quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Especial: INDEPENDENTE ESPORTE CLUBE: 50 ANOS DE EXISTÊNCIA

Por Emanoel Jordanio (*)
(Foto: Contribuição do amigo Emanoel Jordanio, via e-mail)
Bastou a iniciativa do Padre Ângelo Biraghi, durante uma simples reunião entre pessoas interessadas por esporte e lazer, que naquela tarde de 19 de janeiro de 1962, era fundado o Independente Esporte Clube (IEC). Segundo pioneiros, as primeiras assembleias ocorriam no salão paroquial da pequena Igreja de Nossa Senhora de Fátima, localizada no coração da histórica Vila Dr. Maia, no atual município de Santana.
Na ocasião de oficial constituição, estavam presentes: Antônio Villela, José Muniz Ferreira, Francisco Corrêa Nobre, Odon Morales Y Morales, Sebastião Ramalho, José Bandeira, Cláudio Lúcio Monteiro, Melkisedec, Rubens Albuquerque e outros desportistas que residiam na própria Vila Dr. Maia ou nos vilarejos adjacentes à área da mineradora ICOMI, em Santana.
Interinamente, foi eleito o Sr. Francisco Nobre (conhecido “Chico Jacaré”) para presidir a nova agremiação santanense até que seus estatutos e situações jurídicas fossem todos legalizados. Em 22 de fevereiro daquele mesmo ano, numa assembleia que contou com a presença de quase 200 pessoas, foi aprovado o 1º estatuto do IEC, contendo 94 artigos.
Participou de sua primeira partida futebolística naquele mesmo ano da fundação (em 08 de dezembro/62), enfrentando o Guarany Atlético Clube, de Macapá (extinto), onde perdeu por um tento a zero. O jogo aconteceu durante o Torneio “Independência”, organizado pela Federação Amapaense de Desportos (FAD), realizado no antigo campo de esportes do Santana Esporte Clube (na área onde hoje está localizado o Fórum da Comarca de Santana).
Seu primeiro uniforme (oficial nos jogos) era composto de uma camisa amarela e short azul. Em 1965, após aprovarem em assembleia realizada por seus dirigentes, o uniforme foi alterado: camisa/short verde com gola branca e meias verdes. No entanto, em 1972, ocorreu uma nova mudança na vestimenta do clube, ficando o short branco com a camisa/meias verdes. A mais recente alteração do uniforme já veio ocorrer na década de 1990, quando passou a utilizar a camisa branca com o short verde.

As conquistas no esporte amapaense – Em meados da década de 1960, receberia dos cronistas amapaenses, o pseudônimo de “Carcará da Vila Maia” em virtude de seus atletas serem bem ágeis durante os jogos, onde faziam grandes passes de bola no ar, semelhantes aos vôos das aves de rapina que sobrevoavam a região amazônica.
Sendo assim, que conseguiria conquistar sua primeira vitoria em maio de 1964, tornando-se vice-campeão da 2ª Divisão do Campeonato Amapaense de Futebol (CAF) daquele ano. O mesmo título de vice (agora pela 1ª Divisão do CAF) também seria conquistado nos anos de 1972, 1975, 1981, 2002 e 2003 pelo CAF. Porém, procurou se manter como um dos times mais prestigiados da 1ª ou 2ª Divisão dos campeonatos amapaenses das décadas de 1960 e 1970.
A primeira vez que ergue a taça de clube vencedor do CAF aconteceu em 1982, seguindo 1983, depois 1989, vindo 1995 e o último título foi em 2001, quando o Estádio Zerão recebeu um dos maiores públicos numa final de “Amapazão” (foram mais de 5.000 pessoas presentes).

(Foto: Reprodução de arquivo)

Vale ressaltar que o “Carcará” foi justamente um dos times que participou do jogo de inauguração do Estádio “Zerão”(foto), em 17 de outubro de 1990, onde ali venceu o Trem Desportivo Clube por 1 x 0. Estavam presentes na arquibancada, o Presidente da República Fernando Collor, o ministro dos Esportes Arthur Coimbra (“Zico”), Governador do Amapá Gilton Garcia e outras autoridades nacionais, distribuídas entre as mais de 8 mil pessoas que assistiram à inauguração.

Independente x Santana: Clássico do Porto – A conhecida rivalidade desses dois clubes já existe desde janeiro de 1966, quando ocorreu o primeiro encontro de “titãs”, numa partida pelo CAF, no Estádio Augusto Antunes, na Vila Amazonas. O jogo terminou empatado (2 x 2), mas foi apenas um dos mais de 20 encontros oficiais que puderam prestigiar desde então.
Desses encontros, o “Carcará” conseguiu vencer por 08 vezes e empatou 03 vezes. O mais recente certame aconteceu em 03 de outubro de 2009, no mesmo estádio onde começaram as pelejas de quase meio século (Estádio “Augustão”), terminando em 4 x 4.
Um fato curioso desse denominado “encontro de titãs” foi em setembro de 1972, quando dois clubes de uma mesma localidade fizeram a final de um campeonato amapaense de futebol, saindo favorecido o “Canário Amapaense”, que venceu por 2 x 1.

Sua sede própria – Em janeiro de 1969, ainda mantendo seu contato junto à diretoria do clube, padre Ângelo Biraghi começou a realizar diversas rifas e eventos comunitários que ajudariam a arrecadar fundos para construção da futura sede social do IEC.
O citado local para levantar a sede do “Carcará” foi cedida pela Prefeitura de Macapá em meados do mesmo ano, colocando como titular do imóvel a Prelazia de Macapá, que posteriormente repassaria o terreno para a diretoria do IEC ainda na década de 1970.
O terreno compreendido de 80m de frente e 81m na lateral, seria a primeira área patrimonial de propriedade do clube, que até o início da década de 1990, estaria somada com outras áreas espalhadas pelo município de Santana.
No chamado terreno-sede do clube, foi erguida a primeira edificação comercial, que seria de madeira com telhas de brasilit. A edificação teria um pouco mais de 800m² e depois seria construída em alvenaria (já em 1973) para melhor acomodar seus sócios e frequentadores.
O local seria uma “coqueluche” para a sociedade local, especialmente para aqueles que vinham da capital para se divertirem em Santana. Buscando agradar ao público que logo considerou o ambiente bem-visto, a diretoria do “Carcará” passou a realizar inúmeros eventos em sua sede.
Um dos primeiros eventos sociais foi em fevereiro de 1971, com a “Festa das Flores”, organizada para escolher a mais bela jovem da sociedade amapaense. Outro importante evento, que anualmente ocorria na sede do IEC, era o conhecido Baile “Rainha das Rainhas” que, desde 1984, deixava a sede do clube com ingressos esgotados para a ocasião. Muitos também devem se lembrar do tradicional “Baile das Debutantes”, onde diversas senhoritas realizavam o sonho de dançar uma valsa ao lado de alguma celebridade da televisão brasileira, sendo este um dos eventos mais procurados pelas adolescentes de Macapá e Santana desde sua primeira edição, em 1978.
O “Baile das Debutantes” era tão bem procurado que patrocinadores arcavam com as despesas do evento, evitando que o clube do “Carcará” gastasse durante esse período, que geralmente ocorria entre outubro/novembro. Houve ocasião que o evento chegou a reunir 50 jovens numa única noite para dançar com um famoso ator da TV.
Além desses eventos, a sede do IEC também promoveu encontros carnavalescos, assim como reuniões partidárias, comunitárias e até ações governamentais e municipais, sem deixar de falar que também serviu como local de apuração em eleições, e palco para posses de prefeitos e vereadores.
Quando houve a transformação do município de Santana, a diretoria do IEC cedeu o espaço para funcionar como secretarias municipais e Júri Popular, em virtude de ainda não haverem locais adequados para funcionar algumas repartições públicas.
Muitos devem se lembrar que, durante o conflito político entre o então prefeito Geovani Borges e o governador do Amapá Comandante Anníbal Barcellos (em 1993), a sede do “Carcará” precisou ser utilizada pelo secretariado municipal, devido o Poder Estadual ter solicitado de volta o prédio onde funcionava o Executivo Municipal de Santana.

Os anos difíceis e a crise do clube – A chamada “crise institucional” do clube começou em 1985, quando o “Carcará” passou a acumular dívidas tributárias, onde algumas obrigações institucionais não eram quitadas por seus diretores.
Alguns ex-presidentes do clube contam que já não haviam mais prestações de contas das despesas realizadas pela entidade e, constantemente, ocorriam divergências entre os integrantes da diretoria, o que acabava atingindo o setor esportivo do clube.
A primeira desistência do IEC sobre o “Amapazão” foi logo depois da conquista de 1983. Chegou a participar de seis jogos do CAF em 1984, mas não se classificou para as rodadas seguintes, retornando somente em 1988, quando a diretoria foi inteiramente substituída, podendo conquistar o Campeonato de 1989.
Uma nova crise atingiria o “Carcará” em meados da década de 1990. Mesmo tornando-se campeão em 1995, a diretoria deixou que a dívida patrimonial ultrapassasse a marca de R$ 10 mil, entre encargos e tributos trabalhistas. Na época, um de seus diretores chegou a cogitar a possível falência do clube.
No entanto, a diretoria procurou amenizar as dívidas após a venda de um de seus terrenos, situado no bairro Paraíso, que media cerca de 30.000m² (local onde hoje está o prédio da nova Prefeitura de Santana), o que veio a causar revolta de diversos associados, que ingressaram na justiça contra a referida diretoria do IEC, denunciando como venda ilegal, sem o consentimento geral dos sócios. A área foi renegociada e posteriormente adquirida pelo poder municipal.
No entanto, em dezembro de 2003, uma nova perda atingiria os associados do “Carcará”: o leilão da sede-central do IEC foi arrematado pelo empresário Carlos Augusto Vieira pelo valor de R$ 137.989,68 como forma de quitar dívidas deixadas por diretorias anteriores.
A assessoria jurídica do IEC ainda tentou reintegrar a área ao clube santanense, sob tentativa de uma liminar em 02 de março de 2006, através do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília (DF), mas sem êxito. A situação ainda chegou ao conhecimento do prefeito de Santana, Antônio Nogueira, que sancionou o Decreto nº 0124/06-PMS, declarando a área arrematada como “Utilidade Pública”, visando ali construir o Complexo Administrativo da Prefeitura de Santana, e devolvendo o valor pago para o arrematante. Porém, o caso continua desde então sob júdice.
Mas sabemos que, mesmo diante dessas dificuldades enfrentadas, na qual obrigaram o clube a se afastar dos grandes campeonatos desde 2004, sua recente diretoria procurou estabilizá-la, vindo a retornar aos grandes jogos profissionais em 2007.

Parabéns pelos seus 50 anos de existência, Independente Esporte Clube!

(*) Editor do blog Memorial Santanense

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dona Clemência Zagury: Direitos iguais para todos

Dona Clemência Zagury, que na verdade se chamava Piedade Assayag, era filha de imigrantes marroquinos de origem judáica, cuja família era radicada em Parintins / Amazonas, onde ela nasceu em 18 de agosto de 1918.
Clemência sempre contava para a filha Sarah, que uma cigana havia dito para ela, que em uma viagem a Belém, dentro de um bonde, conheceria um homem que trabalhava com ouro e que este seria seu amor para toda a vida. Assim Isaac e Clemência se casaram, contra a vontade da família dela, e fixaram residência no então Território Federal do Amapá, estabelecendo intensa relação com a cidade.
Clemência prezava a relação com as pessoas simples da cidade de Macapá; dizia sempre aos filhos da importância de se relacionarem com pobres e ricos, brancos, caboclos e negros. Durante sua vida agregou inúmeras pessoas em sua casa entre elas Orlandina Banha, Helena Bermerguy, Regina Alice e Ruth Léa (filhas de Domingas). Ela costumava comentar que os pobres eram os melhores compradores de sua loja e que ricos e pobres, brancos e negros tinham que ter o mesmo tratamento. E como tinha grande freguesia acabou transformando a Casa Leão do Norte em uma pequena loja de departamentos. Seus negócios eram estabelecidos através de conversa e anotados em um caderno, sem burocracia, valendo apenas a palavra com a qual era dado o crédito. Clemência era amiga de suas funcionárias entre elas Cesarina(irmã da Maria dos Anjos), Dorica, Sarah Alcântara (mãe do Edson Alcântara).
Isaac e Clemência tinham muita preocupação que os filhos estudassem pois não desejavam que os mesmos trabalhassem em comércio, o que eles consideravam uma vida muito dura.  Quando os filhos cresceram Clemência optou para que estudassem fora de Macapá no entanto  Isaac  desejava que os mesmos permanecessem na cidade. Assim com muito trabalho Isaac e Clemência formaram os filhos, Leão em medicina, Abraham em engenharia, Sarah em pedagogia e Alice em história.
Após o falecimento de Isaac, Clemência saiu da sociedade da família Zagury e fixou residência no Rio de Janeiro, onde faleceu em julho 1982, aos 64 anos.  Ela também está sepultada na Cidade Maravilhosa.
Fonte: Informações e fotos de seus filhos Ibraham e Sarah Zagury (via e-mail) direto do Rio de Janeiro, especialmente para o Porta-Retrato.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Pioneiro Isaac Jayme Zagury

O pioneiro  Isaac Jaime Zagury, era um dos 9 filhos do casal  Capitão Leão Zagury e Dona Sarah Roffe Zagury. Sete deles nasceram em Macapá.
Dessa união nasceram ainda, Esther, José, Eliezer, Syme, Meryan, Abraão, Moisés e Ana.
Isaac  nasceu em Macapá, em 11 de agosto de 1914, quando o Amapá ainda pertencia ao Estado do Pará. A região foi desmembrada do Estado do Pará pelo Decreto-lei n° 5.812, de 13 de setembro de 1943, constituindo o Território Federal do Amapá.
Isaac era o filho que amava Macapá;  o frescor do rio Amazonas;  sentar à porta da casa para conversar com quem passava. E foi assim que Isaac viu a cidade de Macapá nascer e se desenvolver, sempre se referindo à mesma como "terra promissora e o melhor lugar para se viver".
Dona Sarah e seus filhos fundaram a primeira empresa legalizada da cidade, a Casa Leão do Norte, que vendia  de um tudo, presentes, sabonetes, tecidos e mercearia. Isaac tinha espírito empreendedor e junto com o irmão Moysés, deram continuidade  ao trabalho dos pais, como comerciantes na cidade, levando para a mesma, empresas tais quais a Cruzeiro do Sul, depois VARIG; os automóveis WILLYS Overland, a Sapataria Predileta, a Texaco, a Drogaria, a sorveteria Central e o Flip Guaraná que Isaac fazia com o coração.
Entre suas inúmeras atividades na cidade, Isaac exerceu o cargo de Juíz de Paz e foi grande incentivador dos esportes e das atividades populares.
(Foto: Reprodução / acervo Família Zagury)
Casou-se com Clemência cujo verdadeiro nome era Piedade Assayag. Isaac e Clemência tiveram quatro filhos: Leão (médico), Abraham(engenheiro), Sarah(Pedagoga) e Alice(História).
Isaac dedicou-se intensamente à fabricação do Flip Guaraná, em um barracão de madeira aos fundos da casa em que vivia.
 



Seu fiel amigo Casemiro, filho de escravos, era quem com ele dividia todos os momentos de gloria e de dificuldades  do Flip Guaraná.  Casemiro foi o seu melhor amigo toda a vida.
 
De todos os que trabalhavam na fábrica a funcionária e amiga Leila era a pessoa que sabia fazer a fórmula do guaraná e responsável junto com Isaac pela fabricação do xarope.
Dona Leila (foto) - com quase 90 anos -  mas lúcida, vive com as filhas, em Macapá.
Deve-se ressaltar que grande parte dos funcionários do Flip era de origem humilde negra, moradores do bairro do Laguinho. Naquela época não havia grandes oportunidades de trabalho  para os negros. Isaac tinha todos os seus funcionários legalizados considerando que as leis trabalhistas eram um ganho para o povo e que ele entendia que no futuro todos precisariam de uma aposentadoria.
Isaac Jayme  Zagury faleceu em 01 de maio de 1971, aos 57 anos de idade, no Rio de Janeiro, onde também foi sepultado. 
Foi um dos honrados homens que amaram o Amapá.
Fonte: Informações e fotos de seus filhos Ibraham e Sarah Zagury (via e-mail) direto do Rio de Janeiro, especialmente  para o Porta-Retrato.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Antigos Bancários do Amapá

( Foto: Contribuição do amigos Asdrúbal Andrade  e Deuzuite Ardasse )
Nesta foto sem data definida, vemos funcionários do Banco do Brasil, em frente à antiga sede da instituição, na Av. Coronel Coriolano Jucá, esquina da Rua Cândido Mendes, ao lado da Residência Governamental e próximo à Praça Barão do Rio Branco.
Da esquerda para a direita estão: Paulo Armando,  Anaice , Jonas,  ? ,Uchôa, Benedito Sá, Kzan,  Derossy,  Pedrinho, Adelman, Mota, Adilson Araújo  e  Antonio Carlos Brito Lima.                               
As interrogações indicam os espaços para os nomes que não conseguiram ser identificados.
Se alguém souber o nome dos não identificados, por favor nos informe via e-mail - jolasil@gmail.com - ou deixe registrado nos comentários.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Pioneiro Abdallah Houat

(Foto: Reprodução de arquivo)
Abdallah Houat, Libanês, nascido a 26 de novembro de 1925, chegou a Macapá no ano de 1949, dedicando-se ao comércio em sociedade com seu irmão Stephan Houat. Sua atividade foi intensa, participando de todos os eventos esportivos, sociais e políticos e destacou-se na presidência do Esporte Clube Macapá, conquistando os títulos de campeão de futebol, basquete e natação. Filiou-se ao Rotary Clube de Macapá, chegando à Presidência da entidade. Liderou o movimento de fundação da Companhia Amapaense de Telefones - CAT, sendo eleito Diretor Financeiro e, posteriormente, como Presidente instalou os primeiros 300 telefones em Macapá.
Cidadão trabalhador, sério e disciplinado, mereceu o respeito e a admiração dos amapaenses, principalmente após a sua naturalização como brasileiro, sendo chamado para presidir a "Junta Comercial do Amapá"-JUCAP; o Clube de Diretores Lojistas; a Associação Comercial; o Diretório do Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB; a Cooperativa de Habitação do Amapá e, por último, a Superintendência da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana. Foi sempre procurado pelos governantes que passaram pelo Amapá, para dar sua opinião nos assuntos polêmicos, dada a sua franqueza e seriedade. Participou da construção da sede do Esporte Clube Macapá, do Trem Desportivo Clube, da Igreja Nossa Senhora da Conceição no Bairro do Trem, da Capela de Santo Antônio e da Associação Comercial e Industrial do Amapá -ACIA. Um enfarto tirou a vida do Abdallah no dia 9 de julho de 1994, quando se deitou na rede para assistir, pela televisão ao jogo entre o Brasil e a Holanda, cujo palpite era de 2x1 para o Brasil, deixando estupefatos e em lágrimas pela perda de seu ente querido a sua esposa D. Doralice, seus filhos Jean Alex, Jean Roberto, Jane, Jeanette e Lea, inúmeros comerciantes, desportistas e amigos que lamentaram profundamente a perda de um grande lider.
Fonte: Do Livro "Personagens Ilustres do Amapá, vol. I, Edição de 1997.
Links relacionados:
Pioneiros Ilustres do Amapá
Irmãos Houat: Pioneiros do Comércio de Macapá
Amigos pioneiros

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Especial: Largo dos Inocentes

Por Nilson Montoril (*)
O estacionamento construído no centro do Largo dos Inocentes, com uma calçada central e as duas pistas que a ladeiam existe há pouco tempo. Na área funciona a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, alguns estabelecimentos comerciais e residências. Comentários que circulam nos noticiários policiais afirmam que ali esta surgindo uma "cracolândia". Os consumidores de drogas estariam sendo atraidos por um bar que também possui quartos para aluguel. Se o Largo dos Inocentes tivesse sido tombado como sitio patrominial sua utilização mudaria completamente.
O Largo dos Inocentes consta na planta da Vila de Macapá traçada em 1761. As casas dos moradores deveriam ser construídas nas suas duas laterais, após a Igreja de São José. A largura do logradouro correspondia ao trecho ocupado pelo templo e pelas duas travessas que o separavam da Casa Paroquial e do Senado da Câmara, respectivamente a Travessa de Santo Antônio e a Travessa do Espírito Santo. No ponto de fundo do largo, paralelo a igreja, ficava a última via pública da vila, que ostentava o nome do fundador de Belém do Pará, Capitão Francisco Caldeira Castelo Branco. Uma passagem, denominada anos mais tarde de Coronel José Serafim Gomes Coelho interligava o Largo dos Inocentes com a Rua General Gurjão e a Brás de Aguiar (Avenida Coriolano Finéas Jucá), cortando a Travessa Floriano Peixoto (Avenida Presidente Getúlio Vargas). Ao lado esquerdo da Igreja de São José o espaço abrigaria a casa do vigário Miguel Ângelo de Moraes. No lado oposto foi construído o prédio do Senado da Câmara (atual Biblioteca Pública Elcy Lacerda). As casas que circundavam o Largo dos Inocentes tinham paredes de barro (taipa de mão), assentadas em traçados de varas de taboca (bambu), atracadas a esteios de aquariquara. Não havia espaço entre uma casa e outra. De cada lado figuravam aproximadamente 15 casas. Ao longo da existência de Macapá, inúmeras famílias ocuparam as moradias. Em anos mais recentes, que antecederam a criação do Território do Amapá, famílias tradicionais ali se estabeleceram, entre elas: os Lino da Silva, os Tavares do Carmo, os Tavares de Almeida, os Serra e Silva, os Lino Ramos, os Tavares Gaia, os Lemos da Silva, os Mariano Picanço, os Gaias, os Praxedes de Mendonça, etc. O Largo dos Inocentes tinha então a maior concentração populacional de Macapá e as famílias mais numerosas, por isto dizia-se que o local parecia um formigueiro humano.
Em 1948, com a chegada dos Padres Italianos, a configuração do Largo dos Inocentes mudou. O trecho da Travessa José Serafim Gomes Coelho, entre o Largo e a Avenida Presidente Vargas (ex-Travessa Floriano Peixoto) foi fechado devido a ampliação da área que o Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras – PIME, que congrega padres italianos e ainda permanece entre nós, precisou para instalar o Oratório Festivo e Recreativo São Luiz. As casas edificadas entre a passagem e a casa do vigário foram desapropriadas. O domínio dos Padres ganhou cerca e virou “Quintal dos Padres”, local muito frequentado pelas crianças da Paróquia de São José, inclusive por mim. Na área conquistada foram construídos: O Salão Paroquial Pio XII, a quadra polivalente de vôlei, basquete e futebol-de-salão, a Escola Paroquial São José, a sede da Juventude Operária Católica (JOC), a sede do Grupo de Escoteiros Católicos São Jorge, o Pensionato São José, a sede do Juventus Esporte Clube e o Cine Teatro João XXIII. No Salão Paroquial era celebrada a Santa Missa de Domingo, encenadas as peças teatrais dos meninos e das meninas e as exibições cinematográficas em máquinas de 16 milímetros. Depois da missa, os moleques ruins de bola jogavam futebol no Largo dos Inocentes, a despeito do solo ser duro e repleto de piçarra.
Na presente fotografia, tirada provavelmente num final de semana ou feriado não vemos veiculos estacionados nos espaços que lhes são reservados. O cenário está um pouco diferente na atualidade, persistindo os problemas causados por "biriteiros" e possiveis consumidores de substâncias tóxicas prejudiciais à saúde. O Oratório Festivo não existe mais. O Pensionato São José, prédio de quatro pavimentos à esquerda da foto, passa por reformas e terá outra destinação.
O Largo dos Inocentes tem este nome por causa da Rua dos Inocentes que ligava a Rua do Lago (General Gurjão) e a atual Coriolano Jucá, que já teve a denominação de Braz de Aguiar e se estendia desde a Vila Santa Ingrácia até estradinha que dava acesso ao “campo de pouso de aviões” da cidade. Curioso é que, até hoje, alguns macapaenses não dizem aeroporto, mas areoporto. No Largo dos Inocentes eram realizadas as festas em louvor a Nossa Senhora Menina, ao Menino Jesus e aos pequenos Mártires Inocentes do início do cristianismo. Os festejos destinados a São Raimundo Nonato, São Luíz Gonzaga, São Benedito, São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário aconteciam no interior da igreja. A parte litúrgica em louvor ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade também. Porém, desde o tempo em que o Padre Júlio Maria Lombaerd foi Vigário da Paróquia de São José, a parte profana ocorria no Largo de São João e foliões embriagados já não tinham acesso ao interior da igreja dançando e conduzindo as bandeiras das duas divindades patronas do folguedo. Bem definido pelo aludido sacerdote, com a aceitação dos católicos praticantes, o evento ganhou o título de Festa das Coroas, desdobrada em duas quadras: Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade. Os festeiros e os foliões do chamado Marabaixo não dispensavam costumeiras visitas ao Largo dos Inocentes, principalmente no período em que faziam o recolhimento dos donativos. Ainda assim, tinham que prestar contas ao Padre Júlio, afinal de contas não é ético e moral alguém colocar santo em esmola e se apropriar do dinheiro e bens arrecadados. O local já abrigou o Arraial de São José e Feira dos Agricultores.
Nos dias atuais, o Largo dos Inocentes está muito descaracterizado, mas continua a mexer com a imaginação de muita gente. Há até quem diga que naquele espaço existiu um cemitério. Outros dizem que era um cemitério só de crianças não batizadas, daí a termo inocente. Não me consta que no catolicismo as crianças perdem a inocência depois do batismo, já que o sacramento instituído por João Batista lhes é ministrado em tenra idade. No período em que presidi o Conselho Estadual de Cultura (2004 a 2010), foi gerado um processo visando o tombamento do Largo dos Inocentes, pelo seu valor histórico e etnográfico. Os governantes não lhe deram a atenção devida.
Fonte: Blog Arambaé - de Nilson Montoril

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Memória do Esporte

Foto de 1967 - Torneio em homenagem ao desportista Pedro Bala foi vencido pelo Municipal Esporte Clube, que recebe o troféu oferecido por Icomi Notícias ao vencedor da competição. Local: Estádio Augusto Antunes, em Santana. Aparecem na foto desportistas Stephan Houat(esq); Jacaré, (zagueiro do Municipal Esporte Clube e irmão do Heitor cadeirante que trabalhou no Estádio Municipal "Glycério Marques");atleta Marco Antônio (ao fundo, por sobre o ombro esquerdo do Jacaré); juiz de futebol Expedito Pinheiro dos Santos (com o antigo uniforme da Federação Amapaense de Futebol - de preto); o atleta Rosa (por sobre o ombro esquerdo do Expedito); o desportista Otávio Nery, atleta Pennafort (Macaco) ex-Juventus Esporte Clube) e Dr. Corinto Silva (à dir.) entregando a taça da competição. Por favor me ajudem a completar a legenda nos comentários.
Nosso leitor e colaborador Emanoel Jordânio, que se diz “amapaense de coração”, e reside na cidade portuária de Santana,  descreve detalhes da entrega do Troféu PEDRO BALA:
Ele conta queo evento aconteceu no dia 10 de Outubro de 1967, em jogo de futebol realizado no estádio "Augustão", em Santana, na final do Quadrangular denominado PEDRO BALA, que encerrou com entrega de diversos prêmios e medalhas de condecoração esportiva."
"Para quem não sabe, Pedro de Oliveira Gomes (PEDRO BALA) foi um talentoso jogador do Santana Clube, funcionário exemplar da ICOMI e bastante conhecido pelos moradores das Vilas Amazonas e Vila Maia."
"Infelizmente perdeu sua vida em acidente automobilístico na tarde do dia 23 de dezembro de 1962, na Rodovia Macapá-Santana (atual Rodovia Duca Serra), na curva do km-13, próximo dos trilhos da ferrovia. Segundo depoimento do Sr. Hélio dos Santos (73 anos), funcionário aposentado da ICOMI, na qual chegou a ser vizinho de Pedro Bala, o jogador gostava de viajar em sua motocicleta em alta velocidade e como a rodovia ainda não era asfaltada, havia chovido no mesmo dia e possivelmente isso acarretou no acidente.”
Emanoel Jordânio é editor do blog Memorial Santanense.
(Repaginado em janeiro de 2012)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Pioneiro Lourenço Borges Façanha

Se o Sr. Lourenço Façanha estivesse vivo, teria completado neste domingo 8/01, 102 anos de existência. A homenagem póstuma do blog, ao ilustre Pioneiro do Amapá.
( Foto gentilmente enviada via e-mail pelo amigo José Dias Façanha )
O pioneiro Lourenço Borges Façanha nasceu no Município de Tefé, Estado do Amazonas, no dia 8 de janeiro de 1910, filho de Virgilina Borges Façanha e Pedro Leão Batalha Façanha. Iniciou seus estudos naquela cidade, na Escola Municipal, onde concluiu o curso primário, sendo esta a sua única formação regular, apesar de ter desenvolvido estudos autodidáticos, especialmente na área da literatura, tendo, inclusive, produzido para uso caseiro uma antologia sobre a obra de Guerra Junqueira, sua grande paixão literária, ao lado de Machado de Assis. Foi para o Amapá, e atuou no Destacamento Militar de Oiapoque, na condição de cabo do Exército, em janeiro do ano de 1939, onde permaneceu até fevereiro de 1940, quando deu baixa para trabalhar na casa de comércio do seu amigo e compadre Faeck Koury, localizada na então Casa dos Padres, na antiga Praça da Matriz, hoje Praça Veiga Cabral. Além de comercializar os produtos remetidos por Faeck, Façanha e sua Jovem esposa, Diva Dias  Façanha, forneciam alimentação para os padres que aqui atuavam, inclusive para aqueles que chegavam do Seminário de Santana. Essa primeira fase permaneceu em Macapá de 1940 até o início de 1944, espaço de tempo suficiente para conquistar a amizade de muitos moradores da cidade, inclusive do Prefeito major Eliézer Levy, dos comerciantes e das principais famílias, retornando a Belém do Pará. Para sua surpresa, o major Eliézer Levy propôs que voltasse a Macapá para tomar conta da casa "O Estado Novo", a partir de junho de 1944, na qual trabalhou por mais de cinco anos. Depois comprou esse estabelecimento comercial, em sociedade com o sr. Jayme Hamar. Jovem, inteligente, possuidor do dom da palavra, constantemente era convidado para discursar em todas as solenidades políticas e sociais, e a fluência de suas palavras sempre comovia as plateias. Com a transformação daquela unidade paraense no Território Federal  do Amapá, Façanha foi escolhido para saudar o primeiro Governador, Janary Gentil Nunes, no ato de sua posse, cujo discurso foi publicado no jornal ''A Província do Pará" . A vida de Lourenço Façanha foi intensa, participando de todos os grandes eventos da época, entre os quais se destacam a fundação do Panair Esporte Clube, no dia 7 de setembro de 1940 e que, posteriormente, em 18 de julho de 1944, foi transformado em Esporte Clube Macapá; a fundação do Amapá Clube, pelos senhores Zoilo Córdova, João Vieira de Assis(Elite Bar), Meton Jucá, Manoel Eudóxio Pereira· o "Pitaíca", Francisco Severo de Souza, o Assis, Francisco Serrano, entre outros, todos seus amigos; a fundação da Associação Comercial e Agrícola do Amapá, escolhido Secretário durante a administração do 1º Presidente Dr. Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque.
Foi fundador do Rotary Clube de Macapá, da Cooperativa Agrícola de Macapá, do Clube de Saúde, etc. Teve intensa atuação na vida católica de Macapá, participando da Congregação do Marianos, da Sociedade São Vicente de Paula, etc. Foi Prefeito do Município do Amapá, nomeado pelo então Governador Janary Nunes, no período de 1954 a 1957. Foi funcionário público, exercendo vánas funções comissionadas, sempre na Divisão de Obras. Instalou em Macapá o escritório da SICAM - Sociedade de Defesa dos Direitos dos Autores Musicais.
( Foto gentilmente enviada via e-mail pelo amigo Amiraldo Bezerra )
Nas imagens a partir da esquerda, vemos: José Façanha, Celso Façanha, Dona Diva, Luís Guilherme, Sr. Lourenço Façanha e Maria de Lourdes.

Do seu casamento com dona Diva teve quatro filhos(foto acima): a Professora e Bibliotecária Maria de Lourdes Dias Façanha, o Engenheiro Agrônomo José Dias Façanha, o Engenheiro de Minas e Metalurgia Antônio Celso Dias Façanha e o Engenheiro Florestal Luís Guilherme Dias Façanha. Lourenço Façanha morreu em 21 de março de 1973, vítima de infarto cardíaco, depois de longa enfermidade, em consequência de dois (AVC’s) acidentes vasculares cerebrais. Os amapaenses perderam um grande desportista, um orador de primeira linha, um político inteligente e, acima de tudo, um homem íntegro. Foi um dos personagens importantes do Amapá.
Fonte: Do Livro "Personagens Ilustres do Amapá", vol. I, de Coaracy Sobreira Barbosa, Edição de 1997.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Jovens amapaenses

( Foto: Reoprodução do blog Canto da Amazônia )
Neste registro fotográfico de 1970 - encontrado no blog Canto da Amazônia - vemos 3 jovens amapaenses: Azolfo Gemaque, Paulo Gurgel e Deise Gemaque, irmã de Azolfo.
Fonte: blog Canto da Amazônia

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Padre Vitório Galliani

( Foto: Reprodução de livro )
Padre Vitório Galliani, nasceu no dia 13 de março de 1928, na cidade de Biassonno, Milano. Ingressou no PIME - Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, recebendo as ordens sacerdotais no ano de 1946. Começou as atividades religiosas na Itália e, em 25 de junho de 1948, chegou a Macapá, juntando-se aos outros sacerdotes do PIME, desenvolvendo atividades na educação espiritual da população amapaense. Em 30 de março de 1950, foi designado Vigário Paroquial no Município de Oiapoque, destacando-se pelo relacionamento mantido com as tribos indígenas da região; regressou de Oiapoque para assumir as funções de Coadjutor na paróquia de São José; a 19 de fevereiro de 1957 foi nomeado Vigário da Paróquia de São José; em 18 de janeiro de 1961 assumiu o cargo de Vigário da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Santana, também se destacando na missão sacerdotal exatamente na época da chegada de trabalhadores de todas as classes sociais para trabalhar na ICOMI, empresa exploradora de minério de manganês em Serra do Navio. O padre Vitório adoeceu, viajando para a Itália, em tratamento de saúde, em 2 setembro de 1972.
Retornou a Macapá, em maio de 1973, sendo designado para a função de Coadjutor na vila de Serra do Navio; exerceu o cargo de Vigário-Geral da Prelazia de Macapá do ano de 1978 ao ano de 1982; Vigário da Paróquia Jesus de Nazaré no período de abril de 1974 a janeiro de 1980; em 25 de janeiro de 1980 foi nomeado Vigário da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima onde ficou até 21 de janeiro de 1983, exercendo a função de Capelão do Hospital Geral de Macapá até a sua morte repentina no dia 24 de abril de 1983. Foi mais um dos evangelizadores ilustres, que participou da construção do Estado do Amapá.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá" de Coaracy Barbosa, Vol. II - edição de 1998.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Contagem regressiva para o lançamento de...

"Pétalas sobre Macapá"
2º livro de Amiraldo Bezerra.
( Foto: Reprodução do livro / cortesia do autor )
O poéta, contista e escritor Amiraldo Bezerra – autor de "A MARGEM ESQUERDA DO AMAZONAS-MACAPÁ" - já está com seu segundo livro, editado. Dessa feita são poemas com quase sua totalidade inspirados em Macapá e em pessoas conhecidas que se tornaram importantes na vida dele. O título "PÉTALAS SOBRE MACAPÁ". Saí primeiro em edição especial de 1000 exemplares homenageando a passagem dos 254 anos de fundação da cidade de Macapá que transcorrerá em 04 de fevereiro 2012. O lançamento, em Macapá, será dia 03.02.2012, na véspera do aniversário da cidade, no espaço cultural Raízes do Amapá (Ceará da Cuíca), muito conhecido por lá. Somente após esse evento é que serão iniciadas as vendas.

Grupo Pilão, 37 anos de música


Foto do Grupo Pilão se apresentando no II FUMAP – Festival Universitário de Música do Amapá, em 1980.
Desde 1975, quando surgiu no III Festival Amapaense da Canção – FAC, realizado no auditório da Rádio Difusora de Macapá, o Grupo Pilão iniciou um percurso de valorização e divulgação da música local que influenciou diretamente na criação da identidade musical do Estado.
Naquele dia 23 de setembro de 1975, o Grupo Pilão nascia envolvido em polêmica, se apresentando ao público amapaense usando um pilão como instrumento de percussão na música “Geofobia”, que foi a canção preferida do público, porém ela foi ignorada pelo júri do Festival e desqualificada gerando forte matéria jornalística sob o título “Festival terminou com vaias ao júri caduco e alienado” (Jornal do Povo, Ano I, nº 82, de 27.09.75).
( Foto: Reprodução do blog Canto da Amazônia" )
                         Bi Trindade, Fernando Canto, Orivaldo Azevedo, Marilene,
Azevedo, Juvenal Canto, Leonardo Trindade e Eduardo Canto
Após 37 anos o Grupo Pilão já realizou inúmeros shows, gravou três discos e divulgou a cultura amapaense no Brasil e no exterior. Hoje, poucos se lembram das músicas ganhadoras do histórico III FAC, no entanto “Geofobia”, que compõe o CD “Na Maré dos Tempos” de 1996, faz parte do imaginário musical amapaense.
( Foto: Reprodução do blog "Canto da Amazônia" )
Fundado por Fernando Canto, Bi Trindade e Juvenal Canto, atualmente o Grupo Pilão conta também com os músicos, Orivaldo Azevedo, Eduardo Canto e Leonardo Trindade. Com esta formação o grupo se mantém desde 1996.
A maioria das letras das músicas gravadas pelo Grupo Pilão é de autoria de Fernando Canto. Outros compositores como Bi Trindade, Eduardo Canto, Sílvio Leopoldo e Manoel Cordeiro têm músicas gravadas nos três CDs que compõem a discografia do Grupo.
É importante frisar a presença do maestro Manoel Cordeiro, responsável pelos arranjos superatuais e pela direção musical dos 3 CD’s que compõem a discografia do Pilão. Cordeiro, com sua vasta experiência em gravação de CD’s, deixa um legado instrumental empático que torna as músicas mais ricas.
A ideia do Grupo sempre foi a de valorização da cultura local e popular em todas as suas manifestações e algumas trazem um teor ideológico de natureza política que reflete a preocupação de seus componentes com os diversos momentos da ocupação amazônica e as transformações econômicas, ambientais e sociais que o Estado do Amapá enfrentou. Um exemplo disto são as canções “Pedra Negra” (Fernando Canto) sobre a exploração do manganês na Serra do Navio e Tumuc-Humac (Fernando Canto) sobre a preservação do meio ambiente.
Já a canção “Quando o Pau Quebrar” (Fernando Canto), participou em1974 do festival do SESC e TV Itacolomi em Belo Horizonte-MG e ficou em 2º lugar, simbolicamente é um desejo de luta contra a opressão que naquele momento histórico (1974) era representada pelo regime ditatorial dos militares. No contexto histórico estavam a Guerrilha do Araguaia e o episódio do “Engasga-Engasga” em Macapá, no qual ele foi envolvido e detido para interrogatório no quartel do Exército. A música também é uma expressão de raiva e esperança do compositor.
Todavia, a grande contribuição do Grupo Pilão para a música amapaense foi, certamente, a pesquisa de ritmos do folclore amazônico, como os do Marabaixo e do Batuque, de origem africana; do Coatá e das Folias ritualísticas que permitiu a realização do mapeamento musical do Estado do Amapá, bem como a difusão da cultura original de cada uma dessas manifestações.
( Foto: Reprodução do blog "Canto da Amazônia" )
Leonardo Trindade, Manoel Cordeiro, Bi Trindade, Fernando Canto, Juvenal Canto e Orivaldo Azevedo (sentado).
Tendo sobrevivido por mais de três décadas lutando bravamente em prol da música do Amapá, sua base de componentes continua a mesma juntamente com as ideias de valorização de nossas coisas, através da pesquisa e da preservação dos valores mais autênticos da cultura amapaense.
Adaptação do texto de André Mont'Alverne reproduzido do blog "Canto da Amazônia", de Fernando Canto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Do Fundo do Baú do Nilson Montoril

O historiador, professor, radialista e blogueiro Nilson Montoril, publicou em seu blog, matéria contando detalhes do  falecimento do Padre Júlio Maria Lombard, em 24 de dezembro de 1944. Entre as fotos que ilustram a matéria, encontramos esta relíquia de seu acervo histórico, que agora  compartilhamos com os leitores do Porta-Retrato:
(Foto extraída do blog "Nilson Montoril - Arambaé")
Trata-se de uma "cópia de foto tirada em 1916, que se encontra no livro "Padre Júlio, Sua Vida e Sua Missão". Mostra a casa que abrigou as freiras da Congregação das Filhas do Sagrado Coração Imaculado de Maria, em Macapá. A sede da congregação era o prédio na esquina da Rua São José com a atual Avenida Presidente Vargas. Depois que as freiras deixaram a cidade o imóvel abrigou a "Casa do Povo" de Manoel Eudóxio Pereira, o Pitaíca, o Escritório de Contabilidade de João Wilson Carvalho e parte da Divisão de Segurança e Guarda, na fase Território do Amapá. As duas mangueiras frondososa no primeiro plano foram retiradas em 1970, na gestão do Governador do Território do Amapá, Ivanhoé Gonçalves Martins." (Nilson Montoril)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Pioneiro Manoel Tavares Pinheiro

(Foto: Reprodução de livro)
Manoel Tavares Pinheiro, nasceu na vila de Jurupari, Município de Afuá, Pará, no dia 1º de junho de 1924. Seus pais, Celestino Pinheiro Filho e D. Maria Nunes Pinheiro, trouxeram-no para o Amapá, no ano de 1930, com 6 anos de idade. Estudou nas escolas primárias e muito cedo acompanhava seu pai, que praticava as atividades de "regatão", percorrendo todas as localidades das ilhas do Pará, arquipélogo do Bailique e rio Jary na sua embarcação repleta de gêneros alimentícios, querosene, pregos, material para caça e pesca, miudezas e dezenas de  produtos, vendendo ou trocando por castanhas oleagenosas, peles de animais, farinha ou peixe. No ano de 1935 Celestino resolve parar com essa atividade, estabelecendo-se em Macapá, oportunidade em que Manoel Pinheiro, com 11 anos, parou para estudar enquanto ajudava o pai no comércio estabelecido na antiga "Doca da Fortaleza" . Ao chegar aos vinte anos se apresentou para o serviço milirar e foi servir em Belém, mas logo foi destacado para o serviço de transporte de suprimentos para o Oiapoque na embarcação de Exército. Ao dar baixa, viajou para Soure, Município do Pará, onde residia a sua namorada Maria José de Paula, com quem se casou e fixou residência naquela localidade. Entretanto, foi chamado por seu pai e retornou a facapá, no ano de 1953, fixando residência numa área de terra do antigo "Bairro da Favela" e abriu uma casa de comércio denominada "Duas Estrelas", imitando o nome que seu pai dera ao seu comércio na Doca da Fortaleza: "Casa Estrela". Estava só no bairro que já começava a ficar populoso e Manoel Pinheiro comercializava gêneros, ferragens, miudezas e produtos farmacêuticos. Ganhou a simpatia dos amapaenses e dos demais comerciantes, destacando-se entre esses Moisés Zagury, Otaciano, Luiz Pires da Costa, Isaac Alcolumbre, Abrahão Peres, os Irmãos Stephan e Abdallah, Francisco Serrano, seu pai Celestino, que juntos fundaram a Associação Comercial do Amapá, Clube dos Diretores Lojistas, Serviço de Proteção ao Crédito, todos se revezando na presidência e vice dessas entidades. A fundação da Junta Comercial do Arnapá aconteceu pela insistência desses comerciantes junto aos governantes. A construção da casa "Duas Estrelas" lá no alto, separada da cidade pela enseada da baixa na Doca, teve no Manoel Pinheiro, sua esposa Maria José e nos filhos que foram nascendo, Fátima, Gil, Gilberto, Ana e Conceição, a chegada de vizinhos e crescimento do Bairro da Favela. De repente Manoel adoeceu e o levaram para o Rio de Janeiro em busca de tratamento especializado e foi lá que ele sentiu a nostalgia, a tristeza e a saudade da terra' e teve a certeza que amava o Amapá, a sua família, os seus vizinhos e os seus fregueses. o inicio de fevereiro viajou para Curitiba para uma intervenção cirúrgica, mas não suportou, vindo a falecer no dia 19 de fevereiro de 1997. Seu corpo foi transladado para Macapá, onde foi sepultado. Manoel Tavares Pinheiro foi um personagem ilustre do Amapá.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá", de Coaracy Barbosa - Vol. 1 - edição 1997

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Contagem Regressiva: Falta 1 dia, apenas

Há 46 anos: D. José Maritano era nomeado Bispo Prelado de Macapá

Em 30 de dezembro de 1965.
(Foto: Reprodução de arquivo)

Giuseppe Maritano, ou simplesmente José Maritano, foi o segundo bispo prelado de Macapá e o primeiro bispo diocesano. Nasceu em Piemonte, na Itália, em 18 de março de 1915. Foi ordenado padre em 1939. Em 30 de dezembro de 1965 foi nomeado bispo prelado de Macapá,...
(Foto: Reprodução de arquivo)
... tomando posse em 19 de março de 1966(foto). Governou a Prelazia de Macapá até 14 de novembro de 1980, quando a prelazia foi transformada em Diocese, tornando-se José o primeiro bispo diocesano, até 31 de agosto de 1983.
A Lancha Amapá, chega ao trapiche Eliezer Levy, levando a bordo Dom José Maritano, em 18 de março de 1966.
No dia seguinte, ele tomou posse como segundo Bispo Prelado de Macapá.
Presentes na Lancha: Sr. Marcos Farias dos Santos (pai do Heraldo Amoras e funcionário da SUSNAVA) de camisa branca, calça cinza e de bigode; a criança com touca preta na cabeça é Haidee Amoras (irmã de Heraldo); a adolescente com chapéu preto, na frente do barco é Halda Amoras (outra irmã do Heraldo); Ao centro, com batina escura Dom José Maritano; ao lado direito dele (de batina branca) está o Padre Ângelo Biraghi e  atrás de D.José, de batina branca, óculos e chapéu o  Irmão Francisco Mazolene . As demais pessoas não foram identificadas.

(Foto: Reprodução/Arquivo Diocese de Macapá)
Ano 1966 - Dom José Maritano - 2º Bispo Prelado de Macapá - beija o solo de Macapá, por ocasião de sua chegada ao Território Federal do Amapá.
Várias autoridades civis e eclesiásticas foram recepcioná-lo.
No registro fotográfico vemos: Sr. Elfredo Távora Gonçalves (esq. de óculos), General Luiz Mendes da Silva (Governador do TFAmapá) e sua esposa Sra. Iná Mendes da Silva (vestido e óculos escuros); Cabo Alfredo Oliveira (Prefeito de Municipal de Macapá, na época);à sua frente Sr. Marcelo Cândia (construtor de importantes obras sociais no Amapá); Sr. Miracy Maurício Neves; Dom Alberto Gaudêncio Ramos - Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará; o sacerdote barbudo ao lado de D. Alberto é Dom Arcângelo Cercqua - 1º Bispo Prelado de Parintins/PA e (dir) Dom Aristides Piróvano (1º Bispo Prelado de Macapá), entre outros.

Chegou em Macapá no dia de seu aniversário (18 de março), em 1966, e nesse mesmo ano criou a paróquia de Jesus de Nazaré, desmembrando-a da de São José, São Benedito e Nossa Senhora de Fátima. Nesse mesmo ano inaugurou a então capela de Jesus de Nazaré, no bairro de mesmo nome, que deu origem à Igreja Matriz da paróquia, em 1976. Em 1968 inaugurou, em Macapá, a primeira capela de Nossa Senhora Aparecida, no Pacoval. A nova igreja, já em alvenaria, foi inaugurada por ele, mais tarde, em 1976. O Cruzeiro do santuário foi fincado em 1967. Nesse mesmo ano, em abril, inaugurava em Macapá a capela de Santa Rita, localizada no mesmo terreno do Abrigo de São José, em alvenaria, de propriedade do Governo do Amapá, e pertencente à paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
Em 03 de outubro de 1969 conseguiu, com o generalato de Roma, a fundação de mais uma comunidade religiosa feminina em Macapá: Irmãs de Nossa Senhora Menina, no Hospital São Camilo. Em 1970 reinaugurou, em Macapá, a Igreja do Perpétuo Socorro, no bairro do Perpétuo Socorro (antigo Igarapé das Mulheres), inaugurada em 1958 pelo padre Vitório Galliani.
Em 1971 inaugurou, em Macapá, na comunidade de Campina Grande, a capela de São Benedito. Em 1972 inaugurou, em Macapá, a capela de Nossa Senhora do Carmo, pertencente à paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Lagoa dos Índios.
Em 1974 inaugurou, em Macapá, a Igreja da Paróquia de São Pedro, em Alvenaria. Mas ela só foi declarada sede da paróquia em 1978. Nesse mesmo ano inaugurou a capela de Santo Antônio, na rua Odilardo Silva, no bairro Central, e um centro comunitário localizado nesse mesmo endereço, que recebeu o nome de Centro Comunitário Padre Carlos Bassanini. Em 1977 inaugurou, em Macapá, na comunidade de Ilha Redonda, Município de Macapá, a Capela de São Sebastião.
Em 23 de julho de 1978 criou, em Macapá, a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, no Buritizal, desmembrando-a da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no bairro do Trem. Em 1º de outubro criou, em Macapá, a paróquia de São Pedro, no Beirol, desmembrando-a da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Trem. Em 1979 inaugurou, em Macapá, na região da Pedreira, a capela de São Francisco das Chagas, na Casa Grande. Em 3 de junho criou, em Santana, a paróquia de Nossa Senhora de Fátima e dos santos Ambrósio e Carlos, no bairro Vila Maia.
Em 1980 reinaugurou, em Santana (Igarapé da Fortaleza), a capela de Cristo Rei, inaugurada em 1972, ainda em madeira. Ela foi construída pelo padre Francisco Usai. Nesse mesmo ano, em agosto, pede bênçãos e lança, em Macapá, a pedra fundamental de construção da Igreja da Santíssima Trindade, no bairro Nova Esperança. Em 14 de novembro, com a transformação da Prelazia de Macapá em Diocese, foi nomeado primeiro bispo diocesano, tomando posse em 5 de julho de 1981. Governou a Diocese até 31 de agosto de 1983. Em 1981 inaugurou, em Macapá, a Igreja do Divino Espírito Santo, no Buritizal, construída pelo padre Dante Bertolazzi, em 1978. Nesse mesmo ano pede bênçãos a Deus e inaugura em Macapá a capela de São João Bosco, no Buritizal, construída pelo padre Dante Bertolazzi.
Em 1982 inaugura e benze a Igreja de São Francisco, no bairro Santa Rita, em Macapá. A construção foi iniciada em novembro de 1979, sob coordenação do padre Ângelo Da Maren. Nesse mesmo ano erige a paróquia de Cristo Libertador, em São Joaquim do Pacuí, desmembrando-a da paróquia de São José, em Macapá. Em 24 de agosto de  1983, transfere-se para a Colônia Hanseniana do Prata, no Pará, para a Pastoral do Hanseniano.
Sua vida foi sempre plena de muitos serviços prestados à Igreja Católica e ao "seu povo".
Dom José Maritano, faleceu em Roma aos 77 anos, por problemas cardíacos, em 27 de dezembro de 1992.
Fonte: Coisas do Amapá – Edgar Rodrigues

(Repaginado em 30/12/2011)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...