sábado, 31 de março de 2012

Do fundo do Baú do Sapiranga: O Clássico: Caçulinha X Pioneira

No final dos anos 60, existia em Macapá apenas uma estação de rádio. Era a Rádio Difusora de Macapá – emissora oficial de amplitude modulada (AM), criada pelo Governo do ex-Território Federal do Amapá, em funcionamento desde 13 de setembro de 1943 e que continua no ar até hoje (2012)
Em 4 de agosto de 1968, entrou no ar outra estação AM, a Rádio Educadora São José de Macapá,  emissora católica de linha societária independente, sob o controle da Prelazia de Macapá. Da RE - que permaneceu no ar até 20 de abril de 1978 - não resta nem o prédio(2012).
Apesar da disputa pela audiência, nos bastidores, as equipes de radialistas se relacionavam de forma tranquila e cortez. Para consolidar essa cordialidade e esse entrosamento, ambas, disputavam acirradas partidas de futebol, de forma amistosa e disciplinada.
E essas partidas tornaram-se verdadeiros clássicos que deixaram boas lembranças, dos bons tempos.
Com a palavra o  amigo Sapiranga  para nos falar sobre o clássico:  Caçulinha x Pioneira:
“Bom mesmo era no tempo que se enfrentavam os times da Rádio Educadora São José e Rádio Difusora de Macapá. Aquilo sim era jogão de bola. Onde quer que fosse, praça da Conceição, Campinho do Colégio Diocesano, Campo da Estação ou do Independente, em Santana, centenas e centenas de fãs das duas emissoras, compareciam para torcer e aplaudir seus ídolos da emissora do coração.”
Anos 70 - Da esquerda para direita: ?; José Maria Coelho; Edir Peres, Anacleto Ramos; Claudionor Góes (Nozo); Moisés Tavares; Zuzú; Luiz Melo; Vicente Rocha e ?.
Agachados: Humberto Moreira; Luiz Roberto Borges; Milton Correa Filho; J. Ney; ? ; João Silva (Balalão); Jamil Valente; Milton Barbosa, Almir Menezes e Nilson Montoril.
“O clássico RE x RDM, era uma acontecimento imperdível e mexia com a cidade de Macapá de norte a sul, de leste a oeste. Era tão importante que o empresariado local não se furtava em doar prêmios e mais prêmios. Tinha prêmio para o goleiro mais vazado, para o menos vazado, pro artilheiro, pra quem chutasse a primeira bola no travessão, craque do jogo, quem fizesse gol contra e até para a torcida mais animada tinha premiação.”
“Para minha felicidade tive o prazer de jogar pelas duas equipes. Primeiro pela Rádio Educadora e depois pela Difusora. Sem falsa modéstia, quando defendia a Caçulinha obtive mais vitórias. Depois que passei a defender a velha boa as coisas se inverteram, a RDM ganhou mais vezes.
Se eu jogava bem? Quem viu dizia que sim. Não posso deixar de afirmar que joguei com bons boleiros nas duas emissoras: Luiz Melo, Joaquim Neto, Luiz Roberto, J. Ney na RE, Humberto Moreira, Mário Miranda, Almir Menezes, Sérgio Menezes, João Silva, Jamil Valente, Nozo, Zuzú, Edir Perez, Vicente Rocha, na RDM, só para citar alguns que tratavam bem a maricota.”
Time da RE, da esquerda pra direita em pé: ?; José Maria Coelho; Irandir; ?; Moisés Tavares; Paulão e Milton Barbosa.
Agachados: João Silva (Balalão); Sérgio Menezes, Raimundo Brabo Alves; J. Ney; Vicente Rocha e Alcione Cavalcante.
“Foram jogos memoráveis, de muita rivalidade mas sem violência dentro e fora do campo. Tinha também o lado engraçado, como ver o Joaquim Ramos, de saudosa memória, correr mostrando por baixo do calção uma cueca samba-canção branquinha, branquinha; ver o Sebastião Oliveira chutando capim no lado do campo e quando o Humberto reclamava de sua passividade dizia “a bola não vem pra cá”. O time da RDM, pela fama adquirida, passou a ser requisitado para jogar em diversas localidades do interland amapaense. Era mais quem queria vencer nosso time, mas era difícil, mesmo com os juízes, as vezes querendo ajudar o time local. E não foram poucas as vezes que fomos prejudicados pela arbitragem. Fizemos exibições convincentes e aplaudidíssimas no Maruanum, Macacoary, Serra do Navio, Igarapé do Lago, Ipanema e Santana.”
Ano 1972 -Radialistas da equipe da Rádio Educadora de Macapá, posam no campinho de casados e solteiros na Praça Nossa Senhora da Conceição, Bairro do Trem em Macapá, por ocasião de um dos clássicos do futebol, entre radialistas, num dos jogos entre RÁDIO EDUCADORA S. JOSÉ X RÁDIO DIFUSORA DE MACAPÁ.
Da esq. p/direita em pé: Joaquim Neto, Sebastião Balieiro, José Maria Coelho, Mário Miranda, Milton Sapiranga Barbosa, Anacleto Ramos e José Maria Trindade (Zeca Diabo).
Agachados da esq. p/dir: Luiz Roberto Borges (Luca Borges - Maritubinha), Luiz Melo (Luca Melo), Jota Ney, Nilson Montoril de Araújo e João Silva (Balalão).

"Hoje quando vejo uma partida de futebol entre o pessoal da imprensa, me bate uma imensa saudade dos bons tempos do clássico RE x RDM, em especial dos amigos que já foram para outro plano (Joaquim Neto, Edir Perez, Diquinho, Bonifácio Alves, Chiquinho, Paulão do Atabaque, Nardim Quaresma, aos quais aqui presto minha homenagem). Sinto saudade dos craques, do público e da festa das torcidas." (Milton Barbosa)

Fonte: Fotos e trechos reproduzidos do texto - Saudade do clássico RE x RDM escrito por Milton Sapiranga Barbosa, e divulgado em 10/10/2010 no blog da jornalista Alcinéa Cavalcante sob o título Lembranças do Sapiranga.

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