sábado, 22 de abril de 2017

Foto Memória de Macapá: O beco do abieiro

Por Nilson Montoril
Na cidade de Macapá, no meio do espaço delimitado pelas travessas Floriano Peixoto (Presidente Vargas) e Braz de Aguiar (Coriolano Jucá) e pelas ruas São José e Barão do Rio Branco (Cândido Mendes), havia uma larga passagem que ligava o largo de São Sebastião (Praça Veiga Cabral) ao largo de São João (praça Barão do Rio Branco). Devido à existência de um frondoso abieiro a passagem era conhecida como o “Beco do Abieiro”. Outro estreita viela, entre a vila Santa Engrácia e o quintal da casa do coronel Theodoro Manuel Mendes ligava essa passagem a atual Rua Cândido Mendes. Residiam em torno do Beco do abieiro diversas famílias tradicionais de Macapá, entre elas a do senhor Miguel Gantus, presidente do Cumaú Esporte Clube. Sua residência ficava no canto do Beco do Abieiro com a atual Avenida Getúlio Vargas e também funcionava como sede da agremiação alviverde da cidade. Consequentemente, embora houvesse um campo de futebol na ala “A” da Praça Veiga Cabral, o time do Cumaú preferia treinar no campinho armado na área do Beco do Abieiro. Após a criação do Território Federal do Amapá e a instalação do governo territorial em Macapá, algumas donas de casa aproveitaram o ensejo da chegada de trabalhadores para alugar alguns cômodos de suas residências e até mesmo a casa toda. Entre as locadoras de quartos destacava-se Dona Oswaldina, senhora carismática que a todos tratava com muita educação. Ela era viúva e contava com a companhia das filhos Marialvo e Luiz, e das filhas Alcinda e Nazaré. Em um dos cômodos de sua casa instalou-se a jovem Aracy Nascimento da Silva, professora normalista egressa de Belém que veio compor o magistério da novel unidade federada.
A casa de dona Oswaldina era geminada com o imóvel ocupado pelo comerciante Zoilo Pereira Córdova, dono do Bar ABC, situado na área onde está erguido o Teatro das Bacabeiras. Seu Zoilo Córdova tinha vários filhos, entre eles a Mariana a Lélé, o Paloca e o Pedro Maurício, meus contemporâneos da Casa dos Padres e do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.
No canto direito da passagem, esquina da Presidente Vargas, sentido da Praça Barão, ficava a residência do senhor Filomeno (foto), um dos primeiros açougueiros a ocuparem “talhos de carne” no Mercado Central. Nas outras extremidades do beco residiam Raimundo Ladislau, o grande tirador de ladrões do Marabaixo e Benedito Lino do Carmo, o velho Congó.
O Beco do Abieiro era muito frequentado e por isso cheio de novidades. Ao entardecer os moradores colocavam cadeiras nas calçadas e o papo rolava solto até a hora do jantar. A primeira descaracterização do Beco do Abieiro veio com a construção do prédio da Agência dos Correios e Telégrafos. Depois surgiu a “Lojas Pernambucanas”, acabando de vez com o campo de futebol do Cumaú Esporte Clube. O jornalista e radialista Carlos Cordeiro Gomes, o popular “Segura o Balde” também residiu na casa de Dona Oswaldina, local onde, a 11 de agosto de 1953, faleceu inesperadamente a Professora Aracy Nascimento da Silva.
Fonte: Crônica de Nilson Montoril, publicada, originalmente,  
no Jornal Diário do Amapá.

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