento.
Após a reforma e adaptação do prédio antigo, a área coberta passou a ser a entrada principal que foi mudada para a Av. Feliciano Coelho, como está hoje registrada na foto colorida.
Colaboração de Rogério Castelo.
Fonte:G1

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Ontem e hoje

Nossa Foto Memória de hoje, faz a comparação da Macapá de ontem e de hoje.
Fotos: Acervo IBGE; Fabiana Figueiredo/G1 - Montagem: Rogério Castelo
Na imagem em preto e branco, de 1953 do acervo digital do IBGE, vemos alguns ribeirinhos em sua canoa a remo, tentando encostar na orla da cidade tendo ao fundo o baluarte N. S. da Conceição a nordeste da majestosa Fortaleza de São José de Macapá.
Podemos observar em primeiro plano os trilhos do estaleiro territorial que adentram ao rio.
Naquela época existia a entrada do igarapé fortaleza, ao lado da Fortaleza de Macapá. Na imagem colorida de 2018, de Fabiana Figueiredo/G1, vemos o local totalmente aterrado com a proteção do muro de arrimo para conter a força das águas do Rio Amazonas.
Colaboração de Rogério Castelo.
Fonte:G1

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Chegada de D. José Maritano

Nossa Foto Memória de hoje, apresenta imagens da chegada de D. José Maritano em Macapá, em 18 de março de 1966.
O registro foi reproduzido do site  Mundo e Missão.
Entre as autoridades que o recepcionaram no Trapiche Eliezer Levy, destacamos em primeiro plano, a partir de esquerda: Pe. Vendramini; Pe. Ângelo Bubani; General Luiz Mendes da Silva, governador do Amapá à época; Dom José Maritano; Dom Alberto Gaudêncio Ramos, Arcebispo Metropolitano de Belém; Dom Aristides Piróvano, 1º Bispo Prelado de Macapá; Dom Ângelo Cerqua, 1º Bispo Prelado de Parintins e Dr. Marcelo Cândia.
(Fonte: Site Mundo e Missão)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Foto Memória do Esporte Amapaense: São José - O Tricolor do Laguinho

A Foto Memória de hoje é mais uma do baú de lembranças do amigo João Silva.
“O tricolor do Laguinho, em foto dos anos setenta...Timaço custeado pela grana do mega empresário da construção civil, o paraense Alírio Rodrigues que apaixonou-se pelo futebol amapaense e pelo São José, assumindo a presidência do clube, levando o Padroeiro ao tricampeonato bancando times capazes de rivalizar com Remo e Paysandu, vencendo os paraenses várias vezes em amistosos disputados em Macapá e Belém do Pará.” 
“Anote a escalação desse timaço posando ao lado do presidente Alírio Rodrigues a partir da esquerda para a direita, em pé: Sabará, Antoninho Costa, Odilon, Alceu, Emanuel, Pennafort; agachados: Lauro, Deomir, Guara, Moacir Banhos e Timbó...”
Os dois mascotes são os filhos do Bento Góes (falecido) e do Helder Marinho (Formiga).
Fonte: Facebook

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Esporte estudantil

Reprisamos hoje post publicado no blog em 15 de dezembro de 2012, em que mostrava um registro de 1958, da equipe de basquete do Colégio Amapaense nos jogos ginásio colegiais, na Praça Barão do Rio Branco, gentilmente compartilhado pelo amigo José Dias Façanha:
Em pé, da esquerda para a direita: Francisco Lavor Benigno (Tinilo), José Façanha e Luiz Lavor Benigno.
Agachados: Cláudio Vasques (Ponta Fina) e Antônio Farias.
Com essa republicação prestamos nossa homenagem póstuma a Antônio Farias que aparece nessas imagens históricas, agachado ao lado do atleta Cláudio Vasques.
Nota Triste - Antônio Maria da Silva Farias faleceu em Niterói, na quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019.
O historiador Nilson Montoril, conta que Antônio Farias era paraense de Belém, nascido em 9 de maio de 1942, filho caçula do casal João Braga de Farias e Laura da Silva Farias. Iria completar 77 anos de vida. “Ele passou a infância e a adolescência em Macapá, para onde sua família se deslocou após a instalação do Território Federal do Amapá. Cursou o primário e o ginasial na capital amapaense, além de devotar-se à pratica do basquetebol, defendendo as cores do América Esporte Clube. Ele só deixou a cidade depois que seu genitor se mudou para o Rio de Janeiro. Sua genitora e demais irmãos já estavam residindo em outras paragens. Antônio foi casado com Maria Luísa Castellões Farias e o casal só gerou um filho, que lhes deu um neto. Maria Luísa morreu no final de mês de junho de 2018. Entre nós ainda há contemporâneos do Antônio, inclusive parceiros que integraram a equipe americana.”
Fonte: Facebook
Nota do Editor: As condolências do blog à família enlutada!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Foto Memória do Comércio Amapaense: Casa Líbia

Hoje, trago outro registro fotográfico histórico, do acervo da família Bessa de Castro.
Uma foto memorável da Casa Líbia - um estabelecimento comercial com uma enorme clientela - que se situava na confluência da Rua Cândido Mendes com a Av. Prof.ª Cora de Carvalho, tendo ao lado o escritório do despachante Negrão e, defronte, (do outro lado da rua) o posto Texaco do seu Assis (hoje dos Alcolumbres).
Fonte: Facebook

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Nove Pioneiros de Macapá ( em memória )

Encontrei essa e outras relíquias históricas, compartilhadas pelo amigo Francisco Bessa em sua página, na rede social.
Hoje escolhi para publicar no blog, um importante registro, reunindo uma plêiade de pioneiros amapaenses, que muito contribuíram com o Amapá e seu povo.
São nove senhores, que deixaram seus nomes na história do Amapá, com uma larga e profícua folha de serviços.
Pelo que conseguimos identificar, temos nessa foto sem data, a partir da esquerda para a direita, os senhores: Genésio Antônio de Castro (óculos escuros e calça branca); Murilo Moreira (terno claro); Nilde Ceciliano Santiago; Elionai Cesar da Silva; Raimundo Anaice (terno claro) e o farmacêutico Rubin Brito Aronovitch (terno escuro).
Os três no degrau de baixo, são: Francisco Miccione, Israel Marques Sozinho e Sebastião Leitão.
O grupo em questão, que  integrava o Rotary Clube de Macapá, já está no Reino da Glória.
Fonte: Facebook

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Violonista Nonato Leal e família

Nossa Foto Memória de hoje, vem do álbum de lembranças da Família Leal. 
Num só click, vemos Nonato Leal, Paracy Leal, Mary-Nancy Jucá Leite, e filhos: Venilton, Vanildon, Vânia, Vani e Verinha Leal (de tiara). E no carrinho a pequena Vanize. Doces lembranças!
Resumo biográfico: O vigiense Raimundo Nonato Barros Leal, ou simplesmente Nonato Leal, é um renomado violonista e compositor, experiente e prestigiado em Macapá, autodidata, uma figura ímpar da cultura musical amapaense.
Vive em Macapá desde fevereiro de 1952
Em 1945 se apresenta na Rádio Nacional – RJ no programa Papel Carbono (Renato Murce) e tira nota 10, imitando o violonista Dilermando Reis com a música “Se Ela Perguntar”. Em 1950, ingressa na rádio Marajoara (PA) e excursiona pelo interior do Pará com os músicos e cantores do Cast. da emissora.
Tocou com artistas renomados como Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Waldick Soriano, Carmem Costa, Carlos Galhardo, João do Valle, Luiz Gonzaga, Arnaldo Rayol, Agnaldo Rayol. Também com o Trio Muiraquitã, Sebastião Tapajós, Nilson Chaves, Walter Bandeira, Lucinha Bastos, entre outros.
Excursionou pelo interior do Amapá sob o patrocínio do Governo. Participou da Semana de Arte Amapaense em 1981 e 1984. Em 1958 fez vários programas nas Rádio Dragão do Mar, Verdes Mares e Uirapuru, no estado do Ceará. Compôs vários sambas-enredo para diversas escolas de samba do Amapá. Em 1982 e 1983 participou dos recitais de violão da Rede Nacional da Música (Funarte). Em 1987 participou também do recital didático Vi Lobos, curso de violão do Sesc. Foi professor de violão na escola “Walquíria Lima”, de 1970 a 1988.
Lançou 2 CD’s, sob a direção de Manoel Cordeiro, chamados de “Lamento Beduino” e “Coração Popular”.
O maestro Nonato Leal, de 91 anos, tem participação ativa no mundo musical amapaense e em eventos culturais de Macapá. (Fonte: Diário do Amapá)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Santana: BRUMASA, Avanço Industrial da Amazônia

Em fevereiro de 1968, passava a funcionar em Santana a fábrica de compensados da empresa Bruynzeel Madeira S.A. (BRUMASA).
O empreendimento, teve como atividade principal a fabricação de compensados a partir dos recursos florestais locais, como também a exploração da virola (Virola surinamensis).
A partir de 1965 o projeto passou a tomar corpo, integrando a mais moderna tecnologia na especialidade. Isso foi possível pela feliz conjugação da capacidade empresarial e da especialização de cada um dos dois grupos associados no investimento: a empresa brasileira ICOMI, cujas atividades no Amapá eram a mais importante contribuição ao desenvolvimento da região, e o grupo holandês BRUYNZEEL cuja experiência em industrialização de madeiras tropicais e comercialização dos produtos no mercado internacional lhe deram renome inconteste.
Sua fábrica foi erguida numa área de quase 610.000m², chegando a manter uma produção de compensados em 1975 de 17.000m³, adicionando-se a essa mesma linha uma de sarrafeados, com capacidade de 10.000m³.
Em paralelo com sua produção, a Brumasa também executava um programa de reflorestamento com as espécies Virola, pinus, caribeeu, e em menor proporção, de eucaliptos e ginelina.
Em 1979, A ICOMI adquiriu a participação da Bruynzeel, passando a deter 100% das ações.
Dez anos depois – mais precisamente em fevereiro de 1989 – devido ao esgotamento da virola no Amapá, a BRUMASA foi vendida para a Indústria Trevo, que, mesmo após encerrar definitivamente suas atividades operacionais em Santana em novembro de 1990, a revendeu em 1991, para a Companhia Ibero-americana.
Atualmente sua área e antigas instalações estão integradas às da fábrica de cavacos da Amapá Celulose S.A. (AMCEL), na cidade de Santana, às margens do Rio Amazonas.
(Texto de Emanoel Jordânio – Blog Santana do Amapá )

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Memória da Cidade de Macapá: Colégio Amapaense

Essa primeira foto foi encontrada no site www.conradoleiloeiro.com.br.
Trata-se de um raro cartão postal do Colégio Amapaense, nos bons tempos do Território Federal do Amapá.
Em ambas as fotos vemos o Colégio Amapaense, com os dois pavimentos.
Síntese histórica - O Colégio Amapaense foi criado pelo primeiro governador do Amapá Janary Gentil Nunes, através do Decreto territorial nº 49, de 25 de janeiro de 1947. Recebeu inicialmente o nome de Ginásio Amapaense. Iniciou suas atividades em abril do mesmo ano, de forma condicional, até agosto, quando foi autorizado para funcionar pela Seccional do Ensino Secundário do então Ministério de Educação e Saúde, sediada em Belém (Pará), pela Portaria nº 367/47.
A matrícula inicial foi restrita à 1ª e 2ª séries ginasiais, tendo como sede o Grupo Escolar Barão do Rio Branco (Grupo Escolar de Macapá) em caráter temporário até a conclusão de seu prédio (primeiro bloco).
Em 12 de julho de 1950, o Ministério da Educação e Saúde expediu a Portaria nº 244, concedendo equiparação do Ginásio Amapaense, reconhecendo o ensino ministrado com validade para todo o país.
Em 25.01.1952, pelo decreto governamental nº 125/1952, o Ginásio Amapaense passou a se chamar Colégio Amapaense, recebendo alunos do antigo Curso Científico, que passou a receber a nomenclatura de Curso Colegial, correspondente atualmente ao Ensino Médio, funcionando em três turnos.
Em 13 de junho de 1952 passou a funcionar definitivamente em seu prédio próprio, na Av. Iracema Carvão Nunes com a Rua General Rondon, com apenas 9 salas de aula. 
(Texto: Edgar Rodrigues) 
Fonte: Governo do Amapá.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Memória da Cidade de Macapá: Macapá deixa de ser povoado

Por Nilson Montoril
Aproveitando o ensejo da viagem que realizou a Capitania de São José do Rio Negro, onde foi tratar das questões fronteiriças de Portugal com a Espanha, o Capitão General Francisco Xavier de Mendonça Furtado, Governador do Estado do Grão Pará, colocou em prática o plano de elevar as povoações mais expressivas à condição de vila e as aldeias indígenas ao nível de povoados. Antes de aportar em Macapá, Mendonça Furtado parou na aldeia dos índios Urucará, onde o Padre Antônio Vieira havia introduzido índios nhengaibas, perseguidos por escravagistas. No dia 24 de janeiro de 1758, a aldeia Urucará foi elevada à categoria de vila e testemunhou a instalação do Senado da Câmara. A denominação mudou para Portel. A comitiva do governador chegou a Macapá dia 1º de fevereiro e as delineações do espaço que iria abrigar a vila ocorreram imediatamente.
Este espaço corresponde as Praças Veiga Cabral (Largo de São Sebastião) e Barão do Rio Branco (Largo de São José/São João).As denominações dadas aos dois largos traduzem bem a intenção de Mendonça Furtado em homenagear não apenas os santos, mas também seu irmão Sebastião José de Carvalho e Melo e o Rei D. José I. é claro que o delineamento em questão não passou de uma simples escolha, sem compreender a limpeza total da área, que por ser de cerrado facilitou a empreitada. 
No dia dois de fevereiro, a cerimônia de posse dos membros do Senado da Câmara certamente aconteceu no núcleo pioneiro de Macapá. Nela havia instalações diversas e a população ali residia. Devido ao porte que Mendonça Furtado quis dar a Macapá, o Senado da Câmara foi formado por quatro membros: Francisco Espíndola Bittencourt, que exerceria a presidência e seria o Juiz Ordinário; Carlos de Melo, acumulando as funções de Procurador do Executivo e Tesoureiro; Thomé Francisco Vieira e Manoel José Paes como vogais. Todos eram açorianos, brancos e letrados. Finda a cerimônia de posse, a comitiva do governador, acrescida por militares do reduto fortificado e por populares deu vivas ao Rei de Portugal e desejou-lhe longa vida. A ligação entre o platô da fortificação e a área do atual centro histórico era feita através de uma ponte de madeira construída sobre o igarapé do Igapó e por uma estrada aterrada. A abertura de vias públicas data de 1761, correspondendo a nove ruas, nove travessas e passagens, dois largos maiores e um largo menor.
No dia 4 de fevereiro houve missa campal celebrada pelo bispo Miguel de Bulhões e concelebrada pelo Padre Miguel Ângelo de Morais. 
Encerrado o ato litúrgico o bispo do Grão-Pará assentou a pedra fundamental da Igreja de São José. A seguir, o Governador Mendonça Furtado convidou o Ouvidor Geral Pascoal Abranches Madeira Fernandes a conduzir o cerimonial que redundaria na declaração de elevação do povoado à categoria de vila, que o fez de maneira formal e marcante, a começar pela ereção do pelourinho, símbolo das franquias municipais. Em Portugal “o pelourinho era um pilar de pedra, de estilo burlesco, mas às vezes formoso. Servia de poste para o condenado receber açoites, como lugar de execução, do qual penduravam o criminoso, ou contra o qual se estrangulava e decapitava.” Na Amazônia bastava um grosseiro tronco de madeira com duas travas cruzadas no topo ou argolas. Aos romanos o denominavam pilori e o tinham como símbolo da autoridade e da justiça. O termo pilori evoluiu para pelouro, que era cada um dos ramos da administração de uma vila ou de uma cidade afeta aos vereadores da Câmara Municipal, onde se reuniam os vogais representantes do povo e entre eles o Juiz Ordinário e o Procurador. A franquia de que desfrutavam as vilas consistia na liberdade e direito de cobras impostos e ministrar a justiça em primeira instância. O vogal era o representante paritário da classe popular e tinha direito a voto. 
A direção da segunda vila a ser instalada por Mendonça Furtado foi exercida pelo Senado da Câmara, cujo prédio foi construído ao lado direito da Igreja, no espaço que hoje abriga a Biblioteca Estadual Elcy Rodrigues Lacerda.
Pouco a pouco, a contar de 1761, as casas destinadas aos moradores da vila e os prédios públicos foram sendo construído em taipa-de-mão. A área inicialmente habitada era delimitada pelas ruas Formosa (Cândido Mendes) e da Campina (Tiradentes) e pelas Travessas do Lago (General Gurjão) e da Estrela (Presidente Vargas). 
Por trás da Igreja de São José, que sempre ficou de frente para a rua São José, passava a rua dos Inocentes, interligando as travessas do Lago e da Estrela. 
O largo que demorava após a igreja também ficou rotulado pelo povo como Largo dos Inocentes. Com o passar do tempo, o quadrado compreendido entre a Rua São José, a rua da Campina e as Travessas do Lago e da Estrela tornou-se o ponto mais habitado de Macapá. O povo dizia que ali tinha tanta gente que mais parecia um formigueiro. A expansão no sentido do rio Amazonas ocorreu muito tempo depois. Neste dia 4 de fevereiro de 2019, comemoramos os 261 anos da elevação do povoado de Macapá à categoria de vila. Se contarmos o tempo desde o ano de 1751, período em que Macapá passou na condição de povoado, a existência de colonizadores nesta área sobe para aproximadamente 268 anos.
Texto publicado originalmente na edição de 02/02/2019 do Jornal Diário do Amapá