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sábado, 22 de março de 2025

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA > SEU ANTÔNIO BRASILEIRO

Um texto memorável de Milton Barbosa

Milton Sapiranga Barbosa, um amigo de longa data e meu contemporâneo na cidade de Macapá, está na faixa dos 80 anos. Em 1968, trabalhei com o Sapiranga no Jornal “A Voz Católica”, enquanto aguardávamos o início das transmissões da Rádio Educadora São José. Logo após, nos reencontramos na emissora católica do Amapá.

Milton, assim como eu, também passou pela Rádio Difusora de Macapá. O “Sapiranga” é uma verdadeira lenda de Macapá.

Imagine um tucuju que tem um profundo conhecimento sobre sua região de origem, sobretudo sobre a Macapá do passado. Sapiranga está familiarizado com todos os protagonistas dessa história. Principalmente os habitantes da Favela, Laguinho, Trem, Centro, Bairro Alto e Baixada da Olaria; ele tem conhecimento de tudo e está por 

dentro da trajetória de cada pessoa.

No que diz respeito ao esporte, é indiscutivelmente um especialista.

É isso mesmo, este é o nosso Sapiranga!

E não é por acaso que ele, devido à sua habilidade e entendimento aprofundado, foi nomeado Consultor de Questões Memoráveis no blog Porta-Retrato.

E, vale ressaltar: tem desempenhado com excelência e compromisso esse papel.

Ao Milton, um forte abraço repleto de recordações desse estimado “senhor Tucuju”!

Trago um texto dele, sobre um TEMA MEMORÁVEL, DA “CIDADE DO MEIO DO MUNDO”, que fala sobre...

Seu Antônio, brasileiro, sim, senhor!

Milton Sapiranga Barbosa

O bairro da Favela foi pródigo de figuras inesquecíveis. Tinha a Tia Guilherma, que os mais velhos, para meter medo na molecada diziam que se transformava em uma grande porca para comer criancinhas choronas e desobedientes. Seu Nestor, apelidado de “pardal”, em referência ao personagem de histórias em quadrinhos que vivia inventando. Tinha o Licatéro, Kitut, Eleuzípio Bem Bem e o seu Raimundão “paraquedista”, os dois últimos já homenageados em crônicas anteriores.

Hoje quero falar do Seu Antônio, que por muitos anos trabalhou na cozinha do Hospital Geral de Macapá, tendo como companheiros, seu Alicio, Holanda, Acapú e meu tio, por parte de pai, conhecido como Manoel Delapada (não me perguntem porque Delapada, pois até hoje não sei).

Naquele tempo dava gosto provar a comida feita pelas mãos desses cinco cozinheiros, que se vivos fossem, hoje seriam chamados de chefs.

Seu Antônio, quando de folga, gostava de tomar umas doses da branquinha e era então que revelava duas qualidades que nunca vi, até hoje, em outro ser vivente.

Tão logo saia do Bar Popular ou da Mercearia do Cacú, arrancava uma folha de mangueira, dobrava-a ao meio e saia tocando, com uma nitidez incrível, o Hino Nacional Brasileiro, daí ter ganho o apelido de Antônio Brasileiro. Essa era uma de suas habilidades, a outra, que achava ser a mais espetacular, era o equilíbrio que demonstrava quando andava sobre a calçada de meio fio, cuja largura não alcançava um palmo. Sempre tocando o Hino Nacional na folhinha de mangueira, ele andava um quarteirão de avenida sem cair, mesmo estando mais pra lá do que pra cá. Só quando pisava no chão batido é que dava umas cambaleadas, demonstrando que havia tomado umas e outras.

Sempre que ele passava tocando o hino nacional usando como instrumento uma folha de mangueira e andando na calçada de meio fio sem cair, era seguido e aplaudido por uma leva de moleques.

Crianças e adultos adoravam seu Antônio, brasileiro, sim senhor, pois era educado, respeitador, não dizia palavrões e nem tirava gracinhas com as mulheres. Seu Antônio, viveu por muitos anos em Macapá, mudando-se depois com a família para o Rio de Janeiro. Seu Antônio Brasileiro já nos deixou, mas ainda vive entre minhas boas lembranças da infância feliz, vivida no meu querido Bairro da Favela.

Fonte: Blog da Alcinéa Cavalcante

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA > SOCIEDADE TIRO DE GUERRA

 RESGATE HISTÓRICO

Para que a juventude pudesse adquirir os conhecimentos necessários à vida militar e se enquadrar nas reservas de segunda categoria do Exército, o governo do Território Federal do Amapá tomou a iniciativa de criar uma Sociedade de Tiro para solucionar o problema.

A Sociedade de Tiro de Macapá, fundada em 23 de julho de 1944, tinha 86 membros, sendo cinquenta deles candidatos a reservista. Sob a supervisão do Inspetor de Tiro e o estímulo do General Alexandre Zacarias de Assunção, Comandante da 8a Região Militar, aquela escola organizou a sua Escola de Soldados. Em dezembro, após uma análise minuciosa da documentação regulamentar, a Sociedade foi incorporada à Diretoria de Recrutamento, sob o nº 564.

Fonte: Relatório das atividades do governo do T.F. do Amapá apresentado ao presidente da república pelo governador Janary Nunes, pág. 141. ano 1944.

domingo, 6 de outubro de 2024

MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO NO AMAPÁ > GRUPO ESCOLAR DE MACAPÁ

RESGATE HISTÓRICO

Fotos de 1944, mostram escolares em horário de recreio, brincando no Parque Infantil de Macapá, que funcionava na antiga Praça da Matriz, área hoje ocupada pelo Teatro das Bacabeiras, em frente ao antigo Grupo Escolar, na praça Veiga Cabral.

Fonte: Arquivo Histórico do Amapá

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

LEMBRANÇA DA DOCA DA FORTALEZA – MACAPÁ

Imagem (*) rara do acervo de Derossy Araújo mostra as atividades comerciais na Doca da Fortaleza, às margens do igarapé que foi substituído pelo Canal da Av. Mendonça Júnior, em Macapá.

(*) parte integrante de sê-los

quinta-feira, 25 de julho de 2024

JOSÉ JOCELITO MARQUES > UM PIONEIRO DO MERCADO CENTRAL

Um jovem nordestino inquieto e apaixonado pelo desconhecido, que, como muitos outros, abandonou tudo em sua terra natal e partiu para a Amazônia, é nosso homenageado póstumo de hoje.

Eram os tempos dos “Soldados da Borracha”(1). Fez morada em Macapá, no Igarapé das Mulheres. Trabalhou no Governo, teve filhos macapaenses e, por lá, permaneceu. Foi um dos primeiros açougueiros do Mercado Central de Macapá.

A HISTÓRIA DE JOCELITO

Hoje, vamos conhecer a história de vida de José Jocelito Marques, um cidadão que nasceu em  Cascavel–CE, no dia 05 de junho de 1921, filho de Manoel Ferreira Marques e Ana Ferreira Marques, agricultores que produziam no Sítio Coaçu, alimentos para subsistência, assim como cultivavam cana-de-açúcar para produção de rapadura e produtos derivados, comercializados na feira da cidade.  Casou-se com Maria Merita Marques, em 1944. Em seguida saiu de sua terra natal, sozinho, deixou a esposa grávida, partiu para a Amazônia, onde, com a criação do Território Federal do Amapá, houve a necessidade de trabalhadores para a construção dos prédios públicos. Deixou Cascavel em um caminhão, embarcou num Ita da Navegação, a vapor, rumo a Belém. Após três dias, chegou a Macapá em uma embarcação a motor/vela. Cerca de quinze dias de viagens. Iniciou suas atividades na construção civil, como operário, depois, por sua comunicação com os nordestinos foi designado Administrador do Barracão dos Emigrantes, recém-construído. Ficou pouco tempo. Gostava de ser livre, sem patrão, iniciando sua vida de empreendedor cortando carne bovina em uma pequena casa construída em madeira, na Rua Cândido Mendes, em frente a Fortaleza de São José de Macapá, como açougueiro. Com a edificação do Mercado Central recebeu do prefeito da época dois açougues para comercializar carne bovina. E durante toda sua vida trabalhou com carnes. Sua união matrimonial com dona Merita foi abençoada com nove filhos: Jeová, Pedro, Ana Maria, Maria Roseli, Jocelito, Luizinho (falecido), Luiz, Adonis e Roberto. Em segundas núpcias, com dona Maria Carmelita, mais um Marques, Ana Cleonice. Nos últimos oito anos de sua vida foi residir no município de Oiapoque, trabalhando no Mercado Municipal, comercializando carnes de gado e frango. Em Macapá, construiu sua morada no Igarapé das Mulheres, na Rua Rio Tefé, número 1. Neste local edificou uma pequena casa para abrigar nordestinos que vinham em busca de empregos, muitos se fixaram nas localidades ao longo da estrada de ferro da ICOMI. Ao fixar morada em Oiapoque, passou a servir diariamente sopa às pessoas que chegavam à sede do município, vindos de diversas partes do país ou de cidades das Guianas Francesa/Inglesa/Holandesa. Duas de suas qualidades: fazer amizade e ajudar aos mais necessitados. Uma coisa que poucos ou quase ninguém sabia sobre a vida de Jocelito é que ele também bateu uma "bolinha" em Macapá. Embora sem muito destaque, ele chegou a vestir a camisa do Trem Desportivo Clube, nos primeiros anos de existência da tradicional agremiação esportiva.

As imagens desta foto, tirada na antiga Praça da Matriz, presumivelmente nos anos 40/50, comprovam que ele foi conterrâneo de destacados desportistas, que brilharam nos esportes nos primeiros anos do Amapá.  Pelo menos, neste time do Trem Desportivo Clube, conseguimos identificar, ao lado de Jocelito, os desportistas, José Maria Chaves e Avertino Ramos, Seu José Jocelito Marques, faleceu no Hospital Geral de Macapá (atual Hospital das Especialidades) no dia 20 de abril de 1992, tendo como causa uma hemorragia pulmonar; está sepultado no jazigo da família Marques, no Cemitério São José, no Bairro Santa Rita.

Uma frase dele que marcou: ao chegar em Macapá, vendo o Rio Amazonas, exclamou: -- “tanta água no lugar errado. No meu Nordeste é preciso rezar para ela chegar”.

Em justo reconhecimento à sua memória, o nome de José Jocelito Marques está perpetuado em uma via de acesso ao Loteamento Flórida, bairro Equador, no município de Santana–AP.

Escrito por Jeová Marques (18/07/2024) – filho mais velho de nosso biografado.

A mesma história na versão de Luiz Corrêa, outro filho de Jocelito.

José Jocelito Marques

A Saga de um nordestino - Cascavel–CE.

Seu Jocelito foi à feira de Cascavel, que ocorria aos sábados. Quando estava na feira, apareceu um caminhão Ford, convocando pessoas para serem soldados da borracha, na Amazônia, no Projeto de Henry Ford, para fabricação dos pneus para carros. Não existia no mundo borracha para suprir sua fábrica, resolveu ele mesmo produzir lá pelos anos 1940. Seu Jocelito, em 1944, viu nessa convocação uma oportunidade de mudar de vida. Pegou o dinheiro que tinha, enviou para sua esposa D. Merita, pelos vizinhos do sítio de seu pai, dizendo a ela: - “Merita vou para a Amazônia trabalhar, para conseguir dinheiro para comprarmos uma casa.

Subiu no caminhão e foi para Fortaleza. Já havia um navio aguardando no porto. Seguiu viagem até Santarém. Trabalhou de seringueiro, mas não era a sua praia. Um dia ouviu falar que havia sido criado o Território Federal do Amapá. Deixou o seringal, pegou um barco e viajou para o Amapá, Macapá. Conseguiu emprego no governo local, trabalhando em serviços gerais de construções. Administrou o Barracão dos Migrantes. Trabalhou por uns tempos, se sentiu amarrado no trabalho, resolveu empreender. Foi ser açougueiro. Foi bem-sucedido nessa empreitada. Tendo talhos (açougues), fora, no antigo Mercadinho e dentro do Mercado Municipal. Se tornou marchante (negociador de carnes), comprava gado da Fazenda Camurupim, da Ilha de Marajó, abatia as rezes e entregava nos açougues para os açougueiros.

Ante toda essa saga, enviou uma carta para dona Merita, que podia vir, pois havia conseguido uma casa, que era o seu objetivo.

O seu primogênito Jeová, nascido em 1945, já estava com um ano e meio e o tio José Esteves, seu irmão, trouxe dona Merita para Macapá.

Seu Jocelito havia trabalhado muito para criar os filhos. Os mesmos se reuniram para que parasse de trabalhar. Então teria uma aposentadoria. Sabendo disso, empreendeu viagem para o Oiapoque para não aceitar a proposta. No Oiapoque, aprendeu a falar francês e crioulo. Era amigo do prefeito de São Jorge de Oiapoque/França e de todo mundo da cidade de Oiapoque.

Seu Jocelito fazia uma sopa diária para os que deixavam a cidade e para os que chegavam das guianas.

Quando criança, em Macapá, lembro que havia uma latada (barracão), onde recebia os nordestinos que iam para as colônias de Porto Grande, Pedra Branca e demais paragens do trem da ICOMI. Os colonos pegavam o trem na estação férrea do km 09.

Quando seu Jocelito deixou o Ceará, ele era considerado uma pessoa sem juízo para a época.

Eu, Luiz Corrêa, um dos filhos do seu Jocelito, visitando as nossas origens em Fortaleza, Aquiraz e Cascavel–CE, no ano de 2023, ouvi seus parentes dizerem que ele era além do tempo dele. Ou seja, papai tinha uma visão de águia.

Macapá, 19/07/2024

Escrito por: Luiz Corrêa, o filho com as mesmas qualidades do pai Jocelito. (Desbravador).

(1) Os soldados da borracha foram os brasileiros que entre 1943 e 1945 foram alistados e transportados para a Amazônia pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos da América (Acordos de Washington) na II Guerra MundialEstes foram os peões do segundo ciclo da borracha e da expansão demográfica da Amazônia. O contingente de soldados da borracha é calculado em mais de 55 mil, sendo na grande maioria nordestinos.(Wikipédia)

(Última atualização às 16h, em 26/07/2024)

segunda-feira, 17 de junho de 2024

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA > DOS BONS TEMPOS DA FAZENDINHA

Nossa foto memória de hoje, vem do Baú de Lembranças do amigo e parceiro João Silva.

O registro do finalzinho dos anos 60 mostra imagens de um grupo de amigos - vizinhos da Av. Coriolano Jucá – pegando um bronze naquele verão tropical.

Sentados na areia a partir da esquerda: (o primeiro não conseguimos identificar); o segundo é o Newton Cardoso Filho, o popular Nenê (administrador de empresas); depois Seu Mundoca Bezerra (de óculos escuros e camisa branca); o Antônio Luiz Cardoso, (médico); Amiraldo Bezerra (escritor)  e um ex-funcionário da ICOMI conhecido como Charanga (não sabemos o nome).

O Newton Filho e o Antônio Luiz, filhos do pioneiro Newton Cardoso.

Foto: Do acervo do João Silva

sexta-feira, 15 de março de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ ANTIGA – TEÓFILO MOREIRA DE SOUZA - UM PIONEIRO DE RAIZ

Nosso biografado de hoje é pioneiro de raiz de Macapá. Cidadão simples, pobre, humilde, mas com valores que o faziam um homem correto, respeitador e de nobres princípios. Foi criado pelo Coronel Sobrinho, de quem era afilhado. Coronel Sobrinho era um fazendeiro no município de Amapá que foi conselheiro e depois Presidente da Companhia de Eletricidade do Amapá, nos anos de 1950.

Numa justa homenagem póstuma a este modesto senhor, o amigo e contemporâneo José Machado conta ao blog Porta-Retrato-Macapá um pouco da vida deste grande e saudoso amapaense. José Machado foi vizinho dele por mais de 30 anos no bairro do Trem, na Av. Cônego Domingos Maltez, próximo ao SESI. Quando o conheceu Machado tinha aproximadamente, uns oito anos de idade. Teófilo e a irmã, foram colegas de trabalho de dona Maria Raimunda Barros Machado - mãe dele - no Hotel Macapá.

TEÓFILO MOREIRA DE SOUZA, nasceu em 2 de novembro de 1915, na vila de São José de Macapá. De família humilde, tradicional, mas com formação moral e religiosa muito forte; desde cedo seus pais incutiram-lhe o valor e o gosto pelo trabalho. Por necessidade de contribuir com a rentabilidade familiar, começou sua vida de labuta ainda adolescente desempenhando várias atividades informais, até conseguir emprego na Indústria e Comércio de Minérios S/A – ICOMI, empresa do grupo CAEMI, que iniciava a exploração das jazidas de manganês no Amapá, e precisava de um grande contingente de mão-de-obra. Alguns anos depois, contraiu matrimônio e optou por um emprego que pudesse estar mais perto da família. Por indicação da sua irmã Raimunda Moreira, que já era funcionária do Macapá Hotel, conseguiu uma vaga como cozinheiro. Com a terceirização do hotel em meados dos anos 60, todos os servidores dentre os quais ele estava incluso, que não tinham vínculo empregatício com o GTFA – Governo do Território Federal do Amapá, foram dispensados. Graças a religiosidade que exerce uma influência determinante sobre as outras esferas da vida social, como a cultura, política e trabalho, não foi difícil conseguir um novo emprego, na então gráfica São José recém-criada. Com a inauguração da Rádio Educadora São José de Macapá em agosto de 1968 - como ambas as entidades eram vinculadas a prelazia de Macapá, Teófilo passou a exercer suas atividades também na emissora, no horário noturno como vigia. Com a desativação da rádio, Diô como era tratado na intimidade pelos radialistas, tendo ingressado na terceira idade e não alfabetizado, sabia da dificuldade que enfrentaria por um novo emprego. Providenciou então sua aposentadoria, pois já tinha tempo suficiente de contribuição previdenciária. Descansar, curtir a família, aproveitar todo o tempo que não pôde, e recuperar os longos anos de trabalho eram algumas das ideias que passavam pela sua cabeça. Porém jamais pensou em se isolar dentro de casa. Diô, era um ser social, as relações interpessoais faziam parte da sua natureza. Manter esses vínculos e laços de amizade estava diretamente em seus novos planos. Por isso, costumava sair pela tarde para tomar um pouco de sol, fazer uma caminhada e visitar os amigos. Segundo sua filha, a socióloga Lúcia Moreira, esses encontros eram muito benéficos psicologicamente. Voltava com um brilho no olhar, muito feliz por haver encontrado os velhos amigos, e a satisfação de colocar a ‘prosa’ em dia e ainda relembrar os bons momentos que viveram em clima de nostalgia.  Ironia da vida – em uma dessas caminhadas para encontrar os amigos dia 1 de novembro de 1989 (DIÔ), sofreu uma parada cardiorrespiratória em via pública e foi internado na UTI do então hospital geral de Macapá vindo falecer dia três de novembro de 1989 de infarto do miocárdio aos 74 anos de idade, no dia seguinte de seu aniversário natalício.

Texto de José Machado – radialista e jornalista do Amapá.

Nota do Editor - Tive a felicidade de conhecer seu Teófilo (Diô) no tempo em que trabalhei na Rádio Educadora São José de Macapá, de 1968 a 1972, quando ele era vigia noturno da emissora. Era uma pessoa muito querida por toda a equipe. Depois que saí da Rádio nunca mais tive notícias dele, somente agora através dessa matéria e das fotos. Tenho boas lembranças! Esta é nossa singela homenagem póstuma, ao grande e saudoso Diô, macapaense de raiz. Deus o tenha! (João Lázaro)

domingo, 18 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA - O LENDÁRIO 'URCA BAR'

Fizemos um corte nesta foto de 1957, para destacar o prédio do lendário "Urca Bar" porque infelizmente, não temos nenhum registro fotográfico disponível na internet, da época em que esse conceituado bar de Macapá, funcionava na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy no bairro do Trem.

Demos ênfase ao citar a cidade de Macapá, para não confundir os leitores mais novos e/ou de outros estados, que não tenham conhecimento sobre a memória da capital amapaense, pois existe um Patrimônio Cultural carioca, desde 1939 conhecido como um dos locais mais charmosos do Rio de Janeiro.

Como surgiu?

O que se sabe foi contado por ele mesmo em 1987, ao jornalista Édi Prado e publicado no blog Porta-Retrato-Macapá, quando Édi era primeiro editor do Jornal do Dia.

O construtor do Urca Bar, de Macapá, foi o pioneiro Durval Alves de Melo, um afuaense que começou a trabalhar muito cedo, por ter perdido os pais ainda novo e após isso, foi levado para Belém, pela madrinha.

Na capital paraense, trabalhou na estrada de ferro, depois no Departamento de Limpeza Pública de Belém, e lá ouviu falar em Macapá. Diziam que estavam precisando de mão de obra e o governo estava contratando muita gente.

Sem dinheiro, ele decidiu aventurar, tentou e conseguiu a ajuda do Sr. Tibúrcio Ribeiro de Andrade, dono do barco que fazia linha para Macapá.

Ao chegar à cidade, passou por alguns perrengues, mas, pouco tempo depois conseguiu um emprego no Governo de Janary Nunes. Falava com orgulho por ter ajudado a construir o Macapá Hotel. Contava que lá, ele descascou cebola, batata, e depois passou a ser uma espécie de apontador, que distribuía tarefas, pela facilidade com que dominava os serviços.

Depois foi padeiro, cavou valas para a encanação do primeiro Poço do Mato, o primeiro de Macapá que atenderia a população da pequena cidade. Devido ao porte físico, foi convidado pelo governador para exercer a função na Guarda Territorial onde permaneceu durante sete anos. Como não era o que ele almejava, pois tinha ambições maiores, juntou umas economias e resolveu deixar a Guarda Territorial. Segundo ele, com uma poupança de cem Contos de Réis, montou o "Urca Bar" na esquina da Av. Feliciano Coelho com a rua Eliezer Levy, no bairro do Trem, iniciando as atividades etílicas e um espaço de encontro noturno.

Vale salientar, que a mudança da moeda corrente, para o Cruzeiro ocorreu em 01/12/1964, com promulgação da Lei nº 4.511.

A partir daí é o que se sabe:

O Urca Bar, foi um estabelecimento comercial montado nos anos 50, pelo comerciante Durval Alves de Melo, na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Trem, que, anos mais tarde, foi repassado ao Sr. Alemão.

Foi o "point" da cidade!

Lembro bem que lá funcionava: o escritório da Vical, uma barbearia, salvo engano, do Joaquim, tinha a relojoaria do Isaac Bello e no início havia um alto-falante que tocava os boleros da época.

A partir da esquerda: Tenente Armando Amaral, marido da prof.ª Risalva Amaral; Tenente Pessoa (centro) e à direita o comerciante Alemão (não sei o nome dele), proprietário do Urca Bar.  A sra. ao lado é Dona Elza Ludovina Tavares Ferreira, esposa do Sr. José Júlio, e o garoto é o Antônio Fernando Tavares Ferreira, filho mais velho do casal, já falecido.(Foto: Família Pessoa) 

A amiga Eunice Santos Pereira, promotora de eventos na cidade, complementa lembrando que “o Urca Bar era um comércio que vendia gêneros alimentícios em geral, sendo seu proprietário chamado Sr. Alemão, que ao se aposentar da ICOMI, passou ser comerciante até, resolver ainda em vida, voltar para sua cidade de origem ( não lembro o nome ) passando o prédio para um dos seus funcionários antigo chamado Belmiro, onde por muito tempo administrou o bar se tornando sempre um ponto de comércio que, atendia principalmente os moradores do Bairro do Trem. Hoje o Sr. Belmiro continua no ramo comercial, com um ponto em frente da Sede do Trem, c/ a General Rondon”.

Fotos: Arquivo do blog

domingo, 4 de fevereiro de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA = ANTIGO POSTO POLICIAL

Imagem de 1992, extraída de um vídeo postado no You Tube, nos permite compartilhar raro registro fotográfico de memória da Macapá de outrora. Trata-se de um posto policial, em madeira, construído em 1997, na época em que o Território Federal do Amapá era governado pelo Dr. Jorge Nova da Costa. Temos informações que este Posto Policial funcionava no antigo Igarapé das Mulheres, atual bairro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, zona central de Macapá. Soube-se que ele ainda chegou a ser reformado e continuou com a mesma finalidade, por mais algum tempo, mas depois de modificações e aterro no bairro, nada mais existe no local.
Fonte: YouTube

sábado, 2 de dezembro de 2023

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA - DO TEMPO DO EX-TERRITÓRIO FEDERAL

Amigo das letras João Silva, nos brinda com uma preciosidade histórica retirada dentre as raridades de seu Baú de Lembranças na grande rede.

Segundo a legenda, o registro de 1973, mostra um descontraído grupo de amigos, no meio dos comes e bebes, ao ar livre, na parte de fora de uma residência. O evento, realizado há 50 anos, como diziam no “Carnet Social”, era o “enlace matrimonial dos jovens Haroldo Costa e Joeci na casa dos pais da noiva, na Desidério Antônio Coelho de Carvalho, Bairro do Trem”, na Macapá da época do ex-Território Federal.

Fazem pose, da esquerda para a direita, em pé, os jovens Norberto Tavares, Antônio Cardoso, Sérgio Menezes; no meio da rapaziada, Dona Zefa (tia do João Silva), além de Adilson Menezes, Carlos Alberto (Rock Lane) e Valdeci Barbosa; em frente ao grupo, Leo Furtado tira sarro com Adelson Menezes, agachado.

Tempos bons!

Fonte: Facebook

     Acompanhando a evolução tecnológica colorizamos a foto com Inteligência Artificial

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Nota do Editor:

CARNET SOCIAL > Pra quem não conheceu eu explico:

O “Carnet Social” – recordista em audiência - era um programa da primeira fase (1946 a 1978) da Rádio Difusora de Macapá, apresentado no início da tarde, que registrava eventos sociais como, aniversários, casamentos, nascimentos, batizados, colações de grau etc., com mensagens especiais e músicas (se fosse o caso) endereçadas, exclusivamente aos homenageados. (João Lázaro)

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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

FOTO MEMÓRIA DA MACAPÁ ANTIGA – PRAÇA VEIGA CABRAL

Foto do acervo do fotógrafo Floriano Lima,  tirada a partir da Avenida General Gurjão no centro velho de Macapá, no início da década de 1970.

Casas ao fundo na rua Cândido Mendes.

Da esquerda para direita de quem olha: parte da sorveteira e residência do Sr João Arthur; passagem para antiga rua da praia rumo à Praça Zagury; prédio residência nos altos e, embaixo, loja de tecidos do senhor Abraão Peres, pai do Engenheiro Lindoval Peres; residência do Sr. Furtado pai do Odilon Furtado; residência do Senhor Claudomiro de Moraes ou Zito Moraes, pai do Euclides e Ilo Francisco; casa da Sra. Herotildes Peres (irmã de Alegria Peres Abrão Peres e Isaac Peres) que vendia vestidos das Lojas Katia; Farmácia Serrano, onde hoje passa a Alameda Serrano.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...