quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Pioneiro de Macapá: Seu Abilio, e a Casa Chiadinho

O português Abílio Pereira da Costa nasceu no dia 10 de setembro de 1901, na freguesia de Celorico de Basto, município de Braga, Portugal, onde residiam seus pais Joaquim Pereira da Costa e Emília Costa. Tinha sete irmãos: Albertina, Laurinda, Adelina, Emília, Antônio, Alfredo e Albano. O Abílio era o caçula dos homens. Seus três irmãos mais velhos, Antônio, Alfredo e Albano chegaram em Belém, em 1914, onde foram recebidos pelo tio português Joaquim Carvalho, proprietário do Armazém de Estivas ―Confiança‖, localizado na Rua XV de Novembro. Consta que seu avô paterno Joaquim mandou os três filhos para o Brasil com medo que eles pudessem ser mortos na Primeira Guerra Mundial. Pelo mesmo motivo, o caçula Abílio Pereira da Costa chegou a Belém, em 1918, com 17 anos de idade, sendo recebido pelo tio. Passou a trabalhar no ramo de comércio, juntamente com seus três irmãos. Depois de alguns anos trabalhando em Belém, os irmãos Alfredo, Albano e Abílio resolveram explorar, por conta própria, um bar na zona do Ver-o-Peso. Nessa época, seu irmão Antônio seguiu para a região noroeste do Estado do Pará, por recomendação de seu tio Joaquim Carvalho, chegando a morar, por pouco tempo, nos municípios de Macapá e Mazagão. Em 1928, os três irmãos desfizeram a sociedade, ocasião em que o Sr. Abílio optou pela atividade de caixeiro-viajante, muito em voga naquela época. Percorreu todo o baixo Amazonas e, com maior frequência, os interiores do Estado do Pará, sobretudo região noroeste, que viria mais tarde dar origem ao Território Federal do Amapá. Foi assim que, em 1931, chegou ao interior denominado Ajará, no município de Mazagão, depois de haver passado por Macapá. Nesse mesmo ano, conheceu outro português, Manoel Antônio da Costa, casado com Maria França da Costa, o qual era um próspero comerciante de Ajará. O Sr. Abílio pediu em casamento a filha caçula desse casal, a jovem Cacilda, cujo enlace ocorreu em Macapá, no dia 8 de fevereiro de 1932. Em 1933, mudou-se de Ajará para a localidade chamada Ipixuna, também no município de Mazagão, onde assentou um pequeno comércio, após abandonar a atividade de caixeiro-viajante. Em 1937, voltou a fixar residência em Ajará, continuando no ramo de comércio.
Pressionado pela esposa Cacilda veio para Macapá, capital do recém-criado Território Federal do Amapá construindo uma casa de comércio. Foi assim que surgiu a ― Casa Chiadinho, situada na então Rua Cel. José Serafim (hoje Rua Tiradentes), nº 752, esquina com a Rua General Gurjão, no bairro Alto, e inaugurada no início de 1945. A Casa Chiadinho era uma mercearia muito sortida, que vendia de tudo. O nome ― Chiadinho‖ teve sua origem em Portugal, significando um estabelecimento comercial que vende de tudo. Durante muitos anos, a Casa Chiadinho constituiu-se no terceiro mais forte comércio da praça de Macapá. Ao lado direito do comércio existia um grande depósito de madeira, onde era estocada a sacaria em geral (açúcar, feijão, arroz, farinha, milho, sal, etc.). Tornou-se tradição, durante muitos anos, a apresentação do ― Boi do Maçarico‖ em frente à ― Casa Chiadinho, que descia do bairro do Trem para exibir-se em frente ao ― Macapá Hotel, centro de todos os grandes acontecimentos sociais em Macapá. O Sr. Abílio possuía também um bar na esquina da Rua Tiradentes com a Rua General Gurjão, em frente à Casa Chiadinho. Esse bar, que nunca chegou a prosperar, foi inaugurado em 1950 e fechado em 1956, quando foi vendido. O dinheiro apurado nessa venda destinou-se ao pagamento de uma indenização vultosa, sentenciada pela Justiça (fato inédito em Macapá, àquela época), a título de seguro de vida para a viúva de um mestre de obras que falecera durante a construção de uma casa residencial de madeira, localizada na mesma Rua Tiradentes logo no início da ponte que interligava o bairro Alto com o bairro do Trem, alugada durante alguns anos. O Sr. Abílio possuía ainda uma embarcação de grande porte, para o transporte de mercadorias compradas em Belém, sinistrada em um naufrágio, com perda total. De sua união matrimonial com D. Cacilda Pereira da Costa nasceram doze filhos: Angelita (13/12/32), Alírio (18/12/34), Arlindo (30/10/36), Alfredo (28/10/38), Aurelina (24/07/40), Adede (17/07/42), Abelardo (14/12/44), Arlete (07/09/47), Adelvina (25/09/50), Anaide (19/04/55) e Adamor (15/01/58). O Sr. Abílio incentivou seu concunhado Antero Paulo da Costa, também português e domiciliado em Belém, a explorar a primeira linha de ônibus público que circulou em Macapá, com a denominação ―Viação Primazia ‖, constituída de três ônibus, inaugurada em 1949, cuja existência foi efêmera, motivada pela renda que era insuficiente para a manutenção da linha. Além do mais, em uma oportunidade um dos motoristas, de sobrenome Lobo, acidentou o ônibus que dirigia (capotou), causando enorme prejuízo para o proprietário. Depois de três anos de insucesso empresarial em Macapá, seu tio Antero resolveu retornar com seus ônibus para Belém. Depois de alguns grandes prejuízos, o seu comércio começou a entrar em processo de falência. Em maio de 1960, já com a Casa Chiadinho de prateleiras vazias, seu pai encerrou o comércio em Macapá, transferindo o domicílio para Belém. Faleceu na Capital paraense, em 18 de março de 1976, aos 74 anos de idade, vítima de (AVC) acidente vascular cerebral.
Fonte: Reprodução do livro Personagens Ilustres do Amapá. Vol. III. Coaracy S. Barbosa. Edição de Março 2002 (Não impressa).

Cópia digital, cedida ao editor do blog Porta-Retrato. por Paulo Tarso Barros Presidente da Associação Amapaense de Escritores-APES, com autorização para publicação, sem fins lucrativos, somente de caráter informativo/histórico-cultural.

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