quarta-feira, 21 de março de 2012

Tenente José Alves Pessoa, o desbravador

Se vivo fosse teria completado na terça-feira, 20 de março de 2012 - 109 anos de existência.
José Alves Pessoa nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 20 de março de 1903, filho de Antônio Paulo da Silva Pessoa e D. Luíza Alves Pessoa. Casou-se com Valentina Costa Pessoa e dessa união nasceram os filhos José Ribamar, Luiz Carlos, Luiza Maria e Tânia Mercedes. Criado na cidade de Recife-PE, tornou-se escoteiro em 1919 e nessa atividade comandou uma Patrulha de Escoteiros que, em propaganda pela instituição criada por Baden Powell, realizou o raid pedestre Natal-Rio-São Paulo em 1932, comemorando o primeiro centenário da Independência. Por esse feito foi considerado pela entidade máxima do escotismo no Brasil e homenageado pelos governos de São Paulo e Rio Grande do Norte, tendo seu nome gravado numa placa-monumento colocada em uma das praças de Natal e os documentos e troféus desse raid, recolhidos ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Apresentou-se ao Exército no ano de 1923 e fez o curso da Escola de Sargentos de Infantaria. Sua atuação foi intensa: combateu a Coluna Prestes em 1926; tomou parte na Revolução de 1930, em Recife, sendo comissionado no posto de Segundo-Tenente pelo General Juarez Távora; participou da Revolução Constitucionalista de São Paulo, em 1932; teve uma rápida passagem por Fernando de Noronha; em março de 1935 foi comandar o Pelotão de Fronteiras em Tabatinga, na fronteira Amazonas-Colômbia, onde passou dois anos, recebendo elogio do General Cândido Rondon; homenageado pela Guarnição Peruana de Ramon Castilla em 1936; serviu no 27º Batalhão de Caçadores em Manaus - AM, em1937; na Companhia de Fronteiras de Porto Velho-RO, em 1938; comandou o pelotão do Forte do Príncipe da Beira na Fronteira com a Bolívia, em1938; serviu no 24 BC em São Luís- MA, onde cursou até o 2º ano de Direito na Universidade do Maranhão, no período de 1939 a 1941; transferido para o Quartel General da 8: Região em Belém-PA, no ano de 1941; no ano de 1942 foi transferido para o 3º Batalhão de Fronteiras em Clevelândia, no Oiapoque e em 1944 foi reformado como Primeiro-Tenente R-1. Chegou a Macapá no ano de 1947, a convite do Governador do Território, onde se casou, teve filhos e se radicou. Iniciou suas atividades no Serviço de Administração Geral; nomeado Diretor do Tiro de Guerra 130; nomeado pelo Presidente da República Representante das Forças Armadas no COAB no Amapá; nomeado Delegado do SE SI, o primeiro de Macapá, permanecendo nessa função 4 anos; Superintendente do Abastecimento do TFA. Quando rebentou a revolução de março de 1964, não concordou com seus companheiros militares e foi demitido do Exército brasileiro. Anistiado em 1979, continuou na sua trajetória cívica, prestando serviços à maçonaria iniciado desde 16 de julho de 1934.
Participou da fundação das Lojas "Duque de Caxias" e "Acácia do Norte", ambas em Macapá, das quais foi venerável, membro do capítulo Rosa Cruz "Cosmopolita"; membro Honorário da "Conciliação Amapaense", Gerente de Amizade da Loja "Realidade 21"; Detentor da Comenda "Apolinário Moreira" dos 50 anos da loja do Pará e Medalha de ouro, trigésimo aniversário da "Duque de Caxias".
Sua participação escoteira no Amapá se destacou na grande caminhada do Oiapoque ao Chuí, em comemoração ao sesquicentenário da independência, percorrendo em 8meses e 16 dias 6.170 quilômetros,
trajando a farda de escoteiro e portando a bandeira nacional(foto acima).
Como esportista, foi campeão de natação em Natal; atravessou a baía da Guanabara em 1922; diretor do Clube Rio Negro em Manaus; diretor de Esportes do Maranhâo Atlético Clube; Presidente da Federação de Desportos do Amapá; de tênis de mesa e do Esporte Clube Macapá. De repente o escoteiro, o militar, o maçon, o desportista e o idealista José Alves Pessoa faleceu no dia 22 de outubro de 1979, sem se despedir de ninguém, deixando saudades para seus familiares e a admiração daqueles que o conheceram.
Fotos reproduzidas do álbum "Bela Macapá" do Facebook, postadas por sua filha Tânia Pessoa.
Fonte: Livro “Personagens Ilustres do Amapá” Vol. 1 – de Coaracy Barbosa, edição de 1997.

Um comentário:

  1. Estou em Natal-RN e fico feliz de ver um pouco da história da minha família!Eu não sabia tanto assim,parabéns ao blog.

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