segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Desfile das Nações na Piscina Territorial

(Foto: Reprodução/Arquivo Josie Remedios)
 Ano 1967 - Desfile das Nações Unidas - festa na Piscina Territorial: A partir da esquerda: Graça Redig (Brasil), Neide (Holanda), Josie (China), Reiko (Japão), Dayse (Espanha) e Emília (Itália).

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bons Tempos dos Desfiles de Beleza

(Reprodução/Arquivo Josie Remedios)
Ano 1968 - Desfile da "Dez Mais Elegantes" na sede do Aero Clube de Macapá.
(Contribuição da amiga Josie Remédios)
À esquerda a candidata  Josie Remedios e à direita Maria de Nazaré Bessa de Castro, concorrentes ao título.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O "marco zero" do Rádio no Amapá

25 de fevereiro de 1945 - Um marco histórico para o Rádio do Amapá.
Há exatos 66 anos, numa tarde de domingo, ocorria o lançamento da pedra fundamental do Rádio no Amapá.
Era implantado o Serviço de Alto-Falantes de Macapá, considerado o embrião da Rádio Difusora de Macapá.
Local: Praça Cap. Augusto Assis de Vasconcelos, (atual Veiga Cabral), no centro da cidade.
A programação é iniciada às 17h com a "Marcha Continental", música que serviu de prefixo musical (trilha sonora) para o Serviço de Alto-Falantes.
Não há provas documentais para que possamos garantir qual seria a orquestração que serviu de prefixo para o Serviço de Alto-Falantes de Macapá.
A notícia, por ser do Jornal Amapá, nos informa ter sido a Marcha Continental.
A título de ilustração apresentamos aqui uma música, daquela época, intitulada Continental que acreditamos, possa ter sido, pelo menos a melodia, usada como prefixo musical daquele período histórico do Rádio amapaense.

Ouça:  

Paulo Eleutério Cavalcanti de Albuquerque, jornalista amazonense e Diretor do S.I.P., fez a apresentação dos equipamentos.
S.I.P. era o Serviço de Imprensa e Propaganda montado por Janary Nunes (primeiro governador do Amapá), para divulgar o programa de ação e desenvolvimento do governo terrritorial.
Falando na ocasião, Eleutério explicava em breves palavras, que a iniciativa é o marco inicial para a implantação “de uma estação rádio-emissora que abranja todo o Território e possa levar ao Brasil, a palavra fraterna e confiante do Amapá”.
A programação prosseguiu com apresentação de música popular brasileira, precedida de um comentário sobre suas origens, pelo intelectual Paulo Armando, noticiário local e nacional e música americana, encerrando-se as 18h com a “Ave Maria” de Schubert.
A aparelhagem sonora é instalada por Heráclides Macedo, técnico de rádio da Panair do Brasil (empresa de viação aérea da época).
(Reprodução)
Vista do prédio da antiga Intendência que serviu de estúdio para o Serviço de Auto-Falantes de Macapá, em 1945.

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O estúdio funcionou inicialmente, no prédio da antiga Intendência (foto), na Av. Mário Cruz (hoje utilizado pelo Museu Histórico do Amapá), irradiando o som amplificado por dois possantes alto-falantes (de cauda), tipo corneta, localizados na Praça da Matriz e na Praça Barão do Rio Branco (Largo de São João).
Vale o registro...
Referência: Jornal AMAPÁ (1945)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Igreja Matriz: O Monumento mais antigo da Cidade

(Reprodução)
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Ano 1910 - A Igreja de São José de Macapá é um marco histórico.
Observem que só existia uma porta de entrada e nas laterais também não existiam saídas.
Esta igreja foi iniciada em 1752, seis anos antes da criação oficial da Vila de São José de Macapá.
Resumo histórico: A origem da igreja está ligada à origem da própria Vila de São José de Macapá, fundada pelo então governador da capitania do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 1785.
Estabelecida a Vila, ao mesmo tempo foi criada a paróquia do mesmo nome, pelo bispo Frei Miguel de Bulhões e lançada sua pedra fundamental, pelo primeiro vigário da paróquia Pe. Ângelo de Moraes. As plantas da igreja foram traçadas pelo sargento-mor Manoel Pereira de Abreu e aprovadas pelo engenheiro Antonio José Landi, que acompanhava o governador da capitania, em seus trabalhos de demarcação do espaço português, na região.
A inauguração da igreja foi em 06 de março de 1761 e sua construção é um exemplo do estilo de arquitetura que os jesuítas trouxeram da Europa, ainda no século XVI.
Algumas modificações, na estrutura do prédio, foram realizadas após a chegada dos padres do PIME, em 1948.
A localização da igreja está no que seus antigos moradores chamam de "beco do formigueiro", pois, na época em que Macapá era apenas um povoado, lá existia um imenso formigueiro.
(Fonte:
Amapá-Net)
(Repaginado em 2011)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um grande Pioneiro: Raimundo Gomes Bezerra "seu" Mundoca Bezerra

(Foto: Reprodução/Arquivo família Bezerra)
Sr. Mundoca Bezerra (*1916+1991)
O escritor Amiraldo Bezerra(foto menor), atendendo nossa solicitação, nos conta, via e-mail, que seu (pai) Mundoca (foto maior), chegou em Macapá por volta de 1946, vindo da ilhas do Pará que circundam Macapá.
“Ficamos hospedados na casa do Cezário Cavalcante,(era comum hospedar parentes e amigos) marido de Dona Odete(depois Micione) na rua da Praia, era um grande "chagão" com oito portas, ao lado foi construído o Macapá Hotel, só dava uma passagem que saia atrás da Farmácia Serrano. Éramos pai, mãe, Alvanir, Olivar e eu. Por solicitação do sr. Jaci Jucá, papai foi trabalhar no Armazém Macapá de Álvaro Vasques, balconista. Alguns meses depois, veio um Português de Belém, patrício do Vasques, que era dono da Sapataria Nª.Sª. de Lourdes e Nª. Sª. da Guia, na Santo Antônio e Ver-e-peso, respectivamente, querendo abrir uma sapataria em Macapá e seu Vasques indicou o Mundoca para ser o gerente. O papai foi sondado pelo seu Anselmo(de Belém) e disse que aveirava se fosse o dono do negócio, recebendo a mercadoria(sapatos) em pequenas quantidade e ir vendendo e comprando mais. NEGÓCIO FECHADO foi aberta a Sapataria Santo Antônio a primeira de Macapá, lá pelos idos de 1946. Funcionou inicialmente onde moravamos, tendo como sócia a madrinha Odete Cavalcante, cujo esposo Cezário, dono do Cartório, logo nos primeiros meses, retirou o nome da sua esposa do negócio, pois, não achava justo o seu Mundoca trabalhar sozinho e dividir o lucro. As pessoas eram assim naquele tempo. Puras! Dai foi para a Praça Veiga Cabral, ponto alugado na casa de Dona Carmita(irmã do sr. Eugênio Machado) e por último em sede própria na mesma rua ao lado da casa do Quindão e do Vaca Podre. O papai foi um dos fundadores e presidentes da Associação Comercial do Amapá, Associação Rural pois era fazendeiro, dono da Fazenda ZEBULÂNDIA. Quando a CEA estava em dificuldades financeiras por demora nos repasses na construção da Hidrelétrica do Paredão, o seu Mundoca foi convidado pelo Coronel Luiz Ribeiro para ser provedor e usar seu crédito para comprar gado fiado, afim de abastecer o canteiro de obras. Topou e deu conta do recado. Quando estourou a Revolução em 31 de março de 64, ele e o Cel. Ribeiro ainda estavam na CEA e meu pai foi intimado a prestar esclarecimentos sobre as compras fiado que a CEA devia. E meu pai falou pra um daqueles militares que lhe questionava, que se o Governo Militar não pagasse ele o faria, pois estava em jogo o seu nome e não os deles. “
Quando o Coronel Ribeiro soube, foi lá e fez uma grande defesa da honra e do caráter de seu Mundoca.
Seu Mundoca foi rotariano e fundador, junto a outros amigos(inclusive o Rubi, seu vizinho).
Foi industrial (dono da primeira fabrica de calçados na doca da fortaleza onde fabricava aqueles sapatos colegiais de verniz. "Lá também trabalhou o Bôto e outros profissionais trazidos até de fora."
Foi dono da Vila do Igarapé da Fortaleza e da Serraria do mesmo nome, onde hoje se situa o Bar e Restaurante Flora.
Amiraldo registra em seu livro que da boca do Igarapé, até 1.800 metros adentro e até a cerca da Vila Amazonas, pelos fundos, pertenciam a seu Mundoca.
O igarapé da Fortaleza, é um dos mais importantes pois separa o município de Macapá do município de Santana.
(Foto: Reprodução/Arquivo família Bezerra)
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Anos 60 - Seu Mundoca em família.
(Fotos: Contribuições do amigo Amiraldo Bezerra)
Da esquerda para direita: Em pé: Filhos Alvanir, Olivar, Arnaldo, Esmeralda, Geraldo e Amiraldo;
Sentados: Fátima, Dona Hilda(esposa), seu Mundoca e Graça(as filhas Fátima e Graça são gêmeas)

Amiraldo conclui informando que “seu" Raimundo Gomes Bezerra, nasceu em Gurupá-Pa no dia 29 de agosto de 1916 e faleceu em Fortaleza, junto a todos os filhos, noras e netos e bisnetos, no dia 06 de outubro de 1991 e no seu enterro, na terra de seus pais, estavam inúmeros amigos que ele conquistou com seu carisma e amor nos anos que viveu em Fortaleza.”

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Juventude e esporte

(Reprodução)
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Jovens estudantes e atletas, em frente ao Colégio Amapaense.
Dessa turma só identifiquei a partir da esquerda em pé:
Maurício, Manga e Flávio e o penúltimo à direita é o Marco Antônio.
Quem souber pode ajudar a compor a legenda, nos comentários.
(Repaginado em 2011)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cachoeira do Paredão

Imagens raras da Cachoeira do Paredão antes da barragem da Usina - quando ainda estava sendo implantado o canteiro de obras - registradas no final dos anos 50 e congeladas de um vídeo da Hidrelétrica Coaracy Nunes, que teria sido gravado pelo senhor Costinha, pioneiro e chapa 1 da Companhia de Eletricidade do Amapá.
Esse vídeo foi colorido pelo processo telecinado, bancado pela Eletronorte, razão pela qual as fotos estão originalmente coloridas.
O congelamento e extração das imagens é um trabalho de Roni Adriani Nunes Vilhena, funcionário da empresa.
A Cachoeira do Paredão, localizava-se no Rio Araguari, entre os municípios de Amapá e Macapá.
Entre 1956 e 1960, por iniciativa da Companhia de Eletricidade do Amapá, realizaram-se os estudos aerofotogramétricos, topográficos, hidrológicos, que basearam a elaboração do projeto da Hidrelétrica Coaracy Nunes.
Em decorrência de inúmeras paralizações nas obras de construção da hidrelétrica, que acarretaram atraso na conclusão e aumento de custo, foi sancionado o Decreto nº 74.303, em que é autorizada a encampação dos bens e instalações da Usina Coaracy Nunes e Sistema de Transmissão associado. Neste Decreto é definida a responsabilidade da ELETROBRÁS para a relização da operação, é indicada a fonte de recursos para a indenização (Fundo Global de Reversão), é determinada a entrega dos bens atingidos pela encampação para a ELETRONORTE.
A Usina Hidrelétrica "Coaracy Nunes", entrou em operação comercial, em 1º de novembro de 1975.(Fonte:site da CEA
Nossos agradecimentos especiais ao amigo jornalista Oscar Costa da Silva Filho - Coordenador de Comunicação Empresarial da ELETRONORTE/AP que nos deu todo o apoio para que conseguíssemos essas fotos raras da Cachoeira do Paredão.
Fonte: Eletronorte/AP

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ex-Governador Annibal Barcellos num raro momento de descontração

(Foto: Reprodução)
Nesta foto de 1983 - o então governador do ex-Território Federal do Amapá - Annibal Barcellos, está de posse da bola na Praça N. S. da Conceição, no bairro do Trem, numa das tradicionais peladas dos Solteiros x Casados.
Contribuição do amigo Paulo de Tarso Barros, Presidente da Associação Amapaense de Escritores, via Facebook.
Fonte...: Jornal “O Amapá Informativo”

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Futebol: Craques de Santana

Santana Esporte Clube
 (Reprodução)
Clique na foto para ampliá-la
O escrete bi-campeão do Canário Milionário de 1960 e 1961.
Da esq. p/direita EM PÉ: Cremildo Costa ou Curió, Sapo, Mário Miranda, Ceará, Sabá, Mundico e Jason Massagista;
AGACHADOS: Côco, Elair, Newton Escangalhado, Maranhão e Palito.
Fonte: blog do Santana Clube

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os 66 anos de Manoel Bispo: um pioneiro de múltiplas facetas

Data: 15 de fevereiro de 1945
Há exatos 66 anos... nascia em Belém do Pará, Manoel Bispo Corrêa, filho de Paulo Roberto Corrêa (Mestre Paulo) e Maria Bispo Corrêa.
(Reprodução)
Foto extraída do blog da APES
Manoel Bispo, é artista plástico, professor, poeta e compositor.

Ainda criança a família se mudou para o Amapá. Fez seus primeiros estudos na antiga Base Aérea do município do Amapá. Em 1954 mudou-se para a capital do Território, Macapá, onde estudou em vários colégios (Alexandre Vaz Tavares, Azevedo Costa e Colégio Amapaense). Começou a pintar e a escrever aos 16 anos de idade. Estudou Belas Artes no Rio de Janeiro. Exerceu, dentre outros cargos, o de presidente da Fundação Estadual de Cultura-Fundecap, Conselheiro de Cultura durante muitos anos, diretor da Escola de Arte Cândido Portinari e sempre foi um participante ativo dos movimentos artísticos e culturais do Amapá, cuja trajetória é um observador perspicaz, lúcido e com uma visão privilegiada.

Manoel Bispo é umartista de múltiplas facetas, consciente do seu fazer poético, um criador que sabe manusear os vocábulos com maestria e compor poemas marcantes, verdadeiras obras de arte, frutos de uma mente talentosa. Temos o maior orgulho de conviver com um artista dessa magnitude, que atingiu um nível literário admirável, igualando-se aos grandes nomes da literatura universal. É uma dádiva ter ele escolhido a nossa terra para daqui enviar seu canto belo e denso, cheio de sutilezas que engrandecem a poesia”. (Paulo de Tarso Barros)

Manoel Bispo já publicou os seguintes livros de poemas: Cristais das Horas (1978); Mental Real (1986); Canto dos meus Cantares (1990); Intátil (2002) ); Amostra Grátis (2004), poemas,Tarso Editora, edição artesanal) e Palavras de Festim (poemas, 2007) e participou das antologias Coletânea Amapaense (1988); Coletânea de Poesias Poetas do Meio do Mundo (2009); Coletânea de Contos - Contistas do Meio do Mundo (2010), sendo que coordenou e organizou estas duas e está coordenando mais duas coletâneas: uma de crônica e mais uma de poesias.

Fonte: blog da Associação  Amapaense de Escritores - APES
Saiba mais

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Professora Aracy Mont’Alverne: 98 anos de seu nascimento

(Reprodução de livro)
Há 98 anos...nascia na cidade de Colares, Estado do Pará, no dia 13 de fevereiro de 1913, Aracy Miranda de Mont’Alverne filha de Werneck Barbosa de Miranda e D. Raimunda Maria de Miranda.
Estudou nos colégios de Belém e formou-se professora normalista em 1933.
Começou a trabalhar como professora do Ensino Primário em Belém, no período de 1933 a 1936.
Chegou ao Amapá, em 8 de dezembro de 1942, convidada pelo então Governador Janary Gentil Nunes, ingressando no Quadro de Funcionários do Governo na função de Professora dos Cursos Pré-Primário e Primário nivel l l no dia 2 de fevereiro de 1949.
Em 1962, foi promovida para o cargo de Professora do Ensino Secundário.
Exerceu entre outros cargos a função de Diretora da Divisão de Educação e Cultura em 1962; Diretora da Biblioteca e Arquivo Público em 1965; Orientadora do Ensino de 2.° Grau; Chefe da Assessoria de Relações Públicas do Governo do Amapá em 1965;
Aracy Mont'Alverne recebeu títulos de Honra ao Mérito por serviços prestados ao governo do TFA; do Círculo Militar; da Federação dos Bandeirantes do Brasil; do Projeto Rondon.
Professora Aracy teve brilhante atuação como poetisa, declamadora, musicista, escritora e teatróloga.
Lançou seu primeiro livro "Luzes da Madrugada" em 1988; compôs várias músicas entre as quais o Hino do CCA; escreveu várias peças infantis; em 1997, a Associação Amapaense de Escritores - APES, lançou seu 2° livro em homenagem aos seus 84 anos, "Arquivo do Coração" em agosto de 97.
Casou-se com o Sr. José Jucá de Mont'Alverne, cidadão respeitado e de tradicional família amapaense, de cuja união nasceram os filhos: Ana Luiza, José Sebastião, Joacy Werneck, José Jorge, Ana Lourdes, Ana Lúcia e Ana Lídia.
(Reprodução) 
Anos 70 - Professora Aracy discursa numa solenidade tendo à mesa a partir da esquerda: Dr. Edson Corrêia, Dr. Rubens Baraúna, Profº Paulo Guerra, Governador Arthur Azevedo Henning e profº Geraldo Majela, segurando o microfone.

Aposentou-se em 1969 quando foi passar uma temporada em Belém.
Se fosse viva completaria neste 13 de fevereiro de 2011, 89 anos de nascimento. Faleceu em  01/02/2002.
Essa é a Aracy Miranda de Mont'Alverne, grande mestra, amiga, personagem ilustre, autora da poesia "Macapá Cinderela" de 1986, em homenagem a Macapá, que merece ser transcrita:

Nesta singela narração,
Fiz poema de uma história,
Fazendo a comparação
De uma cidade humilde
Do interior do Brasil
Com uma pobre menina
Que de repente tormou-se
Muito famosa e gentil!

Macapá já foi outrora
Uma menina do mato ...
Tão pequena, tão franzina,
Doentia, retraída,
E que vivia esquecida ...
Muito pálida e quieta,
Era quase analfabeta ...

Mas um dia apareceu
Na linha do seu destino
Um homem forte e bondoso
Que a protegeu e ajudou,
Trabalhador, caridoso,
A menina transformou.
Mas se alguém o conhece
Mesmo de nome aqui.
Esse de quem vos falo
É o Coronel Janary!


Hoje a menina está moça
E ainda está crescendo,
Já é por todas notada,
Está se desenvolvendo
E quando ouve dizer
Com toda admiração
Que é São Paulo ou Brasília,
Do Brasil o coração
Ela toda ufana diz -
"Eu também sou importante,
sou a cabeça do País."


Vive feliz, tem tudo,
Cresceu muito, ficou forte,
É a Cinderela do Norte!
Tem saúde, tem escolas,
Para se aperfeiçoar.
Tem ouro e jóias bonitas ...
Até não usa mais chita!
Vem gente lá de outras terras
Aos grupos, lhe visitar,
É gentil, não é orgulhosa,
A todos sabe tratar
E na terra onde vive
Sob o sol do Equador
Não teme o frio intenso
E nem morre de calor!


É morena, é tão formosa,
Educou-se, está famosa,
É das dez mais elegantes
Do lindo Brasil gigante!. ..
É tão bonita e gentil....
E, querem saber de uma?
- Macapá está pensando
que já vai se preparando
para ser Miss Brasil!
(Fonte: Personagens Ilustres do Amapá, obra de Coaracy Barbosa vol II)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Há 4 anos sem... "PAI VÉIO"

12 de fevereiro de 2007
Completam-se hoje exatos 4 anos da morte, aos 63 anos de idade, do radialista Osmar Gomes de Melo, vítima de complicações cardiorespiratórias.
Pai Veio” e “Pai D’égua”- esse era o nome da festejada dupla sertaneja que Osmar Melo formava com o radialista Hermínio Gurgel, falecido em 1994.
(Foto: Reprodução/Arquivo Cláudio Coutinho)
Osmar Melo e Hermínio Gurgel no estúdio da Rádio Difusora de Macapá
(Foto: Contribuição do amigo Cláudio Coutinho - operador de áudio da dupla)
O Osmar Melo era o "Pai Veio"(embora fosse mais novo, em idade, que Gurgel) e o Hermínio Gurgel de Medeiros era o "Pai D'Égua", dupla que acordava e informava os ouvintes sobre o movimento da cidade ao raiar do dia.
Uma das maiores audiências do rádio amapaense.
(Reprodução/Arquivo pessoal)
Osmar Melo e eu(João Lázaro)  no estúdio da Rádio Educadora São José de Macapá, em 1968.
Trabalhamos juntos nos bons tempos da Rádio Educadora São José e depois em outras tantas oportunidades na Rádio Difusora de Macapá, sempre na cobertura de grandes eventos.
Embaixo imagens de Osmar Melo com amigos de imprensa:
(Reprodução/Diário do Amapá)
Radialista Ivo Canuti, Osmar Melo e Ziulana Melo, Colunista Social do Diário do Amapá
Foto: Cortesia jornal Diário do Amapá)
(Reprodução/Diário do Amapá)
Samuel Silva, fotógrafo do Diário do Amapá, Osmar Melo e jornalista Paulo Oliveira
(Foto: Cortesia jornal Diário do Amapá)

Morte de Wanderley - Um Pioneiro do Amapá

(Reprodução)

Faleceu na quinta feira, 10 de fevereiro de 2011, por volta de 12:30h, no Hospital São Camilo, em Macapá, um dos pioneiros do Amapá, Raimundo Adamor Picanço – o Wanderley.

Grande craque do passado, Wanderley foi goleiro dos melhores times amapaenses, entre eles o São José, Juventus Esporte Clube e Ypiranga Clube.

Professor de educação física e natação, goleiro, árbitro; Wanderley era amante do esporte e do carnaval, sendo um dos fundadores da  “Banda”, o bloco de sujos que arrasta multidões na terça-feira gorda.


(Reprodução/blog da Alcinéa)
Wanderley na terça-feira gorda, em 2008
(Foto: extraída do blog da Alcinéa)
Era ele quem confeccionava a roupa do boneco “Anhanguera”, do tradicional bloco.
Fonte: Blog da Alcinéa
Link relacionado: São José, muita garra e amor à camisa

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Inauguração da Escola "José de Alencar"

(Reprodução/Arquivo pessoal)
Clicar na imagem para ampliá-la
Ano 1968 - Inauguração da Escola "José de Alencar" - na Rua Cândido Mendes.
Dom José Maritano - Segundo Bispo Prelado de Macapá, faz oração especial para dar a bênção ao estabelecimento.
Em primeiro plano vemos (à esq.) professor Geraldo Leite de Morais ; (um pouco mais atrás) Coronel Alacid da Silva Nunes; General Ivanhoé Gonçalves Martins - Governador do Território e sua esposa (de branço atrás dele); (atrás de Dom José) Cel Adálvaro Cavalcante; Jornalista Hélio Penafort (segurando o microfone); (atrás dele professor José de Alencar Feijó Benevides, e eu João Lázaro (segurando o BTP) e atrás (à direita) Sr. Neves (sócio da Fábrica Amapaense) e atrás dele o Sr. Claudionor Monteiro Lima (Cutião).
Na ocasião eu - João Lázaro - e o jornalista Hélio Penafort faziamos a cobertura do evento para a Rádio Educadora São José de Macapá.
(Repaginado em 2011)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Antônio Munhoz: um pioneiro do Amapá

Há 79 anos, em 10 de fevereiro de 1932, nascia em Belém do Pará, Antônio Munhoz Lopes.
(Reprodução/Arquivo pessoal)
Ano 1973 - Professor Antonio Munhoz Lopes
Filho do farmacêutico José Ayres Lopes e D. Izabel Munhoz Lopes.
Munhoz Iniciou seus estudos com professor particular e prestou exames no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, em Belém, em 1943.
Começou o ginásio no Colégio Nazaré dos Irmãos Maristas em Belém, transferiu-se depois para o Seminário Metropolitano de Nossa Senhora da Conceição.
Em São Luís do Maranhão, iniciou o curso de Filosofia, recebendo a batina no dia 8 de dezembro de 1950.
Fez o curso jurídico em Belérn, na velha Faculdade de Direito do Pará, bacharelando-se em 4 de outubro de 1959.
Ao chegar ao Amapá ingressou no governo do ex-Território em 8 de dezembro de 1958, na função de Delegado de Polícia da DOPS.
Em 1960 foi enquadrado na, função de Professor do Ensino Secundário, lotado na antiga Divisão de Educação, tendo exercido os cargos de Diretor do Colégio Amapaense (1960); Diretor da Divisão de Educação em 1963; Secretário da Justiça Federal de Primeira Instância; Orientador Educacional; Diretor do Conservatório Amapaense de Música em 1980; Diretor Adjunto da Escola de Arte Cândido Portinari em 1990.
Em 1969 é escolhido o "Mestre do Ano", recebendo uma caneta de ouro do Governador Ivanhoé Gonçalves Martins.
A crítica de cinema Luzia M. Álvares, do jornal "O Liberal", considerou Antônio Munhoz "um dos pioneiros da verdadeira crítica cinematográfica no Pará" (29.12.1972), fazendo parte do livro "A crítica do Cinema em Belém".
Na sua ânsia pela cultura e pelo conhecimento dos costumes dos povos, visitou o Japão, China, Indonésia, Cingapura, Tailândia, India, Nepal, Egito, Israel, Turquia, Rússia, África do Sul, Quênia, Marrocos, México, Finlândia.
Além da  Europa, conhece os Estados Unidos e Canadá.
O jornalista Haroldo Franco chamou-o de "cidadão do mundo", além de "um dos melhores mestres da nova civilização que o Brasil está implantando no Amapá".
O último poema escrito por Alcy Araújo em abril de 1989, foi dedicado a "Antônio Munhoz, cidadão do mundo".
Munhoz é fascinado por museus e visitou os mais importantes do mundo, como o Louvre em Paris, o Errnitage em São Petersburgo, o Prado em Madri, o Metropolitan de Nova Iorque, o do Vaticano e do Bardo na Tunísia.
Adora ler, que é sua atividade preferencial, como gosta de teatro, ópera e bailet.
Assistiu Margot Fanteyn dançar em Hong Kong, com Heinz Bels no Lec Teatre; Nureyev no Metropolitan Opera Hause em Nova Yorque; Baryshnikov e Fernando Bujones em Paris.
Por vinte anos seguidos foi professor de Literatura
(Brasileira e Portuguesa), no Colégio Amapaense; Lecionou História da Arte, na Escola Cândido Portinari; deu cursos de Literatura Portuguesa no antigo Núcleo de Educação.
Lecionou na Universidade Língua Latina.
Em setembro de 1983, apresentou uma retrospectiva do pintor Fulvio Guiuliano, como parte dos festejos comemorativos do 40° aniversário de criação do Território do Amapá, fazendo uma análise das obras do artista italiano, que, por muitos anos viveu em Macapá.
Antônio Munhoz é citado no livro "La Bellezza Salverá il Mondo", editado em Milão sobre a obra pictórica do missionário-artista;
Além de ter os cursos de Filosofia e de Direito é formado também em letras e com essa bagagem literária, lecionou mais de 40 anos no Amapá.
Religioso, fez questão de conhecer as igrejas do Santo Sepulcro, em Jerusalém; as quatro maiores basílicas de Roma: São João de Latrão, Santa Maria Maior, São Pedro e São Paulo Extra-Muros; Duomo de Milão; a Catedral de Chartres onde estão os mais belos vitrais do mundo; Notre Dame, de Paris, uma das expressões máximas do gótico na França; a Catedral de Santa Marial Del Fiore em Florença; Santiago de Compostela, com o "Pórtico de Glória", na Galiza, Espanha; a Capela Polatina de Palerrno, na Sicília, uma das maravilhas do mundo, dedicada a São Pedro, a Catedral de Monreale; a Catedral Cefalu e de Siracusa, construí da num templo grego no século V antes de Cristo e no Brasil a de S. Cosme e Damião em Igarassu.
Visitou também as Pirâmides e a Esfinge no Egito; a Grande Muralha na China; a Mesquita de Santa Sofia em Istambul (Turquia); o Taj Mahal em Agra (Índia); a Estátua da Liberdade e o Empire States Bulding, em Nova Yorque; o Santo Sepulcro em Jerusalém; o Túmulo de São Pedro em Roma; o Palácio de Sehonbrunn na Áustria; o Museu de História Natural com a mais antiga escultura de mulher, com cerca de 24 mil anos, chamada de Vênus de Willendorf,também em Viena; a Torre de Eiffel em Paris; o Muro das Lamentações em Jerusalém; a Cidade Proibida em Pequim; o Aqueduto de Segóvia, construído pelos romanos no final do século I, na Espanha; a Universidade de Salamanca, com a
belíssima fachada plateresca, que remonta ao ano de 1218; o Coliseu em Roma; a Fonti de Trevi; a prisão Mamertina, onde São Pedro foi aprisionado; o Pantheon, construído pelo imperador Adriano (118-135-DC); a Escada Santa, na igreja de São João de Latrão; as Termas de Caracalla, concluídas no ano de 217-DC; o Templo de Barobudur em Java (Indonésia), o Pavilhão Dourado (Kinkaku-JI) em Kioto, Japão; O Templo de Ggantija na ilha de Gozo (Malta) datado do ano 36 aC; as Pirâmides no Cairo, Egito; o Templo de Buda Inclinado e Bangkok, na Tailândia; as Ruínas da velha cidade de Canago na Tunísia; o Partenon na Acrópole, em Atenas na Grécia; a Praça Vermelha, em Moscou, na Rússia; o Teatro Epidauro na Grécia; o The Rambogh Palace, antigo palácio de um marajá, hoje hotel, onde o biografado se hospedou; a Cisterna Portuguesa em El Jadid (antiga Mazagão), no Marrocos; a Medina de Fez, do século IX, a mais antiga das quatro cidade imperiais, no Marrocos e o Templo de Siddhi Lakshmi, o mais alto do Nepal, em Bokhtapur.
Munhoz guardou seu diploma de advogado e carrega consigo os de Letras.
A sua atuação em Macapá se destaca no Cenário da Educação e da Cultura.
O reconhecimento por esse seu trabalho está registrado nos jornais e nas homenagens que tem recebido: Diploma de Honra ao Mérito, concedido pela Câmara Municipal de Macapâ em 1987; "Destaque 1988" conferido pelo Jornal do Dia; Colar do Mérito Judiciário, concedido durante o I Congresso Internacional de Magistrados da Amazônia.
Fez parte do Conselho de Cultura do Amapá desde a sua criação em 1985 até sua extinçâo em 1989.
Membro da Academia Amapaense de Letras, ocupante da cadeira n. 38 que tem corno patrono o Dr. Vicente Portugal Júnior.
Estes são os dados biográficos do professor Dr.Antônio Munhoz Lopes, um homem que ama a poesia, a música, as cores e o Amapá.
(Reprodução/blog da Alcinéa)
Professor Antônio Munhoz Lopes - 79 anos de vida

(Foto: Alcinéa Cavalcante)

Antônio Munhoz Lopes - eterno amigo de Lindanor Celina (falecida em 2003 em Paris) - e tantos outros intelectuais como Paes Loureiro e Ápio Campos de Belém do Pará; morador vitalício do quarto 21 do Hotel Santo Antônio; marca nesta quinta-feira, em 2011, 79 anos de idade e de muita vitalidade, curtindo sua merecida aposentadoria, sempre em meio à cultura e grandes eventos sociais de Macapá.
Parabéns, professor Munhoz!
Fonte: Personagens Ilustres do Amapá, obra de Coaracy Barbosa, Vol. II

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Esportes: Fazendinha Esporte Clube

(Foto: Reprodução/Arquivo Aluísio Cantuária)
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( Contribuição do amigo Aloísio Cantuária, via e-mail )
Uma formação do Fazendinha Esporte Clube antes de um jogo com o Manganes, em Serra do Navio.
Data: Fins de 50 ou início de  60.
Em pé, da esquerda para a direita: Zé Maria Leão (técnico); Domingos, Flávio, Bento Góes, Charuto, Soró (Antonio) e Zezé; Renato Viana (diretoria).
Agachados, da esquerda para a direita: Valdir, Raimundo Viana (Camarão), Ernani Marinho, Boró e Zé Pracinha.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Hospital São Camilo e São Luis, obra missionária de Marcello Candia

(Reprodução)
Há 42 anos, em 7 de fevereiro de 1969, era inaugurado, em Macapá, o Hospital Escola São Camilo e São Luis, localizado no bairro Santa Rita.
(Reprodução)
Seu construtor foi o Dr. Marcello Candia(foto), rico industrial de Milão, na Itália, que se desfez de suas propriedades para aplicar o resultado numa obra missionária.
O hospital foi edificado sob a égide de Prelazia do Macapá, no Amapá, constituída pelos padres do PIME - Pontifício Instituto para missões Estrangeiras, todos italianos.
Após dois anos de funcionamento, o Dr. Marcello Candiaentendeu que não tinha conhecimentos suficientes para administrar o hospital.
Recorreu, então aos religiosos camilianos de São Paulo e estes enviaram ao local dois padres médicos, Angelo Pascal e Raul Matte.
(Foto menor: Pe. Raul continua até hoje no hospital).
Após algum tempo, doou o hospital à Sociedade Beneficente São Camilo que o mantém até hoje.
Em 1975, o hospital fundou uma escola de técnicos de enfermagem.
O nome do hospital escola deveu-se ao fato de este servir como campo de estágio para acadêmicos de medicina de diversos Estados do Brasil.
A grande extensão territorial do Estado do Amapá sugeriu a implantação de atividades de saúde comunitária por meio da instalação de postos de saúde em várias localidades.
A ordem de Malta doou ao hospital um barco laboratório que se chama São João Batista para que o padre camiliano médico Raul Matte visite as ilhas ao redor da Ilha do Marajó e leve assistência médica e religiosa à população daqueles lugares, que em geral é muito carente.
Entidades da Áustria e de outros países patrocinam a realização permanente de cursos de formação de parteiras e de agentes de saúde comunitária.
Em setembro de 2004 realizou o seu Congresso Anual de Pastoral da Saúde com a presença de mais de 200 pessoas.
Dia 29 de outubro de 2005, levou a efeito diversas inaugurações envolvendo: Clínica Obstétrica, Ambulatório São Camilo ll com 10 consultórios e a Clínica Ana Néri com apartamentos para a internação de beneficiários de convênios e particulares.
Em novembro de 2006, inaugurou um novo Pronto - Socorro, mais cinco suítes para convênios e um Centro de Diagnóstico.
Já em novembro de 2007 procedeu à inauguração de uma UTI neonatológica, um pré-parto e uma hidroterapia com àgua aquecida.
O Hospital São Camilo e São Luis constitui-se referência em saúde no Amapá.
Fonte: site do Hospital

Marcelo Cândia - o rico que se tornou santo

(Reprodução)
Marcelo Cândia foi um brilhante industrial que, em 1964, vendeu sua indústria química, doando todos os seus bens e a sua própria vida aos pobres da Amazônia.
Com o lucro da venda, construiu para os pobres o Hospital São Camilo, no Amapá, confiando-o posteriormente aos padres médicos camilianos.
(Reprodução)
Passou, em seguida, a viver na colônia-leprosário de Marituba, partilhando sua vida com os hansenianos, visitando a Europa para angariar fundos para seus leprosos, ainda mais quando o governo desativou a cidade-leprosário que ficou praticamente a seu cargo, de dom Aristides Pirovano, ex-bispo do Amapá, e de padres e irmãs.
Abriu e sustentou obras sociais em outros lugares do Brasil, que continuam sendo atendidas pela fundação Marcelo Cândia.

Ganhou vários prêmios internacionais por sua solidariedade com os rejeitados.
Marcelo Cândia não deixou nada escrito, mas somente o testemunho de sua vida de apóstolo da caridade, que se despojou de tudo e seguiu a Cristo, servindo aos pobres: o exemplo de um santo moderno que fez da riqueza um meio para sua santidade.
Ao concluir o processo diocesano para a beatificação de Marcelo (1991), o então cardeal Martini, de Milão, sintetizou sua vida em poucas palavras:
"Marcelo Cândia é o modelo do leigo compromissado, dedicado, corajoso, que levou ao extremo a palavra de Cristo de vender tudo e de se pôr a serviço dos pobres, dos últimos, com toda a sua riqueza".

Marcelo Cândia é o santo dos tempos modernos: dois títulos universitários, tenente de artilharia durante a Segunda Guerra, industrial de sucesso que dava o justo valor ao dinheiro, sempre envolvido em obras de solidariedade, provava com sua vida que as riquezas podem ser instrumento de santidade heróica e que um rico pode se tornar santo.
A grandeza do Dr. Marcelo brotava da sua vida de fé e de caridade.

Era um empresário livre, como foi um santo livre.
Não pertencia a nenhum movimento, nem instituto religioso e definia-se, simplesmente, como um "batizado" que via nos pobres e, especialmente, nos hansenianos, a imagem de Cristo sofredor e rejeitado pela sociedade opulenta e acomodada.
Quando se fixou em Marituba, dividia sua vida com os leprosos, sem nenhuma separação ou restrição em relação aos doentes e gostava de conviver com eles.
"Quando vim para a Amazônia, pensava que o dom maior que podia fazer aos pobres era o meu dinheiro e as minhas capacidades profissionais, mas entendi que eles eram o verdadeiro tesouro. Não fui eu que dei algo para eles, mas eles que me deram".

Adalúcio Calado, hanseniano que convivia com ele em Marituba, lembrava que "o dr. Cândia não somente nos ajudava com as obras sanitárias e sociais, mas nos amava e, nele, percebíamos o amor que Deus tinha também por nós, leprosos, recusados por todos...
Fazia tudo por amor a Deus, nada procurava para si, mas tudo o que possuía era para os pobres, os doentes, especialmente para nós, hansenianos. Era heróico na sua doação. Ele, rico e culto, vivia a sua vida em nosso meio e nada podíamos dar-lhe em troca. Era o exemplo vivo e palpável do amor de Deus entre nós
".

Marcelo, como homem e empresário moderno não era um paternalista, mas administrava cuidadosamente seu dinheiro e as grandes contribuições que recebia de amigos.
Esse dinheiro era usado não simplesmente como gesto de caridade de quem dava porque tinha, mas quem podia, era ajudado a aprender um trabalho nos oficinas criadas na colônia, para se tornar independente, uma vez que saísse do leprosário.

Sempre repetia que quem muito recebeu, muito devia dar para que os pobres pudessem viver sua dignidade de filhos de Deus.
A causa de beatificação de Marcelo Cândia encontra-se em fase avançada.
Marcelo Cândia morreu em Milão, Itália em 13 de agosto de 1983.
(Adap. do Texto de Ernesto Arosio editado na Revista Revista "MUNDO e MISSÃO")
(Repaginado em 2011)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Os 31 anos de falecimento da Professora Graziela Reis de Souza

Há 31 anos - 5 de fevereiro de 1980 – falecia em Belém, de câncer de mama, a educadora Graziela Reis de Souza, uma das Pioneiras da Educação no Amapá.
(Reprodução de livro)
Professora Gabriela Reis de Souza nasceu em Belém do Pará, em 29 de agosto de 1923.
Filha de Raimundo Nonato de Souza e D. Alzira Reis de Souza.
Estudou o primário no Grupo Escolar Dr. Freitas, e o ginasial no Colégio Paes de Carvalho e o normal na Escola Normal do Estado do Pará, diplomando-se professora em 1943.
Foi admitida no governo do Território do Amapá na função de professora, em 21 de fevereiro de 1945.
Atuou como orientadora nos Grupos Escolares da Capital.
Exerceu o cargo de regente do Grupo Escolar Barão do Rio Branco de 1945/1947; diretora do Barão do Rio Branco nos anos 1952/1957; 1959/1960 e 1962; orientadora do Ensino Primário nos anos de 1949/51, 1961 e 1964; diretora da Escola Normal de Macapá, 1957; e diretora do Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Macapá, 1974.
Graziela Reis de Souza era uma mestra eficiente, respeitada e criativa.
Por onde passou deixou um rastro de dignidade, de liderança e de dedicação à Educação no Amapá.
A grande mestra veio a falecer no dia 5 de fevereiro de 1980, e os educadores do Amapá numa homenagem póstuma, deram seu nome a um dos estabelecimentos de ensino do Amapá, ex-Escola Estadual Graziela Reis de Souza, atual Centro de Educação Profissional Graziela Reis de Souza.
(Fonte: Personagens Ilustres do Amapá Vol III - Coaracy Barbosa, edição não impressa - via APES)

RUMO: A revista que projetou o Amapá

(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)
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(Foto: extraída do blog da Alcinéa)
Na foto acima, capa da edição nº 1 da revista literária RUMO que circulou em novembro de 1957.
"Há 54 anos era lançada no Amapá a revista Rumo, que chegou a circular em todo o Brasil e contava com correspondentes em vários estados. Era uma revista mensal, e circulou por três anos. Preço de capa: Cr$ 20.
O fundador e diretor-responsável era o poeta Ivo Torres.
(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)

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(Foto extraída do blog da Alcinéa)
Ano 1960 - Ivo Torres e Álvaro da Cunha no lançamento da antologia Modernos Poetas do Amapá, editada pela Rumo.
Trabalharam na Rumo Alcy Araújo, Paul Ledoux, Flexa de Miranda, Arthur Néry Marinho, Waldemar Firmino, Vilma Torres, Aluízio da Cunha, Amaury Farias, John Newman e Mavil Serret, entre outros.
Considerada uma publicação de qualidade, foi identificada por críticos literários e renomados autores como um veículo de difusão cultural dos mais importantes do país. O primeiro número, que circulou em novembro de 1957, mostrava a participação do Amapá pela primeira vez em um Congresso Nacional de Jornalistas. Foi o VII Congresso, realizado em setembro daquele ano marcando o cinqüentenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). E o Amapá foi representado por Alcy Araújo.
(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)
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(Foto extríada do blog da Alcinéa)
Ano 1960 - Alcy Araújo autografando a antologia Modernos Poetas do Amapá.
O jornalista aproveitou a viagem para conhecer Brasília "e os trabalhos que se realizam no Planalto goiano para a instalação da futura capital do país". Isto rendeu a matéria "Brasília – obra de saneadores, artistas e poetas", tendo como subtítulo "Pioneirismo e técnica moderna erguem a cidade do futuro – Uma visita aos verdes altiplanos de Goiás".
Uma matéria assinada por John H. Newman abordava a cultura da seringueira no Amapá, enquanto Paul Ledoux escrevia sobre agricultura, silvicultura e pecuária, e Amaury Farias sobre latifúndio; "A música no Território Federal do Amapá" era também destaque na primeira edição da Rumo, com matéria assinada por Mavil Serret.
Esta edição trazia também poemas de Fernando Pessoa, uma página de ciências, uma de economia e finanças, contos de Guy de Maupassant e de Almeida Fischer, noticiava a morte do escritor José Lins do Rêgo, falava de teatro, de educação e traçava um perfil histórico de Macapá.
A revista – que trazia artigos e reportagens enfocando os mais importantes movimentos artísticos e culturais do Amapá, do Brasil e do exterior – inseriu a cultura amapaense no contexto nacional. Suas páginas recheadas de teatro, música, folclore, sabedoria popular, eram frequentadas por ícones da época.
A Rumo foi uma das revistas do meio intelectual que deram projeção a diversos escritores locais e modernistas no país inteiro, como Fernando Sabino, entrevistado em 1959 em Minas Gerais, assim como o caricaturista do Rio de Janeiro Appe, uma das estrelas da revista de informação O Cruzeiro.
Por sua envergadura, a Rumo chegou a ter projeção internacional. "A Rumo conduz e explica o Amapá", escreveu o ensaísta Osório Nunes. Uma crítica publicada no suplemento literário do jornal Diário de Minas, em outubro de 1958, assim se expressou sobre a revista: "Encontramos suas raízes na Semana de Arte Moderna. A sua vida constitui um resultado de descentralização cultural que houve a partir daquela data e que cada vez se acentua. Se fôssemos um Carlos Drummond, Mário de Andrade, um Vinícius de Morais ou Aníbal Machado, nada nos alegraria mais do que nos saber lido lá pelos confins do Brasil, no Amapá."
Num tempo em que livros eram praticamente instrumentos de uma pequena elite, o jornalismo passou a ser utilizado como uma forma de intervenção social. Naquele momento o jornalismo tinha mais importância do que a literatura, porque ajudou a criar o impacto para despertar a sociedade mexendo com as pessoas. Para haver literatura era preciso um conjunto de coisas funcionando a um só tempo: crítica literária, leitores, debate, produção de livros, escolas... como um conjunto de elementos articulados. Daí a necessidade e a pertinência da revista Rumo, responsável pela articulação de todo um movimento que se consolidou com a projeção da obra intelectual do grupo de escritores amapaenses para além das fronteiras do Amapá.
A promoção do debate levou a revista a criar outros mecanismos de apoio à produção literária. E assim nasceu a Editora Rumo, que viria a publicar em 1960 a antologia Modernos Poetas do Amapá, o livro Quem explorou quem no contrato do manganês do Amapá, de Álvaro da Cunha (1962), e Autogeografia, livro de poesias e crônicas de Alcy Araújo (1965). A revista Rumo também deu origem ao Clube de Arte Rumo, que reunia poetas, pintores, músicos e artistas de teatro para discutir o que se fazia no Amapá e no Brasil no campo da literatura, da música e das artes cênicas e plásticas. Ao mesmo tempo em que promovia concursos de crônicas e poesias na busca de novos talentos." (Texto: Alcinéa Cavalcante(*))

(*) Jornalista e blogueira do Amapá, filha do jornalista e poeta Alcy Araújo - um dos fundadores da Rumo.

Editorial do nº 1 da Rumo

"Uma revista de arte e cultura sempre evidencia um salto para o futuro. Uma nova publicação nascida de gente moça, naturalmente, pela seiva entusiasta que lateja, deixa no clima um nervosismo saudável. A revelação revolucionária de coisas inéditas. A quebra do silêncio. A casa limpa, com sol, sem teias de aranha.
Uma coletividade só representa alguma importância, sua voz é notada, seus filhos autenticados e o nome guardado e reconhecido – pela sua cultura.
O Território do Amapá orgulha-se de ser uma terra alfabetizada. Onde o índice de gente analfabeta é ínfimo.Com seus inúmeros estabelecimentos de ensino derramando, todos os anos, jovens instruídos, capazes de fortalecer e solidificar o seu corpo intelectual. Autêntico exemplo num Brasil triste que tateia, com a maioria do seu povo, sem saber ler.
Era necessário, portanto, um elemento coordenador para recensear e arar esse imenso e futuroso campo de inteligências. Duas tentativas já haviam sido feitas, com as publicações Latitude Zero e Mensagem. Mas estas tiveram, unicamente, o mérito de serem pioneiras de uma missão, que as suas forças, ainda verdes, não souberam agüentar.
Rumo, aproveitando essas experiências, através de um grupo de moços idealistas, estudiosos e cônscios do trabalho e responsabilidade da empresa, propõe-se a resolver e semear a terra intelectual amapaense.
Por certo, muitas noites se tornarão brancas. Mas a colheita não há de tardar.

Ivo Torres, Diretor-responsável"

(Fonte: Matéria publicada, originalmente, no jornal Observatório da Imprensa em 27/11/2002, sob o título "A Marcha do Tempo - Rumo: A revista que projetou o Amapá".