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sábado, 1 de novembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 3: AS LEMBRANÇAS DE DONA CACILDA PIMENTEL

Hoje nossa terceira homenageada do Largo dos Inocentes, é Dona Cacilda da Cruz Pimentel.

Mulher de fibra, fé e ternura, Dona Cacilda pertenceu a uma geração que não apenas viveu o Formigueiro, mas o inventou com o suor, a coragem e a solidariedade do cotidiano. Com sua presença marcante, ajudou a formar as primeiras famílias que deram origem ao centro da cidade, costurando laços de vizinhança e esperança em tempos de poucos recursos, mas de abundante humanidade.

No compasso dos dias simples, Dona Cacilda fez de sua casa um abrigo e um ponto de encontro. Ali se acolhiam os que precisavam de conforto, ali se partilhavam rezas, saberes, alimentos e alegrias. Era o lar onde se teciam as relações de respeito e união que, ainda hoje, ecoam entre descendentes e vizinhos.

Sua generosidade tornou-se referência para muitos nas horas difíceis, e sua memória, um símbolo de solidariedade. Seu exemplo transcendeu o tempo — não apenas como lembrança familiar, mas como herança viva na cultura popular, nas festas, nas orações e nas tradições que seguem pulsando no Largo dos Inocentes - Formigueiro.

Relembrar Dona Cacilda é celebrar a força das mulheres que, com gestos simples e fé profunda, ergueram os alicerces invisíveis da cidade. É reconhecer que a história também se escreve com afeto e que a memória, quando preservada, continua a iluminar o presente.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Depoimento do ex-Prefeito João Henrique Pimentel

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

domingo, 21 de setembro de 2025

MEMÓRIA DE NOSSA CIDADE: ANTIGA BAIXADA ALAGADA DE MACAPÁ

A fotografia publicada hoje no Porta-Retrato nos devolve um pedaço precioso da história de Macapá, e revela uma vasta área verde e alagada, situada na continuação da Avenida Feliciano Coelho, no ponto em que se encontra com a Rua Tiradentes, no bairro do Trem.

O registro chegou até nós pelas mãos do amigo José Jair, filho do senhor Aprígio Marinho de Souza, barbeiro do histórico Macapá-Hotel

Reproduzida do Facebook - Colotizada por IA

A imagem, feita entre 1959 e 1960, captada dos altos da conhecida curva da Santa Maria, retrata um tempo em que a área permanecia alagada, de terrenos encharcados e poucas casas, onde famílias simples viviam em estreita adaptação às condições do lugar. Mais do que um registro fotográfico, ela guarda a memória de um espaço em transformação, revelando a força cotidiana de quem construiu sua história em meio às adversidades do ambiente.

Antes de ser aterrada, essa região era chamada informalmente de Baixada do Adonias. Ao fundo é vista a´área o Remanso. Com o tempo, foi incorporada ao bairro Santa Inês, acompanhando o ritmo de transformação e crescimento da cidade.

Moradores antigos lembram ainda que o lugar recebeu outros nomes, como Baixada da Crisonta e Baixada do Jagunço, apelidos que guardam a memória das famílias que ali viveram e deixaram suas marcas.

Em primeiro plano, surge a casa de Dona Quiquita, mãe de José Penha — o inesquecível Zé Crioulo, músico de talento ímpar, cuja memória ainda ecoa na cultura amapaense.

Com o passar das décadas, a paisagem mudou por completo. Onde havia água e lama, vieram o aterro, o saneamento e, por fim, a urbanização. O espaço transformou-se, mas deixou para trás lembranças que hoje sobrevivem apenas em registros como este.

Agradecemos de forma especial à Familia Marinho de Souza, pelo compartilhamento dessa fotografia de arquivo. Com autorização de José Jair e, com o auxílio de recursos de inteligência artificial, as pessoas que apareciam na cena foram removidas, preservando apenas o cenário de fundo — gesto que reforça o valor histórico do registro ao destacar a memória da área retratada.

Mais do que uma fotografia, trata-se de um testemunho da memória coletiva. Uma ponte entre lugares, pessoas e histórias, que preserva as raízes da capital e nos ajuda a compreender o quanto Macapá mudou ao longo de sua trajetória.

Créditos foto: Família Marinho de Souza

sábado, 5 de julho de 2025

MEMÓRIAS DO TRASPORTE FLUVIAL > Araguary: o rebocador que ajudou a construir o Amapá

Há nomes que se inscrevem na história não apenas por sua imponência, mas pelo papel silencioso e essencial que desempenham no cotidiano de um povo. O rebocador Araguary é um desses nomes. Mais do que uma embarcação, ele se tornou símbolo de um tempo em que o Amapá, ainda isolado geograficamente, começava a afirmar sua identidade territorial e a construir suas primeiras conexões com o restante do país.

Nos anos 1940, com a criação do Território Federal do Amapá, o desafio logístico era imenso: rios extensos, mata fechada e quase nenhuma estrutura de transporte. Foi então que o primeiro governador do território, Janary Nunes, liderou a formação de uma frota fluvial sob a responsabilidade do SERTA Navegação (Serviço de Transportes do Território Federal do Amapá).

Rebocador Araguary - em frente à cidade de Macapá

Entre as embarcações adquiridas, o rebocador Araguary se destacou. Com capacidade para 350 toneladas, tornou-se o principal elo entre Macapá e Belém — a ponte vital do Amapá com o restante do Brasil. Junto dele, vieram a alvarenga Uaçá, as lanchas Veiga Cabral e Amapá, os iates Itaguary, São Raimundo, Macapá e São Francisco, além da canoa Liberdade e dezenas de motores de popa.

Durante cerca de três décadas, o Araguary navegou pelo rio Amazonas, enfrentando distâncias e intempéries para transportar cargas, passageiros, sonhos e progresso. Cada travessia era um esforço coletivo para manter o Amapá abastecido, conectado e em movimento.

Na década de 1970, o rebocador foi sendo gradualmente substituído por embarcações mais modernas, acompanhando a evolução dos sistemas de transporte. Seu desligamento das rotas não foi apenas um processo técnico: foi o encerramento simbólico de uma era de pioneirismo e coragem.

Hoje, relembrar o Araguary é mais do que fazer memória. É reconhecer a importância de quem navegou contra a maré do isolamento para garantir que o Amapá seguisse em frente. É valorizar os alicerces de um desenvolvimento construído com bravura, persistência e visão de futuro.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA – UM EPISÓDIO REAL DA NOSSA MEMÓRIA URBANA

As cidades guardam histórias que muitas vezes passam despercebidas no corre-corre do presente. Mas, quando olhamos com atenção para as ruas, os prédios, os pontos de encontro e até para os silêncios das esquinas, encontramos fragmentos de uma memória viva — que ainda pulsa, mesmo quando esquecida.

Na publicação de hoje do Porta-Retrato-Macapá, convidamos você a revisitar um episódio marcante da nossa memória urbana. Um fato histórico real, vivido por quem fez parte do cotidiano da cidade e que ajuda a entender quem somos, como evoluímos e o que ainda carregamos das experiências coletivas que moldaram Macapá.

Preservar a memória não é apenas olhar para trás: é iluminar o caminho que seguimos adiante.

Macapá, 1951: O cruzamento que virou caso de polícia

No início da década de 1950, Macapá vivia um período de transição urbana e social. 

Hoje Mendonça Furtado com Rua Tiradentes, atrás da igreja matriz.

O desenvolvimento começava a tomar forma com a abertura de avenidas mais largas, como a Mendonça Furtado, ao passo que ruas antigas, como a Travessa Coronel José Serafim, ainda guardavam o traçado estreito da cidade colonial. Nesse contexto de adaptação entre o antigo e o moderno, registrou-se um dos primeiros acidentes automobilísticos oficiais no centro da cidade.

imagem gerada por ia

O fato ocorreu na manhã do dia 7 de outubro de 1951. Domingo. Envolveu um caminhão da casa comercial Leão do Norte, conduzido por Moisés Zagury, e a caçamba nº 60 da Garagem Territorial, dirigida por Sebastião Silva. O acidente aconteceu próximo à igreja matriz de São José, em um cruzamento central da cidade.

Segundo o relato de Moisés Zagury, ele trafegava pela Avenida Mendonça Furtado a uma velocidade de aproximadamente 25km/h quando foi surpreendido pela caçamba que, segundo ele, entrou na contramão pela Travessa Coronel José Serafim, sem sinais sonoros ou uso de freios. O passageiro do caminhão, Casimiro Dias, confirmou que não se ouviu nenhuma buzina e que o uso dos freios pela caçamba poderia ter evitado o impacto.

Sebastião Silva, por sua vez, alegou estar trafegando a apenas 10km/h e ter buzinado diversas vezes antes de realizar a curva. Seu passageiro, Raimundo Rodrigues, confirmou a versão, acrescentando que a buzina foi usada inclusive para espantar um cachorro que estava na via.

A perícia constatou falhas técnicas em ambos os veículos: a buzina do caminhão apresentava defeito e os freios da caçamba estavam comprometidos. O laudo concluiu pela imprudência de ambos os condutores. O delegado ressaltou que, à época, não havia sinalização de mão única nas vias envolvidas, o que exigia redobrada atenção dos motoristas.

O inquérito policial foi arquivado após parecer do promotor interino, que reconheceu a ausência de dolo na conduta dos envolvidos. Cada motorista arcou com seus prejuízos, e o caso foi encerrado.

Este episódio histórico revela não apenas os desafios da condução no trânsito em uma cidade em transformação, mas também o registro vivo de um tempo em que Macapá começava a caminhar para a modernidade.

Hoje, essa história é mais do que um boletim de ocorrência antigo. É um retrato da cidade em transformação — entre o passado pacato e o futuro urbano.

Nota do Editor: Pesquisa e texto original de Michel Duarte Ferraz, museólogo do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), especialmente adaptados ao blog Porta-Retrato-Macapá, com a devida anuência do autor.

Fonte: Arquivo Geral do TJAP 

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

MEMÓRIA DA AVIAÇÃO EM MACAPÁ > INSTALAÇÕES DA PANAIR DO BRASIL > ESTAÇÃO RADIOTELEGRÁFICA

 

Uma preciosidade histórica: imagens dos anos 1940 das instalações da Panair do Brasil, no Amapá > Estação radiotelegráfica no antigo aeroporto, em Macapá.

Do acervo pessoal de Duarte Moraes, primeiro administrador do aeroporto.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...