sábado, 12 de fevereiro de 2011

Morte de Wanderley - Um Pioneiro do Amapá

(Reprodução)

Faleceu na quinta feira, 10 de fevereiro de 2011, por volta de 12:30h, no Hospital São Camilo, em Macapá, um dos pioneiros do Amapá, Raimundo Adamor Picanço – o Wanderley.

Grande craque do passado, Wanderley foi goleiro dos melhores times amapaenses, entre eles o São José, Juventus Esporte Clube e Ypiranga Clube.

Professor de educação física e natação, goleiro, árbitro; Wanderley era amante do esporte e do carnaval, sendo um dos fundadores da  “Banda”, o bloco de sujos que arrasta multidões na terça-feira gorda.


(Reprodução/blog da Alcinéa)
Wanderley na terça-feira gorda, em 2008
(Foto: extraída do blog da Alcinéa)
Era ele quem confeccionava a roupa do boneco “Anhanguera”, do tradicional bloco.
Fonte: Blog da Alcinéa
Link relacionado: São José, muita garra e amor à camisa

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Inauguração da Escola "José de Alencar"

(Reprodução/Arquivo pessoal)
Clicar na imagem para ampliá-la
Ano 1968 - Inauguração da Escola "José de Alencar" - na Rua Cândido Mendes.
Dom José Maritano - Segundo Bispo Prelado de Macapá, faz oração especial para dar a bênção ao estabelecimento.
Em primeiro plano vemos (à esq.) professor Geraldo Leite de Morais ; (um pouco mais atrás) Coronel Alacid da Silva Nunes; General Ivanhoé Gonçalves Martins - Governador do Território e sua esposa (de branço atrás dele); (atrás de Dom José) Cel Adálvaro Cavalcante; Jornalista Hélio Penafort (segurando o microfone); (atrás dele professor José de Alencar Feijó Benevides, e eu João Lázaro (segurando o BTP) e atrás (à direita) Sr. Neves (sócio da Fábrica Amapaense) e atrás dele o Sr. Claudionor Monteiro Lima (Cutião).
Na ocasião eu - João Lázaro - e o jornalista Hélio Penafort faziamos a cobertura do evento para a Rádio Educadora São José de Macapá.
(BTP, era um aparelho portátil de transmissão externa, em frequência modulada, usado pela Rádio Educadora de Macapá)
(Repaginado em 2011)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Antônio Munhoz: um pioneiro do Amapá

Há 79 anos, em 10 de fevereiro de 1932, nascia em Belém do Pará, Antônio Munhoz Lopes.
(Reprodução/Arquivo pessoal)
Ano 1973 - Professor Antonio Munhoz Lopes
Filho do farmacêutico José Ayres Lopes e D. Izabel Munhoz Lopes.
Munhoz Iniciou seus estudos com professor particular e prestou exames no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, em Belém, em 1943.
Começou o ginásio no Colégio Nazaré dos Irmãos Maristas em Belém, transferiu-se depois para o Seminário Metropolitano de Nossa Senhora da Conceição.
Em São Luís do Maranhão, iniciou o curso de Filosofia, recebendo a batina no dia 8 de dezembro de 1950.
Fez o curso jurídico em Belérn, na velha Faculdade de Direito do Pará, bacharelando-se em 4 de outubro de 1959.
Ao chegar ao Amapá ingressou no governo do ex-Território em 8 de dezembro de 1958, na função de Delegado de Polícia da DOPS.
Em 1960 foi enquadrado na, função de Professor do Ensino Secundário, lotado na antiga Divisão de Educação, tendo exercido os cargos de Diretor do Colégio Amapaense (1960); Diretor da Divisão de Educação em 1963; Secretário da Justiça Federal de Primeira Instância; Orientador Educacional; Diretor do Conservatório Amapaense de Música em 1980; Diretor Adjunto da Escola de Arte Cândido Portinari em 1990.
Em 1969 é escolhido o "Mestre do Ano", recebendo uma caneta de ouro do Governador Ivanhoé Gonçalves Martins.
A crítica de cinema Luzia M. Álvares, do jornal "O Liberal", considerou Antônio Munhoz "um dos pioneiros da verdadeira crítica cinematográfica no Pará" (29.12.1972), fazendo parte do livro "A crítica do Cinema em Belém".
Na sua ânsia pela cultura e pelo conhecimento dos costumes dos povos, visitou o Japão, China, Indonésia, Cingapura, Tailândia, India, Nepal, Egito, Israel, Turquia, Rússia, África do Sul, Quênia, Marrocos, México, Finlândia.
Além da  Europa, conhece os Estados Unidos e Canadá.
O jornalista Haroldo Franco chamou-o de "cidadão do mundo", além de "um dos melhores mestres da nova civilização que o Brasil está implantando no Amapá".
O último poema escrito por Alcy Araújo em abril de 1989, foi dedicado a "Antônio Munhoz, cidadão do mundo".
Munhoz é fascinado por museus e visitou os mais importantes do mundo, como o Louvre em Paris, o Errnitage em São Petersburgo, o Prado em Madri, o Metropolitan de Nova Iorque, o do Vaticano e do Bardo na Tunísia.
Adora ler, que é sua atividade preferencial, como gosta de teatro, ópera e bailet.
Assistiu Margot Fanteyn dançar em Hong Kong, com Heinz Bels no Lec Teatre; Nureyev no Metropolitan Opera Hause em Nova Yorque; Baryshnikov e Fernando Bujones em Paris.
Por vinte anos seguidos foi professor de Literatura
(Brasileira e Portuguesa), no Colégio Amapaense; Lecionou História da Arte, na Escola Cândido Portinari; deu cursos de Literatura Portuguesa no antigo Núcleo de Educação.
Lecionou na Universidade Língua Latina.
Em setembro de 1983, apresentou uma retrospectiva do pintor Fulvio Guiuliano, como parte dos festejos comemorativos do 40° aniversário de criação do Território do Amapá, fazendo uma análise das obras do artista italiano, que, por muitos anos viveu em Macapá.
Antônio Munhoz é citado no livro "La Bellezza Salverá il Mondo", editado em Milão sobre a obra pictórica do missionário-artista;
Além de ter os cursos de Filosofia e de Direito é formado também em letras e com essa bagagem literária, lecionou mais de 40 anos no Amapá.
Religioso, fez questão de conhecer as igrejas do Santo Sepulcro, em Jerusalém; as quatro maiores basílicas de Roma: São João de Latrão, Santa Maria Maior, São Pedro e São Paulo Extra-Muros; Duomo de Milão; a Catedral de Chartres onde estão os mais belos vitrais do mundo; Notre Dame, de Paris, uma das expressões máximas do gótico na França; a Catedral de Santa Marial Del Fiore em Florença; Santiago de Compostela, com o "Pórtico de Glória", na Galiza, Espanha; a Capela Polatina de Palerrno, na Sicília, uma das maravilhas do mundo, dedicada a São Pedro, a Catedral de Monreale; a Catedral Cefalu e de Siracusa, construí da num templo grego no século V antes de Cristo e no Brasil a de S. Cosme e Damião em Igarassu.
Visitou também as Pirâmides e a Esfinge no Egito; a Grande Muralha na China; a Mesquita de Santa Sofia em Istambul (Turquia); o Taj Mahal em Agra (Índia); a Estátua da Liberdade e o Empire States Bulding, em Nova Yorque; o Santo Sepulcro em Jerusalém; o Túmulo de São Pedro em Roma; o Palácio de Sehonbrunn na Áustria; o Museu de História Natural com a mais antiga escultura de mulher, com cerca de 24 mil anos, chamada de Vênus de Willendorf,também em Viena; a Torre de Eiffel em Paris; o Muro das Lamentações em Jerusalém; a Cidade Proibida em Pequim; o Aqueduto de Segóvia, construído pelos romanos no final do século I, na Espanha; a Universidade de Salamanca, com a
belíssima fachada plateresca, que remonta ao ano de 1218; o Coliseu em Roma; a Fonti de Trevi; a prisão Mamertina, onde São Pedro foi aprisionado; o Pantheon, construído pelo imperador Adriano (118-135-DC); a Escada Santa, na igreja de São João de Latrão; as Termas de Caracalla, concluídas no ano de 217-DC; o Templo de Barobudur em Java (Indonésia), o Pavilhão Dourado (Kinkaku-JI) em Kioto, Japão; O Templo de Ggantija na ilha de Gozo (Malta) datado do ano 36 aC; as Pirâmides no Cairo, Egito; o Templo de Buda Inclinado e Bangkok, na Tailândia; as Ruínas da velha cidade de Canago na Tunísia; o Partenon na Acrópole, em Atenas na Grécia; a Praça Vermelha, em Moscou, na Rússia; o Teatro Epidauro na Grécia; o The Rambogh Palace, antigo palácio de um marajá, hoje hotel, onde o biografado se hospedou; a Cisterna Portuguesa em El Jadid (antiga Mazagão), no Marrocos; a Medina de Fez, do século IX, a mais antiga das quatro cidade imperiais, no Marrocos e o Templo de Siddhi Lakshmi, o mais alto do Nepal, em Bokhtapur.
Munhoz guardou seu diploma de advogado e carrega consigo os de Letras.
A sua atuação em Macapá se destaca no Cenário da Educação e da Cultura.
O reconhecimento por esse seu trabalho está registrado nos jornais e nas homenagens que tem recebido: Diploma de Honra ao Mérito, concedido pela Câmara Municipal de Macapâ em 1987; "Destaque 1988" conferido pelo Jornal do Dia; Colar do Mérito Judiciário, concedido durante o I Congresso Internacional de Magistrados da Amazônia.
Fez parte do Conselho de Cultura do Amapá desde a sua criação em 1985 até sua extinçâo em 1989.
Membro da Academia Amapaense de Letras, ocupante da cadeira n. 38 que tem corno patrono o Dr. Vicente Portugal Júnior.
Estes são os dados biográficos do professor Dr.Antônio Munhoz Lopes, um homem que ama a poesia, a música, as cores e o Amapá.
(Reprodução/blog da Alcinéa)
Professor Antônio Munhoz Lopes - 79 anos de vida

(Foto: Alcinéa Cavalcante)

Antônio Munhoz Lopes - eterno amigo de Lindanor Celina (falecida em 2003 em Paris) - e tantos outros intelectuais como Paes Loureiro e Ápio Campos de Belém do Pará; morador vitalício do quarto 21 do Hotel Santo Antônio; marca nesta quinta-feira, em 2011, 79 anos de idade e de muita vitalidade, curtindo sua merecida aposentadoria, sempre em meio à cultura e grandes eventos sociais de Macapá.
Parabéns, professor Munhoz!
Fonte: Personagens Ilustres do Amapá, obra de Coaracy Barbosa, Vol. II

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Esportes: Fazendinha Esporte Clube

(Foto: Reprodução/Arquivo Aluísio Cantuária)
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( Contribuição do amigo Aloísio Cantuária, via e-mail )
Uma formação do Fazendinha Esporte Clube antes de um jogo com o Manganes, em Serra do Navio.
Data: Fins de 50 ou início de  60.
Em pé, da esquerda para a direita: Zé Maria Leão (técnico); Domingos, Flávio, Bento Góes, Charuto, Soró (Antonio) e Zezé; Renato Viana (diretoria).
Agachados, da esquerda para a direita: Valdir, Raimundo Viana (Camarão), Ernani Marinho, Boró e Zé Pracinha.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Hospital São Camilo e São Luis, obra missionária de Marcello Candia

(Reprodução)
Há 42 anos, em 7 de fevereiro de 1969, era inaugurado, em Macapá, o Hospital Escola São Camilo e São Luis, localizado no bairro Santa Rita.
(Reprodução)
Seu construtor foi o Dr. Marcello Candia(foto), rico industrial de Milão, na Itália, que se desfez de suas propriedades para aplicar o resultado numa obra missionária.
O hospital foi edificado sob a égide de Prelazia do Macapá, no Amapá, constituída pelos padres do PIME - Pontifício Instituto para missões Estrangeiras, todos italianos.
Após dois anos de funcionamento, o Dr. Marcello Candiaentendeu que não tinha conhecimentos suficientes para administrar o hospital.
Recorreu, então aos religiosos camilianos de São Paulo e estes enviaram ao local dois padres médicos, Angelo Pascal e Raul Matte.
(Foto menor: Pe. Raul continua até hoje no hospital).
Após algum tempo, doou o hospital à Sociedade Beneficente São Camilo que o mantém até hoje.
Em 1975, o hospital fundou uma escola de técnicos de enfermagem.
O nome do hospital escola deveu-se ao fato de este servir como campo de estágio para acadêmicos de medicina de diversos Estados do Brasil.
A grande extensão territorial do Estado do Amapá sugeriu a implantação de atividades de saúde comunitária por meio da instalação de postos de saúde em várias localidades.
A ordem de Malta doou ao hospital um barco laboratório que se chama São João Batista para que o padre camiliano médico Raul Matte visite as ilhas ao redor da Ilha do Marajó e leve assistência médica e religiosa à população daqueles lugares, que em geral é muito carente.
Entidades da Áustria e de outros países patrocinam a realização permanente de cursos de formação de parteiras e de agentes de saúde comunitária.
Em setembro de 2004 realizou o seu Congresso Anual de Pastoral da Saúde com a presença de mais de 200 pessoas.
Dia 29 de outubro de 2005, levou a efeito diversas inaugurações envolvendo: Clínica Obstétrica, Ambulatório São Camilo ll com 10 consultórios e a Clínica Ana Néri com apartamentos para a internação de beneficiários de convênios e particulares.
Em novembro de 2006, inaugurou um novo Pronto - Socorro, mais cinco suítes para convênios e um Centro de Diagnóstico.
Já em novembro de 2007 procedeu à inauguração de uma UTI neonatológica, um pré-parto e uma hidroterapia com àgua aquecida.
O Hospital São Camilo e São Luis constitui-se referência em saúde no Amapá.
Fonte: site do Hospital

MARCELO CÂNDIA – O RICO BENEMÉRIT0 DA AMAZÔNIA!

(Reprodução)

Dr. Marcello Cândia, foi um empresário italiano que, em 1964, por amor aos pobres do Brasil, vendeu sua indústria e com o dinheiro construiu o maior hospital da Amazônia, juntamente a outras obras e fundações religiosas.

Com o lucro da venda, construiu para os pobres o Hospital São Camilo, no Amapá, confiando-o posteriormente aos padres médicos camilianos.
(Reprodução)
Passou, em seguida, a viver na colônia-leprosário de Marituba, partilhando sua vida com os hansenianos, visitando a Europa para angariar fundos para seus leprosos, ainda mais quando o governo desativou a cidade-leprosário que ficou praticamente a seu cargo, de dom Aristides Pirovano, ex-bispo do Amapá, e de padres e irmãs.
Abriu e sustentou obras sociais em outros lugares do Brasil, que continuam sendo atendidas pela fundação Marcelo Cândia.

Ganhou vários prêmios internacionais por sua solidariedade com os rejeitados.
Marcelo Cândia não deixou nada escrito, mas somente o testemunho de sua vida de apóstolo da caridade, que se despojou de tudo e seguiu a Cristo, servindo aos pobres: o exemplo de um santo moderno que fez da riqueza um meio para sua santidade.
Ao concluir o processo diocesano para a beatificação de Marcelo (1991), o então cardeal Martini, de Milão, sintetizou sua vida em poucas palavras:
"Marcelo Cândia é o modelo do leigo compromissado, dedicado, corajoso, que levou ao extremo a palavra de Cristo de vender tudo e de se pôr a serviço dos pobres, dos últimos, com toda a sua riqueza".

Marcelo Cândia é o santo dos tempos modernos: dois títulos universitários, tenente de artilharia durante a Segunda Guerra, industrial de sucesso que dava o justo valor ao dinheiro, sempre envolvido em obras de solidariedade, provava com sua vida que as riquezas podem ser instrumento de santidade heróica e que um rico pode se tornar santo.
A grandeza do Dr. Marcelo brotava da sua vida de fé e de caridade.

Era um empresário livre, como foi um santo livre.
Não pertencia a nenhum movimento, nem instituto religioso e definia-se, simplesmente, como um "batizado" que via nos pobres e, especialmente, nos hansenianos, a imagem de Cristo sofredor e rejeitado pela sociedade opulenta e acomodada.
Quando se fixou em Marituba, dividia sua vida com os leprosos, sem nenhuma separação ou restrição em relação aos doentes e gostava de conviver com eles.
"Quando vim para a Amazônia, pensava que o dom maior que podia fazer aos pobres era o meu dinheiro e as minhas capacidades profissionais, mas entendi que eles eram o verdadeiro tesouro. Não fui eu que dei algo para eles, mas eles que me deram".

Adalúcio Calado, hanseniano que convivia com ele em Marituba, lembrava que "o dr. Cândia não somente nos ajudava com as obras sanitárias e sociais, mas nos amava e, nele, percebíamos o amor que Deus tinha também por nós, leprosos, recusados por todos...
Fazia tudo por amor a Deus, nada procurava para si, mas tudo o que possuía era para os pobres, os doentes, especialmente para nós, hansenianos. Era heróico na sua doação. Ele, rico e culto, vivia a sua vida em nosso meio e nada podíamos dar-lhe em troca. Era o exemplo vivo e palpável do amor de Deus entre nós
".

Marcelo, como homem e empresário moderno não era um paternalista, mas administrava cuidadosamente seu dinheiro e as grandes contribuições que recebia de amigos.
Esse dinheiro era usado não simplesmente como gesto de caridade de quem dava porque tinha, mas quem podia, era ajudado a aprender um trabalho nos oficinas criadas na colônia, para se tornar independente, uma vez que saísse do leprosário.

Sempre repetia que quem muito recebeu, muito devia dar para que os pobres pudessem viver sua dignidade de filhos de Deus.
A causa de beatificação de Marcelo Cândia encontra-se em fase avançada.
Marcelo Cândia morreu em Milão, Itália em 13 de agosto de 1983.
(Adap. do Texto de Ernesto Arosio editado na Revista Revista "MUNDO e MISSÃO")
(Repaginado em 2011)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Os 31 anos de falecimento da Professora Graziela Reis de Souza

Há 31 anos - 5 de fevereiro de 1980 – falecia em Belém, de câncer de mama, a educadora Graziela Reis de Souza, uma das Pioneiras da Educação no Amapá.
(Reprodução de livro)
Professora Gabriela Reis de Souza nasceu em Belém do Pará, em 29 de agosto de 1923.
Filha de Raimundo Nonato de Souza e D. Alzira Reis de Souza.
Estudou o primário no Grupo Escolar Dr. Freitas, e o ginasial no Colégio Paes de Carvalho e o normal na Escola Normal do Estado do Pará, diplomando-se professora em 1943.
Foi admitida no governo do Território do Amapá na função de professora, em 21 de fevereiro de 1945.
Atuou como orientadora nos Grupos Escolares da Capital.
Exerceu o cargo de regente do Grupo Escolar Barão do Rio Branco de 1945/1947; diretora do Barão do Rio Branco nos anos 1952/1957; 1959/1960 e 1962; orientadora do Ensino Primário nos anos de 1949/51, 1961 e 1964; diretora da Escola Normal de Macapá, 1957; e diretora do Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Macapá, 1974.
Graziela Reis de Souza era uma mestra eficiente, respeitada e criativa.
Por onde passou deixou um rastro de dignidade, de liderança e de dedicação à Educação no Amapá.
A grande mestra veio a falecer no dia 5 de fevereiro de 1980, e os educadores do Amapá numa homenagem póstuma, deram seu nome a um dos estabelecimentos de ensino do Amapá, ex-Escola Estadual Graziela Reis de Souza, atual Centro de Educação Profissional Graziela Reis de Souza.
(Fonte: Personagens Ilustres do Amapá Vol III - Coaracy Barbosa, edição não impressa - via APES)

RUMO: A revista que projetou o Amapá

(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)
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(Foto: extraída do blog da Alcinéa)
Na foto acima, capa da edição nº 1 da revista literária RUMO que circulou em novembro de 1957.
"Há 54 anos era lançada no Amapá a revista Rumo, que chegou a circular em todo o Brasil e contava com correspondentes em vários estados. Era uma revista mensal, e circulou por três anos. Preço de capa: Cr$ 20.
O fundador e diretor-responsável era o poeta Ivo Torres.
(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)
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(Foto extraída do blog da Alcinéa)
Ano 1960 - Ivo Torres e Álvaro da Cunha no lançamento da antologia Modernos Poetas do Amapá, editada pela Rumo.
Trabalharam na Rumo Alcy Araújo, Paul Ledoux, Flexa de Miranda, Arthur Néry Marinho, Waldemar Firmino, Vilma Torres, Aluízio da Cunha, Amaury Farias, John Newman e Mavil Serret, entre outros.
Considerada uma publicação de qualidade, foi identificada por críticos literários e renomados autores como um veículo de difusão cultural dos mais importantes do país. O primeiro número, que circulou em novembro de 1957, mostrava a participação do Amapá pela primeira vez em um Congresso Nacional de Jornalistas. Foi o VII Congresso, realizado em setembro daquele ano marcando o cinquentenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). E o Amapá foi representado por Alcy Araújo.
(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)
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(Foto extríada do blog da Alcinéa)
Ano 1960 - Alcy Araújo autografando a antologia Modernos Poetas do Amapá.
O jornalista aproveitou a viagem para conhecer Brasília "e os trabalhos que se realizam no Planalto goiano para a instalação da futura capital do país". Isto rendeu a matéria "Brasília – obra de saneadores, artistas e poetas", tendo como subtítulo "Pioneirismo e técnica moderna erguem a cidade do futuro – Uma visita aos verdes altiplanos de Goiás".
Uma matéria assinada por John H. Newman abordava a cultura da seringueira no Amapá, enquanto Paul Ledoux escrevia sobre agricultura, silvicultura e pecuária, e Amaury Farias sobre latifúndio; "A música no Território Federal do Amapá" era também destaque na primeira edição da Rumo, com matéria assinada por Mavil Serret.
Esta edição trazia também poemas de Fernando Pessoa, uma página de ciências, uma de economia e finanças, contos de Guy de Maupassant e de Almeida Fischer, noticiava a morte do escritor José Lins do Rêgo, falava de teatro, de educação e traçava um perfil histórico de Macapá.
A revista – que trazia artigos e reportagens enfocando os mais importantes movimentos artísticos e culturais do Amapá, do Brasil e do exterior – inseriu a cultura amapaense no contexto nacional. Suas páginas recheadas de teatro, música, folclore, sabedoria popular, eram frequentadas por ícones da época.
A Rumo foi uma das revistas do meio intelectual que deram projeção a diversos escritores locais e modernistas no país inteiro, como Fernando Sabino, entrevistado em 1959 em Minas Gerais, assim como o caricaturista do Rio de Janeiro Appe, uma das estrelas da revista de informação O Cruzeiro.
Por sua envergadura, a Rumo chegou a ter projeção internacional. "A Rumo conduz e explica o Amapá", escreveu o ensaísta Osório Nunes. Uma crítica publicada no suplemento literário do jornal Diário de Minas, em outubro de 1958, assim se expressou sobre a revista: "Encontramos suas raízes na Semana de Arte Moderna. A sua vida constitui um resultado de descentralização cultural que houve a partir daquela data e que cada vez se acentua. Se fôssemos um Carlos Drummond, Mário de Andrade, um Vinícius de Morais ou Aníbal Machado, nada nos alegraria mais do que nos saber lido lá pelos confins do Brasil, no Amapá."
Num tempo em que livros eram praticamente instrumentos de uma pequena elite, o jornalismo passou a ser utilizado como uma forma de intervenção social. Naquele momento o jornalismo tinha mais importância do que a literatura, porque ajudou a criar o impacto para despertar a sociedade mexendo com as pessoas. Para haver literatura era preciso um conjunto de coisas funcionando a um só tempo: crítica literária, leitores, debate, produção de livros, escolas... como um conjunto de elementos articulados. Daí a necessidade e a pertinência da revista Rumo, responsável pela articulação de todo um movimento que se consolidou com a projeção da obra intelectual do grupo de escritores amapaenses para além das fronteiras do Amapá.
A promoção do debate levou a revista a criar outros mecanismos de apoio à produção literária. E assim nasceu a Editora Rumo, que viria a publicar em 1960 a antologia Modernos Poetas do Amapá, o livro Quem explorou quem no contrato do manganês do Amapá, de Álvaro da Cunha (1962), e Autogeografia, livro de poesias e crônicas de Alcy Araújo (1965). A revista Rumo também deu origem ao Clube de Arte Rumo, que reunia poetas, pintores, músicos e artistas de teatro para discutir o que se fazia no Amapá e no Brasil no campo da literatura, da música e das artes cênicas e plásticas. Ao mesmo tempo em que promovia concursos de crônicas e poesias na busca de novos talentos." (Texto: Alcinéa Cavalcante(*))
(*) Jornalista e blogueira do Amapá, filha do jornalista e poeta Alcy Araújo - um dos fundadores da Rumo.
Editorial do nº 1 da Rumo
"Uma revista de arte e cultura sempre evidencia um salto para o futuro. Uma nova publicação nascida de gente moça, naturalmente, pela seiva entusiasta que lateja, deixa no clima um nervosismo saudável. A revelação revolucionária de coisas inéditas. A quebra do silêncio. A casa limpa, com sol, sem teias de aranha.
Uma coletividade só representa alguma importância, sua voz é notada, seus filhos autenticados e o nome guardado e reconhecido – pela sua cultura.
O Território do Amapá orgulha-se de ser uma terra alfabetizada. Onde o índice de gente analfabeta é ínfimo.Com seus inúmeros estabelecimentos de ensino derramando, todos os anos, jovens instruídos, capazes de fortalecer e solidificar o seu corpo intelectual. Autêntico exemplo num Brasil triste que tateia, com a maioria do seu povo, sem saber ler.
Era necessário, portanto, um elemento coordenador para recensear e arar esse imenso e futuroso campo de inteligências. Duas tentativas já haviam sido feitas, com as publicações Latitude Zero e Mensagem. Mas estas tiveram, unicamente, o mérito de serem pioneiras de uma missão, que as suas forças, ainda verdes, não souberam agüentar.
Rumo, aproveitando essas experiências, através de um grupo de moços idealistas, estudiosos e cônscios do trabalho e responsabilidade da empresa, propõe-se a resolver e semear a terra intelectual amapaense.
Por certo, muitas noites se tornarão brancas. Mas a colheita não há de tardar.
Ivo Torres, Diretor-responsável"
(Fonte: Matéria publicada, originalmente, no jornal Observatório da Imprensa em 27/11/2002, sob o título "A Marcha do Tempo - Rumo: A revista que projetou o Amapá".

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Os 253 anos de Macapá

Macapá é um município brasileiro, capital do Estado do Amapá.
Localizada no sudeste do estado, é a única capital estadual que não possui interligação por rodovia a outras capitais.
É a única cortada pela linha do Equador e banhada pelo rio Amazonas.
Segundo pesquisas feitas pelo IBGE em 2010, a cidade conta com uma população de 397.913 habitantes em uma área de 6 563 km², resultando em uma densidade demográfica de 52,4 hab./km².
Sua região metropolitana conta com 487 568 habitantes graças a conurbação com a cidade de Santana ao sul.
O nome Macapá tem origem na língua tupi, sendo uma variação do termo "macapaba" que significa "lugar de muitas bacabas".
Antes de ter a denominação de Macapá, o primeiro nome concedido oficialmente às terras da cidade foi "Nueva Andaluzia", em 1544, por Carlos V de Espanha, numa concessão a Francisco de Orellana, navegador espanhol que esteve na região.
A história de Macapá se prende à defesa e à fortificação das fronteiras do Brasil Colônia, quando estabelecido um destacamento militar, criado em 1738.
(Reprodução de livro)
Fundação da Vila de Macapá em 4 de fevereiro de 1758
Ilustração extraída do livro História do Amapá, do Profº Fernando Rodriques dos Santos
Posteriormente, na Praça São Sebastião (atual praça Veiga Cabral), a 4 de fevereiro de 1758, foi levantado o Pelourinho, na presença do Capitão General do Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fundando a Vila de São José de Macapá.
A partir de então, foram surgindo edificações, até hoje preservadas, que constituem em verdadeiro patrimônio cultural, como a Fortaleza de São José de Macapá, uma das sete maravilhas brasileiras.
A antiga Intendência de Macapá, hoje em dia, é o Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.
O professor e historiador Nilson Montoril de Araújo fala sobre o 4 de fevereiro na história.
Ouça:
Clique no play

Homenagem Especial...

Aos 253 ANOS DESSA ETERNA JOVEM “Macapá...”
(Reprodução)
Vista aérea da Fortaleza de São José, em Macapá

"Sempre que te desnudas para as águas do Amazonas te banhar,
Que só se cobre quando o cetim transparente da noite vem te agasalhar,
És a única capital neste país imenso de ocorrências e lugares tantos,
A ser banhada pelo lindo, majestoso e caudaloso rio mar!

Divina por que pura, em eterna adolescência sem se macular,
Mesmo virgem aos nossos olhos, andas filhos muitos a gerar,
Mas nem parece, és sempre a paixão desde a infância a demonstrar,
Nossa adoração por ti, mesmo a timidez nos evite às vezes declarar!


Duzentos e cinquenta e dois anos que pode até parecer muito,
Mais de duas centenas e meia de loiros, com vida perene e eterna
E basta aí chegar e olhar para notar o óbvio com qualquer intuito,
Pra redescobrir-te como eras e és virgem, bonita e hoje moderna.


Estão por fim a ter dar banho de loja, e de muito bom com gosto,
Já vislumbramos até quanto mais linda e cobiçada vais ficar,
Não precisas de maquiagem, basta um retoque sutil em teu lindo rosto,
Para deslumbrares quem aí vive ou for para rever-te ou visitar!


Quero te amar enquanto vida e lucidez Deus me conceder,
Mesmo o destino me pondo distante em outro estado residindo,
Louvar e bendizer teu nome minha querida, enquanto viver,
Mesmo sofrendo tua falta, com saudade, mas por ti morrer sorrindo!!!


Lembro o maltrato de alguns passantes de mando que por ai passaram
E não tenham lhe dado o cuidado e o respeito que lhe deveriam dar,
Tu resististe, intocável e brava, altaneira e hoje remoçada estás,
Diva do norte, cidade do forte, amante de quem te conhece, meu amor ‘Macapá

Poesia inédita de Amiraldo Pereira Bezerra, a ser editada em sua próxima obra.

Homenagem especial  do autor aos 253 de Macapá-AP.
Paraense, chegado a Macapá em julho de 1945 e nascido a 30.10.1944, aposentado, escritor com um livro publicado, mais de quinze mil exemplares vendidos, dois no prelo para lançamento este ano. POETA, CONTISTA, amante apaixonado de Macapá - nome do livro "A MARGEM ESQUERDA DO AMAZONAS-MACAPÁ"  Fã dos artista e escritores Amapaenses e da cultura de Macápá. (Facebook)
INCENTIVO À LEITURA: Li, gostei e recomendo a todos, adquirirem a fantástica obra de Amiraldo Bezerra, "A Margem Esquerda do Amazonas, Macapá", lançada pela Premius Editora.

Você pode adquirir através do e-mail amir.aldopb@hotmail ; pelos telefones 085-32394141 ou 085-96115661, ou enviando carta para: Rua Bill Cartaxo 521- Água Fria Fortaleza-Ce.
Preço de promoção: R$ 25,00. (João Lázaro)

Fotos: Reproduções

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Professoras Pioneiras da Educação Física

(Foto: Reprodução/Arquivo/família Hermógenes)
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(Foto: contribuição Família Hermógenes)
Professoras pioneiras da Educação Física no centro do gramado do Estádio Glycério de Souza Marques.
Da esq. p.dir: Rosemary Cavalcante (filha do Sr. Adalto - ex gerente das Casas Pernambucanas); Wanda Lima Costa (esposa do Delegado Hermógenes); Áurea Correia (irmã do Dr. Edson Correia) e Zulma Carneiro (esposa do profº Savino).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Demonstrações de Educação Física na Praça da Matriz

(Reprodução)
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(Foto: Acervo do Museu Histórico do Amapá)
Ano 1946 - Alunos do Grupo Escolar de Macapá tendo aulas de Educação Física, na antiga Praça da Matriz, atual Veiga Cabral.
(Reprodução)
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(Foto: Acervo do Museu Histórico do Amapá)

(Foto: Reprodução/Acervo Família Hermógenes)
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(Foto: contribuição da Família Hermógenes)
Mais um  grupamento de alunos de Educação Física do Grupo Escolar de Macapá, na antiga Praça da Matriz, em outro momento, no início do Território Federal do Amapá.
Quando o  governador Janary Nunes chegou à Macapá, só funcionavam - precariamente - o Grupo Escolar de Macapá, (que foi o embrião do Grupo Escolar Barão do Rio Branco) e a Escola Auxiliar Municipal, isso, até os ídos de 1943. (Fonte: A margem esquerda do Amazonas/Amiraldo Bezerra. Fortaleza: Premius,2008)
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Demonstrações de Educação Física

(Foto: Reprodução//Arquivo acervo família Hermógenes)
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(Contribuição da família Hermógenes)
Foto 1 - Alunos do 1º grau das escolas da rede pública de Macapá, se apresentam em evento oficial na Praça Barão do Rio Branco, com demonstrações de Educação Física.
(Foto: Reprodução//Arquivo acervo família Hermógenes)
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(Contribuição da família Hermógenes)
Foto 2 - Anos 70 - Nesta outra foto,  um dos momentos mais aplaudidos em uma  tarde de demonstrações no Estádio Glicério Marques, quando um grupamento de alunos, em ginástica de evolução, formalizou no centro do gramado, a Fortaleza de São José de Macapá, símbolo maior da conquista da Amazônia pelos portuguêses colonizadores.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Pioneiros: Professores de Educação Física

(Foto: Reprodução de jornal/Arquivo família Hermógenes)
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(Imagem de arquivo extraída de um recorte de jornal da época - contribuição Família Hermógenes)
ANOS 70 - Na foto, no interior do Estádio Glicério de Souza Marques, em Macapá, os antigos professores de Educação Física – Irineu da Gama Paes; José Fiqueiredo de Souza; Wanda Lima Costa – e o professor Alfredo Ramalho, na época Secretário de Educação e Cultura do ex-Território Federal do Amapá.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mitos e Lendas do Amapá: A Lenda do Tarumã

"E o tronco navega contra a correnteza, levando incertezas, levando incertezas" (cantiga popular calçoenense).
(Reprodução)
Dizem que, há muitos anos, às margens do Rio Calçoene, havia uma pequena aldeia indígena. Era ali que vivia Ubiraci, curumim conhecedor da fauna e da flora. Desde que nasceu, Ubiraci foi abençoado por Tupã com o dom de falar com todos os animais, fossem eles da água, da terra ou do ar, e com todas as árvores, desde as menores até as que cortavam as nuvens e iam fazer sombra no reino de Tupã. Ubiraci conversava com os bichos e com as árvores, contava-lhes histórias e sabia de tudo o que acontecia no mundo. E foi assim que cresceu em plena harmonia com os elementos, filho da água, da terra e do ar que era.
Um dia, Ubiraci caminhava pela floresta quando descobriu a mais linda indiazinha que seus olhos já tinham visto. Seus cabelos pareciam com as quedas-d’água que despontavam das pedras, onde, por tantas vezes, sentou-se por horas a escutar os pássaros. Seus olhos assemelhavam-se ao anil do céu. Seu rosto jovem lembrava brotos nascendo da terra, ainda indomados. Suas mãos, mágicas, se tocavam o solo, desabrochavam sementes. Se voltadas para o ar, controlavam as chuvas, os ventos e as tempestades. Se apontadas para os rios, domavam as marés, as pororocas e as maresias. Ubiraci, sem saber, havia se apaixonado pela Natureza.
Apaixonado, o índio passou a procurar sua amada por toda parte. Com ajuda dos pássaros, subiu na nuvem mais alta na esperança de vê-la entre os abençoados de Tupã. Vasculhou cada recanto da floresta e acompanhou os peixes na imensidão dos rios, mas nunca voltou a rever sua alma gêmea. Acompanhou a pororoca por entre troncos e barrancos, mas não voltou a vê-la. No entanto, podia senti-la no canto dos pássaros, nas brisas da manhã, na calidez da noite e no sussurro sereno das maresias.
Era tanta a paixão que sentia que Ubiraci se esqueceu de conversar com as árvores, com os animais e com os filhos das águas. O dom que recebeu de Tupã foi perdido para sempre. Ubiraci só se importava em procurar pela amada, que julgava estar perdida em algum lugar do mundo. Ele não entendia que a Natureza estava em todo lugar.
Uma noite, quando o mundo dormia, quando os cantos dos pássaros haviam cessado e não se ouvia murmúrio algum no seio da floresta, Ubiraci avistou a Lua, refletida na água. Imaginou que era naquele mundo que sua amada vivia. Foi tanta a sua felicidade que esqueceu-se de ter perdido seu dom. Mergulhou no rio, mas quanto mais lutava contra a correnteza, mais parecia que a Lua se afastava dele. Foi tanto o esforço que fez que as forças o abandonaram, e Ubiraci sucumbiu à morte. Tupã, compadecido com tanto amor, pediu à Natureza que transformasse Ubiraci em uma árvore, no meio do rio, para que fosse lembrado para sempre. À noite, no entanto, quando a maré subia, a árvore estranhamente desprendia suas raízes do solo e navegava contra a correnteza. Imaginando tratar-se de magia, seus irmãos índios cortaram a árvore, deixando apenas o tronco, mas, mesmo assim, o mistério continuou, e eles, amedrontados, deixaram o local, com medo do tarumã, que, na etimologia indígena, significa o tronco que se move.
Os anos se passaram, Calçoene transformou-se em cidade, mas muitas pessoas juram que, ainda nos dias de hoje, o tronco se move, contra a correnteza, subindo o rio.
Dizem que, quando algum morador depara-se com um amor impossível, faz promessa ao tarumã, deixando sobre ele algum presente ou alguma oferenda. Se o tronco navegar rio acima e retornar vazio, o pedido será realizado. (Autor: Joseli Dias – da obra Mitos e Lendas do Amapá)
Ouça:
Amadeu Cavalcante - Tarumã 
Clique no play
Baixe esta música, para tocar em seu PC
Assista ao vídeo do show:

sábado, 29 de janeiro de 2011

Seu "Ferro" um Grande Pioneiro de Macapá

O bairro do Trem está de luto.
(Foto: Reprodução)
Faleceu na quinta-feira(27), em Macapá, aos 83 anos de idade,  o Pioneiro José Veríssimo(foto) popularmente conhecido na cidade como Seu “Ferro”.
Desde que chegou ao Amapá, “Ferro” sempre desenvolveu suas atividades profissionais como motorista.
Trabalhou na ICOMI, também na AMCEL - onde aposentou-se - e depois na Prefeitura de Macapá.
No esporte, “Ferro” foi um excelente goleiro de futebol.
Um cidadão alegre e sempre bem-humorado.
Nos últimos meses, mesmo adoentado, Seu "Ferro" continuava no comando do seu boteco, onde todo final de tarde reunia-se com a turma da melhor idade (Confraria do Jambeiro) para as habituais partidas de dominó, boa música e muitas piadas. (Fonte)
Seu “Ferro” um grande Pioneiro de Macapá.
(Se você conheceu seu Ferro, deixe seu comentário abaixo)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...