quinta-feira, 12 de setembro de 2024

MEMÓRIA DA CIDADE > RETRATO DA MACAPÁ DE OUTRORA

Esta imagem da Macapá antiga foi encontrada na internet, postada por Roque Oliveira, mas não se sabe quando nem quem a tirou.  

De acordo com a legenda, o endereço é Av. Coaracy Nunes, quase na esquina com a Rua São José. O Sr. Roque Batista construiu a residência à direita. Existe atualmente um edifício da Caixa Econômica Federal no local. Por ser raro, decidi publicá-lo no blog Porta-Retrato-Macapá, como um registro histórico da memória da Macapá de outrora.

Fonte: Facebook 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

LENITO, O “CAMPEÃO” DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO AMAPÁ

A pauta de hoje, elaborada pelo jornalista Édi Prado, amigo, parceiro e cofundador do blog Porta Retrato-Macapá, reverencia uma figura pioneira do Amapá, cuja profissão faz parte da cultura popular: o garçom Lenito dos Santos, filho de “Seo” Antônio Eurídio e D. Francisca dos Santos é nosso ilustre homenageado neste 11 de setembro, um mês após o Dia do Garçom, que é comemorado anualmente em 11 de agosto.

UM GARÇOM "CAMPEÃO"

Por Édi Prado (*)

O nome dele é desconhecido na Assembleia Legislativa, embora ele tenha ‘desapeado’ por lá em 1991. Ele é filho de Antônio Eurídio e de D. Francisca dos Santos. 

LENITO DOS SANTOS nasceu em 15 de outubro de 1954, no arquipélago de Marajó. Vaqueiro desde “gitinho” e muito habilidoso em derrubar búfalo pelo chifre. Estudou até a 5ª série do então curso primário. Não teve muita oportunidade para lidar com os cadernos, porque tinha que cuidar da boiada, todo dia santo e todo santo dia. Montar e pajear a manada. Nisso, ele tirava a nota máxima. Mas desde cedo foi jeitoso no trato com as pessoas. Ficava de longe observando o jeito de cada um e quando partia para a convivência sabia exatamente o que não fazer e nem falar. Com isso, foi conquistando o carinho e a atenção dos mais velhos, patrões e amigos. Ele é casado com D. Elvira Lúcia Gomes dos Santos com quem tem os filhos Adriano (34), André Santos (22) e Luís Augusto (21). Gosta de pedalar e prefere nem falar da vida de caçador.

E foi assim...

Lenito dos Santos viria a ser o “campeão”, apelido que está incorporado à figura dele em qualquer lugar. Ele trabalhava com o fazendeiro, Evandro Matias, que de viagem para Macapá, trouxe o vaqueiro como companhia.  E desapeando aqui, meio sem jeito e sem boi e búfalo para tocaiar, foi se aprumando diante da nova e desafiadora realidade de Macapá, no final da década de 80. E foi para a Fazendinha, uma praia da cidade, que recebeu este nome devido a uma criação de gado, no começo do então Território. Um processo de adaptação. Trabalhou na cascalheira retirando pedra das águas. Bom de serviço e disposto, logo despertou a atenção do Lavoura, um comerciante português, pioneiro na área do comércio em Macapá.

E não parou mais.

Gostou de trabalhar com o português. Saiu do Lavoura e foi atuar em outra atividade na sorveteria Santa Helena, também de um português.  Sorveteria era muito devagar para quem sempre viveu agitado. Foi para o Bar Brandão Drinks. E lá aprendeu as manhas da noite, o malabarismo com a bandeja e o trejeito em lidar com todo tipo de gente. O famoso breque. E foi por lá que ele cativou o Macaíba, uma figura bem simpática lá do bairro do Laguinho, que era assessor parlamentar do então deputado Nilde Santiago. De dose em doses foi se embriagando pela amizade de Lenito dos Santos, que ainda não era o campeão consagrado. Isso em 1991.

“Vamos pra lá?”

E numa certa e bendita noite, num rompante de decisão, convidou o então Lenito para trabalhar na Assembleia Legislativa (AL). No outro dia ele estava lá, impecável e sorridente. Habilidoso na arte de servir foi logo “se agasalhando” na lanchonete do “Seo” Albino, dono do famoso Xodó. Foram quatro meses de intensos e diários contatos com os deputados, servidores e frequentadores da AL. E nisso, foi exibindo o talento de garçom. Um dia - tem sempre um dia melhor que o outro - o então deputado e presidente da AL, Nelson Salomão, “que Deus o tenha”, diz, benzendo-se em súplica, fez um pedido de urgência para contratar garçons para atender os deputados durante as sessões.  Não existia o cargo no organograma. Mas existia a legalidade para contratar em cargo comissionado. Como ele já estava lá, bom trânsito entre os parlamentares, lá foi Lenito colocar paletó com gravata borboleta e tudo mais para agora ‘bandejar’ dentro do plenário. E todo “pavulagem” exibia todo o talento em manejar com copos, garrafas e o impecável lenço para secar as mesas.

E foi criado o chá.

Um dia, o então deputado e ex-presidente do Tribunal de Conta do Estado, Regildo Salomão, queixava-se de uma dorzinha incômoda. E sem pestanejar, Lenito lembrou-se do tempo em que morava em Marajó e correu para preparar um milagroso chá para o deputado. Após o chá, Regildo saiu espalhando as virtudes do chá mágico do já bem conhecido Campeão. Mas ele não se conteve apenas com os chás medicinais e calmantes.

O chá das sextas.

Às sextas-feiras inventou o tal chá de marapuama, que dizem ter efeitos afrodisíacos. E os deputados aprovaram com louvor. Só não se sabe bem porque, na sexta-feira.  “Este chá é servido aos deputados e para a imprensa, que cobre as sessões” anuncia, como que contando um segredo. Ele ensinou a alquimia para a D. Corina, a copeira, que se tornou uma mestra na arte de adoçar os bules. “O chá é tradição da AL”, confessa orgulhoso. O sabor varia conforme a pressão da AL. Tem erva cidreira, alecrim, carmelitano, canela, capim marinho, e na sexta, o marapuana.

Origem do apelido

Lenito, além de garçom profissional, que trabalhava na noite macapaense, se envolveu com o Hildomar, que tinha uma “aparelhagem” de som, que tocava nas grandes festas e famosos eventos. “Era o bambambam da época” relembra. Era o parceiro mor de porrinha e uma espécie de aliado secreto na hora da porrinha envolvendo outras pessoas. “Nós treinávamos e estudávamos as jogadas. Criamos códigos. Onde tinha porrinha, Lenito sempre foi o campeão. Eu e o Hildo. Mas o apelido só pegou em mim”, relembra. A aposta era cerveja. Saiam “truviscos”, sem gastar um centavo com cerveja. Essa parceria rendeu outro trampo. E ele foi aprendendo a mexer com os botões e buscando a velha mania de observar as pessoas, que descobriu o segredo de fazer o sucesso musical, depende do lugar e das pessoas presentes no salão. Ele sabia qual a música para cada momento. E nessa brincadeira, o salão enchia de dançarinos e a noite se espichava. O bar vendia mais e as pessoas saiam felizes, embora exaustas de tanto dançar.

 “Era o campeão chegar para a festa animar. Foi o antecessor do Dj em Macapá.  Quando estava chulo e desanimado o pessoal perguntava: cadê o campeão? E era só chegar para a festa animar”, dizia fazendo questão da rima.  E “pegou”. “Pouquíssimas pessoas sabem meu nome. Mas campeão é o campeão e todo mundo sabe”, gaba-se.  Se diz ainda campeão em porrinha. “Quando o negócio está ‘vasqueiro’ a porrinha ajuda muito”, revela.

Cheio de trololó

De vez em quando ele saca do colete da memória, velhas frases adaptadas para cada situação. “Minha cabeça é um chope”, que é um sorvete embalado em pequenas tiras de saco plástico, conhecido ainda como sacolé ou chupe. Diz que costuma atender primeiro os homens, para que as mulheres fiquem embelezando o lugar.  Quem está na chuva é porque não sabe que tem espaço no abrigo dele. Diz que conhece as manhas de cada parlamentar. Estuda caso a caso sem que eles percebam. O açúcar usado para os chás, “para quem é de açúcar” é de frutose, indicado pelo deputado Valdeco Vieira. E para cada um tem o cada um dele, explica o Campeão, dizendo que o “o galo que é bom canta em qualquer terreiro”. Diz ainda que polícia que não é respeitada, zagueiro que não bate, caneta que não escreve e mulher mal amada, tá fora.

As frases do Campeão

1-      A Bandeja é como se fosse uma câmera fotográfica que registra o temperamento de cada deputado ou pessoa que o Campeão serve.

2-      Ele se aproxima sem tirar a atenção de quem está servindo.

3-      Tem sempre o aviso quando a encomenda servida é do jeito que o deputado pediu.

4-      Recolhe o copo vazio e dá uma olhada para saber quem está precisando de quê?

5-      Na saída faz uma filmagem e relembra o que está faltando.

E até hoje, 11 de setembro de 2024, o Campeão está no trampo. 

Antes de começar a sessão da Assembleia Legislativa do Amapá, Campeão entra em campo, como se fosse o capitão da equipe, para fazer bem o que precisa ser feito. Um sujeito simpático, brincalhão, atencioso e muito afetuoso com as pessoas.

(*) Édi Prado é jornalista amapaense, formado pela Faculdade de Comunicação e Turismo Hélio Alonso (FACHA)- Rio de Janeiro - da turma de 1982. É pós-graduado em Administração de Empresa e Marketing.

FOTOS; Jaciguara e arquivo pessoal

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

MEMÓRIA DA AVIAÇÃO EM MACAPÁ > INSTALAÇÕES DA PANAIR DO BRASIL > ESTAÇÃO RADIOTELEGRÁFICA

 

Uma preciosidade histórica: imagens dos anos 1940 das instalações da Panair do Brasil, no Amapá > Estação radiotelegráfica no antigo aeroporto, em Macapá.

Do acervo pessoal de Duarte Moraes, primeiro administrador do aeroporto.

sábado, 7 de setembro de 2024

ADEUS, DONA NELMA SANTOS -> DOCES LEMBRANÇAS DE PARENTES, FAMILIARES E AMIGOS

O falecimento de NELMA SANTOS DA SILVA, conhecida como Nena, ocorreu em 18 de junho de 2024. A última filha do Mestre Oscar Santos, que ainda vivia. Viúva há mais de 40 anos, residia com a filha mais velha no mesmo endereço, à Av. Ceará, 340, entre as ruas Guanabara e São Paulo, bairro do Pacoval. Uma mulher extraordinária, devotada à sua família e à igreja. Ela completaria 93 anos em 08 de agosto, mas não viveu até aquele dia. Teve uma passagem tranquila: dormiu e, quando amanheceu, perceberam que ela havia partido no silêncio da madrugada! O blog Porta-Retrato – Macapá presta uma homenagem póstuma à dona Nelma, perpetuando lembranças e imagens de sua trajetória em vida.

Nelma Santos da Silva, filha de Oscar Santos e Júlia Guedes dos Santos, nasceu em 08 de agosto de 1931, na cidade de Abaetetuba, no Pará. Era a terceira filha de Mestre Oscar Santos. De fato, o seu nome deveria ser NEUMA (com U). No entanto, no cartório o registro foi grafado NELMA (com L), erro não percebido de imediato pelo pai. Para Mestre Oscar, ela era sempre NEUMA. Nelma Santos iniciou seus estudos em Belém.  Passou pelo Colégio Santa Rosa. Chegou a Macapá quando ia completar 14 anos em 1945. 
Mestre Oscar Santos mandou buscá-la com Sandoval Santos, seu irmão mais velho, e Marlene Santos, a mais nova. Apenas a segunda filha, Olásia Santos, permaneceu em Belém. Em Macapá, Nelma integrou a primeira turma do antigo Grupo Escolar Barão do Rio Branco, onde concluiu o Curso Primário. Depois, passou para o Colégio Amapaense e também fez parte da primeira turma do Curso Ginasial. Cursou até o segundo ano e, após se casar, interrompeu os estudos para se dedicar à sua família. Fora de casa, trabalhou apenas com o irmão Sandoval, que era sapateiro da Guarda Territorial de Macapá. Ela o auxiliava a costurar os coturnos de couro dos policiais.

Casou em 11 de novembro de 1950, na Igreja de São José, com Raymundo Nonato da Silva, com quem teve sete filhos: cinco mulheres e dois homens: Maria de Lourdes, Maria Neuma, Maria Lúcia, Raimundo Nonato, Maria do Socorro, Maria de Fátima e Benedito Oscar. Teve 20 netos e 25 bisnetos. Não aprendeu a tocar nenhum instrumento musical.  No entanto, ela admirava o som da Flauta Transversal, que naquela época somente homens tocavam. Apesar disso, foi a herdeira que transmitiu para os netos a herança musical de Mestre Oscar. 

O maestro compôs uma música para ela chamada NEUMA (com U). Lúcia, neta, com mestrado em Musicologia, a pedido do orientador Régis Duprat (*), fez o arranjo dessa valsa para piano (por ser uma obra de seu avô), e a apresentou no dia de sua defesa, em São Paulo. A dissertação foi sobre “AS BANDAS NO AMAPÁ E O MESTRE OSCAR SANTOS”. 

Lúcia Uchôa recorda que sua mãe fazia costura em casa e que, durante muito tempo, dona Nena confeccionou vestidos para a professora Maria das Dores Gomes Correia e para as doutoras Emília, Clara e Alice Ventura. Bordava e cozinhava muito bem! Tinha uma bela escrita, gostava de ler e apreciava poesia. 

Defendia firmemente a fé católica em Nossa Senhora e no Sagrado Coração de Jesus; tinha devoção especial por São Benedito, a quem recorreu e foi atendida, em um momento difícil de sua vida; zeladora devota do Apostolado da Oração na igreja de São Benedito, no Laguinho, por um longo período, exerceu a função de secretária da Associação das Zeladoras do Sagrado Coração de Jesus. O corpo de dona Nelma Santos da Silva, falecida em 18 de junho de 2024, descansa em paz em jazigo da família, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade, onde também está sepultado o mestre Oscar Santos.

(*) irmão do compositor, arranjador e maestro brasileiro Rogério Duprat

Nota do editor: Agradecemos à amiga Maria Lúcia Uchôa, musicóloga e neta de Mestre Oscar, por haver repassado ao blog todas as informações referentes à mãe dela o que nos permitiu a montagem da biografia de dona Nelma Santos, nossa homenageada, hoje!

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

COMPLEXO ESPORTIVO E ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA > HOMENAGEM A ROSIVAL GIL BRITO DE SOUZA (O Bonde)

O Complexo Esportivo e Espaço de Convivência “Rosival Gil Brito de Souza (Bonde), recém inaugurado em Macapá, na Praça N.S. da Conceição, homenageia um destacado desportista local. Vamos conhecer uma pouco da história desse pioneiro.

Rosival Gil Brito de Souza, conhecido como “Bonde”, nasceu em 22 de fevereiro de 1937, filho de Manoel Brito Ferreira e Eulália Gil de Souza. Era natural da cidade de Vigia-PA, mas amapaense de coração. A sua adoção pelo Amapá começa no final dos anos 40, prestes a completar 13 anos de idade, quando, como ajudante de seu pai, Manoel Brito, pescador profissional, singrou as águas do amazonas em um barco a vela, partindo de Vigia-Pará até Calçoene-Amapá, para a pesca da gurijuba, peixe que, após ser capturado nas águas do norte do estado do Amapá, era comercializado no estado do Pará. Nos anos seguintes, idas e vindas se sucederam na mesma rota de viagem e trabalho, quando em uma delas, Rosival “o Bonde”, já com 16 anos de idade, enamorou-se por uma jovem chamada Creuza, nascida em Calçoene e filha de família de pequenos criadores de gado. Casaram logo e estabeleceram residência em Macapá, ele com 17 e ela com 15 anos. 

Do casamento nasceram dez filhos, seis homens e quatro mulheres: Nelson (o primogênito), Rosenilda, Rosemeire, Jorge, Edilson, Ronaldo, Roseneide, Ronildo, Roselene e Romildo (o caçula), todos macapaenses. A vida lhe concedeu, ainda, 18 netos e 15 bisnetos.  Rosival “o Bonde”, ao se fixar em Macapá e já afastado da pesca, cumpriu uma jornada longa de feitos que a deixou consignada, assim como tantos outros homens e mulheres na história do pioneirismo do Amapá. Em Macapá, fixou-se com a sua família e foi morar no bairro do Trem, sempre às proximidades da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Na paróquia, foi integrante do Apostolado de Oração, coordenador da comunidade São Benedito e participou ativamente dos eventos religiosos e das festividades realizadas pelos paroquianos. Dedicou sua fé e devoção aos seus filhos na iniciação e formação cristã católica. Foi um participante ativo na agregação das festividades de Nossa Senhora das Neves, padroeira dos vigienses, ao espaço físico da Igreja da Conceição, que até hoje acontece, e neste ano (2024) completam 79 anos de festividade em Macapá. Foi presidente por mais de 20 anos alternados da Colônia, e posteriormente, Associação dos Vigienses Radicados no Amapá, entidade que em tempos passados agregava as centenas de vigienses que residiam no Amapá. Foi graças à sua capacidade de liderança e convencimento que durante o governo Anibal Barcelos, foi estabelecido um ponto facultado para todos os vigienses que trabalhavam no governo e que residiam no Amapá, para que pudessem participar, durante todo o dia,  das comemorações alusivas à festividade de Nossa Senhora da Neves, celebrada anualmente no dia 5 de agosto, que naquela época era um evento bastante concorrido, e que incluía,  além da procissão, o prato e o bolinho de gurijuba servidos para todos, inclusive para as autoridades, os arraias,  os leilões, e finalizava com grandes bailes para os vigienses. Liderou juntamente a seus pares o movimento com doações e ofertas que resultou na construção em madeira da primeira sede da Associação dos Vigienses Radicados no Amapá, edificada no bairro do Trem, e da segunda sede em alvenaria, e, finalmente, junto ao Governo do Estado, na década de 80 a última sede da AVRA, destinada à convivência e assistência dos vigienses residentes no Amapá. Na sua época, a comunidade vigiense no Amapá era, em número absoluto, a segunda maior, perdendo apenas para os próprios amapaenses nascidos ali. Daí a estreita ligação e o pioneirismo dos vigienses com o Amapá, que se expandiu através dos seus descendentes.  Não por acaso, a Banda da Guarda Municipal de Macapá é composta por diversos músicos vigienses. No início da constituição da sua família, Rosival “o Bonde” desempenhou uma atividade diversificada, dedicando-se a sustentá-la e assegurar um futuro digno para os seus filhos, sem medir esforços desde que os diversos ofícios dos quais se incumbiu fossem honrados. O seu primeiro emprego fixo em Macapá, no final dos anos 50, foi como cobrador dos primeiros ônibus que surgiram na cidade, aqueles que mesclavam lataria e madeira no seu revestimento, os quais só funcionavam após diversos giros manuais da manivela que o motorista ou o cobrador faziam na parte frontal do veículo. Em seguida, valeu-se da sua condição de jovem jogador de futebol, desde os tempos em que viveu na Vigia, para ser chamado a jogar no time do Santana Esporte Clube (o canário milionário como era conhecido), isso rendeu-lhe um contrato para trabalhar na Indústria e Comércio de Minérios S/A-ICOMI. Na ICOMI trabalhou cerca de dois anos, tendo ainda com a influência de jogador de futebol, se tornado funcionário do Governo do extinto Território Federal do Amapá, onde 30 anos depois se aposentou. 

Além do Santana Esporte Clube, em Macapá jogou também no Guarany Atlético Clube, convidado por seu compadre Milton Corrêa, que era o dono do Clube. De acordo com os registros históricos do saudoso jornalista Joaquim Neto, Rosival (o Bonde) foi o primeiro treinador do Clube da Torre, agremiação tradicional fundada em 1963 sob a inspiração da paróquia de Nossa Senhora da Conceição

Também dirigiu o Municipal Esporte Clube, extinta agremiação da Prefeitura Municipal de Macapá que, na década de 1960, disputou o campeonato amapaense da primeira divisão do Amapá. Foi fundador do Clube Atlético Londrina, que disputou o campeonato profissional nos anos 90 e hoje está licenciado da Federação Amapaense de Futebol. A sua veia de desportista oportunizou a formação de dezenas de jovens bons jogadores, craques dos áureos tempos do futebol amapaense. 

Foto: Rogério Castelo - Cortesia 

A praça de Nossa Senhora da Conceição foi o seu principal instrumento laboratorial para os muitos feitos em favor do desporto amapaense. Rosival, “o Bonde”, com uma enxada e um ancinho, foi o construtor do segundo campo oficial da praça de Nossa Senhora da Conceição, que no passado era composto por quatro campos de futebol, onde eram realizados treinamentos dos clubes locais, torneios e campeonatos com a sua frequente participação e idealização. 

Dando continuidade à sua luta para construir o futebol amapaense, em 1991, no estádio Zerão, viu uma obra construída por suas mãos: os seus seis filhos jogarem juntos em uma partida oficial de futebol profissional, vestindo o mesmo uniforme e defendendo as cores do seu time querido, o Clube Atlético Londrina, o que resultou num feito inédito no mundo do futebol até que se prove o contrário. Esses traços de liderança e alegria o fizeram também um dos principais líderes na história super vitoriosa da Escola de Samba Piratas da Batucada. Em 1987, ele, juntamente com os mestres Monteiro e Manoel Torres, e o filho Nelson Souza, foi um dos responsáveis pela união das instituições existentes no bairro do Trem, fazendo da Piratas da Batucada uma escola Super Campeã, que passou de zero título para dezenas de conquistas. Além disso, emprestou a sua inquietude saudável para ser um dos fundadores do movimento junino Bate Coração, que resultou na conquista de diversos títulos em festivais juninos. Rosival Gil Brito de Souza, o Bonde, era um homem alegre, festivo, folclorista e idealizador. Sempre dizia que, perto dele, não havia espaço para a mediunidade e a tristeza, apenas para a atitude e a animação. Faleceu em novembro de 1993, aos 56 anos, deixando um legado de bons exemplos para ser seguido. Seu corpo descansa em paz no Cemitério de São José, bairro Santa Rita.

NOTA DO EDITOR

Agradecemos a colaboração do amigo Nelson Souza, um dos filhos de homenageado, pelo envio do texto biográfico, informações complementares e fotos de seu pai Rosival Gil Brito de Souza, o Bonde!  João Lázaro.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

LEMBRANÇA DA DOCA DA FORTALEZA – MACAPÁ

Imagem (*) rara do acervo de Derossy Araújo mostra as atividades comerciais na Doca da Fortaleza, às margens do igarapé que foi substituído pelo Canal da Av. Mendonça Júnior, em Macapá.

(*) parte integrante de sê-los

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

ESPORTE AMAPAENSE > OS 81 ANOS DO DESPORTISTA CÉLIO PAIVA

O desportista Célio Paiva completa 81 anos nesta quarta-feira, 21 de agosto de 2024. A maioria deles vividos no Amapá.

Benedito Célio de Araújo Paiva, zagueiro e artilheiro do futebol amapaense, nasceu em Bragança-PA, em 21 de agosto de 1943 - 31 dias antes da criação do Território Federal do Amapá, em 13 de setembro daquele ano - filho do comerciante João Barbosa de Paiva e Francisca Soares, também conhecida como Dona Santinha. As chances de emprego no recém-criado território e a exploração das reservas de manganês pela mineradora ICOMI despertaram o interesse de Barbosa de Paiva, que não mediu esforços e partiu para Macapá, acompanhado da família, em 1950. Naquela época, Célio tinha nove anos. 

Célio Paiva teve um grande desempenho nos esportes de vôlei e basquete, chegando a atuar como atleta profissional. Seu principal destaque foi no campo do futebol, quando se tornou um dos maiores craques do Amapá nos anos 60 e 70, período de ouro do futebol amapaense. Ele começou a sua trajetória na tradicional paróquia de Nossa Senhora da Conceição, localizada no bairro do trem, zona sul de Macapá, no Palmeirinha, equipe que conquistou o tricampeonato em 1956. 

Célio desempenhou suas funções nos clubes Esporte Clube Macapá, Sociedade Esportiva e Recreativa São José e Juventus Esporte Clube a partir de 1961. 

Ele foi convocado diversas vezes para a Seleção Amapaense, que disputou partidas extraordinárias no Estádio Glycério de Souza Marques, conhecido como Gigantão da Favela. Célio Paiva voltou ao Pará, onde jogou pelo Paysandu Sport Club, em 1966. Ele também atuou no Clube do Remo.  Nesse ano, ele conheceu Diana Nazaré Monard, com quem se casou em 26 de janeiro de 1972. A união gerou quatro filhos. 

Como servidor público concursado do Governo Federal, administrador e técnico em contabilidade, trabalhou na extinta Companhia de Desenvolvimento do Amapá (Codeasa) e no Ibama, onde se aposentou. Atualmente, ele reside com a família na capital paraense.

Fontes consultadas: portal selesnafes.com (com informações de Keyla Monard Paiva, filha de Célio) e Francelmo George.

domingo, 18 de agosto de 2024

MEMÓRIA ESTUDANTIL DO AMAPÁ > JOGOS ESCOLARES

Outra relíquia histórica de Macapá, dos Jogos Estudantis do Amapá, na Fortaleza de São José de Macapá em 1966. Colégio Comercial do Amapá  e Escola Industrial de Macapá.

A partir da esq.: Ten. Charone, Abdalla Houat, Governador Luiz Mendes da Silva, Paulo Leite, Rui Apolônio, Astrogessildo, Perivaldo, Clayrton, José Ferreira, :Savino  e Altair Lemos. Agachados: Antônio Tostes (UECSA), Gurjão, Américo Brito, Silvio Castilho (Vivi), João Ferreira, Magalhães, Célio Paiva e Gatinho.

Foto: acervo de Célio Paiva.

sábado, 17 de agosto de 2024

MEMÓRIA ESTUDANTIL DO AMAPÁ > JOGOS ESCOLARES

Mais uma relíquia histórica de Macapá, do Bau de Lembranças do amigo Célio Paiva. Foto do time do Colégio Comercial do Amapá, tirada em 1963, em frente à residência governamental, na praça Barão do Rio Branco, por ocasião de uma partida de vôlei dos JOGOS ESTUDANTIS AMAPAENSES.

Em pé da esquerda para direita: George (Paraibinha), Savino, Mendonça, Lelé, Célio Paiva e Tenente Charone. Agachados na mesma ordem: Antônio Tostes, Ferreira, Ubiracy Picanço, Américo SEVEL, Palitinho; filho e neta do Tenente Charone.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO AMAPAENSE > PROF. DELZUITE CAVALCANTE

O blog Porta-Retrato-Macapá, presta merecida homenagem póstuma à prof. Delzuite Cavalcante - pioneira da educação no Amapá, conceituada professora do magistério amapaense, com muitos anos de serviços prestados à clientela estudantil amapaense. Ela figura com destaque entre os grandes mestres, que chegaram ao Amapá, e participaram com seu trabalho pioneiro em prol da educação dos cidadãos brasileiros que estavam na nova unidade administrava do Brasil, o recém fundado Território Federal do Amapá, que tinha no visionário Capitão Janary Nunes seu primeiro governante. 

A brilhante normalista Delzuite Maria Carvalho Cavalcante, nascida em 31.07.1928, em Belém (PA), filha do comerciante português Domingos Carvalho e da paraense, Jacinta Carvalho, como a maioria de suas colegas, estudou o ensino normal no Instituto de Educação do Pará (IEP), em Belém, e o Pedagógico, no Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA). Chegou a Macapá, quando o governador Janary Nunes, foi em busca de contratar jovens técnicos e professores para trabalharem no Território. Ao chegar, trabalhou primeiramente dando aulas nas escolas do interior, entre os quais: Aporema, Araguary, Campina Grande. Em MacapáDelzuite Cavalcante trabalhou dando aulas ou como bibliotecária, entre outros, nos colégios Alexandre Vaz Tavares, Coaracy Nunes, José de Anchieta, Centro Emílio Médici que atuava com o antigo Ensino Supletivo. Depois foi desenvolver suas atividades na Secretaria de Educação. Dona de uma personalidade alegre e extrovertida, Delzuite Cavalcante era uma pessoa inteligente, gostava de música, de cultura, de reunir amigos, de grandes amizades. A professora Delzuite casou em Macapá no dia 25 de janeiro de 1954 e já namorava o poeta Alcy Araújo quando foi para o então Território Federal do Amapá. O poeta, apaixonado, foi junto também e lá se fixaram para a eternidade. O casal teve quatro filhos biológicos: dois homens, Alcione e Alcy Filho, e duas mulheres: Alcinéa e Alcilene, e duas filhas adotivas: Genassuema e Adélia. Desde que casou, até falecer em 20 de julho de 1986, aos 58 anos, morou na Avenida Almirante Barroso, entre Leopoldo Machado e Hamilton Silva. O governo do estado a homenageou, dando seu nome à uma escola no Bairro do Perpétuo Socorro – E.E. Delzuite Cavalcante, próximo à orla e com vista para o Rio Amazonas que ela tanto amava. Está sepultada  no jazigo da família, no Cemitério N.S. da Conceição, no Centro.

Fonte: Tribuna Amapaense com informações de Alcinéa Cavalcante, filha da biografada.

terça-feira, 30 de julho de 2024

MEMÓRIA DO COMÉRCIO AMAPAENSE (BAZAR BRASIL) > Sr. FRANCISCO CAVALCANTE BRASIL (In memoriam)

Homenagem póstuma do blog Porta-Retrato-Macapá ao comerciante Francisco Brasil, proprietário do Bazar Brasil, que, apesar de não ser amapaense, contribuiu significativamente para a economia da capital do Amapá.

Francisco Cavalcante Brasil nasceu em 10 de novembro de 1934, na cidade de Boca do Acre, localizada na confluência dos rios Acre e Purus, no estado do Amazonas, sendo filho do casal José Ferreira Brasil e Geny Cavalcante Santana. Na juventude, trabalhou para pequenos proprietários de fazendas no coração da floresta, mas não deixava de lado a ideia de ser caixeiro-viajante, de trabalhar por conta própria, abastecendo os ribeirinhos com os insumos necessários para sobreviver. Assim, o caixeiro-viajante estabeleceu uma comunidade, percorreu diversas localidades fazendo um "carreirão" próximo a Manaus, Rio Branco e Belém.  Ele encontrou a jovem Rita Rodrigues, que gostou da ideia dessas aventuras e o seguiu, em busca de novos horizontes. Se casaram e resolveram se mudar para Macapá, onde sopravam boas notícias. O casal chegou à capital do Amapá nos anos 1960. O centro comercial estava se desenvolvendo, mas ainda havia muito a ser feito. Na época, a Rua São José com a Pe. Júlio era só um pântano. Nada que desanimasse o casal recém-chegado: a terra pareceu boa, e o povo, acolhedor... Seu Brasil e sua esposa Rita arranjaram um quarto na pensão Europa sem ter consciência de que a sorte estava ali...havia um boxe livre no anexo do Mercado Central e a vaga requeria um profissional competente para o trabalho.

Trabalhou no Bazar Brasil I, que continua até hoje, na Av. Antônio Coelho de Carvalho nº 29, ao lado do Mercado Central, por mais de 30 anos, onde conseguiu os recursos necessários para manter a família que crescia.

Até 2000, quando Dona Rita faleceu dia 8 de novembro, o Bazar Brasil II foi mantido pelo casal que teve seis filhos: Vânia, Vanilma, Vanilda, Vanilson, Vanilton e Vanilza Brasil.
Seu Brasil morreu em 25 de maio de 2007, aos 72 anos de idade. Ele foi sepultado junto com sua esposa no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, localizado no centro da cidade. Após a morte dos pais, os negócios foram transferidos para os filhos.

Nota do Editor: Agradecimentos especiais a Vanilton Brasil, filho do casal, pela sua contribuição para a criação desta biografia

domingo, 28 de julho de 2024

LEMBRANÇA DE MACAPÁ > IRMÃOS JOSÉ E COSTA PINTO

Amigo José Pinto envia para o blog Porta-Retrato-Macapá, uma lembrança dos anos 1970, época em começou a tocar contrabaixo no Conjunto Os Setentrionais, em Macapá.
(Foto colorizada por IA)

Neste registro fotográfico, ele aparece ao lado do irmão Costa Pinto, que foi destacado radialista na capital amapaense. Agradecemos a colaboração!

Foto: José Pinto (Cortesia)

sábado, 27 de julho de 2024

MEMÓRIA DA MÚSICA AMAPAENSE > CONJUNTO “OS COMETAS”

                                                                    Colorizada por IA

Foto da década de 1970, que o amigo Paulo Tarso me enviou, registra o instante em que o grupo musical “Os Cometas” se apresentava na sede do Esporte Clube Macapá, na Av. FAB. Podemos observar, em primeiro plano, o cantor Humberto Moreira ao lado dos músicos do grupo: Nando, Bebeto, Luíz, Dom Pedro, Venilton Leal e Jaci.

Foto: Paulo Tarso (Arquivo pessoal)

sexta-feira, 26 de julho de 2024

MEMÓRIA DO ESPORTE AMAPAENSE > TREM DESPORTIVO CLUBE

A fotografia rara do Trem Desportivo Clube, que pertence à coleção da família Marques como lembrança do pai, José Jocelito Marques, um dos pioneiros açougueiros do Mercado Central, foi clicada na Praça da Matriz, no início do antigo território do Amapá, atualmente ocupado pela Praça Veiga Cabral, localizada no Centro Velho de Macapá.

(Imagem colorizada por IA)

Devido à sua idade, enfrentamos dificuldades para identificar a maioria dos atletas nas imagens vestindo a camisa do clube rubro negro da Av. Feliciano Coelho. Com a ajuda do nosso amigo Francelmo George, chegamos à conclusão de que este registro histórico data do final dos anos 1940, 47/48, logo após a fundação do clube em 1 de janeiro de 1947. Outro aspecto relevante de sua análise foi o fato “desse grupo, não ter jogado nos anos 50, uma vez que, depois, esses jogadores foram para o Amapá Clube”.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

JOSÉ JOCELITO MARQUES > UM PIONEIRO DO MERCADO CENTRAL

Um jovem nordestino inquieto e apaixonado pelo desconhecido, que, como muitos outros, abandonou tudo em sua terra natal e partiu para a Amazônia, é nosso homenageado póstumo de hoje.

Eram os tempos dos “Soldados da Borracha”(1). Fez morada em Macapá, no Igarapé das Mulheres. Trabalhou no Governo, teve filhos macapaenses e, por lá, permaneceu. Foi um dos primeiros açougueiros do Mercado Central de Macapá.

A HISTÓRIA DE JOCELITO

Hoje, vamos conhecer a história de vida de José Jocelito Marques, um cidadão que nasceu em  Cascavel–CE, no dia 05 de junho de 1921, filho de Manoel Ferreira Marques e Ana Ferreira Marques, agricultores que produziam no Sítio Coaçu, alimentos para subsistência, assim como cultivavam cana-de-açúcar para produção de rapadura e produtos derivados, comercializados na feira da cidade.  Casou-se com Maria Merita Marques, em 1944. Em seguida saiu de sua terra natal, sozinho, deixou a esposa grávida, partiu para a Amazônia, onde, com a criação do Território Federal do Amapá, houve a necessidade de trabalhadores para a construção dos prédios públicos. Deixou Cascavel em um caminhão, embarcou num Ita da Navegação, a vapor, rumo a Belém. Após três dias, chegou a Macapá em uma embarcação a motor/vela. Cerca de quinze dias de viagens. Iniciou suas atividades na construção civil, como operário, depois, por sua comunicação com os nordestinos foi designado Administrador do Barracão dos Emigrantes, recém-construído. Ficou pouco tempo. Gostava de ser livre, sem patrão, iniciando sua vida de empreendedor cortando carne bovina em uma pequena casa construída em madeira, na Rua Cândido Mendes, em frente a Fortaleza de São José de Macapá, como açougueiro. Com a edificação do Mercado Central recebeu do prefeito da época dois açougues para comercializar carne bovina. E durante toda sua vida trabalhou com carnes. Sua união matrimonial com dona Merita foi abençoada com nove filhos: Jeová, Pedro, Ana Maria, Maria Roseli, Jocelito, Luizinho (falecido), Luiz, Adonis e Roberto. Em segundas núpcias, com dona Maria Carmelita, mais um Marques, Ana Cleonice. Nos últimos oito anos de sua vida foi residir no município de Oiapoque, trabalhando no Mercado Municipal, comercializando carnes de gado e frango. Em Macapá, construiu sua morada no Igarapé das Mulheres, na Rua Rio Tefé, número 1. Neste local edificou uma pequena casa para abrigar nordestinos que vinham em busca de empregos, muitos se fixaram nas localidades ao longo da estrada de ferro da ICOMI. Ao fixar morada em Oiapoque, passou a servir diariamente sopa às pessoas que chegavam à sede do município, vindos de diversas partes do país ou de cidades das Guianas Francesa/Inglesa/Holandesa. Duas de suas qualidades: fazer amizade e ajudar aos mais necessitados. Uma coisa que poucos ou quase ninguém sabia sobre a vida de Jocelito é que ele também bateu uma "bolinha" em Macapá. Embora sem muito destaque, ele chegou a vestir a camisa do Trem Desportivo Clube, nos primeiros anos de existência da tradicional agremiação esportiva.

As imagens desta foto, tirada na antiga Praça da Matriz, presumivelmente nos anos 40/50, comprovam que ele foi conterrâneo de destacados desportistas, que brilharam nos esportes nos primeiros anos do Amapá.  Pelo menos, neste time do Trem Desportivo Clube, conseguimos identificar, ao lado de Jocelito, os desportistas, José Maria Chaves e Avertino Ramos, Seu José Jocelito Marques, faleceu no Hospital Geral de Macapá (atual Hospital das Especialidades) no dia 20 de abril de 1992, tendo como causa uma hemorragia pulmonar; está sepultado no jazigo da família Marques, no Cemitério São José, no Bairro Santa Rita.

Uma frase dele que marcou: ao chegar em Macapá, vendo o Rio Amazonas, exclamou: -- “tanta água no lugar errado. No meu Nordeste é preciso rezar para ela chegar”.

Em justo reconhecimento à sua memória, o nome de José Jocelito Marques está perpetuado em uma via de acesso ao Loteamento Flórida, bairro Equador, no município de Santana–AP.

Escrito por Jeová Marques (18/07/2024) – filho mais velho de nosso biografado.

A mesma história na versão de Luiz Corrêa, outro filho de Jocelito.

José Jocelito Marques

A Saga de um nordestino - Cascavel–CE.

Seu Jocelito foi à feira de Cascavel, que ocorria aos sábados. Quando estava na feira, apareceu um caminhão Ford, convocando pessoas para serem soldados da borracha, na Amazônia, no Projeto de Henry Ford, para fabricação dos pneus para carros. Não existia no mundo borracha para suprir sua fábrica, resolveu ele mesmo produzir lá pelos anos 1940. Seu Jocelito, em 1944, viu nessa convocação uma oportunidade de mudar de vida. Pegou o dinheiro que tinha, enviou para sua esposa D. Merita, pelos vizinhos do sítio de seu pai, dizendo a ela: - “Merita vou para a Amazônia trabalhar, para conseguir dinheiro para comprarmos uma casa.

Subiu no caminhão e foi para Fortaleza. Já havia um navio aguardando no porto. Seguiu viagem até Santarém. Trabalhou de seringueiro, mas não era a sua praia. Um dia ouviu falar que havia sido criado o Território Federal do Amapá. Deixou o seringal, pegou um barco e viajou para o Amapá, Macapá. Conseguiu emprego no governo local, trabalhando em serviços gerais de construções. Administrou o Barracão dos Migrantes. Trabalhou por uns tempos, se sentiu amarrado no trabalho, resolveu empreender. Foi ser açougueiro. Foi bem-sucedido nessa empreitada. Tendo talhos (açougues), fora, no antigo Mercadinho e dentro do Mercado Municipal. Se tornou marchante (negociador de carnes), comprava gado da Fazenda Camurupim, da Ilha de Marajó, abatia as rezes e entregava nos açougues para os açougueiros.

Ante toda essa saga, enviou uma carta para dona Merita, que podia vir, pois havia conseguido uma casa, que era o seu objetivo.

O seu primogênito Jeová, nascido em 1945, já estava com um ano e meio e o tio José Esteves, seu irmão, trouxe dona Merita para Macapá.

Seu Jocelito havia trabalhado muito para criar os filhos. Os mesmos se reuniram para que parasse de trabalhar. Então teria uma aposentadoria. Sabendo disso, empreendeu viagem para o Oiapoque para não aceitar a proposta. No Oiapoque, aprendeu a falar francês e crioulo. Era amigo do prefeito de São Jorge de Oiapoque/França e de todo mundo da cidade de Oiapoque.

Seu Jocelito fazia uma sopa diária para os que deixavam a cidade e para os que chegavam das guianas.

Quando criança, em Macapá, lembro que havia uma latada (barracão), onde recebia os nordestinos que iam para as colônias de Porto Grande, Pedra Branca e demais paragens do trem da ICOMI. Os colonos pegavam o trem na estação férrea do km 09.

Quando seu Jocelito deixou o Ceará, ele era considerado uma pessoa sem juízo para a época.

Eu, Luiz Corrêa, um dos filhos do seu Jocelito, visitando as nossas origens em Fortaleza, Aquiraz e Cascavel–CE, no ano de 2023, ouvi seus parentes dizerem que ele era além do tempo dele. Ou seja, papai tinha uma visão de águia.

Macapá, 19/07/2024

Escrito por: Luiz Corrêa, o filho com as mesmas qualidades do pai Jocelito. (Desbravador).

(1) Os soldados da borracha foram os brasileiros que entre 1943 e 1945 foram alistados e transportados para a Amazônia pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos da América (Acordos de Washington) na II Guerra MundialEstes foram os peões do segundo ciclo da borracha e da expansão demográfica da Amazônia. O contingente de soldados da borracha é calculado em mais de 55 mil, sendo na grande maioria nordestinos.(Wikipédia)

(Última atualização às 16h, em 26/07/2024)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...