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segunda-feira, 14 de abril de 2025

HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CAMISA DEZ

GIGANTES DA COMUNICAÇÃO TUCUJU

Contador: Humberto Moreira

A gente se esbarrou pela primeira vez no IETA, logo depois que aquele educandário mudou de nomenclatura. Quando eu estava começando o ginasial ainda era Escola Normal, atuando na formação de professores.
João Lázaro
Foi nos corredores do Instituto que vi aquele jovem negro, de compleição física avantajada, que estudava em outra turma. Logo depois entrei para o escotismo e fui encontra-lo no Centro Educacional do Laguinho. Ficamos nos conhecendo porque, havia na Sede dos Escoteiros da Tropa Veiga Cabral um alto falante, tipo “Buca de Ferro” como se costumava chamar na época. O alto-falante estava sob o comando do saudoso José Roberto Santos, chefe da Alcatéia de Lobinhos e goleiro no São José dos melhores tempos. A gente tinha interesse em fazer parte da comunicação do Centro e começamos ali nossa relação de amizade que perdura até hoje. Participamos de vários acampamentos comandados pelo Chefe Humberto Santos, em lugares como Abacate da Pedreira, Ilha de Santana e Aporema. A única diferença foi que ele gostava de fazer programas musicais e eu estava mais interessado na transmissão de jogos de futebol. Essa nossa paixão pela comunicação nos levou às duas emissoras de rádio que existiam na época. João Lázaro foi para a Rádio Educadora e eu desembarquei na Difusora.

Por conta do meu fanatismo pelos Beatles eu estava sempre ligado nos programas comandados pelo Janjão na emissora da Prelazia. Músicas como Let it be ou The fool on the hill eu ouvi pela primeira vez na Educadora. A rádio dos padres era um pouco mais moderna que a nossa RDM. Naquela época produzia-se programas com cortinas musicais características e o Janjão era exímio em escolher os BJs dos seus horários. Além da seleção musical que refletia o gosto apurado do Disk Jokey.
Ainda na Educadora o meu amigo comandou um programa denominado ANRÊ, que eu confesso que nunca fiquei sabendo do que tratava o título. Mas era um programaço.
Para a minha surpresa, certo dia anunciaram que o João Lázaro estava mudando para a RDM. No primeiro momento pensei com os meus botões que a programação musical da Pioneira, principalmente nos fins de semana, ia dar um salto de qualidade. E foi o que aconteceu. Lázaro virou funcionário da mineradora ICOMI e eu já estava integrando aos “Milionários” que era o grupo musical do Santana Esporte Clube. Assim a gente também se via na sede do Canário Milionário. Foi lá que fiquei sabendo que ele fez amizade com pessoas dos navios estrangeiros que aportavam em Santana, para transportar Manganês para a Europa ou Estados Unidos. E era assim que ele conseguia as novidades musicais de grupos como Beatles e Rolling Stones.
Quando deixou a ICOMI o nosso colega desembarcou de vez na Difusora. De sorte que, quando a Radiobrás encampou a emissora do governo do então Território, Lázaro foi escolhido primeiro diretor. A essa altura ele já era funcionário da Prefeitura Municipal de Macapá. Quando ele assumiu a direção da Rádio eu e Milton Barbosa estávamos em Boa Vista, na cobertura do Copão da Amazônia e recebemos um Fax, dando conta que a partir daquele dia a RDM passaria a ser Rádio Nacional de Macapá. Voltamos da nossa missão receosos de não fazer parte da nova emissora. Mas logo assinamos contrato e ficamos quase 10 anos na empresa. João Lázaro exerceu a direção da emissora por mais algum tempo e depois integrou-se de vez à Prefeitura onde permaneceu até se aposentar.
Hoje ele vive em São José dos Campos, Estado de São Paulo, de onde comanda um blog muito considerado por seus leitores e seus colegas de rádio. O Porta Retratos se mantém fiel à Memória do Estado do Amapá. Há pouco mais de um ano encontrei o João Lázaro na Tiradentes, saindo de um Super Mercado. Ele esteve aqui cuidando de seus interesses e coincidentemente a gente se encontrou na rua. E foi uma festa. Não tenho a menor dúvida em reconhecer que João Lázaro da Conceição e Silva é um dos Gigantes da Comunicação Tucuju.

Nota do Editor : Agradeço ao amigo e confrade Humberto Moreira a deferência de ter colocado meu nome na pauta de suas Histórias e Memórias de Macapá. Trilhamos juntos essa jornada na área da Comunicação Tucuju, graças ao aprendizado que tivemos de grandes ícones do Rádio Amapaense, nossos mestres, nessa fascinante profissão! A recíproca é verdadeira, Humberto. Grande abraço!

sábado, 5 de abril de 2025

HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CAMISA DEZ

GIGANTES DA COMUNICAÇÃO TUCUJU

Contador: Humberto Moreira

O Galo de Ouro

Quando escolhi o rádio para ser minha forma de sustento, dei de cara com um monte de gente de quem eu já era admirador desde a minha época no Clube do Guri. Assim foi que, conheci de perto, gente como Pedro Silveira, Edvar Mota, Edna Luz, Benedito Andrade, Luciano Amaral, Benedito Silva, Silas Assis, Carlos Pontes Ernani Marinho e muitos outros. Todos eles faziam parte da Rádio Difusora, emissora que me receberia como integrante da Equipe Esportiva da RDM e onde atuou até hoje.

Desde o dia em que passei naquele teste aprendi e continuo aprendendo com os companheiros que tive e tenho na antiga ZYE-2, “uma voz do Amapá a serviço do Brasil.” Quando comecei pensei que não me demoraria muito. Meu sonho era fazer um curso de nível superior, se possível, em Belém, onde a família da minha mãe era numerosa. Porém fui que fui ficando, como diz a música do meu amigo Eudes Fraga. Daí quando dei por mim estava inteiramente envolvido com essa profissão fascinante. Passei a apresentador de programas musicais, narrador esportivo, noticiarista, repórter, discotecário e até rádio ator, sob o comando da professora Creuza Bordalo. Quando senti que dava, fui para a Faculdade para juntar experiência e teoria.

E continuei bebendo na fonte dos mais antigos, coisa que muito jovem não gosta de fazer. Eu gosto de ouvir as pessoas mais experientes e sei que sempre posso extrair algo positivo deles.

Mas ao longo dessa trajetória algumas figuras foram muito importantes. E por enquanto não estou falando de diretores ou comunicadores famosos. Deles conto em outra oportunidade, pois cada um teve sua influência no meu trabalho e afinal, nada se cria, tudo se copia, já dizia Abelardo Barbosa. Estou falando dos auxiliares, aqueles que te ajudam a ir pro ar diariamente e às vezes convivem conosco durante anos fazendo parte da atividade fim de uma emissora de rádio.

Por isso vou me reportar sobre o meu saudoso amigo Orivaldo Leão dos Santos, que conheci como vendedor de salgadinho na frente da RDM. Filho de família humilde, que veio do interior do Pará, Orivaldo vendia os produtos fabricados por seus familiares, para ajudar no sustento da família. Acontece que a turma da rádio nem sempre tinha dinheiro pra pagar na hora e o meu colega deixava passar alguns fiados. O problema era receber, porque alguns queriam ludibriar o vendedor. E isso dava uma confusão danada. Orivaldo queria sair no braço com alguns devedores.

Naquela época o Brasil cultuava o boxeador Eder Jofre, que havia conquistado o título mundial de Peso Galo, numa luta no Japão contra Massahiko Harada. Jofre passou a ser conhecido como Galo de Ouro porque sua esquerda era poderosa e já tinha criado problemas para muitos adversários. Ele veio a Macapá para uma exibição no Glicério Marques.

Justo na época em que o nosso vendedor de pastel já tinha se desentendido com alguns fregueses lá na Difusora. Observador como ele só, Pedro Silveira sapecou o apelido no Orivaldo. E o pior é que pegou. Dalí em diante o garoto do salgadinho ganhou a  alcunha de GALO DE OURO. Como ele estava sempre na rádio a direção da emissora arrumou um lugar de zelador para o nosso amigo. Nas horas em que não estava executando a limpeza do prédio, ele peruava na técnica. Dessa forma não demorou muito para virar controlista da RDM. Fui um dos primeiros a anunciar a presença do “Galinho” como técnico de som.

A gente gostava de trabalhar juntos. Principalmente nas transmissões esportivas onde o meu amigo era um craque. Mas ele também era um excelente conhecedor de boa música. Tanto que eu cansei de deixar a seleção musical dos meus programas sob sua responsabilidade. E como quem trabalha no rádio aprende vendo os outros fazerem, Orivaldo passou para o microfone. Ele produzia um programa musical chamado “Toca tudo” que durante um bom período foi o campeão do recebimento de cartas pedindo música. Sua audiência, principalmente na Zona Ribeirinha, era incontestável. Aos domingos os ouvintes vinham chegando cedo e se reunindo na garagem da rádio para conhecer o apresentador. E enchiam o apresentador de mimos como peixe, frutas etc.

Quando a Radiobrás encampou a Difusora, Orivaldo já estava no quadro federal e ele não foi incluído na equipe da Nacional. O meu amigo Galo voou para outras emissoras FMs e foi trabalhar com outros profissionais. Ao mesmo tempo passou a atuar como funcionário da DANF, um órgão que representava os funcionários federais no Amapá. Foi lá que o encontrei algumas vezes e onde a gente se lembrou do muito que produzimos nas comunicações do Estado.

A partida de Orivaldo Leão dos Santos aconteceu de forma surpreendente e prematura, pois eu tenho a impressão que ele ainda não havia chegado aos 60 anos. Hoje quando estou falando ao microfone em alguma atividade na Pioneira penso nele. No Galinho de Ouro. Companheiro fiel e profissional dos melhores com quem trabalhei. Seu legado não será esquecido por quem conviveu com sua dedicação e extrema competência.

VOA GALO.

Via Facebook

NOTA DO EDITOR -- Orivaldo Leão dos Santos, faleceu dia 29 de agosto de 2019, aos 64 anos.

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sábado, 29 de março de 2025

HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO CAMISA DEZ

GIGANTES DA COMUNICAÇÃO TUCUJU

Contador: Humberto Moreira

O Sapiranga

Macapá ainda era somente a capital de um longínquo Território Federal, criado por Getúlio Vargas na década de 1940. A administração, comandada pelo Capitão Janary Nunes, começava a implantação de ferramentas que beneficiariam a população crescente, composta quase sempre de funcionários públicos e suas famílias. Dentre esses mecanismos estavam os colégios construídos pelo governo. Um deles era a Escola Industrial atuando no modelo semi-internato, que recebia jovens da capital e do interior nos diversos cursos profissionalizantes. Lá os alunos escolhiam entre Fundição, Gráfica, Eletricista, Alfaiataria, Tornearia etc. A Escola era o sonho de muito aluno que almejava entrar no mercado de trabalho conhecendo uma profissão.

Do curso de serviços gráficos saíram muito jovens que participariam do trabalho de divulgação do Diário Oficial do Território. Orientados por profissionais vindos do Estado do Pará (principalmente), esse grupo passou a atuar também nas oficinas de publicações impressas como a Voz Católica e outros jornais que circulavam na Macapá de então.

E foi na gráfica da Voz Católica que conheci aquele sujeito magérrimo, bem falante e bem informado, que exercia lá a função de tipógrafo. Eu via quase sempre no Estádio Glicério Marques. Naquela época os jornais eram compostos de forma manual e antes da impressão o texto era entregue ao tal tipógrafo, que fazia a composição da página letra por letra para que depois houvesse a prensagem. Era um processo complicado que hoje se resume em alguns minutos de trabalho num computador.

Esse meu amigo era do antigo bairro da Favela. Seu nome era Milton Barbosa, mais conhecido por Sapiranga, apelido que ganhou dos seus colegas na Casa dos Padres.

O Sapiranga batia uma bola legal e chegou a ir a São Luiz do Maranhão numa seleção que disputou um Brasileiro de Futebol de Salão. Ele também ensaiou uma participação no campeonato amapaense de futebol vestindo a camisa do Amapá Clube. Não deu muito certo.

A prelazia de Macapá havia comprado uma máquina chamada Linotipo, para compor a Voz Católica de forma automática, dispensando o uso do tipógrafo.

Identificado com o mundo futebolístico o nosso Milton, que torcia também pelo Fluminense, passou da Gráfica para a iniciante Rádio Educadora. Lá começou sua longa carreira de radialista. E foi de lá que ele saiu para integrar a Equipe de Esportes da Rádio Difusora, onde eu já estava havia algum tempo.

A ida do Milton Barbosa para a RDM foi como cair a sopa no mel. A gente ama o futebol até hoje. Gostávamos muito de pescarias, intermináveis disputas de bilharito e muito bate papo. Nossa vidinha girava em torno dos jogos do Campeonato Amapaense, Copão da Amazônia e alguns jogos amistosos com o time da rádio em lugares como Maruanum,  Ambé e Serra do Navio.

Não deu outra. Viramos compadres. Dei o meu Saulo, caçula do primeiro casamento, pra ele batizar tendo a Crioula (já falecida) como madrinha.

A gente estava em Boa Vista RR quando a Radiobrás instalou aqui a Rádio Nacional substituindo a Difusora. Aliás recebi um Fax informando que, daquele dia em diante, seria Rádio Nacional de Macapá. Falei pro meu compadre que perigava a gente ficar fora do quadro da nova emissora. Voltamos de Roraima com o coração na mão. Mas quando chegamos fomos chamados pela administração para assinar contrato. Creio que se a gente não estivesse transmitindo o Copão teria sobrado. E trabalhamos juntos no jornalismo cotidiano, no rádio esportivo e até na administração da emissora, já que assumi por um período a gerência da casa.

Eu saí antes dele. A Radiobrás ficou no Amapá por 10 anos, mas eu saí um ano antes da Nacional ser devolvida. Veio o concurso para o governo do Estado e eu fui um dos primeiros aprovados na categoria de Agente de Comunicação Social. Lá fui eu de volta para a RDM e o Sapiranga estava lá. Continuamos nossa longa amizade.

A vida avança e a idade faz suas cobranças. Meu compadre velho de guerra adoeceu e teve que se afastar do rádio. O nosso Sapiranga foi acolhido por uma filha no município de Santana, onde fincou raízes e começou um longo tratamento. Confesso que não o vejo há mais de uma década. Contaram-me que ele esteve na festa de aniversário do Glicério Marques e perguntou por mim. Infelizmente não pude comparecer. Mas quero deixar aqui o meu agradecimento pela substancial ajuda que recebi desse ser humano fantástico chamado Milton Barbosa. Mesmo estando tanto tempo longe lembro de tudo que desenvolvemos na radiofonia amapaense, através deste veículo fascinante que é o Rádio. Saiba que o seu nome é uma bandeira da comunicação deste Estado. Sei que Deus é justo. E se ele tiver uma rádio lá em cima e me for dado o privilégio de escolher a minha equipe, você será um dos primeiros a ser chamado. UM ABRAÇO MEU COMPADRE.

Via Facebook

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