domingo, 11 de maio de 2014

Do Fundo do Baú: Santa Inês, A "fazenda" que virou bairro.

Este registro raro, foi publicado no Facebook  pelo amigo Paulo Tarso Barros. Além de professor e ativista cultural de Macapá, Paulo é nosso parceiro no blog Porta-Retrato; é um exímio pesquisador e sempre nos brinda com essas preciosidades garimpadas nos arquivos históricos do Amapá.
Ao tomar conhecimento dessa relíquia, solicitei a ajuda ao amigo Édi Prado - também parceiro do blog - para que me conseguisse uma foto semelhante à antiga, se possível no mesmo ângulo das imagens.
Imediatamente, Édi repassou a ideia ao seu amigo fotógrafo Alex de Paula, voltaram ao local e registraram vários cliques, dos quais escolhi a tomada mais aproximada da anterior, para vocês compararem como o local está hoje, após 17 anos.

Saiba como surgiu o nome do bairro Santa Inês:
O Bairro Santa Inês surgiu em Macapá, em 1985, acompanhando o desenvolvimento econômico e populacional que vinha sendo observado na capital amapaense. (Wikipédia)
Nos primeiros anos de Macapá existia, na orla da cidade, depois da Fortaleza de Macapá, uma reentrância que chamavam-se Remanso e Elesbão.
O historiador Nilson Montoril, conta detalhes desses dois antecessores do Bairro Santa Inês.
"Sobre a praia do remanso, no terreno do entorno oeste da fortaleza e na área do Elesbão, os moradores de Macapá, que apreciavam residir na margem do rio, foram construindo suas habitações. No trecho identificado como Elesbão, atualmente cortado pala Avenida Hélio de Souza Pennafort, que começa na Avenida Henrique Antônio Gláucio e termina da avenida 1º de Maio, vários pioneiros da edificação do povoado de Macapá formaram um aglomerado urbano. Este amontoado de casinhas e gente perdurou até meados da década de 1980, ocasião em que o Governador do Território Federal do Amapá, Annibal Barcellos, o extinguiu e transferiu os moradores para o bairro Nova Esperança. O aterro da área do remanso, do Elesbão e do igarapé do Igapó começou a ser feito em 1978, durante a gestão do Governador Arthur Azevedo Henning. A contar de 1979, os trabalhos foram intensificados pelo Comandante Annibal Barcellos, se estendendo pela orla de Macapá até as proximidades do igarapé Jandiá, dando origem à Praça Abdalla Houat, Praça Jacy Barata Jucá e expansão do Perpétuo Socorro. Para iniciar o aterro dos trechos citados o DNOS procedeu à drenagem da praia onde seriam construídas as rampas acostáveis do bairro Santa Inês, do Igarapé das Mulheres e próximo ao canal do rio Amazonas. Somente na conclusão do aterro utilizou-se laterrita. O Elesbão era uma referência para quem queria comprar peixe, carne de caça, frutas e açaí que os caboclos das ilhas fronteiriças a Macapá traziam para comerciar. Ali morou uma senhora sobejamente conhecida em Macapá como Maria Mucura. Com todo respeito à sua memória, o rosto da ditosa senhora era tal e qual a cara do marsupial devorador de aves. O pequeno declive existente perto de sua casa ficou famoso como baixa da Maria Mucura. É claro que ela não gostava do apelido e xingava os desrespeitosos até a milésima geração. Moradores do bairro do Trem de Lapidação e adjacências que gostavam de degustar uma cachacinha da marca Alvorada não deixavam de passar no boteco do seu Neco Brito e deliciar, de uma talagada só, o famoso produto advindo de Abaetetuba. Na volta para casa voltavam a encostar-se à birosca que não tinha nome para engolir a saideira. No entorno da Fortaleza, junto ao remanso, foi instalado um matadouro municipal. 
Sobre a praia funcionou um abatedouro de porcos pertencente ao senhor Pedro Pinheiro Borges. Também existiu um dançará na área, cujo nome parece ter sido “Bela Vista”. Quando a “porrada comia no centro”, dava gosto ver os brigões caírem na lama ou na água. Sujos e molhados iam depurar a maldita cana e sossegar o facho na Delegacia de Polícia. Ambiente mais calmo era o “Bananeira”, aprazível recanto onde uma família do local promovia festas e vendia refeições. Só funcionava nos fins de semana. Quem caísse na besteira de beber, comer e não pagar era sumariamente denunciado na Polícia e esconjurado pelo resto da vida e mais três meses." (Nilson Montoril)
"O Remanso desapareceu entre os anos de 1979 e 1980, quando foi aterrado."

Saiba mais no blog Arambaé

Em fevereiro de 2011, através do blog da Alcinéa, o leitor Jefferson Souza repassou o que ele ouviu em uma missa celebrada pelo  padre Dante Bertolazi, que na época era pároco da Igreja São Pedro. 
"Segundo o pároco havia naquela região uma  fazenda e o lugar era conhecido por “vacaria”. Percebendo que ao redor do local algumas famílias começavam a ocupação cada vez mais contínua,  ele, padre Dante, então pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, paróquia responsável pela região,  foi ao encontro do dono da “fazenda” para solicitar que este lhe ofertasse um pedaço do terreno para a construção de uma capela para os fieis que ali por perto já habitavam.
"Segundo o sacerdote, o “fazendeiro” (que ele não citou o nome), disse-lhe que não seria possível ceder o local, já que ele tinha um empreendimento e não queria perder o domínio na área. Contudo, a região continuava sendo ocupada.
Passados quatro meses o proprietário foi ao encontro do padre manifestando o desejo de   doar a área solicitada pelo pároco para que este construísse a capela. A justificativa para a mudança de opinião era que já havia muitos ocupantes na área da “vacaria” e que ele já não tinha como impedir a invasão, achando justo doar para a Paróquia um punhado do terreno a fim de promover a fé católica e criar a comunidade na região.
Após a construção da capela, afirmou padre Dante, houve uma dúvida: Qual seria o nome? ou como se chama no catolicismo, a quem ela seria dedicada?
O sacerdote revelou que na sacristia da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição encontravam-se guardadas duas imagens: uma de São Tarciso e outra da Santa Inês. Logo ele pensou que uma das duas poderia ser destinada àquela nova comunidade. Para a escolha ele levou em consideração que não poderia ser a de São Tarciso, pois sendo este o padroeiro dos coroinhas deveria permanecer ali para o culto dos seus ajudantes de altar. Então, resolveu que seria Santa Inês.
Após a escolha de Santa Inês, organizou-se uma procissão que partiu da Igreja  da Conceição em direção a pequena capela. A imagem foi introduzida na capela e tornou-se sua padroeira, continuando até hoje no altar que lhe foi confiado. A mesma imagem pode ser encontrada hoje na Igreja de Santa Inês.
Com o fato e o crescimento do bairro, popularizou chamá-lo de “Santa Inês”, por conta da Capela em honra à Santa. Tão logo, a prefeitura reconheceu o nome, passando a usá-lo ao referir-se ao local; e mais adiante, o Governo do Estado com a construção da Escola Estadual em honra a mesma Santa."
Nota do blog: O nome do dono da fazenda era Seu Antonio Barbosa.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Do Fundo do Baú: AMIGOS NA PRAÇA VEIGA CABRAL

A fotografia abaixo, foi tirada pelo historiador Nilson Montoril, numa manhã de domingo, ano de 1968, na Praça Veiga Cabral, em Macapá/AP.
Após a missa dominical vários amigos reuniram-se no primeiro banco, próximo ao Cruzeiro.
Nele aparecem, em pé, a partir da esquerda: Adalberto do Carmo Pinto, Wanderley Escoteiro, Nilson Montoril de Araújo e José Cabral de Castro. Sentados: José Jeová Freitas Marques e José da Silva Fontoura. 

Observem que a imponente mangueira que existia no meio da Rua São José, em frente ao 1º prédio da então Prelazia de Macapá ainda estava ereta. Mais à direita, após a entrada do Cine João XXIII, vê-se a residência da Dona Raimunda Marques Picanço e na frente dela a Rural Willys do José Maria Papaléo Paes, chefe do Serviço de Água e Esgoto, na época ligado a Divisão de Obras(Secretaria de Infraestrutura). Ele era genro de Dona Dica.


Bons tempos! Felizmente todos ainda estão vivos. (Nilson Montoril

Fonte: Facebook - texto e foto do historiador Nilson Montoril.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Do fundo do Baú: Nos bons tempos da Escola Normal de Macapá

Encontramos e reproduzimos essa raridade, no Baú Histórico, do amigo Nilson Montoril(*).
Nas imagens, a professora Predicanda Amorim Lopes(vestido escuro e óculos), então Diretora da Escola Normal de Macapá, e diversas alunas do educandário, cercam a aluna Helena Alencar e o aluno José Ubirajara de Souza, que desfilariam em bicicletas no dia 7 de setembro de 1950.

Segundo a professora Maria Helena Amoras essa foi a primeira turma da Escola Normal que ela participou e confirma: José Ubirajara de Sousa, e suas irmãs Deusarina e Creusa; Odete Barreto, Maria de Nazaré (filha da diretora Predicanda); Terezinha e Nazaré Guedes; Margarida, Helena Alencar; Maria Jose Pontes Barata, Maria Olinda Frazão; Corina Amoras de Araújo Josefa Jucileide, etc.....
 (*) professor, historiador, radialista e blogueiro amapaense.

Fonte: Blog Arambaé

domingo, 4 de maio de 2014

Antiga Olaria Territorial

Assim eram as instalações da antiga Olaria Territorial, montada pela primeira  administração do Território Federal do Amapá, para a produção de peças em barro destinadas às obras públicas governamentais.
Nesta foto rara, dos anos 40, vemos o prédio da antiga Olaria Territorial, em fase de montagem, com o telhado parcialmente coberto. 
Situava-se na região, entre as Avenidas Cora de Carvalho e Padre Júlio Maria Lombaerd e as ruas General Rondon e Eliezer Levy, no centro da cidade.
(Foto extraída do blog Arambaé - do historiador e professor Nilson Montoril de Araújo)
A entrada do pavilhão ficava na parte alta do terreno.
A parte que vemos em primeiro plano corresponde aos fundos do pavilhão próximo ao Igarapé da Fortaleza.
A Olaria Territorial de Macapá, inaugurada em 13 de setembro de 1950, produziu diversas peças de cerâmica. Moldadas a partir do barro, depois de queimadas, eram adquiridas pelos primeiros  moradores de Macapá. Ainda hoje, nas estruturas das casas antigas, podem ser encontrados muitos materiais produzidos na Olaria Territorial. 
Na foto anterior,  vemos telhas côncavas, do tipo Colonial, secando nas prateleiras, aguardando cosimento.
E na foto acima, são os tijolos que secam, nas prateleiras.
Nestas prateleiras secam vasos e  manilhas feitos em barro, pela antiga Olaria Territorial. 
Aqui vemos, em imagens dos anos 50, homens carregando barro, sob o comando de Raimundo das Mercês Franco, administrador da Olaria.
Aqui, na mesma época, aparecem crianças trabalhando a Olaria Territorial, em Macapá. Uma das finalidades da Olaria era contratar jovens estudantes para prestarem serviços durante 3 horas, ganhando meio salário mínimo.
As telhas planas, desta foto, eram do tipo francesa, modelo MARSEILLE.
Vasos, ladrilhos e outras peças produzidas pela Olaria Territorial, eram pintadas com motivos marajoaras, pelo artista plástico R. Peixe.
No térreo do prédio da Olaria, estavam instalados os fornos para queima de tijolos, telhas, ladrilhos e manilhas, que usavam lenha como combustível. 
O igarapé da Fortaleza passava onde hoje é a Av. Padre Júlio.
Nesta foto, sem data, de um recorte de jornal, que parece ser do órgão oficial do governo do Amapá, vemos imagem do novo forno da Olaria Territorial. Acreditamos que seja uma das obras do Governandor Ivanhoé Martins. Foto compartilhada pelo amigo Sebastião Ataíde.
Aqui vemos, reunidos,  trabalhadores da antiga Olaria Territorial.
Nota do Editor - As fotos de pessoal, pertencem ao álbum da Família Franco, e foram compartilhadas, via e-mail, com o blog Porta-Retrato pela senhora Miranilde Souza, viúva(2ª esposa) do desportista José Maria Franco, a quem agradecemos.
O Sr. Raimundo das Mercês Franco, que foi administrador da Olaria, era pai dos saudosos irmãos José Maria e do jornalista Haroldo Franco, (ambos falecidos) e de Olopércio Franco, que reside em Recife-PE.
Fonte: Historiador Nilson Montoril de Araújo – blog Arambaé
(Post repaginado em maio de 2014)

sábado, 3 de maio de 2014

Do Fundo do Baú : Amigos de Macapá: Elson e Deróssy

Fomos buscar no fundo do báu, esse registro histórico de 1960, de dois grandes pioneiros de Macapá. O jornalista Elson Martins e Deróssy Araújo.
Elson Martins é nascido no seringal Nova Olinda (AC) e estudou em Sena Madureira e Rio Branco. Viveu em Belém/PA, Macapá/AP e Belo Horizonte/MG, retornando à Amazônia em 1969 como membro da Aliança Libertadora Nacional (ALN).
A partir de 1975, foi correspondente no Acre do jornal O Estado de S.Paulo, onde testemunhou importantes acontecimentos históricos que culminaram na organização dos povos da floresta, colocando Chico Mendes na mídia nacional. 


Liderou a equipe que produziu o jornal “Varadouro”, uma das mais importantes experiências da imprensa alternativa do país.


O jornalista também fundou a Folha do Amapá, em Macapá, em uma época em que o Amapá ainda não possuía nenhuma faculdade de jornalismo.

Em 2006, trabalhou como consultor e personagem da minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, produzida e exibida pela TV Globo. 
No ano seguinte, ganhou o premio Chico Mendes de Meio Ambiente, na categoria Liderança Individual.
Elson Martins, continua residindo no Acre.
 


Saiba em "OUTRAS PALAVRAS" um pouco da vida de Elson Martins, contada por ele mesmo.

Deróssy Araújo - Crítico de cinema nos jornais «Amapá», «Novo Amapá» e «A Voz Católica» nas décadas de 1960 e 1970, na cidade de Macapá/AP.  Nascido em Belém, Pará, mudou-se para a capital amapaense em 1959, quando assumiu suas funções no Banco do Brasil. Em Macapá dedicou-se também ao magistério da língua portuguesa, à Rádio Educadora São José, que contou com sua colaboração através dos programas «Um homem, uma mulher», juntamente com sua esposa Maria Lúcia Andrade da Silva, que versava sobre as relações humanas e  o «Sétima Arte», sobre o Cinema. Participou também dos eventos culturais, sendo um dos fundadores do primeiro cineclube do Território Federal do Amapá.
Deróssy Araújo reside com a família,  em Campinas - SP. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Foto Memória de Santana: O surgimento da Vila Amazonas

Clique na imagem para ampliá-la
A construção da Vila Amazonas teve início no ano de 1957 e concluída em 1962.
A responsabilidade do projeto de arquitetura e urbanização coube ao arquiteto Osvaldo Arthur Bratke (1907-1997), especialmente encomendado pelo Grupo CAEMI (Companhia Associada de Empresas em Mineração).
A firma contratada para executar este projeto foi a Sociedade de Engenharia Mello Mattos & Amaral Ltda (de propriedade do Engenheiro Civil paulista Luís Mello Mattos).
Para quem não sabe, a Vila Amazonas é um projeto arquitetônico totalmente elaborado por técnicos brasileiros, implantando um novo padrão de arquitetura e construção que foi imitado por vários profissionais da área, inaugurando um novo projeto arquitetônico na região, adaptado ao clima equatorial.
Com a implantação da Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI) no então Território Federal do Amapá – a partir da década de 1940 –, surge a necessidade de mão-de-obra especializada para atuar na Companhia. Devido à carência, foi preciso buscar esses profissionais em outros Estados. O objetivo inicial: treinar a mão-de-obra local. Mas a prática provou a inviabilidade do projeto.
A Vila Amazonas surgiu exatamente dessa necessidade de abrigar esses profissionais da melhor maneira possível.
A vila dividia-se em Primária (Vila Operária); Intermediária (profissionais classificados dentro da própria empresa) e o Staff(foto) (restrito somente a profissionais liberais que iam exercer elevados cargos na administração da Companhia).
Em consequência do surgimento da Vila Amazonas, as demais áreas do recém-nascido distrito de Santana, iniciaram um processo de crescimento desordenado.
Por causa disso, houve uma necessidade de manter uma integração entre as vilas Amazonas e Maia para que não acontecesse a ação de diferenças na expansão do atual município de Santana, ou seja, um balanço igualitário no quadro social da questão, sendo que na época a economia do pequeno distrito portuário girava em torno das atividades da ICOMI.
(Texto de Emanoel Jordânio - Editor do blog Memorial Santanense)
Adaptado para o Porta-Retrato
Publicado originalmente em 20 de novembro de 2009 sob o título 

Última atualização em 30/09/2019

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Do Fundo do Baú: Irmãos Teixeira - Filhos de um Pioneiro do Amapá

Esta foto foi retirada do fundo do baú da Família Teixeira e compartilhada no Facebook:
Trata-se de um registro feito no jardim da residência da família, na Praça Barão do Rio Branco, em Macapá, no final dos anos 50 (58/59), dos três irmãos Teixeira - Clóvis, Fernando e Luis - filhos do casal Clóvis (Mirtilla) Teixeira.
O mais novo Fernando, nasceu em Macapá e mora em Belém. Os mais velhos, Clóvis e Luis, são de Belém - se consideram amapaenses de coração - e moram em Brasília.
O pai deles, Dr. Clóvis Penna Teixeira, foi Secretário Geral do ex-Território Federal do Amapá, no governo Raul Montero Valdez, no período de outubro de 1961 a dezembro de 1962.

domingo, 27 de abril de 2014

Delegado Espíndola - "um grande exemplo de pai, cidadão e ser humano."

João Espíndola Tavares, filho de Gracindo Nelson Espíndola e Raimunda Emiliana Espíndola, nasceu em 27 de janeiro de 1927, na Região do Alto Maracá, no Sítio Bom Jesus, uma região de difícil acesso, no município de Mazagão.
Em Mazagão, seu patrimônio era relativamente grande para um interiorano da década de 40. Entre os bens, estavam galpões para a armazenagem de Castanha do Pará, barco com motor de popa e motor de energia elétrica, que abastecia a vila de moradores da propriedade.
João Espíndola - que também foi Prefeito de Mazagão - casou lá mesmo com Perolina Penha Tavares. Desse enlace matrimonial nasceram os filhos: José Penha Tavares, Maria Conceição Penha Tavares e Pedro Aurélio Penha Tavares.
João era um visionário doméstico, pois resolveu ir morar na capital, Macapá, para que os filhos tivessem acesso à educação.
Já em Macapá, nasceram Maria do Socorro Penha Tavares e Paulo Roberto Penha Tavares.
Com força de vontade e determinação, Espíndola também conseguiu sorver conhecimento e concluiu o segundo grau (hoje ensino médio), na Escola Gabriel de Almeida Café.
Além do sucesso no campo profissional e pessoal, João Espíndola foi um estudioso da filosofia maçônica, e atingiu o ponto alto da nobre ordem, o “Grau 33”. Ele foi muito respeitado pelos membros da augusta arte real.
Espíndola, como era conhecido em Macapá, foi delegado, diretor da Penitenciaria Agrícola do Estado (hoje IAPEN), entre tantos outros cargos públicos.
Era um cidadão sincero, íntegro, carinhoso, especial, atencioso, cauteloso, cordial, caloroso, honesto, qualificado, contemporizador e fascinante. Em nota, a Maçonaria divulgou: “Durante sua estada entre nós, sempre foi ativo colaborador e possuidor de um elevado amor fraterno”.
Nosso homenageado(in memorian), era sempre procurado por várias pessoas, em sua residência,  no centro de Macapá, em busca de conselhos. Eram ricos, pobres, brancos, negros, de diferentes posicionamentos políticos e religiosos. Às vezes, ele nem falava nada, só escutava o desabafo daqueles homens, que já saiam do muro das lamentações (apelido dado a uma área ao lado da casa, pelos seus filhos), de alma aliviada.
João Espíndola, foi um dos amapaenses presos injustamente, durante o golpe militar de 1964, mas provou sua inocência com altivez e retomou sua gloriosa vida.
Pouco antes de seu falecimento, Espíndola vivia um bom momento. Havia criado os filhos com sucesso, tinha uma bela casa, uma família unida e era respeitado no Estado. Ao envelhecer, o pátrio poder deixou de existir, tornou-se um grande amigo de seus filhos.
Em uma ocasião, durante um festejo em sua residência, João agradeceu sua mulher por todos os anos de dedicação. Disse-lhe, em frente a familiares e amigos, que devia muito a ela pelo grande homem que se tornou.
Delegado Espíndola, faleceu no domingo,  7 de janeiro de 1996, por volta das 18h30m, aos 69 anos, vítima de um acidente automobilístico, na zona Sul de Macapá.
Cerca de 500 pessoas foram ao seu funeral, dentre elas, secretários de Governo, políticos, empresários e cidadãos comuns, pois apesar de frequentar a alta roda da sociedade amapaense, Espíndola não tinha comportamento elitista, era amigo de “peões” e “doutores”, tratando-os da mesma maneira.
A história deste homem, que foi uma das figuras mais populares do município de Mazagão e da cidade de Macapá, é de uma magnitude e nobreza, que até parece uma obra de ficção. Ele não foi perfeito, mas, com toda certeza, foi um grande exemplo de pai, cidadão e ser humano.

Texto do jornalista amapaense e blogueiro Elton Tavares - neto do biografado - devidamente adaptado e atualizado, especialmente para o blog Porta-Retrato.
Texto original publicado em 7 de janeiro de 2014 no blog De Rocha!, de Elton... com o título: "Há 18 anos, morreu João Espíndola Tavares, meu avô"

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Do Fundo do Baú: Amigos de outrora de Macapá

Mais um registro histórico que foi compartilhado pela amiga Josie Remedios, diretamente de seu baú de lembranças:
A foto é dos anos 60 e foi tirada em Macapá/AP.
A partir da esquerda: Irene Remedios; já sobre o casal seguinte, o amigo José Façanha, presume que o rapaz seja um dos irmãos Becil - o mais novo - que moravam em Macapá nessa época; e, segundo o amigo e músico Aimoré Nunes Batista, a moça, ao lado dele, chama-se Vera, filha do agente do Loyde Aéreo em Macapá, que morava na Tiradentes, próximo aos Lacerdas; Maria Helena Braga, é a moça que está bem no meio das outras, que na época de estudante da Escola Normal, era conhecida como Fininha. O amigo e jornalista Ernani Marinho a reconheceu e nos informou que ela, hoje, reside no Rio de Janeiro; as 3 últimas são Lia Porpino, Virginia Sales e Eleanora Aimoré.
Agradecemos aos amigos do Facebook, que nos ajudaram a identificar  os integrantes desse registro histórico.
(Última atualização em 25/04/2014. às 23h50m)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Seu Nathan, do "Café Continental"

NUTA (NATHAN) WOLF PECHER nasceu em Bucowina(*), na Romênia; hoje pertencente à Ucrânia.
Ao chegar em Belém, naturalizou-se  brasileiro e, em 1949 chegou em Macapá,  com sua esposa Syme Zagury Pecher e o filho Simão Arão Pecher.
Seu Nathan Wolf Pecher, foi o primeiro asquenazi(**) do Amapá.
Em Macapá, seu Nathan dirigiu inicialmente a Sorveteria Central - juntamente com a matriarca da família Zagury, Dona Sarah Roffé - que funcionou num prédio erguido na esquina da Rua Cândido Mendes com Av. Mário Cruz, na Praça Veiga Cabral, que pertencia à família Zagury. (foto abaixo)
(Foto: Reprodução de arquivo)
Depois do fechamento da Sorveteria Central...
Neste prédio branco, de madeira com várias portas, funcionou o antigo Bar Café Continental.
...seu Nathan abriu o Café Continental na rua São José, entre as Avenidas Presidente Vargas e Coriolano Jucá.
A revista Amazônia Judaica publicou em suas páginas, em março de 2002, matéria intitulada  "História de um artista e contador de histórias" destacando a habilidade de Nuta, na confecção de objetos de arte dentro de garrafas (opus in vitro)  que aprendeu com seu pai, que também era artesão."
A revista detalha: "Com infinita paciência e perfeccionismo, colocava em suas "garrafas mágicas", Sucot(1) ricamente ornamentadas, cenas de casamentos, interiores de sinagogas, paisagens diversas, Menorot(candelabro), etc. Realizou inúmeras exposições, e recebeu várias premiações por seus trabalhos. Nuta Pecher falava hebraico, idiche(2),  e era um exímio contador de histórias"
O ex-jogador Zequinha Monteiro - que foi grande goleiro nos tempos áureos do futebol amapaense - deu seu testemunho sobre a existência da Bar Continental: "Cheguei à conhecer o Continental, era um bar com bilhar e sinuca, um jogo de mesa e bolas que a rapaziada da época gostava de frequentar, era uma das poucas diversões que existia. Alguns jogadores de futebol do Amapá e Macapá, se divertiam nesse local (Macapá antiga)". (Zequinha Monteiro)
O historiador Nilson Montoril fez o seguinte comentário (via Facebook) sobre o homenageado: "O nome correto dele era Nuta Wolf Pecher. A pronúncia do nome Nuta, que é Natã, originou a forma como a maioria dos que o conheceram o chamasse de Natan. Isso fazia as pessoas confundirem o Nuta, sócio do Mair Naftali Bemerguy no Café Continental, com o Natan Carvalho, que trabalhava na Divisão de Produção, Seção de Fomento Animal, na Fazendinha. O Mair e o Nuta eram membros da comunidade judaica de Macapá e primos. O filho do Nuta, que nos conhecíamos como Wolf foi meu contemporâneo no Colégio Amapaense, em meados da década de 1960. As informações do Zequinha são perfeitas."
"O Nuta foi Venerável da Loja Maçônica Duque de Caxias, em Macapá"; Se não me engano, o segundo."
Após o fechamento do Café Continental seu Nathan foi morar em Manaus, onde viveu até seu falecimento ocorrido em fevereiro de 1996.
Seu filho Simão Pecher, que é Médico - Alergista e Dermatologista - continua residindo e trabalhando na capital amazonense.
Entenda:
(*) A Bucovina ou Bucóvina (em ucranianoБуkoвинa; em romenoBucovina) é uma região histórica da Europa Oriental, localizado no sopé nordeste dos Cárpatos, dividido politicamente entre dois países, Ucrânia(Tchernivtsi) e Romênia (Judeţ Suceava). Sua área total é de aproximadamente 25 mil km². (Wikipédia)
(**) Asquenazes ou asquenazim é o nome dado aos judeus, provenientes da Europa Central e Europa Oriental. (Wikipédia)
(1) Sucot (do hebraico סוכות ou סֻכּוֹת sukkōt, cabanas) é um festival judaico que se inicia no dia 15 de Tishrei de acordo com o calendário judaico. (Wikipédia)
(2) Idiche Língua falada pelos judeus, principalmente na Rússia, Polônia, Lituânia, Hungria, Romênia, E.U.A. e Brasil. (Wikipédia)
(Última atualização em 24/04/14, às 20h45)

terça-feira, 22 de abril de 2014

Dona Esther Zagury

Ontem nós homenageamos seu Naftali Bemerguy, hoje a homenageada é a esposa dele, Dona Esther Zagury Bemerguy.
Esther Zagury Bemerguy, nasceu em Belém-PA, dia 08 de setembro de 1898, filha de Leão Zagury e Dona Sara Roffé Zagury
Casou-se em Macapá, com Naftali Mair Bemerguy, em 22 de agosto de 1925 e tiveram dois filhos. 
Dona Esther faleceu em Macapá, dia 18 de setembro de 1984, com 86 anos de idade.
Fonte: MyHeritage
(Post repaginado dia 22 de abril de 2014) 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Pioneiro Naftali Bemerguy

Naftali Mair Bemerguy, nasceu em 22 de março de 1894. Filho de Mair Abraham Bemerguy e Dona Bonina Roffé Bemerguy. Foi casado com Dona Esther Zagury Bemerguy e tiveram os filhos Mair Naftali Bemerguy e Leão Bemerguy. 
"Naftali Mair Bemerguy, judeu marroquino de Arzila, era o principal interlocutor civil do bispo macapaense Dom Aristides Piróvano para assuntos bíblicos. Chegara na Amazônia com treze anos. Era menino pobre, equipado apenas com a educação fornecida pela Escola dos Rotschild. Na Sexta-Feira da Paixão, o velho Naftali não permitia que em sua casa se ouvisse música no rádio." (Itajaí O. de Albuquerque). 
Seu Naftali faleceu em Macapá dia 10 de julho de 1967, com 73 anos de idade.
Fonte: MyHeritage

domingo, 20 de abril de 2014

Do Fundo do Baú : "Um papo molhado no Pastelito"

Encontrei, no fundo do baú do amigo João Silva, esse registro em preto e branco.
E o próprio João, conta a história dessa foto:
 "Nesse papo molhado no Pastelito, em 1997, a foto mostra, da esquerda para a direita: Elson Martins, Meton Jucá, Solange Maciel (de cabelo preso), Aldony Fonseca - o Babá, e Lígia, de costa; logo depois desse encontro, deu-se a eleição da Solange para presidente e o locutor que vos fala para vice-presidente da Confraria Tucuju. João Silva
Fonte: João Silva, via Facebook

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...