sexta-feira, 13 de julho de 2018

Fotos Memoria de Macapá: Dois Momentos Família do Pecuarista Eugênio Machado

Nossas Fotos Memória de hoje, revivem dois momentos família do pecuarista Eugênio Machado.
No primeiro flagrante, em uma foto compartilhada pela amiga Ofiza do Nascimento, ele aparece, dançando a valsa de 15 anos com sua filha Maria das Dores (Maricá), observados por amigos e convidados. Ofiza Nascimento é filha de José Serra e Silva, ex-prefeito de Macapá.
A segunda foto, muito antiga, postada pelo amigo João Silva, que pertence ao acervo de parentes, retrata uma reunião de família numa data festiva em Macapá, em março, no antigo Bairro Alto na residência de Eugênio Machado, finalzinho da década de 50, época em que era considerado um dos maiores pecuaristas da região.
No registo vê-se membros das famílias Machado, Pontes e Serra e Silva. Aparecem José Serra e Silva, que foi prefeito de Macapá de 47 a 50, além do pecuarista Eugênio Machado (agachado à direita), a esposa Maria Souza, irmã de José Serra e Silva, o aviador Carlito Pontes que foi também diretor da RDM, a esposa Raimunda Machado, e a odontóloga Maria das Dores, a 'Maricá', irmãs. As crianças podem ser os filhos do Carlito Pontes com a Raimunda Machado que ocupou cargos importantes na administração pública do extinto Território do Amapá (Carlos Noé, Denise, Antônio Eugênio). Algumas pessoas não foram citadas, aceitamos a colaboração da família no sentido de identificá-las. Dos que aparecem no registro já faleceram: Eugênio Machado, Maria Souza, José Serra, Carlos Pontes, e Raimunda Machado.
Fonte: Facebook

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Foto Memória de Santana: Time de Funcionários da Brumasa-S/A

Nossa Foto Memória de hoje, foi compartilhada pelo amigo Altemir Guiomar, em sua página no Facebook.
É um registro de 1970 - o time da Brumasa-S/A, no Estádio Augusto Antunes, em Santana/AP.
Fonte: Facebook

quarta-feira, 11 de julho de 2018

FALECIMENTO: Música do Amapá está de luto/Morre o amapaense Aimoré Nunes Batista.

Morreu às 19:30hs desta segunda-feira,9, em Fortaleza-CE, aos 70 anos de idade, o músico amapaense Aimoré Nunes Batista, o Aimorezinho, (cujo nome é grafado com “i”, mesmo)...
(Imagens: Reprodução de arquivo)
...o segundo dos quatro filhos de Francisco Aymoré(com “y”)/Estela Nunes Batista, casal levado para o Amapá por Janary Nunes - ela, Dona Estela, prima do primeiro governador do Amapá.
(Imagem: Reproduição/Facebook)
Aimoré era natural de Macapá/Amapá, nascido em 29/10/1947, casado com Kilsa Carneiro Batista, de cuja união foram gerados 3 filhos: Tinally(filha); Aymore Neto e Jan. 
Aimoré estava há trinta anos radicado em Fortaleza.
No currículo escolar chegou até a FAE - Faculdade Católica de Administração e Economia, em Curitiba (curso incompleto, que pretendia concluir em Fortaleza).
(Imagem: Reprodução de arquivo)
Tocava muito, não houve instrumento que não se rendesse ao seu talento: piano, escaleta, violão, acordeom, gaita, flauta, guitarra.
(Imagem: Reprodução de arquivo)
Estudou piano no Conservatório Amapaense de Música; 
(Foto: Reprodução de arquivo)
...acordeom, na Academia Mestre Oscar Santos, em Macapá; 
(Imagens: Reprodução da Web)
...participou como pianista do Conjunto Musical Os Mocorongos, de Belém do Pará, em parceria com o violonista renomado Sebastião Tapajós, do qual assimilou grande parte do seu desempenho; 
(Foto:: Reprodução de arquivo)
...no Amapá, teve uma passagem em Os Cometas, mas preferiu criar O 'Aymoré e seu conjunto', grupo que animou muitos bailes em Macapá, Santana e Serra do Navio; no Rio de Janeiro, teve a oportunidade de acompanhar musicalmente cantores (as) de renome em boates  e lecionou violão, na mesma cidade.
Nas suas idas e vindas entre Fortaleza e Macapá criou também o Grupo E-Lítero Musical nas redes sociais.
Poucos sabem, mas na casa do Inspetor Aymoré, na Iracema Carvão Nunes, marido, mulher e a filha mais velha tocavam violão e foi assim que Aimorezinho criou gosto pela música, tanto que aos sete anos, por insistência dele, teve que ser matriculado no Conservatório Amapaense de Música. Um dia a diretora mandou chamar o pai e disse-lhe: - Seu Aymoré leve seu garoto para uma cidade grande, o talento dele não cabe aqui.
O pai levou o filho para estudar música fora de Macapá e lá a sua habilidade precoce transpôs a sala de aula para brilhar na noite de Belém com licença do juiz, conta o irmão Itabaracy, emocionado. Fez concerto nas principais cidades do Nordeste, tocou piano e violão nos melhores clubes e points da noite de Fortaleza.
Fora da vida artística Aimoré desenvolveu outras atividades como funcionário da seção de ações da Supergasbrás, no Rio de Janeiro; gerente de bancos do Mercantil de São Paulo, do Pontual, do Bozano Simonsen e do Bandeirantes, em Fortaleza; gerente comercial do Café Marumby, em Curitiba/Paraná; gerente da IAP-Sul Fertilizantes, no Paraná e no Rio Grande do Sul e outras menos relevantes.
Aimorezinho tinha câncer, estava hospitalizado desde a semana passada.
O agravamento de seu quadro clínico provocou a falência múltipla de órgãos o que causou seu óbito.
A esposa Dona Kilsa informa que o corpo de Aimoré após cremado, as cinzas serão levadas para Macapá e jogadas no Rio Amazonas, em data a ser anunciada.
Dados biográficos extraídos do Currículum do falecido, com informações complementares de familiares e do jornalista João Silva.
Nossas condolências à família Nunes/Batista, por tão grande perda. 
Que a alma de Aimoré descanse em Paz!
Fonte: Família Nunes Bastista

terça-feira, 10 de julho de 2018

Fotos Memória de Macapá: O terreno da Panair do Brasil, em Macapá

Quando a diminuta cidade de Macapá, ainda pertencia ao Estado do Pará e era a sede do município de Macapá, mais precisamente em 1940, lá se instalou a Panair do Brasil S. A., uma importante empresa de aviação aérea.
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A pista por ela construída, para pouso e decolagem de seus aparelhos DC 3 tinha seu início no ponto onde foi aberta, em 1944, a Rua General Rondon, derivando em sentido diagonal, quase no formato da letra “L, para o espaço que hoje abriga o terreno do Esporte Clube Macapá, Câmara de Vereadores, Prefeitura Municipal de Macapá e centenas de outros imóveis”.
A largura do aeroporto equivalia à gleba rasgada pelas Avenidas Procópio Rola e Raimundo Álvares da Costa. O trecho inicial da Rodovia Macapá/Clevelândia, correspondente ao ‘km zero”, demorava na atual confluência da FAB com a Eliezer Levy. A extensão da pista, rumo oeste, findava em uma área alagada, próxima Rua Hildemar Maia. A Rua Tiradentes, que já foi identificada como Coronel José Serafim Gomes Coelho e Travessa Francisco Caldeira Castelo Branco, limitava o núcleo urbano de Macapá.
A casa da Estação de Rádio/Farol da Panair do Brasil e a residência do gerente da empresa fora edificada, em madeira de lei, exatamente onde agora fica o prédio do Centro de Educação Profissional de Música Walkiria Lima.
A área ampla, contendo árvores frutíferas e um pequeno regato, por onde as águas pluviais escoavam para a ressaca formada pelo Igarapé da Fortaleza.
Algumas pequenas construções em alvenaria abrigavam instrumentos que mediam fenômenos atmosféricos. 
Um deles ficava no terreno concedido ao historiador Nilson Montoril, pelo General Ivanhoé Gonçalves Martins, governador do Território Federal do Amapá, entre abril de 1967 a novembro de 1972. Em abril de 1944, estando em curso a instalação da mencionada unidade administrativa, o Governador Janary Gentil Nunes reuniu com os líderes da comunidade negra de Macapá, que ocupavam a área em volta do velho Largo de São João e com eles negociou a desapropriação de suas propriedades. Ficou acertado, que os atingidos pela medida receberiam em cruzeiros, moeda da época, os valores certos e irrefutáveis dos seus bens.
A maioria do pessoal alvo da desapropriação tinha suas roças nos campos do laguinho, onde o governo deveria instalar um novo aglomerado populacional. O acordo foi firmado e o valor da indenização pago em moeda corrente. De imediato, duas ruas foram abertas: General Gurjão e Eliezer Levy. A primeira passou a delimitar a cabeceira da pista de aviação da Panair. A segunda começava na atual Av. Pará e estancava na cerca de arame farpado do aeroporto (Raimundo Álvares da Costa). A sequência da via pública partiu do “km zero” no rumo do Cemitério Nossa Senhora da Conceição. Trechos assim eram chamados de pontilhão.
(...)
Em 24 de maio de 1945, a empresa Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul substituiu a Panair do Brasil e incorporou ao seu patrimônio os bens da retirante. 
Por volta de meados da década de 1950, a cidade de Macapá tinha se expandido consideravelmente.
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Nas avenidas General Gurjão, Mendonça Furtado, Presidente Vargas, Iracema Carvão Nunes e Procópio Rola surgiram casas para servidores públicos graduados, erguidas à conta de recursos orçamentários do governo federal e do IPASE.
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Como pode ser observado, já existiam o Hospital Geral de Macapá, a Maternidade, o Dispensário dos Tuberculosos e a Unidade de Nutrição e Materno-Infantil.
Texto do historiador Nilson Montoril publicado na edição de 08 e 09 de julho de 2018, do Jornal Diário do Amapá.
Fonte: Diário do Amapá

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Foto Memória de Macapá: Inauguração da Praça Isaac Zagury, em 1981

Foto Memória de hoje, extraída de um recorte do Jornal do Povo de 1981, relembra a inauguração da praça Isaac Zagury, em 31 de março, com o descerramento da fita pelo prefeito de Macapá, à época, Murilo Agostinho Pinheiro e pelo Governador Annibal Barcellos, com a participação de familiares do homenageado, autoridades e convidados.

domingo, 8 de julho de 2018

Foto Memória de Macapá: Pioneiros da construção civil do Amapá

Nossas Fotos Memória de hoje, são registros raros, dos primeiros operários da Construção Civil do Amapá.
As obras do Hospital Geral de Macapá, do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, da Escola Industrial de Macapá e da Residência Oficial, foram responsáveis pela ida dos primeiros operários da Construção Civil para o Amapá.
A mão-de-obra qualificada para executar as primeiras obras do Território Federal do Amapá, em 1946, foi toda importada de outras partes do país, essencialmente do Pará.
Eram pedreiros, marceneiros, carpinteiros, pintores, encanadores e outros trabalhadores necessários para obras de grande porte.
Fonte: Arquivos do Porta-Retrato

sábado, 7 de julho de 2018

Foto Memória de Macapá: Bicicletas Monark Copa do Mundo

Os aficionados por futebol não esquecem as promoções realizadas pelas fábricas de bicicletas, que sempre recorriam às Copas do Mundo para lançamentos de seus modelos, em especial, a Monark, em alusão a esses torneios de futebol.
Em Macapá, dois amigos de infância, também usaram os modelos que são vistos na nossa Foto Memória de hoje:
São eles Carlos Zagalo (camisa clara) e Nilson Montoril (camisa quadriculada) com suas bicicletas Monark - 1966 Copa do Mundo. A bicicleta do Zagalo era azul e branca, e a do Nilson, verde e branca. Ambas possuíam dínamo, farol e pneu balão. Sobre a ponta do para-lama dianteiro havia uma bola de futebol em miniatura, na cor branca.
Nilson conta que comprou a sua barra circular na Casa Leão do Norte, que manteve a primazia de vender com exclusividade, por muitos anos, as famosas bicicletas Monark, em Macapá.
A foto foi tirada na parte posterior da Fortaleza São José, próximo ao Rio Amazonas.
Carlos Zagalo é um pioneiro amapaense, professor de educação física, aposentado, e velho morador da Av. Professora Cora de Carvalho, no Centro.
Ambos já passaram dos 70. 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Fotos Memória de Macapá: Antigo bairro da Favela

O Central, foi o primeiro bairro de Macapá.
Nosso registro retirado do fundo do baú de lembranças, mostra fotos de uma rua, no trecho antes denominado de Bairro da Favela, como era conhecido no início do Território Federal do Amapá. 
A Avenida Mendonça Furtado começa em uma área do centro histórico, onde antes localizava-se o Formigueiro, um núcleo populacional que concentrava boa parte dos primeiros moradores, situados na área de entorno do prédio mais antigo da cidade: a Matriz de São José.
Na primeira imagem dos anos sessenta, compartilhada pelo amigo Ronaldo Picanço, vemos a Mendonça Furtado com o seu canteiro central recém colocado e ainda de chão batido numa visão espetacular a partir da rua Eliezer Levy, Favela a dentro.
Observamos pela esquerda, em primeiro plano o muro do Cemitério N. Sª da Conceição, seguido da residência da família do tradicional pioneiro macapaense Zacarias Monteiro Leite.
Pela direita podem ser identificadas: a primeira casa, que foi residência do jornalista Paulo Conrado Bezerra e família; na segunda casa morou  a família "Rola"; na casa 3 moravam o Sr. Antônio e a prof.ª Nancy Costa e família; no quarto terreno situava-se o sobrado com comércio e residência do Sr. José Picanço de Menezes (Cacú).
Nessa segunda foto, compartilhada pela amiga Alcinéa Cavalcante, vemos algumas figuras do bairro da Favela fazendo pose sobre uma antiga ponte armada sobre o igarapé da Fortaleza, que morria atrás do Hospital Geral de Macapá e passava na parte baixa da Mendonça Furtado entre as ruas Jovino Dinoá e Odilardo Silva. A turma residia na área circunvizinha. Consta, que o moreno deitado é o Ubaldo Mafra. No meio também estava o Jurandino, popular Carudo. Há muitas dúvidas sobre as identificações. (Informações de Nilson Montoril)
Na parte alta da imagem, aparece uma casa onde funcionou a Agência Zola, mas à época era o comércio do seu Manezinho esposo da dona Júlia, mãe do Breca e do Osmar Melo (que foram goleiros do Santana).
O Osmar que depois foi radialista e o seu Chaguinha (um dos pioneiros do carrinho de mão em Macapá) moravam em quartinhos que ficavam do lado da casa do crioulo Jorge. (Fonte: Blog da Alcinéa Cavalcante)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Fotos Memória da Mineração Amapaense: Supermercados ICOMI

A Mineradora ICOMI, tão logo iniciou a montagem de sua estrutura no Amapá, instalou dois supermercados.
A empresa importava produtos de fora do Território e os oferecia para consumo de seus empregados e respectivas famílias, a baixo custo.
Os imóveis ficavam localizados em Vila Amazonas, em Santana, e na Vila Serra do Navio, com grande variedade de gêneros alimentícios e de outros produtos de uso doméstico, para atender as necessidades das duas populações operárias.
Eram produtos considerados básicos, tais como: arroz, feijão, açúcar, charque, gorduras, manteigas, carne-verde, charque, etc, todos vendidos a preços bem inferiores aos praticados no comércio local e mesmo à tabela da SUNAB (Superintendência Nacional de Abastecimento), de Macapá.
O restante dos produtos era complementado com a produção da Fazenda Campo Verde, onde eram cultivadas as mais variadas espécies de hortaliças, próprias ao clima da região, além de frutas e legumes.
Fonte: Revista Icomi-Notícias

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Fotos Memória de Macapá: Os Pioneiros da arte da costura no Amapá

A “Alfaiataria São José”, instalada em Macapá pelo senhor Pedro Ribeiro à Rua 24 de Outubro, na frente de Macapá, foi um marco importante na história da cidade.
Pedro Ribeiro era contramestre da “Alfaiataria Pinto”, em Belém e tinha decidido tentar a sorte no comércio de borracha. Com a produção da borracha em baixa, ele preferiu retomar sua antiga profissão. Casou com Carmosina Reis Cavalcante, filha do Oficial do Registro Civil da Comarca de Macapá, Cesário dos Reis Cavalcante e da senhora Odete Reis. Carmosina estava viúva do senhor Cícero Lemos e tinha os filhos Altair Cavalcante de Lemos, Altamiro Cavalcante de Lemos e Maria das Graças Cavalcante de Lemos. Dos três, apenas o Altamiro aprendeu a costurar.
Esta fotografia é uma das mais antigas da Macapá paraense, batida por volta de 1901. 
Em meados da década de 1920, o prédio que aparece em primeiro plano, feito em taipa de mão, 
abrigou o Cartório de Registro Civil da Comarca de Macapá e a residência do 
Tabelião Cesário dos Reis Cavalcante. 
Na década de 1930, a Alfaiataria São José foi instalada em uma das suas dependências. 
Com a anuência do senhor Cesário Reis, a alfaiataria ocupou um dos cômodos de sua residência. Trabalhavam na alfaiataria o senhor Pedro Ribeiro, sua esposa Carmosina e o garoto Vadoca.  
Vadoca, cujo nome de batismo é Vicente Valdomiro Ribeiro, na época, com apenas oito anos de idade, esbanjava curiosidade e vontade de aprender a profissão que ainda preserva. Nascido e criado na Rua 24 de Outubro, que o povo preferia rotular como Rua da Praia, Vadoca estava sempre perto de sua genitora para ajudá-la nas tarefas de carregar água, rachar lenha, fazer recados e compras. Dificilmente ultrapassava a área da então Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos (Veiga Cabral) devido à rivalidade que os moleques da Matriz e do Formigueiro devotavam aos pirralhos que residiam na frente da cidade. Só ia à Igreja São José acompanhado dos pais ou de parentes. Vadoca veio ao mundo no dia 7 de setembro de 1932, na casa dos pais, Celso de Atayde Ribeiro e Esmerlinda de Carvalho Ribeiro. Sua genitora era natural do Maruanum e residia na casa da Professora Cora Rolla de Carvalho, sua parenta, quando conheceu Celso Ribeiro. Antes de ingressar na “Alfaiataria São José”, o menino Vadoca realizava deveres domésticos e vendia pasteis feitos pela irmã Angelina e jogava futebol com bola de meia e de sernambi. Angelina era casada com Miguel Gantus e morava no início da Rua do Abieiro.
Só quando estava mais “taludinho” é que passou a jogar com bola de verdade no campo do Cumau Esporte Clube, o time alviverde da Cidade, cujo campo correspondia a uma área entre as Travessas Floriano Peixoto (Presidente Vargas) e Braz de Aguiar (Coriolano Jucá), onde depois foram edificados os prédios dos Correios e da antiga Lojas Pernambucanas. Posteriormente defendeu as cores do Inca, São José, Macapá e Trem. Em 1955, com 23 anos de idade, Vadoca casou com Odineia dos Santos Ribeiro. Continuou jogando futebol por mais quatro anos, deixando de fazê-lo em 1959, porque precisava trabalhar em tempo integral para sustentar condignamente a família. O casal gerou nove filhos, seis mulheres e três homens.       
Antes de 1943, ano em que foi criado o Território Federal do Amapá, a cidade de Macapá tinha alfaiates e costureiras de primeira linha. A alfaiataria do senhor Ataíde ficava na Travessa Castelo Branco (Rua Tiradentes) no espaço onde depois funcionou   o Cartório Jucá.
Seu Ataide José de Lima(Barbudo), era acreano onde nasceu em 08 de abril de 1920; chegou a Macapá em 1943. Residiu inicialmente, na Presidente Vargas em frente à casa onde morava a família Zagury, depois em uma travessa que ficava entre São José e Cândido Mendes, ao lado onde residia o Sr. José Trajano Neto, depois mudou-se para a rua São José esquina com a Cora de Carvalho, onde hoje funciona uma agência do  Banco do Brasil.  Alguns anos depois passou a morar atrás do Hospital São Camilo. Depois que se submeteu à uma cirurgia em Belém em 1962, ele abriu um bar, pois ficou impossibilitado de trabalhar na profissão de alfaiate. Seu Ataíde também era espírita e, nos anos 80 e 90, sempre atendia às pessoas num barracão localizado à Rua Mendonça Furtado, entre as ruas Hamilton Silva e Manoel Eudóxio  Pereira. Depois por motivos de saúde, passou atender só na residência dele.
Seu Ataíde era casado com a paraibana Benedita Alves de Almeida,  com quem teve 7 filhos.
Ataíde José de Lima (Barbudo), faleceu em Macapá no dia 08 de março de 1999 e seu corpo está sepultado no Cemitério de São José, no bairro Santa Rita.
Na Avenida General Gurjão (bairro Alto) atuava o Nelson e no Largo do Formigueiro (atrás da igreja Matriz)  o Lameira. 
Lembro também do Seu Luiz (foto), alfaiate que por muitos anos morou, com a família, na Av. Feliciano Coelho, onde antes funcionou o banheiro público do bairro do Trem e depois foi transformado em  rinhadeiro, palco de concorridas brigas de galo, que reuniam muitos aficionados desse esporte, (uma tradição antiga, que tinha juiz e apostadores), que desde 1998, está proibido no Brasil, sendo considerado crime ambiental. A família do Seu Luiz, continua morando no local, no mesmo prédio agora cedido pela Prefeitura Municipal de Macapá.
Depois da instalação do Governo do Território do Amapá, a 25 de janeiro de 1944, a migração de jovens para Macapá foi marcante. O governo precisava de mão-de-obra para a construção de prédios públicos e para diversas atividades que estavam sendo implementadas. Entre os que buscavam emprego estava Herundino do Espírito Santo, conceituado alfaiate e bom futebolista. Ela conhecia o Pedro Ribeiro e não perdeu tempo em procurá-lo.
Herundino nasceu em Belém dia 23 de julho de 1919, filho de Serafim Ferreira do Espírito Santo e Raimunda Jacinta do Espírito Santo. Fez o curso Complementar no Colégio Dr. Freitas e começou a trabalhar em oficina de alfaiataria onde aprendeu a profissão. Chegou em Macapá em 2 de novembro de 1945, ingressando na antiga Guarda Territorial quando assumiu a alfaiataria da instituição, aprontando o fardamento dos policiais e, nas horas vagas costurava para pessoas da sociedade, inclusive para o Capitão Janary Gentil Nunes, primeiro Governador do TFA. Foi atleta do Esporte Clube Macapá e atleta fundador do Trem Desportivo Clube. Casou-se com D. Joana Silva do Espírito Santo e com ela teve oito filhos. Aceito na “Alfaiataria São José”, Herundino colocou em prática sua larga experiência no corte e confecção de roupas masculinas em casimira. A alfaiataria de Pedro Ribeiro também contou com os préstimos de Hermínio Costa, Antônio, Zé Arigó, Maria e Antônia. Com essa equipe, Pedro Ribeiro atendeu a todas as encomendas que a Indústria e Comércio de Minérios S.A lhe fez. A encomenda da ICOMI compreendia o vestuário que os empregados da empresa usavam. O Antônio também se desligou da equipe de Pedro Ribeiro e seguiu o mesmo caminho traçado por Herundino. O Hermínio Costa, irmão do Hélio Costa, o grande centro-avante do Paysandú, passou a trabalhar na Escola Industrial de Macapá, onde, desde março de 1953, atuava o famoso irmão futebolista. O Formiga e o Passarinho I também fizeram parte da alfaiataria da Guarda Territorial. Todos eles, no período de folga, continuaram realizando atividades particulares em alfaiatarias de amigos. O Herundino montou a “Zaz Traz”, uma alfaiataria estabelecida no Largo da Matriz.
Segundo o Vadoca, a equipe de Pedro Ribeiro era muito boa e o trabalho realizado para a ICOMI agradou plenamente. Nessa fase o Vadoca costurava numa máquina Pfaff de fabricação alemã e aprontava quatro calças por dia. À época, as grandes lojas das capitais brasileiras e cidades mais desenvolvidas não vendiam confecções, só tecidos e armarinhos e isso favorecia os alfaiates. Em Macapá a situação não era diferente. O sujeito comprava a fazenda e a levava ao alfaiate para que ele tirasse suas medidas e fizesse a roupa que desejava. A maioria das lojas comerciais de Macapá vendia secos e molhados. Vadoca trabalhou na “Alfaiataria São José” até 1956, ano em que faleceu Pedro Ribeiro. A alfaiataria já não funcionava na Rua da Praia, mas na Avenida Presidente Vargas ao lado da casa da Dona Carmem (Carmita) Mendes, filha do Coronel da Guarda Nacional Manuel Theodoro Mendes, que comandou a guarnição da Fortaleza de Macapá e foi Intendente Municipal. Vadoca conta que o Pedro Ribeiro tinha um calo no dedo mínimo do pé direito, que o incomodava bastante. Ele costumava cortar a parte dura do calo com uma velha lâmina de barbear, fato que redundou em ferimento que infeccionou. Sem dar a devida atenção ao problema de saúde que a lesão lhe causava, Pedro Ribeiro foi acometido de tétano.
Em 1956, o Governador do Amapá era o médico Amílcar da Silva Pereira, freguês do alfaiate. Ao constatar que o estado de saúde de Pedro Ribeiro era grave, o Dr. Amílcar Pereira o mandou para o Hospital dos Servidores Públicos, no Rio de Janeiro. O estágio do tétano estava tão avançado que a perna do alfaiate precisou ser cortada quase no tronco da coxa. De volta a Macapá, usando uma prótese, Pedro Ribeiro apenas cortava pano, mas não tinha como fazer roupa. Faleceu pouco tempo depois da cirurgia, ainda em 1956. Vadoca ficou gerenciando a alfaiataria por alguns dias, entregando-a a senhora Odineia Ribeiro, com quem Pedro Ribeiro havia casado depois de ficar viúvo de Carmosina Cavalcante. Casado há um ano, Vadoca sentiu que era o momento de trabalhar por conta própria e assim procedeu. Seu primeiro auxiliar foi o Chunda, bom costureiro, mas problemático por causa da bebida. Certa vez, com a cuca cheia de cachaça, o Chunda esqueceu o ferro elétrico ligado sobre a mesa de passar roupa e faltou pouco para a alfaiataria do Vadoca virar cinza. O Chunda também trabalhou com o senhor Ataíde e anos mais tarde foi residir em Laranjal do Jarí, onde pereceu afogado. Vadoca domina como poucos a arte da costura. Faz paletó, blazer, jaquetão, camisa, bermuda, calça  e outros tipos de roupa. Trabalhou muito tempo com o linho caruá, linho tubarão (difícil de cortar), casimira aurora (que não pode ser lavada), tropical (caro e bonito), tricolina (apropriada para camisa), chita (usada prioritariamente para camisão de dormir), seda (tecido preferido pelos festeiros e malandros para camisa de manga comprida porque a navalha não lhe causa danos), brim, tergal (que não perde o vinco), etc. Aliás, o Vadoca trabalha com qualquer tipo de fazenda. Nas décadas de 1940, 1950 e 1960, as fazendas de linho dominavam a preferência dos homens. Por ocasião da festa de São José o macapaense da gema não deixava de mandar fazer calça e camisa para ir à missa, acompanhar a procissão e frequentar o arraial. As autoridades territoriais só usavam ternos de linho muito bem engomados por ocasião das solenidades mais expressivas da cidade. Nas lojas que vendiam fazendas em Macapá, todos os apetrechos necessários à costura eram encontrados. O fecho, que hoje é chamado de zíper só era empregado nas roupas das mulheres. Braguilha da calça de homem só levava botões, todos brancos.
Vadoca nunca quis ser funcionário público, preferindo viver da sua profissão. Começou a pagar a previdência em 1952, como autônomo e sempre primou pelo pagamento das contribuições em dia. Beirando os 86 anos de idade, Vadoca faz expediente em dois turnos, de segunda-feira a sábado na sua frequentadissima alfaiataria, na esquina da Rua Jovino Albuquerque Dinoá com a Avenida Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, bairro central. É um ponto de encontro de novos e velhos fregueses. Ali, Vadoca conta e ouve histórias interessantes sobre todos os assuntos. Em uma das paredes há dezenas de fotografias que comprovam sua condição de jogador de futebol e junto a amigos. Chama a atenção de todos, um espelho cuja moldura faz lembrar o famoso espelho mágico que a madrasta da Branca de Neve usava para saber qual era a mulher mais bela da terra. O espelho que o Vadoca conserva na alfaiataria pertenceu à sua genitora e tem mais de oitenta anos de uso. O alfaiate mais antigo de Macapá ainda confecciona e reforma roupas de acordo com o gosto do freguês. A primeira máquina Singer que ele comprou foi usada de 1956 a 1996. Ainda funcionando bem, foi doada a um amigo. A máquina atual, também da marca Singer, foi adquirida em 1996. Há uma máquina Singer elétrica que ele só utiliza para fazer o arremate de algumas partes da roupa que fabrica. Por recomendação médica, Vadoca deve continuar pedalando sua máquina de costura enquanto o vigor físico das pernas permitir.
(Foto: Reprodução / TV Amapá - print de tela)
Um outro profissional de Macapá, ainda em atividade, é Teodolono Sandim da Silva, de 63 anos, que começou em 1968 como alfaiate da Guarda Territorial do Amapá, e guarda até hoje, os antigos instrumentos de trabalho. (Fonte: TV Amapá)
Texto de Nilson Montoril, atualizado e adaptado ao blog Porta-Retrato, com a devida anuência do autor.
( Fonte: Blog Arambaé - Nilson Montoril
Nota do Editor: Santino Inajosa, também alfaiate da Guarda Territorial, é outro personagem da arte da costura, que não pode ficar fora desse registro. O jornalista Ernani Marinho lembra que a alfaiataria de Santino ficava próximo à Casa Leão do Norte, na antiga Av Amazonas, e depois na Candido Mendes, ao lado da Imprensa Oficial, hoje SuperFácil. A amiga Sarah Zagury, confirma que Seu Santino e Dona Carmosina, esposa dele,  eram amigos de Dona Clemência e Isaac Zagury, pais dela. Grato pela contribuição! João Lázaro.
(Última atualização em 05/jul/2018, às 11h45m)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Foto Memória de Santana/AP: Medalha BRUMASA

Imagem: Reprodução web
Medalha comemorativa da inauguração em Santana/AP, da fábrica de compensados da empresa Bruynzeel Madeira S.A. - BRUMASA, ocorrida em 03 de fevereiro de 1968.
Tal empreendimento, originado de um acordo entre a ICOMI e um grupo de empresários holandeses, teve como atividade principal a fabricação de compensados a partir dos recursos florestais locais, como também a exploração da virola (Virola surinamensis). Sua fábrica foi erguida numa área de quase 610.000m², chegando a manter uma produção de compensados em 1975 de 17.000m³, adicionando-se a essa mesma linha uma de sarrafeados, com capacidade de 10.000m³.
Em fevereiro de 1989 – devido ao esgotamento da virola no Amapá, a BRUMASA seria vendida para a Indústria Trevo, que, mesmo após encerrar definitivamente suas atividades operacionais em Santana em novembro de 1990, a revendeu em 1991, para a Companhia Ibero-americana.
Atualmente sua área e antigas instalações estão integradas às da fábrica de cavacos da Amapá Celulose S.A. (AMCEL), na cidade de Santana, às margens do Rio Amazonas. (Emanoel Jordânio)

domingo, 1 de julho de 2018

Foto Memória da Mineração Amapaense: Medalha ICOMI

Imagem: Reprodução web
Medalha comemorativa à inauguração do Projeto ICOMI no Território Federal do Amapá e 1º embarque de manganês diretamente para Beltimore, nos Estados Unidos, emitida pela Indústria e Comércio de Minérios S/A - ICOMI.
“Na manhã do dia 05 de janeiro de 1957, o então Presidente da República Juscelino Kubitscheck participou das solenidades de inauguração do Projeto ICOMI no Território Federal do Amapá.
Com a presença de mais de 110 pessoas das mais altas posições sociais e militares, teve forte cobertura da imprensa nacional que enviou mais de 30 profissionais de jornais de grande circulação (O Globo, Jornal do Brasil, Estado de São Paulo e outros).
Entre esses renomados profissionais da comunicação brasileira, estava o jornalista paraense Ossian Brito, que esteve a todo momento caminhando lado-a-lado com o Chefe da Nação e relatou semanas depois – para o jornal “Folha do Norte”, de Belém (PA) – o roteiro daquela histórica visita presidencial ao Amapá:
A história da descoberta das minas de manganês, no Amapá, tem a sua semelhança com a das grandes descobertas, onde aparecem os aventureiros levados pelo fascínio do ouro. Resultado da ambição do homem.
O Território dava seus primeiros passos. O então governador Janary Nunes anuncia um prêmio a quem, do interior, lhe trouxesse amostras de ferro. Tudo indicava que no Amapá havia ferro, especialmente na zona do Rio Amaparí.
Mário Cruz foi um caboclo como centenas de outros que, atraídos pela oferta de Janary, embrenhou-se pela mata virgem, para colecionar toda espécie de pedra, um barro que encontrasse. Assim invadiu as selvas.
Um dia reapareceu em Macapá. Trazia várias amostras de tudo o que encontrara. Foi à presença do governador. Disse que na Serra do Navio havia umas rochas de uma coisa dura, parecida com ferro.
Janary examinou-as. Levou-as ao Rio de Janeiro. Era Manganês. E pagou 20 mil cruzeiros, valor prometido àqueles que trouxessem as amostras.
Comprovada a existência do manganês, passou a outra fase, e a mais importante: saber da capacidade das jazidas, se interessava ou não comercialmente a sua exploração.
Conclusão a que chegaram os técnicos: em 50 anos as minas da Serra do Navio ainda estarão produzindo. Fabulosas. Somente assim se justifica a inversão, pela ICOMI, de milhões de cruzeiros nas obras do Porto de Santana e na Serra do Navio, onde se chega depois de percorrer 200km de uma moderna estrada de ferro, bitola larga.
Nunca julgamos que o (então) Presidente da República Juscelino Kubitscheck quisesse ir à Serra do Navio, ver de perto aquele mundo de riquezas. A cerimônia de inauguração das instalações do Porto de Santana – naquele dia 05 de janeiro de 1957 – com discursos, terminou quase ao meio dia.
Estava programado um almoço à americana, mas o presidente aproveitou o tempo, num dia quente, sol a pino, para percorrer as instalações da ICOMI.
Quando deu pelo relógio, sem comer, já era quase uma hora da tarde. Só tiveram tempo de reunir sanduiches, garrafas de água mineral e colocar dentro de uma litorina.
Nove pessoas tomaram o carro: o presidente JK, o Coronel Janary Nunes, o deputado Coaracy Nunes e o governador Amilcar Pereira. Não havia lugar para os jornalistas. Imediatamente a ICOMI mandou preparar um moderno comboio, dois troles ao ar livre para os elementos da imprensa.
E assim, viajando à frente do carro presidencial, com um sol de rachar, começamos a viagem para a Serra do Navio. Duzentos quilômetros de trem é coisa para ser vencida no mínimo em 04 horas. Ida e volta, oito.
(...)
Quase no meio da viagem, o trole dos jornalistas deu o “prego”. Levou 15 minutos para vencer o enguiço. Foi quando, demonstrado ligeiro cansaço – e não era para menos, pois desde os primeiros minutos do dia 03 que JK viajava dia e noite – já estávamos no dia 05 – o presidente saltou da litorina, em mangas de camisa, simples como ele, e foi dar o seu palpite no “prego” do trole que nos conduzia.
JK perguntou se o pessoal estava cansado. Resposta afirmativa, mais pelo sol que nos castigava. JK levou a mão à cabeça, tirou seu chapéu e cobriu o locutor Teófilo Vasconcelos. Dirigindo-se à turma: “Se tivesse outro, daria a outro. Que castigo, hein?!” E demonstrando preocupação pelo que via, perguntou:
– Querem continuar, ou preferem parar?
– Vossa Excelência é que resolve, onde Vossa Excelência for, estaremos nós, responderam.
– Bem, se é assim, vamos até o fim. Minutos depois, o motorista tirava o “prego”.
E reiniciávamos a marcha. No km-108, paramos em Porto Platon, primeiro acampamento da ICOMI. Rápida visita ao hospital, às residências. A ICOMI oferecia conforto aos seus auxiliares. É a tradição americana, indiferente ao fim do mundo onde estão.
Até Porto Platon há uma estrada de rodagem, ligando Macapá. Porto Platon tem um hospital completo. Dali para diante, somente o caminho de ferro. Mais 92km.
Às 17hs, chegamos à Serra do Navio. (...) A ICOMI mobilizou recursos em máquinas os modernos possíveis, para a extração do minério.
(...)JK subiu serra, desceu serra, foi às várias secções do tratamento do manganês, entrou em contato com o trabalhador do campo.
Quis lhe conhecer a vida. Indagou-lhes quanto ganhavam. Todos mais do que o salário mínimo da região. O Coronel Janary Nunes dirigiu breves palavras àqueles anônimos obreiros. Visivelmente emocionado, com lágrimas nos olhos, disse que ali estava o Presidente da República.
Vencendo todas as dificuldades, fizera aquele esforço para conhecer o manganês do Amapá, aplaudir o patriotismo do homem amapaense.
Juscelino não menos emocionado, vendo os trabalhadores sujos, na sua faina honesta e diária, arrancando do solo tantas riquezas, exclamou patético: “Sois os bandeirantes da selva”.
Quis apertar a mão de cada um. Mas estava diante de mais de uma centena. Chamou o de nome Antônio Campos de Carvalho, todo sujo, verdadeiro mascarado pela poeira preta do manganês. Abraçou-o. Aquele cumprimento simbolizava o amplexo a todos os que trabalhavam no manganês.
E quase às 19hs, o começo da viagem de regresso. Chegou a Macapá às 23hs. Tomou um banho. E foi para o jantar. Depois uma festa. Madrugada, deitou-se.
Acordou cedo para, no domingo (06), tomar o avião, rumo a Belém (PA). Na ida às minas, Juscelino passou mal. Alimentou-se apenas de sanduiches, logo consumidas por ter oferecido o seu “rancho” para os jornalistas, logo acabaram-se os mantimentos.
Depois fome, desaparecida com o jantar, altas horas. Houve colegas que reclamaram. O representante da U.P.I. (agência de notícias) adoeceu ligeiramente. Não suportou o castigo do sol.” (Emanoel Jordânio)

Fonte: Blog Santana do Amapá
(Última atualização às 22h13min)

sábado, 30 de junho de 2018

Foto Memória de Macapá: Antiga edificação da Macapá de outrora

Nossa Foto Memória de hoje, é de uma edificação da Macapá de outrora, situada no centro histórico da cidade, mais precisamente à Rua Siqueira Campos, que começava na Travessa Visconde de Souza Franco e se estendia até a Rua São José, bem em frente ao prédio da antiga, Intendência Municipal, hoje ocupado pelo Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.
Era a famosa “casa amarela”, cujo primeiro proprietário foi o Tenente-Coronel Coriolano Finéas Jucá. Nela nasceram quase todos os vinte filhos do famoso intendente, frutos de sua união com três esposas. Após sua morte, o prédio ficou sob gestão do filho Jacy Barata Jucá que o vendeu ao senhor José Pereira Montoril, mais conhecido como Cazuzinha. A casa amarela, que originalmente foi pintada de branco, fazia fundos com a residência do marroquino Leão Zagury. Nenhuma das residências possuía quintal. Na casa amarela havia um pórtico de entrada com um sótão, um amplo pátio central, inúmeros quartos, cozinha, dispensa e poço amazônico. Os cômodos que faziam frente para a antiga Rua Independência, também chamada Rua de Cima, abrigaram a sede do Amapá Clube e o Elite Bar do senhor João Vieira de Assis. Logo na entrada do prédio funcionou o “Café Aymoré”, pertencente aos comerciantes Francisco Torquato de Araújo (genitor do Nilson Montoril) e Francisco Aymoré Batista (pai do pianista Aimoré Nunes Batista). O gerente do Café Aymoré era o Carlos Cordeiro Gomes, o popular “Segura o Balde” que depois enveredou pelo jornalismo e integrou a equipe esportiva da Rádio Difusora de Macapá.
No tempo em que o prédio pertenceu ao Sr. Cazuzinha Montoril, parte das instalações foi alugada à madame Charlote para a instalação de uma pensão. Vários jovens vindos de Belém para trabalhar no Território do Amapá residiram nos quartos da casa amarela e compravam alimentação da madame Charlote. Quando o casal Isnard Brandão e Walkiria Lima se mudou para Macapá, a casa amarela foi o primeiro imóvel que o abrigou. Numa deferência especial do seu Cazuzinha, graças à intermediação do Sr. Francisco Torquato de Araújo, um assoalho foi colocado no sótão. Nesse local o casal Lima e o filho Isnard Brandão Lima Filho moraram por um relativo período de tempo. Com o passar do tempo a Rua Siqueira Campos recebeu duas denominações: Mendonça Furtado e Mário Cruz. Essa última ainda prevalece. A casa amarela foi vendida ao comerciante Moisés Zagury que mandou demoli-la para erguer a oficina mecânica dos carros Ford que ele vendia. Atualmente, naquela área funciona parte da loja 246.
(Texto de Nilson Montoril, adaptado ao blog Porta-Retrato, com a devida anuência do autor.)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Fotos Memória de Macapá: As carroças dos freteiros

Os moradores mais antigos guardam na memória, de forma clara, essas imagens da Macapá antiga.
Aproveitando o gancho de uma crônica do amigo Floriano Lima, publicada em 2014, evidencio hoje as carroças, que faziam parte do cenário urbano da capital do Amapá.
Desde os primeiros anos do Amapá, a capital Macapá, se ressentia de transportes motorizados para serem usados nas mudanças e outros serviços de frete de móveis e utensílios de casa. 
Por essa razão, as carroças tiveram papel relevante na prestação desse serviço.
Esses veículos de tração animal, ficavam estacionados em seus pontos de frete, na feira do Mercado Central, no Buritizal e em outros locais.
Ainda hoje, esse meio de transporte, utilitário, sobre um único eixo, continua resistindo ao tempo e ao crescimento em muitos centros urbanos, principalmente na Região Nordeste.
Entre os muitos carroceiros da Macapá antiga destacavam-se alguns personagens folclóricos, um deles era o conhecido “Mucura”. Um “galego magro dos olhos claros” com voz rouca e “metido” a galanteador, que sempre que as moças passavam, ele “jogava” todo o seu charme, até que aconteceu o fato que ele veio a entrar no imaginário popular. Ele “deu” a sua tradicional “cantada”, sendo que a mesma era casada e participou ao “digníssimo”, que tomando as “dores” da amada partiu ao seu encontro.
Dos outros carroceiros que lembro destaco o Ramiro Leite Lamas, do canto do Bairro Alto (Av. Gen. Gurjão com a antiga Rua José Serafim Gomes Coelho - atual Tiradentes); O Muca;  o seu Lázaro do Beirol;  os outros, só com ajuda dos amigos leitores.
 Fonte: Floriano Lima, parceiro do blog Porta-Retrato, Crônica adaptada para o blog, com a anuência do autor.