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domingo, 1 de junho de 2025

MEMÓRIA ESCOTEIRA: O INÍCIO DO ESCOTISMO NO AMAPÁ

No ano de 1942 e nos anos seguintes, o mundo vivia em plena Segunda Guerra Mundial. O Brasil, até então neutro, viu-se envolvido no conflito após o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães em águas territoriais nacionais. Essa tragédia resultou em perdas humanas e na interrupção do abastecimento entre o Sul e a região Norte, que ainda não contava com rodovias para facilitar o transporte.

Belém do Pará, cidade natal de José Raimundo Barata, não ficou imune aos reflexos da guerra. Com a entrada do Brasil como aliado dos Estados Unidos, Belém tornou-se uma base estratégica para operações militares. Aviões aliados faziam escala em Macapá, no Território Federal do Amapá, onde os americanos haviam construído uma base aérea — posteriormente transformada na Escola de Iniciação Agrícola do Amapá.


Essa parceria trouxe melhorias estruturais significativas às cidades de Amapá, Belém e Natal, especialmente quanto à infraestrutura dos aeroportos, que foram adaptados para funcionar como bases militares. Além disso, houve aumento de empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico local.

Naquela época, Raimundo cursava o segundo ano de Marcenaria numa escola técnica de Belém, que oferecia regime de semi-internato com refeições diárias incluídas. Entre os alunos, havia uma forte união, alimentada pela diversidade social e pelo espírito coletivo de aprendizado. 

Imagem; reprodução internet

Além disso, ele participava do grupo escoteiro católico “São Raimundo Nonato”, vinculado à igreja de mesmo nome no bairro do Telégrafo.

Filho de uma família modesta, Raimundo via seu pai, embarcadiço em uma companhia fluvial, sustentar todos sozinho. Após o falecimento do genitor em abril de 1944, a situação financeira da família se agravou. Para ajudar, sua irmã de criação e sua mãe passaram a vender gêneros alimentícios e lavar roupas para fora, enquanto Raimundo buscava trabalho sem sucesso. 

Foi então que, em abril de 1945, surgiu uma oportunidade inesperada.

Imagem meramente ilustrativa

O chefe escoteiro Glycério de Sousa Marques apareceu em sua casa com uma proposta promissora: recrutar dois jovens para fundar o movimento escoteiro no recém-criado Território Federal do Amapá. O governador Janary Gentil Nunes era um entusiasta das ideias de Baden-Powell e enxergava no escotismo um instrumento de formação cívica e moral.

Raimundo foi indicado ao cargo por ser considerado apto ao perfil desejado e por estar em situação difícil. Antes de assumir a missão, porém, precisou passar por um curso intensivo promovido pela Federação Paraense de Escoteiros, sob a orientação do experiente Chefe Castelo (Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão). Ao final dos 90 dias de treinamento prático e teórico, estava pronto para partir.

Em 17 de agosto de 1945, Raimundo Barata e Clodoaldo Nascimento, seu parceiro de missão, embarcaram no Iate "São Raimundo" com destino a Macapá. A viagem foi longa e desconfortável, mas, ao chegarem na manhã do dia 21, iniciavam ali uma nova fase: a implantação do escotismo no Amapá. Apesar das instalações precárias e das dificuldades enfrentadas, os jovens seguiram firmes no propósito, guiados pelo lema escoteiro: "O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades."

Assim, com dedicação e resiliência, José Raimundo Barata tornou-se um dos pioneiros do escotismo no Amapá, contribuindo para a formação de jovens e para o fortalecimento de valores essenciais à sociedade.

O Chefe José Raimundo Barata, com 99 anos, que enfrentava problemas de saúde, faleceu na quarta-feira, 04/03/2026, em Belém do Pará.

NOTA DO EDITOR:

Início do escotismo no  Amapá narrado pelo Chefe José Raimundo Barata, um dos pioneiros do Escotismo na região.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

MEMÓRIA ESCOTEIRA: URIVINO BANDEIRA RIBEIRO

Foto publicada pelo amigo Zé Paulo, em sua página na rede social, mostra o jovem Urivino Bandeira Ribeiro, na época com 17 anos.

A imagem é o registro fotográfico de um momento histórico, vivido por ele, quando participou com outros escoteiros do Amapá, em 1965, do 1º Jamboree Pan-Americano realizado na Ilha do Fundão, na “Cidade Maravilhosa”, para comemorar o IV Centenário do Rio de Janeiro e os 50 anos de realização do acampamento mundial na ilha de Brownsea, no Reino Unido, em 1º de agosto de 1907.

O monumental evento, que se tornou realidade no período de 18 a 25 de julho de 1965, reuniu escoteiros de diversos países do globo.

Segundo o historiador Nilson Montoril, “a Região Escoteira do Amapá se fez presente com uma delegação composta por 38 discípulos de Baden-Powell, que integravam os grupos Veiga Cabral, Marcílio Dias, São Jorge e João Gualberto da Silva, comandados pelos chefes Clodoaldo Carvalho do Nascimento, Benedito Santos, Manoel Ferreira(Biroba), Expedito Cunha Ferro(91) e Hilkias Alves de Araújo.”

--Também me senti honrado de ter feito parte da delegação de escoteiros do Grupo Veiga Cabral, que representou o Amapá naquele evento, sem dúvida, inesquecível! (Estou (agachado) na primeira foto, abaixo).

Urivino Bandeira é de Macapá, onde nasceu em 16 de março de 1948, filho do pioneiro João Barbosa Ribeiro e Dona Maria da Silva Ribeiro (ambos falecidos). Foi morador da Av. Feliciano Coelho no Bairro do Trem, estudou na capital do Amapá e trabalhou na Mineradora ICOMI.

Para ilustrar esse post trago duas outras fotos tiradas por Nilson Montoril que foram publicadas no blog Porta-Retrato.

Na primeira, escoteiros amapaenses no 1º Jamboree Pan-Americano.

Da esquerda para a direita da foto: Luiz Tadeu, Nelson, Biroba, Mozart Souza, Gerônimo Acácio, Fiúza, Ubaldo Medeiros(centro,de branco), Gitinho (como o Biroba chamava o menor escoteiro do acampamento,) Urivino Bandeira( mostrando o jornal "O GLOBO" que enaltece o escotismo do Amapá), Santiago (lendo o jornal), João Lázaro(agachado), Haroldo Nery  e Nilson Montoril (sentado).

Nesta segunda foto, escoteiros do Amapá tentam acender o fogão de barro de duas bocas (que virou atração no evento), feito pelo Chefe Escoteiro Nilson Montoril.

No sentido dos ponteiros do relógio, estão nas imagens: Manoel Ferreira ( Biroba -Tropa Marcilio Dias ), Nilson Montoril ( Tropa São Jorge ), Urivino Bandeira ( Tropa Veiga Cabral ), sobre o fogão,  Ubaldo Medeiros ( Tropa Marcilio Dias ) e Nelson ( Tropa João Gualberto da Silva). Em 1965, apenas esses grupos existiam no Território Federal do Amapá.

Hoje, aposentado, com 74 anos, Urivino Bandeira mora com a família no bairro Jesus de Nazaré, em Macapá.

Foto: José Paulo Ramos (Arquivo pessoal) e Blog Porta-Retrato – Macapá.

Via Facebook

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Do Fundo do Baú: Amigos contemporâneos de Macapá!

Reproduzimos hoje, um registro do Fundo do Baú de Lembranças do casal amigo, Urivino e Dona Maria Cleia Ribeiro.
Nas imagens, amigos contemporâneos de Macapá: Urivino Bandeira Ribeiro, Alceu Filho e Paulo Rodolfo (In memoriam).

Companheiros da nossa época de jovens do Grupo Escoteiro Veiga Cabral, no Laguinho.

sábado, 12 de setembro de 2015

Cidadania e Civismo: Há 70 anos, nascia em Macapá o Grupo Escoteiro Veiga Cabral.

Há exatos 70 anos, era fundado em Macapá no dia 12 de setembro de 1945 por Clodoaldo Nascimento, Glycério Marques e Raimundo Barata, a célula embrionária do Movimento Escoteiro do Amapá. 
(Foto: Reprodução de painél do Centro Educacional do Laguinho)
Seu primeiro nome foi Associação de Escoteiros do Amapá (primeiro nome do grupo). Tinha como sede a Praça Veiga Cabral. O nome foi dado em homenagem ao herói Francisco Xavier da Veiga Cabral. Apenas um dos fundadores do grupo continua vivo. Raimundo Barata atualmente aos 88 anos mora em Belém. Como tinham de se manter no Amapá, os chefes escoteiros acabaram ganhando cargos na administração do então Território. O terreno onde está edificada a sede dos escoteiros foi doado pelo governador Pauxy Nunes, em 1947. Atualmente, parte dele abriga a sede do Sebrae. Além do terreno, Pauxy ainda fez a doação de 500 mil cruzeiros (na época) para a construção da sede dos escoteiros. O primeiro prédio foi inaugurado no dia 13 de setembro de 1959, em comemoração ao 16º aniversário do Território Federal do Amapá. Seu primeiro presidente foi o juiz de Direito José Ribamar. Somente no ano de 1999 é que a entidade passou a ser reconhecida como de utilidade pública, através da Lei municipal número 1. 015. (Informações de Edgar Rodrigues). 
O Chefe José Raimundo Barata, hoje com 88 anos, embora se convalescendo de um problema de saúde, manda a sua saudação a todos os escoteiros do Amapá, pela passagem dos 70 anos do Grupo Veiga Cabral. 
Aproveitando o ensejo, ele nos enviou um resumo de sua chegada ao Amapá e conta como foi o início de tudo. 
“Foi assim: o ano, 1942 e seguintes... o mundo vivia conturbado no auge da Segunda Grande Guerra Mundial. 
O Brasil, que até então se mantinha neutro, a braços com as consequências econômicas e psicológicas da guerra, viu-se comprometido, também, sofrendo na própria pele, com o afundamento, em suas águas territoriais, por supostos submarinos alemães, de vários navios mercantes de sua frota de cabotagem, com o agravante de perdas de vidas preciosas, obstando o abastecimento de toda ordem entre o Sul e a nossa região que não era feito por rodovias, como hoje, por inexistirem. 
Belém do Pará, minha cidade, não ficou Imune à intensidade do conflito. 
Declarado um estado de beligerância entre o nosso País e os agressores, passamos a parceiros dos Estados Unidos e de seus aliados, constituindo-se a nossa cidade um suporte logístico aos aviões militares procedentes dali e que faziam escala na cidade de Amapá, no vizinho Estado do Amapá (ex-Território Federal), aonde os americanos haviam construído uma base aérea de apoio (após a guerra foi assumida pela administração territorial que a transformou na Escola de Iniciação Agrícola do Amapá), e aqui, também, para depois seguirem rumo a Natal, no Rio Grande do Norte, de onde prosseguiam no sentido de Dakar na África, para cumprirem missões definidas. 
De certa forma, essa parceria fez o País desfrutar de assistência econômico-militar dos aliados que serviu para a melhoria de algumas situações estruturais como aconteceu nas cidades de Amapá, em Belém e Natal, pelas ações implementadas nos aeroportos nesse tempo existentes que passaram à condição de "bases aéreas militares" com a adaptação e ampliação das instalações que havia aumento e construção de novas pistas de pouso/decolagem adequadas às operações militares, pavimentação de estradas ao entorno e vias de acesso para o deslocamento de viaturas, além dos empregos diretos e indiretos disso originados que resultaram no incremento de feitos propícios à expansão da economia local. 
A costa brasileira, no trecho compreendido pelos pontos extremos geográficos de Cabo Orange, no Amapá, até a Ponta de Seixas, na Paraíba, passou a ser patrulhada por aviões chamados "Catalina" e por "blimps" (pequenos dirigíveis), estes, como de Belém, aonde eu fazia o segundo ano de um Curso de Marcenaria, embasado, não só nas matérias técnicas, como nas disciplinas do currículo oficial. 
Ali havia alunos de várias camadas sociais e a procura desse estabelecimento se dava, não só pelo ensinamento que oferecia como pelo regime de semi-internato, proporcionando ao alunado: café da manhã, merenda ás nove horas, almoço e lanche às quinze horas, de boa qualidade. 
Então, o vínculo entre os discentes se caracterizava, além dos assuntos pertinentes às aulas e ao aprendizado da profissão, pela diversidade de motivos que a escolha fazia nascer um coleguismo homogêneo. 
Ao mesmo tempo, fazia parte de um agrupamento de escoteiros denominado Associação de Escoteiros Católicos "São Raimundo Nonato" - os "católicos", como éramos conhecidos - Igreja de igual invocação, no bairro do Telégrafo, cuja sede, a um quarteirão de casa, ficava nos fundos do terreno de propriedade daquela instituição religiosa. 
Não éramos uma família de grandes posses. Morávamos de aluguel. Papai era embarcadiço (marítimo) de uma companhia local de navegação fluvial como maquinista (condutor de máquinas, hoje), pois, conhecia o desempenho de máquinas movidas à lenha e/ou carvão cóque, e de motores a óleo diesel. 
Percorria os rios da Amazônia em suas viagens rotineiras. Era o único provedor da família porque eu e meus irmãos ainda estudávamos e mamãe era apenas "do lar". Havia uma "irmã de criação", por parte de mãe, que era casada com um português, proprietário de uma mercearia na cidade. 
Não passávamos fome. Tínhamos o suficiente para o nosso sustento. Só coisinhas como livros, jornais e revistas e, eventualmente, a matinê de domingo, é que experimentávamos quando havia alguma folga no orçamento doméstico. A cultura escrita vinha através de empréstimos entre colegas de escola, vizinhos e parentes. Não tínhamos rádio, pois custava caro e só adquirido à vista e os nossos rendimentos, insuficientes para possuirmos um. 
Afeito à leitura, gostava de frequentar, aos sábados, as livrarias da cidade (Martins, Conte Contemporânea) para me ligar às manchetes dos periódicos locais (Folha do Norte, O Estado do Pará, A Província do Pará), aos títulos das novidades literárias e folhear, quando possível, as revistas em quadrinhos de então (Globo Juvenil/Gibi, Suplemento Juvenil/Mirim, Tico-Tico etc.) estas, para saber como estavam se comportando os heróis que influenciavam o meu imaginário imaturo. 
Em abril de 1944 meu pai falecera. Como era o único provedor em casa, passamos a enfrentar uma situação adversa, desestabilizando a nossa vivência, não fosse à ajuda de nossa "irmã de criação" nos socorrendo, com gêneros de primeira necessidade, tirados da mercearia de seu marido, e o esforço dispendido por minha mãe, lavando roupa pra fora, de que eu era o entregador, e a sua venda de produtos de feira que a vizinhança adquiria por consideração. 
Como mais velho dos filhos e já com alguma instrução, mas, inexperiência para o labor profissional, saía, quotidianamente, à procura de emprego, sem nenhum sucesso. 
À tardinha de um dia de abril de 1945, quando as minhas esperanças de emprego se esvaíam, alguém bateu à nossa porta (um Anjo?!): um senhor bem apessoado, com uma pasta à mão, e que já estivera na sede do grupo de escoteiros ao qual eu pertencia e, em contra partida ao que expusera aos meus chefes, recebeu a indicação de minha pessoa, por me enquadrar no perfil que ele buscava e por saberem da situação adversa que minha família estava enfrentando. 
Era o Chefe Glycério de Sousa Marques, Chefe Glycério, como era conhecido nos meios escoteiros, porque chefiou, aqui em Belém, uma organização badênica denominada "Tribos Escoteiras", coirmã da Associação de Escoteiros "Benjamin Sodré". 
Disse que desejava falar comigo e com minha mãe para nos colocar a par da sua missão: recrutar dois jovens entusiastas que estivessem dispostos a enfrentar, com ele, o desafio que lhe propusera o Governo do recém-criado Território do Amapá: de fundar, ali, o movimento de escoteiros, porque o seu Governador, Capitão do Exército Brasileiro, Janary Gentil Nunes, conhecia, profundamente, a doutrina cívica e moral de Baden-Powell, o criador do Escotismo. 
Falou, também, que os dois jovens seriam empregados daquela administração e iriam, logo, ganhando um salário mensal desde a sua saída de Belém (a nossa admissão no Governo Territorial se deu a partir de 01 de maio de 1945). Antes, teriam que participar de um curso para chefes escoteiros que, coincidentemente, à época, a Federação Paraense de Escoteiros, sob a orientação austera do conhecido Chefe Castelo (Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão), promovia para adestrar, mediante atividades de sede e de campo, um número selecionado de participantes oriundos de municípios da hinterlândia paraense, para difundirem, neles, ações imbuídas nos ensinamentos escoteiros com a criação de grupos pertinentes. Minha mãe deixou-me à vontade para decidir. Aceitei, de pronto. 
Foram noventa dias de exaustivas atividades e, ao seu término, estávamos aptos a partir para assumirmos o compromisso aceito. 
Assim, é que em 17 de agosto de 1945 embarcávamos, no Iate "São Raimundo", rumo à cidade de Macapá, capital daquele Território; uma viagem desconfortável, demorada, aportando, lá, na manhã de segunda-feira, dia 21. Fomos alojados em instalações precárias, passando a viver em república de rapazes solteiros que estavam, como nós, em outras atividades a serviço daquela administração. 
A princípio, eu e meu parceiro de missão morávamos juntos e, assim, sempre que precisávamos mudar de habitação. 
Daí para frente diversas circunstâncias foram se sucedendo na vida de cada um, paralelamente, de modo que contribuíram para a melhoria da nossa vivência na terra que Cabralzinho lhe legara como herança. 
Superamos todas as dificuldades. “Éramos escoteiros e ‘o escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades’”. (Chefe José Raimundo Barata)

domingo, 1 de março de 2015

Lembranças: Do Fundo do Baú -Movimento escoteiro

Lembrança do Curso de Adestramento e Atividades Práticas para Escotistas de Alcateia, realizado de 7 a 15 de novembro de 1964, em Serra do Navio/AP, promovido pela União dos Escoteiros do Brasil.
Ao final do Curso, alunos e chefes se reuniram para a foto geral.
Da esquerda pra direita em pé: lembrei-me da irmã do Mozart Souza;?; Mª Tavares; ?; Mª da Paz; mais adiante a Wilma Carvalho; Iracema Cardoso e a esposa do Hilkias Araújo.
Dos homens ajoelhados: chefe Madureira; o 5º é o José Cohen (falecido ano passado), Leo Alcântara; Edilson Brito (salvo engano); depois EU (João Lázaro); 
Sentados ao chão: Moacir; ?; Magalhães; Hilkias, Aquelá Margarida; (Pará); Chefe Ary Gaya(UEB-RJ); chefe Clodoaldo; chefe Façanha; ?; Sabá e ?.
Fonte: Revista ICOMI-Notícias

sexta-feira, 17 de maio de 2013

ESPECIAL: AMAPÁ, SEMPRE ALERTA !

               1º JAMBOREE PAN-AMERICANO
                              
                                   Por Nilson Montoril
                             
                      Para comemorar o IV Centenário do Rio de Janeiro e os 50 anos de realização do acampamento mundial na ilha de Brownsea, ...
... a União dos Escoteiros do Brasil realizou na cidade do Rio de Janeiro, o 1º Jamboree Pan-Americano. O monumental evento, que se tornou realidade no período de 18 a 25 de julho de 1965, reuniu escoteiros de diversos países do globo.
Da esquerda para a direita da foto: Luiz Tadeu, Nelson, Biroba, Mozart Souza, Gerônimo Acácio, Fiúza, Ubaldo Medeiros(centro,de branco), Gitinho (como o Biroba chamava o menor escoteiro do acampamento,) Urivino Bandeira( mostrando o jornal "O GLOBO" que enaltece o escotismo do Amapá), Santiago (lendo o jornal), João Lázaro(agachado), Haroldo Nery  e Nilson Montoril(sentado).
A Região Escoteira do Amapá se fez presente com uma delegação composta por 38 discípulos de Baden-Powell, que integravam os grupos Veiga Cabral, Marcílio Dias, São Jorge e João Gualberto da Silva, chefiados pelos chefes Clodoaldo Carvalho do Nascimento, Benedito Santos, Manoel Ferreira, Expedito Cunha Ferro e Hilkias Alves de Araújo. Os preparativos para a longa viagem foram intensos. Os escoteiros aprenderam o hino do Jamboree que o Trio Irakitan havia gravado, realizaram promoções diversas como cordões de pássaros, teatro, bingo, rifas, venda de artesanatos e passagem de livro de ouro para angariar recursos financeiros. Eu(Nilson Montoril)), Raimundo Magalhães, Manoel Ferreira (Biroba) e o lobinho Ângelo Pires da Costa, ensaiamos e apresentamos a peça “A Galinha dos Ovos de Ouro”, encenada no Barracão Pio XII (quintal dos Padres) e nos cine-teatro das vilas Amazonas e Serra do Navio. Personificando o Gigante Ferrabraz, usei um figurino recheado com travesseiros, o que levou muita gente a pensar que artista fosse o irmão Francesco Mazollene, o famoso caterpillar. O sucesso em Serra do Navio foi tão grande que fizemos várias apresentações sábado e domingo. É claro que a ICOMI foi bem generosa conosco em termos de cachê. Embarcamos para Belém ao anoitecer do dia 8 de julho de 1965. A concentração dos escoteiros ocorreu na Praça Tibúrcio Andrade, em frente ao Macapá Hotel. Uniformizados, com as mochilas, bandeiras e outros apetrechos próprios do escoteiro, aguardamos o momento de embarcar no rebocador Araguary. Como o Araguary puxava a alvarenga Uaçá, gastou 46 horas para cobrir o percurso entre Macapá e Belém. No alvorecer do dia 11 de julho desembarcamos na Bacia da Doca Souza Franco e em ônibus fretado rumamos para o Rio de Janeiro. Até alcançarmos a rodovia Bernardo Sayão, o ônibus trafegou sobre pista asfaltada. Após alcançar o trecho próximo a Capanema/Pará, enveredou por uma estrada sem capeamento asfáltico, fazendo-nos enfrentar poeira até Brasília. Na capital federal permanecemos algumas horas na Estação Rodoviária devido à troca de viatura. 
Levávamos uma sucuri de 4 metros enrolada em um veado, ambos empalhados (foto acima), fato que aguçou a curiosidade das pessoas, inclusive da imprensa. Diante do espanto dos curiosos dizíamos que aquela sucuri ainda era filhote de cobra. Um ônibus novo nos transportou até o Rio de Janeiro, aonde chegamos por volta das 17h30 do dia 14 de julho. O grande acampamento ainda estava sendo montado, razão pela qual tivemos que nos alojar no prédio que abrigaria o Hospital Universitário da Ilha do Fundão. Estava anoitecendo e descemos do ônibus cantando a “Canção da Alvorada”, mais conhecida como “O Rio Soluça”. Os versos adaptados à bela canção foram concebidos pelo Coronel Luiz Ribeiro de Almeida. Por um capricho do destino, encontramos alojados no mesmo imóvel os escoteiros do Rio Grande do Sul que rapidamente foram ao nosso encontro. Estávamos com tanta fome que em pouco tempo acabamos com o estoque de bananas dos nossos irmãos de ideal. Ao amanhecer do dia 15, fomos conhecer o espaço onde permaneceríamos por 10 dias. A ilha do Fundão possuía algumas instalações da Marinha, na orla da Baia da Guanabara, mas era despovoada na área próximo ao Aeroporto do Galeão e a Avenida Brasil. As máquinas que fizeram à raspagem do terreno delimitaram os campos com a terra removida. Em uma divisória eu tive a ideia de construir um fogão de duas bocas que virou atração no acampamento.
No sentido dos ponteiros do relógio: Manoel Ferreira ( Biroba -Tropa Marcilio Dias ), Nilson Montoril ( Tropa São Jorge ), Urivino Bandeira ( Tropa Veiga Cabral ), Ubaldo Medeiros ( Tropa Marcilio Dias ) e Nelson ( Tropa João Gualberto da Silva). Em 1965, apenas esses grupos existiam no Território Federal do Amapá.
Também confeccionei uma mesa utilizando bambu. Essas duas pioneirias nos garantiram a bandeira de eficiência por dois dias.
No campo aonde nos instalamos tivemos como vizinhos os escoteiros da Venezuela, Uruguai, Espírito Santo e Escócia. O Biroba só chamava os escoceses de “saiudos”( foto menor - escoteiro escoses no stand do Amapá ) porque o uniforme deles compreende o uso de saias feitas com lã, com xadrez colorido (tartan) chamadas kilt. Elas têm franjas decorativas e um grande alfinete de bebe. A solenidade de abertura do Jamboree ocorreu na manhã do dia 18 de julho e fazia muito frio. Alguns carros do Jornal “O Globo” distribuíram exemplares de edições antigas a fim de que pudéssemos forrar o chão, ainda úmido devido às chuvas e as baixas temperaturas. O dia-a-dia decorreu com alvorada, café, hasteamento da Bandeira, almoço, jantar, serviços de pioneirias, jantar e fogo-de-conselho. A programação comportava passeios aos pontos turísticos do Rio de Janeiro, inclusive ao Maracanã. Também passeamos na Baia da Guanabara, em embarcações da Marinha de Guerra. Dia 26 de julho, ao deixarmos a Ilha do Fundão, fomos hospedados em um casarão, em estilo colonial, no bairro da Lapa. Na manhã do dia 27, numa deferência especial da ICOMI, fomos a São Paulo, viajando pela Rodovia Presidente Eurico Dutra. Permanecemos 8 horas em São Paulo, tempo suficiente para conhecermos o Estádio Paulo Machado de Carvalho, o famoso Pacaembu. Retornamos ao Rio de Janeiro no mesmo dia, prontos para deixar a capital do então Estado da Guanabara. Saímos do Rio de Janeiro, dia 28 de julho, alcançando Belém ao anoitecer do dia 1º de agosto. Deixamos o ônibus e nos agasalhamos na Alvarenga Uaçá, que estava na Doca de Souza Franco aguardando carga. A demora foi de 12 dias, parecendo que tínhamos sido abandonados. Soubemos posteriormente que o comando da revolução militar, em Macapá, estava hostilizando o movimento escoteiro e que alguns escotistas tinham sido presos. Lamentavelmente, a Representação do Governo do Amapá, em Belém, sequer forneceu alimentação aos escoteiros. Eles se alimentaram vários dias com farofa feita com óleo. Só consegui retornar à Macapá no dia 14 de agosto, porque comprei uma passagem dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul. A despeito desses percalços a experiência foi extremamente válida. Guardo com muito carinho três fotografias que recebi do Chefe Clodoaldo, retratando as pioneirias que fiz. Outra foto mostra parte da delegação de escoteiros do Amapá.
Artigo extraído do blog do professor e historiador Nilson Montoril - Arambaé.
Nota do Editor:
Eu também fiz parte da delegação de escoteiros que representou o Amapá naquele evento, sem dúvida, inesquecível. Sempre Alerta a todos! ( João Lázaro )
(Repaginado em 2013)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...