quinta-feira, 15 de setembro de 2022

FOTO MEMÓRIA DE SANTANA – AP: PRIMEIROS MORADORES DA VILA MAIA

 Esta foto postada no Facebook por Fortunato Colares, é um raro registro fotográfico de alguns dos primeiros moradores de Santana, uma cidade do Estado do Amapá, localizada a 30 km da capital, Macapá.

Por tratar-se de registro histórico, publicamos no blog Porta-Retrato – Macapá, como FOTO MEMÓRIA DE SANTANA – AP.

Foto:   Silvestre Ferreira/Reprodução/SANTANA MAJESTOSA

Segundo Colares, esse é um grupo de homens e dos Marianos da Igreja Católica Nossa Senhora de Fátima. Todos foram os primeiros moradores da Vila Dr. Maia. São todos falecidos.

Segundo registros no blog MEMORIAL SANTANENSE - O Guardião da Historiografia Santanense - de Emanoel Jordânio, “no final da década de 1940, já era possível observar a existência de cerca de 15 a 20 moradias erguidas nas imediações do canteiro de obras do porto de minérios da Indústria e Minérios S/A(ICOMI), na margem esquerda do Rio Amazonas. Essas famílias, em sua maioria, eram oriundas do Estado do Pará e outras vindas de regiões ribeirinhas da Amazônia.

Com o propósito de melhorar as condições de vida familiar, dezenas de trabalhadores braçais vinham para o então Território Federal do Amapá após tomarem conhecimento da implantação da mineradora ICOMI que buscava a contratação de mão-de-obra para a construção de seu píer e do porto industrial.

Sem terem onde morar, diversas famílias de operários decidiram montar (de maneira rudimentar) casebres de madeiras que ficavam onde hoje seria a área desativada da extinta BRUMASA, enquanto que as instalações prediais da ICOMI eram construídas.

Em 26 de agosto de 1953, o Governo Federal concederia à ICOMI uma área de 129 hectares, legalizando assim a faixa de terras onde estava sendo erguido o embarcadouro da mineradora, onde grande parte dessa área já serviria para a limitação da futura vila operária da empresa (Vila Amazonas) para abrigar a família dos trabalhadores já residentes nas proximidades da mineradora. Com isso, enquanto a empresa concluía as instalações administrativas na região, não seriam mais permitidas, a partir de 1954, que novas moradias fossem erguidas na área agora demarcada pela União.

No entanto, o número de famílias continuava chegando à região conhecida como “Porto de Santana”, obrigando os novos moradores a fixarem abrigo numa área situada ao norte do km-0 da futura estação ferroviária da ICOMI. Segundo informações, essa área não tinha titularidade privada, fazendo limites com terras pertencentes ao agricultor Raimundo Gomes Bezerra, e com Marie Joseanne Lemos (estrangeira que prestou serviços ao Governo do Amapá no cargo de professora-diarista entre 1948-1957, depois se mudando para o Rio de Janeiro-RJ).

Em 1956, estima-se que cerca de 30 moradias já formavam esse núcleo urbano ao norte da ferrovia, compreendendo quase três quarteirões em duas travessas cruzadas, ficando as principais casas em paralelo com a rodovia que ligava o escritório central da ICOMI com a capital amapaense (Macapá), e respeitando os limites da faixa ferroviária, obedecendo ao Decreto Federal n° 37.906 de 16 de setembro de 1955 (limitando acima de 60 metros de distância da estrada de ferro).

Em 14 de abril de 1957, é inaugurada a primeira instituição religiosa daquele núcleo, voltada ao catolicismo romano, tendo como vigário o padre italiano Ângelo Biraghi, que esteve à frente de inúmeras decisões sociais por mais de três décadas. Ao lado desta Capela católica, seria erguida uma escola primária, batizada por seus educadores como “Grupo Escolar Porto de Macapá”, por estar situada nas proximidades do cais de minérios da ICOMI. Porém, o núcleo continuava crescendo demograficamente, assim como ainda se mantinha sem uma denominação topônima.

Até o final da década de 1950, alguns topônimos distritais ainda foram utilizados por seus moradores para identifica-la sob termos de pequeno vilarejo ou localidade interiorana. Alguns a chamavam de “Porto de Santana”, “Moradores do Porto”, “Vila Moriçoca” (por habitar uma região tropical, bastante infestada de mosquitos e pernilongos), e até “Vila Ocuúba” (por haver dezenas de árvores desse nome na região).

Mas foi uma fatalidade ocasionada pelo destino que daria um nome histórico para aquele núcleo urbano. Em 21 de janeiro de 1958, o então deputado federal pelo Território Federal do Amapá Dr.Coaracy Nunes, acompanhado de seu suplente promotor Hildemar Maia, morreriam em acidente aéreo na localidade de Carmo do Macacoari (atual distrito do município de Cutias do Araguary), assim como também ceifaria a vida do piloto da aeronave Hamilton Silva. Uma tragédia que abalaria o povo amapaense.

Como forma de homenagear esses ilustres falecidos, o Governo do Amapá realizaria – anualmente – uma programação pública para manter viva o nome daqueles que por muitos anos empenharam condições e recursos federais para o desenvolvimento do então Território Federal do Amapá.

Com isso, em novembro de 1959, o governador do Amapá Pauxy Gentil Nunes (irmão do falecido deputado Coaracy Nunes) solicitou à Divisão de Terras e Colonização (DTC) que efetuasse a demarcação urbana daquele núcleo santanense que se expandia desordenadamente, como forma de evitar possíveis acessos irregulares nas áreas já pertencentes à ICOMI.

Em meados de janeiro do ano seguinte (1960), a conclusão dessas demarcações apontou a existência de 62 moradias distribuídas em quatro (04) avenidas cruzadas em três (03) ruas parcialmente abertas por trilhas. O relatório feito pelo DTC ao Governo do Amapá não apresentava um número exato de moradores já contados, mas estima-se que existiam em torno de 300 pessoas ali residindo.

Histórico Obelisco de Santana (Foto 1995)

Vendo essa progressão habitacional na região, o governador Pauxy Nunes logo atentou para a importância de melhorar as condições sociais desse vilarejo, iniciando assim um plano urbanístico que começou no dia 21 de janeiro de 1960, quando fora entregue um monumento de concreto, com forma de obelisco triangular, considerado o marco inicial das diversas realizações governamentais que seriam feitas nos dias seguintes, como o alinhamento das ruas e avenidas da localidade, que agora ficaria popularmente conhecida como “Vila Dr.Maia”, numa justa homenagem ao 1° promotor público a se instalar no Amapá pós-Território Federal.

Agora com denominação, a localidade portuária seria mais assistida pelas autoridades municipais e territoriais, recebendo em curto tempo, inúmeros benefícios necessários para seu anseio, como a construção de duas novas escolas (em 1962), a implantação de energia elétrica (1964) e até o surgimento de opções de lazer familiar (como uma pequena praça, um clube, e cinema no final da década de 1960).

Em 22 de novembro de 1966, o prefeito de Macapá Cabo Alfredo de Oliveira sanciona o Decreto Municipal n° 174/66-PMM, instalando uma sede representativa do Executivo Municipal da capital na Vila Dr. Maia em Santana, objetivando atender e zelar pela população local, sendo este um embrião executivo para a futura independência geopolítica da atual cidade de Santana.

Contextualização histórica

De acordo com relatos encontrados em registros passados, ressaltados pelos historiadores santanenses, Santana surgiu de um agrupamento populacional na Ilha de Santana, localizada à margem do rio Amazonas, em 1753.

Sabe-se, através de fontes históricas, que os primeiros habitantes do povoado da Ilha de Santana eram portugueses e mestiços, a maioria escravos, vindos do Pará, além de índios Tucujus, comandados pelo português Francisco Portilho de Melo. Os historiadores Emanoel Jordânio e Sergio Guedes, confirmaram em pronunciamento recente, que Portilho de Melo - foragido da lei, e escravocrata - foi o primeiro desbravador da Ilha de Santana.

Na época, registros de arquivos do Pará, mostram que cerca de 250 pessoas viviam na Ilha de Santana, a maioria indígenas”, explicou Emanoel Jordânio.

Segundo o professor e historiador Sergio Guedes, Mendonça Furtado oficializou, na mesma data – 4 de fevereiro 1758 - a fundação da Vila de São José de Macapá e o povoado de Santana.  Ou seja, muito antes da fundação oficial da cidade, “já tínhamos pessoas lutando e protegendo a nossa terra”, pois, “neste espaço onde moramos (Santana), sobretudo no Igarapé da Fortaleza em 1631, já existia o primeiro Forte construído ainda pelos ingleses, o Forte Cumaú”, disse Guedes.

Em 31 de agosto de 1981, Santana é elevada à categoria de Distrito de Macapá, através da Lei nº 153/81-PMM, sendo o distrito instalado oficialmente em 1 de janeiro de 1982, tendo o pioneiro Francisco Correa Nobre como o primeiro Agente Distrital. Santana foi elevada à categoria de município através do Decreto-lei nº 7639 de 17 de dezembro de 1987. Através do Decreto (P) nº 0894 de 1 de julho de 1988, o Governador Jorge Nova da Costa nomeia o professor Heitor de Azevedo Picanço, para exercer o cargo de Prefeito Interino, que estruturou a administração pública municipal, criando condições para o futuro prefeito que seria eleito diretamente pelo povo em 15 de novembro de 1988, Rosemiro Rocha Freires.

Fontes: Prefeitura de Santana / Wikipédia / Memorial Santanense

Via Facebook

terça-feira, 13 de setembro de 2022

MEMÓRIAS DO AMAPÁ: OS DESFILES DE 13 DE SETEMBRO

 Setembro, em Macapá, é um mês de gratas memórias para o povo amapaense. Nele são realizadas as comemorações da Semana da Pátria, e da Semana de Criação do ex-Território Federal do Amapá, ocorrida em 13 de setembro de 1943, de acordo com o Decreto-lei n° 5.812, durante o governo do presidente Getúlio Vargas. O primeiro governador e desbravador da região desmembrada do Estado do Pará, foi o Coronel Janary Gentil Nunes.

E desde os primeiros anos o fato histórico tem sido comemorado nessa data, com realização de desfiles cívico-escolares. 

Segundo o historiador Nilson Montoril, ‘o primeiro da série foi realizado em 1947, quando o Governo Territorial realizou a "Primeira Feira de Animais e Produtos Econômicos". As instalações da feira ficavam à esquerda da estrada que se estendia até a prainha da Fazendinha.

Participaram do desfile a Guarda Territorial,...

...os escoteiros das Tropas Veiga Cabral (modalidade terra) e da Tropa Marcílio Dias (modalidade mar)...

...estudantes do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, alunos do Ginásio Amapaense (CA) e Bandeirantes. Ao longo do tempo os desfiles foram sendo mais concorridos. 
Em 1967, o General Ivanhoé Gonçalves Martins, governador do Amapá, transferiu o desfile para Macapá, realizando-o na Av. Iracema Carvão Nunes, entre as duas alas da Praça Barão. Ainda em sua gestão, o desfile passou para a Av. FAB. O número de estudantes tinha crescido muito. A partir de 1995, a bela manifestação de civismo começou a declinar. Na era sambódromo já não tinha o brilho de outros tempos. Em 13/9/2022, a data foi transformada em feriado estadual, mas não tivemos desfile cívico. Este pode ser o marco inicial para que eles não ocorram mais.’

Via Facebook

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ - A CAPELA DO CEMITÉRIO NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO.

Por Nilson Montoril
O primeiro cemitério de Macapá foi instalado em área existente próximo ao Trem de Lapidação, que hoje corresponde à quadra delimitada pelas ruas São José e Tiradentes e as Avenidas Rio Jari e Rio Maracá. Migrantes açorianos,que morreram vitimados por "doenças de mau caráter"(malária, tifo) em dezembro de 1751. O Cemitério de Nossa Senhora da Conceição surgiu na gestão do Intendente Coronel Manuel Theodoro Mendes, em 1896. Ele era fervoroso devoto da Virgem Maria. A capela só foi erguida em 1932, quando o Intendente de Macapá era o Tenente Jacinto Boutinil. A verba usada na obra foi obtida junto ao Interventor do Estado do Pará, Coronel Magalhães Barata. A área interna do Campo Santo compreendia quatro quadras, divididas por passarelas, ainda hoje vistas, mas relativamente danificada. São raras as sepulturas antigas, como a que ilustra esta postagem. A lápide de mármore veio de Belém. Embora esteja danifica é possível lermos o seu conteúdo.

A lápide tem a seguinte inscrição:

         AQUI JAZEM OS RESTOS MORTAIS DA JOVEM ANA ERMÍNIA PEREIRA, NASCIDA EM 24 DE DEZEMBRO DE 1902.

FALECIDA EM 9 DE JULHO DE 1926.

ETERNA SAUDADE DE SEUS PAIS E IRMÃOS.

Texto e fotos: Nilson Montoril

Via Facebook

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

MEMÓRIAS DE MACAPÁ – HISTÓRIAS DE PIONEIROS - EVALDO LOPES DE FREITAS

Mais um importante registro do Jornalista João Silva, contando...

HISTÓRIAS DE PIONEIROS

Por João Silva

Evaldo Lopes de Freitas, nascido no dia 30 de setembro de 1924 na cidade de Vera Cruz-RN, chegou em Macapá no dia 21 de novembro de 1953, juntamente com a esposa Maria de Lourdes Pereira de Freitas, e cinco filhos também rio-grandenses do norte. Posteriormente nasceram mais 4 filhos amapaenses.

No registro o casal com o filho mais velho, Luiz Lopes Neto.

O casal se estabeleceu em Macapá e resolveu entrar para o comercio, o que redundou na inauguração da Casa Vera Cruz, na Cândido Mendes onde hoje funciona a agência central do Bradesco. A princípio o empreendimento teve a parceria com o senhor Miguel Pinheiro Borges, também oriundo do Rio Grande do Norte, o que foi decisivo para a implantação da Casa Vera Cruz numa época de muitas dificuldades, tempo em que a Cândido Mendes era invadida pelas águas de março.

O casal de pioneiros do comercio, Evaldo e Lourdes, morou em Macapá até o início dos anos 80, quando decidiu voltar para Vera Cruz. Dona Lourdes morreu em agosto de 2009, próximo de completar 93 anos; Evaldo faleceu em maio de 2011, com 86 anos.

Entre os filhos, o casal formou um farmacêutico-bioquímico, três médicos, um veterinário, um professor e um engenheiro, portando encaminhou a prole, deu conta do recado!

'A família deve tudo que é ao Amapá e a pessoas como Miguel Pinheiro Borges', faz questão de dizer Luiz Lopes Neto, o filho mais velho do casal.

Ele acrescenta que Dona Lourdes, 'santa mulher, além de doméstica era costureira, e trabalhou muito confeccionando e vendendo roupas para crianças no mesmo endereço da Casa Vera Cruz, onde mantinha um armarinho muito requisitado na época!'.

Evaldo Lopes de Freitas também foi marreteiro na Serra do Navio nos dias em que a ICOMI pagava vale e fazia o pagamento dos seus funcionários! Bom não esquecer também que Dona Lourdes era costureira pé quente do Juventus Esporte Clube, cujas camisas e emblemas eram fabricados nos armarinhos da Casa Vera Cruz, por suas mãos habilidosas.

Via Facebook

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE: MARABAIEIRA GERTRUDES DA SILVA GAIA

GERTRUDES SATURNINO LOUREIRO, filha de Ciriaco Manuel Saturnino e Izabel Maria de Nazareth, foi a única filha mulher de uma família de seis irmãos: Serafim, Nazário, João, José Cirilo e Bernardino. Mulher negra, aguerrida, filha de negros escravizados, nasceu em terras amapaenses, (Macapá), no dia 08 de dezembro de 1899. Em 18 de maio de 1918, contraiu seu primeiro casamento com Hyppólito da Silva Gaia, passando a ter o nome de Gertrudes da Silva Gaia. Desde criança sempre foi uma pessoa ativa, de personalidade forte, perseverante, dinâmica, extrovertida, que lutava muito pelo que queria e acreditava, isso de certa forma, contribuiu para a sua separação. Anos mais tarde, constituiu nova família com Raimundo Pereira da Silva, (Capa Branca), com quem teve cinco filhos: Mamédio, Natalina, Sebastião, Maria José e Izabel.

O espírito combativo, de coragem e de liberdade que norteava sua vida não admitia nem aceitava a submissão imposta, na época e contrariando as ideias e a vontade de seu marido, passou por uma nova separação. Assumindo o desafio de cuidar sozinha de seus filhos, exercia as mais diversas e humildes atividades: doméstica, lavadeira, cozinheira, pela sobrevivência da família. Gertrudes foi parteira, ajudando muitas mães a dar à luz seus filhos; foi benzedeira e com seu conhecimento sobre as ervas e plantas medicinais, fazia seus remédios caseiros, garrafadas, chás e outros.

Mulher, Negra e Separada, numa época em que o preconceito na sociedade era muito forte, sofreu e carregou as desvantagens de um sistema injusto, preconceituoso e racista, mas lutou muito para romper barreiras e conquistar espaços. Foi assim que quando do remanejamento das famílias da Rua da Frente da cidade onde moravam, Gertrudes se recusou em ir com a maioria para o Laguinho e decidiu integrar o grupo menor das famílias negras e ir fixar sua residência na Favela, para onde levaram na bagagem a coragem, a força, a resistência, a fé, a religiosidade.

E o Marabaixo, com o culto e louvor à Santíssima Trindade pelos inocentes foi levado e se fortaleceu naquele bairro, sustentado pela fé das famílias Gertrudes, Congó, Pedro e Raimunda Costa e outros que sempre incentivavam e apoiavam esse legado cultural. Essa separação dos negros foi triste e lamentada e foi muito cantada nos ladrões do Marabaixo, Gertrudes cantava assim:

“PELO JEITO QUE ESTOU VENDO

QUEREM ME DEIXAR SOZINHA

VOU COM UNS PARA A FAVELA

OS OUTROS VÃO PRO LAGUINHO”.

A vida e as realizações não foram fáceis para os negros de um núcleo populacional negado pelas autoridades e que nunca se configurou de direito como um bairro. Mas, mesmo com essa negação e sem o reconhecimento, o Bairro da Favela, existiu de fato, e ainda hoje é vivo na memória, na história e nas tradições culturais da cidade de Macapá persistindo no imaginário popular do amapaense, especialmente dos que ali viveram.

Gertrudes exerceu importante liderança no Bairro e uma das precursoras do Marabaixo na Favela. Foi uma grande mulher à frente de seu tempo. Cantava, dançava, tocava caixa de Marabaixo com uma maestria ímpar. Criou o quadro de sócio da “Santíssima Trindade dos Inocentes” que foi uma forma prática e criativa de garantir a realização anual da festividade no Bairro, pois quando não havia promesseiros, usavam o livro de sócios e tiravam o pilor (sorteio) dos festeiros e dos novenários que seriam os responsáveis dos festejos do ano. Incentivava e despertava nas crianças e jovens o gosto pelo Marabaixo; todas as tardes reunia seus filhos, sobrinhos, netos e filhos de amigos e conhecidos e os ensinava a tocar caixa, cantar o ladrão e dançar o marabaixo. Essa sua prática certamente contribuiu para fortalecer a cultura dessa manifestação no Bairro.

Dona Gertrudes morreu no dia 07 de setembro de 1973, aos 74 anos, vitimada por um AVC, deixando aos seus descendentes esse legado como herança a ser cultivada e perpetuada.

Biografia e foto de Edgar Rodrigues – jornalista e pesquisador amapaense.

Via Facebook

sábado, 20 de agosto de 2022

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA: QUINTAL DOS PADRES - UM CELEIRO DE TALENTOS

 No início da década de 1950, centenas de crianças e adolescentes de ambos os sexos, foram atraídos por um importante movimento, implantado pela Prelazia de Macapá, voltado para a Educação, Evangelização e Lazer.

O projeto dessa pastoral era oferecer a prática de esportes, civismo escoteiro, apresentações teatrais, Cruzada Eucarística e Filhas de Maria. As atividades, eram desenvolvidas na área conhecida como "Quintal dos Padres" compreendida por dois espaços: a ala masculina (entrada pelo Largo dos Inocentes) e a ala feminina, cujo acesso acontecia pela avenida Presidente Vargas

No centro ficava o Salão Paroquial Pio XII. Os bancos corridos postados à esquerda da entrada do salão eram reservados aos meninos. À direita ficavam as meninas. 

O Padre Vitório Galliane coordenava os homens. As mulheres agiam sob o comando do Padre Lino Simonelli. No decorrer da Santa Missa, iniciada às nove horas, aos domingos, os cantos tinham o acompanhamento do Padre Vitório, que tocava seu "harmonium", que os meninos chamavam sanfona, o que o deixava irritado. O Padre Lino era um exímio trompetista e também tocava gaita de boca(harmônica). Naquele tempo, o trompete era conhecido no Brasil como Piston, nome rejeitado pelo sacerdote. Entre os meninos, o futebol tinha preferência. Incrível como aparecia moleques de todos os cantos da cidade. 

Era tanta gente boa de bola, que o Padre Vitório Galliane, assessorado pelos Chefes Escoteiros, Humberto Santos e Expedito Cunha Ferro (91), organizava campeonatos equatorianos com bastante criatividade. Os times representados eram da Itália ( Milan, Roma, Internazionale, Fiorentina, Juventus e Nápoles), do Rio de Janeiro e de São Paulo, sempre os mais expressivos. Quase todos os sacerdotes do PIME torciam pela Juventus de Milão. Tanto é, que ao ser fundado o Juventus Esporte Clube, o desejo deles era que o clube usasse camisas com listras verticais brancas e pretas. O anseio não colou, porque o Amapá Clube era mais antigo e suas camisas eram idênticas às do time italiano em questão. Todos os moleques e rapazolas queriam jogar no Juventus. A agremiação tinha o time titular, o aspirante, o juvenil e o infantil. O movimento oratoriano gerou excelentes frutos. Deu aos jovens valiosos ensinamentos éticos e morais. Muita gente oriunda de famílias carentes aprendeu a discernir as coisas boas e as ruins. 

As aulas de catecismo, ministradas pelo Irmão Francesco Mazzolene (o Caterpillar) eram obrigatórias. Assistir missas também. Os jovens com mais idade do que a meninada não eram tão assíduos. Eles precisaram trabalhar cedo para auxiliar os pais e reforçar a renda familiar. A eficiência futebolística dos mesmos despertou o interesse dos mandatários de outros clubes de Macapá. A moeda correspondente a “compra do passe" era um emprego.

Texto original de Nilson Montoril, especialmente adaptado para o blog. Porta-Retrato – Macapá.

Via Facebook

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

FOTO MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO DO AMAPÁ: PROFESSORES DO CCA

Nossa Foto Memória de hoje, recorda um momento importante na história da educação do Amapá. 

Importante registro postado na rede social pela prof. Regina Valente relembra” três grandes professores do Colégio Comercial do Amapá-CCA: Ariosto Paes, Heitor Picanço e Nestlerino Valente, que com certeza causaram um impacto duradouro na vida de seus alunos.”

Os ilustres mestres na imagem rodeados por alunos do tradicional educandário.

Foto: Família Valente (Arquivo Pessoal) - Reprodução

Via Facebook


quinta-feira, 18 de agosto de 2022

FOTO MEMÓRIA DA SAÚDE DO AMAPÁ - PARTEIRAS TRADICIONAIS

Antes do Amapá se tornar Território Federal, em 1943, a parteira mais famosa da Macapá de outrora, era a Sra. Francisca Luzia da Silva, a Mãe Luzia!

Segundo a jornalista, poeta e blogueira Alcinéa Cavalcante, mãe Luzia “cuidava das grávidas com rezas e ervas e dava-lhes amor e segurança como uma mãe dá para uma filha. A qualquer hora do dia largava a bacia de roupa para fazer um parto. A qualquer hora que fosse chamada à noite levantava e corria para “aparar” mais uma criança, para mostrar-lhe o mundo pela primeira vez.

Seu trabalho não terminava com o parto. Ela cuidava da criança e da mãe por vários dias, fazendo visitas diárias, dando-lhes banhos, fazendo curativos e rezas.

Pelas mãos abençoadas de Mãe Luzia inúmeros bebês vieram ao mundo.”

Já na fase territorial outras pioneiras fizeram essa função de “aparar” muitos bebês.

Nossa Foto Memória de hoje traz um registro de três parteiras tradicionais à época do Hospital Geral de Macapá, atualmente Hospital Alberto Lima, nas décadas de 60, 70 e 80.

Na imagem, a Sra. da esquerda do observador, é a enfermeira RAIMUNDA MORAES UCHÔA; ao centro a enfermeira ALCEMIRA MAGAVE e à direita está a sra. EDITE. Todas elas foram parteiras na Maternidade de Macapá e trouxeram várias gerações de amapaenses ao mundo.

Além dessas, muitas outras também sempre são lembradas pelo bom serviço que prestaram à comunidade, como por exemplo, Dona Dica; Dona Inês; Dona Maria José e muitas outras.

Foto: Helena Uchôa (Arquivo pessoal)

Pesquisa de Wanke Do Carmo, historiador e colaborador do Instituto Memorial Amapá.

Fonte: Via Facebook

domingo, 14 de agosto de 2022

HISTÓRIA E MEMÓRIA DO AMAPÁ: CONSTITUIÇÃO DO CONSELHO CONSULTIVO DA INTENTÊNCIA MUNICIPAL DE MACAPÁ

Em 12 de março de 1934, o Interventor Federal do Estado do Pará, General Magalhães Barata, baixava o Decreto nº 27.214, constituindo o Conselho Consultivo da Intendência Municipal de Macapá, composto por cinco membros, com a finalidade de assessorar o intendente em assuntos legislativos e comunitários. Os membros do Conselho Consultivo eram: Clodóvio Gomes Coelho, Manoel dasta Figueira, Leão de Melo, Joaquim Borges de Oliveira e Francisco Torquato de Araújo. 

O Conselho funcionou até o dia 20 de fevereiro de 1936, ocasião em que tomaram posse os sete vereadores eleitos em dezembro de 1935. Entre os vereadores estavam Clodóvio Gomes Coelho e Francisco Torquato de Araújo. Quando o Conselho Consultivo ou Conselho de Intendência foi nomeado, o Intendente de Macapá era o major Eliezer Levy. (Nilson Montoril de Araújo)

Via Facebook

terça-feira, 9 de agosto de 2022

O CENTENÁRIO DE DONA SARAH ALCÂNTARA (Funcionária pioneira da Firma Irmãos Zagury)

O Calendário registra nesta terça-feira, 9 de agosto de 2022, uma data importante para todos que admiram e têm um carinho especial por Dona SARAH ALCÂNTARA, que completa CEM ANOS de feliz existência!

Fotos: Arquivo da família

Sarah Moreira de Alcântara, nasceu em Cachoeira do Ariri-Marajó/PA, numa quarta-feira, 9 de agosto de 1922.

A centenária senhora, foi durante muitos anos, funcionária de confiança da Firma Irmãos Zagury.

Segundo informações de Edgleuma Alcântara Valente, filha da homenageada, Dona Sarah Alcântara, chegou a Macapá, a passeio, para ficar poucos dias.

No auge de seus vinte e poucos anos, quase ao final dos anos 40, Sarah Alcantara seguiu para Macapá a bordo da Lancha Amapá, a convite de uma amiga que morava na capital amapaense. Nessa época ela trabalhava na Perfumaria Orion, que funciona até hoje, na  Travessa Frutuoso Guimarães, 270, campina, Belém/PA.

Entretanto, a viagem constituiu-se numa perigosa aventura. A pequena embarcação foi apanhada por uma tempestade que quase ceifou a vida de todos os passageiros, que apesar do susto, chegaram sãos e salvos ao destino. Sarah Alcântara salvou a vida, mas perdeu todos os documentos que levava.

A primeira pessoa com quem Sarah Alcântara teve contato em Macapá, foi Dona Sarah Roffé Zagury, forte comerciante que tocava os negócios da família, entre eles a Sorveteria Central, que funcionava em um prédio na esquina da Rua Cândido Mendes com a Av. Siqueira Campos, atual Mário Cruz, no antigo Largo da Matriz, hoje Praça Veiga Cabral.

O encontro com a Matriarca dos Zagury se deu em um momento em que os irmãos Moisés e Meryan, que moravam com a mãe, estavam em viagem para o Rio de Janeiro. Por estar sozinha sem os filhos, Dona Sarah Roffé, viúva e com idade avançada, solicitou que a jovem Sarah lhe fizesse companhia. E assim aconteceu.

Ao retorno dos dois viajantes, Dona Sarah Roffé, que havia gostado da companhia da nova amiga, preferiu mantê-la em seu comércio e, posteriormente, a apresentou à sua nora Clemência Zagury, com quem Sarah, a partir de então, com carteira assinada, começou a trabalhar na Casa Leão do Norte. Daí pra frente as duas se deram muito bem e cultivaram por longo tempo, uma amizade de consideração, confiança e respeito mútuo. A jovem Sarah, auxiliou em muito Dona Clemência, na criação dos filhos menores. Sarah Alcântara, residia em frente à Casa Leão do Norte, na Av. Amazonas, 25, esquina da Presidente Vargas.

Dona Sarah Alcântara mudou-se para Belém do Pará em 1975, quando Dona Clemência, já viúva, havia viajado para o Rio de Janeiro.

Dona Sarah, apesar da idade avançada, está lúcida, com boa memória, bem de saúde, sem problemas de pressão alta ou diabetes; se alimenta bem, e não dispensa uma boa tigela do gostoso açaí com farinha e sem açúcar, tanto no almoço como no jantar. Apenas um problema de mobilidade lhe causa algumas restrições no deslocamento, ocasião em que faz uso de uma cadeira de rodas com tração manual.

Dona Sarah foi casada com o macapaense José Soares Valente com quem teve os filhos Edson e Edgleuma Alcântara Valente, todos macapaenses.

José Valente se separou da mãe deles, quando Edgleuma tinha 2 anos, e Edson 2 meses de idade; em seguida, se mudou para Belém e anos depois para Marabá-PA, onde viveu e prosperou no comércio de peças e faleceu há uns 8 anos.

Edgleuma, que é a mais velha, cuida da mãe em Belém do Pará e Édson continua morando em Macapá.

Testemunhos dos filhos do casal Isaac/Clemência Zagury sobre Dona Sarah Alcântara

Leão Zagury: João, lembro bem da dona Sarah. Durante muitos anos foi o braço direito da minha mãe na Casa Leão do Norte. Fazia as refeições na nossa casa, junto com vários outros funcionários. Meus pais franqueavam a mesa para seus colaboradores. Lembro com clareza de quando comecei a ler revistas em quadrinhos que comprávamos no seu Daniel que era também fotógrafo, ela me deu de presente uma revista que fez diferença na minha vida e agradeço até hoje: Ciência em quadrinhos. Nesse número tratava da solução do problema da coroa de ouro do rei e quando Arquimedes resolveu gritou heureca! Lembro também dos filhos Edson e Edi. Como já lhe disse em relação a outros funcionários dos meus pais devo muito a essa senhora adoraria poder abraçá-la. Saúde para todos!

Abraham Zagury

Encontrei a Sarah Alcântara, em uma de minhas visitas à Macapá; foi um encontro muito gratificante, em que só tive lembranças tão especiais e muito boas! É impossível, João, não recordar o quanto a Sarah esteve sempre ao lado da minha mãe na casa Leão do Norte! Foi uma colaboradora, sempre, muito dedicada, educada e sobretudo, amiga de todas as horas!

A Sarah, o Édson e a Edgleuma, seus filhos, moravam em frente à nossa loja; a nossa convivência era diária e nos sentíamos uma única família. Sempre muito próximos!

Agora João, gostaria de me dirigir especialmente à Sarah: Sara, nesse momento em que você completa anos, numa idade tão especial, gostaria de expressar meu carinho por você que sempre foi uma presença doce e afetuosa em nossa casa! Um grande beijo pra você, boas lembranças de você e dos seus filhos!

Sarah Zagury:

Lembro que a Sarah Alcântara trabalhou muito tempo na loja; morava ao lado da nossa casa; era muito cuidadosa com os filhos e com os da minha mãe.

Minha mãe gostava muito dela, era de muita confiança!

Via WhatsApp

Informações de Edgleuma Alcântara Valente, filha da homenageada.

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ATUALIZAÇÃO EM 1 DE SETEMBRO DE 2022

Transcorridos 21 dias do aniversário de Dona Sarah, neste 1º de setembro, fomos surpreendidos com a notícia do falecimento de nossa homenageada, que desde o dia 20 de agosto estava internada, enfrentando sérios problemas respiratórios. Ela faleceu nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira,1/9, em Belém/PA.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA: SEU APRÍGIO, O BARBEIRO DO MACAPÁ HOTEL.

Pegando carona na publicação do José Jair, na rede social, trago ao leitor do Porta-Retrato a foto de um dos barbeiros que trabalharam em Macapá, no início do Território do Amapá.

Seu Aprígio Marinho de Souza – pai de 11 filhos, entre eles o Jair - foi um paraibano, que reativou o salão de barbeiros do Macapá Hotel, fechado por ter sofrido um incêndio no início do ano de 1950. Seu Aprígio efetuou a reforma do mesmo e o colocou em funcionamento no ano de 1953, quando pisou pela primeira vez em Macapá. No ano seguinte trouxe o filho mais velho, para trabalhar com ele.

A sala onde funcionava a concorrida barbearia do Seu Aprígio, ficava no andar térreo, no lado esquerdo da edificação localizada às margens do Rio Amazonas. O acesso era feito por uma porta lateral do imponente prédio do Macapá Hotel, com sua fachada em estilo colonial. (Foto)

Seu Aprígio residia com a família, na av. Feliciano Coelho às proximidades da Casa Santa Maria, no Bairro do Trem, quase na curva para a antiga Rua Coronel José Serafim, atual Tiradentes.

O jornalista Ernani Marinho comentou, que o Macapá Hotel foi o segundo endereço da barbearia do seu Aprígio. Primeiro foi no prédio colado à Prefeitura de Macapá, onde funcionou a Casa Olímpia, do empresário/desportista Marituba.

(Via Facebook)

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

MEMÓRIAS DE MACAPÁ: O LEÃO AZUL DO BAENÃO É MACAPAENSE

O LEÃO AZUL QUE ESTÁ NO BAENÃO É MACAPAENSE (E “irmão” dos dois que estão nas sede da OAB/AP, em Macapá)

(Foto: Via WhatsApp)

A icônica estátua do Leão Azul no estádio Baenão, em Belém/PA, foi esculpida em Macapá, pelo português Antônio Costa, cuja oficina de trabalho foi erguida no terreno da Loja Maçônica Duque de Caxias, por trás do templo, localizado à Av. Coriolano Jucá, 451 no Centro da capital amapaense. 

Antônio Costa era maçom e fabricava ladrilhos para piso de residências e órgãos públicos de Macapá, nas cores branco e preto. Os pisos originais do Hospital Geral de Macapá, Maternidade de Macapá, Grupos Escolares, Fórum e de outros prédios eram verdadeiros tabuleiro de damas (mosáicos). 

Os dois leões existentes na frente do antigo Fórum, atual sede da OAB/AP foram esculpidos por ele, a  partir de uma forma confeccionada pelo Sr. Jorge Marceneiro (já falecido) que residia no bairro do Trem, na quadra dos Escoteiros do Mar Marcílio Dias.

O historiador Nilson Montoril cita detalhes sobre a confecção e doação do Leão Azul: “ Meu tio paterno Hermano de Araújo Jucá(mazaganense), apaixonado torcedor do Clube do Remo, encomendou ao seu Antônio Costa, um leão para ser doado ao "Clube de Periçá". Uma vez esculpida, a peça foi pintada de azul. Hermano Jucá era sobrinho de Cândido Jucá, um dos organizadores do "Grupo do Remo", que alterou sua denominação. Na época em que a doação do leão macapaense foi concretizada, integrava a diretoria azulina de Antônio Baena o médico Roberto Macedo, meu primo e sobrinho de Hermano Araújo. Para transportar o leão para Belém, tio Hermano recorreu aos préstimos do cunhado Francisco Jucá do Nascimento, que era o comandante do navio Oiapoque, pertencente ao SENAPP (Serviço de Navegação e Administração dos Portos do Pará). O navio fazia a linha Belém/Oiapoque/Belém, com escalas em Curumum, Curralinho, Breves e Macapá. Numa das viagens, ao aportar em Macapá, o Comandante Nascimento aproveitou a estada para visitar seus parentes, entre eles Hermano Jucá. Ao pedir ao tio Chiquinho Jucá, que levasse o leão para Belém, tio Hermano engoliu em seco a resposta: " levo sim, mas o bicho deve ir enjaulado e acorrentado, acomodado no porão. Não posso deixar os tripulantes e os passageiros correrem risco algum". O Comandante Jucá era torcedor do Paysandu e não iria perder a oportunidade de fazer gozação com o primo. Na volta do navio Oiapoque, o caixote com o leão já estava na cabeça do trapiche Eliezer Levy, pronto para embarcar. Uma outra gozação foi feita ao tio Hermano: " Diz ao pessoal do Remo, que vá receber o caixote na Bacia, senão mando jogá-lo no Guajará". O leão azul nascido em Macapá, continua soberano e ornando o Estádio Evandro Almeida. Ele é cópia fiel dos leões da sede da OAB/AP, em Macapá.”

O monumento permanece no lugar de sempre, no escanteio do gol que fica para a travessa 25 de setembro.

Via Facebook 

domingo, 24 de julho de 2022

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA: NOVE SENHORAS MAIS ELEGANTES DE MACAPÁ

Esta foto (s/data) publicada na Rede Social por Wanke do Carmo, compartilhada pela Luz Marina Côrtes, filha do ex-prefeito de Macapá, João de Oliveira Côrtes (em memória), retrata as Nove Mais Elegantes Damas de Macapá à época. Eram apresentadas em um glamuroso baile, ou no Aeroclube ou Círculo Militar de Macapá, dois icônicos clubes de outrora.

Conseguimos identificar - com ajuda de pessoas amigas -  a maioria das senhoras que estão nas imagens, nesse evento realizado no Aeroclube de Macapá em companhia do saudoso jornalista, colunista social e desportista, Wilson Sena.

A partir da esquerda: Senhoras Guiomar Monteiro, Doralice Houat, Iracy Alcântara, Líbia Bessa de Castro, ao meio jornalista Wilson Sena; depois Sra. Alayna Côrtes; as duas ao lado dela não conseguimos identificar; depois Sra. Helita do Carmo e na ponta, à direita, Sra. Jacqueline Houat.

Dona Guiomar - esposo Luiz Monteiro (em memória)
Sra. Doralice Houat - esposo Abdalla Houat (em memória)
Sra. Iracy Alcântara - esposo Dr. Iacy Alcântara (em memória)
Dona Líbia Bessa de Castro - esposo - Genésio Antônio de Castro (em memória)
Sra. Alayna Cortes - esposo Capitão João de Oliveira Côrtes (em memória) - foi prefeito nomeado do Municipio de Macapá, no período de maio de 1969 a 31 de julho de 1972. (Wikipédia)
Sra. Helita do Carmo - esposo Walter do Carmo (em memória)
Sra. Jaqueline Houat - esposo Stephan Houat (em memória)

Foto: Luz Marina Côrtes (Arquivo Pessoal)
Via Facebook

sábado, 23 de julho de 2022

FOTO MEMÓRIA DE PIONEIROS DE MACAPÁ: BRAVOS HOMENS E SUAS MÁQUINAS DESBRAVADORAS

Wilma Santana, nora do pioneiro João Barbosa Ribeiro, compartilha na rede social, importante e raro registro histórico de uma equipe de homens que desenvolviam suas atividades com máquinas pesadas abrindo e desbravando caminhos do desenvolvimento,  no Amapá de outrora.

Sr. João Barbosa Ribeiro, pioneiro que chegou ao Amapá em 1947, contratado pelo governador do Território na função de mecânico de máquinas pesadas, residia com a família na Av. Feliciano Coelho, próximo à sede do Trem Desportivo Clube. Faleceu em 28 de fevereiro de 1982.

Via Facebook


sexta-feira, 22 de julho de 2022

MEMÓRIA HISTÓRICA DO AMAPÁ: DESBRAVADOR WALTER PEREIRA DO CARMO

Transcrevemos hoje para os leitores do blog Porta-Retrato – Macapá, matéria do Jornal Diário do Amapá, na Coluna NOTA 10 – publicada em 14/6/2015, que destaca com detalhes a bravura do pioneiro Walter Pereira do Carmo, no Amapá.

Walter do Carmo: a bravura de um pioneiro

Desbravar. Essa foi a essência do espírito de Walter do Carmo. Irrequieto, foi além – abriu praticamente todas as estradas que hoje o Amapá possui. Na área urbana, construiu escolas e clubes, entre outras obras. E ainda foi um exemplo de probidade. Eis a marca de um pioneiro.

Nascido em Prainha, no município de Monte Alegre, no estado do Pará, Walter Pereira do Carmo conhecia o recém criado território federal do Amapá por vir com os pais visitar parentes em Mazagão Velho. Aos 17 anos, já funcionário público com formação técnica em agrimensura, começou, sem saber, a traçar seu caminho para o Amapá. Dizem que sua vinda definitiva se deu ao cumprir uma missão da antiga Comissão de Rodagem do Pará, que depois seria transformada no DEER (Departamento Estadual de Estradas de Rodagem). A missão era, justamente, entregar o projeto da BR 156. Aí foi o começo do saudoso Walter do Carmo. Depois de marcante trajetória, ele morreu no dia 14 de junho de 2014.

Era o decisivo ano de 1951, e Walter, com 21 anos, foi convidado pelo então governador Janary Nunes para ficar no Amapá. Aceitou e começou a trabalhar como encarregado dos Serviços de Melhoramentos, Cortes e Aterros da Rodovia BR 15, atual BR 156. Construiu o ramal do Aporema com 14 quilômetros de extensão.

No dia 13 de outubro de 1951 iniciou a implantação pioneira do trecho Base Aérea de Amapá-Calçoene, numa extensão de 76 quilômetros.

Em 1952, durante o inverno, operou nas medições de volume das águas do rio Araguari, na Cachoeira do Paredão, onde seria construída a Hidrelétrica Coaracy Nunes. No dia 17 de setembro, concretizou a ligação do trecho Base Aérea de Amapá-Calçoene e imediatamente iniciou a construção do trecho Calçoene-Lourenço. Nesse mesmo ano efetuou os estudos para a ligação rodoviária Ferreira Gomes-Cachoeira do Paredão e iniciou o desmatamento para a construção do Porto de Santana.

De 1953 a 1955 concluiu o trecho Calçoene Lourenço, com 116 quilômetros. Construiu os ramais de Cachoeira Grande e Juncal e o campo de pouso de Calçoene. 

Na cidade de Amapá conheceu Helita Ferreira dos Santos, filha de um pecuarista, com quem casou seis meses depois, sendo o governador Janary Nunes um dos padrinhos. Dessa união nasceram sete filhos, Margareth, Walter Júnior, Waldenawer (Keky), Mariângela, Wank, Márcia e Walber.

Em 1956 executou para o governo do Amapá várias expedições de pesquisas minerais, destacando-se a prospecção de xisto betuminoso na região do rio Cajari, e bauxita e magnetita nas regiões do Jari, Tartarugal Grande, Tartarugalzinho e rio Cassiporé.

Em 1958 surgiu a oportunidade que mudaria o rumo de sua vida e dos amapaenses. 

Pauxy Nunes, irmão de Janary, assumiu o governo e priorizou a continuação da abertura da rodovia em direção ao Oiapoque, que passava em aldeias indígenas. 

O medo de enfrentar os índios, que tinham pouco contato com a civilização, dificultava a contratação de empresa. Sem dinheiro, mas muita vontade de começar o serviço, fundou a Construtora Comercial Carmo Ltda..

“Se aqui chegamos, muito mais longe iremos”

(Walter do Carmo, ao chegar em Oiapoque)

Em 1965 as máquinas pesadas, nunca antes vistas por aqui, chegaram via marítima, e o serviço começou. A estrada era aberta até Amapá, e a missão era chegar até à fronteira. Foram meses embrenhado nas matas com homens e equipamentos, abrindo o caminho que até então era percorrido por poucos. Entre Macapá e Amapá, já chefe de família, Walter do Carmo viveu todas as particularidades de um desbravador, quando o mundo oferecia poucos recursos para aventura, como a abraçada pelo então empreiteiro.

Nesse mesmo ano construiu o ramal Cupixi-rio Vila Nova, com 30 quilômetros de extensão e o campo de pouso da localidade de Gaivota, no rio Vila Nova. Construiu ainda a rodovia Macapá-Macacoari com 150 quilômetros de extensão.

“Nunca fui rico, apenas tinha crédito na praça”

(Walter do Carmo)

De 1966 a 1970 construiu o Ginásio Paulo Conrado, a Escola José de Alencar, um pavilhão do IETA, (Instituto de Educação do Amapá), Escola Princesa Isabel, Biblioteca Pública, hoje Biblioteca Elcy Lacerda, 17 casas para funcionários do governo, dois pavilhões do Grupo Escolar Alexandre Vaz Tavares, o Fórum da Justiça Federal, inaugurado pelo presidente Costa e Silva, 21 pontes de madeira sobre pilares de concreto ao longo da BR 156, no trecho Lourenço-Oiapoque, e melhoramentos em 200 quilômetros de caminho de serviço da rodovia e centenas de reformas em prédios públicos.

No dia 24 dezembro de 1970, em um pequeno Jeep, Walter do Carmo, na companhia de Zé Grande e do mestre Ouvídio, escoltados por uma Toyota dirigida por Vicente Cabraia, conseguiram chegar até ao Oiapoque

E após 16 anos, como foi acertado com Janary Nunes, a BR 156, que liga Macapá à fronteira, foi entregue ao então governador Ivanhoé Martins.

De 1971 a 1972 executou serviços de terraplanagem com equipamentos pesados no trecho Calçoene-Lourenço e consolidou o caminho de serviço no trecho Lourenço-Oiapoque, restaurou os ramais do Apuema e Tucunaré e fez o revestimento e obras de artes no trecho Ferreira Gomes-Amapá- Calçoene.

De 1973 a 1975 iniciou e desenvolveu a implantação básica da BR 156 no sentido Norte-Sul, trecho Oiapoque-rio Cassiporé, implantando toda a infraestrutura, incluindo porto para desembarque de equipamentos pesados, fábrica de manilhas de concreto armado; campo de pouso no km 64. 

Participou da construção dos primeiros seis quilômetros da rodovia Perimetral Norte em colaboração com a Construtora Mendes Júnior e hospedou na Fazenda Nossa Senhora do Carmo (105) toda a equipe responsável pela implantação da rodovia e a comitiva do presidente Emílio Garrastazu Medici, incluindo os ministros Mário Andreazza e Costa Cavalcante.

Em 1975, o governo do Amapá decidiu modificar o traçado da rodovia, abandonando 250 quilômetros já construídos. O contrato foi com a Construtora Carmo.

Além da BR 156, Walter do Carmo foi o responsável por levar o progresso para outros cantos do território. Foi ele quem abriu os ramais para que veículos entrassem mais facilmente nos municípios de Amapá e Calçoene, Base Aérea do Amapá e para a localidade Lourenço. Construiu ainda campos de pouso em Tartarugalzinho, Calçoene e Cunani.

Tudo corria bem até que o contrato com o governo foi rescindido na administração de Artur Azevedo Hening, em 1975, ignorando uma das cláusulas que previa o translado do maquinário para a capital. As máquinas utilizadas na construção da BR 156 ficaram abandonadas ao longo do primeiro traçado da estrada e jamais recuperadas. Pela quebra do acordo contratual foi movida uma ação contra o território, que foi vencida pelo empresário muitos anos depois, quando a Construtora Comercial Carmo Ltda. já estava fechada. O dinheiro serviu para pagamento de indenizações trabalhistas e multas do INSS.

Construtor, pioneiro, desbravador e aviador

Nos anos 70 Walter do Carmo construiu os clubes mais bem frequentados, Círculo Militar, Macapá e Amapá Clube. Além de desbravador e construtor, Walter gravou seu nome na história do Amapá como pioneiro, palavra que levava ao pé da letra. Foi um dos fundadores do Lions Clube, Maçonaria, Igreja Messiânica e sua paixão: o Aeroclube.

Realizou um sonho de infância em seus anos de ouro, quando se tornou aviador. Ao conhecer o boliviano capitão Belarmino Bravo, juntou seu desejo e espírito empreendedor à paixão do visitante, e juntos formaram a primeira turma de pilotos “brevetados” da cidade, e fundaram o Aeroclube de Macapá, em 1956. 

Na turma estava Hamilton Silva, que morreu em 1958, no acidente de avião em que também faleceram o deputado Coaracy Nunes e seu suplente Hildemar Maia. Diziam na época que estava prevista a ida de Walter do Carmo nessa viagem.

“Prefiro dormir sem ceia do que acordar com dívida” (Walter do Carmo)

Em 1985 o governador Jorge Nova da Costa, acreditando no potencial de Walter do Carmo, deixou sob sua responsabilidade o asfaltamento de 50 quilômetros da BR 156. Ele foi buscar no Paraná a empresa CR Almeida para o serviço. No ano de 2003 o governador Waldez Góes o nomeou assessor especial, como conselheiro da gestão, cargo com que sobreviveu até 2010. Ao morrer, dia 14 de junho de 2014, recebia apenas a pensão do INSS.

A ação de milhões ajuizada pelos associados e familiares do Aeroclube, por ter o governo do Amapá instalado órgãos públicos, hoje Centro Administrativo, na avenida FAB, sem desapropriar a área, ainda corre na Justiça do Amapá. Além dos sete filhos com Helita, entre eles o Keky, médico recém formado falecido há 28 anos, Walter deixou mais dois filhos, Walmir e João Vitor.

Texto da jornalista Marileia Maciel

O pioneiro Walter do Carmo, faleceu em Macapá, em 14 de junho de 2014, aos 84 anos.

Fonte: Memorial Amapá

Fotos: Acervo família Carmo

Via Facebook

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No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...