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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

MEMÓRIAS DO RÁDIO AMAPAENSE – RADIALISTA DINA FIGUEIRA

 MUITO ALÉM DE UMA BONITA VOZ.

Texto: José Machado

O acaso fez o ingresso no Rádio, de OSVALDINA FIGUEIRA BARROS, conhecida artisticamente como “Dina Figueira”, levada pelo radialista Edvar Mota.

Meados dos anos 60, quando ao ser atendido por aquela jovem vendedora, com um timbre de voz característico em níveis harmônicos e padrão sônico atrativo, o veterano locutor de apurada audibilidade, teve a certeza de que estava à frente de uma grande promessa como locutora.

Convite aceito e aprovada no teste Osvaldina, integrou a equipe da ZYD-11 Rádio Equatorial, recém-inaugurada, hegemonicamente masculina. Se revezava ao microfone, com grandes profissionais da nova emissora, que foram alinhavando sua carreira.  -

Com a intervenção Federal, parte dos recursos humanos e do acervo técnico foram absorvidos e incorporados à Rádio Difusora de Macapá.

Algum tempo depois, sentindo que Macapá estava pequena para os seus sonhos Dina, buscou outras plagas, onde pudesse expandir seu talento.


Apostou na afirmação de sua carreira profissional, que lhe oportunizou transitar por outros meios de comunicação. E, em 16 de abril de 1967, foi contratada pela PRC-5 Rádio Clube do Pará.

Sua melíflua voz, passava uma sensação de tranquilidade e, ganhou destaque na radiodifusão paraense, uma grande comunicadora, um misto de dicção perfeita (alternâncias rítmicas das ênfases, clareza e expressividade).

Sabia usar a entonação certa que o texto exigia: forte, suave ou emocional-tendências estilísticas de uma boa locução que ampliaram as oportunidades e, passou a gravar comerciais para rádio e TV.

Começou a ser cobiçada por outras emissoras e, foi assim, que migrou para a RBA-Rede Brasil Amazônia, atuando na Rádio e Televisão daquele Grupo de Comunicação.

Em junho de 1974, Dina contraiu matrimônio e deixou o rádio paraense, fixando residência em São Paulo. Naquele mesmo ano, tentou ingresso nas Rádios: MULHER e AMÉRICA, optando pela segunda, que lhe oferecia maiores vantagens salariais e em termos de mobilidade – próxima de seu apartamento.

Com o tempo, a impossibilidade de conciliar maternidade e trabalho, Dina optou então por um afastamento, temporário, que se tornou definitivo, frustrando suas perspectivas profissionais. Sua trajetória, apesar de intensa, foi encerrada prematuramente.

Apesar da dificuldade de protagonismo Dina, foi uma figura proeminente que conseguiu, se destacou e marcou época. Abriu caminho para que outras mulheres viessem ingressar em um mercado predominantemente masculino, sob grande intimidação social.

Àquelas que ousavam pensar em trabalhar como locutoras, temiam as críticas maledicentes. Embora não houvesse nenhum caso explicitamente declarado, sempre havia uma insinuação de uma vida íntima mundana.

Histórias como da Dina, eram casos rotineiros em um País, que tinha forte “localismo” - apego a um conservadorismo demagogo de costumes sociais e culturais, opondo-se a qualquer tipo de movimentos progressistas.

E, quanto menor a cidade, maior os tabus e preconceitos, baseados em justificativas e padrões sociais construídos sob a ótica, de uma suposta   superioridade masculina.

Sua decisão, causou em sua família num primeiro momento, reprovação que o tempo, se incumbiu de provar que a preocupação era infundada.

Assim como Edna Luz, que ingressara um pouco antes na Difusora - Dina, experimentou o conflito do exercício da profissão, da crítica, às facetas do preconceito associados a esse meio de comunicação.

Encarou com denodo, todo tipo de tolhimento que as mulheres enfrentaram para alcançar seus sonhos e, de romper com os padrões estigmatizantes.

Entre recuos e avanços, Dina foi escrevendo a história de uma batalhadora, que se livra de todas as amarras opressoras sozinha e, se faz como uma mulher vitoriosa.

Fez carreira, história e dividiu as fainas diárias com seus colegas homens, sem sofrer nenhum tipo de hostilização ou constrangimentos.

Dina, viveu historicamente um período difícil profissionalmente e, precisou de ousadia para adentrar espaços de exclusão feminina.

Osvaldina Figueira, está entre as maiores revelações do rádio no Norte do Brasil. Profissional eclética, destacou-se como (DJ), apresentadora de jornais falados e informativos

Transitou e residiu em várias capitais, acompanhando o esposo que era bancário. Após esses exílios voluntários, retornou à Belém onde fixou residência e, atualmente goza de merecida aposentadoria.

A mesma personalidade forte, extrovertida que demonstrava diante do microfone ao vivo, também era vista por amigos e familiares.

O afeto e o carinho com que tratava os colegas e ouvintes, a exaltação do amor pela vida, não por acaso, explicava a paixão que ela sentia pela profissão.

OSVALDINA FIGUEIRA BARROS (Dina), uma moça simples, humilde que lutou contra as adversidades da vida, que se reinventou buscando conhecimento, à conquista de seu espaço e, se fez importante para muitos.

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Nota do Editor:

Muito oportuna e gratificante homenagem que o veterano companheiro José Machado faz à Osvaldina Figueira Barros, uma colega radialista que tive o privilégio de conhecer desde os primeiros dias nessa envolvente profissão.

Lembro, claramente, de Dina Figueira como locutora e discotecária, na antiga ZYD-11 – Rádio Equatorial de Macapá-(AM), a segunda emissora de amplitude modulada, que existiu na capital amapaense, no início dos anos 60.

Após o fechamento da emissora, que era clandestina, reencontrei essa brilhante profissional na Rádio Difusora de Macapá., desempenhando as mesmas funções na discoteca e ao microfone.

Com este meu testemunho, venho corroborar de forma contundente e irrefutável, a importante contribuição de Dina Figueira, ao Rádio amapaense, magnificamente homenageada por nosso confrade, neste belo texto, que, com prazer, trazemos aos leitores do blog Porta-Retrato. (João Lázaro)

Fotos: Reprodução (arquivo pesoal)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Foto Memória do Rádio Amapaense: Os 72 anos de CLAUDIO COUTINHO – 48 dedicados ao Rádio e à Cultura do Amapá

Há 72 anos, na quinta-feira - 1º de abril de 1948 – nascia CLÁUDIO COUTINHO DIAS, um dos maiores e melhores profissionais da radiofonia amapaense. Operador, produtor e editor de áudio, com relevantes serviços prestados ao Rádio e à Cultura da Amazônia.
Cláudio é macapaense, filho caçula de nove irmãos de Thomas de Souza Coutinho e Militina Coutinho Dias. Viveu sua infância e adolescência na Rua do Canal, como hoje é chamada a Av. Mendonça Júnior. Fez seus primeiros estudos no grupo Escolar Barão do Rio Branco e o ginasial no Ginásio de Macapá. Católico praticante, sempre frequentou a Paróquia de São José, onde foi batizado, catequizado, crismado e também coroinha (acólito). Como todo garoto de sua época, Cláudio jogou futebol e outras moralidades esportivas na Casa dos Padres e passou pelas fileiras do escotismo.
Mas foi na juventude que nasceu seu gosto pela música, e o desejo de ouvi-la e senti-la mais de perto. Era ouvinte assíduo da Rádio Difusora e outras emissoras do país e do mundo. Assim o rádio começa a entrar na sua vida de forma a seduzi-lo definitivamente na década de 1960, mas esse desejo somente começa a se materializar na primeira metade dos anos 1970, quando ele entrou pela primeira vez num estúdio de rádio, para realizar, juntamente com outros candidatos, testes para operador de áudio na Rádio Educadora São José de Macapá, emissora inaugurada em 1968, de propriedade da então Prelazia de Macapá.
Aprovado nos testes e admitido em 1972, Coutinho começou então sua carreira de operador de áudio, na Rádio Educadora, emissora em que viveu a “Época de Ouro” do Rádio Amapaense, sendo o personagem destacado naquele contexto, e desde o início de sua promissora carreira, destacou-se com afinco ao seu trabalho, investindo seus esforços para a melhor qualificação profissional com a convicção de que seu futuro estava no rádio.
Com o fim das atividades da RE, Coutinho mudou-se para Belém do Pará ainda em 1978 e um novo ciclo se iniciou em sua carreira. No rádio paraense teve oportunidade de passar pelas principais emissoras e enriquecer sua performance nos estúdios ao trabalhar ao lado dos melhores técnicos e locutores do Estado do Pará.
Em sua passagem pela capital paraense, Cláudio Coutinho atuou nos quadros da Rádio Guajará – pertencente ao Grupo NEO – Administração e Participações. 
No ano seguinte, passou a trabalhar na Rádio Liberal, pertencente às Organizações Rômulo Maiorana. 
Posteriormente trabalhou na Rádio Marajoara e como estagiário atuou nas Rádios Rauland FM e Cultura do Pará.
Após sua experiencia pelas emissoras belenenses Cláudio rumou com sua família para o município de Tucuruí, em 1981, para trabalhar na empresa paulista Camargo Corrêa. Para não fugir ao hábito, também atuou no rádio local  na Rádio Floresta FM. Em 1984, decidiu retornar à Macapá e iniciar uma nova fase  em sua carreira profissional e em sua vida, resgatando as paixões  que cultivava na infância, e na adolescência, passando a interagir de forma atuante, juntamente com sua família, nas manifestações culturais e folclóricas nos bairro do Laguinho e Perpétuo Socorro.
Depois que voltou à Macapá, Coutinho atuou em vários veículos de comunicação da capital amapaense como: Rádio Nacional AM e FM(RADIOBRÁS), Tv Amapá e Rádio Amapá FM (Rede Amazônica), Rádio Equatorial AM e FM (Sistema Z Publicidade do Amapá), Rádio Antena 1 102,9 (Sistema Beija-Flor).
Nessa nova etapa, transitando por diversos estúdios, e convivendo com grandes profissionais do rádio, Cláudio Coutinho consolidou seu nome no rol seleto dos grandes profissionais do Rádio amapaense, e pelo visto, essa história ainda vai durar bastante tempo.
Cláudio Coutinho, com seu jeito simples, fez grandes amizades com os comunicadores Ermínio Gurgel e Osmar Melo, que formavam a dupla “Pai Véio e Pai D’Égua”, apresentadores do programa “Alvorada Sertaneja” (na Rádio Nacional/Difusora). e José Ney Picanço e Silva (J.Ney), com quem trabalhou nos programas “Bom Dia Dia” e  “Sua Excelência o Domingo”.
Além dos companheiros de trabalho citados, Cláudio também aponta profissionais que marcaram sua carreira, na comunicação radiofônica como Moisés Tavares, Isaias Ramos (Bomba D’Água). Moacyr Banhos, Epaminondas Júnior, Edvar Mota, Joaquim Ramos, Waldemir Souza(Pirulito), Orivaldo Santos (Galinho), Roberto Nery, Joaquim Neto, Cristina Homobono, João Lázaro, Paulo Silva, Aníbal Sérgio, Lígia Mônica, Janete Carvalho, Célio Alício, Marcelo Nery, Manoel Ribeiro, Celso Rabelo, José Maria Coelho e muitos outros.Humkberero MoreiraHumberto
Apesar da idade avançada Claudio Coutinho continua prestando serviços como operador de áudio, em Macapá.
Fonte: Texto de Célio Alício, adaptado ao Blog Porta-Retrato a pedido do biografado.
Célio Alício Cardoso: Historiador, professor, radialista, comentarista esportivo, pesquisador e ativista cultural, poeta e compositor.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Foto Memória de Macapá: Jomasan e Nonato Leal, na Difusora de Macapá

Uma vez mais em nossa Foto Memória, um precioso registro do Álbum de Lembranças do nosso Jomasan com o acompanhamento harmônico na guitarra do professor Nonato Leal, grande artista e amigo, na inauguração do novo auditório da Rádio Difusora de Macapá, na Cândido Mendes, no começo dos anos 70.
Jomasan, como muitos outros garotos, começou a cantar no Clube do Guri, apresentado pela emissora da família amapaense.
Jomasan lembra ainda que no elenco também tinha o guitarrista Gato e muitos outros colegas músicos.
Fonte: Jomasan / Facebook

domingo, 5 de maio de 2019

FOTO MEMÓRIA DO RÁDIO AMAPAENSE: SAUDOSO JOAQUIM RAMOS (Em Memória)

Esse simpático jovem – negro de alma branca – é o saudoso JOAQUIM DA SILVA RAMOS, que foi nosso contemporâneo no Rádio Amapaense.
Primeiro na Rádio Educadora São José, depois na Rádio Difusora e na Rádio Nacional de Macapá.
Joaquim Ramos - uma das vozes mais belas do Rádio Amapaense – filho primogênito de Paulino Lino Ramos e Dona Coleta da Silva Ramos, era neto do mestre Julião Ramos, o líder da comunidade negra do Laguinho.
Joaquim nasceu no bairro do Laguinho em 29 de outubro de 1948. Em sua jornada escolar frequentou também as escolas General Azevedo Costa e Ginásio de Macapá.
Joaquim Ramos casou em 26 de maio de 1971, com a professora Izídia Banha – sobrinha do saudoso Laurindo dos Santos Banha – e dessa união nasceram 4 filhos, ou sejam dois casais.
Tive a felicidade de conhecer Joaquim Ramos, quando o mesmo falava nos Sonoros Caçula, a aparelhagem sonora do Sr. Nascimento, do início do Território Federal do Amapá.
O indiquei ao José Maria de Barros ( Diretor artístico da REpara fazer um teste de locução na Educadora o que foi prontamente aprovado. Depois de um período de treinamento ao microfone, finalmente Joaquim foi se firmando como um dos grandes valores do rádio amapaense.
Entre os programas apresentados por ele destacamos o “Boa viagem Motorista” que teve grande audIência entre os condutores de veículos de Macapá, especialmente na classe de taxistas.
Teve ainda “A Grande Reprise”, “Um Sucesso em Cada Música”, “Vamos Acordar Pessoal” entre outros.
Na Rádio Difusora ele se destacou na leitura de mensagens para interior e principalmente no programa “BOA NOITE AMAPÁ”. Foi também gerente na segunda fase da emissora.
Na Rádio Nacional de Macapá teve brilhante atuação ao microfone, em programas de grande audiência.
Joaquim Ramos - que nos deixou precocemente e muito novo – faleceu em Macapá em 14 de julho de 1999, com pouco mais de 50 anos e seu corpo descança em Paz  em um jazigo da família, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade.
Ao  inesquecível amigo Joaquim Ramos - brilhante locutor do Rádio amapaense - nosso eterno reconhecimento!
Com informações da amiga Izídia Banha, viúva de Joaquim.
Fonte: Facebook

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Foto Memória da Comunicação do Amapá: IVO GUILHERME DE PINHO – O GAROTO REVELAÇÃO DE MACAPÁ

Foto: Reprodução / Blog  Rádio Memória-PA
Por José Machado (*)
Nascido em 22 de março de 1952. Menino magrinho, ainda com poucos meses de vida, foi adotado pelo casal Euclides Nogueira de Pinho e Umbelina Guilherme de Pinho residentes a av. Feliciano Coelho no Trem, (ambos já falecidos-ele enfermeiro, e ela dona de casa). Nunca conheceu os pais biológicos por quem foi abandonado.
Talento precoce, aos nove anos de idade, cantava, fazia imitações e dublava Rita Pavone e Roberto Carlos (dos quais era fã ardoroso), em shows artísticos promovidos aos domingos pelo Trem Desportivo Clube.
Foi no Serviço de alto falantes “Urca Bar” de Durval Alves de Melo, aos 14 anos, sua primeira atuação como locutor.
Graças ao seu talento foi convidado pelo então chefe escoteiro Manoel Ferreira - o Biroba, que o levou para o grupo Marcílio Dias (escoteiros do mar).
Alguns dias depois dividia com o velho pioneiro e narrador esportivo, os jogos de solteiros X casados as segundas-feiras.
Em meados de 68, passou a integrar a equipe esportiva de Francisco Salles de Lima (o Chicão) na Difusora de Macapá.
Fez locução de estúdio, ponta de gol, disc-jóquei, narrador esportivo, e finalmente sentindo que Macapá estava pequena demais para os seus sonhos, em novembro de 1969 rumou para Belém e foi logo aproveitado na equipe da Rádio Marajoara.
Passou a fazer parte da emissora associada, que tinha como diretor da equipe esportiva Ivo Amaral, juntamente com Jones Tavares e Thadeu Matos. Em pouco tempo estava narrando futebol.
Sua carreira exitosa, foi observada por grandes olheiros do rádio paraense, e em pouco tempo foi chamado para o time de Jayme Bastos - diretor de esportes da “Equipe Legal” (Rádio Liberal) slogan que a emissora de Rômulo Maiorana usava à época, mas não demorou muito tempo.
Meses depois, estava na seleta equipe da Rádio Clube do Pará que havia tido uma grande baixa profissional, com a saída do grande narrador Cláudio Guimarães para a Liberal.
GUILHERME PINHO era vaidoso, trajava-se com roupas de grifes caras e óculos ray-ban. Além de se autovalorizar, falava o que pensava sem filtro.
Debochado, mesclava sempre alegria e bom humor. Gostava de zoar, fazer escárnio dos colegas de trabalho, com isso atraiu certa antipatia por onde passou.
Talentoso, com um improviso considerado de bom nível para um locutor jovem, em meados de 72, após vários contatos com o radialista Júlio Sales, (ex integrante da RDM), à época diretor da equipe de esportes da (extinta) Uirapuru, de Fortaleza-CE. Salles o integrou imediatamente à emissora, onde teve uma estada muito rápida.
Transitou por outros prefixos alencarinos, mas a vida acadêmica, não permitia conciliar rádio e Faculdade. Graduou-se em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo e posteriormente em Direito.
Concursado, passou a trabalhar na Câmara Municipal de Fortaleza. Tornou-se âncora de um programa na Televisão.
GUILHERME PINHO, teve uma ascensão meteórica. Sua promissora carreira como radialista teria ido mais longe, pois tinha potencial, voz firme e vibrante além de ser bem articulado.
Sua história de vida, seu apego ao rádio, que ele tão bem traduziu em suas narrações que emocionaram milhares de torcedores no Norte e Nordeste do Brasil, é uma história que merece ser sempre recontada.
Morreu precocemente, de forma trágica, assassinado aos 44 anos em 24 de outubro de 1996, em seu apartamento em Fortaleza-CE.
Deixou dois irmãos: Elza Lúcia e Iacy Guilherme de Pinho, ambos adotivos como ele, que ainda residem em Macapá. Vinte e um anos após sua morte, há quem lembre do seu estilo (inconfundível) de fazer rádio.
(*) jornalista e radialista amapaense.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Memórias do Rádio Amapaense: “Os caminhos da Pioneira”... na versão de Ruy Guarany Neves

ASSIM CAMINHA A PIONEIRA, é uma crônica do escritor e jornalista Ruy Guarany Neves, publicada inicialmente em 08/09/1994 no Jornal do Dia, e inserida no livro “A MISSÃO DE COMUNICAR”, lançado, recentemente, pela Editora Scortecci.
Como neste 11 de setembro de 2015, a Rádio Difusora de Macapá estará completando sessenta e nove anos de bons e relevantes serviços prestados à comunidade amapaense, resolvemos trazer para o blog Porta-Retrato, a história da emissora oficial do Governo do Amapá, na versão do experiente cronista Ruy Guarany Neves.
Vamos conhecer parte dOs Caminhos da Pioneiranesses quase setenta anos “de lutas, amor e desprendimento por parte daqueles que fazem a história da radiodifusão no Amapá.”. 
Ruy relembra que, “no início de suas atividades, nos idos de 1946 com o prefixo ZYE-2, a Rádio Difusora de Macapá tinha como missão a divulgação das ações do Governo do Território, além de outras informações de interesse da população, sem fins lucrativos.  Dotada inicialmente de transmissor de baixa potência de fabricação Philips, sintonizado na frequência de 1.460 Kcs (Khz), a emissora cumpria um horário restrito de 6 horas às 9 horas, de 11 horas às 13 horas e 17 horas às 20 horas. 
Nesse trecho ele conta um detalhe, que até então, eu desconhecia: “Ciente de que parte da população de Macapá não possuía rádio, o governo Janary Nunes determinou a instalação de um projetor de som na praça matriz, onde muita gente comparecia a partir das 18 horas para ouvir as últimas notícias. O pequeno transmissor funcionava no próprio prédio da emissora, próximo à console de operação. O sistema irradiante era do tipo unifilar no sentido horizontal, atravessando a Rua Cândido Mendes(...). O equipamento foi instalado pelo engenheiro Jorge Êdo, ficando a manutenção a cargo do técnico Manoel Raimundo Veras. Os locutores Raimundo Bentes e Delbanor Dias se revezavam para manter a programação.
Outro detalhe histórico importante, na versão de Ruy Guarany: a primeira transmissão em ondas curtas foi feita com a utilização de um transmissor de fabricação  americana marca RCA, de 500 watts de potência, sintonizando na gama de 4.390 (Khz), pertencente a estação radiotelegráfica. Isso aconteceu durante um jogo de futebol entre o Amapá Clube e o Artífice em Belém. Atuou como locutor o então diretor da divisão de educação Marcílio Viana. Ele conta ainda que “empolgado com os resultados dessa transmissão, o governador Janary Nunes determinou a aquisição de um transmissor de fabricação Indeletron, potência de 1kw, faixa tropical de 4.915 Khz, que entrou em operação no dia 13 de setembro de 1952. Com essa providência, o interior passou a receber as informações sobre os atos do governo. A primeira notícia vinda do exterior dizia que os sinais da RDM estavam sendo recebidos na Alemanha. 
Mais em frente Ruy cita que necessidades crescentes levaram o governo a recrutar mais pessoal para a emissora. Assim, o elenco da pioneira foi enriquecido com a participação de Agostinho Souza, Argemiro Imbiriba, Pedro Afonso da Silveira, Amazonas Tapajós, Júlio Sales, José Maria de Barros, Creuza Souza, Edna Luz, Benedito Andrade, J. Ney, João Álvaro Rodrigues, Cristina Homobono, Guilherme Jarbas, Humberto Moreira, João Lázaro(eu mesmo), Osmar Melo, Hermínio Gurgel. 
Concordo plenamente quando ele ressalta quemerece destaque a participação de Carlos Corte, o saudoso Baião Caçula, que dava apoio às transmissões externas. Era um emaranhado de fios que só ele entendia. Quando a coisa não dava certo, o dedicado servidor sempre tinha uma alternativa para que as transmissões se efetivassem.  Com a saída de Manoel Veras, o setor técnico ficou a cargo de José Rodrigues(seu Pepe),  Ivaldo Veras, Otavio Pinheiro dos Santos e Nonato Leal.
Em 1964, já especializado em transmissão, Ruy passa a dirigir o setor técnico da emissora: "A essa altura dos acontecimentos, éramos obrigados a operar milagres para manter a rádio em operação".
Ele conta que o sacrifício era compensado e cita que “o governador Ivanhoé Martins, atendendo uma exposição de motivos que lhe encaminhei, determinou a compra de um transmissor marca Philips Inbelsa, para suprir a faixa tropical. Durante alguns anos eu e Hélio Pennafort atuamos como noticiaristas da RDM. O noticiário telegráfico da Asapress, Meridional e United Press era encaminhado a Alcy Araújo, que marcou participação relevante na nossa comunicação.”
Ruy cita também, um acontecimento importante que assinalou a participação dele, como homem da comunicação: “fui o primeiro a receber e levar ao conhecimento do governador Janary Nunes a notícia do suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954.  Peço desculpas se omiti algum nome. Entretanto, merecem destaque os dedicados servidores que ajudaram a impulsionar a nossa pioneira, como controlistas, operadores de transmissores, motoristas e outras atividades de apoio, de um modo especial só diretores que passaram pela emissora.  Muito embora alguém insista em suprimir do roteiro da RDM o período em que funcionou como Rádio Nacional de Macapá, para mim não passou de um erro político que não merece ser considerado.
Nossos parabéns, a todos que hoje militam na Difusora, lembrando que eu(João Lázaro), entre muitos, também tive a honra de passar pelos vitoriosos “Caminhos da Pioneira”!

Fonte: Do Livro A MISSÃO DE COMUNICAR, de Ruy Guarany Neves, Editora Scortecci – 1ª edição-2015)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...