sábado, 21 de maio de 2011

ESPECIAL: Expedito Cunha Ferro, um cidadão de muitos méritos

Chefe 91 - um grande pioneiro da implantação do Território Federal do Amapá.
Por Nilson Montoril (*)
(Foto: Reprodução de livro) 
A exemplo de muitos dos seus contemporâneos, Expedito Cunha Ferro não foi apenas um simples servidor público. Franzino e de estatura mediana, enveredou pelos caminhos do escotismo, do esporte e das artes cênicas, contribuindo para a formação moral e intelectual de centenas de garotos e adolescentes. Expedito Cunha Ferro, nascido em Belém no dia 9 de março de 1927, mudou-se para Macapá em 1945, para trabalhar, jogar futebol e difundir o escotismo. Fez parte do primeiro grupo de escoteiros da Tropa Veiga Cabral, que era dirigida pelo Tenente Glicério de Souza Marques. A queda pela doutrina de Baden-Powell começou a ganhar seu interesse ainda em Belém, nos redutos da Federação Educacional Infanto-Juvenil (FEIJ), cujo fundador e coordenador foi o então tenente do Exército Brasileiro Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão, o Chefe Castelo. No futebol, Expedito Ferro optou pela posição de goleiro, cuja denominação, à época, era “guarda-metas” ou “guarda-valas”. Dos tempos da caserna, herdou como apelido o seu número de guerra, noventa e um. Sua cabeça, em relação ao corpo, era considerada miúda, fato que lhe valeu a alcunha de “cabeça-de-macaco”, coisa que ele detestava. Possuidor de bom conhecimento de ordem unida ingressou no quadro de servidores do Território do Amapá como instrutor de educação física. Bom disciplinador tinha sempre às mãos um apito. Quando “91” ingressou na Tropa de Escoteiros Veiga Cabral, fundada dia 12 de setembro de 1945, o chefe Glicério de Souza Marques tinha como auxiliares os pioneiros Clodoaldo Carvalho do Nascimento e José Raimundo Barata, ambos egressos de Belém. Os três são apontados como elementos de proa na história da FEIJ, por onde também passou o Chefe Cláudio Carvalho do Nascimento. Em Belém, Expedido Cunha Ferro foi membro da Federação Paraense de Escotismo. A 23 de abril 1953, Expedito Cunha Ferro, Humberto Álvaro Dias Santos e o Padre Vitório Galliani fundaram a Tropa de Escoteiros Católicos São Jorge. Foi nesta organização que ingressei como lobinho. Os padres italianos, chegados à Macapá em 1948, haviam implantado o Oratório Recreativo São Luiz, na Paróquia de São José. O terreno que eles herdaram dos missionários da Congregação da Sagrada Família foi ampliado, permitindo a construção de um barracão de madeira e de uma quadra esportiva para a prática de basquete, voleibol e futebol-de-salão. Na área de recreação, mais conhecida como quintal dos padres, havia uma pequena casa de madeira, coberta de palha de ubuçu, onde o Chefe “91” residia. Nosso saudoso amigo era um celibatário convicto. Ainda em 23 de junho de 1953, graças à criatividade do Expedito Ferro, os escoteiros apresentaram o “Cordão do Papagaio”, que ele tão bem conhecia desde o tempo em que participou das atividades da Federação Educacional Infanto-Juvenil (FEIJ), em Belém. Também foi da sua iniciativa a encenação do Boi-BumbáPai-da-Malhada”, bastante divertido. Vários outros cordões juninos mereceram destaque com o passar do tempo, todos concebidos pelos chefes Humberto Santos e Expedito Cunha Ferro. Como professor de educação física, 91 foi imbatível na Escola Industrial de Macapá. Por ocasião dos desfiles estudantis e das olimpíadas, a turma que ele treinava fazia sucesso. Além do futebol, Expedito Ferro também praticou o basquete e o vôlei. Quando deixou de jogá-los, assumiu a função de árbitro. O drama de arbitrar jogos do Juventus trouxe alguns contratempos ao Expedito. Entretanto, sua parcialidade merece encômios e ninguém, em sã consciência, pode acusá-lo de ter, voluntariamente, prejudicado ou favorecido o “Moleque Travesso” ou qualquer outro clube local. Torcia pelo Botafogo de Futebol e Regatas, daí a sua preferência pelo Amapá Clube. Dentre os times de futebol de Belém, o Clube do Remo tinha cadeira cativa no coração do fanático Expedito. Do tipo brincalhão, o 91 só ficava possesso quando alguém o chamava de “cabeça-de-macaco”. Guardadas as devidas reservas, o cocuruto do Expedito Ferro era mesmo parecido, notadamente com o Caiarara, o mais esperto dos símios amazônicos. Para animar as manhãs de domingos, quando eram realizados os jogos do campeonato oratoriano, o 91 fazia uso de amplificador, alto-falante e microfones para narrar as partidas. Criou a PRC Juvenil - a voz oratoriana, por onde o Estácio Vidal Picanço e eu iniciamos como narradores esportivos. Na década de 1940, ninguém conseguia sobrepujar Raimundo Nonato Lima, o velho chibé na  arbitragem futebolística. A partir dos meados de 1950, o árbitro mais requisitado, por ser mais técnico, foi o 91. Quando o sujeito apelava para o jogo violento, ouvia, em tom de reprimenda: “joga direito seu cavalo de arraial, senão eu te expulso de campo”. Em 1945, a escalação do Amapá Clube mais freqüente era: 91; Cabral e Branco. Palito, Raimundinho e Álvaro Arara; Assis, Chumbo, Penha, Puga e Walter Nery. Ele também atuou ao lado de outros companheiros nos anos seguintes, entre os quais destacamos: Alvibar, Pina, Higino, Nilo, Pena, Newton, Passarinho, Pintor, Genésio, Moringueira, Mafra, Marituba, Zé Maria Leão, Zé Maria Chaves, Campos, Joãozinho, Adãozinho e Boró. Quem não formava na onzena principal, integrava o Uirapurú, o time secundário do alvinegro amapaense. Detalhe para o Penha, que jogava de óculos. De todos eles, apenas o Walter Nery permanece em Macapá. O Raimundinho Araújo, o Pina e o Assis (Severo) residem em Belém. Os demais estão em outro plano. O Expedito Cunha Ferro partiu. O dia três de agosto de 2004 marcou a sua cortada. Há três dias, em decorrência da morte de uma sobrinha que ele adorava e que o assistia, caiu em profunda depressão. No decorrer deste período não quis se alimentar, permanecendo trancado no quarto. Morava só na Base Aérea de Belem. Quando decidiram arrombar a porta, ele estava enfartado. Já não era o homem de corpo franzino, engordara e somava 77 anos de idade. Com ele, foram para a eternidade: o 91, o cabeça-de-macaco, o bobo da corte, o folclorista, o chefe escoteiro, o instrutor de educação física, o desportista e o amigo. Enquanto esteve no mundo dos vivos, 91 sempre honrou a saudação escoteira: “Sempre Alerta, Para Servir na Forma do Melhor Possível”. Anrrê, Expedito Cunha Ferro, que agora contempla outro arrebol. Tinha razão o Padre Lino Simonelli ao afirmar que "a vida é curta como a folha do mastruz".
(*) Historiador, professor e radialista amapaense, via e-mail.
(Artigo publicado, originalmente, no Jornal Diário do Amapá, edição de 6/8/2004, atualizado e adaptado especialmente para o blog Porta-Retrato)       

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ESPECIAL: JANARY NUNES E SEUS PRIMEIROS DIRETORES

Por Nilson Montoril (*)
Nomeado governador do Território Federal do Amapá a 27 de dezembro de 1943, com posse no Ministério da Justiça dia 29, o jovem Capitão Janary Gentil Nunes não perdeu tempo para montar sua equipe de assessores em nível de primeiro escalão. Ele sabia que a missão confiada pelo Presidente da República, Getúlio Dorneles Vargas, seria árdua e desgastante, razão pela qual precisaria de pessoas disciplinadas, éticas e experientes. A então República dos Estados Unidos do Brasil estava sob regime ditatorial iniciado em 1930 e os territórios federais tinham sido criados para marcar a presença do governo nas áreas de segurança nacional. Janary Nunes já havia servido no contingente do Exército sediado no Oiapoque, era natural da cidade de Alenquer, no Estado do Pará, e no decorrer da II Guerra Mundial comandou a Companhia Independente de Metralhadoras Antiaéreas de Val-de-Cans, em Belém. A capital do Território do Amapá, nos termos do decreto-lei nº 5.812, de 13 de setembro de 1943, que o criou, deveria ser a cidade de Amapá, palco da reação de bravos brasileiros contra a invasão dos franceses a 15 de maio de 1895. Mas, a cidade de Amapá só podia ser alcançada por via marítima e aérea, tendo como complicador o fato de estar em curso a II Guerra Mundial e parte de seu território abrigar uma base aérea construída pelos americanos. Janary Nunes requereu ao Presidente Vargas a mudança da sede para Macapá, sendo atendido no dia 31 de maio de 1944. Mesmo sem existir um ato administrativo declarando Macapá como capital da nova unidade administrativa, o Capitão-governador instalou o governo do Território do Amapá na então decadente “estância das bacabas”. No dia 25 de janeiro de 1944, viajando no avião “Veiga Cabral”, do Aéro-Clube Júlio César, de Belém, Janary Nunes e seus convidados foram recepcionados em Macapá pelo Secretário-Contador da Prefeitura, Tenente Jacy Barata Jucá. Ele  exercia temporariamente o cargo de prefeito devido à licença médica tirada pelo Major Eliezer Moisés Levy. Do campo de pouso da Panair do Brasil até o prédio da “Intendência Municipal”, os passageiros e tripulantes do avião foram transportados na carroça do senhor Pedro Lino do Carmo, sobejamente conhecido na cidade como Pedro Bolívar. A solenidade de instalação do governo contou com a presença do senhor Guilherme Lameira Bittencourt, que representou o governo do Estado do Pará. Até que outro lugar condigno fosse preparado para abrigar o gabinete do governador, Janary Nunes e seus primeiros assessores dividiram os espaços da Prefeitura de Macapá com a equipe de Jacy Jucá. A estrutura imediata de governo compreendeu uma Secretaria e sete Departamentos: Secretário Geral, advogado fazendário Raul Montero Valdez; Diretor do Departamento de Segurança Pública e Guarda Territorial, advogado e jornalista Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque; Diretor de Saúde Pública, médico Pedro Lago da Costa Borges; Diretor de Educação e Cultura, advogado e professor Otávio Machado Mendonça; Diretor de Produção e Pesquisa, Arthur de Miranda Bastos; Diretor de Viação e Obras Públicas, engenheiro Hildegardo Nunes; Diretor de Administração, contabilista Paulo Moacyr de Carvalho; Diretor de Terras, Geografia e Estatística, agrônomo Oscar Leite Brasil. Posteriormente, os departamentos foram transformados em divisões e as atividades de geografia e estatísticas ficaram como competências da Divisão de Administração. Também foi criada a Superintendência dos Serviços Industriais e nomeado para comandá-la o senhor Elói Monteiro Nunes, tio de Janary Nunes.
Na fotografia que ilustra este artigo figuram alguns dos assessores mais diretos do governador: da esquerda para a direita, em pé, de branco, Otávio Machado de Mendonça; Arthur de Miranda Bastos; Pedro Lago da Costa Barros; Tenente Teixeira (Ajudante de Ordem) e Elói Monteiro Nunes. Sentados, no mesmo sentido, Raul Montero Valdez, Janary Gentil Nunes e Paulo Moacyr de Carvalho.
Foto tirada no Gabinete Governamental, prédio do atual Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.
(*) Historiador, professor e radialista amapaense, via e-mail.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pioneira das Artes e da Educação: Niná Barreto Nakanishi

(Foto: Reprodução de livro)

Niná Barreto Nakanishi nasceu na cidade de Barcelona, Estado do Rio Grande do Norte, no dia 9 de julho de 1929, filha do comerciante Luiz Gomes Barreto e Evença Gomes Barreto.
Estudou nas escolas públicas da sua cidade. Desde jovem mostrou tendência para a escultura, manuseando o barro, criando seus bonecos; participou de cursos incentivada por sua família e ficou conhecida em Natal.
Chegou à Macapá, em 1948, instalando seu "atelier" e conseguindo alguns alunos e, logo em seguida, foi contratada pelo governo do Amapá e passou a exercer a função de Professora de Artes. O seu "atelier" passou a ser frequentado pelos turistas, e tinha sempre em estoque estatuetas, miniaturas da fortaleza de Macapá, vasos artísticos cobertos de pó de manganês e outros minérios. Promoveu um curso de cerâmica artÍstica no período de outubro de 1957 a abril de 1958; foi convidada e participou do 2.° Salão de Artes Plásticas na Universidade de Sergipe. Expôs seus trabalhos em Belém, Estado do Pará, em 1971; no Distrito Federal em 1976; na "Amostra de Artes" em Fortaleza - CE; em Brasilia nas comemorações do "Ano Internacional da Mulher" em 1976, além de sete exposições em Macapá. Participou de cinco seminários, três congressos, um estágio e dois encontros, todos versando sobre as Artes Plásticas. Tem em seu curriculum várias portarias de elogios, medalhas e diplomas de honra ao mérito e um prêmio de "Hors-Comesurs". Suas obras estão em museus ou em poder de colecionadores na Itália, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Indonésia, Portugal e noutros países.
Sua casa era revestida de pedras coloridas, com estatuetas e adornos em todos os recantos. Tinha aparência de museu, de templo, de casa de boneca ou de fada, onde o visitante sentia-se bem, não só pelo ambiente que o cercava, mas pelo tratamento que recebia da dona da casa.
Niná foi casada com Tatsuo Nakanishi de quem se desquitou.
Construiu seu patrimônio com muita luta e o administrava com inteligência.
Niná Nakanishi faleceu em Macapá, em 20 de setembro de 2003.
Niná é uma das pioneiras das artes e da educação no Amapá.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998)
(Última atualização em 16 de novembro de 2012)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pioneira do Magistério Amapaense: Raimunda da Silva Virgolino

aFoto: Reprodução/Arquivo de família)
A Pioneira Raimunda da Silva Virgolino, é natural de Belém do Pará, onde nasceu no dia 30 de agosto de 1929, filha de Joaquim Virgolino Filho e D. Almerinda da Silva Virgolino (Dona Mulata).
Estudou no Externato São José, no Grupo Escolar Coronel Sarmento na vila de Pinheiro (Icoaraci)  e na Escola Normal de Belém, diplomando-se professora normalista em 25 de dezembro de 1948 com apenas 19 anos de idade.
Chegou à Macapá, em 30 de janeiro de 1949, passando a residir na casa da professora Maria Carmelita do Carmo. Sua mãe D. Almerinda articulou com D. Anita, tia do Governador do Amapá, e conseguiu empregar sua filha Raimunda Virgolino, no Quadro de Funcionários do Governo a partir de 1º de fevereiro de 1949, lotada na Divisão de Educação na função de professora no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, onde passou a ter por colegas as professoras Raimunda Mendes Coutinho (Guita), Doroty Mendes, Graziela Reis de Souza, Clívia, Iracema Araújo e Maria Lúcia Brasil, diretora do estabelecimento.
Em 1952 foi designada para dirigir o Grupo Escolar Veiga Cabral, no Município de Amapá. Retornando para Macapá, seis meses depois, foi lecionar no Grupo Escolar Alexandre Vaz Tavares e em 1953 foi transferida para o anexo do Instituto de Educação, criado para servir de laboratório na formação de professoras. Ali as alunas-mestras faziam o estágio curricular, sob a supervisão da professora e Diretora Predicanda Amorim Lópes.
Raimunda Virgolino ficou nesse estabelecimento durante 15 anos, quando teve a oportunidade de orientar centenas de jovens. Em 1970 passou a desempenhar funções burocráticas na Divisão de Educação, assumindo a Coordenação da Comissão Municipal do Mobral dirigida pela Sra. Icília Barbosa, esposa do médico e ex-govemador Mário Medeiros Barbosa.
Em 1984 deixou o Mobral e voltou à Secretaria de Educação, passando a exercer atividades no Departamento de Assuntos Culturais; foi chefe do protocolo no IETA e atuou na Biblioteca Pública.
A professora Virgolino se aposentou dia 16 de agosto de 1988, e permaneceu no Amapá até seu falecimento em 27 de maio de 1999.
Seu corpo descança em paz no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição - (Túmulo 105), no Centro de Macapá.
(Fonte: Informações do Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998)
(Última atualização em 26/05/2011)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Pioneiro Raimundinho Araújo

(Foto: Reprodução de arquivo)
Raimundo Nonato de Araújo Filho - nasceu na cidade de Teresina, capital do Estado do Piaui, no dia 13 de julho de 1924, filho do construtor de obras Raimundo Nonato de Araújo e D. Evangelina Mesquita de Araújo.
Estudou na Escola Prática de Belém e no Colégio Amapaense, completando o terceiro grau. Membro Fundador do Grêmio Literário Rui Barbosa e Presidente da entidade.
Chegou ao Amapá, no dia 18 de outubro de 1944, com vinte  anos de idade, começando a trabalhar na função de escriturário do Quadro de Funcionários do Governo do Amapá. Adquiriu confiança dos governantes e assumiu cargos importantes de Oficial de Gabinete do Governador; Secretário particular do Deputado Federal Coaracy Gentil Nunes no Rio de Janeiro; Representante do Governo em Belém, Estado do Pará nos governos do General Luiz Mendes da Silva, José Lisboa Freire, General Ivanhoé Gonsalves Martins; Assessor Especial do governador Jorge Nova da Costa, nos anos de 1986 a 1992; administrador da residência governamental; Encarregado dos Serviços de Mordomia e Social do Palácio do Governo. Jogou futebol pelo Clube do Remo do Pará e Amapá Clube.
Fez parte da seleção amapaense de futebol. Assumiu diversos cargos no Amapá Clube, inclusive o de Presidente, construindo, com um grupo de abnegados a sede do clube, com uma boate, quadras de vôlei e basquete, bem como a casa do atleta.
Membro fundador da Associação dos Motoristas do Amapá onde foi diretor, participando da construção da sede social. Participou da política partidária, ligado ao antigo PSD (Partido Social Democrático), elegendo seus líderes.
Casou-se com a jovem Elimar Rodrigues de Araújo, filha do Tenente Euclides Rodrigues professor de natação que levou o Amapá ao título de Campeão Brasileiro Infanto Juvenil de nataçâo. Desse enlace matrimonial nasceram os filhos Elaine e Ricardo. Aposentado em 1976, Raimundinho mudou-se para Belém do Pará onde reside ao lado de sua família. 
Raimundinho Araújo, integrou a  briosa equipe de pioneiros do Amapá e se destacou como um funcionário eficiente, um atleta disciplinado, um chefe de família exemplar e um ardoroso e apaixonado construtor do Estado do Amapá.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Pioneiro e Grande Líder: Julião Tomaz Ramos

(Foto: Reprodução/Arquivo)

"Mestre Julião", como era conhecido, nasceu em Macapá, no dia 9 de janeiro de 1880, filho de Tomaz Agrávio Ramos e de D.Felícia Agrávio Ramos.
Estudou na escola primária o suficiente para ler e escrever. Julião Tomaz Ramos ainda muito jovem despontou como lider da comunidade negra do Amapá, notadamente após a criação do Território Federal do Amapá no ano de 1943. A residência de seus pais ficava entre o barranco da antiga Praça Euclides Figueiredo (localizada na parte baixa da residência governamental, em frente à cidade) - atual Jacy Barata Jucá,  e a então estreita Rua de Trás, que já foi Independência e hoje tem o nome de Benedito Uchôa. Os entendimentos do primeiro Governador com os negros foi feito através do "Mestre Julião", que na época tinha 54 anos, para a transferência dos barracos para uma área mais distante, por trás do "Poço do Mato", que denominavam "Campos do Laguinho". Houve uma reação dos negros, pelo fato de terem suas áreas de terras plantadas de árvores frutíferas e até pequenas roças, mas houve uma oferta de indenização vantajosa e o compromisso de o Governador mandar construir casas confortáveis.
Julião Tomaz Ramos era casado com D. Januária Simplício Ramos, que lhe deu 6 filhos: Felícia Amália Ramos, Alípio de Assunção Ramos, Apolinário Libório Ramos, Benedita Guilhermina Ramos e Joaquim Miguel Ramos. Foi servidor público municipal, encarregado de zelar pelo Campo de Aviação (1º aeroporto de Macapá, que situava-se no centro da cidade, área hoje ocupada pela Av. FAB). Formou, com Raimundo Ladislau, a dupla de maior expressão no rnarabaixo, tendo Raimundo como compositor e Julião como cantador.
Mestre Julião Tomaz Ramos morreu em Macapá, em 24 de junho de 1958, aos 78 anos de idade.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. I, de Coaracy Barbosa - edição 1997)
Matéria devidamente revista e atualizada em 05 de junho de 2020.

terça-feira, 10 de maio de 2011

ESPECIAL: TREM SEM TRILHOS

(Foto: Reprodução/Arquivo)
                        (*) Nilson Montoril

                Por desinformação ou por teimosia, alguns habitantes do Estado do Amapá divulgam fatos incorretos sobre nossa história. Como atualmente quase ninguém faz uso dos velhos e sábios ditos populares, é bom lembrar que “nem tudo que reluz é ouro”. O nome Trem, que designa o terceiro bairro surgido em Macapá e um tradicional clube desportivo nada tem a ver com locomotiva. A palavra trem corresponde ao conjunto de ferramentas utilizadas para a realização de determinada atividade. Com o passar do tempo, ganhou o sentido de algo feito de modo empírico e desconhecido da maioria da população, que o digam os mineiros. Por ocasião da construção da Fortaleza São José, na então vila de Macapá, os edificadores do importante monumento bélico lapidavam as pedras brutas trazidas das campinas do rio Araperu utilizando marretas, talhadeiras, compassos e outras ferramentas para moldá-las de acordo com as medidas recomendadas pelos engenheiros militares. As pedras eram trabalhadas em um grande barracão situado na área que hoje abriga residências entre a Rua Tiradentes e a Praça Floriano Peixoto. A barulhenta oficina tinha o nome de trem de lapidação. Uma vez formatadas, as pedras estavam prontas para serem assentadas nas muralhas, nas almeias e nos baluartes. O trabalho de lapidação exigia muita concentração e perseverança e era realizado em grande escala pelos escravos sob a supervisão de um auxiliar de engenharia. Basta alguém observar detalhadamente a Fortaleza para ter noção do belo trabalho desenvolvido na preparação de cada peça, notadamente nas que foram assentadas nos pontos de contorno e no frontispício do portão principal. Se os restos das pedras lapidadas não foram encontrados na área acima referida é porque tudo foi recolhido para aterrar os espaços do pátio central, dos baluartes e das almeias. As pedras foram transportadas para Macapá em barcaças pilotadas pelos índios e descarregadas perto do canteiro de obra. Daí seguiam em carros de boi até o trem de lapidação. Quando o Capitão Janary Nunes instalou o governo do Território Federal do Amapá, aqui só existia o bairro central. A partir de abril de 1944, começou a transferências de algumas famílias afro descentes que habitavam as laterais do antigo Largo de São João e áreas adjacentes, todas devidamente indenizadas, para os campos do Laguinho. Pouco depois, com o crescimento da população, espaços próximos à Fortaleza foram progressivamente ocupados até ultrapassarem a área onde existiu o trem de lapidação. O novo bairro passou a ser identificado como bairro da Fortaleza. Graças ao historiador Arthur César Ferreira Reis, despontou a idéia de identificar o bairro como Trem, que foi muito bem aceita. Há que diga que o nome é trem porque era intensão da ICOMI construir o porto de embarque de manganês no Elesbão. Consequentemente, uma estrada de ferro ligaria Macapá a Terezinha, na Serra do Navio. Pura invencionice, haja vista que a ICOMI se valeu de estudos efetivados pelo governo do Amapá sobre o Porto de Santana para construir o cais flutuante e seu trapiche. Além disso, o contrato para a construção da Estada de Ferro do Amapá só foi assinado em março de 1953 e a rodovia inaugurada em 5 de janeiro de 1957.
                Na esfera militar, durante muitos anos, quando alguém se referia ao local onde eram guardadas as armas de artilharia, balas e munições, usava o termo trem de guerra ou de artilharia. Em diversos paises o velho costume foi preservado. Recentemente, quando o Trem Desportivo Clube foi jogar contra o Náutico Capibaribe, em Recife, a crônica esportiva brasileira achou curioso o nome do nosso representante na Copa Brasil e fez gozação. A Rede Globo chegou a mostrar uma composição se deslocando sobre trilhos. O clube rubro-negro de Macapá foi fundado a 1º de Janeiro de 1947, com o pomposo nome de Trem Esporte Clube Beneficente. Com sua sede edificada no bairro onde residiam famílias com prole numerosa, recebeu o epíteto de Clube Proletário. Porém, nunca seus fundadores o chamaram de locomotiva. O Trem do bairro do Trem não é trem que corre em trilhos, como são os trens da alegria, cujos maquinistas são os políticos e seus apadrinhados de má índole.

                         (*) Historiador, professor e radialista amapaense. Via e-mail

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mais um Pioneiro: Miguel "Alagoano"

(Foto: Reprodução/Acervo da família|)

Clicar na foto para ampliá-la
(Contribuição da amiga Brenna Paula Tavares, filha de Paulão)
Década de 60 - O pioneiro José Miguel da Silva, o Alagoano, posa em frente ao seu caminhão de trabalho (viatura do governo), juntamente com seus filhos Cleide (5 anos), e Paulão (8 anos), (fazendo uma "gracinha" na foto).
José Miguel da Silva, o Alagoano, nasceu na cidade de São José da Lage, sertão do Estado de Alagoas, filho dos agricultores José Miguel Vicente e D. Maria José da Conceição.
Estudou as primeiras séries do curso primário na cidade de Maceió-AL, mas perdeu sua mãe e abandonou os estudos. Morava com seu pai e trabalhava como ajudante de mecânico nas oficinas dos seus parentes.
Foi para Macapá em 1943 e começou a trabalhar na Garagem Territorial na função de mecânico, no dia 10 de julho de 1945.
Alagoano era especialista em motores Catterpillar e dava assistência aos motores de energia elétrica dos Municípios de Mazagão, Amapá, Calçoene e Oiapoque, bem como nas vilas de Ferreira Gomes, Porto Grande, Tartarugalzinho, Clevelândia do Norte e Laranjal do Jari.
Além das atividades que exercia no governo, era procurado por centenas de proprietários de motores para repará-los.
Alagoano não parava em Macapá. Era sempre encontrado no interior, principalmente em Lourenço, na zona do garimpo, onde recuperava as bombas de sucção e recebia gramas de ouro.
Excelente motorista, fez parte da equipe de Leonel Nascimento e de Amaury Farias na construção da BR-156; passou uma temporada à disposição da Prefeitura de Amapá, levado por Leonel quando assumiu o cargo de Prefeito e lá ficou prestando serviços ao município nas gestões dos Prefeitos Júlio Miranda e Fernando Dias.
Casado com D. Raimunda do Espírito Santo Silva teve os filhos Paulo do Espírito Santo Silva, - o "Paulão do Atabaque"(falecido no ano de 1987) e Cleide.
Alagoano aposentou-se no dia 2 de outubro de 1981 e continuou na sua tarefa, trabalhando pelo interior. Conhecia e era conhecido em todo o ex-Território do Amapá, do Oiapoque ao Beiradão.
Era um descanso para Alagoano quando chegava em Macapá e se transformava em taxista, transportando passageiros aos quais contava suas aventuras, falava das belezas das regiões que visitava, dos rios encachoeirados, da fartura de peixes e caças, divulgando as belezas do Amapá.
Nada lhe acontecia de mal e a própria malária não o atacava.
Era um excelente profissional, um cidadão respeitador, um colaborador e um amigo leal.
Alagoano faleceu no dia 5 de maio de 1995 e está sepultado no cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade, em Macapá.
Essa foi a odisseia do cidadão pioneiro José Miguel da Silva, que ficou conhecido no Amapá como Alagoano.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998)
(Repaginado em 2011)

sábado, 7 de maio de 2011

Um Pioneiro das Comunicações do Amapá: Jornalista e Radialista José Maria de Barros

(Foto: Reprodução de Arquivo)
José Maria de Carvalho Barros nasceu em Belém, Estado do Pará, no dia 4 de janeiro de 1929, filho de Arthur Claudino de Barros e D. Joana de Carvalho Barros.
Fez o curso primário em Belém, no período de 1938 a 1942.
Somente no ano de 1971, depois de residir em Macapá, ingressou no Colégio Comercial do Amapá quando completou o curso ginasial no período de 1971 a 1974 e concluiu o de Técnico em Administração no ano de 1979.
Diplomou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará em 1981.
Chegou ao Amapá, no dia 10 de maio de 1952, e foi admitido no Quadro de Funcionários do Governo no dia 27 de julho do mesmo ano como Extranumerário Diarista para exercer a função de Escriturário, lotado na Secretaria Geral.
José Maria de Barros desenvolveu inúmeras atividades administrativas no Governo do Amapá.
Casou com D. Raimunda Ferreira Barros no dia 21 de fevereiro de 1950 em Belém-PA e dessa união nasceram José Arthur, Maria de Lourdes, Francisco Jorge e José Maria Filho.
Sua atuação na imprensa amapaense se destacou por sua linha de conduta séria, exercendo cargos na Imprensa Oficial, na Rádio Educadora São José onde foi o fundador e Diretor de Programação; Diretor Artístico e Locutor da Rádio Difusora de Macapá; exerceu funções de Assessor de Imprensa no governo Luiz Mendes da Silva; Redator Chefe da Rádio Equatorial; Assessor de Comunicação da Companhia de Água e Esgotos do Amapá; trabalhou nos jornais Voz Católica, Folha do Povo e outros que tiveram vida efêmera.
Desportista, foi goleiro do Amapá Clube e do Trem Desportivo Clube.
José Maria Barros aposentou-se em 1982 quando trabalhava na CAESA.
Faleceu de enfarto no dia 9 de fevereiro de 1989 e foi enterrado no cemitério de São José em Macapá.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998).

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um Pioneiro Ilustre: Capitão Leão Zagury

(Foto: Reprodução de livro)
Capitão Leão Zagury nasceu em Rabat, no Marrocos, no ano de 1864, e chegou ao Amapá, no ano de 1879, com 15 anos de idade, trazendo mercadorias dos armazéns dos seus conterrâneos e negociando em Macapá, Bailique e Mazagão.
Dez anos depois de uma vida agitada, montou seu estabelecimento comercial, onde vendia tudo o que lhe oferecesse um lucro.
Casou-se com a jovem Sarah Roffe(foto), natural de Tânger, Marrocos, filha do abastado comerciante Abrahão Roffe e dessa união nasceram Esther, José, Eliezer, Issac, Syme, Meryan, Abrão, Moisés e Ana.
Naturalizou-se brasileiro em 13 de outubro de 1904.
Recebeu a patente de Capitão da Guarda Nacional em 13 de agosto de 1905.
D. Sarah, sua esposa, naturalizou-se brasileira em 5 outubro de 1945.
O Capitão Leão Zagury teve uma atuação importante em Macapá, formando com os Coronéis Coriolano Jucá, José Serafim Gomes Coelho, José Antônio Siqueira, jornalista Mendonça Júnior do jornal Pinzônia e uma plêiade de ilustres militares.
Fundou a primeira farmácia com o 1º farmacêutico amapaense, seu filho José Zagury(foto); colaborou com o padre Júlio Maria Lombaerd na fundação da escola infantil, do internato feminino e do teatro.
O capitão Leão Zagury faleceu repentinamente no ano de 1931, deixando marcada a sua passagem na história do Amapá, como um homem de bem e um personagem ilustre.



(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998).


terça-feira, 3 de maio de 2011

Professor Alzir Maia

(Reprodução de livro)
Professor Alzir da Silva Maia nasceu em São Luís, Estado do Maranhão, no dia 27de setembro de 1910, filho do músico Ernesto Florêncio Maia e D. Rita Rodrigues da Silva Maia.
Iniciou seus estudos nas escolas primárias de São Luís e, ao se transferir com sua família para Belém, no ano de 1925, foi matriculado na Escola de Artífice, hoje Escola Técnica Federal do Pará onde completou o 1º e 2.° graus.
Estava com 18 anos quando viajou para o Rio de Janeiro, matriculando-se na EscolaTécnica Venceslau Brás, onde se diplomou professor de Desenho, Matemática e Ciências. No ano de 1944, conheceu o Governador Janary Gentil Nunes e aceitou o convite para trabalhar no Território Federal do Amapá, chegando à Macapá,no dia 23 de janeiro daquele mesmo ano.
Iniciou suas atividades profissionais no dia 7 de fevereiro, lecionando em um Curso de Alfabetização de Adultos destinado aos operários com o fim de ensiná-los a escrever, para assinar as folhas de pagamento e adquirir documentos.
Ingressou no Quadro de Funcionários do Governo do Amapá no dia 1º de junho de 1945, designado para trabalhar na Escola de Iniciação Agrícola, sediada na Base Aérea do Amapá, dirigida pelo professor José Barroso Tostes.
Em 16 de fevereiro de 1946, foi lecionar no  ; no ano de 1951, foi para a Escola Industrial na qual foi professor até se aposentar, tendo chegado ao cargo de Diretor, em substituição ao professor José Epifânio Martins.
Era um entusiasta, participante de todos os eventos sociais e cívicos
das escolas por onde passou.
No ano de 1955, fundou uma escola particular que denominou de Instituto Veiga Cabral, funcionando na sede do Trem Desportivo Clube, depois, na sede do Latitude Zero e, finalmente, em uma casa onde está hoje situada a feira do Mercado Central.
Participou da Diretoria do Trem Desportivo Clube; fundou com Turíbio Guimarães e Raul Calins o Atlético Latitude Zero em 25 de janeiro de 1945; participou da criação do Conselho Regional de Desportos com Glycério de Souza Marques, Messias do Espírito Santo, Pauxy Gentil Nunes, Acésio Guedes, sendo nomeado secretário.
Casado com a professora Estelita de Castro Maia e desse enlace nasceram os filhos Reginaldo, Ronaldo, Renise, Renilda Regina, Rosenilce e Rita de Castro Maia.
Na vida política era amigo dedicado e leal ao capitão Janary, Coaracy Nunes Hildernar Maia.
Quando Janary foi derrotado na reeleição para Deputado Federal, abandonou a política. Aposentou-se no ano de 1979, transferindo-se para Belém, aí permanecendo por 5 anos, quando viajou para o Rio de Janeiro.
No ano de 1994, decidiu morar novamente em Belém e rever seus amigos e, nesse mesmo ano, no dia 19 de maio, faleceu o velho mestre, desportista amigo, participante ativo da entidade dos professores, pioneiro de todas as iniciativas na construção do atual Estado do Amapá.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II, de Coaracy Barbosa - edição 1998).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dr. Alexandre Vaz Tavares

(Foto: Imagem: Arquivo histórico)
Alexandre Vaz Tavares nasceu em Macapá no dia 8 de agosto de 1858, filho de Antônio Tavares e Florianda Vaz Tavares.
Iniciou os estudos com seu pai e aos 15 anos residia no Rio de Janeiro com seus tios. Após completar o ginásio foi matriculado na Faculdade de Medicina, com a apresentação da tese "Sífilis Congênita".
Por influência de seus pais, foi convidado pelo Governador do Pará para prestar serviços em Belém, onde passou a clinicar. Não esqueceu suas origens e, vez por outra, visitava seu amigos em Macapá, hospedando-se na casa de D. Francisca Rola de Almeida, amiga íntima de seus pais.
No ano de 1890 foi nomeado professor de Química da Escola Normal de Belém e, influenciado pelo Governador do Estado, se candidatou a Deputado Estadual, elegendo-se, no ano de 1891, recebendo o votos dos eleitores do Amapá.
Poeta, publicava nos jornais de Belém todas as suas criações, inclusive a poesia MACAPÁ, com a qual homenageou a terra onde nasceu, recebendo elogios e aplausos dos poetas, homens de letras e críticos.
No ano de 1895 foi nomeado Diretor de Instrução Pública do Pará mas, com a derrota do Governador Lauro Sodré, seu amigo fiel, foi colocado no ostracismo e somente no ano de 1916 foi nomeado Diretor da Secretaria de Saúde Pública do Pará.
Atendendo a dezenas de pedidos dos seus conterrâneos, conseguiu sua nomeação para trabalhar em Macapá e em 30 de abril de 1920 foi nomeado Prefeito, permanecendo no cargo até 16 de junho de 1921.
Morreu no dia 3 de abril de 1926, recebendo as homenagens do povo amapaense.
O Governador do Amapá Janary Gentil Nunes, para homenageá-Io, deu seu nome a um dos estabelecimentos de Educação em Macapá, situado no Bairro do Trem.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. 1, de Coaracy Barbosa - edição 1997).

sábado, 30 de abril de 2011

Pioneira do Magistério Amapaense: Profª Raimunda Mendes Coutinho (Guíta)

(Foto: Reprodução de arquivo)
A pioneira Raimunda Mendes Coutinho ou Professora G u í t a, como foi conhecida, era natural de Macapá, onde nasceu no dia 17 de fevereiro de 1912. Filha de João de Azevedo Coutinho e D. Sophia Mendes Coutinho.
Estudou o primário no colégio das Freiras e o curso normal na Escola Normal de Macapá, nos anos de 1950 a 1954. Participou de 11 Cursos de Férias para professores primários, recebendo o diploma de Especialização durante o 13º Curso a 25 de janeiro de 1955.
Fez cursos de Secretariado Escolar; Atualização de Professores em 1966; Treinamento de Secretárias, 1974; participou, ainda, de Encontros e Seminários promovidos pelo Governo do Amapá. Exerceu a atividade de professora no Grupo Escolar de Macapá, no período de 1944/1949 e 1980, respondendo pela titular; Secretária Grupo Escolar Barão do Rio Branco em 1967 e 1974. Exerceu o cargo de Diretora do Grupo Escolar Getúlio Vargas, que funcionava no anexo do Colégio Amapaense e do Grupo Escolar Alexandre Vaz Tavares.
Recebeu várias portarias de elogios e Diplomas de Honra ao Mérito dados pela Câmara de Vereadores de Macapá, pelo Rotary Clube de Macapá, pela Associação dos Professores e dos festejos dos 25 anos do Grupo Escolar Alexandre Vaz Tavares.
Ela mesmo comentava, que professora “Guíta”, foi um apelido carinhoso que seus familiares, amigos e alunos lhe deram;  que teve inúmeros momentos felizes e um deles foi ter alcançado 100% de alunos aprovados durante 3 anos.
Professora Guita sentia-se honrada de fazer parte do grupo de pioneiras, entre as quais as professoras Acinê Garcia Lopes de Souza, Maria Lúcia Brasil, Oneide Medeiros, Julieta Borges, Graziela Reis de Souza, Aracy de Mont'Alverne, Esther Virgolino, Predicanda Amorim Lopes, Annie Viana, Risalva Amaral e muitas outras que contribuiram com o progresso do Amapá.

Professora Guita, faleceu no Hospital Geral de Macapá, às 15h do dia 4 de novembro de 1998.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. 1, de Coaracy Barbosa - edição 1997).

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Pioneiro Isaac Menahem Alcolumbre

(Foto: Reprodução de livro)
Isaac Menahem Alcolumbre - grande pioneiro do Amapá - nasceu na cidade de Belém-PA, no dia 23 de maio de 1913. Filho de Alberto Alcolumbre e de Sarah Brigite Alcolumbre naturais da cidade de Tânger, no Marrocos.
Emigraram para o Brasil no ano de 1905, fugidos da guerra, estabelecendo-se em Belém do Pará. Isaac tinha estudado nas escolas de Belém e com a idade de 12 anos começou a trabalhar de auxiliar no Serviço Especial de Saúde Pública - SESP como "mata mosquitos", sendo mais tarde transferido para Porto Velho na mesma função. No ano de 1939, conheceu a jovem Alegria Peres com quem se casou no dia 11 de junho de 1941 e lhe deu os filhos Sarah, Alberto, Salomão, Ana, Menahem, Nissim, José, Sime, Julia, Sonia e Pierry. Em 1941 foram para Macapá e se estabeleceram no comércio de troca de gêneros alimentícios por ouro, pele de animais, óleos vegetais e látex de seringueira. O comércio foi crescendo e deram o nome de "Casa Fé em Deus".
Com o advento do Território do Amapá, Isaac Alcolumbre passou a ser o fornecedor do governo e a atender os funcionários, anotando as compras nas cadernetas. Por diversas vezes o Governo Federal atrasou a remessa de recursos, e Isaac cedia ao Capitão Janary as importâncias de que necessitava para fazer o pagamento de pessoal com um simples bilhete ou um pedido verbal.
Gostava de jogar futebol e fez parte da equipe do Panair Esporte Clube, formada pelos funcionários da empresa de aviação Panair do Brasil S/A. Quando estourou a guerra entre os países aliados contra a Alemanha, a empresa foi extinta e os jogadores se reuniram sob a presidência do Sr. Emanuel Tarcillo Duarte de Moraes no dia 18 de julho de 1942 e, mudaram o nome para Esporte Clube Macapá, cujo time de futebol era composto dos seguintes atletas: Isaac Alcolumbre, Brasil e Lacinho; Humberto Dias Santos, Edilson Olvieira e José Maria Chaves; Cláudio Jucá, Ubiracy Picanço, Pintor, Herundino dos Espírito Santo e Manoel Oliveira.
Isaac era um homem simples, apesar de ter sido manchete da revista "O Cruzeiro" com a reportagem intitulada "O Rei do Ouro".
Gostava de andar de chinelos, camisa aberta ao peito, cumprimentando sorridente quem passava por perto. Adorava jogar bilharito no ''Café Continental", deixando D. Alegria comandando o comércio.
Seu falecimento ocorreu em Belém, em 1971, durante uma intervenção cirúrgica, para tristeza da família enlutada e do grande número de amigos que conquistou.
(Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. 1, de Coaracy Barbosa - edição 1997).

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...