sábado, 30 de julho de 2011

Uma casa da Macapá de outrora

A amiga Sarah Zagury, nos mandou (via e-mail) a foto abaixo, que é um registro histórico de Macapá, logo no início do Território Federal do Amapá. É um raro momento do ano de 1949, quando Sarah, na inocência de seus 4 meses de nascida, recebia o carinho de sua Tia Meryan.
(Foto: Reprodução/Acervo/álbum família Zagury)
“Está foto é de 1949, a criança no colo sou eu e a moça é a tia Meryan. O impressionante é a casa  no fundo da foto. Era uma casa de madeira maravilhosa, cheia de janelas, enorme... ficava bem em frente do rio e hoje não  existe mais. Quando eu era criança ia para a janela e ficava olhando encantada com esta casa e os barcos que iam passando. Era nesse braço do rio Amazonas  que brincavamos quando a maré estava baixa.” Sarah Zagury.
O local era a antiga rua da praia, na beira do Amazonas, numa área que na época ficava ao lado da Casa Leão do Norte e da fábrica do Flip Guaraná, onde depois foi construída a Praça Zagury/Praça do Coco.
(Foto: Reprodução/Acervo/álbum família Zagury)
No detalhe a antiga casa da rua da praia, que situava-se na frente da cidade de Macapá. O historiador Nilson Montoril lembra que  nesta casa que ficava à beira do barranco, no final da Av. Presidente Vargas, residiram os pioneiros Joary Barriga e Armindo Felipe Zagalo, pai do Prof. Carlos Zagalo.
(Última atualização dia 03/08/2011)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Largo da Matriz: O Marco Zero de Macapá

O antigo Largo (Praça)  de São Sebastião ou Largo da Matriz, localizava-se na área onde hoje está erguida a praça Veiga Cabral. Foi nesse local que aconteceu, em 4 de fevereiro de 1758, o levantamento do pelourinho e o governador do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fundou naquele dia a Vila de São José de Macapá.
Tomando referência à condição geografica de hoje, poderiamos dizer que esse trecho seria situado entre a avenida Presidente Vargas, e as ruas São José e Cândido Mendes, que só foram abertas a partir de 1943, quando o Amapá foi transformado em Território Federal. A foto foi tirada no sentido de Leste para Oeste.
Estas imagens raras, e muitas outras, que fazem parte do acervo do governo do Pará, completam em 2011, cento e três anos que foram  registradas pelo brilhante fotógrafo Fidanza, em 1908. Elas compõem o "Album do Estado do Pará", que retrata a resenha dos 8 anos do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Estado do Pará, de 1901 a 1909.
(Última atualização dia 28/07/2011, às 18h:40m)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Morre em Belém, aos 67 anos, Edvar Mota: “O Mestre da Voz”

(Foto: Reprodução/print de tela/vídeo documentário)
Faleceu na madrugada desta  terça-feira(26) em Belém (PA), aos 67 anos, o radialista Francisco Edvar do Espírito Santo Mota.
(Foto: Reprodução/print de tela/vídeo documentário)
Edvar Mota, como era conhecido no meio radiofônico, era amapaense nascido em 19 de novembro de 1943 na Rua Mário Cruz, bem em frente à antiga Intendência, no centro de Macapá, filho de um próspero comerciante português das ilhas do Pará e da dona de casa paraense Emília do Espírito Santo Fonseca.
Edvar teve uma infância feliz, no início do Território Federal do Amapá. Foi aluno do Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Seu primeiro contato com o mundo artístico, começou a partir da mudança de sua família para próximo à Rádio Difusora de Macapá, quando passou a observar os apresentadores e tomar gosto pelos programas  apresentados na emissora oficial por locutores de renome na época, tais como Amazonas Tapajós, Argemiro Imbiríba, Agostinho Souza e muitos outros.
Foi lá que conheceu – aos 13 anos de idade – os técnicos da emissora: Ivaldo Veras, Manoel Veras, José Rodrigues, Otávio Pinheiro dos Santos, Baião Caçula e muitos outros. Aos 15 anos, ajudando o pessoal da técnica em pequenos serviços, começou a estagiar como Aprendiz de Operador de Áudio (antigo Controlista) passando depois aos 17 anos a aprender as primeiras noções como  locutor comercial, devido sua bela voz. A partir daí, trabalhou por longos anos na Rádio Difusora de Macapá, apresentando os programas que marcaram sua carreira profissional como Carnê Social, Grande Jornal Falado E-2, A Grande Seresta e muitos outros; Edvar foi uma espécie de faz tudo na Rádio Difusora.
Edvar nas hora de folga também trabalhou, por longos anos em serviços de autofalantes, sendo um deles, o da Casa Ribamar de Inácio Serra, que explorava o ramo de tecidos em Macapá. Também prestou longos anos de serviços como a voz oficial do Cine Macapá - A Casa dos Grandes Espetáculos - tanto para anunciar, internamente, as próximas atrações do cinema, no início das sessões, como na propaganda volante daquela famosa casa de projeções cinematográfica. Isso tudo ao vivo, pois na época não haviam gravadores.
(Foto: Reprodução/printe de tela/Vídeo documentário)
No rádio deixou sua marca no programa “A Grande Seresta” através das músicas de Orlando Silva, Adelino Moreira, Altemar Dutra, Edna Fagundes, Nelson Gonçalves e Pixinguinha cuja composição Rosa era a sua preferida.
Seu grande parceiro, das noitadas da Grande Seresta, foi o músico e professor Nonato Leal, que definiu o companheiro, como “um músico, romântico e de uma sensibilidade musical enorme”, além deexcelente amigo, franco, leal e verdadeiro”.
(Foto: Reprodução/printe de tela/Vídeo documentário)
A história de vida do radialista está registrada em um documentário de 30’- "Edvar Mota O Mestre da Voz" -  produzido pelas jornalistas Elainne Juarez, Márcia Corrêa e a saudosa Hanne Capiberibe, orientado pelo Mestre em Comunicação Jackson Barbosa, Trabalho de Conclusão de Curso pela Faculdade Seama, 2004, que não tardiamente reconheceram e prestaram homenagem em vida ao grande radialista que foi Francisco Edvar do Espírito Santo Mota.
Este post usou como fonte dados do citado documentário: “Edvar Mota – O Mestre da Voz”, de uma cópia gentilmente cedida ao blog Porta Retrato, através da jornalista Hanne Capiberibe (falecida).
Via Retistro no blog da jornalista Cléia Soares
Atualização: O corpo de Edvar Mota, foi sepultado na tarde desta quarta-feira(27), às 17h, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Macapá.
(Atualizado em 27/07/2011, às 21h:50m)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma das construções da Macapá de outrora

Foto de 1908 - Um dos estabelecimentos comerciais da Macapá antiga, na Rua Siqueira Campos.
No detalhe um dos antigos casarões de Macapá que localizava-se no trecho que começava na Rua da Praia e terminava na Praça da Matriz - hoje Av. Mário Cruz, entre as Ruas Cândido Mendes e Binga Uchôa. Nessa época a atual Mário Cruz se chamava Siqueira Campos e chegava até a margem do rio.
Na realidade esses casarões foram todos demolidos e em seu lugar foi erguida depois a praça Zagury e, numa parte dela, está agora a Praça do Coco.
Foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará" - montado e impresso em París - por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
(Post republicado por conter informações incorretas e que foram confirmadas pelo historiador Nilson Montoril)
(Última atualização em 28/07/2011, às 20h:30m)

sábado, 23 de julho de 2011

O lendário Poço do Mato

Clique na imagem para ampliá-la
Foto de 1908 - O Poço do Mato. Localiza-se no meio da Avenida Padre Manoel da Nóbrega, no centro da cidade de Macapá, entre as ruas General Rondon e São José, atrás do terreno da CAESA (Companhia de Águas e Esgoto do Amapá).  
Foi declarado Monumento de interesse cultural do município de Macapá, através do Projeto de Lei nº 037/93, da Câmara de Vereadores de Macapá.
Construído em 1864 para fornecer água aos moradores do antigo bairro do Laguinho, o Poço do Mato tornou-se uma verdadeira fonte de imaginação e fatos folclóricos para os macapaenses.
O primeiro Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Macapá, coletava água do velho Poço do Mato, que apesar de antigo, tinha água pura e límpida.
Esta foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará", pertence à resenha dos 8 anos do governo Augusto Montenegro, no Pará. Além do relato histórico, o importante documento possui muitas fotos da época, que foram feitas pelo excelente fotógrafo Fidanza, em 1908.
( Repaginado em 23/07/2011 )

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A antiga Dica da Fortaleza

 ( Clique na foto para visualizar melhor )
Essa era a imagem da antiga Doca da Fortaleza, em 1908. Nesse local aportavam as canoas oriundas das ilhas do Pará e de outras regiões próximas a Macapá.
Segundo o historiador Nilson Montoril, a ponte que aparece na foto na entrada do Igarapé, teria sido construída por soldados aquartelados na Fortaleza de São José de Macapá, que ficava ao lado.
Atualmente o local está totalmente aterrado e faz parte do entorno do Forte, tombado pelo IPHAN.
Esta foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará", pertence à resenha dos 8 anos do governo Augusto Montenegro no Pará. Além do relato histórico, o importante documento possui muitas fotos da época, que foram feitas pelo excelente fotógrafo Fidanza, em 1908.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A frente da Macapá de outrora

(Contribuição do amigo Paulo Tarso Barros, via Facebook)
Vista panorâmica da frente da cidade de Macapá, em 1908.
Se você clicar na imagem e ampliá-la, vai poder ver melhor muitos detalhes, nela contidos.
Moradores ribeirinhos (a maior parte, crianças), aproveitam a baixa da maré e andam na praia (com água nos pés) que é, predominantemente,  formada de solo lamacento.
Um dos telhados, que se destacam na foto (seta), é do prédio da antiga Intendência de Macapá, que foi construído no final do século 19, mais precisamente em 1895, na administração do intendente Coriolano Jucá. (Fonte)
Não é vista nesse ângulo, a Pedra do Guindaste que fica mais à direita da imagem.
A foto não registra também o trapiche Eliezer Levy, que só foi construído na administração do Major Moisés Eliezer Levy, de maio de 1932 a setembro de 1935, um dos períodos no qual o mesmo governou Macapá, e a construção do trapiche que recebe seu nome, foi uma de suas inúmeras realizações.
Sua localização foi próxima à Pedra do Guindaste.
Foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará" - montado e impresso em Paris - por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
( Repaginado em 20/07/2011 )

terça-feira, 19 de julho de 2011

Antigo Igarapé da Fortaleza

(Clique na foto para ampliá-la)
Assim era a entrada do antigo Igarapé da Fortaleza, também chamado de Igarapé do Igapó - onde situava-se a chamada Doca - no ínício do século 20, mais precisamente em 1908.  
À direita da foto pode-se observar o baluarte Nossa Senhora da Conceição, da Fortaleza de Macapá.
Esta foto rara, foi extraída do "Album do Estado do Pará" -montado e impresso em Paris - por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
Nessa época as águas do Rio Amazonas, chegavam bem próximas às paredes seculares do monumento, que por muitos anos sofreu diversos períodos de abandono, antes do surgimento do Território Federal do Amapá, em 1943.
A imagem começou  a ser modificada, a partir do momento em que o local foi totalmente aterrado e saneado, para dar lugar à atual área de entorno da Fortaleza de São José de Macapá. Tal procedimento foi uma das exigências do IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que fêz o tombamento do Forte, na década de 1950. (Fonte)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ESPECIAL: O DESENLACE DE IRACEMA CARVÃO NUNES

      (*)Por Nilson Montoril
                    Nascida na cidade de Cruzeiro do Sul, no Território Federal do Acre, a 3 de outubro de 1913, Iracema Carvão Nunes viveu o suficiente para desempenhar um importante papel no seio de sua família, na vida do esposo e de um povo sofrido que a considerava um ser iluminado para cumprir importantes missões. Era filha do comerciante e contabilista Joaquim Carvão e de sua esposa Auta Rodrigues Carvão que geraram mais sete filhos: Alfredo, Mário, Silvio, Aluízio, Paulo, Irauta e Alice Déa. Em busca de melhores condições de vida a família Carvão mudou-se para Belém, onde faleceu a senhora Auta Rodrigues. Na condição de filha mais velha, Iracema auxiliou o pai na criação de seus irmãos. Em 23 de julho de 1937, contraiu núpcias com o jovem oficial do Exército Brasileiro, Janary Gentil Nunes, e o acompanhou em suas andanças pelo Paraná e Clevelândia. O então capitão Janary Gentil Nunes comandava a 5º Companhia de Metralhadoras Anti-Aérea, em pleno curso da II Guerra Mundial, quando o Presidente da República, Getúlio Vargas, o nomeou para assumir o importante cargo de governador do Território Federal do Amapá, criado no dia 13 de setembro de 1943. Neste momento, Iracema Carvão Nunes já enfrentava sérios problemas de saúde decorrentes de uma cardiopatia grave.
( Foto: Reprodução de arquivo )
Tinha uma menina ( Iracema Carvão Nunes) e um menino, Janary Carvão Nunes), nascidos respectivamente em 1940 e 1943, tratados por parentes e amigos como Ceminha e Janarizinho. A despeito dos contratempos enfrentados como esposa de militar, sujeita a mudanças repentinas para lugares nem sempre dotados de conforto, Dona Iracema mantinha-se fiel a seu papel de esposa e mãe extremosa. O Capitão Janary Nunes chegou a Macapá na manhã do dia 25 de janeiro de 1944, para instalar o governo do Território do Amapá. Ela, os filhos e a irmã mais nova, Alice Déa, permaneceram em Belém, haja vista que em Macapá não existia sequer uma casa condiga disponível para abrigá-los. O governador precisou mandar construir uma casa de madeira próxima a Intendência Municipal, para depois promover a vinda de sua família. O terreno onde o imóvel foi erguido pertencia ao casal Otávio Acioli Ramos e Paula Loureiro Acioli Ramos, pais dos jovens Aristeu e Avertino Ramos, atletas que defenderam brilhantemente as cores do Esporte Clube Macapá e da Seleção Amapaense de Futebol.
No dia 1 de maio de 1944, viajando no Iate Itaguary, Dona Iracema, os filhos e a irmã, desembarcaram no Trapiche major Eliezer Levy, em Macapá. Acostumada a ver lugares degradados, Dona Iracema não estranhou a decadência da capital do Amapá.
                    A fragilidade da sua saúde não a impediu de expandir sua condição de mãe às pessoas carentes da pequena Macapá. Como esposa do governador ela deveria dirigir a comissão Territorial da Legião Brasileira de Assistência, entidade presidida a nível nacional pela senhora Darcy Sarmento Vargas, esposa do presidente da República do Brasil, Dr. Getúlio Dorneles Vargas.
A instalação da LBA-Amapá deu-se no dia 18 de agosto de 1944. Numa terra onde faltava tudo, a LBA iria implantar a Campanha de Redenção da Criança e os programas Natal do Soldado e da Criança, auxílio às pessoas notadamente pobres e às famílias dos reservistas convocados para a Força Expedicionária Brasileira, construção de um posto de puericultura e permanente assistência, em remédios, vestuários e alimentação às gestantes e crianças. Tolerante e compreensiva ouvia os que a procuravam e sempre agia com o interesse de ser útil, desde que fosse para praticar o bem. Nunca distinguiu as pessoas pelo brilho das jóias, pelo exibicionismo das ideias ou pela roupagem que vestiam. Avessa à intriga, à maledicência, à crítica deprimente do alheio, teve permanentemente ao seu lado amizades sinceras e definitivas. Recrutou como valorosos aliados na implantação da LBA-Amapá os doutores Hildemar Pimentel Maia, Odilardo Gonçalves da Silva, Salomão Moisés Levy, seu cunhado, doutora Abelinha Valdez, Maria de Lourdes Dacier Lobato, Alice de Araújo Jucá, Olga Montoril de Araújo, Irauta Carvão Levy e Lair do Couto Freitas. Instituiu com as cinco últimas a Campanha da “Boa Vontade” visando patrocinar o Natal da Criança Pobre.
( Foto: Reprodução de jornal / arquivo Nilson Montoril )
Fotografia de Dona Iracema Carvão Nunes estampada na primeira página do Jornal Amapá nº 70, edição de 20 de julho de 1946. No dia 23, seria feita a benção da campa onde ela foi sepultada. O povo do Amapá arcou com as despesas para preparação do mausoléu.
                    Diariamente, às 18 horas, Dona Iracema coordenava a distribuição de sopa às gestantes, parturientes e crianças pobres. Mas qualquer pessoa desprovida de meios para alimentar-se mais de uma vez por dia também era recebida com respeito e afeto. Isso acontecia na residência governamental, porque a bondosa senhora andava temerosa de que a saúde não lhe permitisse comparecer a lugares públicos. O Natal de 1944 foi marcado pela primeira grande promoção da LBA. Além das refeições próprias da época, as crianças receberam presentes. Em 1945, os trabalhos de assistência social coordenados pela primeira dama seriam ainda mais consagradores. Porém, às 20h30min do dia 23 de julho, uma segunda-feira, a morte iniciou suas manobras para arrebatá-la do convívio dos seus entes queridos e do povo amapaense. Naquela oportunidade ela e o governador completavam oito anos de casados, uma feliz união firmada perante as leis de Deus no dia 23 de julho de 1937. A jovem Iracema tinha então 24 anos de idade. Poucos meses antes de morrer, Dona Iracema precisou ir ao Rio de Janeiro a fim de buscar melhoras para seu estado de saúde. Retornou a Macapá depois de rigoroso tratamento e demonstrava muita disposição para cumprir seus compromissos. Entretanto, no dia 19 de julho de 1945, quinta-feira, a cardiopatia voltou a importuná-la, deixando-a de cama. Para cúmulo da má sorte, um acesso palúdico veio embaraçar o trabalho de seu dedicado médico, Dr. Cláudio Pastor Dacier Lobato. De Belém foi chamada às pressas a cardiologista Maria do Carmo Sarmento de Carvalho, que passou a lhe dar assistência médica. Às 21h30min do dia 23 de julho de 1945, um colapso que para alguns dos que a assistiam até passou despercebido, ceifou a vida da ilustre cidadã acreana. Ela viveu apenas 1 ano e 53 dias em solo macapaense. Dia 3 de outubro ela iria completar 32 anos de idade.
Dia 24 de julho de 1945. Cemitério Nossa Senhora da Conceição. O esquife de Dona Iracema estava coberto com a Bandeira Nacional e um soldado da Guarda Territorial executava o toque de silêncio. O Governador Janary Nunes usando seu uniforme militar segurava seu quepe com a mão direita junto ao quadril. A seu lado estava o Dr. Raul Montero Waldez, Secretário Geral do Território do Amapá. Os sacerdotes alemães Antônio Schulte (de branco) e Philippe Blanke ( de preto) já haviam realizado as orações de praxe. Próximo ao corneteiro, entre dois garotos, estava o Dr. Marcilio Felgueiras Viana. Diretores e Chefes de repartições públicas, funcionários e populares foram prestar suas últimas homenagens à Dona Iracema.
                    Seu corpo foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição sem pompa e sem luxo. O esquife, feito por marceneiros amapaenses, foi forrado de simples gorgorão preto, ornado com uma singelíssima cruz desenhada com nastro branco. O mausoléu que abriga seus restos mortais, edificado perto da Capela de Nossa Senhora da Conceição foi construído um ano depois com dinheiro proveniente de uma subscrição feita pelo povo do Amapá.
(*) Históriador e radialista do Amapá
(Post publicado originalmente no blog Arambaé - por Nilson Montoril de Araújo)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Antes e Depois: Prédio de Mazagão Velho

Casarão do século 18, mesmo adaptado, mantém a mesma arquitetura desde sua construção.
 
Compare os três momentos das fotos. A primeira foi clicada em 1966 e as duas, mais recentes,  45 anos depois .
( Foto do acervo do amigo Paulo Tarso Barros )
( Foto: Contribuição do amigo Aloisio Cantuária )
Esta casa, localizada em Mazagão Velho - uma das comunidades principais do município de Mazagão, no Estado do Amapá - pertence à família Ayres, e foi erguida na segunda metade dos anos 1700, constituindo-se hoje, num dos patrimônios históricos daquele município. Embora tenha recebido, ao longo dos anos, adaptações com algumas modificações em sua estrutura, sua caracterísca e sua arquitetura original, foram mantidas inalteradas.
(Repaginado em 15 de julho de 2011)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Antes e Depois: Avenida Mário Cruz

Av. Mario Cruz no início do Território Federal do Amapá.
(Foto de Carla Marinho / Google imagens)
Agora as marcas do progresso e da evolução urbana, modificam a paisagem. O "Antes" e o "Depois" dessa histórica avenida de Macapá.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Foto rara da Praça da Matriz

(Para melhor visualização, clique na foto)
(Contribuição do amigo Paulo Tarso Barros, via Facebook)
Esta foto rara datada de 1908, foi extraída do "Álbum do Estado do Pará", montado e impresso em Paris, por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
Resumo histórico: Augusto Montenegro era advogado, e como governador fez grandes feitos na história do Pará. Ele concluiu a estrada de ferro Belém-Bragança no dia 31/12/1901, regularizou as finanças, melhorou o serviço de águas, e ainda resolveu a secular pendência das terras do Amapá, ganhando dos franceses. Augusto Montenegro substituiu o governador Paes de Carvalho. Em sua homenagem, foi dada a uma rodovia o nome de Augusto Montenegro, que é uma das mais movimentadas de Belém, capital do Pará. (Fonte: Wikipédia)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Antes e Depois: Calçada da Beira Rio

(Foto: Reprodução / Acervo Fernando Canto )
( Foto extraída do blog Canto da Amazônia,  de Fernando Canto )
Antes a Calçada da Beira Rio era assim...dava pra ver a Fortaleza de Macapá, aos fundos.
( Foto: Reprodução / Acervo Dora Figueiredo )
( Foto de Dora Figueiredo, extraída do blog Visualizações do Amapá )
  ... e Agora recebeu os Quiosques do Complexo Beira Rio onde funcionam bares e restaurantes, na frente da cidade. Hoje, uma parte do forte foi encoberta pelos prédios.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ESPECIAL: SEU MANUEL, "O POPULAR PAU FURADO"

Por (*)Nilson Montoril
Seu Manuel é o primeiro à direita da foto. Na época ele usava apenas uma bengala. Os demais populares eram moradores de Mazagão que retornariam pra casa aproveitando uma carona na ubá "Caça Níquel", do comerciante Francisco Torquato de Araújo que já estava na proa da embarcação.
Moreno, corpo esguio e rosto marcado pelo sofrimento, assim era o seu Manuel, um deficiente físico que vivia da caridade pública na cidade de Macapá. Morava em um prédio que fora construído pelo governo do Território Federal do Amapá para abrigar o “Restaurante dos Operários” e servir de abrigo aos que vieram de outras plagas para trabalhar na construção de diversos prédios públicos e que viviam em alojamentos precariamente edificados. Os trabalhadores permaneciam naquele local pelo tempo necessário para construírem suas casas em lotes que a Divisão de Terras e Localização distribuía. O restaurante acabou sendo rotulado de Barracão dos Imigrantes, ficava na esquina da Rua São José com a Avenida Professora Cora Rola de Carvalho. Pelo centro dessa segunda via pública passava a tubulação do primeiro sistema de esgoto de Macapá. A área era tão alagada que foi preciso construir-se pequenos pilares para manter os tubos fora do lamaçal. No inicio seu Manuel usava apenas uma grossa bengala para sustentar a mudança de passo da perna esquerda. Depois se fez imprescindível trocar a bengala por uma muleta relativamente desgastada para poder se deslocar, haja vista que a atrofia da perna esquerda se agravara. Quase não falava e a dentição lhe era escassa. A despeito de ser deficiente físico, seu Manuel caminhava bastante. Seu ponto preferido para sentar-se e ver o tempo passar era a calçada da residência da senhora Sofia Mendes Coutinho, situada no canto da Avenida General Gurjão com a Rua São José. Ali ficava horas a fio observando tudo que se passava no centro histórico de Macapá. À tarde, quando a maré enchia por volta das 16 horas, seu Manuel deixava a calçada e rumava para o trapiche major Eliezer Levy. Com muito aprumo caminhava sobre a longa ponte até alcançar o ancoradouro frontal. Á época existia na cabeça do trapiche um abrigo coberto destinado a passageiros e cargas miúdas. Era o local onde seu Manuel ficava fitando as águas do Rio Amazonas e acompanhando a chegadas dos reboques a vela provenientes da região das ilhas do Pará, que traziam açaí, frutas e peixe. Tudo era vendido rapidamente aos costumeiros fregueses, principalmente às mulheres amassadeiras do nosso rico e gostoso “petróleo”. À conta da caridade dos caboclos seu Manuel sempre voltava para o barraco com alguns peixinhos frescos, suficientes para o preparo de um reanimante caldinho. Ele também podia ser encontrado sentado na calçada da Igreja de São José proseando com o amigo Ponciano ou sobre a panela da rede de esgoto da Avenida Cora de Carvalho. Todo mundo se admirava de o ver escalando aquele objeto alto sem pedir a ajuda de terceiros.
(Foto de Arquivo da Diocese de Macapá)
Esta foto é de 1949. Observe que a igreja está com pintura nova. Ela havia passado por uma reforma coordenada pelo Padre Mário Limonta. À esquerda da foto vemos a Casa Paroquial. Era na ponta da calçada, à direita do templo que o "Pau Furado"gostava de ficar sentado.
As crianças que tão bem conheciam seu Manuel não lhe faltavam com o respeito. Algumas evitavam passar perto daquele cidadão desvalido porque os próprios pais diziam que iriam chamar o “Pau Furado” caso os filhos não se comportassem direito. A mesma coisa falavam em relação ao senhor Benedito Lino do Carmo, o Congó. A molecada da Matriz até que tentava tirar um dedo de prosa com seu Manoel, mas ele falava meio embrulhado e somente as pessoas pacientes conseguiam entendê-lo. Se naquele tempo os políticos distribuíssem dentaduras, a pronúncia do “Pau Furado” seria melhor. Nunca consegui saber de que localidade veio seu Manoel. Algumas pessoas diziam que ele era proveniente da ilha do Marajó e teria contraído paralisia infantil. A origem do seu apelido e o complemento do nome de batismo jamais foram descobertas. Seu Manuel detestava ser apelidado. No tempo de manga ele fazia a festa. Primeiramente amassava bem a fruta. Depois, chupava a poupa, devorava a casca e fazia um malabarismo tremendo com o caroço dentro da boca. Ao ser jogado fora, o caroço estava branquinho da silva. Seu Manuel residiu no Barraco dos Operários até morrer, no final da década de 1960. O propósito do Governador Ivanhoé Gonçalves Martins em melhorar o aspecto urbano de Macapá mudou completamente o habitat do Pau Furado. O prédio que o abrigava encontrava se praticamente desativado e não servia mais refeições.Os alimentos necessários à subsistência de seu Manuel continuavam a ser dados por pessoas caridosas, entre elas a Alice Gorda que na época gerenciava um hotel. Foi a Alice Gorda, nossa eterna Rainha Moma, quem providenciou o sepultamento daquele homem que tanto sofreu até desencarnar do verbo.
(*) Professor e historiador amapaense
(Artigo publicado, originalmente, em 25 de junho de 2011  no blog Arambaé, do historiador Nilson Montoril.)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Casas da beira rio antes da Praça Zagury

Estas fotos são imagens congeladas feitas pelo Sr. Isaac Zagury (possivelmente ao final dos anos 50 e início dos 60), extraídas de um vídeo amador guardado pela família, e que nos foi enviado pela amiga Sarah Zagury, filha dele.
(Foto: Reprodução de vídeo)
São registros de uma manifestação momesca, daquela época, em que aparecem brincantes de uma agremiação carnavalesca (possivelmente, um bloco ou escola de samba do bairro do Laguinho) se apresentando em frente à Casa Leão do Norte e da fábrica do Flip Guaraná, estabelecimentos comerciais de propriedade da Família Zagury.
Antes de 1965, quando o Carnaval de Rua foi oficializado pelo Governo do Território e pela Prefeitura de Macapá, eram os comerciantes da época que patrocinavam para que os brincantes, organizados em blocos de sujo, se apresentassem em frente aos seus estabelecimentos comerciais.
E esta é uma apresentação patrocinada pelo Flip Guaraná, razão dessa garrafa grande, que aparece nas fotos.
(Foto: Reprodução de vídeo)
Como o vídeo tem qualidade muito prejudicada pelo tempo,  só conseguimos reproduzir essas poucas imagens pelo valor histórico delas.
(Foto: Reprodução de vídeo)
Por trás dos brincantes podem ser observadas umas casas antigas que ficavam situadas no local onde depois foi construída a Praça Zagury, em homenagem póstuma ao próprio Isaac Zagury que foi o primeiro dos irmãos a falecer, prematuramente.
(Foto: Reprodução/Chico Terra / Google / imagens)
Antiga Praça Isaac Zagury
(Foto de Chico Terra)
(Foto: Reprodução / Dora Figueiredo   Google/imagens)
Depois virou Praça do Coco
(Foto de Dora Figueiredo)
A Praça Zagury deu lugar à Praça do Coco, inaugurada em 2010, pelo Governo do Amapá.
Em 12 de setembro de 2015, foi inaugurada a primeira placa de resgate histórico na Praça Zagury. A identificação conta com a localização da praça, foto e breve histórico de Issac Zagury, que dá nome ao local.
Quem souber quem eram os moradores das casas das fotos, pode contar nos comentários ou mandar e-mail com os detalhes, para jolasil@gmail.com.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Pioneiro João Raimundo Cunha

O Pioneiro João Raimundo Cunha, filho de Manoel Raimundo Cunha e Rosa Maria da Cunha, nasceu no Ceará, em 1917; morou um curto período no Piauí, ainda criança foi morar na Amazônia (Santarém - PA) com a família. Quando adulto trabalhou na Companhia Ford como capataz (Companhia norte-americana que explorou a amazônia por longos anos. A cidade de Fordilândia foi fundada pela presença da tal Companhia Ford).
Meu pai já trabalhava na empresa de aviação Cruzeiro do Sul quando foi transferido para Macapá em 1951; a Cruzeiro assumia essa linha aérea em Macapá no lugar da Panair do Brasil. Meu pai foi morar na casa, que já pertencia a Cruzeiro do Sul.
(Foto: Reprodução/Cortesia do Museu Histórico do Amapá)
Foto de 1944 - Antigas instalações da PANAIR DO BRASIL, (primeira companhia aérea que operou no Amapá) - Situava-se defronte da Estação Telegráfica da Panair, no terreno hoje ocupado pela área do Colégio Amapaense, na esquina da Praça da Bandeira.
Casa localizada na Iracema Carvão Nunes, esquina com a Eliezer Levy. O aeroporto ficava em frente, abrangendo a Praça da Bandeira, Palácio do Governo, Av. Fab, Prefeitura e adjacências.
Meu pai exercia a função de Encarregado na Cruzeiro do Sul. Naquela época todos os procedimentos em relação às aeronaves: iluminação de pista, manutenção, abastecimento, era feito pela empresa Cruzeiro do Sul, ele era uma espécie de faz tudo, inclusive "feitor de pista" (silalizar para o completo estacionamento da aeronave). Quando havia pouso noturno, a pista tinha que ser iluminada com dezenas de candeeiros (faróis) para orientação da aeronave. Tudo feito pelos funcionários da Cruzeiro. Naquela época, carregar, decarregar e fazer entrega das bagagens também era função da empresa Cruzeiro do Sul.
O agenciamento da Cruzeiro do Sul era competência do senhores Moisés Zagury e Laurindo Banha.
Meu pai nas horas vagas, trabalhava na Casa Leão do Norte de propriedade da família Zagury.
(Foto: Reprodução de arquivo)
Imagem da área onde situava-se a residência do Sr. João Raimundo Cunha, vendo-se na parte de baixo da foto, o telhado da casa onde ele morou e em frente a antiga estação telegráfica da Panair depois Cruzeiro, que também era residência do Seu Rocha, telegrafista.
A área onde é hoje o Colégio Amapaense até o antigo muro do IETA, área da Receita Federal. Escola de Música e outras duas escolas após a receita e adjacências, eram da Cruzeiro do Sul. Meu pai plantou várias culturas para nosso sustento e até para vender, plantou árvores frutíferas como: mangueira, cajoeiro, bananal, seringueira e etc. Em frente havia uma grande mameira, logo derrubada; as outras árvores foram derrubadas após a nossa saída desta casa em meados de 1966. Só restou a seringueira plantada pelo meu pai, que também está prestes a morrer com uma grande infecção em seu tronco, que poderia ser tratada.
Meu pai foi um pioneiro na cidade de Macapá. Prestou um grande serviço para o desenvolvimento da minha terra.
Quando o campo de aviação (aeroporto) mudou para onde é hoje (não sei precisar a data), os procedimentos de manutenção pelas empresas aéreas continuaram por muito tempo; os avanços vieram aos poucos em Macapá. A Cruzeiro do Sul foi encampada pela Varig. Meu pai se aposentou pouco antes de falecer em 06 de março de 1977, por enfarto do miocárdio e aterosclerose. Foi sepultado no cemitério de São José. (Buritizal).
(Foto Reprodução / álbum da família)
Da união matrimonial de longos anos com minha mãe Marina Pereira Silva Cunha (foto)  nasceram os seguintes filhos: Paulo, Lindomar, Pedro, Ismeraldina, João, Francisco(falecido), Olivar, Raimundo, Rosa Maria Cunha Chagas e Ricardo Pereira Cunha.
Nascidos em Macapá: Olivar, Raimundo, Rosa e Ricardo.
Os outros nasceram em Santarém.
Meu pai foi um pioneiro na cidade de Macapá. Prestou um grande serviço para o desenvolvimento da minha terra. (Olivar Cunha)

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Pioneiro Paulo Eleutério Filho

Ele foi fundador do Jornal Amapá e Primeiro Diretor da Rádio Difusora de Macapá.
(Foto gentilmente cedida pelo economista Paulo José Cavalcanti de Albuquerque, filho de Paulo Eleutério)
PAULO ELEUTÉRIO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, jornalista e intelectual, nasceu em Manaus, Estado do Amazonas, em 9 de fevereiro de 1914. Filho do também intelectual e jornalista Paulo Eleutério Álvares da Silva e Amélia Mendes Álvares da Silva. Fez o curso primário em Manaus e o secundário no Instituto Universitário e no Colégio Estadual Paes de Carvalho, em Belém, para onde se transferiu com seus pais. Retomou a Manaus, ingressando na Faculdade de Ciências Econômicas. Abandonou o curso e, novamente, seguiu para Belém, bacharelando-se em Direito no ano de 1938. Durante o tempo em que viveu em Manaus, trabalhou como redator na imprensa amazonense, tendo assumido o cargo de Secretário do Jornal do Comércio. Exerceu atividades públicas no interior do Amazonas. Formado em Direito e com o curso de Oficial da Reserva do Exército, viajou para o Estado do Acre e ingressou na Polícia Militar com a patente de 1º tenente. Foi nomeado Ajudante de Ordens do Governador Epaminondas Martins; Delegado Auxiliar; Chefe da Seção de Ordem Política e Social e Chefe de Polícia do Território do Amapá. Retomando a Belém, foi convidado pelo Governador do Território Federal do Amapá Capitão Janary Gentil Nunes, tendo chegado a Macapá, no dia 17 de maio de 1944. Exerceu as funções de Chefe de Polícia, Comandante da Guarda Territorial, Chefe do Serviço de Imprensa e Propaganda. Fundou o Jornal Amapá, orgão do governo do ex-Território, onde escrevia a História do Amapá com o título "Efemérides do Amapá"; criou o sistema de auto-falantes distribuídos na cidade; instalou os primeiros telefones no Palácio do Governo. Em julho de 1944 é escolhido para a Presidência da Associação Comercial, Agrícola e Industrial do Amapá; Membro do Conselho Penitenciário. Voltando para Belém, em 1947, exerceu diversos cargos importantes: Consultor Jurídico, Chefe do Gabinete do Governador, Chefe de Polícia e, novamente; Chefe do Gabinete, tendo militado na advocacia por mais de 8 anos. Fundador da Academia Paraense de Letras, membro dos Institutos Históricos e Geográficos do Pará e Amapá. Faleceu assassinado pelo Capitão Humberto de Vasconcelos no dia 20 de maio de 1950, após violenta discussão de caráter político, cuja única vítima foi Paulo Eleutério, um excelente moço, que participou da "mística do Amapá".
Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998)
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PAULO ELEUTÉRIO FILHO (1914-1950)

Informações acerca do assassinato de um jornalista

Por (*) Paulo José Cavalcanti de Albuquerque em 07/07/2009 na edição 545
Informações e detalhes acerca do assassinato do jornalista Paulo Eleutério Filho (Paulo Eleutério Cavalcanti de Albuquerque), que teve lugar na sede do jornal O Liberal, em Belém do Pará, no dia 20 de maio de 1950.
Antes de entrar em detalhes acerca de algumas informações e de formular críticas a algumas opiniões, bem como a alguns depoimentos prestados por ocasião do julgamento do capitão do exército Humberto Pinheiro de Vasconcelos, assassino impronunciado – e, não, inocentado – apesar dos inúmeros depoimentos prestados por testemunhas daquele crime que marcou de forma indelével a história do Pará e da própria imprensa brasileira (depoimentos muitos dos quais já desaparecidos, ou propositadamente escondidos, por conveniência de alguns adeptos do governo Assunção), vou colocar algumas informações ainda muito pouco divulgadas a respeito da história de meu pai.
Filho do professor Paulo Eleutério – um dos fundadores da Faculdade de Direito de Manaus e da Faculdade de Engenharia de Belém – e de Amélia Mendes Álvares da Silva, Paulo Eleutério Filho nasceu em Manaus, no dia 9 de fevereiro de 1914 e, aos 18 anos de idade e já morador de Belém, foi um dos líderes do grupo que aderiu, no norte do Brasil, à Revolução Constitucionalista que teve origem em São Paulo no mês de julho de 1932.

Imóveis e seguro de vida
Oficial da reserva da infantaria do Exército brasileiro, foi chefe de Polícia (Secretário de Segurança Pública) nos territórios do Acre e do Amapá – onde foi o primeiro diretor do jornal Amapá e responsável pelas primeiras transmissões da Rádio Difusora de Macapá – e do Estado do Pará, onde atuou na redação do jornal O Liberal, local onde foi ferido. Aliás, foi em Macapá que conheceu o militar que o assassinou na sede daquele jornal paraense, já tendo ocorrido entre eles, naquela época, algumas divergências de natureza política, pois aquele militar atuava em um partido de oposição ao partido que apoiava o coronel Janary Gentil Nunes, o primeiro governador do território do Amapá.
Assim, iniciamos os presentes comentários que têm por base algumas das informações constantes do site da internet intitulado Observatório da Imprensa.
No final da tarde do dia 19 de maio de 1950, meu pai convidou a mim e à minha mãe, Celina, para conversar no terraço da entrada de nossa residência (Rua Mundurucus, 610) a respeito do pesado clima político que rondava o Pará naqueles dias. Naquela oportunidade, meu pai informou-nos a respeito de um artigo que havia sido escrito pelo jornalista João Malato criticando o partido de oposição e o capitão do exército Vasconcelos, seu antigo adversário desde os tempos em que morávamos em Macapá. E, ao mesmo tempo, informou-nos que Malato não estaria na redação de O Liberal no dia seguinte por ter receio de um revide ou por questões de constrangimento pessoal. Em seguida, meu pai informou-nos a respeito dos imóveis de nossa família e de seu seguro de vida, mostrando-nos os respectivos documentos, que se encontravam arquivados em uma pasta que guardava em uma das salas da nossa casa, utilizada como seu escritório particular.
"Querem conversar com você"
Logo após aquela reunião, meu pai chamou-me para subir ao seu quarto, onde também guardava sua coleção de armas, mostrando-me um revólver de sua propriedade, de aço inoxidável, calibre 38, da marca Smith&Wesson e com empunhadura de madrepérola, que seria entregue no dia seguinte a um armeiro por estar com o cano bastante desgastado, já que o utilizávamos bastante em treinamento no sítio, em caçadas e na casa de um amigo seu, em Belém, na qual havia um moderno stand de tiro, movimentado eletricamente. Meu pai era um excelente atirador, tendo sido o segundo melhor de sua turma do CPOR (Curso de Preparação dos Oficiais do Exército). E lembro-me bem que ele me alertou : "Nunca use um revólver nesse estado", ao que respondi : "E por que o senhor irá levá-lo amanhã para o armeiro, em vez de esperar mais alguns dias?" E ele respondeu : "Porque estou cansado de vê-lo com esse cano tão estragado."
Aquela foi a última vez em que conversei com meu pai pois na manhã do dia seguinte eu e meu irmão Luiz Felipe tínhamos que sair cedo para estudar. Anos mais tarde, ao conversar com minha mãe a respeito daquele horrível dia, ela me disse meu pai, ao descer do quarto para tomar café, lhe disse: "Tive um sonho horrível nesta noite." Eu perguntei : "Como foi esse sonho?" e ele respondeu : "À noite, quando voltar, eu te contarei." Parece que ele estava adivinhando o que iria acontecer.
Eu estava assistindo a uma aula de português quando, por volta das nove e meia, entrou na nossa sala o cônego Faustino de Brito, diretor do Colégio Progresso Paraense, onde eu e meu irmão estudávamos. Olhando para mim, disse : "Paulo, arruma as tuas coisas e vai para a Secretaria, pois lá estão alguns delegados de polícia que querem conversar com você. Aproveita e chama também o teu irmão, que está lá embaixo, na sala dele."

Honesto, sério e patriota

Não lembro muito bem de quantos eram os delegados que tinham ido ao colégio para conversar comigo, mas eram uns quatro ou cinco, a maioria dos quais eu conhecia pessoalmente. Ao me ver, um deles me disse : "Houve um tiroteio na sede do O Liberal e seu pai foi ferido." Eu perguntei : "Foi ferido em que parte do corpo?" E ele respondeu : "Em uma das pernas." Não fiquei muito nervoso, pois havia aprendido com meu pai que um ferimento em uma das pernas não era dos mais sérios. Porém, logo ao chegar em casa, com uma multidão à porta e com uma grande quantidade de parentes e amigos da família no interior da mesma, fui informado de que havia acontecido algo de mais grave, em maiores detalhes: o tal capitão, que já conhecia meu pai há vários anos, entrou na redação do jornal aos gritos, perguntando por João Malato e, ao ver meu pai, de quem era antigo adversário político, atirou em sua direção com uma pistola calibre 45, do Exército brasileiro, acertando de raspão a testa do mesmo e naturalmente causando-lhe brusca tontura. Mesmo assim, meu pai tentou encontrar o seu revólver Smith&Wesson, que estava guardado na gaveta de sua mesa, já que ele iria levá-lo ao armeiro na tarde daquele mesmo dia. E, apesar daquele choque inicial, segundo algumas testemunhas ele ainda conseguiu descarregar aquela arma sem qualquer precisão, mas conseguindo acertar em um dos braços do tal capitão. Em seguida, em virtude de não ter cartuchos de reserva, meu pai desceu em direção às oficinas do jornal, que ficavam em frente à Secretaria da Segurança Pública, perguntando aos gritos se alguém teria balas de calibre 38. Nesse instante, indo atrás dele, o tal capitão atingiu-lhe uma das pernas e as costas, cortando-lhe um dos pulmões em trajetória vertical e atingindo o coração do mesmo com a tal pistola 45.
E, ainda consciente, no interior da ambulância em que estava sendo conduzido ao hospital, meu pai disse aos médicos : "Vejam bem o que vocês vão fazer, pois tenho três filhos para criar." Mas veio a falecer por volta das 12 horas e vinte minutos, na Santa Casa da Misericórdia. Aquela frase foi lida por mim alguns anos depois, em uma das páginas do processo judicial. Mas me dói até hoje. Meu pai foi um homem honesto, sério e patriota como poucos.
Uma mancha indelével
Tive oportunidade de ler alguns testemunhos e algumas declarações que, infelizmente, não se constituem em verdade, de vez que, após a mudança do governo daquele estado, por razões de interesse pessoal muitos fizeram declarações mentirosas, entre os quais se inclui o sr. João Malato, que foi o pivô de todo aquele triste acontecimento.

Para concluir, e para registrar essa imagem de meu pai, gostaria de contar mais um outro episódio: alguns meses depois nos mudamos para Pernambuco e, posteriormente, no final de 1955, para o Rio de Janeiro. E, por volta de 1976, em viagem de trabalho ao Pará e na primeira visita que fiz a Belém após nossa mudança e após o ano em que ocorreu aquele trágico episódio, fui ao cemitério de Santa Isabel visitar o túmulo de meu pai e, após alguns minutos, chamei um táxi e pedi para que me levasse à Travessa Castelo Branco, onde havia nascido minha irmã caçula, Ana Amélia. Ao passarmos em frente à casa onde havíamos morado, e sem ter a menor noção de quem eu era, o motorista falou, para meu espanto e também para meu orgulho: "Nesta casa morou um grande homem."
Sobre aquele triste acontecimento nada mais gostaria de divulgar e aproveito esta oportunidade para agradecer aos amigos do Observatório da Imprensa e contar toda a verdade a respeito daquele episódio, que manchou de forma indelével a história da imprensa brasileira. Da mesma forma, acrescento um texto escrito por meu pai no ano anterior à sua morte, texto esse que jamais esquecerei ("Trítico do Amor Familial").
Uma página de Paulo Eleutério Filho
(Revista da Academia Paraense de Letras, nº 2 – janeiro de 1952)
Como uma dádiva preciosa aos nossos leitores, principalmente àqueles que conheceram o nosso saudoso confrade Paulo Eleutério, publicamos a seguir um escrito literário do jovem titular da Academia Paraense de Letras, onde ocupava a cadeira de Ferreira Pena.
É uma página de profunda emoção, em que o sacrificado de 20 de maio de 1950 revela a sua sentimentalidade diante de seus pais ("Ainda sou criança"), de sua esposa ("Canção do Amor que envelhece") e de seus filhos ("Minha vida não se extinguirá").
São verdadeiros poemas em prosa em que o brilhante intelectual reflete o requintado de sua cultura e a imensidade do seu coração em face de três estádios de sua gloriosa vida e de criaturas outrora felizes, que detiveram as expansões do seu amor filial, conjugal e paterno:

***
Trítico do amor familial

I – Ainda sou criança

Oh! Vós que me destes a vida numa noite de amor! Como vos quero e amo e quanto vos agradeço e abençôo com toda a força do meu coração de filho! Não me deixeis sozinho e nem me abandoneis nesses Gólgotas do mundo sem o vosso conselho! Sinto-me fraco, nu e miserável, afastado de vossos olhos atentos e amigos. Tremo de frio nas intermináveis noites de inverno, se não me acolho à morna carícia do vosso agasalho. Quando me obrigam a lutar pelo meu lugar ao sol, faço-me de bárbaro e herói, mas o medo se enfurna em minh´alma de criança. Ainda sou infante, sou débil e minhas asas não podem voar para longe de vós. Dizeis-me que sois velhos, frágeis, mas eu vos devo tanto, que não posso acreditar que a idade vos reduziu a força e o tamanho...

II – Canção do amor que envelhece
Estou me sentindo velho. Há mais cansaço em meus gestos e meu coração anseia pelo repouso infinito. Caminho devagar pela estrada da vida, mudando os passos com cuidado para não perturbar o sossego da poeira. Permaneço compridas horas a mirar um inseto de asas nervosas ou uma graciosa flor que se debruça sobre sua haste. Meus olhos estão vendo mais que antigamente. E sentem a beleza que existe na contemplação. Todavia, alegro-me em saber que não estou sozinho nesse longo passeio que será o último. Alguém se ampara em meu braço, nos dias bons ou maus, ricos ou pobres, na saúde ou na doença, amando-me sempre até a morte nos separar...

III – Minha vida não se extinguirá
Não temo que a morte venha me destruir, em tempo algum. Sou imperecível e tenho certeza de que sobreviverei às maiores catástrofes da terra. Flameja em mim a chama sagrada da imortalidade que o milagre da procriação acendeu nas áreas primitivas. Orgulho-me de sentir latejar no peito, dia e noite, o sangue forte e vermelho de meus avós. Algum dia tudo isso cessará dentro de mim. Mas a luz que recebi acesa não se apagará quando o meu corpo esfriar com a chegada da grande escuridão gelada. Ela continuará brilhando nos olhos cintilantes de meus filhos, que serão como estrelas novas a me iluminar os passos nas trevas em que mergulharei.

Artigo extraído do site Observatório da Imprensa

(*) Paulo José Cavalcanti de Albuquerque
Economista, com curso de extensão em engenharia econômica e administração industrial pela UFRJ e MBA – Executivo em economia e finanças pela Universidade de Pittsburgh, U.S.A. É diretor de Análise e Estudos Econômicos do Grupo Formitex, membro do Conselho Superior de Economia do Instituto Roberto Simonsen – FIESP. Foi diretor de Análise Econômica e Estatística do Centro de Informações Econômico-Fiscais da Secretaria da Receita Federal, diretor de Desenvolvimento da Leroy Merlin, diretor Financeiro da The Sydney Ross Company, superintendente de Finanças da Cyanamid Química do Brasil, e gerente de Estudos e Planejamento da S.A. White Martins.
NOTA DO EDITOR: Apresentamos reconhecidos agradecimentos ao  economista Paulo José Cavalcanti de Albuquerque - filho do biografado, pela maneira fidalga e gentil como atendeu nossa solicitação e colaborou de forma eficaz nos enviando - via e-mail - várias fotos de seu pai, jornalista e intelectual Paulo Eleutério Cavalcanti de Albuquerque, o que nos permitiu de prestarmos uma merecida homenagem a esse grande brasileiro que realizou inúmeros serviços ao recém criado Território Federal do Amapá. (João Lázaro)