Segundo o sociólogo e escritor Fernando Canto "durante a
década de cinquenta e parte da de sessenta, o que se viu no Amapá no aspecto
literário, foi um esforço sobre-humano dos intelectuais da terra para que os
trabalhos das pessoas de talento fossem projetados além de nossas fronteiras, a
fim de receber críticas e se consolidar no cenário nacional. Poucos conseguiram
o objetivo. Do grupo de burocratas-escritores que ser formou no Amapá,
arregimentados pelo governo do Território para compor o primeiro escalão -
Álvaro da Cunha, Aluízio da Cunha, Alcy Araújo, Arthur Nery Marinho e Ivo
Torres - apenas Alcy Araújo, Álvaro da Cunha e Ivo Torres tiveram renome."
Há que se incluir também nesse rol, o poeta Arthur Nery
Marinho, que figura em duas grandes enciclopédias brasileiras.
"Não se pode negar os esforços que fizeram os primeiros
poetas, escritores e jornalistas que lá tentaram dinamizar a cultura e com isso
chegando a influenciar muitos dos que hoje estão numa posição de destaque
dentro do Amapá", diz Fernando Canto.
Logo o movimento extrapolou para os meios de comunicação de
massa. Surgiram os órgãos de divulgação cultural, jornais e revistas e programas
de rádio. A primeira iniciativa editorial nesse aspecto foi a revista Latitude
Zero fundada em 1952 por Álvaro da Cunha, José Pereira Costa e Marcílio Viana.
Era uma publicação de vanguarda que nada deixava a dever as outras revistas
literárias do país. Apesar de sua importância histórica teve vida efêmera.
Com a chegada do escritor carioca Ivo Torres em 1957 é
lançada uma nova revista do gênero, a Rumo, que chegou a circular em todo o
Brasil e contava com correspondentes em vários Estados. Considerada uma publicação
de qualidade, foi identificada por críticos literários e renomados autores como
um órgão de difusão cultural dos mais importantes do país. A revista que trazia
artigos e reportagens enfocando os mais importantes movimentos artísticos e
culturais do Amapá, do Brasil e do exterior, inseriu a cultura amapaense no
contexto nacional. Suas páginas recheadas de teatro, música, folclore,
sabedoria popular, eram frequentadas por ícones da época. A Rumo foi uma das
revistas do meio intelectual a dar projeção para diversos escritores locais e
modernistas no país inteiro. O escritor Fernando Sabino, foi um dos
entrevistados de Rumo em 1959 em Minas Gerais, assim como o caricaturista do
Rio de Janeiro Appe, uma das estrelas da revista de informação "O Cruzeiro".
Por causa de sua envergadura a revista Rumo chegou a ter projeção
internacional.
"A Rumo conduz e explica o Amapá", chegou a
escrever o ensaísta Osório Nunes.
Uma crítica publicada no suplemento literário do jornal
"Diário de Minas" em outubro de 1958, assim se expressou sobre a
revista: "Encontramos suas raízes na Semana de Arte Moderna. A sua vida
constitui um resultado de descentralização cultural que houve a partir daquela
data e que cada vez se acentua. Se fôssemos um Carlos Drumond, Mário de Andrade,
um Vinícius de Morais ou Anibal Machado, nada nos alegraria mais do que nos
saber lido lá pelos confins do Brasil, no Amapá".
A promoção do debate levou a revista a criar outros
mecanismos de apoio a produção literária. E assim nasceu a editora Rumo, que viria
publicar em 1960 a antologia Modernos Poetas do Amapá, o livro Quem explorou
quem no contrato do manganês do Amapá, de Álvaro da Cunha (1962) e
Autogeografia, livro de poesias e crônicas de Alcy Araújo (1965). A revista
Rumo também deu origem ao Clube de Arte Rumo, que reunia os poetas, pintores,
músicos e artistas de teatro para discutir o que se fazia no Amapá e no Brasil
no campo da literatura, da música e das artes cênicas e plásticas. Ao mesmo
tempo em que promovia concursos de crônicas e poesias na busca de novos
talentos.
"O flagrante fixa o
momento em que o Dr. Raul Montero Waldez, representando o Governador Pauxy
Nunes, discursava por ocasião do lançamento da Antologia “Modernos Poetas do
Amapá”, na Livraria Dom Quixote, em Belém/PA. Entre os presentes figuram os
poetas Álvaro da Cunha, Ivo Torres, Alcy Araújo e Aluísio Cunha; os escritores
paraenses Georgenor Franco (que saudou os intelectuais amapaenses, em nome da
Academia Paraense de Letras), Bruno de Menezes, Haroldo Maranhão, Rodrigues
Pinagé, Eldonor Lima, Max Martins, jornalistas João Neves, Chefe do Setor de Divulgação
da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia – SPVEA e
Aderbal Melo; professor Cláudio Barradas e outros; estudantes, intelectuais e
pessoas amigas, que lotaram completamente as dependências da moderna livraria.
Representando o pensamento dos “Modernos Poetas do Amapá”, usou da palavra o
poeta Alcy Araújo."
(Texto reproduzido do Jornal Amapá de 12 de julho de 1960)
Mais detalhes e informações neste link: http://migre.me/we5en
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