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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

MEMÓRIAS DE MACAPÁ: O LEÃO AZUL DO BAENÃO É MACAPAENSE

O LEÃO AZUL QUE ESTÁ NO BAENÃO É MACAPAENSE (E “irmão” dos dois que estão nas sede da OAB/AP, em Macapá)

(Foto: Via WhatsApp)

A icônica estátua do Leão Azul no estádio Baenão, em Belém/PA, foi esculpida em Macapá, pelo português Antônio Costa, cuja oficina de trabalho foi erguida no terreno da Loja Maçônica Duque de Caxias, por trás do templo, localizado à Av. Coriolano Jucá, 451 no Centro da capital amapaense. 

Antônio Costa era maçom e fabricava ladrilhos para piso de residências e órgãos públicos de Macapá, nas cores branco e preto. Os pisos originais do Hospital Geral de Macapá, Maternidade de Macapá, Grupos Escolares, Fórum e de outros prédios eram verdadeiros tabuleiro de damas (mosáicos). 

Os dois leões existentes na frente do antigo Fórum, atual sede da OAB/AP foram esculpidos por ele, a  partir de uma forma confeccionada pelo Sr. Jorge Marceneiro (já falecido) que residia no bairro do Trem, na quadra dos Escoteiros do Mar Marcílio Dias.

O historiador Nilson Montoril cita detalhes sobre a confecção e doação do Leão Azul: “ Meu tio paterno Hermano de Araújo Jucá(mazaganense), apaixonado torcedor do Clube do Remo, encomendou ao seu Antônio Costa, um leão para ser doado ao "Clube de Periçá". Uma vez esculpida, a peça foi pintada de azul. Hermano Jucá era sobrinho de Cândido Jucá, um dos organizadores do "Grupo do Remo", que alterou sua denominação. Na época em que a doação do leão macapaense foi concretizada, integrava a diretoria azulina de Antônio Baena o médico Roberto Macedo, meu primo e sobrinho de Hermano Araújo. Para transportar o leão para Belém, tio Hermano recorreu aos préstimos do cunhado Francisco Jucá do Nascimento, que era o comandante do navio Oiapoque, pertencente ao SENAPP (Serviço de Navegação e Administração dos Portos do Pará). O navio fazia a linha Belém/Oiapoque/Belém, com escalas em Curumum, Curralinho, Breves e Macapá. Numa das viagens, ao aportar em Macapá, o Comandante Nascimento aproveitou a estada para visitar seus parentes, entre eles Hermano Jucá. Ao pedir ao tio Chiquinho Jucá, que levasse o leão para Belém, tio Hermano engoliu em seco a resposta: " levo sim, mas o bicho deve ir enjaulado e acorrentado, acomodado no porão. Não posso deixar os tripulantes e os passageiros correrem risco algum". O Comandante Jucá era torcedor do Paysandu e não iria perder a oportunidade de fazer gozação com o primo. Na volta do navio Oiapoque, o caixote com o leão já estava na cabeça do trapiche Eliezer Levy, pronto para embarcar. Uma outra gozação foi feita ao tio Hermano: " Diz ao pessoal do Remo, que vá receber o caixote na Bacia, senão mando jogá-lo no Guajará". O leão azul nascido em Macapá, continua soberano e ornando o Estádio Evandro Almeida. Ele é cópia fiel dos leões da sede da OAB/AP, em Macapá.”

O monumento permanece no lugar de sempre, no escanteio do gol que fica para a travessa 25 de setembro.

Via Facebook 

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

PROFESSORA ELSA TEÓFILO KÖHLER DA CUNHA – 96 ANOS, BEM VIVIDOS!

Elsa Teófilo Köhler, filha única de Ricardo Köhler e Julia Theophilo Köhler, nasceu na terça-feira, 13/10/1925, em Manaus, capital do Amazonas.

Em 1942, concluiu o curso secundário no Colégio Dom Bosco, em Manaus/AM, dois anos depois, concluiu o Curso de Piano, na Escola Musical Ana Carolina, apresentando um recital de piano, no Teatro Amazonas. A Escola era reconhecida pelo Conservatório de Música Joaquim Nabuco, de Manaus/AM, tendo como professora a Sra. Aline Marçal de Carvalho Ferreira.

Casou-se em 27/05/1944, com Antenor Ferreira da Cunha, bancário e formado em Contabilidade, passando a assinar, Elsa Teófilo Köhler da Cunha. Ele exerceu o cargo de Subgerente e Gerente, no Banco da Amazônia, em várias cidades da Região Norte e Nordeste, inclusive, em Macapá, cidade que aprendeu a amar, e lá permaneceu até os seus últimos dias de vida.

Antenor e Elsa tiveram 7 filhos: Themis Köhler da Cunha Kuribayashi (Miss Amapá 1963), Pedro Ricardo Köhler da Cunha (in memorian), Thelma Köhler da Cunha, Celene Köhler da Cunha, Ava Köhler da Cunha Souza, Elizabeth Köhler Cunha de Toledo(Miss Amapá 1977) e Evanita Köhler da Cunha.

Em razão do cargo que seu marido ocupava, professora Elsa teve de residir em diversas cidades diferentes.

Em 1955, professora Elsa assume a Diretoria do Jardim da Infância Hipólito Corrêa, em Parintins/AM.

Em 15/02/1962, chega a Macapá, quando o Amapá, ainda era Território Federal.

Em 1963, é designada ao cargo de Diretora do Conservatório Amapaense de Música, pela então Diretora da Divisão de Educação, Prof. Aracy Miranda de Mont’Alverne, no governo de Terêncio Furtado de Mendonça Porto, quando exerceu, ao mesmo tempo, a função de Professora de Piano, devido à escassez e dificuldade de encontrar profissionais qualificados na época.

Ao longo dos anos, no cargo de direção, promoveu vários recitais de piano, realizados por alunas e professoras, com participação especial em número de canto lírico com sua belíssima voz. Mais tarde, foram sendo introduzidas apresentações de violão e coral.

Entre suas atuações, destaca-se sua participação na Comissão Julgadora no I Salão de Artes Plásticas do Amapá, em 1973 e no I Festival Juvenil da Canção Amapaense, em 1975; participou com número de canto na Festa Anual da Escola de Música Walkiria Lima, antigo Conservatório Amapaense de Música, em 1985.

Elsa Köhler, dirigiu o Conservatório Amapaense de Música, até 1980, e continuou como professora até sua aposentadoria, em 1985.

Em 1988, fica viúva, com o falecimento do senhor Antenor Ferreira da Cunha.

Em 1990, a Escola Walkiria Lima dedica seu recital de final de ano, exclusivo a ela e no ano seguinte (1991) coroa suas homenagens com a entrega de um documento oficial, destacando e agradecendo seu brilhante trabalho e colaboração aos anos dedicados àquela entidade.

Professora Elsa Teófilo Köhler da Cunha, um exemplo de força, coragem e determinação, continua firme, forte, com amorosa dedicação à sua família aumentada com mais 14 netos e 20 bisnetos.

Ao completar 96 anos de vida, prof. Elsa recebe os parabéns e o carinho de todos – familiares, colegas, amigos e conhecidos – pelo muito que fez pela difusão da cultura do Amapá.

O editor do Blog Porta-Retrato envia felicitações e um abraço forte à ilustre aniversariante, com votos de vida longa ao lado de todos que lhe são caros.

Fonte: Família Köhler da Cunha

Fotos: Arquivo pessoal

quarta-feira, 12 de maio de 2021

FOTO MEMÓRIA DA MÚSICA AMAPAENSE: OS COMETAS

Essa foto compartilhada na Rede Social pelo baterista Walfredo Costa, trás imagens da rapaziada do Conjunto “Os Cometas”, em uma estada pela Serra do Navio.

Da esquerda p/direita: Walfredo, Nando, Luiz, Joacy, Assunção, Muscula e Pedrinho.  O fotógrafo foi o Sebastião Mont'Alverne que não aparece, claro!

Fonte: Facebook

Foto: Walfredo Costa

segunda-feira, 10 de maio de 2021

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE: A ARTE DE ESTÊVÃO FERREIRA DA SILVA

Estêvão Ferreira da Silva, artista plástico, autodidata e carnavalesco amapaense, nascido em 26 de dezembro de 1951.

Filho de Joaquina Rodrigues de Jesus, mulher negra marabaixeira e lavadeira conhecida como Tia Joaquina, no marabaixo.

Estêvão viveu uma união estável de 25 anos com Eulina Picanço Camilo, com quem teve 4 filhos: Gioconda Camilo da Silva, Eliane Camilo da Silva, Helene Camilo da Silva e Antônio VanGogh Camilo da Silva.  Eulina é filha de Maria José Picanço Camilo, prima de Raimundo Azevedo Costa, (primeiro prefeito eleito de Macapá) neta de Joaquim Mariano, o primeiro fazendeiro de gado bovino de Macapá.

Estêvão e sua mãe D. Joaquina eram amigos de Sacaca, o grande mestre da medicina da floresta. e de Alice gorda a Rainha Momo do Carnaval Amapaense, entre muitos outros.

A história de vida de Estêvão Silva, faz-se uma obra literária. Ele tinha o dom da escrita perfeita, gostava muito de ler, deixou um acervo rico de artes plásticas.

Iniciou sua carreira artística aos 18 anos, e desde então fez história na cidade, estado e país. Possui obras em vários lugares do mundo inclusive Paris

Seu mestre das artes plásticas foi R. Peixe, que sempre o tratou como filho. R. Peixe, aparece `à direita dessa foto histórica, tendo ao centro, outro artista plástico Franck Asley. Todos falecidos,

Durante sua vida Estêvão fez muitos amigos, pois além do dom da arte tinha o dom de fazer amizades com facilidade.

Sempre foi uma pessoa simples, de coração grande; sua casa era aberta a todos que buscavam trabalho no mundo das artes, sempre foi visto como um mestre por aqueles que estavam iniciando nesse ramo.

Como carnavalesco, começou sua história no carnaval da Avenida Fab. Deu títulos de campeãs à várias Escolas de Samba de Macapá. Estêvão idealizava com primor os carros alegóricos escutando o samba enredo das Escolas e dando vida a esses trabalhos artísticos.

O carnaval do Amapá começava a deslanchar com a inauguração do Sambódromo; foi então que Estêvão não mediu esforços para fazer mais uma vez, a Piratas da Batucada, campeã! No primeiro desfile no Sambódromo ele deu vida aos carros alegóricos do Piratão, fato que até hoje, é lembrado por todos os admiradores dessa Escola. Tinha por título: O corpo de Mani dádiva de Tupã.

Estevão foi reconhecido por seu belo trabalho quando o renomado carnavalesco carioca, Joaozinho 30, conheceu esse grande mestre da Cultura e da Arte, amapaenses.

A Escola de Samba Boêmio do Laguinho que foi campeã pelas mãos de Estêvão Silva, em 1999, com o enredo: Despertar de Uma Nação, Intérpretes: Macunaima e Carlos Peru. Em uma das alegorias deu vida à cobra grande que vinha girando e fumando no Sambódromo. Neste ano Boêmios saiu do segundo grupo.

A Galeria dos Prefeitos exposta na Prefeitura Municipal de Macapá foi produzida por ele de 1987 até 2002.

Estêvão foi professor de artes na Escola Cândido Portinari; seus alunos lhe fizeram uma homenagem com sua caricatura.

Em 2004 antes de sua morte, ele ainda fez um projeto chamado festa do Mairi Cunani para o Sesc Araxá; na época sua visão era fixar a cultura folclórica e indígena, para o povo amapaense começar a aderir esse costume. Em frente ao Sesc foi colocada uma Urna funerária indiana Maracá Cunani.

Estêvão idealizou junto com a Fecomércio a decoração natalina da Rua Cândido Mendes, a principal do comércio amapaense; a decoração natalina das praças também foi feita por ele, em 2004.

Estêvão estava decorando o complexo do Araxá.  Na madrugada do dia 19 de dezembro de 2004, ele caiu acidentalmente no Rio Amazonas e acabou morrendo afogado.

Na semana desse trágico acidente Estêvão Silva e, alguns amigos, estavam com uma exposição de obras plásticas, montada no salão do monumento Marco Zero. As obras lá expostas eram:  Os quadros da Fortaleza de São José de Macapá, da Índia nua, da Onça, do Índio na floresta e de uma Arara em mosaico. Essas foram as obras lembradas por sua família, pois seus filhos não souberam informar quem realmente as comprou, pois eram as únicas que Estevão havia deixado de legado.

Em 2005 o bloco do LaguinhoFilhos da Mãe Luzia” fez uma homenagem para ele no desfile dos blocos, com o enredo: Mãe Luzia de mãos dadas com Estêvão Silva com mãos de Ouro colorindo toda a vida. Intérprete Adail Júnior.

Fonte: Facebook

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pe. Lino Simonelli

(Foto: Reprodução de livro)
Nasceu em Papetto di Tresana Massa - Carrara, na Itália, em 10 de junho de 1913, filho de Ernesto Simonelli e Enrica Orlandi, agricultores. Estudou na escola em Tresana, no Seminário de Massa, e formou-se em Teologia em Milão, ordenando-se padre em 24 de setembro de 1938. Começou a trabalhar imediatamente na função de Sacerdote-Missionário do PIME, tendo inclusive participado na 2ª Guerra Mundial, convocado em 28 de outubro de 1940, servindo como capelão com a patente de tenente na Albânia e na Grécia. Terminada a guerra em 1944, ficou ainda no Exército italiano como capelão até o final de 1947, quando foi designado para servir no Brasil. Chegou a Macapá, no dia 25 de junho de 1948, em companhia dos padres Carlos Bussanini, Luiz Vigano, Mario Limonta, Jorge Basile e do Irmão Francisco Mazzoleni.
De 27 de junho de 1948 a 22 de junho de 1952, exerceu a função de Vigário da igreja de São José; Pastoral Paroquial no Sul do Brasil, em 19 de fevereiro de 1957; Superior Regional do PIME de 07.03.1978 a 30.03.1981; Coadjutor da Paróquia. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Santana, em 18.05.1973; gozou férias na Itália, no período de 18.06.1973 a 11.04.1977; colocou a pedra fundamental da igreja de N. S. de Fátima no dia 23 de maio de 1980.
(Foto: Reprodução / Paulo Tarso Barros)
(Foto by Paulo Tarso Barros)
A sensibilidade artística do padre Lino está demonstrada na pintura das telas da "Os Desterrados" ou "Fuga para o Egito" (foto acima), retratando a Sagrada Família fugindo sobre o burrinho, localizado no lado direito do altar.
(Foto: Reprodução/Paulo Tarso Barros)
(Foto by Paulo Tarso Barros)
... e "São José Carpinteiro e o Menino Jesus"(foto acima), localizada do lado esquerdo do altar-mor.
Juntamente com o padre Vitório promoveu a exibição filo-dramática de operetas traduzidas do italiano, para os funcionários da ICOMI na Serra do Navio e o "staf" do governo amapaense.
Era desportista e torcedor do Oratório. Em uma partida contra a Guarda Territorial, formada de atletas famosos, o time do Padre Vitório era tido como perdedor de goleada.
Padre Lino chegava junto aos garotos e ameaçava: "se vocês perderem cada um vai comer sua camisa"; "se for necessário, quero ver vocês reduzidos a um montão de ossos, mas com a bandeira da vitória fincada no meio"; "vou contar pra tua namorada que tu fazes pipi na cama". E o oratório ganhou de 5x2. Nossa criançada vibrava, o Chefe Humberto Santos comentava os lances "Noventa e Um" (Expedito Cunha Ferro) sentia-se gratificado e o padre Lino sorria de suas peraltices e distribuía refrescos para os seus meninos. Padre Lino mudou a fisionomia, não está mais jovem, seus cabelos ficaram brancos, mas seus olhos brilham como antigamente, demonstrando lucidez e saúde. Continua com suas paixões: sempre admirou e criou líderes. Depois foi transferido para São Paulo e nomeado diretor espiritual do seminário São Pio X, em Assis. No ano de 1963 foi pároco da Catedral de Assis. No ano de 1971, participou do Capítulo Geral e em 21 de janeiro de 1974, retornou na sua missão no Amapá. No ano de 1978, depois de um ano "ad interim" foi eleito Superior Regional da Região Amapá. Terminou o seu mandato em 1981 e permaneceu na Casa Regional do Amapá, prestando um bom serviço na casa e na diocese, onde era muito empenhado no ministério na paróquia e no hospital.
Pe. Simonelli voltou para a Itália em 2002 para ser submetido a uma cirurgia e em seguida foi hospedado na Casa Pime em Rancio di Lecco, onde animava a comunidade com o seu bom humor. Pe. Lino Simonelli, faleceu em Rancio di Lecco no dia 20 de agosto de 2008, com 95 anos de idade. Padre Lino Simonelli, um personagem importante do Amapá.
Fonte: Dados extraídos do Livro “Personagens Ilustres do Amapá” de Coaracy Barbosa Vol. II – 1998

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...