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domingo, 15 de abril de 2018

Memória Ferroviária do Amapá - ESPECIAL - LITERATURA : Revistas "ICOMI-Notícias"

Prezados leitores do blog “Porta-Retrato”
Numa deferência especial de dois grandes amigos de Macapá, estamos disponibilizando neste post - para leitura, estudo e pesquisa dos interessados - uma riquíssima e rara fonte, com registro de um importante período da história da Mineração do Amapá.
Os dois amigos são: o pioneiro Cosme Jucá de Lima, ex-funcionário aposentado da Mineradora ICOMI e o pesquisador e blogueiro Rogério Castelo, editor do blog “Amapá, minha amada terra”.
Cosme Jucá de Lima, disponibilizou de seu acervo pessoal, a Coleção completa da conceituada Revista “Icomi-Notícias”, editada pelo Departamento de Relações Públicas da ICOMI, que circulou de Janeiro/1964 a Julho/1967, num total de 36 edições, publicadas.
Rogério Castelo fez a digitação de todas as edições, e gentilmente ofertou uma cópia de seu importante trabalho para enriquecer ainda mais nosso acervo histórico memorialista.
Conheça agora, com detalhes, a história da Revista “ICOMI-NOTÍCIAS”, num texto do pesquisador Emanuel Jordanio (*).
“Lançada em janeiro de 1964, “ICOMI-Notícias” foi a primeira revista institucional a circular no Território Federal do Amapá, sendo editada pelo Departamento de Relações Públicas da ICOMI, com tiragem mensal de 3 mil exemplares, distribuídos gratuitamente aos funcionários da mineradora e para aqueles que gostavam de uma leitura diversificada. Essa publicação era tão bem contemplada por seus realizadores que mereceu uma luxuosa festa em seu lançamento, ocorrida na noite de 18 de janeiro de 1964, na sede social do Santana Esporte Clube (Vila Amazonas).
Seu corpo editorial era composto de profissionais que já conheciam o ramo da comunicação regional, sendo eles: Euvaldo Simas Pereira (Redator-chefe), Mário Vasconcellos (Redator), Fernandes Lima (Revisor) e Mário Parpagnoli (Arte), Jorge Mota (Técnico-gráfico). As reportagens externas eram feitas por nomes como Eduardo Lyra Ferreira, Juarez Boas Novas Maués, José Antônio Aleixo e Edilson Sales Abrahim.
Com 34 páginas (muitas vinham coloridas), a revista abordava diversos assuntos de interesse local, pautando sobre os fatores sócio-econômicos e até políticos, onde também documentava a vida e o cotidiano social daqueles que habitavam nas vilas operárias da ICOMI, focando as ações empenhadas pela mineradora em prol do Amapá (atendendo nas melhorias do setor da saúde, da agricultura, da assistencial social, e outras áreas).
Os artigos publicados na abertura da revista eram mensalmente assinados por grandes autoridades que integravam a cúpula administrativa do Grupo CAEMI (Dr. Paulo Antunes, Hermelino Gusmão, Flávio de Miranda Carvalho, Francisco de Paula, e outros diretores), na qual expressavam com franqueza e otimismo os objetivos que a empresa desenvolvia para seus funcionários e para o povo do Amapá.
Tanto que na primeira edição da revista, o artigo inaugural seria de autoria do empresário Augusto Trajano Antunes (Presidente do Grupo CAEMI) onde descreveria os objetivos sociais desta revista assim registrado em um dos parágrafos do texto abaixo:
''Será a nossa revista também um elo de ligação com as demais comunidades do Território Federal do Amapá e com a própria Amazônia, da qual todos, individual ou coletivamente, formamos parte integrante. Estamos no Amapá – os amapaenses e os filhos de outros rincões nacionais – reunidos com o mesmo espírito de brasilidade, o mesmo apego à terra, o mesmo desejo de progresso e de ordem, os mesmos ideais. ICOMI NOTÍCIAS servirá a este propósito, não duvido, de concentração de esforços pelo bem comum, por passos mais largos de progresso do Território Federal do Amapá, nos campos da cultura, da economia e do fortalecimento social.”
Todos os eventos cívicos, esportivos e sociais, que eram constantemente organizados pela gerência da ICOMI no Amapá recebiam a cobertura fotográfica e contextual da Revista, assim como os projetos assistenciais mantidos pelas instituições criadas por seus colaboradores (como a realização de bingos beneficentes e a distribuição de roupas e comida para famílias carentes que residiam nas regiões próximas da mineradora).
A constituição administrativa de empresas locais como BRUMASA, COPRAM e IRDA (todas pertencentes ao Grupo CAEMI) também foram destaques nas páginas da Revista ICOMI Notícias, tornando-a pioneira na comunicação institucional no Amapá.
A partir junho de 1966 (edição 30), a revista tornou-se uma publicação bimestral em virtude de mudanças internas na ICOMI, porém, mantendo seu modo de informar os acontecimentos da mineradora. Circulou até julho de 1967 quando parte de sua equipe de redatores solicitou demissão do Grupo CAEMI, seguindo para outros Estados Brasileiros.
Resumindo: Durante o período de circulação, de Janeiro/1964 a Julho/1967, foram publicadas 36 edições, da conceituada Revista ICOMI Notícias."
(*)  editor do blog Memorial Santanense
Fonte: Memorial Santanense

domingo, 2 de abril de 2017

ESPECIAL - Memória Ferroviária do Amapá: 1876: Ferrovia de Santana (AP) já estava prevista de ser construída há mais de 140 anos

Um paraense previu a necessidade de uma ferrovia em frente à Ilha de Santana há mais de 140 anos,...
Imagem meramente ilustrativa - Reprodução Google Images
...bem antes até mesmo do nascimento do lendário Augusto Trajano Antunes (1906-1996) que foi o idealizador da Estrada de Ferro da ICOMI.
Imagem meramente ilustrativa - Reprodução Google Images
Leia, a seguir, a matéria de Emanoel Jordânio:
Por (*) Emanoel Jordânio
O extinto Jornal do Pará, um semanário que circulou no período de 1867 a 1878, considerado o órgão oficial de comunicação da antiga Província do Pará (a criação desse Estado Brasileiro somente ocorreria em 1889), publicava constantes relatórios da administração paraense, que descreviam as ações aplicadas pelos gestores das províncias e regiões administradas por militares, detalhando visitas oficiais e providências tomadas por essas autarquias.
Jornal do século XIX, com publicação em questão - Reprodução
Na edição 041 do dia 20 de fevereiro de 1876 desse jornal, é possível encontrar o trecho de um relatório apresentado ao Dr. Francisco Maria Correia de Sá e Benevides (que então assumia a administração da Província do Pará), pelo Senhor Domingos Soares Ferreira Penna (1808-1888), considerado um dos maiores desbravadores naturalista daquela época.
Numa parte desse relatório publicado, observa-se que em abril de 1875, Domingos Soares visitou as três maiores ilhas ribeirinhas (até então) existentes ao longo do Rio Amazonas – que eram as Ilhas de Mexiana, de Caviana – além da pequena e discreta Ilha de Santana, que já era famosa na História do Pará.
Trecho da matéria previa construção de ferrovia - Reprodução
A matéria do jornal faz um pequeno contexto histórico de cada ilha visitada pelo desbravador paraense, sendo que a última inspecionada é a Ilha de Santana, que ficava a menos de três léguas (cerca de 20km) da comunidade mais próxima, que era a cidade de Macapá.
Além de descrever as invasões estrangeiras que a Ilha sofreu entre os séculos XVI e XVII, o texto oficial encerra com um parágrafo que premedita a futura construção de uma ferrovia nas proximidades da Ilha de Santana, que ajudaria no progresso social e econômico, tanto para a cidade de Macapá como para o restante do Norte Brasileiro:
“Quando, porém, os recursos dos habitantes e do commercio de Macapá permitirem ou as conveniências políticas do Estado exigirem a construção de uma linha férrea da cidade para a costa fronteira à ilha de Sant’Anna, passando através da planície e dos campos que tanto a facilitam, aquelle magnifico canal, hade ser o porto da cidade e talvez um dos portos mais opulentos de todo o valle do Amazonas. Assim Deus o queira!”
No encerramento do conteúdo publicado, o autor da matéria deixa bem claro que a “vontade Divina” será realizada sobre sua previsão.
Vale ressaltar que essas visitas ribeirinhas, feitas por Domingos Soares à Ilha de Santana foram novamente confirmadas em 1885, através de outro periódico paraense.
Visita à Ilha de Santana postada em outro jornal - Reprodução
O Diário de Belém (que circulou de 1868 a 1889) publicou essas visitas do desbravador na edição do dia 15 de janeiro de 1885, reforçando com veemência as perspectivas que ocorreriam nessa pacata região, hoje pertencente ao município de Santana (AP).
Domingos Soares Ferreira Penna
Museu Paraense Emílio Goeldi
Arquivo / Coleção Fotográfica.
Tão bem elogiado pelas autoridades paraenses foi o citado relatório de Domingo Soares, que o mesmo acabou transformando-o em uma de suas três únicas obras (livro) publicadas em vida: “A Ilha de Marajó”, contém essas e outras valiosas informações históricas sobre comunidades e localidades antigas do atual Estado do Pará, tendo algumas cópias desse exemplo ainda existentes no Arquivo Público do Pará.
Dúvidas Históricas
A previsão feita na matéria publicada no jornal de 1876 abre vários leques de dúvidas a serem esclarecidas, algumas que ficarão sem respostas por um longo tempo.
As dúvidas chegam a ser tão grandes que envolvem até nomes importantes da História do Amapá, como o engenheiro Augusto Trajano Antunes, considerado um dos mentores pela construção da Ferrovia Santana-Serra do Navio.
“A ideia de se construir uma ferrovia partiu do Augusto Antunes (ex-presidente da ICOMI) por volta de 1948. O surgimento dessa premeditação histórica é mais antiga que o próprio nascimento do Senhor Antunes, que nasceu em 1906”, comparou o professor Carlos Rogério, que leciona História em escolas estaduais de Santana.
O professor ainda descreve o último parágrafo desse texto como uma “curiosa premonição que somente favoreceu os setores econômicos e sociais do Amapá”.
Outro importante nome da historiografia santanense é o professor Aroldo Vasconcellos, conhecedor e grande referência em assuntos relacionados à segunda maior cidade do Amapá (Santana), que também se mostrou surpreso com a “descoberta” que estava discretamente publicada em um extinto jornal do século XIX.
“Com certeza Domingos Soares (o desbravador) se mostrou uma pessoa experiente nessa região e sabia que a construção de uma ferrovia traria o desenvolvimento um povo pouco assistido como era esse lado do Amapá”, reconheceu Aroldo.
O professor também acredita que o desbravador estava ciente das suas opiniões a serem divulgadas, porém, não se sabia os motivos fundamentais para elas.
“Ele sabia que a instalação de uma ‘Maria Fumaça’ nessa região seria útil, mas até hoje não sabemos o que seria embarcado ou transportado nesses vagões ou para onde seria enviada essa mercadoria”.
Dúvidas como essas já cercam os simpatizantes e colaboradores fascinados pela História do Amapá, que agora buscam responder outras perguntas, como:
Das três ilhas paraenses que Domingos Soares visitou, por quê somente a Ilha de Santana que receberia esse privilégio de uma ferrovia? Por quê já previa a construção de um porto em frente à Ilha de Santana? Será que chegaram a traçar algo em mapa sobre essa ferrovia?
Enquanto que respostas são procuradas, as certezas que se podem agora assegurar estão descritas pelos pioneiros que achavam que a única ferrovia construída foi projetada pela ICOMI há mais de 70 anos, enquanto que um paraense já atentava por essa necessidade de interligar localidades distantes através do meio de transporte mais avançado naquele longínquo século XIX, que era a linha férrea.
(*) Editor do blog Santana do Amapá
Fonte: Artigo na íntegra no blog Santana do Amapá

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