quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Especial: Estória do Amapá: SIÁUDIO ASSUNÇÃO LEMOS , O COMUNICADOR


O saudoso jornalista Hélio Pennafort - com quem tive o privilégio de trabalhar e aprender muito, tanto na Rádio Difusora de Macapá, como na extinta e inesquecível Rádio Educadora São José de Macapá - entre outras publicações, escreveu as incríveis ESTÓRIAS DO AMAPÁ, com "descrições saborosas e passagens humorísticas do interior amapaense", como classificou Sônia Amaral, na apresentação do primeiro "Micro". A obra foi editada pelo Departamento de Imprensa Oficial, em 1984.



E foi de lá que extraímos o tema para o post de hoje, no Porta-Retrato, com as devidas adaptações e atualizações do texto original.



SIÁUDIO ASSUNÇÃO LEMOS - Um Comunicador Nato
Hélio inicia contando que por muitos anos o comerciante SIÁUDIO ASSUNÇÃO LEMOS, cearense de Mecejana, alegrou as noites da pacata cidade do Amapá, (distante mais de 208 quilômetros da capital Macapá, no Estado do Amapá), com uma aparelhagem sonora que alguns sofisticados já chamaram até de "Rádio Amplificadora da Terra de Cabralzinho". 
O Serviço de Alto-Falantes da Casa Nossa Senhora das Graças, era formado por cinco projetores de som, instalados estrategicamente para levar para a comunidade vizinha, músicas selecionadas, informações precisas e a publicidade comercial.
Segundo Hélio, Siáudio foi para aquela cidade do norte do país, tentar a sorte como agricultor e pecuarista. Descobrindo, entretanto, que a sua vocação era mesmo para o comércio, Siáudio tratou de montar a primeira casa na Base Aérea do Amapá, então bastante movimentada devido ao funcionamento de uma escola agrícola e ao maior efetivo dos destacamentos da FAB e do Exército. Com o crescimento de seus negócios ele foi ficando e de lá não saiu mais, nem pra sua terra natal.
Mais adiante Hélio destaca que Siáudio Assunção Lemos era um cidadão alegre, estimado por todos, comunicativo e adorava contar histórias dos tempos passados, quando iniciou uma criação de perús ensinados e marrecas dançarinas.
Quando não estava em sua função de locutor - atividade que levava muito a sério - Siáudio contava que tentou no Amapá uma indústria de capão(*) de peixe. E com essa conversa, certa vez, prendeu a atenção de um repórter do "Jornal do Brasil", durante quase trinta minutos, expondo minuciosamente a técnica que utilizava para castrar tucunarés, aruanãs e mesmo a gurijuba do salgado.
Mas foi quando engajou no Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que Siáudio, mostrou de fato, que possuía qualidades suficientes para  desenvolver a não muito fácil arte de comunicar. Assumindo o setor de comunicação da Comissão Municipal do Amapá, passou a elaborar programas diários, incentivando o aprendizado de adultos, por meio de slogans do MOBRAL, ou saídos de sua própria imaginação, como este que diz: "um lavrador instruído, produz uma farinha melhor".
Em sua casa comercial havia de tudo que se pudesse pretender num lugar como o Amapá: pilhas, refrescos, bilharito, pregos, remédios, etc... 
Houve tempo em que Siáudio vendia muita pílula de vida.
Finalizando Hélio conta que, também nessa época Siáudio prestava bastante atenção aos despachos de conhecida agência de notícias publicados nos jornais que amigos levavam de Macapá. E tamanha foi a admiração cultivada pela Meridional e pela Sidney Ross, que quando tocava o telefone nº 2 da arcaica rede que funcionava na cidade, o influenciado cearense atendia ao chamado, com uma incrível associação de entidades: "Serviço Meridional Sidney Ross Companhia Limitada, Siáudio Assunção Lemos às suas ordens".

Até aqui foi o Hélio que contou. 
Conte você também o que sabe sobre este grande personagem do Amapá.

Nota do Editor: Se você conheceu Siáudo Assunção, deixe seu depoimento na caixinha de recados, ou escreva um email  - jolasil@gmail.com - contando o que sabe sobre a atuação dele na "terra de Cabralzinho".

Texto original de Hélio Pennafort, publicado em "Estórias do Amapá"  editado pela Imprensa Oficial do Amapá, em 1984, devidamente adaptado e atualizado para o blog Porta-Retrato.
(*) Animal castrado, que se põe para engordar.

Um comentário:

  1. Édi Prado - Caminhoneiros, técnicos agrícolas, professores, policiais e pescadores foram os principais personagens que conviveram com ele por muitos anos. Histórias são inúmeras. Ao lado do único hotel da cidade na época, todo viajante era obrigado a conhecer SIÁUDIO ASSUNÇÃO LEMOS. A "estação" da rádio dele ficava bem na ilharga do hotel. Se áudio, tinha que ser Siáudio. Vamos estimular as pessoas a registrar esses fatos.

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