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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Igreja Matriz de São José, já teve trânsito de veículos nas duas laterais

Amigo e confrade Paulo Tarso Barros – cofundador do blog Porta-Retrato - Macapá, nos envia registro raro de 1975, com vista do fundo da igreja Matriz de São José de Macapá, quando ainda transitavam veículos pelas passagens laterais do templo. 

A foto do acervo do Museu Histórico do Amapá, foi reproduzida pelo professor e historiador Bruno Machado em sua página no Instagram

Conforme matéria já publicada no blog Porta-Retratona planta da Vila de São José de Macapá, traçada em 1761, pelo Capitão Engenheiro João Geraldo Gronsfeld, a igreja tem a frente para a Rua São José. O fundo demanda para o “Largo dos Inocentes”, cortado por uma estreita via denominada “Rua dos Inocentes”. Os moradores do Largo dos Inocentes usavam as passagens Espírito
Santo e Santo Antônio para terem acesso ao Largo de São Sebastião, posteriormente Largo da Matriz, e a outros logradouros do burgo. 

Até o início da década de 1980, carros e outras viaturas trafegavam pelas duas passagens.

Fonte: Paulo Tarso

sábado, 20 de agosto de 2022

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA: QUINTAL DOS PADRES - UM CELEIRO DE TALENTOS

 No início da década de 1950, centenas de crianças e adolescentes de ambos os sexos, foram atraídos por um importante movimento, implantado pela Prelazia de Macapá, voltado para a Educação, Evangelização e Lazer.

O projeto dessa pastoral era oferecer a prática de esportes, civismo escoteiro, apresentações teatrais, Cruzada Eucarística e Filhas de Maria. As atividades, eram desenvolvidas na área conhecida como "Quintal dos Padres" compreendida por dois espaços: a ala masculina (entrada pelo Largo dos Inocentes) e a ala feminina, cujo acesso acontecia pela avenida Presidente Vargas

No centro ficava o Salão Paroquial Pio XII. Os bancos corridos postados à esquerda da entrada do salão eram reservados aos meninos. À direita ficavam as meninas. 

O Padre Vitório Galliane coordenava os homens. As mulheres agiam sob o comando do Padre Lino Simonelli. No decorrer da Santa Missa, iniciada às nove horas, aos domingos, os cantos tinham o acompanhamento do Padre Vitório, que tocava seu "harmonium", que os meninos chamavam sanfona, o que o deixava irritado. O Padre Lino era um exímio trompetista e também tocava gaita de boca(harmônica). Naquele tempo, o trompete era conhecido no Brasil como Piston, nome rejeitado pelo sacerdote. Entre os meninos, o futebol tinha preferência. Incrível como aparecia moleques de todos os cantos da cidade. 

Era tanta gente boa de bola, que o Padre Vitório Galliane, assessorado pelos Chefes Escoteiros, Humberto Santos e Expedito Cunha Ferro (91), organizava campeonatos equatorianos com bastante criatividade. Os times representados eram da Itália ( Milan, Roma, Internazionale, Fiorentina, Juventus e Nápoles), do Rio de Janeiro e de São Paulo, sempre os mais expressivos. Quase todos os sacerdotes do PIME torciam pela Juventus de Milão. Tanto é, que ao ser fundado o Juventus Esporte Clube, o desejo deles era que o clube usasse camisas com listras verticais brancas e pretas. O anseio não colou, porque o Amapá Clube era mais antigo e suas camisas eram idênticas às do time italiano em questão. Todos os moleques e rapazolas queriam jogar no Juventus. A agremiação tinha o time titular, o aspirante, o juvenil e o infantil. O movimento oratoriano gerou excelentes frutos. Deu aos jovens valiosos ensinamentos éticos e morais. Muita gente oriunda de famílias carentes aprendeu a discernir as coisas boas e as ruins. 

As aulas de catecismo, ministradas pelo Irmão Francesco Mazzolene (o Caterpillar) eram obrigatórias. Assistir missas também. Os jovens com mais idade do que a meninada não eram tão assíduos. Eles precisaram trabalhar cedo para auxiliar os pais e reforçar a renda familiar. A eficiência futebolística dos mesmos despertou o interesse dos mandatários de outros clubes de Macapá. A moeda correspondente a “compra do passe" era um emprego.

Texto original de Nilson Montoril, especialmente adaptado para o blog. Porta-Retrato – Macapá.

Via Facebook

sábado, 8 de maio de 2021

FALECIMENTO: Morre em São Paulo, aos 87 anos, o padre e médico RAUL MATTE

O padre e médico José Raul Matte, que atuou em comunidades ribeirinhas do Amapá por quase 30 anos, morreu aos 87 anos de causas naturais, na madrugada deste sábado (8) em um hospital de São Paulo.

(Foto:CRM-PR)

Matte nasceu e estudou medicina em Curitiba, no Paraná. Ao entrar para a vida religiosa, conheceu a Ordem de São Camilo, uma organização cristã que se dedica a cuidar da saúde e bem-estar das pessoas.

Em 1972, saiu de Curitiba e foi morar no Amapá, no hospital da ordem.

(Foto: Rede Amazônica)
Padre Raul que viajava de barco pelas comunidades ribeirinhas e levava atendimento médico a quem mais precisava.

(Foto: Rede Amazônica)
As expedições pelos rios da Amazônia começaram entre as décadas de 1980 e 1990 ofertando serviço voluntário nas comunidades que, segundo o padre, o poder público não alcançava.

Durante as viagens, Raul Matte enfrentou obstáculos de locomoção e até mesmo limitações por causa da idade. 

Foto: Círio de Nazaré/Divulgação
Ao chegar nos lares dos povos ribeirinhos, sabia que cada esforço valia a pena e ganhava inspiração para continuar avançando com os trabalhos.

Pe. Raul Matte foi distinguido com três das principais honrarias concedidas a um profissional da Medicina

a Medalha de LucasTributo ao Mérito Médico...

e o Diploma de Mérito Ético-Profissional, ambas pelo CRM-PR, ...

... e ainda a Comenda Zilda Arns Neumann, de Responsabilidade Social, pelo CFM.

(Foto: Arquivo CRM-PR)
Em 2008, durante as comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, seu trabalho social rendeu-lhe o Prêmio Cardeal Van Thuân de Direitos Humanos, que lhe foi entregue no Vaticano pelas mãos do Papa Bento XVI. Antes dele, somente outros dois padres tinham sido homenageados por realizarem trabalho semelhante na África.

O corpo do Pe. Raul Matte, descansa em paz no jazigo da Província Camiliana, no Cemitério Santíssima Trindade, na capital paulista.

Fonte: G1 / CRM-PR

    (Última atualização em 10/05/2021)

domingo, 13 de outubro de 2019

Memória da Igreja Católica: O PRIMEIRO CÍRIO DE NAZARÉ, EM MACAPÁ

Por Nilson Montoril
Os católicos de Macapá e Mazagão tradicionalmente iam passar o círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém. Como a maioria dos devotos era constituída de pessoas carentes de recursos financeiros, os proprietários de embarcações que não perdiam a grande festa transportavam os que lhe eram mais próximos. O primeiro Círio de Belém aconteceu no dia 8 de setembro de 1793, à tarde, seguindo o roteiro que ainda hoje é respeitado. Anualmente, os produtores de Macapá e Mazagão iam a Belém levando grandes balaios de castanha, cacau e frutas diversas. Os gestores municipais eram obrigados a promover a ida destes agricultores, mas acabavam arcando com as despesas da viagem dos que se viam motivados pela fé.
Com a queda do preço da borracha, na primeira década de 1900, os Intendentes Municipais sentiram a pressão do povo católico que exigia deles o fornecimento de passagens fluviais. No início do ano de 1934, cansado de ser pressionado para mandar devotos a Belém, o Intendente de Macapá, major Eliezer Levy, que era membro da comunidade judaica do Pará, propôs ao Padre Phelipe Blanck, vigário da Paróquia de São José, a realização do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Macapá. Sua proposta foi discutida pelas associações religiosas então existentes e aprovada. As providências iniciais começaram a ser tomadas em seguidas reuniões realizadas na sala de audiência da Intendência Municipal, redundando na eleição da diretoria da festa que ficou assim constituída: Juízes de Honra – Interventor Federal no Pará, Joaquim de Magalhães Cardoso Barata; Deputados Abel Chermont, Clementino de Almeida Lisboa e Acilino de Leão Rodrigues; Intendente Municipal de Macapá, Eliezer Moisés Levy. O Dr. Acilino, natural de Macapá, era médico, literato, professor e político. Fizeram parte da Diretoria: Phelipe Blanck (vigário de Macapá), Dr. João Gualberto Alves de Campos (Juiz de Direito da Comarca de Macapá), Tenente-Coronel Jovino Albuquerque Dinoá (coletor federal e fundador do jornal Correio de Macapá), Clodóvio Gomes Coelho (comerciante e político), José Maria de Sant’Ana ( segundo faroleiro de Macapá), Vicente Ventura (comerciante) e Secundino Braga Campos( comerciante, pecuarista e político). A única imagem de Nossa Senhora de Nazaré existente em Macapá pertencia à família Serra e Silva que a cedeu à Paróquia de São José. A berlinda foi montada sobre um velho automóvel, devidamente adaptado para os fins religiosos. A programação fixou os dias 3 e 4 de novembro de 1934, para a transladação e o círio respectivamente. Às 20h30, de 3 de novembro, um sábado, os fiéis se concentraram em frente a casa  da família Serra e Silva, situada à Travessa Coronel José Serafim Gomes Coelho(resta apenas o trecho conhecido como Passagem Barão do Rio Branco), no Largo dos Inocentes, área atrás da Igreja de São José, de onde saiu a trasladação. 
O povo, conduzindo archotes e círios, seguiu pela Passagem Espírito Santo (entre a igreja e a Farmácia, hoje Biblioteca Pública),... 
...Travessa Siqueira Campos (atual Av. Mário Cruz), dobrou à direita na Rua Visconde de Souza Franco (Rua Amazonas), virando à esquerda para alcançar a Rua 24 de Outubro (chamada pelo povo de Rua da Praia) até a casa do Oficial do Registro Civil Cesário dos Reis Cavalcante onde a imagem pernoitou.
No domingo, dia 4 de novembro, o foguetório iniciado às 6 horas saldava o novo dia e convocava os devotos para a grande festa. Às 8h, teve início a romaria. À frente do cortejo ia um piquete formado por 60 cavaleiros armados de lanças que, com clarins e fanfarras anunciavam ao povo a passagem da procissão. A seguir, vinha o anjo Custódio, imagem colocada sobre o dorso de um boi manso chamado Beleza, seguido de uma corte de anjinhos ricamente trajados. Depois, o carro dos milagres, onde se via uma reprodução da imagem da Virgem de Nazaré que salvou a vida de Dom Fuás Roupinho. Marujos carregavam barquinhas votivas, em ondas e maresias, dando um cunho pitoresco à procissão. Por fim, a Berlinda puxada à corda por devotos, acompanhada por autoridades e do povo até alcançar a Igreja de São José.
Durante o transcurso da romaria uma banda de música tocava hinos em louvor a Nossa Senhora. No fim do cortejo houve missa e depois o leilão dos doados à Mãe de Jesus, repetido na segunda-feira, dia 5 de novembro, pela manhã. A festa durou apenas oito dias, com reza diária do terço, ladainha e cânticos. No arraial havia brincadeiras diversas, venda de produtos da região e de comidas típicas. Na época Macapá não possuía luz elétrica e os candeeiros, lampiões, archotes e velas foram usados para clarear o Largo da Matriz.  Na segunda-feira, dia 12, deu-se o recírio em um curto percurso entre a Igreja de São José e a casa da família Serra e Silva dona da imagem da santa. Nos anos de 1935 e 1636, a imagem de Nossa Senhora ainda pertencia a particulares. Apenas em 1937, a comunidade católica de Macapá doou uma imagem à Paróquia de São José.
Pesquisa e texto de Nilson Montoril, extraído do blog Arambaé, adaptado ao blog Porta-Retrato.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Foto Memória da Igreja Católica, no Amapá: Pe. Ângelo Bubani, um dos fundadores da Prelazia de Macapá

Pe. Ângelo Bubani, Missionário do Pontifício Instituto das Missões Exteriores, foi um dos primeiros missionários do PIME a fundar a Prelazia de Macapá, na Amazônia. Chegou em Macapá - enviado por Dom Aristides Piróvano, primeiro Bispo Prelado do Amapá - no dia 19 de junho de 1948, com a missão mais isolada e difícil da floresta amazônica, abandonada por muito tempo. Em uma comovida lembrança de Pe. Bubani, o seu confrade Piero Gheddo recorda: "Por 16 anos, Pe. Ângelo viveu um período duríssimo de trabalho e sacrifício, em um lugar onde não havia assistência sanitária nem mercado.
"A nossa vida - dizia em uma entrevista anos depois - era um contínuo viajar, em barco ou canoa, a cavalo, a pé, para visitar as comunidades dispersas. Um de nós dois ficava fora um mês, depois voltava para casa para repousar enquanto o outro partia. Comia-se praticamente farinha de mandioca e peixe. A nossa paróquia era muito extensa: chegamos a ter cerca de 40 escolas para ensinar o catecismo em um território de 40.000 km². 
No Amapá, vivíamos em uma pobreza sem igual. Não havia comida, dormíamos em um local em cima da igreja, entre ratos e baratas. Deveríamos consertar o teto da Igreja porque chovia e a água inundava tudo, mas como comprar o material necessário? Uma vez Dom Aristides veio nos visitar e nos deu seu anel episcopal para vender e consertar o teto da Igreja. Não tinha mais nada para nos dar!" (Piero Gheddo, "Missione Amazzonia, I 50 anni del PIME nel Nord Brasile (1948-1998)", Emi 1998, pagg. 51, 59).
Permaneceu naquela situação de outubro de 1948 até maio de 1964, fundando uma paróquia praticamente do nada, com escolas, três igrejas e cerca de vinte capelas. Em seguida, desenvolveu diversas obras sociais e de assistência para os mais pobres. Em 1964, Dom Aristides o chamou para Macapá para ser seu Vigário-geral e ecônomo da Prelazia, período que foi de maio de 1964 até abril de 1965, e um ano como substituto do Bispo, porque Dom Aristides foi eleito Superior-geral do Pime em Roma e o novo Bispo, Dom José Maritano, ainda não havia chegado.
Quando foi superior eclesiástico da diocese, os missionários os recordam como dedicado e cordial, mas também severo. Era o seu caráter: forte, preciso, pontual, exigente - caráter que depois pudemos admirar em Roma nos últimos anos. Em maio de 1966, o novo Bispo, Dom José Maritano, o enviou como pároco para Mazagão, ainda na floresta amazônica, longe da cidade de Macapá: um outro período importante na vida missionária de Padre Bubani, porque demonstra a sua humildade e flexibilidade.
De 1976 a 1978, Padre Bubani transcorreu dois anos na Itália como Reitor do Seminário filosófico do Pime em Florença, depois voltou para a Amazônia como Chanceler da Cúria de Macapá por oito anos, até fevereiro de 1986. Naqueles anos, testemunhou a sua capacidade de organizar e manter um Arquivo e de levar adiante um trabalho de escritório de modo sistemático e constante. Em fevereiro de 1986, praticamente surdo, o Instituto se vê obrigado a chamá-lo de volta à Itália para um cargo que muitos temiam que Pe. Bubani, tão ativo e dinâmico, não se adaptaria: a partir de setembro de 1986 era arquivista-geral do Pime.
Nos últimos 18 anos da sua vida, revelou-se um homem preciso, equilibrado, constante e metódico no trabalho. Parecia, mesmo para aqueles que viviam perto dele, a pessoa ideal para se fechar dentro de um Arquivo missionário para construí-lo praticamente do zero. Às vezes, no entanto, recordava e chorava os seus índios e caboclos, as longas viagens na floresta e os seus rios, as Missas no alvorecer e as reuniões comunitárias à noite, muitas vezes à luz de velas. Mas tinha um sentido do dever que impressionava todos, mesmo com 82 anos: sempre trabalhou entre oito e dez horas por dia, realizando um trabalho que parecia impossível.
Quadruplicou a quantidade dos documentos do Arquivo (cerca de 1900 caixas contendo, cada uma, cerca de mil ou mais folhas de documentos: cartas, diários, livros, revistas, fotografias, lembranças e relíquias dos missionários mártires e santos); examinou e catalogou todo o material de modo que pudesse estar disponível para pesquisas históricas sobre missionários, as várias missões e o Instituto; por fim, Padre Bubani promoveu, em parceria com o Departamento histórico e as Postulações do Instituto, a utilização do Arquivo para poder publicar artigos e volumes históricos.
Pe. Ângelo Bubani, faleceu em Roma, no dia 21 de março de 2004.
Fonte: Site Pime-Net - Acessado em 31 de outubro de 2013.
"A aventura missionária de Pe. Ângelo Bubani, da Amazônia ao arquivo do PIME"

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Fotos Memória da Igreja Católica: Primitiva casa dos Missionários da Sagrada Família, em Macapá

Trazemos hoje para o Porta-Retrato uma relíquia histórica, em diferentes ângulos, de um primitivo barracão que abrigou os membros Missionários da Sagrada Família, em Macapá, e que se situava à Rua São José esquina com Av. Mendonça Furtado, ao lado da Igreja Matriz de São José, o mais antigo monumento da cidade.
Os primeiros missionários da Sagrada Família (MSF) chegaram para residir em Macapá, em 1911. Esses primeiros religiosos MSF foram João Henrique Paulsen, Hermano Elsink e irmão Boaventura Hammouche, que deram por fundada oficialmente a comunidade em 14 de agosto. Em 1912 chega o quarto padre: José Maria Lauth, para assumir a função de superior local, ficando em Macapá até 1923.
Esses padres permaneceram no Amapá até 1948, quando passaram a região para o comando do Pime (Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras).
(Fonte: Edgar Rodrigues via Amapá.Net)
Primeira foto de 1910
Segunda foto de 1913
Terceira foto de 1949
Quarta foto de 1955
Com a chegada dos padres do PIME, é erguido em seu lugar o prédio da Prelazia de Macapá.

sábado, 11 de maio de 2019

Foto Memória da Igreja Católica, em Macapá: História da Paróquia de São José

A história da Paróquia de São José, remonta-se ao ano de 1751, época da colonização da cidade de Macapá. O trabalho de catequese dos habitantes da região, tem início nas aldeotas, tarefa do padre Miguel Ângelo de Morais – franciscano da ordem de Santo Antônio. Para facilitar o trabalho do catequizador, é construída em 1752, por Francisco Xavier de Mendonça Furtado - então governador da Província do Grão-Pará - uma grandiosa choupana (cabana), para que o padre Miguel pudesse começar o trabalho de evangelização.
Em 01 de fevereiro de 1754, Mendonça Furtado encaminha carta ao rei de Portugal Dom João I, e solicita a construção de uma igreja. Justifica o pedido, informando que o povoado de São José de Macapá necessitava de uma Paróquia aconchegante para celebrar e administrar os sacramentos.
A pedra fundamental da Igreja de São José foi lançada dois anos antes, em 04 de fevereiro de 1752, pelo terceiro bispo do Pará, Dom Frei Miguel de Bulhões e Souza, na presença de Mendonça Furtado, padre Ângelo Morais e demais autoridades. Na mesma data, o povoado de Macapá era elevado à categoria de Vila, passando a ser denominado de Vila de São José de Macapá, em homenagem a São José, pai adotivo de Jesus, e ao rei de Portugal.
Em 06 de março de 1761 acontece a bênção e inauguração da Igreja Matriz de São José. À cerimônia compareceram o então governador da Província do Grão-Pará, Manoel Bernardo de Melo e Castro e sua comitiva.
A referida Igreja foi construída por negros e índios e teve suas plantas traçadas pelo sargento-mor Manoel Pereira de Abreu e aprovadas pelo engenheiro Antônio  José Landi.
Com a chegada dos padres do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras - PIME, em 1948, conduzidos por Dom Aristides Piróvano, primeiro bispo prelado de Macapá, foram feitas algumas modificações na estrutura arquitetônica do prédio da Igreja, quando a fachada principal passou a ter mais duas portas, além de uma já existente e as fachadas direita e esquerda, passaram a ter três portas.
De 1752 a 1903, a Paróquia de São José de Macapá pertenceu ao bispado do Pará. De 1904 a 01 de fevereiro de 1949, esteve anexada à Prelazia de Santarém-PA, quando o então santíssimo Papa Pio XII, através da bula Unius Apostolicae Sedis, criou a Prelazia de Macapá que foi separada da Prelazia de Santarém em 01 de fevereiro de 1949, mas instalada na prática em 1950, declarando sufragânea de Belém, e elevou a Matriz São José de Macapá então à Catedral São José, padroeiro da nova circunscrição instalada pelo Arcebispo de Belém, Dom Mário de Miranda Vilas-Boas.
Em 30 de outubro de 1980, a Prelazia de Macapá, foi elevada à Diocese pelo Papa João Paulo II, com a bula Conferentia e Episcopalis Brasiliensis e foi instalada solenemente em 10 de julho de 1981, por Dom Vicente Joaquim Zico, Arcebispo coadjutor de Belém.
A Paróquia de São José de Macapá, de 1752 a 1990, esteve aos cuidados de aproximadamente de 80 a 90 sacerdotes, entre os quais Pe. Júlio Maria Lombard, Pe, Vitório Galliani, Pe. Jorge Basile, Pe. Caetano Maiello, Pe. Salvatori Zona, Pe. José Busato, Pe. Paulo Lepre e outros. Em 1970, circularam rumores na cidade de que o então governador Ivanhoé Gonçalves Martins, removeria a Catedral do local onde está edificada mas tudo não passou de especulações.
Situada na área mais urbanizada de Macapá, na rua São José, com suas grossas paredes de taipa, suas amplas dimensões e gravações nos pisos e paredes, recordando mausoléus de antepassados, a Igreja de São José de Macapá, monumento mais antigo da cidade, nos transporta à história e fé no século XVIII.
Além da Igreja São José, a Catedral São José e a Igreja Santo Antônio, pertencem à Paróquia de São José.
Fonte: Revista Festa de São José 2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

Foto Memória da Igreja Católica, em Macapá - São José: devoção em forma de festa

A Paróquia de São José de Macapá, foi criada em 1752. Em 1758 foi lançada a pedra fundamental da Igreja Matriz da cidade. A devoção ao pai adotivo de Jesus, em Macapá, transcende à existência do Templo que leva o nome do santo, inaugurado em 6 de março de 1761.
Segundo matéria editada pelo jornalista Douglas Lima e publicada na Revista Festa de São José, em 2019, não há relatos da realização da Festa de São José de Macapá até 19 de março de 1949, como registra o Livro Tombo da Cúria Diocesana local. Sabe-se, contudo, que, antes dessa data, os festejos ao santo padroeiro ocorriam na Fortaleza de São José.
Foto: Reprodução da Revista Festa de São José 2019
Em 1949, em comemoração ao Dia de São José, houve missas, crismas e procissão saindo da Igreja, percorrendo algumas ruas e voltando para o Templo. As atividades religiosas foram presididas por Dom Aristides Piróvano, o primeiro bispo prelado de Macapá.
Arraial da Festa de São José - Acervo da PMM
A ocorrência do Arraial, que por muito tempo foi chamado de parte profana da Festa de São José, passou a ter registro apenas em 19 de março de 1950, sempre após as missas e procissões, seguindo até 1968, na frente da Igreja Matriz. Mas há relatos de que, em 1953, o Arraial foi no Largo dos Inocentes, atrás do prédio religioso. 
A festa profana de São José durou até 1982, conforme o Livro Tombo, porque a movimentação popular a cada ano se tornava maior, ensejando brigas e arruaças, desfocando assim, a finalidade do evento. Esse problema inclusive forçou a transferência do Arraial para outra data, em 1964.
Foto:  Ano 1946 – Reunião em frente a Igreja de São José.
Em 1973, diz o Livro Tombo da Cúria Diocesana, ”registra-se a tentativa de retorno do antigo arraial, com a participação vultosa da população, com a programação organizada pela Paróquia São José, pois, em 1964, devido ao período quaresmal, as comemorações foram adiadas para 01 de maio, para evitar os festejos profanos do arraial”. Entre as maiores festas em honra ao Padroeiro São José, destaca-se a de 1960, com número recorde de participantes: “Foi de grande volume e agrado para a Igreja, com a demonstração de fé a São José” relata o Livro Tombo, que encerra os seus registros sobre a tradição do famoso Arraial, em 1982, quando a festividade foi estendida de 19 de março a 25 do mesmo mês.
Desde aí, a Festa de São José tem adquirido maior magnitude religiosa a cada ano, atraindo mais fiéis principalmente nas procissões e missas. O macapaense demonstra que tem ímpar afinidade com os pais de Jesus, uma vez que a reverência que faz ao Padroeiro, em março, oferece-a à Maria, por ocasião do Círio, em outubro, desfazendo pouco a pouco a influência secular do Círio de Nazaré, em Belém do Pará, sobre os moradores da capital amapaense.
Texto de Douglas Lima – jornalista, radialista e editor de revista – publicado originalmente, na íntegra na Revista Festa de São José 2019, editada pela Diocese de Macapá, especialmente adaptado ao blog Porta-Retrato.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Foto Memória da Igreja Católica: Padres do Pime: Fúlvio Giulliano e Vitório Galliane

Nossa Foto Memória de hoje, foi compartilhada na rede social, pelo amigo Fernando Canto. Trata-se de um registro, sem data, clicado na Casa Paroquial da Igreja São Benedito.
Nas imagens temos à esquerda o Padre Fúlvio Giulliano e à direita o Padre Vitório Galliane, ambos saudosos sacerdotes do Pime, que fizeram brilhantes trabalhos catequéticos e sociais, na Prelazia de Macapá, no início do ex-Território Federal do Amapá.
A senhora no centro da imagem é Dona Aurora Cordeiro, cozinheira dos padres por longos anos naquela Casa Paroquial.
O mestre bacharel construtor Fúlvio Giulliano chegou ao Amapá em junho de 1962, com 23 anos de idade, para atuar como missionário leigo e mestre de obras na então Prelazia de Macapá. Desembarcou pelo porto de Santana. Sua ida se deveu a um convite formulado por Dom Aristides Piróvano, que então exercia o cargo de bispo Prelado de Macapá e coordenava a equipe de sacerdotes do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, na capital do Território Federal do Amapá.
Fúlvio atravessou o Oceano Atlântico a bordo de um navio cargueiro italiano que veio embarcar minério de manganês, no píer da Indústria e Comércio de Minérios S.A – ICOMI.
Catequista e arquiteto:
Entre os anos de 1962 a 1968, Fúlvio Giuliano desenvolveu diversas atividades, inclusive as relacionadas com sua profissão de arquiteto, auxiliando o Dr. Marcelo Cândia na edificação do Hospital São Camilo e São Luiz. Ele também concebeu os projetos arquitetônicos das igrejas de São Benedito (pedra fundamental em 24/6/1963 e inauguração no Natal de 1964), Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (inaugurada dia 12/4/1981).
Pintou expressivos afrescos em diversas igrejas de Macapá e participou de muitos salões de arte, com destaque para o I Salão de Artes do Colégio Amapaense, organizado pelo Professor Antônio Munhoz Lopez, onde o ilustre arquiteto mostrou 14 quadros da Via Sacra e I Salão de Artes Plásticas da Universidade Federal do Pará, com menção honrosa pela tela “Arraial de São José em Macapá”.
Em 1968, Fúlvio Giuliano mudou-se para Belo Horizonte para estudar teologia e receber o Sacramento da Ordem. Concluído o curso retornou a Macapá, onde, no dia 3 de janeiro de 1971, foi ordenado sacerdote. Entrou no Instituto da promessa a 13 de março de 1980.
Fúlvio permaneceu em Macapá até 1985, ocasião em que retornou à Itália, sua terra natal, para tratar dos rins, haja vista que o péssimo funcionamento dos mesmos tornou precário seu estado de saúde. Inicialmente ficou em Monza como pai espiritual e chefe da igreja pública. Depois, residiu em Gênova-Nervi, submetendo-se a frequentes seções de diálise.
Padre Fúlvio faleceu em Gênova, dia 5 de junho de 2007, as 10h30, com 68 anos. 
Seu corpo descansa em paz no cemitério de Grugana. (Informações do historiador Nilson Montoril)
Padre Vitório Galliani, era italiano de Milão. Ingressou no PIME - Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, recebendo as ordens sacerdotais no ano de 1946. Começou as atividades religiosas na Itália e, em 25 de junho de 1948, chegou a Macapá, juntando-se aos outros sacerdotes do PIME, desenvolvendo atividades na educação espiritual da população amapaense. Em 30 de março de 1950, foi designado Vigário Paroquial no Município de Oiapoque, destacando-se pelo relacionamento mantido com as tribos indígenas da região; regressou de Oiapoque para assumir as funções de Coadjutor na paróquia de São José; a 19 de fevereiro de 1957 foi nomeado Vigário da Paróquia de São José; em 18 de janeiro de 1961 assumiu o cargo de Vigário da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Santana, também se destacando na missão sacerdotal exatamente na época da chegada de trabalhadores de todas as classes sociais para trabalhar na ICOMI, empresa exploradora de minério de manganês em Serra do Navio. O padre Vitório adoeceu, viajando para a Itália, em tratamento de saúde, em 2 setembro de 1972.
Retornou a Macapá, em maio de 1973, sendo designado para a função de Coadjutor na vila de Serra do Navio; exerceu o cargo de Vigário-Geral da Prelazia de Macapá do ano de 1978 ao ano de 1982; Vigário da Paróquia Jesus de Nazaré no período de abril de 1974 a janeiro de 1980; em 25 de janeiro de 1980 foi nomeado Vigário da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima onde ficou até 21 de janeiro de 1983, exercendo a função de Capelão do Hospital Geral de Macapá até a sua morte repentina no dia 24 de abril de 1983. Foi mais um dos evangelizadores ilustres, que participou da construção do Estado do Amapá.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá" de Coaracy Barbosa, Vol. II - edição de 1998
No post podem ser vistas outras fotos raras publicadas no Facebook, por Fernando Canto.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Foto Memória de Macapá: Chegada de D. José Maritano

Nossa Foto Memória de hoje, apresenta imagens da chegada de D. José Maritano em Macapá, em 18 de março de 1966.
O registro foi reproduzido do site  Mundo e Missão.
Entre as autoridades que o recepcionaram no Trapiche Eliezer Levy, destacamos em primeiro plano, a partir de esquerda: Pe. Vendramini; Pe. Ângelo Bubani; General Luiz Mendes da Silva, governador do Amapá à época; Dom José Maritano; Dom Alberto Gaudêncio Ramos, Arcebispo Metropolitano de Belém; Dom Aristides Piróvano, 1º Bispo Prelado de Macapá; Dom Ângelo Cerqua, 1º Bispo Prelado de Parintins e Dr. Marcelo Cândia.
(Fonte: Site Mundo e Missão)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Foto Memória da Igreja Católica, no Amapá: Primeiros Padres do PIME

Os primeiros padres italianos que faziam parte do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, chegaram ao Amapá, para substituir os religiosos alemães da Congregação da Sagrada Família, na condução do catolicismo no Amapá.
De acordo com o padre Ângelo Bubani (Pequeno Histórico da Diocese de Macapá, Macapá-AP, 1985), os primeiros padres residentes do Pime a chegar ao Amapá foram Aristides Piróvano (que se tornou superior local e primeiro bispo de Macapá) e Arcângelo Cérqua. Ambos inicialmente atuaram na Pastoral Paroquial.
Eles chegaram em Macapá no dia 29 de maio de 1948. Dom Aristides ficou até 1965, quando foi nomeado Superior Regional do Pime em Roma. Arcângelo Cérqua foi em 1952 para Manaus, onde assumiu o governo regional do instituto.
Marcaram presença como padres pioneiros, além de Dom Aristides e o padre Arcângelo, os padres Vitório Galliani, Ângelo Bubani, Carlos Bassanini, Luís Vigano, Mário Limonta, Lino Simonelli, Jorge Basile e Irmão Francisco Mazolene. Estes chegaram na segunda leva de missionários, ocorrida em 19 de junho de 1948. Vitório Galliani faleceu em Macapá em 1983; Carlos Bassanini em 1973, e Mário Limonta abandonou o sacerdócio em 1949, um ano depois. Foi com a chegada desses missionários que a Pastoral da Juventude e os movimentos mariais tiveram novo avivamento.
Na imprensa, a presença do padre Jorge Basile teve momentos decisivos, entre eles a criação da Rádio Educadora São José, que ficou no ar até 17 de abril de 1978.
Na terceira viagem que fizeram ao então Território, foram engrossar as fileiras os padres Simão Corridori, Ângelo Negri, Pedro Locati e Antonio Cocco (dezembro de 1948). O padre Dário Salvalaio chegou em 13 de maio de 1950, mas faleceu seis anos depois (20.03.1956), vítima de hidrofobia. Nesse mesmo ano chegam também os padres Ângelo Pighin, Mário Fossati e Irmão Martinho Minelli. De 1953 até 1972, o Pime enviou para o Amapá o correspondente a 46 padres, o que deu bastante impulso à Igreja Católica do Amapá. A partir de 1972, a “Região Missionária do Amapá” foi desmembrada da do Brasil-Sul, passando a ser governada por um próprio superior geral. O primeiro da lista foi o padre João Airaghi (1972 a 1975). Seu substituto foi Rogério Alicino (1975 a 1977), que deu importante contribuição à História do Amapá, com o lançamento da obra “Clevelândia do Norte” (Bibliex, Rio de Janeiro, 1975), seguido de Lino Simonelli (1978 a 1981).
A atuação do Pime foi de grandiosa importância para o desenvolvimento social, apostólico e missionário no ex-Território do Amapá. Destacam-se, aí:
– O orfanato São José, na Ilha de Santana;
– O pensionato São José, atrás da Catedral;
– As escolas paroquiais São José (extinta), São Benedito, Padre Dário e Dom Aristides Piróvano, em Macapá, além de outras no interior do Estado.
A importância política dessa instituição missionária se fez por ocasião dos períodos mais cruentos da história contemporânea do Amapá, principalmente no período da ditadura militar a partir de 1964, onde o jornal Voz Católica e a Rádio Educadora eram verdadeiras forças de resistência, onde vários missionários tiveram que deixar o país, movidos principalmente pela defesa da causa dos desfavorecidos pelo novo regime de então. Entre eles, destacam-se os padres Gaetano Maielo e Domenico Bottan.
O Pime se notabilizou pelo trabalho pioneiro na educação através das escolas, na saúde através dos trabalhos de assistência médica aos interioranos e, sobretudo, na promoção social do habitante do Estado, onde vários nomes figuram como patronos de escolas (Dário Salvalaio) e ruas (Vitório Galliani e Carlos Bassanini), além de centros comunitários (José Maritano).
As Primeiras Paróquias
Precedendo à Prelazia de Macapá, as paróquias começaram a surgir a partir de 1752, fruto de um trabalho missionário intenso dos jesuítas, franciscanos e capuchinhos. Assim, a primeira paróquia que antecedeu ao surgimento da Vila de São José (1758) foi criada com o nome do futuro padroeiro e surgiu em 1752.
A paróquia de São José de Macapá foi fundada pelo bispo do Pará, Dom Frei Miguel de Bulhões e Souza. O primeiro vigário, padre Miguel Ângelo de Morais, jesuíta, chegou em 28 de janeiro. Nessa época, a paróquia estava subordinada ao Maranhão. Miguel Ângelo permaneceu por longo tempo em Macapá, ajudado pela Coroa Portuguesa que lhe dava, anualmente uma contribuição de 80 mil réis. A necessidade de se construir uma igreja de grande porte na povoação, para que se pudessem centralizar melhor os serviços da Paróquia, inspirou no jesuíta Miguel Ângelo que, através de insistentes pedidos, sensibilizou o governador Mendonça Furtado, que passou a pedir encarecidamente. 
Após pedidos insistentes, foi possível em 1758, no mesmo dia da criação da vila (4 de fevereiro), o lançamento da pedra fundamental da futura igreja de São José de Macapá, cuja inauguração se deu em 1761, três anos depois, com a presença do governador do Pará, Bernardo de Mello e Castro, por ordem do bispo de Belém D. Frei João Queiroz. A bênção oficial da Igreja se deu em 20 de março.
Dos vigários que por lá passaram, merecem considerações maiores os padres Francisco José Pereira (1787 a 1792), o amapaense Fernando da Costa Meninéia (1792 a 1800), Felipe Santiago de Vilhena (1842 a 1850), José Martins da Penha (1851 a 1855), Joaquim Manoel de Jesus (1855 a 1862), Cônego Estulano Alexandrino Baía (1870 a 1873), Orodico Mendes da Silva (1884 a 1862), Genésio Ferreira Lustosa (1887 a 1895) e Francisco Rellier (1903 a 1911). A partir de 1904, a paróquia de São José passa a pertencer à Prelazia de Santarém até 1950.
A partir de 1912 a paróquia passa a ser dirigida pelos missionários da Sagrada Família, tendo como primeiro vigário o padre José Maria Lauth (1912 a 1913), padre Júlio Maria de Lombardi (1913 a 1923) e padre José Berchold (1923 a 1932). O último dessa Congregação fica de 1932 a 1947, quando a partir daí a Igreja de Macapá passa a ser assistida pelos missionários do Pontifício Instituto das Missões (Pime)
A Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, em Mazagão, surge em 1845, tendo como patrona N. S. da Assunção (Mazagão Velho), muito embora essa localidade já tenha tido sua primeira igreja com residência anexa para o padre a partir de 1773, com parede de taipa, coberta de palha e piso de chão batido, excetuando-se o presbítero que foi soalhado.
Paróquia de N. S. da Conceição, no Bailique, foi a terceira a surgir no Amapá, em 1883 (3 de dezembro). O padre Genésio Lustosa foi seu primeiro vigário.
Paróquia do Divino Espírito Santo, Município de Amapá – Surge em janeiro de 1904, passando a pertencer inicialmente à Prelazia de Santarém até 1950. Se originou da construção de uma capela em madeira, edificada em 1880 pelo casal Antonio e Maria Antonia Principal, através de donativos que foram coletados pelo casal. O primeiro vigário da Paróquia foi o padre Feliciano Fusay, que governou até 1912, quando faleceu. Após sua morte, a paróquia ficou sendo governada pelo padre Ermano Elsink (MSF) cumulativamente com Mazagão. Em 1919 passou a ser atendida pelos padres de Macapá. Em junho teve início a construção de um templo para substituir o de madeira, construído em 1880, tendo sofrido várias reformas ao longo do tempo. Na nova construção, foram aproveitando os tijolos de uma fortaleza antiga que os franceses, no século anterior, tinham deixado inacabada, próximo à atual sede do município. Em 1922, o novo vigário, padre José Maria Lauth (MSF) reinicia a construção, que passou para o padre Felipe Blanke em 1930, mas ela só foi oficialmente inaugurada como Igreja Matriz em 28 de fevereiro de 1959, já na administração do Pime.
Outras paróquias – Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Santana, 1954), Nossa Senhora da Conceição (Macapá, 1959), Nossa Senhora das Graças (Oiapoque, 1959), Nossa Senhora de Fátima (Macapá, 1964), Nossa Senhora do Brasil (Porto Grande, 1964), São Benedito (Macapá, 1964), Nossa Senhora dos Navegantes (Região das Ilhas, 1974), Sagrado Coração de Jesus (Macapá, 1978), São Pedro (Macapá, 1978), Nossa Senhora de Fátima e Santos Ambrósio e Carlos (Santana, 1979), Cristo Libertador (São Joaquim do Pacuí, 1982) e Santa Bárbara (Serra do Navio, 1983).
Prelazia de Macapá
Foi com os padres do Pime que surgiram a Prelazia e a Diocese de Macapá. A Prelazia foi criada em 1 de fevereiro de 1949, pelo papa Pio XII, com a bula Unius Apostolicae Sedis. Isto aconteceu com o desmembramento da Prelazia de Santarém. A instalação se deu em 30 de março de 1950. Nesta mesma data, a então matriz de São José é elevada a Catedral. Quem oficializou o evento foi o arcebispo de Belém, Dom Mário Miranda Villas Boas.
Os primeiros administradores da nova Prelazia foram, pela ordem, Dom Anselmo Pietrulla (administrador apostólico – 1949) e Frei Domingos Hermans OFM (vigário capitular de Santarém e Macapá – 1950). A partir daí, todos os administradores da Prelazia passaram a ser do Pime: Aristides Piróvano (1950 a 1956) e José Maritano (1956 a 1980).
Diocese de Macapá
A partir da Prelazia de Macapá, o último padre do Pime a governá-la foi o primeiro da nova Diocese: José Maritano (1981 a 1983). Ela foi criada pelo papa João Paulo II, com a bula Conferentia Episcopalis Brasiliensis, de 14 de novembro de 1980 e solenemente instalada por dom Vicente Zico, arcebispo de Belém, em 5 de julho de 1981.
No centro da cidade, o chamado quintal dos Padres era dividido em duas áreas por um grande barraco feito de madeira de lei, denominado Salão Paroquial Pio XII. Na parte maior ficavam os meninos, que eram mais numerosos. Na outra parte as meninas brincavam seguindo as orientações do Padre Lino Simonelli. Nos primeiros anos de atuação no Amapá, os sacerdotes italianos foram distribuídos pelos municípios então existentes e precisaram trabalhar bastante para fazer os católicos voltarem a frequentar a igreja.
Fontes consultadas:
- Navegador Brasileiro Weblog/O início das religiões no Estado do Amapá. Disponível em encurtador.com.br/hzL23;
-  blog Arambaé – Nilson Montoril
(Última atualização em 21/07/2018)

terça-feira, 27 de março de 2018

Foto Memória da Igreja Católica: Torre da Igreja da Conceição - Um Símbolo Referencial do Barro do Trem


Foto: Reprodução / Mapionet
A torre da igreja do Trem, tornou-se um símbolo referencial de um dos bairros mais antigos da capital do Amapá.
Seu surgimento foi resultado do maior trabalho comunitário já acontecido em Macapá e que expôs a perseverança desse pioneiro que até hoje é reverenciado pelos católicos macapaenses: Padre Antônio Cocco. Um destacado sacerdote italiano, que trabalhou no Amapá desde 1948, quando lá chegou em 18 de dezembro, para desenvolver suas atividades na capela de Nossa Senhora da Conceição, no Trem. A capelinha foi adaptada numa casa de madeira, em frente à sede do Trem Desportivo Clube, cedida pelo professor Dionísio Monteiro.
Uma de suas primeiras providências ao receber a incumbência de vigariar a paróquia do Trem, foi armar com seus paroquianos, um barracão, onde foram realizadas as primeiras reuniões com vistas à construção da igreja. 
Com a amizade consolidada no meio da comunidade, o trabalho começou unindo na missão operários, crianças, jovens e adultos, de todas as camadas sociais. Os recursos chegavam de diversas partes. Colaborou a indústria, ajudou o comércio, e o material ia se acumulando. As carradas de areia, pedra e tijolos, muitas custaram apenas um pedido do padre Antônio ao Sr. Belarmino Paraense de Barros, nessa época paroquiano do Trem e administrador da Olaria Territorial. O jornalista Hélio Pennafort registrou em um artigo, que em certa ocasião, o Sr. Walter Banhos comentou para a Voz Católica, que “dava gosto a gente ver a turma trabalhar. Os mais velhos se encarregavam do preparo das massas, do transporte de materiais pesados. E os meninos levavam os tijolos e as telhas. Pouco a pouco. Tinha guri que só podia mesmo com um tijolo, mesmo assim passava horas e horas ajudando a construir a igreja.”
Em 5 de maio de 1950 Padre Antônio lança a pedra fundamental da futura matriz. Não demorou muito, portanto, para o bairro do Trem receber uma igreja grande, nova e moderna.
Uma das ideias do padre Antônio foi de construir uma torre bem alta, que pudesse ser o marco daquele magnífico trabalho paroquial.
Novas reuniões com os paroquianos, já na igreja nova, e a ideia começou a sair do terreno da imaginação. Novas campanhas, outros pedidos, e mais uma vez o empresariado se mostra generoso e não nega sua ajuda para mais uma obra da paróquia.
Feita a torre, veio logo a pergunta: e os sinos?
Foto: Jorge Costa /Reprodução Arquivo CEMA / AP
Com a ajuda da Providência Divina ele empreendeu uma viagem à Itália, onde apelou para a grande quantidade de amigos que também tinha por lá.
E com a mesma generosidade dos paroquianos do Trem, os italianos colaboraram e a aquisição dos sinos foi rapidamente viabilizada.
Foi dessa maneira, então, que os católicos do bairro do Trem construíram a igreja.
E foi também desse jeito que a igreja ganhou uma torre monumental, orgulho dos moradores do bairro e norteadora de embarcadiços que a enxergam de bem longe.
Fonte: Diário do Amapá.
Com Informações de Hélio Pennafort e Alcinéa Cavalcante.                                         

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