sábado, 3 de dezembro de 2011

ESPECIAL: O PIONEIRO ZECA SERRA

PREFEITO DE MACAPÁ DE FEVEREIRO DE 1947 A JANEIRO DE 1950 
João Silva (*)
(Foto reproduzida do blog do João Silva)
Filho de João Câncio Souza e Silva e Tereza da Conceição Serra e Silva, José Serra veio ao mundo em Macapá no dia 8 de maio de 1906, no Largo dos Inocentes, onde morava a família Serra e Silva, que cedeu a Igreja Católica e ao Intendente Eliezer Levy, a única imagem disponível na cidade para a realização da primeira procissão do Círio de Nazaré em Macapá, em l934.
José Serra e Silva foi casado com a senhora Palmira Lobo, mas logo se divorciou. Posteriormente casou-se com Idalina Ribeiro da Silva (irmã do alfaiate e ex-craque do Trem, Vadoca) com quem viveu 25 anos, portanto até sua morte no dia 12 de julho de 1972, em Belém do Pará. A companheira Idalina morreu em agosto de l994, em Macapá.
AS FACETAS
Autodidata, esportista, professor, poeta, cronista, compositor, José Serra e Silva gostava da política do bom combate, tanto que escreveu manifesto contra os Nunes (“A Terra é nossa, vamos governá-la”), e por isso teve que se exilar em Belém do Pará. Mas não rompeu seu vínculo com a política e o PTB – articulista do jornal Folha do Povo, que fazia oposição aos Nunes (Janary, Coaracy, Pauxy), estes ligados ao PSD de Amaral Peixoto. A família unida governou o Amapá até em março de 1964.
Depois disso todos os governadores foram nomeados pelos presidentes da Revolução de 64. Mais adiante, em 1970, aconteceu o maior embate político da história do Território Federal do Amapá, culminando com a queda definitiva dos Nunes quando Janary (ARENA) foi derrotado por Antônio Pontes (MDB), passando este a ser o representante do Amapá na Câmara Federal.
Serra fundou o Cumaú Esporte Clube e consta ter sido também um dos fundadores da Sociedade Esportiva e Recreativa São José, ao lado de esportistas como Messias do Espírito Santo e Marcilio Filgueira Viana, em agosto de 1946, hoje presidida pelo advogado e ex-atleta, Vicente Cruz, com sede erguida no bairro do Laguinho, onde começou toda a história gloriosa do tri-campeão amapaense de futebol.
A FAMILIA E O PREFEITO 
Contando com o próprio, José Serra e Silva era o mais velho dos cinco filhos do casal João Câncio e Tereza da Conceição; os outros eram: Isabel (Tia Bilica), Maria Souza (casada com o pecuarista Eugênio Machado), Cleto, e Emanuel Serra e Silva (Duca Serra), casado com Antonia Picanço e Silva, que morreu em fevereiro de 1997. Duca Serra faleceu no dia 15 de outubro de 2008, e foi homenageado pelo povo do Amapá através dos seus representantes na AL que colocaram seu nome na estrada Macapá/Santana por iniciativa do então deputado estadual Ricardo Soares.
Por força de acordo político imposto ao PSD por Getúlio Vargas, Janary Nunes foi obrigado a nomear dois petebistas para o cargo de prefeito de Macapá. Claudomiro de Moraes, o Zito Moraes, foi um deles; o outro atendia por José Serra e Silva, Prefeito de Macapá de FEVEREIRO DE 1947 a JANEIRO DE 1950(*). Ainda foi candidato a deputado federal pelo PTB, mas perdeu para Coaracy Nunes.
A ponte da Eliezer Levy sobre o canal da Mendonça Junior, o Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, a residência do prefeito (Eliezer com a Mendonça Furtado) foram obras do seu governo, que recebeu das mãos de Janary Nunes o estádio Glycério Marques pronto para o Campeonato Brasileiro de Seleções de l950.
Na mocidade, Zeca Serra, foi boêmio, trovador, tocou clarinete na Banda do Padre Júlio Maria Lombaerde assim que o religioso chegou ao Amapá. Quando prefeito demonstrou sua gratidão dando o nome do sacerdote belga uma das principais artérias do comércio de Macapá.
Próximo a sua morte, já doente, a convite do presidente e amigo Walter Banhos de Araújo, chegou a trabalhar na Câmara Municipal de Macapá, ali exercendo o cargo de Diretor Administrativo da Casa.
Em l991, por inspiração do poeta e compositor Francisco Lino, seu discípulo, a história de José Serra virou tema do carnaval de Boêmios do Laguinho. Hoje seu nome está perpetuado em duas artérias da cidade que tanto exaltou nas suas canções, versos e prosas.
(*) jornalista e blogueiro amapaense
(*) Wikipédia

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