domingo, 18 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA - O LENDÁRIO 'URCA BAR'

Fizemos um corte nesta foto de 1957, para destacar o prédio do lendário "Urca Bar" porque infelizmente, não temos nenhum registro fotográfico disponível na internet, da época em que esse conceituado bar de Macapá, funcionava na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy no bairro do Trem.

Demos ênfase ao citar a cidade de Macapá, para não confundir os leitores mais novos e/ou de outros estados, que não tenham conhecimento sobre a memória da capital amapaense, pois existe um Patrimônio Cultural carioca, desde 1939 conhecido como um dos locais mais charmosos do Rio de Janeiro.

Como surgiu?

O que se sabe foi contado por ele mesmo em 1987, ao jornalista Édi Prado e publicado no blog Porta-Retrato-Macapá, quando Édi era primeiro editor do Jornal do Dia.

O construtor do Urca Bar, de Macapá, foi o pioneiro Durval Alves de Melo, um afuaense que começou a trabalhar muito cedo, por ter perdido os pais ainda novo e após isso, foi levado para Belém, pela madrinha.

Na capital paraense, trabalhou na estrada de ferro, depois no Departamento de Limpeza Pública de Belém, e lá ouviu falar em Macapá. Diziam que estavam precisando de mão de obra e o governo estava contratando muita gente.

Sem dinheiro, ele decidiu aventurar, tentou e conseguiu a ajuda do Sr. Tibúrcio Ribeiro de Andrade, dono do barco que fazia linha para Macapá.

Ao chegar à cidade, passou por alguns perrengues, mas, pouco tempo depois conseguiu um emprego no Governo de Janary Nunes. Falava com orgulho por ter ajudado a construir o Macapá Hotel. Contava que lá, ele descascou cebola, batata, e depois passou a ser uma espécie de apontador, que distribuía tarefas, pela facilidade com que dominava os serviços.

Depois foi padeiro, cavou valas para a encanação do primeiro Poço do Mato, o primeiro de Macapá que atenderia a população da pequena cidade. Devido ao porte físico, foi convidado pelo governador para exercer a função na Guarda Territorial onde permaneceu durante sete anos. Como não era o que ele almejava, pois tinha ambições maiores, juntou umas economias e resolveu deixar a Guarda Territorial. Segundo ele, com uma poupança de cem Contos de Réis, montou o "Urca Bar" na esquina da Av. Feliciano Coelho com a rua Eliezer Levy, no bairro do Trem, iniciando as atividades etílicas e um espaço de encontro noturno.

Vale salientar, que a mudança da moeda corrente, para o Cruzeiro ocorreu em 01/12/1964, com promulgação da Lei nº 4.511.

A partir daí é o que se sabe:

O Urca Bar, foi um estabelecimento comercial montado nos anos 50, pelo comerciante Durval Alves de Melo, na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Trem, que, anos mais tarde, foi repassado ao Sr. Alemão.

Foi o "point" da cidade!

Lembro bem que lá funcionava: o escritório da Vical, uma barbearia, salvo engano, do Joaquim, tinha a relojoaria do Isaac Bello e no início havia um alto-falante que tocava os boleros da época.

A partir da esquerda: Tenente Armando Amaral, marido da prof.ª Risalva Amaral; Tenente Pessoa (centro) e à direita o comerciante Alemão (não sei o nome dele), proprietário do Urca Bar.  A sra. ao lado é Dona Elza Ludovina Tavares Ferreira, esposa do Sr. José Júlio, e o garoto é o Antônio Fernando Tavares Ferreira, filho mais velho do casal, já falecido.(Foto: Família Pessoa) 

A amiga Eunice Santos Pereira, promotora de eventos na cidade, complementa lembrando que “o Urca Bar era um comércio que vendia gêneros alimentícios em geral, sendo seu proprietário chamado Sr. Alemão, que ao se aposentar da ICOMI, passou ser comerciante até, resolver ainda em vida, voltar para sua cidade de origem ( não lembro o nome ) passando o prédio para um dos seus funcionários antigo chamado Belmiro, onde por muito tempo administrou o bar se tornando sempre um ponto de comércio que, atendia principalmente os moradores do Bairro do Trem. Hoje o Sr. Belmiro continua no ramo comercial, com um ponto em frente da Sede do Trem, c/ a General Rondon”.

Fotos: Arquivo do blog

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA – O LENDÁRIO “CLIP BAR”


O famoso “CLIP BAR”, de grata memória, foi um estabelecimento comercial (um bar) que servia de abrigo de passageiros para os ônibus circulares(Caixa de Cebola e Bossa Nova) na pacata Macapá, nos primeiros anos do Território Federal do Amapá.

Na verdade, foi um pequeno quiosque instalado em frente ao Mercado Central, na Praça Teodoro Mendes, área de entorno da Fortaleza de São José de Macapá

Era local de estacionamento de “carros de praça” (como eram chamados os taxis, naquele tempo), 

e carreteiros (caminhões de fretes). Seus frequentadores eram jornalistas, professores, motoristas, policiais, empresários e pessoas comuns, que por ali paravam para saborear um cafezinho, conversar sobre os acontecimentos da cidade, antes de irem para o trabalho, ou no retorno, depois das 18 horas.

O famoso bar, referencial na época, foi montado pelo empresário Durval Alves de Melo e funcionou no local por mais de uma década.

Em 1967, o governo militar do Amapá resolveu extinguir o local, sob acusação de “permitir reunião de subversivos que atentavam contra a segurança nacional”. (Edgar Rodrigues)

Durval Melo foi também proprietário do Urca Bar, no bairro do Trem.

Fontes: Édi Prado, Edgar Rodrigues e Alcinéa Cavalcante

Fotos de arquivo

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO CARNAVAL DE MACAPÁ – BLOCO CAÇULA DO LAGUINHO

Meu amigo Luiz Jorge, Pinguim para os íntimos, amapaense da gema, saiu do Amapá, mas o Amapá não saiu dele. Vez por outra ele lembra os bons tempos da Sede dos Escoteiros do Laguinho. Já há algum tempo ele me mandou o seguinte :

“João, por volta de 1961, Seu Paulino viu uns meninos por perto da Sede dos Escoteiros do Laguinho, que se reuniam com latas e improvisados instrumentos e cantavam imitando uma Escola de Samba.  Falou com os pais deles e criou “O Caçula do Laguinho”, que tinham Fantasias, Pastoras, Mestre Sala e Balizas. O bloco era formado pelo Biló, Quincas, Lelé, Pedro Ramos, Sacaca, Saçuca, Pinguim, Nonato, Bomba d'água...e as meninas, e suas mamães.”

Em consulta ao professor Google fiquei sabendo também, que o Aureliano da Silva Ramos, conhecido no mundo artístico como Aureliano Neck, cantor, compositor, cidadão do samba, começou no mundo do samba aos cinco anos de idade, como passista do Bloco Caçula do Laguinho.

O “palco iluminado” dessa moçada era, nada mais nada menos, que a Sede dos Escoteiros Veiga Cabral, no “bairro moreno da cidade”, local em que muitos esportes eram praticados e sob a batuta do Chefe Humberto, também, as artes... Encenações de Cordões Juninos e Peças Teatrais... e Espetáculos Musicais.

E agora, no calor do carnaval ele me conta, com riquesa de detalhes,  o restinho dessa história:

“Por época de quase fevereiro de 1962, a recordação nos leva até o Bloco "Caçula do Laguinho"... Bloco Infantil criado a partir da observação de Seu Paulino, pai do Joaquim Ramos... O Quincas... exímio passista, que com outros meninos, ao lado de fora da Sede Escoteira, no espaço entre a Sede e o Campo de Treinamento do São José, munidos de latas vazias de Cera Poliflor e velhas frigideiras já sem uso batucavam, e obedeciam ao apito por assobio do Lelé, batucavam, cantavam e criavam Sambas, muitos até copiados do Boêmios do Laguinho, ou dublês de alguns Sambas Enredos do Rio...

Seu Paulino colocou ordem na casa...

Fez os garotos obedecerem a posicionamento, criou paradas para a batucada fazer um breque, conseguiu fantasias, para as Pastoras, Portas Estandartes e Mestres Salas e uniformes para os batuqueiros, tudo muito organizado...

Íamos já depois de muitos ensaios, às Batalhas de Confete, que aconteciam em vários bairros inclusive no próprio Laguinho, defronte a Casas Comerciais de importância renomada, por toda cidade em festa.

"O Caçula do Laguinho", por ser formado por crianças na faixa dos 10 a 13 anos, tinha o acompanhamento dos pais ou responsáveis; Dona  Josefa, era uma dessas pessoas, com muitos dos seus filhos e filhas sendo participantes... Pedro Ramos, Joaquim Ramos, Neck, algumas das suas filhas...

No segundo ano de Desfile, em 1963, o Bloco já criava seus Sambas, coletivamente, Nonato, Luiz, Lelé, Saçuca, Pedro, Zeca , Tomé, Munjoca, Arlindo, Queiroz, Joaquim, Zé Paulo, Sacaquinha, Seu Rô... as irmãs , as primas, e as amigas, engrossavam o coro...

“O Caçula do Laguinho”, fez a alegria dos pais dessa petizada carnavalescamente precoce... O pai do Saçuca... Seu Sussuarana, providenciava os couros para os instrumentos de percussão, e as caixas de madeira para criar os tambores, ou o Gabi, ou o Zé Cueca ou o Cecilio davam um jeito de arrumar...

Afinar... era fácil... uma fogueira e pô-los a esquentar seus couros, e baquetas à mão... batendo de leve e ouvindo o som apurar no tom.

Destes participantes do Caçula, amigos de infância, muitos munidos de seus Sambas, com o som dos seus repiques no ar, não estão mais conosco... porém muito destes enveredaram pelo caminho da Arte e ainda nos proporcionam alegria com suas criações...

Foi ler o texto do Fernando...(o Canto) e parece que me arrumei na casa do Lelé e desci a Av. Ernestino Borges... frigideira na mão, pé tuíra da poeira da rua, toda a felicidade na cara sorridente, nascendo as primeiras espinhas.

Afinal,...Tudo é Carnaval!”

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO CARNAVAL AMAPAENSE - CADÊ O REI?

PREOCUPAÇÕES DA CORTE:

Sucuriju, o Rei Momo ainda sem sucessor.

O reinado do Carnaval do Amapá continua vazio. O mesmo ocorreu com a morte de Sacaca em 1999, aos 73 anos de idade.

Somente em 2003 é que Sucuriju ocupa o trono. Um vazio inexplicado.

CADÊ O REI?

Texto: Édi Prado e João Lázaro

Quem é o Rei Momo?

O querido personagem, rechonchudo e irreverente é historicamente o rei do Carnaval. “A ele são entregues, simbolicamente, as chaves da cidade pelas mãos do prefeito. A partir daí está aberto o reinado da folia, onde Momo reina absoluto até a Quarta-Feira de Cinzas. Isso em todas as esferas da sociedade, já que ele próprio é a personificação do Estado”, explica Augusto Neves, professor e doutor em história.

Origem da personagem

A origem remete ao tempo da Antiguidade Clássica, mais especificamente à mitologia grega. Pouca gente sabe, mas Momo, na verdade, era uma deusa. Filha de Nix (divindade do sono) era a personificação do sarcasmo, reclamação e delírio, patrona dos poetas e escritores. Ela era representada usando uma máscara e balançando guizos. Por seu jeito irônico, acabou sendo expulsa do Olimpo.

Não se sabe ao certo em que momento houve a mudança de gênero do personagem. “As representações sofrem transformações ao longo do tempo. Mediante o contexto de um paradigma patriarcal, melhor seria um homem para representar as relações de poder”, explica Rúbia Lóssio, socióloga, escritora folclorista e professora e membro da Organização Internacional de Arte Popular e Folclore (IOV).(uninabuco)

Pela carência de material de pesquisas a respeito do Carnaval Amapaense, ainda não encontramos catalogados os Reis Momos de Macapá. Sabemos que o carnaval começa a partir de 1943, quando o Amapá é desmembrado do Estado do Pará e criado o Território Federal do Amapá. Com a chegada de operários e trabalhadores de várias áreas de atuação, trazidos pelo então interventor, Janary Gentil Nunes, os trabalhadores de outros Estados, em especial os do Pará, acostumados à folia, decidiram “botar o bloco na rua”.

Com o tempo o carnaval foi se organizando, criando os blocos de sujos, Escolas de Samba, bandas, mascarados, carnaval de salão e toda a alegria dessa época. Os primeiros Reis Momos, lembrados pela velha guarda, sem firmeza de datas, começou na década de 60. Os precursores, imitações dos grandes centros, foram Altair Lemos, boêmio de nascença, um senhor alto, branco e bem forte, que morava no Laguinho, berço da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, fundado em 02 de janeiro de 1954. Altair Lemos faleceu em 1969. Foi então que o Bola 7 assumiu o trono. Era um negro forte, tratorista da Prefeitura Municipal de Macapá, que fez por muitos anos a coleta de lixo domiciliar de Macapá. Nada oficializado. Tudo na base do faz de conta, embora considerados pelos brincantes. A voz do Povo é a voz de Deus, diz o Velho Deitado.

Quem foi Altair Lemos?

Altair Cavalcante Lemos, nasceu em 11 de janeiro de 1932, em Macapá. Filho de Cícero Lemos e Carmosina Cavalcante Lemos, primeira mulher a ser tabeliã no Cartório Jucá. ALTAIR teve dois irmãos, Altamir e Maria da Consolação, já falecidos. Altair Lemos foi um dos precursores ambientalistas no Amapá. Quando funcionário da Prefeitura de Macapá, foi um dos criadores da “Turma do Buraco”,. Nada a ver com o carteado. Reuniu estudantes do Colégio Amapaense e plantaram as primeiras mangueiras no centro de Macapá. Fizeram a arborização da Praça "Barão do Rio Branco", avenidas Presidente Vargas, Mendonça Furtado, Iracema Carvão Nunes, entre outras.

Altair também gostava de jogar baralho com os amigos. Foi da mesa do carteado, jogado nos finais de semana na sede do Amapá Clube, que junto com Amujacy, Jarbas Gato, Zé Maria Frota e Aderbal Lacerda, saíram em uma manhã do carnaval de 1965, fantasiados com roupas, perucas e maquiagens das esposas para as ruas do centro de Macapá

Com uma enorme faixa escrito BLOCO DOS INOCENTES, os amigos barbarizaram a terça-feira gorda e chamaram a atenção por onde passavam.  Em 1964, os mesmos amigos “INOCENTES” criaram o Bloco A BANDA. Por seu porte físico, ALTAIR foi coroado como o REI MOMO DO CARNAVAL. O 1º na história do carnaval amapaense, diga-se.

Em maio de 1954, ALTAIR se casou com Graça Lemos, com quem teve cinco filhos: Nilton Mauro, Paulo Cezar, Antônio Sérgio, Gláucia Maria e Tica Lemos. Paulo Cezar, conhecido como Paulão que também brilhou nas quadras como jogador de basquete, faleceu em junho de 2002.

Em dezembro de 1969, ALTAIR sofreu um enfarte. Foi levado para Belém, mas, na tarde do dia 28 de dezembro, não resistiu a uma parada cardíaca e faleceu, aos 37 anos. (blog porta-retrato)

Imagem: WEB

Não se sabe ao certo quando o Raimundo dos Santos Souza, o Sacaca, foi coroado. 

Foto: blog De Rocha (Reprodução)

Aí começou de direito o reinado Momo, sendo oficializado pelo prefeito. 

Mas o reinado de Sacaca ao lado da Alice Gorda, Rainha Moma, foi longevo. Ele morreu em 1999, aos 73 anos de idade e somente em 2003, que Raimundo Tavares, o Sucuriju, assume o trono. Sucuriju nasceu em 23/03/1953 e faleceu em 03/02/2023, aos 69 anos.”Papai era registrado somente no nome da minha avó, Francisca Azevedo Tavares”. "Mas era feliz e um filho dedicado", informa a filha Heliane, mais conhecida tanto em casa como na comunidade por Preta. “Acho bem carinhoso quando me chamam assim”, confessa. Foi ela quem se prontificou a nos conceder a entrevista.

Sucuriju era casado com Dani Costa Tavares, com quem teve cinco filhos: Denilson, Heliane (Preta), Raimundo ( Mikiba), HelenaWilliam Tavares. Conheceu e conviveu com os nove netos. “A mamãe faleceu em 2013. Depois ele arrumou uma namorada. O nome dela é Luciene”, relata Preta. Ele era funcionário da prefeitura, desempenhava a função de motorista. Em outubro de 2020 ele passou na transposição para o quadro federal.

Preta lembra com saudades e risos do pai:” Meu pai sempre foi muito amigo de todos. Sempre tivemos hóspedes em nossa casa. Tanto para morar, passar uma noite, alguns dias ou somente para passar o dia em nossa casa. Era festeiro. Ele amava ter a casa sempre cheia. Era amigo para as horas boas e para momentos ruins. E não era por um momento, foi à vida toda”, recorda Preta. "Nunca tivemos panelas de tamanho normal em nossa casa. Sempre foram panelões. Porque sempre chegava alguém sem precisar por mais água no feijão," brinca Preta.

Ele era funcionário da prefeitura, desempenhava a função de motorista. Em outubro de 2020 ele passou na transposição para o quadro federal. Preta adianta que nesse período não sentiam a ausência dele durante o exercício do “reinado”, devido aos inúmeros compromissos. “Nós também íamos juntos, participar, entrar na onda”, relembra.

"Moramos por muito tempo na casa da minha avó paterna no Jesus de Nazaré, na Avenida Padre Manoel da Nóbrega. Depois moramos na casa da minha avó materna no Centro, na avenida Presidente Vargas. Depois moramos na avenida Marcílio Dias bem de esquina com a rua Odilardo Silva, de onde tivemos que sair às pressas devido a um aterramento mal planejado e nossa casa começou a tombar. Ficamos sem casa e voltamos a morar na casa da minha avó paterna e depois materna, acabamos fazendo o mesmo trajeto anterior. Ninguém sossegava até que em 1985 nos mudamos para o bairro Jardim Felicidade." Era um bairro novo. Tudo estava começando. Pouquíssimos moradores. Não tinha nem energia elétrica, água só do poço amazônico.  “Recomeçamos do zero em uma casa emprestada pelo meu padrinho, Alceu Paulo Ramos”, narra Preta.

"Nós sempre vivemos tudo junto com ele. Participávamos do máximo possível. Em casa reunia um grupo de casais, juntamente com alguns amigos. Reuniam-se em casa todos os finais de semana. Nesses encontros o papai deu a ideia de fundar uma escola de samba e ele falava nesse assunto todas as vezes que estavam juntos."

Até que todos concordaram e em julho de 1987 foi fundada a Escola de Samba Mocidade Independente Jardim Felicidade. “Papai foi um sambista precoce, juntamente com o Neck”. Desde os nove anos já era passista dos Boêmios do Laguinho. E foi se especializando. Era baterista, mestre de bateria, passista, mestre sala. Nossa casa era samba o ano inteiro.

Preta fala com orgulho pelo fato de Sucuriju ter sido um dos fundadores da União dos Negros do Amapá (UNA), em 1988 quando do Centenário da Abolição da Escravatura. Durante a missa, realizada na Igreja de São Benedito, “quando o papai fez uma bela performance. Foi lindo. Memorável”, relembra.

"Na Escola Mocidade Independente Jardim Felicidade, Sucurijú foi mestre sala, presidente, vice-presidente, ele foi de tudo um pouco. Tipo o jogador que bate escanteio, corre para cabecear e ainda agarrar a bola. Versátil, múltiplo e com vigor e alegria," ilustra Preta.

Sucuriju viveu intensamente. Era menino da Sede dos Escoteiros do Laguinho, jogava bola no Bariri, onde hoje é a União dos Negros do Amapá – UNA – No Campo do América, atual Praça Chico Noé. Vivia na sede dos Boêmios. Veio de uma família pobre e foi Rei. Rei da alegria, da união, solidariedade, da Mocidade, dos Boêmios. Foi o Rei do Carnaval durante 20 anos. Hoje fazemos essa homenagem póstuma, no reino do carnaval de 2024.

  (13/02/2024 - Atualizado às 10h30)

domingo, 11 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO CARNAVAL AMAPAENSE - PRIMEIROS DISCOS DE SAMBAS-ENREDO

     Os registros sonoros de Sambas-Enredo do Carnaval de Macapá, tiveram início nos anos oitenta, com recursos de convênios firmados entre o Governo do então Território Federal do Amapá e a Prefeitura Municipal de Macapá, que organizava as Comissões Especiais para coordenar e realizar as gravações dos Sambas-Enredo.

No primeiro disco gravado em 1982 pela Gravasom de Belém do Pará, todos os sambas foram interpretados por um cantor paraense, acompanhado por ritmistas, também do Pará.

A capa do disco foi uma criação do artista plástico Herivelto Brito Maciel que, a pedido da produção, nos enviou áudios, com explicações detalhadas de como aconteceu o convite para fazer parte desse registro histórico: “...eu recebi de alguém dessa comissão que você fazia parte, um convite, que tinha que responder; eu fui lá e respondi positivo, que iria participar.” Herivelto acrescenta que “...a princípio, a ideia era de fazermos um desenho, tipo em aquarela...que depois foi descartada, parti para o concressionário artístico...que se compunha de serpentina, confete, talco, e o lança perfume...como não consegui a ampola de lança perfume na ocasião, coloquei os elementos que dispunha ao chão...com uma parte da serpentina aberta e joguei os confetes por cima, então veio daí a expressão desse movimento acabado que dá o resultado ao concressionário artístico”.

Herivelto nos enviou, também, cópia de um esboço a lápis e montagem final do layout com a ideia de como ele queria que ficasse a capa do disco. Com esse projeto o renomado artista tornou-se o primeiro ilustrador das capas de discos oficiais do Carnaval amapaense.

Como no ano anterior, nos discos dos carnavais de 1983 e 1984, os cantores amapaenses foram levados até a capital paraense, sendo contratados em Belém apenas os músicos. Nestes, a capa (layout) foi desenhada pelo arquiteto Antônio Brito, sendo que a fotomontagem da capa de 1984, foi feita por Fernando Leite do Foto Galeria.

No Carnaval de 1985, o disco foi gravado nos Stúdios Havaí no Rio de Janeiro, com os cantores amapaenses acompanhados por músicos cariocas, sob a direção artística de Dominguinhos do Estácio.

Por último em 1987, foi gravado um disco também nos Studios Havaí, ainda com a direção de Dominguinhos do Estácio e auxiliado na produção por João Lázaro.

Durante os quatro anos seguintes - 1988 a 1991- não houve gravação de discos.

Em 1992 - na era Estado – os sambas-enredo sofreram uma regressão na qualidade de produção pois voltaram a ser gravados em Belém do Pará.

Nota do Editor: Tive a oportunidade de participar da Comissão Organizadora do Carnaval Amapaense de Rua de Macapá, desde 1982 até 1987, período em que a Prefeitura de Macapá, tinha essa incumbência na cidade; consequentemente, participei diretamente do processo de produção de todos os discos citados na matéria. A partir do ano seguinte (1988), com o advento do Estado, o Governo do Amapá, assumiu a responsabilidade pelas gravações dos discos de carnaval. (João Lázaro)

Fotos: Acervo pessoal de João Lázaro.

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Fonte: Texto – adaptado para o blog Porta-Retrato-Macapá - extraído do documentário PAPIRO, publicado em 29 de fevereiro de 1992, pela Editora Papiro Ltda, com pesquisa e texto dos jornalistas Ernando Rozza, Édi Prado e Paulo Matos.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO CARNAVAL AMAPAENSE - ANO 1984 - PIRATAS DA BATUCADA

MITOLOGIA AMAZÔNICA, ASSOMBRAÇÃO E FASCÍNIO

O vídeo abaixo apresenta a música composta por Jeconias Araújo e José Estumano, na interpretação de Humberto Moreira, que foi samba-enredo da Associação Recreativa Piratas da Batucada, de Macapá, no carnaval de 1984.

É uma das faixas no 3º disco de Carnaval lançado pela Prefeitura de Macapá, com recursos repassados pelo Governo do então Território Federal do Amapá.

Como aconteceu no ano anterior, também nesta edição, os cantores amapaenses foram levados até a capital paraense, sendo contratados em Belém apenas os músicos. 

Na capa do disco imagens do bloco “A Banda”, com layout de Antônio Brito e fotomontagem de Fernando Leite do Foto Galeria. No anverso os títulos das músicas e a ficha técnica. Ouça:

Vídeo gentilmente cedido ao blog pelo amigo Francelmo George.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE – A MARABAIXEIRA JOSEFA PEREIRA LAU PICANÇO

Dona Josefa, nossa homenageada!

Josefa Pereira Lau - um ícone da cultura negra do Amapá - a marabaixeira, conhecida carinhosamente como Zezinha, nasceu numa segunda-feira em 19 de março de 1928, na localidade de Mazagão Velho/AP, filha de Benedito Lau e Raimunda Lemos. Ele filho legítimo da Vila do Mazagão Velho e ela filha legitima da Vila do Maruanum. Além da Josefa, o casal teve mais seis filhos. Por ter nascido num dia de S. José, ficou conhecida como tia Zezinha. Desde pequena Josefa se envolvia nas atividades realizadas na comunidade principalmente relacionadas à cultura de Mazagão Velho, local onde nasceu.

Foto: Santana do Amapá (reprodução)

A dança do Marabaixo é a manifestação cultural mais popular da localidade. Tia Zezinha tinha gratas lembranças de sua infância, pois aprendeu muito com seus pais e avós e sempre foi uma criança amada e curiosa por viver no meio da dança. O marabaixo é uma dança movida pela emoção, fé e herança cultural de um povo. Dona Josefa dizia que sentia orgulho da família que gerou. Sua infância e adolescência se deram na redondeza de sua terra natal, participando das atividades religiosas tradicionais do município histórico. 

Viveu em Mazagão Velho até casar-se, aos 16 anos, com Mariano Aleluia Picanço, em 1945, quando passou a se chamar Josefa Pereira Lau Picanço e se mudou para a Comunidade de Igarapé do Lago, distante 87 quilômetros da capital, Macapá. Dona Josefa Pereira Lau Picanço gerou apenas um filho, mas teve a oportunidade de criar muitos outros e cuidar de netos; para eles ela ensinou a cultura que aprendera desde criança. Dona Josefa começou a trabalhar desde cedo, quando cortava e ajudava na coleta da borracha, cultivava castanha de murumuru e realizava outras atividades na roça. Além de incentivadora da cultura afrodescendente, Dona Josefa era cantadeira dos ladrões de Marabaixo, contadora de histórias premiada e reconhecida pelo Ministério da Cultura como Mestra de Cultura Popular. Integrou a Comissão de Foliões de N.S. da Piedade de Igarapé do Lago onde exerceu por muitos anos o cargo de guardiã da santa junto com sua família. Foi importante também sua contribuição para a produção de vários sambas-enredo de diversas escolas de samba da capital amapaense, baseados no folclore e práticas culturais. 

Fez parte da Ala das Baianas da Piratas da Batucada. Tia Zezinha foi ainda parteira; fazia questão de afirmar que foi um dom que Deus lhe deu de ajudar uma vida a nascer. Viveu no Igarapé do Lago até a morte de seu marido, quando, por questões de logística foi para Macapá residir na casa da sogra, na Avenida Antônio Coelho de Carvalho, sem deixar de lado a sua querida Vila do Igarapé do Lago e Mazagão Velho. Em Macapá no canto do estádio Glycério Marques e em frente à sua casa, tia Zezinha vendia comidas típicas para ajudar nas despesas da casa.  Dona Josefa Pereira Laú Picanço, não só foi apreciadora da Cultura amapaense, foi detentora de saberes ancestrais. Poucas pessoas conheciam melhor do que ela sobre a origem das festas religiosas da Vila do Mazagão Velho, suas tradições e suas origens. Foi eximia dançadeira do marabixo, sairé e batuque. Teve brilhante participação nas festas do Divino Espírito Santo na Vila de Mazagão Velho e de São Gonçalo. Dona Josefa também fundou o Grupo da Terceira Idade da Vila do Mazagão Velho e foi atuante membro da Escola de Samba Piratas da Batucada, além de brincante das quadrilhas juninas.  Dona Josefa Pereira Lau Picanço, faleceu no dia 5 de abril de 2020, aos 92 anos, vítima de um aneurisma cerebral. Seu corpo está sepultado na Vila do Igarapé do Lago.  

A inesquecível Tia Zezinha, nossa biografada de hoje, é reverenciada pelo Museu Afro-Amazônico "Josefa Pereira Lau", localizado à Av. Dr. Silas Salgado, 3586, bairro Santa Rita, em Macapá, Capital do Amapá

Fontes consultadas: Pe. Paulo Roberto Mathias de Souza e Tribuna Amapaense

Fotos: Acervo do Museu Afro-Amazônico

                                                                            (06/02/2024 - Atualizado às 13h59)

domingo, 4 de fevereiro de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA = ANTIGO POSTO POLICIAL

Imagem de 1992, extraída de um vídeo postado no You Tube, nos permite compartilhar raro registro fotográfico de memória da Macapá de outrora. Trata-se de um posto policial, em madeira, construído em 1997, na época em que o Território Federal do Amapá era governado pelo Dr. Jorge Nova da Costa. Temos informações que este Posto Policial funcionava no antigo Igarapé das Mulheres, atual bairro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, zona central de Macapá. Soube-se que ele ainda chegou a ser reformado e continuou com a mesma finalidade, por mais algum tempo, mas depois de modificações e aterro no bairro, nada mais existe no local.
Fonte: YouTube

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

MEMÓRIA DA GUARDA TERRITORIAL: INSPETOR ANTÔNIO DE SOUZA OLIVEIRA

O sagitariano Antônio de Souza Oliveira, o quarto de 6 filhos do casal Raimundo Manços de Oliveira e Maria de Souza Oliveira (falecidos), nasceu dia 24 de novembro de 1928, um sábado, na ilha de Breves, Município de Afuá/PA.  Iniciou o curso primário no Grupo Escolar de Afuá e o concluiu no Grupo Escolar Augusto Montenegro, no bairro do Telégrafo, em Belém. Em Macapá, onde chegou em 05 de outubro de 1952, fez o curso Básico Comercial e posteriormente o Curso Técnico em Contabilidade, ambos, no Colégio Comercial do Amapá-CCA. Em complementação fez o Curso de Educação Física, que o credenciou a atuar como professor dessa área, na Secretaria de Educação do antigo Território Federal do Amapá. Foi Professor de Educação Física na Escola Coaracy Nunes. Antônio Oliveira, possuía conhecimentos musicais por ter sido aluno da Escola de Música do mestre Lavico, na cidade de Afuá, onde aprendeu a tocar pistom, trompete e bombardino. Era um exímio pistonista e conhecia com segurança a teoria musical, lia e escrevia música. Sua entrada para a Guarda Territorial foi intermediada por seu irmão Adamor Oliveira, que o apresentou ao Inspetor Miguel Alves da Silva, maestro da Banda de Música da corporação no Amapá. Submetido a um teste de conhecimentos foi aprovado e contratado de imediato. Fez curso interno para o cargo de Inspetor da Guarda Territorial e foi classificado em primeiro lugar; o inspetor da Guarda Territorial era equivalente a Sargento no militarismo. Passou a ser então, o Sub-regente da Banda de Música da GTA.

Após a extinção desta, exerceu as funções de Delegado de Polícia Civil e Comandante do Grupamento de Combate a Incêndio-GRUCI, hoje Corpo de Bombeiros Militar.
Como profissional da música, no campo particular organizou um conjunto musical, denominado “Os Tropicais”, o qual, durante muitos anos, animou festas em Macapá, Santana, Porto Grande, Serra do Navio, Porto Platon, Afuá, Ilha Viçosa e outros lugares adjacentes. O Sr. Antônio Oliveira professava a religião católica; era Maçon da Loja Acácia do Norte, onde chegou ao grau de Venerável Mestre. 

Inspetor Antônio Oliveira constituiu família ao unir-se em matrimônio com Maria Yolanda do Nascimento Oliveira. Na época as cerimônias civil e religiosa eram realizadas em horários e locais diferentes. No sábado, 23 de novembro de 1957, às 15 horas, no Fórum de Macapá, (antigo Fórum dos Leões) aconteceu a cerimônia civil, e a religiosa, às 17 horas do mesmo dia, na Igreja N.S. da Conceição, no bairro do Trem. Dessa união nasceram 8 filhos, sendo 4 homens e 4 mulheres: pela ordem Carmem Sílvia, Edna Lúcia, Telma Sueli, Ana Iza, Paulo Antônio (in memoriam), Carlos Eduardo, Márcio Aurélio e Fábio Luís. Antônio Oliveira era um cidadão honesto, solidário, obstinado com seus projetos; um pai amoroso, cuidadoso, carinhoso, atencioso e severo na disciplina com os filhos; com seus 8 netos foi um avô dedicado e muito amoroso. Inspetor Antônio Oliveira faleceu em Macapá, aos 61 anos, dia 28 de novembro de 1989, vítima de câncer no pâncreas, e seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério São José, no bairro Santa Rita, em Macapá. Dona Yolanda, viúva, aos 87 anos, continua lúcida sob cuidado dos filhos, residindo no mesmo endereço na Av. Feliciano Coelho, bairro do Trem.

Fonte consultada: Para montagem desta biografia contamos com a colaboração especial da amiga Edna Oliveira, uma das filhas do biografado, que prestou apoio ao nosso colega Édi Prado, em Macapá, na coleta de dados e fotos para composição da matéria, a quem agradecemos.

(01/02/2024 - Atualizado às 09h35)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

MEMÓRIA DA GUARDA TERRITORIAL - INSPETOR ÍTALO MARQUES PICANÇO

O Guarda Territorial Ítalo Marques Picanço, nasceu dia 01 de abril de 1919, na cidade de Macapá, quando este município pertencia ao Estado do Pará. Muito novo ainda, aos 5 anos de idade, ficou órfão de seu pai Sr. Raimundo Tomé Calixto. Em razão disso, foi morar na casa de seu tio, o vereador João Batista Picanço. (Não está informado na forte pesquisada o nome da genitora dele). Menino de uma família muito pobre, mesmo assim completou o curso primário nas escolas de Macapá. Vislumbrava ingressar na vida militar. Com este propósito, em 1942, viajou até Belém do Pará, e se apresentou no Posto de Recrutamento Militar – PRM, do vizinho estado. Serviu como soldado, enquanto aguardava vaga para entrar na Força Expedicionária Brasileira - FEB, mas não obteve êxito nos exames e foi mandado de volta para o Território Federal do Amapá, sendo admitido no quadro de funcionários do governo do Amapá, no dia 04 de dezembro de 1944, como integrante da Guarda Territorial do Amapá.

Desfile de 7/09/1963, em Macapá 

Após alguns anos, foi readaptado para a função de inspetor (1966), até galgar ao grau de Comandante da Corporação.

Foto tirada há 74 anos por Roberto Maia, repórter-fotográfico da Revista “O Cruzeiro” e publicada na edição de 04 de novembro de 1950, mostra imagem do Inspetor Ítalo Picanço na função de municiador, quando coloca a bala, em um dos canhões da velha Fortaleza de São José de Macapá.

O GT Ítalo sofreu, em 1956, um acidente grave na Fortaleza, quando participava de solenidade com disparos de canhão, durante comemorações alusivas à Semana da Pátria, um 7 de setembro. O incidente, de extrema gravidade, ocasionou sérias lesões com queimaduras por todo o corpo do Inspetor, que, desacordado, teve que ser levado às pressas para Belém-PA, e lá permaneceu, por quase um mês, na Santa Casa de Misericórdia, em tratamento de saúde. Após esse período, o Inspetor Ítalo assumiu o comando da Guarda Territorial. Decreto assinado pelo Governador Ivanhoé Gonçalves Martins, concedeu aposentadoria ao servidor Ítalo Marques Picanço, ocupante do cargo de Inspetor da Guarda Territorial, a contar de 30 de janeiro de 1967. Inspetor Ítalo já é falecido, mas na fonte não há registro da data de tal ocorrência.

FONTE: Texto elaborado com base em dados constantes no Livro Memória da Briosa Guarda Territorial do Amapá / Verônica Xavier Luna, Elke Daniela Rocha Nunes, Bruno Markus dos Santos de Sá. - Macapá: Editora UNIFAP, 2023.

domingo, 14 de janeiro de 2024

MEMÓRIA DO FUTEBOL AMAPAENSE: CRAQUES IRMÃOS FAUSTINO E JANGITO

Amigo João Silva compartilha em sua rede social um registro memorável de “dois campeões, dois irmãos, dois craques que deram muitas alegrias ao torcedor amapaense: o quarto-zagueiro Faustino e o centroavante Jangito. A foto é dos anos 60, quando os dois irmãos bons de bola foram campeões pelo CEA Clube, antes de se transferirem para o futebol paraense, para o Clube do Remo. Faustino foi titular absoluto e jogou mais tempo no Leão Azul, Jangito jogou menos; depois foi levado para o futebol acreano onde brilhou intensamente atuando pelo Juventus e Independência. Jangito começou no campinho da Matriz, no Juventus Esporte Clube..., fundado pelos padres do PIME. Faustino, depois do Remo, foi jogar no futebol amazonense, pelo Nacional e SulAmérica, sagrando-se bicampeão amazonense de futebol; o quarto-zagueiro clássico faleceu em 1998 em Manaus, como funcionário da Andrade Gutierres; João do Carmo Tavares, o Jangito é economista, e funcionário aposentado do Banco do Brasil; na ativa chegou a assumir a gerência local do BB, e depois que pendurou as chuteiras virou técnico da Sociedade Esportiva e Recreativa São José; era um atacante inteligente, de chute forte, artilheiro nato; é casado, tem filhos, está vivo, vai completar 81 anos e mora com a família em São Paulo. Os dois também jogavam basquetebol com bom desempenho."

Foto: Acervo do João Silva

Fonte:Facebook


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

FOTO MEMÓRIA DO ESPORTE AMAPAENSE > TREINO CONJUNTO: AMÉRICA X JUVENTUS

Do acervo pessoal do amigo Cléo Araújo, este registro fotográfico de 1958, de um treino conjunto realizado na quadra da Praça Barão do Rio Branco paralela à Rua Cândido Mendes, entre as equipes de América x Juventus, no centro de Macapá; em pé, da esquerda para a direita pelo time do América: Titio (Mauricio Lopes Damasceno), Zamba, Zé Façanha, Antônio Farias, João Moreira e Lelé; Juventus: Tinilo, Ubimar, Macedo, Januário Guedes, Biló, Claudio Cavalcante e Expedito Cunha Ferro (juiz).

Fonte:Facebook

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

MEMÓRIA DA MÚSICA AMAPAENSE – MAESTRO ALTINO PIMENTA

BIOGRAFIA
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Altino Rosauro Salazar Pimenta foi músico paraense, nascido em Belém a 03 de janeiro de 1921. Filho de Virgilio de Fontes Pimenta e Philomena Salazar Pimenta, proprietários da livraria Gillete, desde jovem estudou piano no curso dos irmãos Neves, sob a tutela do pianista Mario Neves. Quando adolescente, desenvolveu atividades musicais e radiofônicas na capital paraense apresentando-se em diversos espaços artísticos, inclusive o Theatro da Paz e a Rádio Clube do Pará. Dirigiu-se jovem ao Rio de Janeiro na década de 1930 a fim de se aperfeiçoar musicalmente, residindo ali por mais de uma década. Na antiga capital brasileira foi aluno de Iberê Lemos, Lorenzo Fernandez, Magdalena Tagliaferro, Herminia Roubaud, Maria do Carmo Ney entre outros nomes importantes, obtendo solida formação. Diplomou-se em alta virtuosidade e interpretação musical pelo Ministério da Educação e Cultura e concluiu na década de 1940 o curso de aperfeiçoamento pianístico de Magdalena Tagliaferro. Nesse período no Rio de Janeiro, atuou também nas rádios Nacional, Roquete Pinto, Globo e Tupi, tornando-se um dos fundadores desta última; exerceu o magistério de piano por cerca de 10 anos (1936-1943); e é dessa época uma de suas composições mais antigas: a canção Estrela.
Hernani Vitor Guedes, e seu inseparável violino, em uma das primeiras apresentações do Conservatório Amapaense de Música em 1953, em Macapá, com o maestro Altino Pimenta, primeiro diretor do conservatório.
Em 1951, a convite do governador do Território do Amapá, Janary Nunes, assumiu a liderança na fundação do Conservatório Amapaense de Música, contribuindo com suas atividades até 1955. Neste ano, com 34 anos de idade, em viagem à Minas Gerais, conheceu Júlia Rossetti, com quem se casou, passando a residir em Belo Horizonte, onde nasceram seus quatro filhos: Carmem, Paulo, Denise e Marcelo. Em Minas Gerais, voltou a participar de cursos musicais, tais como o de Alta Virtuosidade, História e Estética, Análise das Sonatas de Beethoven e Cravo de J. S. Bach, ministrados pelo professor vienense George Kullmann e o de Ritmo e Solfejo, pelo professor Ernest Schumann; lecionou no Colégio Universitário da UFMG aulas de Estética e Apreciação musical; foi, também, assistente da Orquestra Clássica e do Coral Universitário da mesma instituição e em 1965, juntamente com outros paraenses ali radicados — Waldemar Rocha e Dr. Abraão Bentes — fundou o Centro da Amazônia, com o propósito de reunir os conterrâneos e difundir a cultura da Amazônia. Além desses, outros cargos preencheram a sua agenda: foi diretor do Departamento Cultural da Associação Cristã de Moços, diretor Artístico da Rádio Guarani e membro da equipe fundadora da Televisão Itacolomy; desenvolveu importante trabalho de ensino musical em diversos municípios do Vale do Aço à convite da Companhia Belgo-Mineira. De 1971 a 1972, tornou ao Rio de Janeiro a fim de lecionar no Colégio Brasileiro de Almeida, e no antigo Estado da Guanabara, no Centro Educacional de Niterói, ministrando as disciplinas outrora ensinadas no Colégio Universitário da UFMG, período em que passou a tocar piano em estabelecimentos como a Confeitaria Colombo e a casa noturna Alt-Berlin. Em 1972, recebeu convite do então reitor da UFPA, Aloísio Chaves, para assumir a direção do antigo Serviço de Atividades Musicais da UFPA (SAM), hoje Escola de Música da UFPA (EMUFPA). De 1973, Altino retornou a sua terra natal com esse propósito, permanecendo na liderança do SAM até 1981. Sua gestão à frente deste setor foi marcada por ações dinamizadoras do ensino, projetos de capacitação de professores e artísticos como o Encontro de Artes de Belém – ENARTE, idealizado para ser um festival de música durante o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, com ofertas de espetáculos e cursos nas áreas de Música, Teatro, Artes Visuais e Dança. Na década de 1980, Altino continuou a desenvolver projetos artísticos, como o Paraoarte, nos quais valorizava compositores e artistas amazônicos, incluindo seus trabalhos composicionais que começavam a crescer em quantidade. Em 1988, tornou a residir em Belo Horizonte para pôr em prática o projeto Minas-Pará, uma parceria entre UFPA e UFMG por ele idealizada. Foi neste período que a UFMG lhe concedeu o título de Notório Saber em nível e graduação. Na década de 1990, de volta a Belém e já aposentado do serviço público, Altino passou a dedicar-se exclusivamente a suas composições e aos recitais onde as estreava, sagrando-se definitivamente compositor-intérprete. Neste período, lançou o LP Altino Pimenta, fruto do projeto Nos Originais da UFPA, com interpretações de seus amigos professores do SAM e publicou seus dois álbuns de partituras: Música para piano e outros instrumentos e Composições para Canto e piano pela Editora da UFPA. Além do PL, outros dois álbuns registram suas composições: um em parceria com professores artistas da Universidade de Missouri (EUA), produzido pela Prefeitura de Belém, e outro pelo selo Uirapuru da Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Nos anos de 1990, passou a divulgar sua obra no exterior. Alemanha, França e EUA, foram os países onde esteve ao lado de vários amigos artistas, sempre a convite de alguma instituição cultural ou de ensino. Como reconhecimento de seus méritos, o músico-professor recebeu várias honrarias ao longo da vida, dentre as quais o Certificado de Bons Serviços Prestados à Classe Musical, conferido pela Ordem dos Músicos do Brasil, a Medalha Comemorativa do Vigésimo Aniversário de Criação da Universidade Federal do Pará e a Palma Universitária, conferida em razão dos serviços acadêmicos que prestara. A Câmara Municipal de Belém outorgou-lhe também o título de Honra ao Mérito pelos Serviços Prestados aos Jovens Estudantes de Música da Capital. O trabalho composicional de Altino o levou a ocupar uma posição de destaque na mídia paraense entre os nomes de Waldemar Henrique e Wilson Fonseca, compositores já consagrados no Estado do Pará. Da aproximação com Waldemar Henrique se destaca a fundação da Academia Paraense de Música – APM, em 1981, resultado de reuniões promovidas por Waldemar Henrique em sua residência, ocasiões em que Altino e uma grupeto de músicos engajados no mesmo ideal elaboraram os instrumentos estatutários para a realização deste sonho, além de Waldemar Henrique: Altino Pimenta, Raymundo Pinheiro, Jarbas Lobato e Lenora Brito. Próximo ao ano de seu falecimento, em 2003, Altino seguiu compondo peças de gêneros variados que expressam suas vivências acadêmicas e profissionais e seu profundo comprometimento com a música brasileira, manifesto em títulos, letras, ritmos, melodias e harmonias.
Altino Pimenta foi Sócio Honorário da Academia Amapaense de Letras.
Fonte: https://altinopimenta.ufpa.br/biografia (Reprodução)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...