Mostrando postagens com marcador Memórias do Largo dos Inocentes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memórias do Largo dos Inocentes. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de novembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 3: AS LEMBRANÇAS DE DONA CACILDA PIMENTEL

Hoje nossa terceira homenageada do Largo dos Inocentes, é Dona Cacilda da Cruz Pimentel.

Mulher de fibra, fé e ternura, Dona Cacilda pertenceu a uma geração que não apenas viveu o Formigueiro, mas o inventou com o suor, a coragem e a solidariedade do cotidiano. Com sua presença marcante, ajudou a formar as primeiras famílias que deram origem ao centro da cidade, costurando laços de vizinhança e esperança em tempos de poucos recursos, mas de abundante humanidade.

No compasso dos dias simples, Dona Cacilda fez de sua casa um abrigo e um ponto de encontro. Ali se acolhiam os que precisavam de conforto, ali se partilhavam rezas, saberes, alimentos e alegrias. Era o lar onde se teciam as relações de respeito e união que, ainda hoje, ecoam entre descendentes e vizinhos.

Sua generosidade tornou-se referência para muitos nas horas difíceis, e sua memória, um símbolo de solidariedade. Seu exemplo transcendeu o tempo — não apenas como lembrança familiar, mas como herança viva na cultura popular, nas festas, nas orações e nas tradições que seguem pulsando no Largo dos Inocentes - Formigueiro.

Relembrar Dona Cacilda é celebrar a força das mulheres que, com gestos simples e fé profunda, ergueram os alicerces invisíveis da cidade. É reconhecer que a história também se escreve com afeto e que a memória, quando preservada, continua a iluminar o presente.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Depoimento do ex-Prefeito João Henrique Pimentel

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 2: TIA MUNDICA: SABOR, GENTILEZA E MEMÓRIAS SERVIDAS QUENTES

Hoje recordamos Raimunda Tavares da Silva, a segunda mulher pioneira do Largo dos Inocentes homenageada aqui no blog Porta-Retrato.

Foto: Arquivo da Família

Dona Raimunda Tavares da Silva, carinhosamente conhecida como Tia Mundica, nasceu em Macapá no dia 25 de setembro de 1915 e faleceu em 14 de novembro de 1996, aos 81 anos. Filha de Cláudia Coimbra, casou-se com Benedito Costa da Silva (Biló) e foi morar na localidade de Coração. Lá, teve quatro filhos: Maria Neuzarina e João Gualberto (ambos já falecidos), além de Cezarina Perez, José Raimundo (Billy Pan) e Maria dos Anjos Tavares da Silva Miguel.

Há vidas que passam de forma silenciosa, mas deixam marcas profundas, como cheiro de comida boa que invade a rua e nunca mais sai da memória. Dona Raimunda, Tia Mundica para os mais próximos, foi assim: presença simples, coração generoso e mãos que transformavam afeto em alimento.

Na Macapá das décadas de 1940 e 1950, quando professoras recém-chegadas desembarcavam no Amapá para servir no governo do Cel. Janary Nunes, a casa de Tia Mundica se tornava abrigo. Ali não era só panela no fogo. Era porta aberta, sorriso que descansava o coração e aquele jeito de fazer qualquer pessoa sentir que pertencia. Um gesto simples, mas grande como o rio Amazonas, mostrando o espírito hospitaleiro do amapaense. No prato, mingau de milho quentinho, tacacá que abraçava a alma, açaí batido com carinho. E, por cima de tudo isso, a sensação de lar, costurada com afeto, para quem estava longe de casa e ainda procurando seu lugar.

Seu talento culinário virou referência. Seu cuidado, lembrança viva. Sua mesa, lugar de encontro e afeto. Na simplicidade da vida comunitária, ela criou raízes que ainda florescem nas lembranças de quem provou sua comida e, mais ainda, sua gentileza.

Celebrar Tia Mundica é lembrar que a história de uma cidade também se escreve com tempero, carinho e portas abertas. E que existem pessoas que, mesmo sem grandes títulos, se tornam patrimônio afetivo de um povo.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Depoimento da filha, Maria dos Anjos (2025)

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 1: A DOCE LEMBRANÇA DE TIA GUÍTA

Nos últimos anos, a Prefeitura de Macapá vem realizando um importante trabalho de revitalização dos espaços históricos e culturais da cidade. 

Entre as ações mais simbólicas está a recuperação da Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, um lugar que guarda séculos de memória e identidade amapaense. O projeto incluiu a instalação de tótens informativos que homenageiam personalidades que deixaram marcas profundas na formação social e cultural da capital.

Personalidades homenageadas nos totens informativos:

  • Benedicto Antônio Tavares (1868–1941)
  • Francisca Luzia da Silva – Mãe Luzia (1854–1954)
  • Maria Lopes da Silva – Maria Joana (1893–1970)
  • Maria Rosa Tavares de Almeida – Micota (1896–1986)
  • Raimunda Tavares da Silva – Tia Mundica (1925–1996)
  • Maria de Lourdes Serra Penafort (1927–1989)
  • Ursula Evangelista da Costa Cecílio – Tia Ursinha (1915–2005)
  • José Maria Chaves – Zé Maria Sapateiro (1924–2019)
  • Adélia Tavares de Araújo – Tia Guita (1916–1997)
  • Lucimar Araújo Tavares – Tia Luci (1920–2013)
  • Militina Epifania da Silva – Milica
  • Aristarco Figueiredo Brito (1942–)
  • Tereza da Conceição Serra e Silva (1860–1940)
  • Janiva de Menezes Nery – Dona Nini (1924–)
  • Aurilo Borges de Oliveira (1917–1976)
  • José Rosa Tavares (1924–)
  • Francisco Castro Inajosa – Mestre Chico (1911–1945)
  • ⁠Maria Germinina de Mendonça Almeida (1942)
  • ⁠Cacilda da Cruz Pimentel (1910-1974)
  • ⁠José Duarte Azevedo – Zé Mariano (1902-1986)⁠
  • ⁠Professora Zaide Soledade (1934 – 2015)
  • ⁠Antônio Munhoz Lopes (1932 – 2017)

Esses totens, dispostos ao longo da praça, não apenas embelezam o espaço público, mas também resgatam histórias de vida que, por muito tempo, permaneceram guardadas na lembrança oral do povo. É como se o Largo, renovado e pulsante, se transformasse em um verdadeiro museu a céu aberto, onde cada nome, cada rosto e cada palavra nos reconectam com o passado.

É nesse contexto que o Porta-Retrato – Macapá, espaço dedicado à preservação das memórias da cidade, abre hoje suas páginas para recordar uma dessas figuras inesquecíveis: Tia Guíta, mulher de fé, poesia e sabor.

Tia Guíta: Doces Lembranças

Nas margens antigas do rio e nas ruas de chão batido da velha Macapá, vive ainda a lembrança de uma mulher cuja presença iluminava as festas, as cozinhas e as rodas de tradição. 

Adélia Tavares de Araújo, mais conhecida como Tia Guíta (1916–1997), foi uma das figuras mais queridas e emblemáticas da cultura amapaense.

Nascida na Rua da Praia, coração pulsante da antiga cidade, Tia Guíta cresceu em meio ao cheiro do peixe fresco, ao som dos tambores do marabaixo e ao murmúrio do rio Amazonas. Cozinheira de talento e alma generosa, era procurada por muitos que desejavam saborear seus quitutes — e, sobretudo, o inesquecível mingau de mucajá, receita que atravessou o tempo como símbolo de afeto e identidade.

A vida a levou também ao garimpo do Lourenço, onde aprendeu o francês crioulo com trabalhadores vindos de várias partes. Essa habilidade rara lhe abriu portas: as autoridades do antigo Território Federal do Amapá frequentemente a chamavam para traduzir conversas e documentos, reconhecendo nela uma mulher de sabedoria e sensibilidade.

Devota fervorosa de São José, santo padroeiro de Macapá, Tia Guíta não se limitava à cozinha nem ao trabalho. Era também dançarina e poetisa, presença marcante nas rodas de Marabaixo e Batuque, onde o corpo e a palavra se uniam para celebrar a vida, a fé e a ancestralidade negra amapaense. Sua voz, firme e doce, ecoava nas festas como quem reza dançando e dança rezando.

Hoje, o nome de Tia Guíta está gravado na história e no coração de Macapá. Sua memória repousa entre o sagrado e o cotidiano — na fé de São José, no ritmo do tambor, no sabor do mucajá e na poesia simples que nasce das margens do rio. Lembrá-la é honrar todas as mulheres que, com trabalho, arte e devoção, ajudaram a construir a alma dessa cidade amazônica.

Dona Amélia Tavares de Araújo, irmã de Dona Venina Tavares de Araújo, foi esposa do renomado desportista Wenceslau do Espírito Santo, conhecido como o lendário “16”, múltiplo campeão pelo Amapá Clube. Foi mãe de Norberto Tavares de Araújo Neto, que também seguiu os passos do pai, atuando como atacante no Amapá Clube e na Sociedade Esportiva e Recreativa São José.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

– Pesquisa e texto original da Professora Mestra Mariana Gonçalves.

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...