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sábado, 27 de agosto de 2016

Foto Memória do Rádio Amapaense: O advento da antiga Rádio Equatorial de Macapá

Em 1962, surgiu em Macapá a ZYD 11 - Rádio Equatorial de Macapá - "o melhor som da cidade".
Em 23 de dezembro de 1962, num domingo, entrava no ar a segunda estação de Rádio AM (Amplitude Modulada) lançada em Macapá, a ZYD-11 – RÁDIO EQUATORIAL DE MACAPÁ – que, por ser clandestina, teve vida efêmera.
( Foto: Reprodução /Acervo Mário Chagas )
Ano 1962 - Técnico Mário Chagas ao lado do transmissor Philips de 250w, da extinta ZYD-11-Rádio Equatorial de Macapá, que após o seu fechamento, e confisco dos bens pelo Governo do Amapá, foi utilizado, por algum tempo, pela Rádio Difusora de Macapá.
( Contribuição do amigo Cícero Melo )
Pertencia a um grupo de pioneiros, que através da SATRA - Sociedade Anônima Técnica de Rádio do Amapá - conseguiu colocar no ar uma emissora de ondas médias que, na época, irradiava em HI-FI (termo técnico que em inglês significa Alta Fidelidade), na frequência de 1.490 kilociclos, utilizando um transmissor “Philips” de 250 W (um quarto de kilowatt), cobrindo um raio de pouco mais de 30 quilômetros.
( Foto: Reprodução /Acervo Mário Chagas )
Ano 1962 - Mesa de som da extinta Rádio Equatorial que, após o seu fechamento, e confisco dos bens pelo Governo do Amapá, foi também utilizada por algum tempo pela Rádio Difusora de Macapá, bem como todo o seu acervo.
( Contribuição do amigo Cícero Melo )
Tinha um som espetacular, considerado na época, “o melhor som da cidade”.
Era uma sociedade formada por técnicos do serviço de telecomunicações do Governo, jornalistas e outros servidores do ex-Território do Amapá, que, nas horas de folga iam para lá.
Faziam parte da SATRA, os jornalistas Alcy Araújo Cavalcante e José Maria de Barros (diretor artístico da nova emissora); os radiotecnicos Remy do Rego Barros, Arinaldo Gomes Barreto, (pai do Dep. Lucas Barreto) e Sr. Raimundo Rodrigues ( “seu” Pépe); os radiotelegrafistas Agenor Rodrigues de Melo (trabalhava na Radional), Manoel Joaquim Esteves Rodrigues (irmão do delegado Teobaldo Souza); o empresário José de Matos Costa - “Zelito”(proprietário da Rádio Equatorial, atual), além dos técnicos em eletrônica Mário Chagas da Costa e Ivaldo Alves Veras.
A emissora tornou-se clandestina porque, um dos sócios da SATRA - também radiotelegrafista - valendo-se da fiscalização precária na região, redigiu um telegrama, simulando assim, ser um documento oficial autorizativo de seu funcionamento, e que tivesse sido emitido pelo Órgão competente do Governo Federal.
( Foto: Reprodução /Acervo Mário Chagas )
( Clique na foto para ampliá-la )
Ano 1962 - Estúdios da extinta Rádio Equatorial de Macapá, instalados inicialmente, na Av. Pe. Júlio Maria Lombaerd, esquina com a Rua Marcelo Cândia, no Bairro Santa Rita.
( Foto: Reprodução /Acervo Mário Chagas )
( Clique na foto para ampliá-la )
 ( Contribuição do amigo Cícero Melo )
No Detalhe: Ano 1962 - Funcionários da extinta Rádio Equatorial de Macapá, em frente ao prédio da emissora, no bairro Santa Rita em Macapá.
Da esquerda para direita: Antônio (Motorista); (?)(Servente);Mário Chagas (Técnico e acionista); Jurandy, Janduí, Jorge Gonçalves (Locutor); Carlos Lins Corte (Baião Caçula - agachado - operador de áudio); Fernando Dias(Locutor); Edvar Mota(Locutor); Remy do Rego Barros(Técnico); Emanuel Cruz (Acionista);José Rodrigues (Seu Pépe - acionista/Técnico); Agenor Rodrigues de Melo (Presidente/acionista);
A nova emissora entrou em operação em 23 de dezembro de 1962, e cumpriu um período experimental, até final de janeiro de 1963, no horário de 12h às 14h e de 20h às 23h.
Devido à boa qualidade do som HI FI, e pela diversificação de sua programação, conseguiu conquistar boa parte da audiência, até então monopolizada pela Rádio Difusora de Macapá, que, por ser a única, reinava absoluta nesse campo desde sua fundação em 1946.
(Reprodução de arquivo)
Para ampliar clique na foto
(Foto extraída do blog da jornalista Alcinéa Cavalcante)
Suas instalações foram montadas, inicialmente, em um terreno na Av. Pe. Júlio Maria Lombaerd esquina com a rua Marcello Cândia, onde hoje está erguida a Escola Estadual Profº Lucimar Amoras Del’Castilo.
A localização dos estúdios debaixo da antena radiante, provocava indução devido ao retorno da radiofrequência sobre os equipamentos, e causava uma interferência muito forte nas transmissões prejudicando, sobremaneira, a qualidade do som.
Como solução para o problema, o estúdio da emissora, onde ficavam situados os equipamentos de áudio, teria de ser todo revestido com telas de arame.
Por essa razão, seus estúdios foram transferidos para longe da torre irradiante, isto é, para o centro da cidade, mais precisamente, para a rua Coronel José Serafim Gomes Coelho, hoje Tiradentes, entre as avenidas Coronel Coriolano Jucá e Presidente Vargas, em frente à Panificadora S. José (hoje desativada), dos irmãos Aurino (Tenente) e Sandoval (Sandó) Borges de Oliveira, no Centro da cidade.
Para evitar despesas com pagamento de aluguel, a SATRA conseguiu, com a Administração Territorial da época, a cessão de uma residência pertencente ao acervo patrimonial do Governo do Amapá, localizada na mesma rua Coronel José Serafim, só que esquina da Av. Iracema Carvão Nunes onde instalou seus equipamentos de estúdio.
A responsável pela discoteca da emissora era a locutora Osvaldina Fiqueira que depois foi também discotecária e locutora da Rádio Difusora de Macapá.
A música que servia de prefixo e sufixo musical da Rádio Equatorial era o clássico “Exodus” com a orquestra de Ferrante & Teicher.
Ouça, e relembre aqui a música que era usada como PREFIXO e SUFIXO musical  da programação da Rádio Equatorial de Macapá:
A Rádio Equatorial funcionou durante todo o ano de 1963 em ondas médias, com o beneplácito do Governo do Território, até a chegada do 1º Governador do período revolucionário - General Luiz Mendes da Silva - em meados de maio de 1964, quando foi, literalmente, confiscada pelo Comando Revolucionário que se instalou no Brasil em 31 de março.
Com o fechamento da emissora, todo o seu acervo – técnico, artístico e patrimonial – foi encampado pelo Governo do Território do Amapá e incorporado ao patrimônio da Rádio Difusora de Macapá, por ser esta, a emissora oficial.
A Difusora, então passando por um momento de dificuldade, vinha operando, já há algum tempo, somente com a onda tropical de 4.915 kilociclos em 61 metros, pois o seu transmissor de ondas médias, havia seguido para revisão na fábrica, em S. Paulo e de lá nunca mais voltou.
Com a medida a RDM voltou a operar em ondas médias, na mesma frequência que vinha sendo utilizada pela Rádio Equatorial, ou seja, de 1490 kilocíclos.
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Pesquisa iniciada (e atualizada) pelo radialista João Lázaro, em outubro do ano 2000.
Colaborou: o historiador Nilson Montoril de Araújo.
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(Última atualização/agosto de 2016)
NOTA DO EDITOR
Um detalhe histórico: Embora eu tenha tido meu primeiro contato com um microfone, amadoristicamente, aos 12 ou 13 anos, através da PRH-3 - um Serviço interno de Auto Falantes, do Centro Educacional do Laguinho em 1960/61 - foi na Rádio Equatorial que tive a oportunidade de falar para a comunidade através de uma emissora de radiodifusão.
Em 1963, eu fazia o Curso Ginasial, na Escola Normal de Macapá, e naquele tempo existiam nas escolas os Grêmios estudantis, que eram entidades autônomas representativas dos interesses dos estudantes secundaristas, com finalidades educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais.
O Grêmio Literário e Cívico “Barão do Rio Branco” era o da Escola Normal, comandado pelo Getúlio Albuquerque, um dos líderes do movimento estudantil da época.
E atendendo ao convite do Getúlio, aceitei apresentar em dupla, o programa radiofônico do Grêmio - "A Voz Estudantil da Escola Normal" - que ia ao ar nas manhãs dos sábados, pela ZYD-11, sempre no horário de 10:30 às 11:00h.
A apresentação era toda escrita como se fosse um Jornal Falado. Nós apenas líamos as notícias.
Não me lembro mais quem fazia dupla comigo, nem até quando o programa ficou no ar. Salvo engano era a Maria Emília Jucá.
Se alguém se lembrar pode ajudar nos comentários.(João Lázaro)
 (Repaginado em agosto de 2016)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Foto Memória do Rádio Amapaense: Os 72 anos de CLAUDIO COUTINHO – 48 dedicados ao Rádio e à Cultura do Amapá

Há 72 anos, na quinta-feira - 1º de abril de 1948 – nascia CLÁUDIO COUTINHO DIAS, um dos maiores e melhores profissionais da radiofonia amapaense. Operador, produtor e editor de áudio, com relevantes serviços prestados ao Rádio e à Cultura da Amazônia.
Cláudio é macapaense, filho caçula de nove irmãos de Thomas de Souza Coutinho e Militina Coutinho Dias. Viveu sua infância e adolescência na Rua do Canal, como hoje é chamada a Av. Mendonça Júnior. Fez seus primeiros estudos no grupo Escolar Barão do Rio Branco e o ginasial no Ginásio de Macapá. Católico praticante, sempre frequentou a Paróquia de São José, onde foi batizado, catequizado, crismado e também coroinha (acólito). Como todo garoto de sua época, Cláudio jogou futebol e outras moralidades esportivas na Casa dos Padres e passou pelas fileiras do escotismo.
Mas foi na juventude que nasceu seu gosto pela música, e o desejo de ouvi-la e senti-la mais de perto. Era ouvinte assíduo da Rádio Difusora e outras emissoras do país e do mundo. Assim o rádio começa a entrar na sua vida de forma a seduzi-lo definitivamente na década de 1960, mas esse desejo somente começa a se materializar na primeira metade dos anos 1970, quando ele entrou pela primeira vez num estúdio de rádio, para realizar, juntamente com outros candidatos, testes para operador de áudio na Rádio Educadora São José de Macapá, emissora inaugurada em 1968, de propriedade da então Prelazia de Macapá.
Aprovado nos testes e admitido em 1972, Coutinho começou então sua carreira de operador de áudio, na Rádio Educadora, emissora em que viveu a “Época de Ouro” do Rádio Amapaense, sendo o personagem destacado naquele contexto, e desde o início de sua promissora carreira, destacou-se com afinco ao seu trabalho, investindo seus esforços para a melhor qualificação profissional com a convicção de que seu futuro estava no rádio.
Com o fim das atividades da RE, Coutinho mudou-se para Belém do Pará ainda em 1978 e um novo ciclo se iniciou em sua carreira. No rádio paraense teve oportunidade de passar pelas principais emissoras e enriquecer sua performance nos estúdios ao trabalhar ao lado dos melhores técnicos e locutores do Estado do Pará.
Em sua passagem pela capital paraense, Cláudio Coutinho atuou nos quadros da Rádio Guajará – pertencente ao Grupo NEO – Administração e Participações. 
No ano seguinte, passou a trabalhar na Rádio Liberal, pertencente às Organizações Rômulo Maiorana. 
Posteriormente trabalhou na Rádio Marajoara e como estagiário atuou nas Rádios Rauland FM e Cultura do Pará.
Após sua experiencia pelas emissoras belenenses Cláudio rumou com sua família para o município de Tucuruí, em 1981, para trabalhar na empresa paulista Camargo Corrêa. Para não fugir ao hábito, também atuou no rádio local  na Rádio Floresta FM. Em 1984, decidiu retornar à Macapá e iniciar uma nova fase  em sua carreira profissional e em sua vida, resgatando as paixões  que cultivava na infância, e na adolescência, passando a interagir de forma atuante, juntamente com sua família, nas manifestações culturais e folclóricas nos bairro do Laguinho e Perpétuo Socorro.
Depois que voltou à Macapá, Coutinho atuou em vários veículos de comunicação da capital amapaense como: Rádio Nacional AM e FM(RADIOBRÁS), Tv Amapá e Rádio Amapá FM (Rede Amazônica), Rádio Equatorial AM e FM (Sistema Z Publicidade do Amapá), Rádio Antena 1 102,9 (Sistema Beija-Flor).
Nessa nova etapa, transitando por diversos estúdios, e convivendo com grandes profissionais do rádio, Cláudio Coutinho consolidou seu nome no rol seleto dos grandes profissionais do Rádio amapaense, e pelo visto, essa história ainda vai durar bastante tempo.
Cláudio Coutinho, com seu jeito simples, fez grandes amizades com os comunicadores Ermínio Gurgel e Osmar Melo, que formavam a dupla “Pai Véio e Pai D’Égua”, apresentadores do programa “Alvorada Sertaneja” (na Rádio Nacional/Difusora). e José Ney Picanço e Silva (J.Ney), com quem trabalhou nos programas “Bom Dia Dia” e  “Sua Excelência o Domingo”.
Além dos companheiros de trabalho citados, Cláudio também aponta profissionais que marcaram sua carreira, na comunicação radiofônica como Moisés Tavares, Isaias Ramos (Bomba D’Água). Moacyr Banhos, Epaminondas Júnior, Edvar Mota, Joaquim Ramos, Waldemir Souza(Pirulito), Orivaldo Santos (Galinho), Roberto Nery, Joaquim Neto, Cristina Homobono, João Lázaro, Paulo Silva, Aníbal Sérgio, Lígia Mônica, Janete Carvalho, Célio Alício, Marcelo Nery, Manoel Ribeiro, Celso Rabelo, José Maria Coelho e muitos outros.Humkberero MoreiraHumberto
Apesar da idade avançada Claudio Coutinho continua prestando serviços como operador de áudio, em Macapá.
Fonte: Texto de Célio Alício, adaptado ao Blog Porta-Retrato a pedido do biografado.
Célio Alício Cardoso: Historiador, professor, radialista, comentarista esportivo, pesquisador e ativista cultural, poeta e compositor.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

MEMÓRIAS DO RÁDIO AMAPAENSE – RADIALISTA DINA FIGUEIRA

 MUITO ALÉM DE UMA BONITA VOZ.

Texto: José Machado

O acaso fez o ingresso no Rádio, de OSVALDINA FIGUEIRA BARROS, conhecida artisticamente como “Dina Figueira”, levada pelo radialista Edvar Mota.

Meados dos anos 60, quando ao ser atendido por aquela jovem vendedora, com um timbre de voz característico em níveis harmônicos e padrão sônico atrativo, o veterano locutor de apurada audibilidade, teve a certeza de que estava à frente de uma grande promessa como locutora.

Convite aceito e aprovada no teste Osvaldina, integrou a equipe da ZYD-11 Rádio Equatorial, recém-inaugurada, hegemonicamente masculina. Se revezava ao microfone, com grandes profissionais da nova emissora, que foram alinhavando sua carreira.  -

Com a intervenção Federal, parte dos recursos humanos e do acervo técnico foram absorvidos e incorporados à Rádio Difusora de Macapá.

Algum tempo depois, sentindo que Macapá estava pequena para os seus sonhos Dina, buscou outras plagas, onde pudesse expandir seu talento.


Apostou na afirmação de sua carreira profissional, que lhe oportunizou transitar por outros meios de comunicação. E, em 16 de abril de 1967, foi contratada pela PRC-5 Rádio Clube do Pará.

Sua melíflua voz, passava uma sensação de tranquilidade e, ganhou destaque na radiodifusão paraense, uma grande comunicadora, um misto de dicção perfeita (alternâncias rítmicas das ênfases, clareza e expressividade).

Sabia usar a entonação certa que o texto exigia: forte, suave ou emocional-tendências estilísticas de uma boa locução que ampliaram as oportunidades e, passou a gravar comerciais para rádio e TV.

Começou a ser cobiçada por outras emissoras e, foi assim, que migrou para a RBA-Rede Brasil Amazônia, atuando na Rádio e Televisão daquele Grupo de Comunicação.

Em junho de 1974, Dina contraiu matrimônio e deixou o rádio paraense, fixando residência em São Paulo. Naquele mesmo ano, tentou ingresso nas Rádios: MULHER e AMÉRICA, optando pela segunda, que lhe oferecia maiores vantagens salariais e em termos de mobilidade – próxima de seu apartamento.

Com o tempo, a impossibilidade de conciliar maternidade e trabalho, Dina optou então por um afastamento, temporário, que se tornou definitivo, frustrando suas perspectivas profissionais. Sua trajetória, apesar de intensa, foi encerrada prematuramente.

Apesar da dificuldade de protagonismo Dina, foi uma figura proeminente que conseguiu, se destacou e marcou época. Abriu caminho para que outras mulheres viessem ingressar em um mercado predominantemente masculino, sob grande intimidação social.

Àquelas que ousavam pensar em trabalhar como locutoras, temiam as críticas maledicentes. Embora não houvesse nenhum caso explicitamente declarado, sempre havia uma insinuação de uma vida íntima mundana.

Histórias como da Dina, eram casos rotineiros em um País, que tinha forte “localismo” - apego a um conservadorismo demagogo de costumes sociais e culturais, opondo-se a qualquer tipo de movimentos progressistas.

E, quanto menor a cidade, maior os tabus e preconceitos, baseados em justificativas e padrões sociais construídos sob a ótica, de uma suposta   superioridade masculina.

Sua decisão, causou em sua família num primeiro momento, reprovação que o tempo, se incumbiu de provar que a preocupação era infundada.

Assim como Edna Luz, que ingressara um pouco antes na Difusora - Dina, experimentou o conflito do exercício da profissão, da crítica, às facetas do preconceito associados a esse meio de comunicação.

Encarou com denodo, todo tipo de tolhimento que as mulheres enfrentaram para alcançar seus sonhos e, de romper com os padrões estigmatizantes.

Entre recuos e avanços, Dina foi escrevendo a história de uma batalhadora, que se livra de todas as amarras opressoras sozinha e, se faz como uma mulher vitoriosa.

Fez carreira, história e dividiu as fainas diárias com seus colegas homens, sem sofrer nenhum tipo de hostilização ou constrangimentos.

Dina, viveu historicamente um período difícil profissionalmente e, precisou de ousadia para adentrar espaços de exclusão feminina.

Osvaldina Figueira, está entre as maiores revelações do rádio no Norte do Brasil. Profissional eclética, destacou-se como (DJ), apresentadora de jornais falados e informativos

Transitou e residiu em várias capitais, acompanhando o esposo que era bancário. Após esses exílios voluntários, retornou à Belém onde fixou residência e, atualmente goza de merecida aposentadoria.

A mesma personalidade forte, extrovertida que demonstrava diante do microfone ao vivo, também era vista por amigos e familiares.

O afeto e o carinho com que tratava os colegas e ouvintes, a exaltação do amor pela vida, não por acaso, explicava a paixão que ela sentia pela profissão.

OSVALDINA FIGUEIRA BARROS (Dina), uma moça simples, humilde que lutou contra as adversidades da vida, que se reinventou buscando conhecimento, à conquista de seu espaço e, se fez importante para muitos.

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Nota do Editor:

Muito oportuna e gratificante homenagem que o veterano companheiro José Machado faz à Osvaldina Figueira Barros, uma colega radialista que tive o privilégio de conhecer desde os primeiros dias nessa envolvente profissão.

Lembro, claramente, de Dina Figueira como locutora e discotecária, na antiga ZYD-11 – Rádio Equatorial de Macapá-(AM), a segunda emissora de amplitude modulada, que existiu na capital amapaense, no início dos anos 60.

Após o fechamento da emissora, que era clandestina, reencontrei essa brilhante profissional na Rádio Difusora de Macapá., desempenhando as mesmas funções na discoteca e ao microfone.

Com este meu testemunho, venho corroborar de forma contundente e irrefutável, a importante contribuição de Dina Figueira, ao Rádio amapaense, magnificamente homenageada por nosso confrade, neste belo texto, que, com prazer, trazemos aos leitores do blog Porta-Retrato. (João Lázaro)

Fotos: Reprodução (arquivo pesoal)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Montagem das torres de transmissão da Rádio Educadora de Macapá

Há 43 anos - em 4 de agosto de 1968 - entrava no ar, em Macapá, a terceira emissora de AM (Amplitude Modulada) do Amapá: a Rádio Educadora São José de Macapá.
A primeira foi a Rádio Difusora de Macapá - emissora oficial do Governo do Amapá - que foi inaugurada em 11 de setembro de 1946.
A segunda foi a ZYD 11 - Rádio Equatorial de Macapá - que por ser clandestina teve vída efêmera. Entrou em operação em 23 de dezembro de 1962.
Estas fotos raras - de 1967 - fazem parte da história da Rádio Educadora São José de Macapá, de propriedade da Prelazia de Macapá.
São imagens inéditas que pertencem ao acervo da família do técnico Remy do Rêgo Barros - um dos montadores do parque transmissor e dos equipamentos nos estúdios daquela emissora católica. Essas cópias nos foram gentilmente cedidas por sua filha Sandra Barros, via e-mail, justamente com outras mais que já foram publicadas, anteriormente, no blog Porta-Retrato.
Nestas duas primeiras fotos vemos Remy Barros (de camisa branca) no comando da montagem de uma torre irradiante de 60 metros de altura, numa zona alagada do bairro do trem, local em que foi erguido o parque transmissor.
( Foto: Reprodução / acervo família Remy Barros)
( Foto: Reprodução / acervo família Remy Barros)
Na foto 3 já vemos a torre erguida e a equipe fazendo os arremates.
A ZYA-52, iniciou testes experimentais em 1º de maio de 1988. Foi inaugurada oficialmente em 4 de agosto de 1968.
A emissora apresentou uma programação inovadora para a época, planejada pelo diretor artístico José Maria de Barros, que também era um dos sócios fundadores.
Outra novidade, ficava por conta dos avanços tecnológicos projetados pelo padre Domênico Bottan (já falecido).
Os funcionários fizeram um curso de preparação (1967) meses antes da emissora entrar no ar.
Apesar de ser uma emissora católica, a Rádio Educadora manteve uma programação variada.

O Fechamento da emissora - Em março de 1978, o conselho eclesiástico da Prelazia de Macapá resolveu montar um questionário para decidir sobre o futuro da Rádio Educadora. Foram elaboradas 12 perguntas e encaminhadas a todos os padres que atuavam nas paróquias da capital. O questionário foi elaborado em italiano e respondido no mesmo idioma pelos sacerdotes.

Os padres tinham um prazo para entregar o questionário até o dia 12 de março. As respostas poderiam ser dadas na mesma folha das questões ou em uma folha à parte, sendo que a maioria preferiu a última opção. 
Vinte padres responderam o questionário. Apenas Dante Bertolazzi, José Busato e Lino Simonelli votaram pela continuação das atividades da emissora, desde que tentassem outras maneiras para continuar com a rádio e a tornasse mais católica. Os padres Angelo Biraghi, Angelo Bubani, Luis Carlini, Angelo Consonni, Angelo Da Maren, Domingos Franzese, Francisco Mazzoleni, Fúlvio Giuliano, Sandro Galazzi, Vitório Galliani, Jorge Pedemonte, Gianfranco Picozzi, Angelo Pighin, Nello Ruffaldi, Vendramino Zanardo e Salvador Zona votaram pelo fechamento da Rádio Educadora. O padre Paulo Lepre não se arriscou a dar uma resposta definitiva sobre o assunto.
No mês seguinte, mais precisamente no dia 17 de abril de 1978, a Rádio Educadora São José encerrou as atividades. Era uma segunda-feira. A emissora encerrou com um pronunciamento do padre Jorge Basile, lamentando sobre o fechamento da rádio, e a execução do prefixo, o Lago dos Cisnes.
Depois veio um silêncio, o desfecho de quase uma década de história da emissora de rádio da Prelazia de Macapá. No final do mês, os transmissores foram lacrados e as portas fechadas.
O conselho da Prelazia decidiu então fechar as portas da Rádio Educadora.
(Fonte: Os dez anos da Rádio Educadora de São José (1968 - 1978) TCC - Acadêmico Rodrigo Cunha.

sábado, 11 de setembro de 2010

Os 64 anos da Rádio Difusora de Macapá

A primeira emissora de rádio a se instalar no Amapá, foi a Rádio Difusora de Macapá, em 11 de setembro de 1946.
Isso há exatos 64 anos.
Em 1943, pelo decreto-lei 5.814, de 13 de setembro, o governo federal criou o Território Federal do Amapá.
Tão logo assentado o Poder Executivo Territorial em 25 de janeiro de 1944, o Governo do Amapá, sob o comando de Janary Gentil Nunes, montou um Serviço de Imprensa e Propaganda, destinado à divulgação de seu programa de ação e desenvolvimento.
Um desses órgãos de divulgação foi o Jornal Amapá – um semanário composto e impresso nas oficinas da Imprensa Oficial - que circulou, em primeira edição, no dia 19 de março de 1945.

Logotipo da primeira edição do Jornal Amapá que circulou em 19 de março de 1945.
Segundo registros nas próprias páginas do Jornal Amapá, o embrião da Rádio Difusora de Macapá foi o Serviço de Alto-Falantes que foi inaugurado em 25 de fevereiro de 1945, um domingo, portanto um mês antes da circulação do Jornal Amapá.
Esse serviço destinava-se a irradiar música escolhida, noticiário e informações de interesse público.
O programa de inauguração do Serviço teve início às 17h, ocasião em que foi tocada pela primeira vez a Marcha Continental, música que serviu de Prefixo Musical do Serviço de Alto-Falantes.
A apresentação do Serviço foi feita pelo jornalista amazonense e Diretor do S.I.P., Paulo Eleutério Cavalcanti de Albuquerque.
Segundo os registros históricos, Paulo Eleutério, em seu pronunciamento ao microfone, explicou que “modesto ainda, o Serviço de Imprensa e Propaganda iniciava a utilização do rádio, dotando a cidade de um aparelhamento sonoro de alto-falantes, preparando-se para a tarefa maior de uma estação rádio emissora que abrangesse todo o Território e pudesse levar ao Brasil, a palavra fraterna e confiante do Amapá”.
A programação teve prosseguimento com apresentação de música popular brasileira, noticiário local e nacional e música americana, encerrando-se às 18h com a ‘’Ave Maria” de Schubert.
A aparelhagem sonora foi instalada pelo Sr. Heráclides Macedo, técnico de rádio da Panair do Brasil (empresa de viação aérea da época).
(Reprodução de arquivo)
Vista do prédio da antiga Intendência que serviu de estúdio para a Rádio Difusora de Macapá, em 1945.
Clique na imagem para ampliar
O estúdio funcionou, inicialmente, no prédio da antiga Intendência, depois utilizado pelo Museu Histórico do Amapá, na Rua Mário Cruz, irradiando o som amplificado por dois possantes alto-falantes, tipo corneta localizados na Praça da Matriz e na Praça Barão do Rio Branco (Largo de S. João).
Segundo o historiador Nilson Montoril, ciente da importância do rádio numa região vasta como o Amapá, carente de meios mais rápidos de comunicação, o governador do Território, Capitão Janary Nunes, autorizou o 1º Tenente e Jornalista Paulo Eleutério Cavalcanti de Albuquerque, a manter contatos com os senhores Edgard Proença e Roberto Camelier, para obtenção de horário noturno e um dia na semana, para a transmissão de programas especiais sobre o Amapá, através da PRC-5.
A PRC 5 era a Rádio Clube do Pará, conhecida em toda a Amazônia como –
A voz que fala e canta para a planície.
Paulo Eleutério
, que militara na imprensa do Pará como redator do Jornal O Liberal, não encontra dificuldades junto aos proprietários da PRC-5 – Rádio Clube do Para, uma emissora com penetração extraordinária em toda a Amazônia, implantada por Pio e Edgard Proença, em 22 de abril de 1928.
Assim, no dia 7 de junho de 1 945, a PRC-5, deu início a irradiação de seus programas especiais sobre o Território do Amapá, através de sua onda tropical de 60 metros, sempre as quintas-feiras, a partir das 19:30h (nesse tempo, o programa A Voz do Brasil, criado em 1937, tinha apenas 30 minutos de duração).
Segundo o historiador Nilson Montoril, essa veiculação visava, acima de tudo, conscientizar alguns paraenses ilustres, que mantinham-se ainda contra a criação do Território Federal do Amapá, querendo que o mesmo fosse extinto, como foram dois deles ( Ponta Porã e Iguaçu ), para que essas terras voltassem a integrar o Estado do Pará, como eram até 13 de setembro de 1 943.
Os programas retransmitidos pelo Serviço de Auto-Falantes, causavam ótima impressão aos seus habituais ouvintes.
Os residentes no interior do Pará e Amapá, por carta, acusavam a sintonia do mesmo, em seus receptores alimentados a bateria de 12 volts.
Valendo-se de seu prestígio pessoal e da ajuda de amigos, muitos deles parlamentares, Janary Nunes conseguiu autorização para fazer funcionar em Macapá, uma emissora de radiodifusão operando em ondas média e tropical.
O Ministério de Viação e Obras Públicas, órgão que controlava, na época, a concessão de licença para funcionamento de emissoras, acatou o pedido do governador.
A autorização para funcionamento da RDM, foi concedida pela Portaria nº 709, de 12 / 06 / 44.
No dia 15 de dezembro de 1 945, o Jornal Amapá, ano I, edição nº 39, publicou um convite nos seguintes termos:
”Ouçam diariamente, das 20 as 21 horas, na freqüência de 1 460 kilociclos e onda de 205 metros, a Rádio Difusora de Macapá - A voz mais jovem do Brasil”.
Apesar de Portaria de autorização ter sido assinada em 12 de junho de 1944. somente depois de um ano e meio, a emissora foi colocada em funcionamento.
Portanto, a data que marca a entrada da RDM no ar, operando em fase experimental, é 15 de dezembro de 1945, um sábado.
Uma semana depois, ou seja, em 22 de dezembro de 1945, foi divulgado pela 1ª vez o prefixo da emissora – Z Y E – 2, seguindo-se o slogan original –
a voz mais jovem do Brasil.O horário de funcionamento permaneceu o mesmo.
Em 15 de junho de 1946, uma quinta-feira, o Jornal Amapá anunciava que a RDM, a partir daquele dia, passaria a funcionar das 16 às 18 horas e das 21h30m às 22h30m.
A primeira transmissão externa da Rádio Difusora ocorreu em 23 de julho de 1946, ocasião em que Dona Iracema Carvão Nunes, primeira esposa do Capitão Janary Nunes, completava um ano de morta.
Dia 31 de agosto de 1946, a RDM passou a operar das 20 às 22 horas, na fase de teste final de seus equipamentos.
Por ocasião dos eventos mais expressivos do Amapá a Radio Difusora de Macapá, teve participação ativa, abrindo seus microfones (o de forma hexagonal no auditório ou o oval de uso no estúdio) para divulgação de importantes palestras.
No dia 11 de setembro de 1946, uma quarta-feira, a aparelhagem mudou para a rua Candido Mendes, local onde a emissora está instalada ate hoje.
(Reprodução de livro)
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(Foto extraída do livro "Perfil Histórico do Amapá" de Arthur Cezar Ferreira Reis-1949)
A Difusora funcionou, inicialmente, num prédio, em estilo colonial, construído pelo Governo do Território Federal do Amapá, num terreno da empresária Sarah Rofeff Zagury, adquirido na época por 350 mil reis. (Veja a foto acima)
Dona Sarah, de origem hebraica, matriarca da família, administrava entre outros bens, uma conceituada loja - Casa Leão do Norte - com venda de tecidos, pratarias, móveis, e eletrodomésticos, além de uma fábrica de refrigerantes, o extinto FLIP GUARANA.
(Reprodução do jornal Amapá)

(Foto 2 - de 1950)
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O prédio era composto de um auditório com capacidade para 100 pessoas, com duas portas frontais e uma lateral, alem de três janelas para a Rua Candido Mendes.
Um corredor, que levava até a discoteca, dava acesso para a sala do Diretor e para o controle de som, tendo ao fundo o palco, muito utilizado para serestas, programas do Clube do Guri e apresentação de radionovelas, ao vivo, montadas na própria emissora, por um cast de radioatores, seguindo scripts de autores consagrados.
(Reprodução do jornal Amapá)
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Em 1951, foi construído um pátio com bar ao ar livre, com vista para o Rio Amazonas, usado em grandes bailes sociais e carnavalescos. (Veja foto acima)Tudo com iluminação direta e indireta.
A emissora iniciou suas atividades, operando em um equipamento SUPERTEL de fabricação nacional, com 250 watts, na frequência de 1460 quilohertz, ondas médias de 205.5 metros, além de amplificadores, receptores, transmissores para reportagens externas, equipamentos de estúdio, etc.
O técnico em eletrônica Manoel Veras (irmão do também técnico Ivaldo Alves Veras), que montou os equipamentos, o controlista de som Benigno Pennafort (tio do jornalista Hélio Penafort) e o locutor Delbanor Dias, colocaram a Difusora no ar, há 46 anos.
E, na abertura de sua programação às 20 horas, o Sr. Carlos Alberto Monteiro Leite, médico com exercício no Hospital Geral de Macapá, proferiu uma palestra sobre o tema Campanha Anti Tuberculosa.
As 20:30 horas, no auditório do prédio da emissora, o Dr. Raul Montero Valdez, Secretário Geral do Governo do Território, exercendo na ocasião, o cargo de Governador Substituto, face o titular, Janary Nunes, estar viajando em missão oficial, fora do Amapá, inaugurou o Broadcasting ( radiodifusor / transmissor ) da Rádio Difusora de Macapá.
A primeira equipe de radialistas a atuar na Difusora, foi formada por Paulo Eleutério, e composta com o próprio pessoal do quadro do Governo do Território.
Muitos desses locutores e produtores de programas, que se formaram nos microfones do rádio amapaense, foram depois contratados por várias emissoras de Belém e de outras capitais, obtendo sucesso cada vez mais crescente em suas atuações.
Durante os primeiros anos, a programação da Difusora consistia em musicais, pela manhã, intercalados com informativos.
No início da tarde – coincidindo com a hora do almoço – era apresentado o Carnet Social – programa da família amapaense, de grande aceitação popular - mediante o pagamento de notas - registrando os eventos sociais como, aniversários, casamentos, nascimentos, batizados, colações de grau, etc, com mensagens especiais e músicas (se fosse o caso) endereçadas, exclusivamente aos homenageados.
O slogan – a voz mais jovem do Brasil, usado na fase experimental, permaneceu até 1951, quando foi substituído por outro: ”Uma voz do Amapá a Serviço do Brasil”.
Ainda, segundo Nilson Montoril, por ocasião do segundo aniversário de inauguração da emissora oficial, em 7 de setembro de 1948, realizou-se a primeira transmissão esportiva, diretamente do campo da Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos – atual Praça Veiga Cabral.
Jogavam pela 5ª rodada do campeonato amapaense, os times do Amapá Clube e do Esporte Clube Macapá, tendo como árbitro Aurino Borges de Oliveira, o popular tenente, filho de ilustre figura de Macapá, pecuarista e comerciante Ernestino Borges.
O placar, decorrido o tempo regulamentar, foi de 1 x 1, com gols de Alves para o alvinegro e Edilson Borges de Oliveira para o azulino.
(Reprodução/Acervo histórico da RDM)
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A RDM cobriu o jogo através da narração do Dr. Marcílio Filgueiras Viana, um dos destacados assessores da Divisão de Educação. (Foto)
A discoteca da emissora, iniciada com cerca de duzentas (200) unidades, foi, durante muitos anos, uma das mais completas da Amazônia, com um acervo de obras populares, clássicas, semiclássicas, de câmara, tendo inclusive óperas completas.
Além dos funcionários, existia um qualificado elenco de colaboradores como: cantores, radioatores, músicos, locutores, operadores de áudio - conhecidos na época como controlistas, etc.
Entre os seus principais programas efetivos destacam-se: O GRANDE JORNAL FALADO E-2 – um completo noticiário, muito bem elaborado, informando com detalhes, sobre tudo que estava acontecendo de importante, “no Amapá, no Brasil e no mundo”.O Grande Jornal Falado E-2 seguia a mesma linha do Grande Jornal Falado Tupi que foi ao ar pela primeira vez pela Rádio Tupi de São Paulo na sexta-feira dia 3 de abril de 1942.
O Grande Jornal Falado E-2 era apresentado por dois locutores que se revezavam na leitura das seções: O Comentário do Dia, A Cidade em Revista, Indústria Comércio e Finanças, Notas Científicas, Notícias dos Estados, O que vai pelo Mundo e Atualidades do Esporte, Siga Este Exemplo, Galeria dos Homens Célebres.Os noticiários nacional e internacional, apresentados no programa, eram captados de outras grandes emissoras e repetidos sempre às 21:00 durante o noticioso, depois de cuidadosa adaptação de seus redatores.
A partir de 1961, entrou em funcionamento um setor de escuta rádio-telegráfica, que captava noticiário em código Morse, das Agências UPI (United Press International) France Press e Meridional.
O noticiário local era produzido por uma equipe de jornalistas do Serviço de Informações do Governo do então Território, que mais tarde se transformou em Assessoria de Imprensa e depois em Assessoria de Comunicação Social.
Além deste, alguns outros programas registraram grande audiência na emissora: A Voz do Seresteiro, Em cada Coração Uma História de Amor, Radionovelas, Escadinha de Valores, A Hora do Guri, Audições do Conservatório Amapaense de Música, (hoje Escola de Musica Walkyria Lima) etc, além do noticiário da Agencia Nacional - A Voz do Brasil.Os programas Hora do Guri (depois chamado Clube do Guri) e Desfile de Calouros - sempre apresentados e transmitidos do Palco Auditório da emissora e do Cine Teatro Territorial - na fase de ouro do rádio local, conseguiram revelar novos talentos e grandes intérpretes da música amapaense.
Um dos destaques desses programas era o Regional E-2 – conjunto musical da Difusora – formado, entre outros, por Amilar Brenha, Belina Barriga, Ezequias Ribeiro de Assis, Florênçio Rocha (o Cassiporé), Gutemberg Tupinambá, Nonato Leal, Terezinha Laranjeira e Walter Banhos.Todas as solenidades cívicas eram transmitidas, ao vivo pela Difusora, bem como as mais importantes partidas de futebol e famosas batalhas de confetes, que inicialmente eram realizadas na frente do Macapá Hotel e no Bar do Barrigudo, no bairro do Trem.
Sua programação seguiu, desde o início, uma linha essencialmente, cultural e informativa com funcionamento de 7h às 13h30m, retornando às 17h indo até 21h30m, isto é, ate o final do Grande Jornal Falado E-2.
Os anais da emissora registram nomes de pioneiros que se destacaram nos variados campos de atividades da Rádio Difusora.
Eram locutores, operadores de som, radioatores, músicos, cantores, colaboradores e tantos outros profissionais que faziam com que, cada vez mais, “a emissora da família amapaense” galgasse prestígio, popularidade e credibilidade.
Na equipe de locutores passaram profissionais como: (ordem alfabética) Amazonas Tapajós(Dorival Nunes de Lemos), Argemiro Imbiriba, Arnaldo Pedrosa Araújo, Alcinéa Cavalcante, Benedito de Andrade Franco, Benedito Silva, Bonifácio Mourão Alves, Maria Cristina Homobono Brito, Edna Luz, Edvar do Espírito Santo Mota, Eraldo da Silva Trindade, Euclides Nunes de Moraes, Sebastião Oliveira, Guioberto Alves, Hermínio Carlos Gurgel Medeiros, Humberto da Costa Moreira, Ivo Guilherme de Pinho, J. Ney (José Ney Picanço e Silva), João Lázaro da Conceição e Silva, Joaquim da Silva Ramos, José Barros Machado, Júlio Sales, Luiz Eduardo Anaice, Milton de Souza Correia Filho, Osmar Gomes de Melo, Oswaldina da Silva Figueira, Paulo Bezerra, Paulo Zacarias, Pedro Afonso da Silveira, Rui Uchoa, Terezinha de Souza Fernandes, Ubiratan Silva, Zain Rocha, Sérgio La Roque e muitos outros.
Entre os radioatores brilharam: Alberto Chaves, Amélia Borges, Antonio Chaves, Carmem Cruz, Consolação Côrte, Creuza Bordalo, Danilo Silva, Deuza Souza, Eduardo Lyra, Hélio Tys, Joíra Tavares, Jorge Chaves, Lígia Cruz, Lindolfo Pastana, Mário Chaves, Reinaldo Coelho, Terezita Teles e outros mais.
Pela equipe de jornalismo passaram nomes famosos como: Álvaro Botelho da Cunha, Alcy Araújo Cavalcante, Aloísio Botelho da Cunha, Antonio Chaves, Carlos Cordeiro Gomes, Daniel Silva, Francisco Holanda, Ivo Torres, José João dos Santos (J.J.), José Maria de Carvalho Barros, entre muitos outros.
Na equipe técnica trabalhavam, dentre outros: Assis Soares, Benedito Claudino, Benigno de Souza Penafort, Carlos Lins Corte (Baião Caçula), Cláudio Coutinho Dias, Claudionor Góes, Damião Jucá de Lima, Edir Albuquerque Peres, Eduardo Amaral, Epaminondas Júnior, Ivaldo Alves Veras, José Isaias Ramos, José Otávio dos Santos, Luciano Amaral Monteiro, Miguel Ramos Ferreira, Nardim Quaresma, Orivaldo Leão dos Santos, Raimundo Ferreira Monteiro, Remi Rêgo Barros.Eis alguns nomes que brilharam no cast da ZYE-2: Agostinho Costa, Belinha Barriga, Benito Silva, Deusdeth Vale, Favila Júnior, Gutemberg Tupinambá, Ida Aymoré, Iria Lúcia, José Moacir Banhos de Araújo, Josino Farias, Maria Edilamar, Mário Costa, Nonato Leal, Oleno Leal, Terezinha Laranjeira, Vera Lúcia, Walter Banhos de Araújo, entre outros.
No equipe de esportes passaram: Francisco Sales de Lima, Estácio Vidal Picanço, Nilson Montoril de Araújo, José Moacir Banhos de Araújo, Guioberto Alves, Luiz Roberto da Mota Borges, João Câncio Picanço e Silva, José Araújo Menezes, Milton Sapiranga Barbosa, Ivo Guilherme de Pinho, Guilherme Jarbas, Humberto da Costa Moreira, Paulo Silva, e muitos outros.
Nilson Montoril informou ainda, que o primeiro Diretor da Rádio Difusora de Macapá foi o advogado Paulo Eleutério Cavalcanti de Albuquerque que chegou a Macapá, vindo de Belém do Pará, em 17 de maio de 1 944.
A convite do Governador Janary Nunes, aqui exerceu várias funções importantes entre as quais, Chefe de Polícia, Comandante da Guarda Territorial, Chefe da Imprensa e Propaganda, etc.
Retornou a Belém em 1 947 onde ocupou importantes cargos públicos.
Paulo Eleutério morreu lá mesmo, na capital paraense, vítima de assassinato pelo Capitão Humberto de Vasconcelos, no dia 20 de maio de 1 950, após violenta discussão de caráter político.
Outros profissionais de renome assumiram. em diferentes épocas, o importante cargo de Diretor da emissora.
A primeira listagem, (por ordem alfabética), registra os que atuaram no período de 1 947 até 1 978: Agostinho Nogueira de Souza, Alcy Araújo Cavalcante, Aloísio Botelho da Cunha, Antonio Rodrigues da Costa Júnior, Carlos de Andrade Pontes, Creuza de Souza Bordalo, Delbanor Leite Dias, Ernani Marinho Ferreira, Ernani Regis, Glicério de Souza Marques, Iranildo Trindade Pontes, João Lázaro, José Barros Machado, José Benedito de Andrade Franco, José Camargo, José Maurício Elarrat, José Moacir Banhos de Araújo, Manoel Joaquim Esteves Rodrigues (Maneco), Manoel Raimundo Veras, Margarida Maria Marques, Mário Ernani de Castro, Mário Quirino da Silva, Raimundo Nonato do Nascimento e Silas Ribeiro de Assis.De 1978 a 1989 – período de funcionamento da Rádio Nacional de Macapá, a Gerência da emissora foi exercida por (ordem alfabética) Antonio Silva Filho, Capitão Mário, Guilherme Jarbas, Humberto Moreira, João Lázaro, José Gutemberg, Márcia dos Santos Gomes e Paulo Silva.Desde 1989, os gerentes da 2ª fase da Difusora são, em ordem alfabética, os seguintes: Carlos Alberto Viana, Carlos Marques, Joaquim da Silva Ramos, José Barros Machado, José Furtado da Silva, Maria Célia Belo, Nestlerino dos Santos Valente, Paulo Roberto Rodrigues, Ronaldo Picanço e Silva, Rostan Costa Martins, Paulo Silva, Gilvana dos Santos Batista, Walter Pacheco Filho.Seu atual Gerente é o jornalista Paulo Silva.
Inúmeros recitais irradiados pela emissora, trouxeram a Macapá, artistas famosos tais como Maria da Luz, Trio Chileno, Alfonso Ortiz Tirado, o cantor e compositor Herivelto Martins, as cantoras Dalva de Oliveira e Carmem Costa, Vicente Paiva, a dupla sertaneja Jararaca e Ratinho e o cantor Luiz Gonzaga.Também Maria Helena Coelho, Guilhermina Cerveira e diversos artistas do rádio paraense. cearense, pernambucano e de outros Estados, aparecem com passagem em terras macapaenses.
A Rádio Difusora de Macapá possuia em seu acervo, nos primeiros anos de atividades, um utilíssimo instrumental, sendo um piano marca Bentley, um Conjunto Regional DEL VECCHIO. 3 violões, sendo 1 tenor, 1 cavaquinho e 1 banjo e ainda pandeiro, afouché e tam-tam, alem de aparelhagem de reportagens e programas especiais, um gravador marca SOUNDMIRROR, modelo BK-401, que prestava grandes e relevantes serviços a ”emissora da família amapaense”.
Em 13 de setembro de 1952, quando do seu 6º ano de atividades no Território Federal do Amapá, a Rádio Difusora de Macapá incorporou aos seus equipamentos, um possante transmissor de 1.500 watts (um kilowatt e meio) construído pela Sociedade Hertz Limitada, acompanhado de um completo equipamento de estúdio, sendo montado pelo Sr. Cláudio Gomes, radiotécnico da empresa, vindo do Rio de Janeiro, especialmente para esse fim.
Através do Decreto nº 32 501 de 1º de abril de 1953, o Presidente Getulio Vargas outorga concessão ao Governo do Território Federal do Amapá, para estabelecer, a titulo precário na cidade de Macapá, sem direito a exclusividade, uma estação radiodifusora em onda tropical, que, por dificuldades de conseguir a freqüência, só vai ao ar em 1957.
Até essa data operava apenas em ondas médias.
Daí em diante passou a funcionar, também, em onda tropical.
Por volta de 1958 ficou funcionando apenas em ondas tropicais, ate 1964.
A concessão citada no parágrafo anterior teve validade até 22 de maio de 1978 quando foi revogada pelo Presidente Ernesto Geisel através do Decreto nº 81.699, face a inclusão do referido serviço na finalidade legal da Empresa Brasileira de Radiodifusão – Radiobrás e da transferência para esta, de todo o acervo da Rádio Difusora de Macapá.Em 1964, o Comando Militar Revolucionário encampou uma emissora clandestina, surgida em Macapá.
Tratava-se da ZYD-11 – Radio Equatorial, pertencente à Sociedade Anônima Técnica de Rádio do Amapá – SATRA.Seu acervo técnico foi incorporado ao patrimônio do Governo do Território e utilizado pela Rádio Difusora.
O parque transmissor da RDM ocupou, desde o início, o mesmo local onde por muitos anos funcionou a Imprensa Oficial, na Rua Cândido Mendes com Av. Raimundo Álvares da Costa, no centro da cidade.
Com a encampação da Rádio Equatorial em 1964, seu transmissor de ondas médias, passou a ser operado pela Difusora, permanecendo instalado no mesmo terreno, onde hoje está edificada a Escola Estadual Lucimar Amoras Del’Castillo, na Av. Pe. Júlio Maria Lombaerd, esquina com a rua Marcello Cândia, no bairro Sta. Rita.
Em 1978 o Governo Federal implantou em Macapá uma das emissoras da rede Radiobrás, e extinguiu a Rádio Difusora.
Em 28 de agosto daquele ano, entrou no ar a Rádio Nacional de Macapá.
Era o fim da primeira fase da emissora oficial, iniciada em 11 de setembro de 1946.
De agosto até final de outubro de 78, a Rádio Nacional de Macapá, funcionou com os velhos equipamentos da RDM.
Os programas Grande Jornal Falado e-2 e Carnet Social permaneceram no ar até 1978.
Em meados de janeiro de 1989, o Governo Federal começou a privatizar algumas emissoras da Rede Radiobrás.
Segundo o historiador Nilson Montoril, o governador Jorge Nova da Costa, bastante identificado com os amapaenses, pois trabalhou na década de 50 no Município de Amapá, como engenheiro agrônomo, costumara-se, segundo ele, a ouvir a Difusora.
A par da política de privatização, manteve gestões junto ao Presidente José Sarney, para compra da RDM pelo valor de 800 mil cruzeiros, em 12 prestações, proposta que foi prontamente aceita pelo Governo Federal.
Nova da Costa devolveu assim aos amapaenses, um de seus maiores patrimônios.
A Rádio Difusora, desde o início de suas atividades, teve atuação destacada no campo artístico amapaense, cobrindo todos os eventos culturais e oficiais da época, realizando excursões de todo o seu cast ao interior do então Território, através da Caravana da Boa Vizinhança.
A RDM iniciou dia 1º de junho de 1989, sua segunda fase, depois de um intervalo de 11 anos.

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Os dados aqui contidos limitaram-se a registrar o período do então Território Federal do Amapá.
O período estadual da emissora não foi coberto por esta Pesquisa.
 

Pesquisa iniciada pelo radialista João Lázaro, em meados do ano 2000.
Colaboraram: o historiador Nilson Montoril de Araújo e o radialista José Barros Machado.
As informações obtidas sobre a Rádio Difusora de Macapá foram, em sua maioria, extraídas de matérias veiculadas nas primeiras edições do Jornal AMAPÁ.
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