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terça-feira, 14 de outubro de 2025

MACAPÁ DE MINHAS MEMÓRIAS > DUAS LEMBRANÇAS DE MEU ACERVO

Há momentos que o tempo não apaga — ficam guardados na alma, nítidos como se tivessem acontecido ontem. O Carnaval de 1985 foi um desses capítulos especiais da minha trajetória. 

Naquele ano, o disco de Sambas de Enredo de Macapá foi gravado nos Estúdios Havaí, no Rio de Janeiro, reunindo cantores amapaenses e músicos cariocas sob a direção artística do talentoso Dominguinhos do Estácio.

Tive a honra de integrar a comissão responsável pela produção, atuando como auxiliar de Dominguinhos, que havia sido contratado pela Prefeitura de Macapá para coordenar todo o projeto. Foram dias intensos de aprendizado, convivência e encantamento com o universo da gravação profissional — um verdadeiro mergulho na arte do som.

Na primeira imagem, apareço sentado à mesa de gravação. Nesse momento, ouvíamos as matrizes já gravadas e editadas do disco de Sambas de Enredo de Macapá — a etapa final antes da prensagem. Um instante de escuta atenta, emoção e dever cumprido.

Na segunda imagem, registro outro momento marcante dessa experiência. O técnico de som, com toda a paciência e generosidade, me explicava o funcionamento dos equipamentos de gravação, mixagem e edição das músicas. Foi um aprendizado valioso, que levo comigo até hoje, não apenas pelo conhecimento técnico, mas pela beleza do encontro humano e pela partilha de saberes.

Essas duas imagens, guardadas com carinho no meu acervo de memórias, me transportam de volta àquele estúdio, ao som das fitas girando e às vozes que ecoavam com tanta emoção. Foram dias que moldaram não apenas um disco, mas também parte da minha história e do amor que carrego pela música e pela cultura do Amapá.

Imagens: Arquivo Pessoal de João Lázaro

domingo, 11 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO CARNAVAL AMAPAENSE - PRIMEIROS DISCOS DE SAMBAS-ENREDO

     Os registros sonoros de Sambas-Enredo do Carnaval de Macapá, tiveram início nos anos oitenta, com recursos de convênios firmados entre o Governo do então Território Federal do Amapá e a Prefeitura Municipal de Macapá, que organizava as Comissões Especiais para coordenar e realizar as gravações dos Sambas-Enredo.

No primeiro disco gravado em 1982 pela Gravasom de Belém do Pará, todos os sambas foram interpretados por um cantor paraense, acompanhado por ritmistas, também do Pará.

A capa do disco foi uma criação do artista plástico Herivelto Brito Maciel que, a pedido da produção, nos enviou áudios, com explicações detalhadas de como aconteceu o convite para fazer parte desse registro histórico: “...eu recebi de alguém dessa comissão que você fazia parte, um convite, que tinha que responder; eu fui lá e respondi positivo, que iria participar.” Herivelto acrescenta que “...a princípio, a ideia era de fazermos um desenho, tipo em aquarela...que depois foi descartada, parti para o concressionário artístico...que se compunha de serpentina, confete, talco, e o lança perfume...como não consegui a ampola de lança perfume na ocasião, coloquei os elementos que dispunha ao chão...com uma parte da serpentina aberta e joguei os confetes por cima, então veio daí a expressão desse movimento acabado que dá o resultado ao concressionário artístico”.

Herivelto nos enviou, também, cópia de um esboço a lápis e montagem final do layout com a ideia de como ele queria que ficasse a capa do disco. Com esse projeto o renomado artista tornou-se o primeiro ilustrador das capas de discos oficiais do Carnaval amapaense.

Como no ano anterior, nos discos dos carnavais de 1983 e 1984, os cantores amapaenses foram levados até a capital paraense, sendo contratados em Belém apenas os músicos. Nestes, a capa (layout) foi desenhada pelo arquiteto Antônio Brito, sendo que a fotomontagem da capa de 1984, foi feita por Fernando Leite do Foto Galeria.

No Carnaval de 1985, o disco foi gravado nos Stúdios Havaí no Rio de Janeiro, com os cantores amapaenses acompanhados por músicos cariocas, sob a direção artística de Dominguinhos do Estácio.

Por último em 1987, foi gravado um disco também nos Studios Havaí, ainda com a direção de Dominguinhos do Estácio e auxiliado na produção por João Lázaro.

Durante os quatro anos seguintes - 1988 a 1991- não houve gravação de discos.

Em 1992 - na era Estado – os sambas-enredo sofreram uma regressão na qualidade de produção pois voltaram a ser gravados em Belém do Pará.

Nota do Editor: Tive a oportunidade de participar da Comissão Organizadora do Carnaval Amapaense de Rua de Macapá, desde 1982 até 1987, período em que a Prefeitura de Macapá, tinha essa incumbência na cidade; consequentemente, participei diretamente do processo de produção de todos os discos citados na matéria. A partir do ano seguinte (1988), com o advento do Estado, o Governo do Amapá, assumiu a responsabilidade pelas gravações dos discos de carnaval. (João Lázaro)

Fotos: Acervo pessoal de João Lázaro.

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Fonte: Texto – adaptado para o blog Porta-Retrato-Macapá - extraído do documentário PAPIRO, publicado em 29 de fevereiro de 1992, pela Editora Papiro Ltda, com pesquisa e texto dos jornalistas Ernando Rozza, Édi Prado e Paulo Matos.

sábado, 19 de abril de 2014

Coisas da Vida: "Ou eu ou o Roberto Carlos"... e a vida continua!

Entre as muitas emoções que vivi durante meu tempo de radialista, foi participar de uma entrevista coletiva, concedida por Roberto Carlos, em 1972, no Macapá Hotel, na capital amapaense.
Nessa época eu havia saída da Rádio Educadora e estava trabalhando na ICOMI, em Santana. Em razão disso, só podia apresentar programas na rádio, aos finais de semana. E em 1972, eu havia retornado à Rádio Difusora de Macapá, quando o Roberto Carlos foi fazer um show em Macapá.
Ao meu lado os radialistas Cristina Homobono e J.Ney, estavam gravando para a Rádio Educadora São José de Macapá, quando foi feito o registro fotográfico, que nem lembro quem bateu essas fotos.
O show aconteceu à noite, no gramado do Estádio Glycério Marques. Naquela época, o rádio em Macapá era feito de forma amadorística mesmo. Prevalecia o amor pela arte. Como o show não podia ser gravado diretamente do palco, eu fiquei no meio do povo com um gravador no ombro, e consegui gravar o show inteirinho e passar domingo pela manhã no meu programa.
Quando me lembro que fazíamos todo esse malabarismo pra levar a informação ao ouvinte...
Isso fazia parte do meu trabalho.
Agora vejam o que a vida nos prepara: em 1972, eu havia conhecido a minha esposa Marina, e estávamos começando a namorar. E ganhei dos promotores do evento, dois ingressos de cortesia, para ir ao show do Roberto Carlos. Quando eu fiz o convite para irmos juntos, ela respondeu que não iria. Diante da negativa, eu respondi: Você não vai, mas eu vou, que tenho de gravar  o show para passar em meu programa. Ela disse: ou eu, ou o Roberto Carlos, você escolhe! Eu fiquei analisando um pouco e pensei comigo mesmo...se ela terminar eu tenho chance de reatar o namoro mais em frente e o Roberto Carlos não tenho certeza se o assistirei novamente... depois disso respondi: Ok eu escolho o Roberto Carlos! E fui sozinho assistir ao show... pouco tempo depois reatamos o namoro, casamos no ano seguinte, e estamos juntos há 49 anos. 
E o Roberto voltou muitas outras vezes a Macapá. 
Coisas da vida!
(Foto: Reprodução do Google images)
O LP daquele ano tinha essa capa.
(Atualizado em 19/04/2021)

domingo, 6 de março de 2011

Raridades Musicais

Marchinhas de carnaval que tocavam no rádio.
(Reprodução internet)
Para ouvir essas relíquias musicais,
basta clicar no Play (seta):

Cabeleira do Zezé(1964) - Jorge Goulart
Cachaça(1953) - Carmem Costa e Colé
Índio Quer Apito(1961) - Walter Levita
Marcha do Remador(1964) - Emilinha Borba
Me Dá Um dinheiro Aí (1960) - Moacyr Franco
Mulata Iê, iê, iê (1965) - Emilinha Borba
Pó-de-mico (1963) - Emilinha Borba
Saca-Rolha (1954) - Zé e Zilda
Tem Nego Bebo Aí(1955) - Carmem Costa
Tomara que Chova(1951) - Emilinha Borba
Com Jeito Vai(1957) - Emilinha Borba

Vou Ter Um Troço(1962) - Jackson do Pandeiro

Turma do Funil(1956) - Vocalistas Tropicais

sábado, 21 de agosto de 2010

"Os Cometas" na Serra do Navio

(Reprodução/Acervo do grupo)
Para ampliar, clique na foto
Anos 60 - Conjunto musical "Os Cometas" em uma das temporadas na Serra do Navio.
Presença constante em muitos bailes de Macapá, Santana e Serra do Navio.
Da esquerda pra direita agrachados: Assunção (falecido) e Spíndola;
Em pé: Muscula, Augusto (falecido), Pedro Altair(falecido), Joacy Mont'Alverne, Walfrido e Aymorezinho.
No trolley: Luiz Almeida (falecido), Roberval e Nando.

domingo, 8 de agosto de 2010

Homenagem ao Dia dos Pais

(Reprodução)

Nos velhos tempos da Macapá antiga - num dia como o de hoje - as famílias se reuniam, em casa, para comemorar o Dia do Papai.
As esposas caprichavam no cardápio e o almoço, quase sempre, era especial nessa data.
Ah! Tinha mais um detalhe: o saboroso FLIP GUARANÁ, não poderia faltar à mesa.
Era um hábito infalível na maioria da população, expressar seu carinho e seu agradecimento à figura do Papai, que era considerado o Chefe da Família, e quem a sustentava, economicamente.
E essas homenagens se tornavam públicas através do “Carnet Social – o programa da família amapaense” - que iniciava às 13 hs pela Rádio Difusora de Macapá - e divulgava mensagens especiais pagas, antecipadamente, seguidas de inesquecíveis “paginas musicais” .

Para vocês recordarem ou conhecerem um pouco dessa época, reproduzo abaixo algumas dessas músicas que se tornaram imortais através daquele que era o programa radiofônico mais ouvido da cidade.

(Reprodução)

Músicas:

É sempre o Papai - Jorge Veiga

Pai Herói - Fábio Jr.

Meu querido, meu velho, meu amigo - Roberto Carlos
Meu Velho - Altemar Dutra

A música do papai - Maria Regina

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...