sábado, 2 de junho de 2012

ESPECIAL: O Burro do Pitaíca (Nilson Montoril)

Manuel Eudóxio Pereira, é nome de uma das ruas da capital do Amapá, numa justa homenagem a um dos mais ilustres filhos daquela terra tucuju.
Um comerciante conhecido, na Macapá de outrora,  pela alcunha (ou seja, apelido ou se você preferir os sinônimos: apodo, antonomásia, cognome e epíteto) de Pitaíca.

O historiador Nilson Montoril, conta em seu blog, que Manoel Eudóxio Pereira era  amigo de todos e procurava ajudar os mais necessitados, notadamente os que apreciavam uma aguardente  (conhecida popularmente  como cachaça, água-que-passarinho-não-bebe, a-que-matou-o-guarda, birita,  caninha, gengibirra) que o nosso ilustre historiador prefere chamar de  a “marvada pinga”.
“Católico fervoroso, podia ser encontrado com facilidade na Igreja de São José durante os cultos católicos. Era forte, decidido, daí o apelido de Pitaíca, nome de uma árvore encontrada no campo, na terra-firme e na várzea."
(Foto: Reprodução de arquivo)
Casa do Povo estabelecimento comercial do Sr. Manuel Eudóxio Pereira, situado na esquina da Rua São José com a atual Avenida Presidente Getúlio Vargas.
Nilson conta em sua narrativa que "seu Pitaíca possuía um burro muito  enfezado, que puxava uma carroça destinada aos serviços da Casa do Povo, (foto) de sua propriedade. Mesmo atrelado à carroça, o burro dava trabalho. Em razão de ser endemoniado, o burro passava a maior parte do tempo preso a uma corda, num terreno vago que existiu na esquina da Travessa Floriano Peixoto com a Rua São José, local onde funcionou o Banco da Lavoura de Minas Gerais e hoje abriga uma loja. O cenário das peripécias do burro do Pitaíca é a Macapá do final da década de 1930 e início da década de 1950. Naquele tempo, era coisa comum os quadrúpedes viverem soltos nas ruas, principalmente depois das 18 horas. Na periferia da pequena cidade muitos moradores mantinham atividades agrícolas e pecuárias. Cavalos, éguas, burro e mulas trabalhavam durante o dia, puxando carroças e transportando cargas e até gente. Valiam-se da noite para pastar, beber água e praticar “o aquele”. O burro do Pitaíca adorava pastar no campo de futebol que existia na Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos,(atual Veiga Cabral) onde reinava absoluto entre as éguas e mulas mais velhas que já não interessavam aos mais novos. O diabo é que o burro do Pitaica era demasiadamente avexado, partidário do “vamos que vamos”. Ele só vivia de orelha em pé e voltadas para trás, sinal evidente de que estava a fim de transar. Nem sequer cortejava as pretendidas.
Como o burro era muito violento, as fêmeas o rejeitavam com coices e mordidas, coisa que ele retribuía com maestria. Parece que o burro era fã da máxima “ou dá, ou desce”. O pior é que não eram só as orelhas que o burro levantava. A genitália do bicho era de tal forma desconforme, que dava a impressão dele ter nascido com cinco pernas. Com relativa frequência, os donos dos animais maltratados iam ter com o Pitaíca pedindo que ele mandasse o burro para a região rio Pedreira, caso contrário a vida do bicho iria correr grande risco. Reclamar na Polícia era perda de tempo, haja vista que o senhor Manuel Eudóxio Pereira tinha muita influência na cidade, sendo vizinho da Delegacia Central. A solução do Pitaíca consistia em prender o burro. Em contrapartida, os donos das vítimas do burro deveriam encontrar outro local para que elas pastassem em paz. Quando o burro encontrava uma fêmea assanhada como ele, o “love you” era "da mulesta". Houve um caso muito interessante protagonizado pelo burro ao montar, na marra, em uma éguinha prestes a debutar no exercício da luxúria. O dono da éguinha exigiu indenização, alegando que o burro havia emprenhado sua cria. O queixoso alegou que a maneira violenta como o estupro foi praticado causou o remonte de cinco costelas da infeliz criatura. Pitaíca lhe passou uma descompostura, dizendo que o burro é um animal estéril e não tem como gerar filhos. Na prática, a éguinha gostou tanto do desempenho do burro, que ia direto ao local de seu cativeiro todas as vezes que fugia da casa do dono.
Outro fato diz respeito a uma exigência que algumas beatas fizeram ao senhor Pitaíca através do Padre Felipe Blanck, vigário da Matriz de São José. Elas costumavam assistir à missa das 6 horas da manhã, diariamente, e não suportavam ver o burro todo excitado, olhando as fêmeas que pastavam no campo de futebol. Consta que elas colocavam as mãos sobre os olhos, mas o povo comentava que os dedos sempre ficavam afastados. A injúria foi de tal monta, que uma das beatas sugeriu que o Pitaíca mandasse fazer um calção de mescla reforçado para esconder as vergonhas do animal. O priapismo(*) do burro ficou tão famoso, que passou a ser referência sempre que alguém cheio de frescura queria dar uma de gostosão: “o que falta pra ti é o burro do Pitaíca”.

(*) Priapismo é uma condição médica geralmente dolorosa e potencialmente danosa na qual o pênis ereto não retorna ao seu estado flácido, apesar da ausência de estimulação física e psicológica. A ereção dura em média 4 horas, e pode levar à impotência sexual definitiva. (Wikipédia)
Fonte: Texto publicado originalmente por Nilson Montoril em seu blog Arambaé, na segunda-feira, 28 de maio de 2012.

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