quinta-feira, 20 de julho de 2017

Foto Memória da Mineração Amapaense: Primeiro trem de minério passando em Porto Platon.

Nossa Foto Memória de hoje, registra raro momento da chegada da primeira composição carregada, em janeiro de 1957, vindo de Serra do Navio e passando em frente à estação de Porto Platon.
O trem vinha tracionado pela locomotiva SW 1200 nº 3 e trazia 18 vagões carregados de manganês de Serra do Navio. 
Na cauda, o vagão usado pelo pessoal da montagem da ferrovia.
Era um vagão misto, com compartimentos de dormitório, poltronas e espaços para transporte de cargas e ferramentas.
Foi usado na primeira viagem, com os engenheiros, técnicos e pessoal operacional, que vieram acompanhando o primeiro trem de minério

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Fotos Memória da Mineração Amapaense: A Ambulância rodoferroviária Chevrolet Amazona, da ICOMI

Em dezembro de 1959 a Chevrolet lançou o utilitário "Amazona" (grafado sem o "s", mesmo)destinado aos serviços da cidade e do campo. Foi uma adaptação da pick-up (carga) para veículo rural de passageiros.
Em conjunto com a pick-up Chevrolet Brasil, ambos tinham um motor de seis cilindros de linha, de 142 CV, com 3.100 cc, daí a nomenclatura da série de Chevrolet 3100.
A Chevrolet 3100, mais conhecida como Chevrolet Brasil, foi a primeira pick-up GM produzida no Brasil. Seu lançamento ocorreu em julho de 1958 e foi substituída em 1964 pela linha C-10.
O Chevrolet Amazona era um automóvel amplo, com oito lugares, com uma terceira porta lateral esquerda. Na traseira, a tampa era aberta totalmente. Em 1962 foi reestilizada, ganhando quatro faróis na nova grade dianteira. Com a suspensão de eixos rígidos e molas semielípticas. Câmbio de três velocidades com acionamento por uma alavanca na coluna da direção. Peso líquido do veículo: 1850 kg. Capacidade de 650 kg de carga útil. Foram produzidas 2626 amazona até 1963, quando foi substituída pela Chevrolet veraneio.
O veículo rodoferroviário da ICOMI, foi adaptado de uma amazona ano 1962 configurada e montada como uma ambulância. Mantinha a mecânica básica do Chevrolet Amazona 3100, com os adaptadores ferroviários sendo acionados hidraulicamente. A bitola original dos eixos da Chevrolet Amazona eram originais, adaptando naturalmente sobre a bitola dos trilhos. Quando os adaptadores das rodas ferroviárias ficavam abaixados, o movimento se dava pelo contato dos pneus traseiros com os trilhos, permitindo o deslocamento do veículo. Foi emplacada com a chapa de série NFB 1972 de Santana - AP. Esteve ativa até final dos anos 70. Atualmente está desativada mas mantém todas as suas características originais preservadas, inclusive a pintura refeita nas cores amarelo e vermelho da Icomi.
O estilo clássico dos automóveis americanos dos anos 60 presente na ambulância rodoferroviária Chevrolet Brasil Amazona C 3100, ano 1962; linhas arredondadas e volumosas feitas de grossas chapas estampadas. São linhas sóbrias e pesadas, acompanhando o estilo adotado para os veículos de carga da Chevrolet. Esse modelo tinha a proposta de ser um utilitário cidade e campo, com grandes espaços internos, resistência para suportar as rudes estradas brasileiras e um potente motor de 6 cilindros, à gasolina com 3.100 cc³, desenvolvendo apenas 142 CV a 2.800 rpm. De interior simples e despojado, com o painel em chapa metálica, e um pequeno painel de indicadores analógicos. Acabamento interno tosco, com forramento em courvin. 
Vista dianteira da ambulância rodoferroviária. 
A grade dianteira foi reestilizada com os quatro faróis e o farolete. Importante ressaltar que esse veículo não vinha montado com luzes de seta ou pisca-alerta. A carroceria é montada no chassi através de calços de borracha. Os para-choques são lâminas de aço aparafusadas nas extremidades da longarina do chassi. Por essa época o conceito de segurança era um veículo extremamente rígido e resistente à qualquer batida ou colisão. Nenhum veículo vinha de fábrica com cintos de segurança ( hoje um ítem obrigatório ) e todos os passageiros viajavam soltos. 
Lateral direita e traseira da ambulância (porta traseira abrindo em duas metades para os lados). 
Nessa configuração não há a terceira porta do lado direito para acesso ao banco traseiro (que fora suprimido para ser montada uma maca). A versão popular saía da linha de montagem com a porta traseira somente do lado direito. As lanternas traseiras eram pequenas e apenas com faroletes e luzes de freio. Os paralamas eram aparafusados no arcabouço central, com frisos metálicos laterais para enfeite. Nas portas dianteiras foi montado um estribo externo, que se abriam através de maçanetas metálicas salientes.
Lateral direita e porta do carona.
A carroceria foi modificada para a versão ambulância, com acesso apenas pela parte traseira. A janela traseira é única, em duas seções montadas em uma canaleta corrediça. Entre a cabine do motorista e o compartimento da ambulância havia uma divisória com uma área envidraçada. 
O longo capú do motor entre os dois paralamas dianteiros compondo a grade do motor. 
Na frente e atrás foram montados os dispositivos para permitir o deslocamento sobre os trilhos. Os pequenos rodeiros foram montados em braços articulados, presos nas extremidades do chassi. As articulações para abaixar e levantar os braços eram acionadas através de um sistema hidráulico bastante simples. Para o deslocamento sobre os trilhos, a ambulância simplesmente subia sobre os trilhos, alinhando as quatro rodas sobre eles. Interessante notar-se que a distância entre as rodas era a mesma bitola entre os trilhos, com isto, todas as rodas ficavam em contato permanente com o boleto do trilho. Logo a seguir eram abaixados os braços com os pequenos rodeiros metálicos sobre os trilhos. A finalidade dos rodeiros era apenas guiar o veículo sobre os trilhos e a tração era feita pelo próprio pneu traseiro da ambulância, que funcionava como um veículo normal, exceto pela direção que era dada pelos rodeiros. Essa ambulância foi intensamente usada na maioria dos casos de atendimento de urgência, à qualquer pessoa que morasse na Vila operária de Serra do Navio ou no entorno da ferrovia e que necessitasse urgentemente ser deslocada para Macapá. Ela tinha preferência de tráfego sobre qualquer tipo de trem. 
Lateral esquerda e porta do motorista. 
São compartimentos totalmente independentes onde ficavam separados os equipamentos de urgência médica.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Fotos Memória da Mineração Amapaense: Assentamento da Estrada de Ferro do Amapá

A Estrada de Ferro do Amapá, construída entre fevereiro de 1954 a outubro de 1956, na Amazônia oriental, liga Serra do Navio a Santana, no estado do Amapá com 193 km de trilhos. Foi projetada para transportar o minério de manganês da Icomi entre a mina localizada no interior do estado e o porto de Santana, distante a 12 km da capital, Macapá. Durante 41 anos transportou mais de 34 milhões de tons do minério, além de cargas diversas. Findo este tempo foi repassada aos poderes públicos, ficando sob responsabilidade do estado.
Dormentes assentados sobre o lastro, prontos para receber os trilhos.
Esse trecho é na saída da ponte do Rio Amaparí, no sentido de Serra do Navio. 
A Estrada de Ferro Amapá é a única ferrovia brasileira construída na bitola padrão de 1.435 m.
Sua situação geográfica: no extremo norte do Brasil, acima da linha do equador, do lado das margens esquerdas do Rio Amazonas.
Foi a quarta ferrovia construída na região amazônica, sendo posterior à Estrada de Ferro de Bragança [1883 a 1958, 222 km de Belém (PA) a Bragança (PA), bitola de 1,0 m.], Estrada de Ferro Madeira Mamoré [1907 a 1972, 364 km de Porto Velho (RO) a Guajará-Mirim (RO), bitola de 1,0m.)] e Estrada de Ferro Tocantins [1908 a 1967, 118 km de Alcobaça (atual Tucuruvi)(PA) a Jatobal (PA), bitola de 1,0m.)].Na época, todas as ferrovias do sul operavam com bitolas métricas de 1,0 m. ou largas de 1,60 m. Entretanto, nos Estados Unidos, seguindo o modelo europeu, já era amplamente adotada a bitola padrão de 1.435 m. em quase todas as suas ferrovias.
Montagem dos trilhos sobre os dormentes alinhados e nivelados sobre o lastro.
Como o projeto e os materiais da ferrovia eram totalmente fornecidos pelos americanos, a adoção desta bitola facilitaria a aquisição dos materiais para a via permanente e para o material rodante de tráfego. Ademais, a ferrovia era um projeto particular e com o único objetivo de transportar o minério de Serra do Navio até o Porto de Santana, não pretendendo de forma alguma interligar com outras regiões do Brasil, principalmente pelo fato do impedimento natural feito pelo Rio Amazonas. 
Homens fazem ajuste final do lastro sobre os dormentes, com os trilhos já instalados.
Só para se ter uma ideia do isolamento desta ferrovia, as margens esquerdas do Rio Amazonas da orla Macapaense (Amapá) estão distantes em linha reta a mais de 300 km das margens direitas da orla de Belém (Pará), o maior e mais próximo ponto de interesse comercial.
Estes foram os principais motivos da construção na bitola de 1.435 m.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Fotos Memória da Mineração Amapaense: Montagem de dique e oficina mecânica de locomotivas

Dique de manutenção de locomotivas e oficina mecânica no pátio de estocagem de minérios, montados pela ICOMI, em Porto de Santana-AP.
O galpão do dique fica ao lado do galpão da oficina.

domingo, 16 de julho de 2017

Fotos Memória da Mineração Amapaense: Montagem da estrutura da oficina de manutenção de locomotivas, da ICOMI, em Santana

Nossas Fotos Memórias de hoje, relembram a montagem da estrutura da oficina de manutenção de locomotivas, da ICOMI, em Santana, em 1956.
Os galpões foram montados com materiais importados e todos eram de estrutura metálica, tendo as colunas e os elementos principais arrebitados e os elementos e as vigas secundárias aparafusados, terminados em telhados de duas águas em dois níveis.
Nesta segunda foto o piso já estava pronto.
À direita, vê-se a caixa d’água de 18 mil litros que permanece até os dias atuais. A caixa d’água é em estrutura metálica e está situada a aproximadamente 12 metros de altura do solo. À direita do galpão (esquerda de quem olha) nota-se o prolongamento para a instalação dos escritórios da oficina de manutenção.
Nesta foto vemos as fases bastante adiantadas, com os telhados montados.

sábado, 15 de julho de 2017

Foto Memória de Macapá: Solenidade oficial no Cine Teatro Territorial

A Foto Memória de hoje é reproduzida do Acervo Histórico do Amapá.
Trata-se do registro fotográfico de 1954 de uma Solenidade oficial no Palco Auditório do Cine Teatro Territorial.
Entre as autoridades componentes da mesa, Governador Janary Nunes, Dom Aristides Piróvano - 1º Bispo Prelado de Macapá, Dr. Hildemar Pimentel Maia.
Segundo o historiador Nilson Montoril, “tudo indica ser uma colação de grau, provavelmente da primeira turma do Ginásio Amapaense.”
A má qualidade da foto não nos permite identificar quem são os demais componentes da mesa.
Resumo Histórico: Ginásio Amapaense foi o primeiro nome do  Colégio Amapaense criado pelo 1º governador do Amapá Janary Gentil Nunes, através do Decreto territorial nº 49, de 25 de janeiro de 1947.
Funcionou inicialmente, no Grupo Escolar Barão do Branco.
Em 25.01.1952, pelo decreto governamental nº 125/1952, o Ginásio Amapaense passa a se chamar  Colégio Amapaense, recebendo alunos do antigo Curso Científico, que passa a receber a nomenclatura de Curso Colegial, correspondente atualmente ao Ensino Médio, funcionando em três turnos.
Em 13 de junho de 1952 passa a funcionar definitivamente em seu prédio próprio, na Av Iracema Carvão Nunes com a Rua General Rondon, com apenas 9 salas de aula.
Em 31.03.1967, é concluído o segundo bloco da estrutura atual, no governo do general Luiz Mendes da Silva.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Fotos Memória Históricas: Base Aérea do Amapá

As Fotos Memória de hoje, retratam dois registros fotográficos do Amapá, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.
Saiba a importância do Amapá, no contexto histórico mundial:
"Os trabalhos de construção da Base Aérea de Amapá tiveram início em 1941, em obediência ao decreto federal 3462, de 25 de julho de 1941, autorizando a realização de operações de guerra em solo brasileiro, e ao mesmo tempo autorizando a Panair do Brasil, na época uma subsidiária da Pan American Airways, para iniciar as obras necessárias à construção de campos de aviação no Norte e Nordeste do Brasil, e com a finalidade de permitir a utilização de aeronaves de grande porte mediante as condições impostas pelo governo norte-americano.
Baseada no artigo I desse decreto, a Panair do Brasil construiu e aparelhou o Aeroporto de Amapá. O governo norte-americano tinha também deveres específicos, tais como:
A) Realizar benfeitorias no aeroporto, ampliando-o para além de mil metros;
B) Preparar piso de modo a suportar a compressão de grandes aeronaves;
C) Farol rotativo;
D) Luzes para assinalar os limites dos aeroportos;
E) Holofotes para iluminar as pistas;
F) Usinas de emergências para energia elétrica.
Todos os projetos realizados na Base foram submetidos ao governo brasileiro.
Entre esses constavam plantas, orçamentos e especificações técnicas. Por sua vez, o Ministério da Aeronáutica construiu os edifícios para aquartelamento dos contingentes da Força Aérea Brasileira que passaram a operar nas bases de Belém, Fortaleza, Recife e Salvador. Também foi de alçada da Aeronáutica a construção de residências para alojar o pessoal militar não só da FAB, como também da força aérea norte-americana.
A desapropriação de terrenos e imóveis na área da Base Aérea, incluindo benfeitorias, foi respaldada pelos decretos nº 14.431, de 31 de dezembro de 1943. Entre vários colonos, quem mais perdeu terras foi Assad Antonio Sfair, que teve desapropriada uma área de 6,09 milhões de m2 “para fins de utilidade publica”.
Entre outros feitos, foram guarnições da marinha norte-americana que destruíram, na costa do Amapá, vários submarinos alemães, entre eles o U-590 (em 9 de julho de 1943) e o U-662 (21 de julho). O U-590 foi comandado pelo 1º tenente Werner Kruel, que antes já havia torpedeado um submarino americano no dia 4 de julho, perto de Belém.
Quanto ao U-662, este foi destruído no momento em que a aproximação do comboio T-F 2, que já havia perdido a posição de lançamento no dia 19. Assim, perseguindo vários mercantes brasileiros, foi avistado por um avião do Exército americano, no exato momento em que mergulhava. Dado o alarme, saiu o avião AP-94, da Base Aérea de Amapá, trocando tiros com o U-662. Aparece o avião americano PYB e, juntos, destroem o submarino que estava a cem milhas do local.
Em 13 de outubro de 1951 têm inicio as obras da rodovia que liga a Base Aérea de Amapá ao município de Calçoene, pela Construtora Carmo Ltda, sob a supervisão do empreiteiro Walter do Carmo.”
Fonte consultada: Amapá em Destaque

terça-feira, 11 de julho de 2017

Foto Memória da Mineração Amapaense: Preparação do terreno para construção do Porto de Embarque de Minérios da ICOMI, em Santana-AP

No início das operações, em 1955, para preparação do terreno visando a construção do Porto de Santana, foi montado um pequeno píer provisório para a descarga dos materiais e equipamentos para as obras. 
Logo tiveram início as obras de preparação da área do píer e dos pátios de estocagem. 
As margens foram estaqueadas para contenção do solo e montagem do carregador de navios e feita a drenagem do solo.
No local onde o guindaste estava trabalhando foi instalado o píer flutuante.
À esquerda, no sentido da margem jusant, foi montado um terminal de recebimento de combustíveis para os grupos geradores, equipamentos da ferrovia e da mineração.
Em paralelo, onde havia o píer provisório foi montado um cais elevado, para recebimento de cargas em geral.
Em seguida foi construído o píer sobre flutuantes, para compensar as mudanças de níveis das águas do rio. 
Esse píer foi ancorado em terra firme por dois sólidos suportes em alvenaria construídos em suas extremidades, para receber os braços articulados de contenção do conjunto do porto flutuante.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Foto Memória de Macapá: Encontro de amapaenses com o Presidente Castelo Branco

Nossa Foto Memória de hoje, é uma preciosidade histórica, compartilhada pelo amigo Eduardo Cardoso Correia, em sua página no Facebook. 
Trata-se de uma foto de 1966, que retrata o encontro do então Presidente Castelo Branco, com ilustres amapaense.
A partir da esquerda: Cabo Alfredo Oliveira e Sr. Amauri Guimarães Farias, ( ex-Prefeitos de Macapá ); Pte. Castelo Branco; Sr. Edilson  Correia ( pai de Eduardo ); Sr. João Batista de Azevedo Picanço ( Tio Joãozinho ) e Sr. Guilherme Cavalcante, ( pai do Dr. José Ribamar Cavalcante – médico da época ).
Fonte: Facebook

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Foto Memória do Esporte Amapaense: Esquadrão do Guarany Atlético Clube

A Foto Memória de hoje, vem o Baú de Lembranças do amigo Zequinha Monteiro, grande atleta do futebol amapaense.
É um registro esportivo de 1977/78 do esquadrão do Guarany Atlético Clube.
A partir da esquerda, em pé: Castelo,Marinho Macapá, Alemão, Gil, Dida e Dias. Agachados: Orivaldo, Ademir Pena, Perivaldo, Bolinha e Camorim.
Fonte: Facebook

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Foto Memória de Macapá: Seu Manuel O Popular "Pau Furado"

“Pau Furado” – Assim era conhecido o Sr. Manuel: um deficiente físico que vivia da caridade pública na Macapá, antiga.  Cidadão, moreno, corpo esguio e rosto marcado pelo sofrimento.
Segundo o pesquisador Nilson Montoril, “nunca se conseguiu saber de que localidade veio seu Manoel. Algumas pessoas diziam que ele era proveniente da ilha do Marajó e teria contraído paralisia infantil. A origem do seu apelido e o complemento do nome de batismo jamais foram descobertos. Seu Manuel detestava ser apelidado.”
“Ele morava em um prédio que fora construído pelo governo do Território Federal do Amapá para abrigar o “Restaurante dos Operários” e servir de abrigo aos que vieram de outras plagas para trabalhar na construção de diversos prédios públicos e que viviam em alojamentos precariamente edificados.” Nilson conta que “os trabalhadores permaneciam naquele local pelo tempo necessário para construírem suas casas em lotes que a Divisão de Terras e Localização distribuía."
O restaurante acabou sendo rotulado de Barracão dos Imigrantes, ficava na esquina da Rua São José com a Avenida Professora Cora Rola de Carvalho. 
"Pelo centro dessa segunda via pública passava a tubulação do primeiro sistema de esgoto de Macapá. A área era tão alagada que foi preciso construir-se pequenos pilares para manter os tubos fora do lamaçal. No inicio seu Manuel usava apenas uma grossa bengala para sustentar a mudança de passo da perna esquerda. Depois se fez imprescindível trocar a bengala por uma muleta relativamente desgastada para poder se deslocar, haja vista que a atrofia da perna esquerda se agravara. Quase não falava e a dentição lhe era escassa.” Nilson destaca que “a despeito de ser deficiente físico, seu Manuel caminhava bastante." 
"Seu ponto preferido para sentar-se e ver o tempo passar era a calçada da residência da senhora Sofia Mendes Coutinho, situada no canto da Avenida General Gurjão com a Rua São José. Ali ficava horas a fio observando tudo que se passava no centro histórico de Macapá. À tarde, quando a maré enchia por volta das 16 horas, seu Manuel deixava a calçada e rumava para o trapiche major Eliezer Levy. Com muito aprumo caminhava sobre a longa ponte até alcançar o ancoradouro frontal. À época existia na cabeça do trapiche um abrigo coberto destinado a passageiros e cargas miúdas. Era o local onde seu Manuel ficava fitando (observando) as águas do Rio Amazonas e acompanhando a chegada dos reboques a vela provenientes da região das ilhas do Pará, que traziam açaí, frutas e peixe. Tudo era vendido rapidamente aos costumeiros fregueses, principalmente às mulheres amassadeiras do nosso rico e gostoso “petróleo”. À conta da caridade dos caboclos seu Manuel sempre voltava para o barraco com alguns peixinhos frescos, suficientes para o preparo de um reanimante caldinho. Ele também podia ser encontrado sentado na calçada da Igreja de São José proseando com o amigo Ponciano ou sobre a panela da rede de esgoto da Avenida Cora de Carvalho. Todo mundo se admirava de o ver escalando aquele objeto alto sem pedir a ajuda de terceiros.”
"As crianças que tão bem conheciam seu Manuel não lhe faltavam com o respeito. Algumas evitavam passar perto daquele cidadão desvalido porque os próprios pais diziam que iriam chamar o “Pau Furado” caso os filhos não se comportassem direito. A mesma coisa falavam em relação ao senhor Benedito Lino do Carmo, o Congó. A molecada da Matriz até que tentava tirar um dedo de prosa com seu Manoel, mas ele falava meio embrulhado e somente as pessoas pacientes conseguiam entendê-lo.”
"No tempo de manga ele fazia a festa. Primeiramente amassava bem a fruta. Depois, chupava a poupa, devorava a casca e fazia um malabarismo tremendo com o caroço dentro da boca. Ao ser jogado fora, o caroço estava branquinho da silva. Seu Manuel residiu no Barraco dos Operários até morrer, no final da década de 1960. O propósito do Governador Ivanhoé Gonçalves Martins em melhorar o aspecto urbano de Macapá mudou completamente o habitat do “Pau Furado”. O prédio que o abrigava encontrava se praticamente desativado e não servia mais refeições. Os alimentos necessários à subsistência de seu Manuel continuavam a ser dados por pessoas caridosas, entre elas a Alice Gorda que na época gerenciava um hotel."
Nilson conclui dizendo que “foi a Alice Gorda, a eterna Rainha Moma, quem providenciou o sepultamento daquele homem que tanto sofreu até desencarnar do verbo.”
Texto de Nilson Montoril, adaptado para o Porta-Retrato, publicado originariamente no blog Arambaé, do renomado historiador amapaense.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Foto Memória de Macapá: Evento festivo da Família Cruz

Mais um registro fotográfico do álbum de lembranças do amigo Humberto Mauro Cruz, filho do fotógrafo Humberto Cruz.
Trata-se da comemoração de um evento festivo na Família Cruz, realizado em 1954.
Em volta da mesa, aparecem a partir da esquerda: o fotógrafo Humberto Cruz;  a senhora ao lado dele é Dona Catarina da Silva (*); em seguida a irmã dele Lygia Cruz e a amiga dela, profª Joyra Tavares, ( que também foi rádio atriz da Difusora ); ao fundo da imagem junto à janela o fotógrafo Guilherme da Silva Cruz  e a profª Ivone Terezinha da Silva, festejavam noivado; ao lado, no canto da imagem (oculta) a Sra. Euphrásia da Silva Cruz (**) e os irmãos Marino e José Cruz, do lado direito de quem olha. 
(*)   Catarina da Silva, segunda esposa de Gerônimo Silva, pai da Sra. Euphrásia da Silva Cruz; 
(**) Euphrásia da Silva Cruz, primeira esposa do Sr. Mário Cruz, (comerciante que apresentou a Janary Nunes, as primeiras mostras de manganês descobertas no Amapá).
Fonte: Facebook

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Foto Memória de Macapá: Pioneiro Mário da Silva Melo

Mário da Silva Melo nasceu no município de Breves/PA, em seis de janeiro de 1923. Filho de Altino Amorim de Souza e Virgília Marques da Cruz. Na pia batismal recebeu o sobrenome de seus padrinhos. Viveu sua infância lá mesmo em Breves ao lado de sua mãe até os 17 anos, quando saiu de sua terra natal, em busca de trabalho e independência. Chegou ao Amapá no início dos anos 40 (por volta de 1941), quando aquela terra ainda pertencia ao Estado do Pará. No Amapá, o jovem Mário Melo começou sua atividade, no garimpo do Vila Nova (Município de Mazagão), onde contraiu malária, que o fez abandonar aquela atividade econômica, e se mudar para Macapá, a fim de tratamento médico.
Em seguida trabalhou no Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), criado durante a 2ª Guerra Mundial para sanear a Amazônia, tendo em vista os altos índices de malária e febre amarela que atingiam os habitantes daquela região.
Com a elevação do Amapá à condição de Território Federal, (1943) houve a criação da Guarda Territorial, (uma polícia específica para os territórios federais recém criados), e ele foi um dos seus integrantes ao lado de muitos outros Pioneiros. 
Em 1946 (aos 22 anos), casou com a jovem Ercília Furtado Coutinho (17 anos), natural do Município de Chaves/PA. Dessa união nasceram 16 filhos, sendo 10 (dez) homens e 6 (seis) mulheres, todos naturais de Macapá e com nomes iniciados pela letra M.
Mário Melo permaneceu na Guarda Territorial até 1951, quando, por motivos políticos, foi exonerado do Serviço Público.
No período de 1951 a 1962, desenvolveu varias atividades particulares, para sobreviver e sustentar sua família, entre elas: dono de bar e botequim, (onde se reuniam alguns amigos da boemia local); canoeiro que abastecia o pequeno comércio da cidade com venda de carvão, peixe, camarão, carne de caça (liberada na época), suína, etc.
Um dos fatos ocorridos durante sua atividade de canoeiro foi um naufrágio que sofreu no rio Amazonas, vindo a perder tudo, salvando apenas sua vida e de seu filho mais velho. Com esse acontecimento ele procurou um novo ramo de atividade: o de carroceiro (freteiro).
Em seguida, foi garapeiro (vendedor de caldo de cana), localizado atrás dos mercados Central e municipal de peixes.
A partir da década de 60 torna-se evangélico da Igreja Adventista do Sétimo Dia, situada na Praça Nossa Senhora da Conceição no Bairro do Trem. Nesse mesmo período retoma seus estudos no Instituto Veiga Cabral que pertencia ao professor Alzir da Silva Maia, na atual Rua Rio Maracá, entre as avenidas Tiradentes e São José, área hoje (2017) ocupada pela Feira Municipal do Centro da Cidade.
No período de 1967 a 1970, fez o curso ginasial no antigo Ginásio de Macapá, hoj(2017) Escola Estadual Antônio Cordeiro Pontes. Entre 1971 e 1973 fez o Curso Pedagógico no Institutde Educação do Amapá - IETA.
Autodidata no aprendizado de violão foi aluno do Mestre Oscar Santos, com quem aprendeu a tocar instrumentos de sopro, leitura e escrita de partituras.
Em 1962, o Governo Federal promoveu um novo enquadramento e Mário Melo regressou à Guarda Territorial, na condição de integrante da Banda de Música da corporação. Foram seus contemporâneos na Banda da Guarda Territorial, músicos conhecidos, em sua maioria por nomes de guerra ou apelidos tais como: Morcego, Feliciano, Biroba, Ueua, Caveira, Gurjão, Zé Crioulo, Dantas, Aracu, Tomate e muitos outros. Todos sob a regência do Maestro Miguel (Cipó).
Com a extinção da antiga Guarda Territorial e implantação da Polícia Militar do Amapá(Lei n° 6.270, de 26 de novembro de 1975), Mario Melo foi transferido para a Polícia Civil, onde exerceu as funções de Agente Escrivão e Comissário de Polícia (Delegado).
Além dessas, exerceu também atividades de músico, maestro, compositor, com participação  em diversos Festivais da Canção Amapaense, sendo também, autor do hino do Esporte Clube Macapá.
A boemia era um de seus lazeres, tendo como parceiros: Zé Crioulo, Walber Damasceno, Noé do Bandolim, Treze, Reinaldo Lima, entre outros.
Ao final dos anos 70 e início do80, foi professor de música no Colégio Amapaense onde montou uma escolinha de música e fundou a Banda de Música do estabelecimento. Participaram da escola e da banda, expoentes da música popular amapaense como: Ronery, Zé Miguel, Zenor, Edilson Moreno, Osmar Jr, Batan e demais pessoas ilustres da terra como Pe. Paulo, Profª Neca Machado e Sebastião Rocha (médico e ex-Senador pelo Amapá).
Mario Melo animou bailes com conjuntos musicais que organizava nas quadras carnavalescas, denominados “Os Xavantes” e “Os Geniais”. Tocou em vários Clubes e Municípios  do Território tais como, Santana (Independente e Santana Esporte Clube), Serra do Navio (Manganês Esporte Clube), Laranjal do Jary, Afuá na Ilha do Marajó (Sede do Lagostão), e ainda nas sedes sociais do Trem Desportivo Clube, Esporte Clube Macapá  e Círculo Militar.
Tanto nas Bandas de Carnaval quanto na Banda de Música do Colégio Amapaense, ele contou com a participação de alguns dos seus filhos, entre os quais: Marcino, Marcílio, Marcos, Magno e Marta.
Além das bandas citadas Mario Melo criou um conjunto regional, de chorinhos e MPB, que tocava nos clubes da cidade e no SESC/AP.
Na década de 80, exerceu suas atividades de policial civil no município de Oiapoquepermanecendo até sua aposentadoria em 1982Paralelamente, nas horas de folga, exercia atividades de catraieiro transportando passageiros de Oiapoque, no Brasil, para a cidade de San George, na Guiana Francesa e vice-versa.
Pioneiro policial, maestro e compositor Mário da Silva Melo faleceu dia 27 de julho de 2006, aos 83 anos de idade, e seus restos mortais descansam em Paz, na sepultura da família, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceiçãono Centro de Macapá.
Fontes consultadas: Para a montagem dessa biografia contamos com a colaboração de vários filhos e da professora Ercília Furtado de Melo, viúva do biografado, a quem agradecemos.

domingo, 2 de julho de 2017

Foto Memória da Comunicação do Amapá:Membros da Rádio Difusora de Macapá

Foto Memória de 1958 - Membros da Rádio Difusora de Macapá.
Figuras importantes que marcaram a história administrativa e artística da RDM.
Sr. Ivaldo Veras, era responsável pelo setor técnico da emissora.
Reinaldo Farah, dirigia o setor de rádionovelas.
Ambos falecidos.
Lygia Cruz e Creusa Souza (Bordalo) faziam parte do elenco de atrizes das radionovelas.
Professora Creusa, também foi Diretora na primeira fase da emissora.
A atriz Lygia Cruz mora em Rio das Ostras (RJ) e a Profª Creusa Souza (Bordalo), reside em Belém do Pará.
A partir da esquerda, estão nas imagens: Ivaldo Veras (técnico em eletrônica); Reynaldo Farah (Diretor Artístico e escritor); Lygia Cruz e Creusa de Lima e Souza (rádio atrizes).

sábado, 1 de julho de 2017

Foto Memória de Macapá: Canoa à Vela!

Este é um dos símbolos emblemáticos da Região Amazônica.
Canoa à Vela!
Fonte: ICOMI Notícias

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Fotos Memória da Mineração no Amapá: Primeiros equipamentos e veículos da ICOMI, no Amapá

Duas Fotos Memória de hoje, relembram a área do Porto de Santana, em 1953, quando da chegada dos equipamentos e veículos para a empresa ICOMI, no Amapá.
Na primeira foto, vemos a área portuária, quando ainda não havia sido montado o parque industrial de estocagem e embarque de minério de manganês, da Indústria e Comércio de Minérios S/A – ICOMI, na localidade de Santana, no Amapá.
No segundo registro fotográfico, vemos imagens do primeiro armazém de cargas, construído em Santana, tendo ao lado equipamentos e veículos estacionados no pátio da ICOMI, para serem utilizados na ferrovia e mineração da empresa, no Amapá.