terça-feira, 29 de novembro de 2011

ESPECIAL: Vem aí o segundo livro de Amiraldo Bezerra

"Pétalas sobre Macapá"
Edição Especial em 4 de fevereiro de 2012.
(Arte da Capa do novo livro,  gentilmente cedida pelo autor)

Meu amigo contemporâneo de Amapá e festejado poéta, contista e escritor Amiraldo Bezerra, manda - via Facebook - um recado à sua legião de leitores:
“..., até que enfim estou rodando o segundo livro. Dessa feita são poemas com quase sua totalidade inspirados em Macapá e em pessoas que conhecemos e se tornaram importantes em minha vida. O título "Pétalas sobre Macapá". Saí primeiro em edição especial de 1000 exemplares homenageando a passagem dos 254 anos de fundação da cidade de Macapá que será em 04 de fevereiro 2012. A PARTIR DE 15 DE DEZEMBRO já circulará!

Poema para um líder...

Sou daquele tipo de gente que aprende errando,
Daquele tipo de gente que pede perdão perdoando,
Daquele tipo de gente que é amado...e vive amando
Daquele tipo de gente que não esquece o passado
Vive recordando!

Nos anos cinquenta, na nossa Macapá
Estávamos no início de uma nova era,
O primeiro e grande Governador Cap. Janary
Começa a mostrar a todos nós ao que viera.

Meu pai, comerciante e logo com grande prole a criar,
Tinha amizade e admiração pelo ilustre governante,
Não só ele, mas todos os que moravam no Amapá,
Muito esperavam daquele homem um futuro doravante...

Sabiam as grandes dificuldades existentes naquela época,
E estavam solidários ao trabalho que devia desenvolver,
E em pouco mais de um ano no Amapá, um grande abalo,
Janary viu sua esposa com dois filhos pequenos, falecer...

Dona Iracema, benemérita, legionária, mãe dos pobres nos deixava,
E seus dois filhos pequeninos, Ceminha e Janinha, ali ficavam
Tendo o viúvo casado com Dona Alice, sua cunhada,
E o Amapá foi em frente pois a vida futura nos esperava...

Escolas, que belas escolas, cinema, teatro, praças, piscina,
Coisas nunca sonhadas por nós, surgiam a olhos vistos
E Macapá, Amapá, Mazagão e outros distritos espalhados
No setentrião da pátria de vida melhoravam, no sol ou na neblina...

Não há como comparar em toda minha vida, feliz e afortunada,
As alegrias simples mais verdadeiras daqueles tempos passados,
No Amapá de Janary dos anos cinquenta e sessenta que vivi,
Com meus pais, irmãos e amigos na Macapá amada...

Quando digo, sou daqueles... e sou mesmo,
Venho aqui te pedir perdão e tentar me redimir,
Pois num repente de jovem idealista e impensadamente,
Fiz campanha e ajudei a derrotar-te Cel, Janary!

Depois disso estive contigo em pessoa, duas vezes,
Uma na presença do Jacy Jucá, teu grande amigo
E de meu pai Mundoca Bezerra e te pedi perdão
E você grande líder, sorrindo me abraçou e estendeu-me a mão!

Sinto-me amigo de teus filhos Rudá, Guairacá e Janaryzinho,
Fiz um livro e tentei resgatar um pouco de tua história
Hoje faço-te um poema no segundo livro com orgulho,
Para relembrar mais uma vez a tua linda vitória!

Quero dizer-te oh grande líder, o maior que o Amapá já teve,
Que nunca irás morrer para aqueles que realmente te conheceram,
Que hoje se escrevo, sou poeta, contista, e conhecido literariamente,
Foi nos teus colégios que aprendi e que milhares aprenderam!!!

Poesia inédita de Amiraldo Pereira Bezerra, a ser editada em sua próxima  obra.


Homenagem especial do autor aos 254 anos de Macapá-AP.


Amiraldo Bezerra - Paraense, chegado a Macapá em julho de 1945 e nascido a 30.10.1944, aposentado, escritor com um livro publicado, mais de quinze mil exemplares vendidos. POETA, CONTISTA, amante apaixonado de Macapá - nome do livro "A MARGEM ESQUERDA DO AMAZONAS-MACAPÁ" Fã dos artistas e escritores Amapaenses e da cultura de Macápá. (Facebook)



A primeira  obra de Amiraldo Bezerra,  foi "A Margem Esquerda do Amazonas, Macapá", lançada pela Premius Editora
Informações e contatos com o autor através do e-mail amir.aldopb@hotmail; pelos telefones 085-32394141 ou 085-96115661, ou enviando carta para: Rua Bill Cartaxo 521- Água Fria Fortaleza-Ce. 
Fotos: Reproduções
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sábado, 26 de novembro de 2011

ESPORTES: Avertino Loureiro Accioly Ramos

(Foto: Reprodução de arquivo)
O desportista Avertino Loureiro Accioly Ramos  era um dos mais completos atletas do Norte do Brasil. Amapaense, nascido na cidade de Macapá no dia 17 de agosto de 1930, em uma época em que aquela gleba pertencia ao Estado do Pará. Filho do ex-Prefeito de Macapá Coronel Otávio Accioly Santiago Ramos e D. Paula Loureiro Accioly Ramos residiam na Praça Teodoro Mendes, atual Veiga Cabral, e possuíam um terreno às margens do rio Matapi, no Distrito de Porto do Céu, chamado Retama (palavra de origem guarani que significa pátria), onde o desportista passou quase toda a sua infância. Fez o curso primário em Macapá, seguindo logo depois para Belém com o objetivo de cursar o Ginásio e o Secundário, visto que, na época, apenas o curso primário funcionava em Macapá; em Belém, além de estudar, Avertino dedicou-se ao esporte, ingressando como juvenil no Paissandu, praticando o vôlei, o basquete e o futebol. Conseguiu ser campeão de futebol juvenil pelo "Papão da Curuzu", figurando também no time principal de voleibol do Alvi·Azul paraense.
Tanto no basquete como no futebol e no vôlei, demonstrou ser um grande atleta, consciente e disciplinado. Era ídolo da torcida bicolor do Pará. Após concluir seus estudos secundários em Belém, regressou para Macapá, ingressando no quadro de Funcionários do Governo do Amapá e no Esporte Clube Macapá. A exemplo do que havia feito no Payssandu, defendeu o Esporte Clube Macapá nos campos de futebol e nas quadras, jogando vôlei e basquete. As três modalidades. Foi excelente atleta. Integrou todos os selecionados do Amapá que se deslocaram para as mais diversas partes do Brasil, para disputar campeonatos da categoria, no âmbito nacional. Pendurou as chuteiras em 1965, quando tinha um título de hexacampeão (1954, 1955, 1956, 1957, 1958 e 1959). Após abandonar a prática do esporte, permaneceu ligado a eles como incentivador, sendo inclusive Diretor de Esporte do E. C. Macapá e Presidente da Federação Amapaense de Voleibol. Fora do esporte caracterizou-se como exemplar funcionário público, dedicado chefe de família, amigo sincero e leal. Faleceu às 8 horas do dia 17 de outubro de 1975, em pleno exercício de suas atividades, no Pronto Socorro "Oswaldo Cruz", Unidade Hospitalar da Secretária de Saúde, onde era lotado.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. I, de Coaracy Barbosa - edição 1997)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pioneiros da Natação do Amapá

Nesta foto rara de 1965, que nos foi compartilhada - via e-mail - pelo amigo Heraldo Amoras, vemos inúmeros atletas que foram alunos do saudoso Capitão Euclídes Rodrigues (que está no meio deles), nos tempos áureos da natação no ex-Território Federal do Amapá.
"Vários atletas que estão na foto foram campeões amapaenses  e paraenses, outros foram heptacampeões pela Tuna Luso; o Domingos Ferreira, além de campeão, foi (ou ainda é – a confirmar) treinador de natação no clube do REMO desde a década de 70." (Heraldo Amóras)
Heraldo Amoras, embora não apareça na foto, diz que sente-se honrado de ter sido aluno de natação do Capitão Euclídes Rodrigues. Heraldo, que na época estava com 13 anos de idade, justifica sua ausência nesse registro fotográfico histórico, por ter ficado dentro da casa, pois, havia sido substituído pelo amigo José Paulo (guitarrista do conjunto "Os Cometas").
Depoimento de Heraldo Amoras: “Tenho 59 anos e vivia num paraíso (Macapá) e não sabia; muitas saudades da minha infância e parte da adolescência; fui da época do Cine Macapá e João XXIII, do capitão Euclides (participei de duas travessias a nado na baia de Guajará), do Barão do Rio Branco (profª Leonice), da Escola Industrial (prof André Silva);
Clique na foto para ampliá-la
do escotismo e escoteiro da tropa São Jorge (tendo como chefes o 91 e Magalhães); tomei banho na "piscina" da fortaleza de São José; nadei da “Pedra do Guindaste” até a Fortaleza; sou amigo do Zé Paulo (ex-vizinho e guitarrista dos “Cometas” e “INCAS”); dançava com iô-iô luminoso na sede do Trem e com a minha grande amiga DOS ANJOS"(1966); tomei banho nas águas claras e piscosas do Pacoval; fui coroínha do Padre Paulo; carregava pipa-papagaios para o campeão de laços "o mudo"; fizemos a 1ª festa da saudade na sede do Trem em 1967, etc...e vim de Macapá para Belém do Pará em 1968, junto com outros 27 colegas-alunos estudar na Escola Técnica Federal do Pará, bom, daí para a frente....outras saudades. Um grande abraço a todos. Heraldo Amoras


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Do Fundo do Baú!

(Foto: contribuição de Deuzuite Ardasse - retirada de um jornal da época)
Nossa amiga Deuzuite Ardasse envia - via e-mail, diretamente de Brasília - uma contribuição para o Porta-Retrato: uma foto rara retirada do fundo de seu baú particular.
No registro fotográfico de 1964 vemos o Coronel Janary Gentil Nunes(ao centro) - primeiro Governador do Amapá - reunido com estudantes secundaristas do Amapá.
Da esquerda pra direita: Reconheci (salvo engano) o Marcos; Totó; Lindoval Alcântara; Antônio Leite; Deuzuite Ardasse e à direita Astrogessildo.
Agachados estão o Fernando Dias e José Veríssimo(falecido).
(Por favor, quem souber dos outros nomes nos informe para completarmos a legenda).

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Juventude do Amapá em tempos de escola

(Foto enviada via-email por Josie Remedios)
A partir da esquerda: Regina Chagas, Beth Mendes e as irmãs Miuria e Vera (filhas do Dr. Dalton Cordeiro de Lima), amigas de turma da Josie Remedios, que compartilhou com o blog esse registro dos bons tempos de jovens estudantes do Instituto de Educação do Território do Amapá - IETA.
(Última atualização em 25/11/2011)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pioneiros em reunião de trabalho

(Foto: Reprodução/acervo pessoal de Leury Farias)
Nesta foto rara - do album particular do amigo Leury Farias, que ele compatilhou em seu Facebook - vemos reunidos 4 representantes do então Território Federal do Amapá.
É um encontro do Presidente Castelo Branco com representantes do Território: a partir da esquerda: jornalista Alcy Araújo com um papel na mão; e dois representantes do Amapá em Brasília; o do meio é o Sr. Aben-Athar;  e o outro é o Sr. Raimundo Osmar Pontes Holanda ao lado da Professora Deuzolina Salles Farias.
(Atualizado em 22/11/2011)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Coronel Janary Gentil Nunes, em plena campanha eleitoral

(Foto: Reprodução de arquivo)
Coronel Janary Gentil Nunes - em um jeep com correligionários - no início dos anos 70, em plena campanha eleitoral, no antigo aeroporto de Macapá.
Na viatura, na frente ao lado do motorista, está o Sr. Belarmino Paraense de Barros; em pé (de terno escuro), ao lado de Janary, o candidato a suplente de deputado - Dr. Dalton Cordeiro de Lima.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Pioneiro: Ten. Uadih Charone

(Foto: Reprodução de livro)
O pioneiro Uadih Charone - nasceu em Belém, Estado do Pará, em 19 de fevereiro de 1926, filho do comerciante AIy Charone, libanês naturalizado brasileiro, e de D. Francisca Accioly Charone, cearense.
Estudou os cursos primário e ginasial no Colégio Moderno e, posteriormente, no Colégio Estadual Paes de Carvalho fazendo o pré-politécnico, conjuntamente com o curso de Contador pela Escola Prática de Comércio, onde se formou. Fez o Curso Preparatório de Oficiais da Reserva-CPOR, graduando-se em 2°-Tenente do Exército Brasileiro -R/2. Convidado pelo capitão Janary Gentil Nunes, Governador do recém-criado Território do Amapá, foi admitido em 1946 no cargo de escriturário, ficando à disposição dos Serviços Gerais. De 1946 a 1951 exerceu atividades administrativas, colaborou na implantação de setores para a aceleração do desenvolvimento da área. Em 1952 foi nomeado Subcomandante da Guarda Territorial, vinculada à Divisâo de Segurança e Guarda; Comandante da Corporaçâo em 1961, acumulou com a nomeação de Diretor da Divisão de Segurança e Guarda; respondeu pelo cargo de Diretor da Divisão de Educação; nomeado Diretor do Serviço de Geografia e Estatística; colocado à disposição da Prefeitura de Macapá, assumiu a Secretaria de Administração e respondeu pelo cargo de Prefeito; exerceu o cargo de Diretor do Tiro de Guerra 130 do qual foi também instrutor; participou da fundação da Escola Comercial do Amapá, mantida pela Associação Comercial do Amapá, onde foi professor e Diretor; fundou o curso de admissão mantido pela Loja Maçônica “Duque de Caxias"; participou da fundação da Loja Maçônica, sendo eleito Venerável Mestre por três períodos; foi Presidente do Amapá Clube em vários períodos; Presidente da Federação Amapaense de Desportos; respondeu diversas vezes pelo cargo de governador, nas ausências dos titulares; organizou e comandou toda as paradas militares, em comemoração ao "Dia da Pátria" e os desfiles escolares do aniversário do Território nos dias 13 de setembro, de 1948 a 1962; foi Presidente do Conselho de Trânsito. Estagiou na Polícia Militar do Rio de Janeiro e os conhecimentos adquiridos foram aplicados no Amapá, os quais foram: instalação de Postos Policiais nos bairros e localidades do interior; criação da cavalaria da Guarda Territorial; reestruturou a Fortaleza de São José e instalou o Quartel da Guarda Territorial. Designado, destacou-se durante a missão de ocupação do navio "Anzoategui", de nacionalidade venezuelana, no dia 19 de fevereiro de 1963, que se encontrava em águas brasileiras, em mãos de jovens revoltosos daquele país. Designado. representou o governo do Amapá junto ao governo de Caiena para tratar sobre a prisão irregular de brasileiros, recebendo elogios do Governador francês.
Participou com destaque na administração dos Governadores Janary Gentil Nunes, Teodoro Arthur. Amílcar Pereira, Pauxy Nunes, José Francisco de Moura Cavalcante, Mári Barbosa e Raul Montero Waldez. Por não cumprir uma ordem de prisão que considerou arbitrária, determinada pelo Governador Terêncio Furtado de Mendonça Porto, recebeu voz de prisão que não aceitou, mantendo com ele um sério atrito. Demitido, recorreu à instância superior, readquirindo todos os seus direitos. Decidiu transferir-se para Belém, no ano de 1964, com sua esposa Maria Suzete Pinheiro Charone e seus 5 filhos amapaenses: o médico Ricardo Augusto(falecido), o comerciante José Roberto(falecido), o professor Carlos Alberto, o engenheiro Wady e a professora e cantora Leila Selma.
Atualização: Ten. Charone, aposentado, residia com a família na capital paraense, até sua morte em 26 de abril de 2016, aos 90 anos de idade.
Segundo o historiador Nilson Montoril, Uadih Charone, que deixou Macapá em 1964, teve  seu corpo cremado, conforme seu pedido à segunda esposa e as suas cinzas espalhadas no pátio central da Fortaleza São José, em Macapá.
Fonte: Dados extraídos do livro "Personagens Ilustres do Amapá", vol. 1 do jornalista Coaracy Sobreira Barbosa - Ano 1997.
(Última atualização em 20/05/2016)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Servidores Pioneiros das (Tele)Comunicações do Amapá

(Foto: Reprodução de arquivo)
 
Anos 60 - Na foto 1 (uma imagem rara) temos o registro fotográfico  do encontro (a partir das esquerda) do rádio-telegrafista Agenor Rodrigues de Melo (que trabalhou na Radional e foi um dos fundadores da ZYD-11- Rádio Equatorial de Macapá);  o radialista Advaldo Castro (que também passou pela Difusora de Macapá)?, e Sr. Carlos Cantídio Côrte (pai do técnico Carlos Lins Côrte - Baião Caçula).
(Foto: Reprodução de arquivo)
Anos 60 - Na foto 2, (em volta da mesa - a partir da esquerda) os pioneiros Advaldo Castro; Raimundo Alves Veras (ao centro) e o técnico em eletrônica Raimundo Rodrigues ("Seu" Pépe - ele também trabalhou na Rádio Difusora).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os primórdios da Exposição de Animais e Produtos Econômicos

(Foto: Reprodução de arquivo)
Em 1947 - Governador do ex-Território Federal do Amapá Janary Gentil Nunes, discursa durante o lançamento da 1ª Exposição de Animais e Produtos Econômicos.
O evento aconteceu às 17h, do sábado, 13 de setembro de 1947, na Praça Barão do Rio Branco. À cerimônia estavam presentes o então Prefeito de Macapá, José Serra e Silva, o Juiz de Direito José de Ribamar Hall de Moura, o Ten. Uadih Charone, Comandante da Guarda Territorial, e  seu irmão Deputado Coaracy Gentil Nunes, entre outras pessoas convidadas.
Resumo histórico - A partir de 1966 o evento passou a ter instalações próprias, com a adequação da infraestrutura inicial de uma fazenda-modelo do governo territorial. Assim, como os conhecimentos do saudoso mestre de obras José Procópio, foi montado um Parque de Exposições, inicialmente com edificações rudimentares. Com o auxilio dos  engenheiros agrônomos pioneiros como Nady Bastos Genu, da então Divisão de Produção, passaram a ser oferecidas aos visitantes produções de leite, queijo, farinha, ovos, pintos de granja, bovinos, suínos, caprinos e equinos. Juntamente com esta produção animal, aos poucos o  Parque de Exposições foi cedendo lugar a outras atrações, que eram oferecidas em estandes, como eletrodomésticos, veículos, máquinas da rotina doméstica.
(Fonte: historiador Edgar Rodrigues/Secom)
(Republicado com atualizações em 15/11/2011)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Flashes da História

(Foto: Reproduzida do blog Canto da Amazônia)
Nesta foto dos anos 70 - vemos o Coronel Luiz Ribeiro de Almeida (de branco) lendo o discurso para o Governador Arthur Azevedo Henning.
A solenidade, é assistida por vários presentes, entre eles o Professor Leonil Pena Amanajás (à esquerda) e o Dr. Antero (de óculos escuros). O locutor Benedito Andrade faz a cobertura para a Rádio Difusora de Macapá.

sábado, 12 de novembro de 2011

Baú Musical do Fernando Canto

(Foto reproduzida do blog Canto da Amazônia)
Em 1973 a boate Jussarão ainda estava em alta e o conjunto “Os Supersônicos” era composto por (da esquerda para a direita) Raimundinho, na guitarra, que depois tocou teclado no “Os Mocambos”; Lurdival, que fora crooner do conjunto “Os Mensageiros Alegres”, da paróquia de São Benedito; o seguinte eu não sei quem é (só mesmo acionando o Paulo Silva); Zé Maria “Vaca Preta”, hoje (Jomasan) renomado cantor na Guiana Francesa, na bateria; o saxofonista e multiinstrumentista Ismael Guimarães e a seu lado, na guitarra solo, Binga Monteiro.
Tanto Raimundinho como Lurdival e Guimarães já partiram para outra dimensão. Jomasan mora em Kourou e Binga continua desempregado, vivendo de bico. (Texto de Fernando Canto)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cabo Camilo: O Pioneiro do Amapá

(Foto: Acervo pessoal de Fernando Canto / Reprodução do blog Canto da Amazônia)
Camilo Rodrigues da Silva nasceu em 1918. Entrou para o Exército como padioleiro em 1936 e no ano seguinte fez o curso de saúde do Exército no Hospital Militar de Belém. Em 39 foi transferido para a 3ª Companhia de Porto Velho onde foi promovido a Cabo de Saúde indo um ano depois para o Pelotão da Vila Bittencourt, em Japurá, no estado do Amazonas. Ali ele conheceu a filha de um rico dono de seringal, a professora Alba Cavalcante da Silva, com quem se casou e teve doze filhos, dos quais onze no Amapá. Só em 1945, no final da Segunda Guerra, é que veio para a 4ª Companhia do Amapá, servindo até 1950, quando se licenciou da caserna. Ingressou nos quadros do Governo do Território Federal, em 1952, como enfermeiro para trabalhar na antiga Base Aérea, até se aposentar. Mais tarde entrou para a carreira política, sendo eleito vereador pela extinta Arena em 1976, como o mais votado. Participou de inúmeros seminários e congressos de vereadores por todo o país e contribuiu grandemente para o desenvolvimento do seu município em duas legislaturas.
Depois de salvar tantas vidas e curar tantas pessoas, infelizmente sua luta contra a cegueira foi em vão. A idade avançada e as mazelas decorrentes dela também lhe tiraram a força e a voz. Mas embora sofresse com a senilidade não perdeu a lucidez e conseguia se comunicar até o último alento nos braços de sua filha Suely, que dele cuidou com extraordinário carinho por longos anos, sem tirar o mérito dos outros irmãos.
Cabo Camilo faleceu, aos 88 anos de idade, no dia 11 de novembro de 2006.
Fonte: Fernando Canto – blog Canto da Amazônia

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ESPECIAL: O CLÃ LIBERAL DO LAGUINHO

Por Fernando Canto (*)

(Foto: Reprodução do blog Canto da Amazônia)
(Foto reproduzida do blog Canto da Amazônia)
"Do final de 1972 até maio de 1973 existiu o Clã Liberal do Laguinho, um clube de artistas e jovens do bairro, que se reuniam no aprazível quintal do seu João de Deus. Nele realizávamos reuniões festivas para mostrar a nossa produção, tomar banho no lago do Poço do Mato, comer feijoada e tacacá (feito pela dona Maria Piçarra), namorar e jogar conversa fora nos dias de domingo.
Nossa alegria durou até que chegou o “Engasga-engasga”, quando a polícia e o exército começaram a prender gente considerada subversiva, espalhando terror e psicose coletiva, a mando da ditadura militar. Prenderam o Odilardo Lima nos porões da Fortaleza de São José, juntamente com outros suspeitos de serem estranguladores. Não conformados com isso, mandaram o então tenente do NPOR Amaury Farias – que era nosso amigo de pelada no campo próximo ao Cine Macapá - prender o João de Deus Filho e eu. O Azolfo Gemaque já esperava a gente, também preso, no quartel do Exército.
E assim o Clã se acabou, mas restou essa foto, batida num domingo em que o Disk Jockey João Lázaro transmitiu o seu programa ao vivo daquele inesquecível lugar, que tinha um bosque e um lago. É do acervo do Azolfo. Data de novembro de 1972. Nela estão o Celso Leite, Nardo, Azolfo, Gracinha, Mauro Cordeiro, Anauto. Na fila do meio estão: Juvenal Canto (ao violão) Palito, Lulu, Inaldo, Rosa, Antonio Paca, Leonardo Vilhena, Marinho Uchôa. Sentados: Guilherme Canto, Nicomedes Cordeiro, Zeca do Sinval, Jamil Valente, Odilardo Lima Torres, Major, Almiro e João Rabelo. Também estão: Régia, Oscarina, Concita, Eliza e algumas crianças.
O presidente do Clã era o Manoel Bispo. Olivar Cunha, Ray Cunha, R. Peixe e Sílvio Leopoldo eram frequentadores ativos, entre tantos outros poetas e artistas de Macapá."
(*) Professor, poeta, escritor e compositor amapaense.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Pioneiro Francisco Severo de Souza

(Foto: Reprodução de livro)
O pioneiro Francisco Severo de Souza, chegou a Macapá em 1944, estabelecendo uma casa comercial. Adquiriu um caminhão FORD-1929, o primeiro de Macapá, para fazer transporte do material de construção dos prédios de Macapá, o qual foi apelidado de “Chora”. Em 1945 adquiriu o primeiro ônibus para fazer a linha circular que foi apelidado de “Caixa de Cebola”. No mesmo ano comprou outro caminhão marca “Internacional”, iniciando a linha Macapá/Santana, apelidado de “Pau-de-Arara”. No ano de 1946 comprou um tanque para abastecer seus veículos, que se transformou no primeiro posto de gasolina, em 1947, trouxe um carro-tanque passando a abastecer os veículos do governo, da Prefeitura e de particulares. Em 1963 foi nomeado Revendedor dos veículos da Volkswagen para atender à ICOMI e, em agosto de 1973, passou a ser concessionário da Chevrolet. Hoje possui filiais em Belém e São Luís, administradas por seus filhos.
Sr. Francisco Severo de Souza - Seu Assis - faleceu na madrugada de sexta-feira para o sábado(19/05), no Hospital São Camilo, em Macapá-AP, aos 89 anos de idade. (Atualização em 20/05/2012)
(Informações prestadas pelo próprio Francisco Severo de Souza e publicadas no livro Personagens Ilustres do Amapá, Vol 1 – em 1997, do jornalista Coaracy Barbosa).

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Solenidade Oficial

(Foto: Reprodução de arquivo)
Nesta foto de 1969 vemos o Governador Ivanhoé Gonçalves Martins cumprimentando um senhor todo de branco, numa solenidade que parece ser nos salões da antiga Piscina Territorial. 
Como o mesmo está de costas na imagem, fica difícil precisar de quem se trata. Mas está nos parecendo que seja o Mestre Júlio, antigo servidor do ex-Território Federal do Amapá, que trabalhou por longos anos  como Mestre de Obras, na construção civil de Macapá, exercendo atividades na Divisão de Obras.
O General Ivanhoé Gonçalves Martins, governou o ex-Território Federal do Amapá, de Abril de 1967 a Novembro de 1972.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Primeiro Posto de Combustíveis de Macapá

(Foto: Reprodução de livro)
(Foto reproduzida do Album Bela Macapá/Facebook, postada por Paulo Tarso Barros)
Este foi o primeiro posto de combustíveis de Macapá. Era distribuidor dos produtos Texaco e de propriedade do Sr. Francisco Severo de Souza - "Seu" Assis - um empresário bem sucedido do ramo de transportes coletivos na Macapá antiga.
Ele era dono do "Caixa de Cebola" e anos mais tarde lancou a Concessionária SEVEL Veículos. O Posto localizava-se na esquina da Av. Candido Mendes com Av. Professora Cora de Carvalho, na área comercial. Local onde hoje funciona o Posto Alcolumbre da Cândido Mendes.
Nas proximidades desse local também funcionavam na época: a Casa Ribamar, de Inácio Serra, Casa Líbia, de Genésio Antônio de Castro, Casa Gisele, de Maurice Gamachi, Casa Flor do Afuá, de propriedade do Sr. Torres, Armazens Estrela de Celestino Pineiro Filho e outros.

sábado, 5 de novembro de 2011

Motoristas Pioneiros de Macapá

(Clique na imagem para ampliar)
(Foto: Reproduzida do álbum da família Xerfen de Souza e gentilmente cedida ao blog pela amiga Veneide Souza, filha do Sr. Veridiano)
Nesta foto raríssima dos anos 50 - temos reunidos inúmeros pioneiros: os primeiros motoristas do ex-Território Federal do Amapá que exerciam suas atividades na antiga Garagem  do Governo.
Desses aí conseguimos reconhecer apenas dois, mas só sabemos o nome  do Sr. Adolfo Lima (o primeiro à direita); o segundo da direita para a esquerda abaixado é o Elízio Araújo ex-proprietário da antiga Casa Belém (atual Loja Marcelo)na Cândido Mendes. Ele foi o primeiro distribuidor do Gás Butano no Amapá.
Quem conseguir identificar mais algum, por favor, registre nos comentários.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Memória do Esporte: O Timaço do Guarany Atlético Clube

(Foto: Reprodução/blog Canto da Amazônia)
(Foto do acervo de Fernando Canto)
Esse timaço aí na foto, segundo o Mário Corrêa Filho, foi um dos melhores plantéis do Guarany Atlético Clube, fundado pelo seu saudoso pai Milton Corrêa, no bairro do Laguinho.
Da esquerda para a direita em pé: Zé Queiroz, Gainete (goleiro, que depois foi técnico do Flamenguinho Esporte Clube,) o Zeca, Luiz Alberto(hj professor universitario), Gato e o Geraldo ( apelido Cairão, é irmão do Doca agachado).
Agachados: Maximino, Bira, Abdon, Doca e Zé Carlos.
(Foto: Reprodução/blog Canto da Amazônia)
(Foto extraída do blog Canto da Amazônia)
O blog registra com pesar o falecimento do agrimensor, recentemente aposentado, José Conceição Silva dos Santos, o Zeca, filho de Raimundo Barbosa dos Santos e Dona Maria Barbosa da Silva, ocorrido em 16 de setembro de 2011, às 06h00, em Contagem-MG. Zeca, ex-atleta do Guarany Atlético Clube, era irmão dos amigos Nazaré, Carlos e Joca, João e Santa (Geóloga que atualmente mora na Austrália). Zeca (61 anos) era casado com Wandira (filha do saudoso professor Waldir Lira) e deixou três filhos. Como desportista, atuou nos times: Cisne Negro,  Guarany, Macapá, Chouriçaria, São José e Olaria Maguary Clube. Zeca morava em Contagem desde 1974. Era topógrafo e foi um dos fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados.
(Atualizado em 8 de nobembro de 2011)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Funcionários do Amapá em visita ao Corcovado - RJ

(Foto: Reprodução de arquivo)
Funcionários do ex-Território Federal do Amapá em visita ao morro do Corcovado no Rio de Janeiro.
A partir da direita: Carlos de Andrade Pontes, Sr. Mário Santos, Ten. Uadih Charone. Os demais da esquerda não foram identificados. Se conhecer algum - por favor - deixe comentários.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ESPECIAL: RELEMBRANDO O POETA ISNARD LIMA FILHO

Há 70 anos nascia o grande poeta e boêmio Isnard Brandão Lima Filho que cantou em verso e prosa a cidade de Macapá.

(*)Por Paulo Tarso Barros

Isnard Lima em frente ao Bar do Abreu, na Av. Fab (em Macapá - AP. 2001)
Quando eu vi o poeta Isnard Brandão Lima Filho (1941-2002) pela primeira vez, em 1983, ele ainda morava onde atualmente é o bairro Alvorada. Eu trabalhava na Estacon Engenharia e sempre comprava o lanche ou tomava umas cervejas num barzinho próximo. Certa manhã ele apareceu. Desceu de um automóvel e pediu uma cerveja. Estava sozinho, tinha os cabelos ainda pretos, vestia-se com elegância. Magro e triste, irradiava, porém, certa superioridade, um jeito meio irônico e observador. Nunca tinha falado com ele, embora já houvesse lido alguns textos seus e ouvido falar daquele homem de andar compassado, com fama de boêmio e místico. Observando a sua figura, logo me veio à mente a imagem de uma ilustração do livro Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura – anos depois eu escrevi um artigo sobre Isnard o comparando à personagem de Cervantes. Ele começou a fumar, bebeu um pouco e logo puxou conversa comigo, que naquela época já estava com 22 anos e, como qualquer candidato a escritor, louco para publicar um livro. Falei timidamente dos meus escritos, mas o Isnard foi taxativo: “Eu quero ver se são mesmo poemas. Agora virou moda: tem um monte de gente imbecil aqui em Macapá escrevendo e falando muita besteira e dizendo que é poesia. Poesia é coisa séria, não se aprende em universidade e não é pra qualquer um. Não existe poesia ruim; se for ruim, nem é poesia” - sentenciou.
Dois dias depois, fui até sua casa. Havia apenas um cachorro lhe fazendo companhia. Encontrei-o sem camisa, de bermuda e sandália, lendo e fumando. A casa estava cheia de livros, pequenos montes espalhados pela sala. Parecia casa de homem que morava sozinho. Ele logo veio com as suas teorias: “Se estivesse com medo, o cachorro perceberia e te atacaria”. Fiquei conversando com ele, que folheava os meus poemas e, vez por outra, lia alguma coisa em voz alta. Eu estava com medo do seu juízo devastador, cuja fama corria pela cidade. Mas ele não emitiu nenhuma opinião e logo deixou de lado o meu material e foi me mostrar alguns livros, falou sobre animais, a natureza, me mostrou o quintal. Fiquei durante uns quarenta minutos na sua companhia e ele prometeu ler os meus poemas. Depois falaria comigo. Eu me despedi, feliz por ter sido recebido por ele, mas preocupado com a sua opinião que me seria comunicada posteriormente.
Uma semana depois ele apareceu de novo no bar perto da Estacon. Chegou caminhando e trouxe os meus poemas dentro de um envelope. Sorriu para mim, pela primeira vez, e foi muito gentil. Eu fiquei nervoso com aquela reação. Pensei comigo: “Essa amabilidade só pode significar uma coisa: ele não gostou dos meus poemas, e só está sendo gentil para não me magoar muito”. Pediu uma cerveja e eu, nervoso, disse que seria por minha conta (era sexta-feira). Depois de tomar uns dois copos ele me disse: “És um poeta. Parabéns, e olha que não sou de rasgar seda. Mas tu leva jeito pra coisa”. Eu entrei em pânico. Isnard Lima, o implacável, aquele que falava o que sentia, que jamais foi hipócrita, havia me chamado de poeta, embora eu mesmo, até hoje, nunca aceitei esse título ou me fiz passar por tal “entidade” e nunca tive coragem de pedir para ninguém escrever prefácio nos meus livros. Prefiro ser apenas escritor, amigo das letras. Desde aquele dia passamos a manter contato, embora o trabalho me tomasse bastante tempo, inclusive alguns finais de semana, mas sempre deixava as poucas horas vagas e as madrugadas para as leituras e a escrita. Tinha certo receio dos consagrados e participava timidamente da vida literária, que nos anos 80 ainda era muito incipiente, embora muitos pesos pesados (Alcy Araújo, Cordeiro Gomes, Hélio Pennafort, Fernando Canto e o próprio Isnard) ainda tivessem em atividade, mais através da imprensa do que lançando livros, atividade, até hoje, nunca muito praticada entre nós.
Um outro episódio engraçado ocorreu tempos depois. Eu estava almoçando quando recebi um telefonema: era Obdias Araújo, me convocando para uma reunião urgente num bar perto de onde é hoje o Fórum de Macapá. Ao me dirigir àquela reunião, encontro Isnard Lima, Obdias e uns três “papudinhos” numa grande rodada de cervejas, algumas sardinhas, cigarros e umas garrafas de pinga. Minha presença a tão importante “conclave” era muito aguardada, pois eles esperavam que eu quitasse boa parte da despesa. Sem alternativa, dei a minha contribuição e deixei os dois poetas (ora, menestréis não precisam trabalhar e devem, obrigatoriamente, beber muito!) e seus assessores na esbórnia e voltei ao meu trabalho de almoxarife e comprador, que me manteve durante oito anos, quando colaborei um pouquinho na construção do Teatro das Bacabeiras, Assembléia Legislativa, Marco Zero, Estádio Zerão, Centro Cívico e muitas outras obras importantes.
No lançamento do meu primeiro livro, Poemas de Aço, lá estavam Isnard Lima, Alcy Araújo, Obdias Araújo e Fernando Canto. Isnard quis declamar um dos poemas e buscou entre os presentes alguém com óculos, pois não queria fazer feio na casa de sua mãe: estávamos na Escola de Música Walkíria Lima. Mais tarde, ele e Obdias se desentenderam por causa de 50 litros de chopp – eu tive que levar o restante para casa, pois ninguém deu conta de tanta bebida. Alcy não bebeu nada: já chegou com o tanque cheio, caminhando apoiado em sua bengala.
Na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, uns dois anos antes de sua morte, autoridades e convidados comemoravam o aniversário de Macapá. O Prefeito hasteava a bandeira, a banda de música dos Bombeiros executava a Canção do Amapá. De repetente Isnard Lima apareceu vestido de branco, com aquela sua pasta e o guarda-chuva, falando bem alto e tossindo muito: “Não gosto de hinos! Eu detesto hinos! Eu não sou inglês!” Saí discretamente e o segui até o interior da Biblioteca para acalmá-lo. Ele estava bravo, meio embriagado e me disse: “Vou brigar com Alcinéa Cavalcante, pois não gostei de uma desfeita que ela me fez. Imagine, não me recebeu na casa dela, logo eu que fui grande amigo do pai dela, Alcy Araújo”. Segurei no seu ombro e lhe falei: “Isnard, por que a Alcinéa, que além de uma dama é poetisa? Logo ela, a pessoa que mais te elogia, que mais cita teus poemas e que te adora? Ela tem verdadeira paixão pela tua obra e por ti. Outra coisa: nunca vá até a casa dela antes das dez horas da manhã”. Ele ficou todo desconcertado e nunca mais falou em brigar com Alcinéa. E quando a cerimônia já estava ocorrendo no salão da Biblioteca, Isnard ainda arranjou uma discussão com o artista plástico R. Peixe (de quem faria uma biografia), na hora do discurso do Prefeito. Tive que mais uma vez apaziguá-lo.
Isnard costumava buscar papel e pedir que alguém, com muita paciência, digitasse os seus textos (pois ele sempre foi um perfeccionista e teimava em colocar letra maiúscula depois dos dois pontos) na época em que eu era lotado na Assessoria de Juventude do Governo do Estado. Havia uma moça que trabalhava conosco e nos servia o cafezinho. Eu, por brincadeira, comecei a mentir ao Isnard de que ela gostava de “coroas” que soubessem dançar bolero, tango e declamassem poemas. A partir de então ele nos visitava diariamente e se dirigia direto para a copa, onde passava horas conversando com a distinta, lia-lhe a mão com aquela lupa enorme que carregava consigo. Parecia rejuvenescido. Ficava galante. Na hora de ir embora nós tínhamos que dar um jeito de arrumar um veículo para levá-lo ou pagar sua passagem. Esses fatos pitorescos servem para relembrar um grande poeta, que sonhava em montar uma banca para vender revistas e produtos esotéricos; sonhava em publicar 5 mil exemplares do seu livro, viajar pelo Brasil para ganhar um bom dinheiro e comprar um carro seminovo; que me dizia: “Paulo Tarso, você tem que arranjar umas dez mulheres bonitas, lindas, deslumbrantes, daquelas de parar o trânsito para que elas visitem os empresários, políticos, juízes e autoridades e consigam dinheiro para a Associação de Escritores. A gente bola um Livro de Ouro e eu aposto que todo mundo vai assinar e contribuir. Com mulher bonita todo homem se derrete, fica besta!”
Isnard sempre viveu como um poeta. Acho que jamais seria um funcionário público exemplar, de dar expediente, assinar o ponto: ele não nasceu para isso, me disse uma vez. Passou seus últimos anos morando numa casinha humilde, de madeira, ao lado de sua companheira Ana Maria. Embora fosse bacharel em Direito, nunca ganhou dinheiro com a profissão. Mas dona Carmosina, sua primeira esposa e mãe de suas filhas, sempre lhe deu apoio. Para ambas ele deixou poemas, belos poemas cheios de ternura e carinho.
Certa vez, durante uma visita que lhe fiz, estava sentado, pensativo, no pátio e eu lhe disse: “Essa era a vida que eu queria pedir a Deus: uma vida de poeta.” Ele, triste, me respondeu: “Você nem imagina como eu estou me sentido, sozinho e liso, muito liso: não tenho um tostão furado no bolso”. Aquilo me deixou comovido e eu tive que inventar uma historinha para tentar elevar o seu ânimo e pingar alguns trocados na sua mão. Mas quem, na vida, nunca se sentiu assim, principalmente um espírito como o de Isnard Lima?


(*) Paulo Tarso Barros é escritor e professor (http://paulo.tarso.blog.uol.com.br)

Texto publicado pelo autor, originalmente, em 06 de fevereiro de 2007.

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