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domingo, 7 de dezembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 8 - BENEDICTO ANTÔNIO TAVARES: MESTRE E FIGURA DE PRESTÍGIO NA MACAPÁ ANTIGA


 Nascido em 9 de janeiro de 1868, Benedicto Antônio Tavares recebeu o nome em homenagem a São Benedito, santo de forte devoção popular na Amazônia. O sobrenome Tavares, herdado do pai, acompanharia uma trajetória marcada pelo respeito público, pela ligação com a elite local e por uma atuação comunitária que ecoa até hoje na memória de Macapá.

Casado com Quitéria Rosa Tavares, Benedicto construiu um núcleo familiar que seria, ao mesmo tempo, tradicional e profundamente ligado às raízes da cidade. Do casamento, vieram os filhos Maria Rosa Tavares de Almeida e José Rosa Tavares. Também foi pai de Norberto Tavares, ampliando uma linhagem que se entrelaça com a história social da capital amapaense.

Reconhecido como uma das figuras de destaque na Macapá do final do século XIX e primeiras décadas do XX, Benedicto integrou a elite local não apenas por sua posição social, mas pelo papel que desempenhou no serviço público. Exerceu as funções de oficial de justiça e intendente municipal, cargos que exigiam responsabilidade, senso de justiça e articulação com a vida política e administrativa da época.

Entretanto, sua contribuição mais marcante talvez tenha vindo do ambiente doméstico. Em sua própria residência, Benedicto abria as portas para exercer uma vocação que o aproximava diretamente da comunidade: alfabetizar crianças, jovens e adultos, ensinando leitura, escrita e, especialmente, “a fazer conta”, expressão tão comum no vocabulário cotidiano de então. Era um mestre informal, cuja casa se transformava em espaço de aprendizagem para aqueles que tinham pouco ou nenhum acesso à educação regular.

Esse gesto simples e contínuo — ensinar — conferiu a Benedicto um lugar especial na memória coletiva. Ele representava não apenas o homem público, mas o educador comunitário, figura que ajudava a moldar futuros e a disseminar conhecimento em uma Macapá ainda em formação, com poucos recursos escolares e forte dependência da iniciativa de cidadãos comprometidos com o bem comum. 

Benedicto Antônio Tavares faleceu em 25 de setembro de 1941, deixando um legado de serviço, respeito e educação transmitida de forma generosa. Sua história permanece viva como parte do patrimônio humano que construiu a Macapá do passado e alimenta a identidade da cidade atual.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: Bisneta – Maria das Dores do Rosário Almeida – 2025

Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

sábado, 12 de julho de 2025

MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESCOTEIRO DO AMAPÁ

Nos primeiros anos do Território Federal do Amapá, os tradicionais desfiles cívicos eram realizados na Praça Barão do Rio Branco, um dos marcos do centro de Macapá. O Palanque Oficial era montado na Avenida Iracema Carvão Nunes, no trecho que separa as duas praças e segue até os fundos da antiga Residência Governamental.

Esta foto sem data registra um momento marcante daquele período: a Guarda de Honra dos Escoteiros de Macapá, formada pelos chefes escoteiros Expedito Ferro (91), Clodoaldo Nascimento, Benedito Santos, Biroba e Luciano.
Na imagem, o grupo participa de um desfile cívico, marchando pela rua Iracema Carvão Nunes, em frente ao prédio dos Correios, no coração da Praça Barão do Rio Branco.

Um registro valioso que preserva a memória do Movimento Escoteiro e de uma época emblemática da história de Macapá.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA – UM EPISÓDIO REAL DA NOSSA MEMÓRIA URBANA

As cidades guardam histórias que muitas vezes passam despercebidas no corre-corre do presente. Mas, quando olhamos com atenção para as ruas, os prédios, os pontos de encontro e até para os silêncios das esquinas, encontramos fragmentos de uma memória viva — que ainda pulsa, mesmo quando esquecida.

Na publicação de hoje do Porta-Retrato-Macapá, convidamos você a revisitar um episódio marcante da nossa memória urbana. Um fato histórico real, vivido por quem fez parte do cotidiano da cidade e que ajuda a entender quem somos, como evoluímos e o que ainda carregamos das experiências coletivas que moldaram Macapá.

Preservar a memória não é apenas olhar para trás: é iluminar o caminho que seguimos adiante.

Macapá, 1951: O cruzamento que virou caso de polícia

No início da década de 1950, Macapá vivia um período de transição urbana e social. 

Hoje Mendonça Furtado com Rua Tiradentes, atrás da igreja matriz.

O desenvolvimento começava a tomar forma com a abertura de avenidas mais largas, como a Mendonça Furtado, ao passo que ruas antigas, como a Travessa Coronel José Serafim, ainda guardavam o traçado estreito da cidade colonial. Nesse contexto de adaptação entre o antigo e o moderno, registrou-se um dos primeiros acidentes automobilísticos oficiais no centro da cidade.

imagem gerada por ia

O fato ocorreu na manhã do dia 7 de outubro de 1951. Domingo. Envolveu um caminhão da casa comercial Leão do Norte, conduzido por Moisés Zagury, e a caçamba nº 60 da Garagem Territorial, dirigida por Sebastião Silva. O acidente aconteceu próximo à igreja matriz de São José, em um cruzamento central da cidade.

Segundo o relato de Moisés Zagury, ele trafegava pela Avenida Mendonça Furtado a uma velocidade de aproximadamente 25km/h quando foi surpreendido pela caçamba que, segundo ele, entrou na contramão pela Travessa Coronel José Serafim, sem sinais sonoros ou uso de freios. O passageiro do caminhão, Casimiro Dias, confirmou que não se ouviu nenhuma buzina e que o uso dos freios pela caçamba poderia ter evitado o impacto.

Sebastião Silva, por sua vez, alegou estar trafegando a apenas 10km/h e ter buzinado diversas vezes antes de realizar a curva. Seu passageiro, Raimundo Rodrigues, confirmou a versão, acrescentando que a buzina foi usada inclusive para espantar um cachorro que estava na via.

A perícia constatou falhas técnicas em ambos os veículos: a buzina do caminhão apresentava defeito e os freios da caçamba estavam comprometidos. O laudo concluiu pela imprudência de ambos os condutores. O delegado ressaltou que, à época, não havia sinalização de mão única nas vias envolvidas, o que exigia redobrada atenção dos motoristas.

O inquérito policial foi arquivado após parecer do promotor interino, que reconheceu a ausência de dolo na conduta dos envolvidos. Cada motorista arcou com seus prejuízos, e o caso foi encerrado.

Este episódio histórico revela não apenas os desafios da condução no trânsito em uma cidade em transformação, mas também o registro vivo de um tempo em que Macapá começava a caminhar para a modernidade.

Hoje, essa história é mais do que um boletim de ocorrência antigo. É um retrato da cidade em transformação — entre o passado pacato e o futuro urbano.

Nota do Editor: Pesquisa e texto original de Michel Duarte Ferraz, museólogo do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), especialmente adaptados ao blog Porta-Retrato-Macapá, com a devida anuência do autor.

Fonte: Arquivo Geral do TJAP 

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...