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sábado, 7 de junho de 2025

ENTRE BALCÕES E MEMÓRIAS > A HISTÓRIA DA PERNAMBUCANA NO AMAPÁ

Pernambucanas em Macapá: A Loja da Marca Olho que Vestiu Gerações

A Chegada das Pernambucanas a Macapá (1949)

A loja Pernambucanas foi um verdadeiro marco no comércio local de Macapá, tornando-se referência para gerações de consumidores. 

Em 1949, registros históricos mostram sua primeira instalação provisória na descida da Rua Cândido Mendes, próxima à tradicional Farmácia Serrano.

Mesmo antes de sua sede definitiva, a loja já atraía os moradores pela variedade de tecidos e produtos do lar, enquanto se construía, nas proximidades, o novo prédio de alvenaria na Praça Veiga Cabral.

O Novo Endereço e a Transformação Urbana

A nova sede da Pernambucanas passou a funcionar oficialmente no sábado, 28 de outubro de 1950, agora na Avenida Presidente Vargas, no trecho entre as ruas São José e Cândido Mendes de Almeida.

Antes da criação do Território Federal do Amapá, em 1943, essa área era um largo corredor que ligava a Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos (atual Praça Veiga Cabral) ao antigo Largo de São João (hoje Praça Barão do Rio Branco). O local também abrigava o campo do Cumau Esporte Clube, um espaço esportivo muito frequentado, além de sediar as futuras instalações da Agência dos Correios e Telégrafos.

A Solenidade de Inauguração (1950)

Segundo artigo do historiador Nilson Montoril, publicado no Diário do Amapá, às 15 horas daquele dia memorável, o governador interino do Amapá, Dr. Raul Montero Valdez, participou da solenidade de inauguração, acompanhado pelo Sr. Henrique Pehtelsohn, diretor da Lundgren Tecidos S.A. — empresa pernambucana com matriz na cidade de Paulista.

Pehtelsohn fez um breve relato sobre a construção da loja, exaltando a colaboração do governo local e agradecendo ao povo de Macapá, que já conhecia os produtos da marca em viagens a outras cidades, como Belém.

Foram apresentados ao público o gerente da filial, Adaucto Benigno Cavalcante, e o fiscal Armando Drummond. Após as falas, o Dr. Valdez declarou oficialmente inaugurada a loja, e os presentes foram recepcionados com frios, gelados e doces, em um clima de celebração e entusiasmo.

Personagens que Fizeram História

O gerente Adaucto Benigno Cavalcante, natural do Ceará, tornou-se uma figura importante na cidade, participando ativamente de ações beneficentes e sociais. 

Ao seu lado, atuaram funcionários dedicados como Nelson Medeiros e Aquino, reconhecidos por sua atenção ao público.

A “Marca Olho” e os Produtos Queridos

Desde 1913, a Marca Olho garante a originalidade e protege o consumidor das imitações.

Inicialmente, a loja vendia apenas tecidos e roupas, com destaque para as fazendas da famosa “Marca Olho”, cujo logotipo trazia dois losangos com um grande olho ao centro — símbolo de qualidade da Lundgren Tecidos.

As donas de casa de Macapá e das redondezas compravam ali toalhas de banho e mesa, lençóis, colchas, travesseiros, entre outros. Os homens buscavam as elegantes camisas da marca Lunfor.


💳 O Crediário Tentação e o Auge da Loja

Nos anos 1970, a loja passou a vender também tapetes, cortinas, eletrodomésticos, artigos de informática e muito mais.

Com o lançamento do famoso “Crediário Tentação”, os consumidores passaram a utilizar carnês e cartões de crédito, o que aumentou consideravelmente o volume de vendas.


Das Origens Pernambucanas ao Declínio

As Casas Pernambucanas nasceram em 25 de setembro de 1906, fundadas pelo sueco Herman Theodor Lundgren, que chegou ao Brasil em 1885. Inicialmente comerciante de pólvora e fertilizantes, Herman se destacou por sua fluência em línguas e, em 1904, comprou a Companhia de Tecidos Paulista, iniciando sua trajetória no setor têxtil. A primeira loja fora de Pernambuco foi aberta em São Paulo, em 1908.

Entre os anos de 1970 e 1990, porém, disputas entre os herdeiros de Herman afetaram o grupo. Somente o braço paulista, liderado por Arthur Lundgren Tecidos, manteve-se forte e continua até hoje no cenário do varejo nacional.

O Encerramento e o Legado em Macapá

A filial de Macapá, infelizmente, acabou encerrando suas atividades, decretando falência após décadas de atuação. Ainda assim, seu legado permanece vivo nas memórias dos que frequentaram seus corredores, compraram tecidos para costurar roupas de festa ou enxovais e vivenciaram uma era de transformação no comércio local.

A imagem acima, datada de 1997, compartilhada pelo nosso colaborador Rogério Castelo, mostra a fachada da filial das Lojas Pernambucanas em Macapá em seus últimos anos de funcionamento, pouco antes do fechamento definitivo da unidade na capital amapaense. O registro é um raro e valioso documento visual que ajuda a preservar a lembrança de um dos marcos do comércio varejista da cidade. Grato, amigo!


sexta-feira, 21 de junho de 2024

MEMÓRIA DO COMÉRCIO AMAPAENSE – COMERCIANTE JOSÉ JÚLIO FERREIRA – ALEMÃO

Urca Bar, foi um estabelecimento comercial montado nos anos 50, pelo comerciante Durval Alves de Melo, na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Trem, que, anos mais tarde, foi repassado ao Sr. Alemão.
A eles nossas homenagens in memoriam.

José Júlio Ferreira, mais conhecido como Alemão, filho de José Ferreira das Chagas e Maria Felina Lopes, nasceu em Itapagé, Ceara, em 23/04/1921. Filho de agricultor, exerceu a profissão de vaqueiro, ajudando seu pai a plantar, colher e criar gados de donos de fazendas na época. Na década de 1940, insatisfeito com a rotina do campo e para ter uma vida mais digna, decidiu abandonar tudo e se mudar para o norte do país, mais especificamente para Belém–PA. Lá foi para o garimpo, juntar economias e montar seu próprio negócio. Desiludido com a atividade de mineração, retornou a Belém, e começou a trabalhar como motorista de ônibus. Esteve por algum tempo nessa profissão e, por intermédio de seu cobrador, de nome Adriano, conheceu Elza Ludovina Tavares, em uma esquina onde ela e a mãe vendiam merendas diversificadas, no mesmo local o ônibus fazia paradas em cada trajeto percorrido. No dia 24/09/1949, casaram, e foram residir no bairro do Telégrafo. A partir de então, ela passou a se chamar Elza Ludovina Tavares Ferreira. No início dos anos 1950 foram para o Amapá e ele para a ICOMI, em Serra do Navio, onde trabalhou como motorista. Dois anos depois, pediu demissão da companhia e regressou a Macapá para tentar a sorte. Como seus planos não deram certo, voltou para Serra do Navio, onde permaneceu por mais dois anos, como operador de muck (caminhão), da mineradora.

Mesmo assim, não satisfeito, pediu demissão e foi para Macapá. Lá alugou o ponto do Urca Bar do Sr. Durval Melo. Na época o imóvel era de madeira, mas somente algum tempo depois ele adquiriu o terreno do Seu Durval, e realizou uma grande reforma, que o transformou num estabelecimento de alvenaria conhecido como Urca Bar, Sorveteria e Mercearia. O prédio foi construído sob a supervisão técnica do mestre Júlio Batista de Araújo, profissional da construção civil que atuava na Divisão de Obras do Governo Janary Nunes.  Durante os anos de 78 a 80 José Júlio desenvolveu um novo empreendimento ao lado da Sede do Trem denominado Casa Estrela. Em 1980 enfrentou uma doença grave que o obrigou a vender o Urca Bar para seu sobrinho Edimar, antecipar sua aposentadoria e retornar à capital paraense. Em Belém, o estabelecimento de comércio URCA foi adquirido por seu genro de nome Fernando, em 1982. José Júlio voltou ao Ceará, em janeiro de 1983, mais precisamente para a cidade de Itapagé, onde montou novamente um negócio, desta feita, uma churrascaria de nome URCA. Devido ao falecimento de Seu Antônio Ferreira Lopes, irmão mais velho dele, Zé Júlio voltou à Fortaleza, em 1984, e lá comprou uma casa, e na frente, montou um estabelecimento comercial de nome URCA BAR E MERCEARIA, que funcionou até seu falecimento. José Júlio Ferreira – o Alemão, faleceu em 26 de agosto de 1992, aos 71 anos, às 9h, em sua residência na Av. Abelardo Ferreira, em Fortaleza–CE, vítima de insuficiência cardiorrespiratória, trombose, cirrose hepática (diagnosticada quando ainda morava em Macapá). Seu sepultamento ocorreu dia 27, às 10h no Cemitério Jardim Metropolitano, em Fortaleza–CE. José Júlio Ferreira teve 13 filhos, sendo um fora do casamento e dois de criação. Três já são falecidos. Os outros moram em vários estados do Brasil: Macapá (02), Belém (02), João Pessoa (01), Fortaleza (03), Tianguá–CE (01) e Curitiba (01). Desses, sete nasceram em Belém, dois em Serra do Navio e quatro em Macapá.

Descendentes: Netos: 29, bisnetos: 32 e tataranetos 02.

Uma curiosidade: por que o nome URCA?

Seu Alemão dizia que o nome URCA, utilizado em seus empreendimentos, se referia a uma embarcação bastante utilizada pelos portugueses em suas viagens pelo oceano, típica do século XVII. Além disso, o seu sogro, João Marques Tavares, que era descendente de portugueses, representava uma importância significativa para ele. Outro detalhe relevante é que o nome "URCA" sempre lhe deu muita sorte.

Segundo o dicionário Aurélio, Urca: Embarcação do século XVII, de dois ou três mastros, de velas redondas ou latinas, com um grande porão para transporte de carga, e que passou, com o tempo, a chamar-se charrua. “Trazia-os a seu bordo a urca flamenga que dava pelo nome romanesco de ‘Grifo Dourado’, e teve o mau gosto de naufragar junto do porto de chegada.” (Afonso Arinos, Lendas e Tradições Brasileiras, p. 74.)

Nota do Editor: Agradecimentos ao Sr. Adriano Tavares Ferreira,  filho do biografado, por nos fornecer informações e fotos para montagem e ilustração desta biografia! (João Lázaro) 

sábado, 9 de março de 2024

FOTO MEMÓRIA DO COMÉRCIO AMAPAENSE – COMERCIANTE (CASA FLOR DO AFUÁ) - ESDRAS PINHEIRO TORRES (In memoriam)

O comerciante ESDRAS PINHEIRO TORRES – um dos pioneiros do Comércio amapaense – nasceu em Belém (PA), na sexta-feira, dia 03.03.1905, filho de João Torres Filho e Raymunda Pinheiro Torres. O pai dele foi Pastor Moderador da PIB – Primeira Igreja Batista do Pará no ano de 1908 e Pastor da PIB – Primeira Igreja Batista do Maranhão nos anos 1909/1910. Antes de ir para o Amapá, ele desenvolveu atividades de Pintor Decorador, Trabalhador e Mestre de Obras da Construção Civil. Em 1951 foi para Macapá, procedente de Belém, para realizar um trabalho (área da construção civil) na Casa California, a convite de seu proprietário Sr. Salim Elias Mourad. A Casa Califórnia, um dos primeiros estabelecimentos comerciais instalados em Macapá com vendas de fazendas, miudezas e estivas em geral, situava-se na área hoje (2024) ocupada pelo Shopping Popular, na Rua São José, próximo ao Mercado Central.  A partir daí, incentivado pelo Sr. Salim e percebendo que Macapá oferecia boas oportunidades de trabalho, mandou buscar sua família, que morava na capital paraense (a viagem para Macapá foi feita pelo Rebocador Araguari). As oportunidades de trabalho eram resultado do desenvolvimento e crescimento de Macapá, considerando os investimentos do Governo Federal em infraestrutura, após a criação do Território do Amapá, em 1943. Após um breve período atuando na construção civil, mudou de ramo, adquirindo um pequeno ponto comercial na Rua Candido Mendes, entre as atuais Av. Coaracy Nunes e Av. Mendonça Junior. O empreendimento foi registrado na JUCAP, em 01.06.1952, no ramo de Comércio em geral, em nome de sua esposa Marta Trajano Torres, primeiramente com o nome fantasia de Casa Flor da Síria posteriormente mudou para CASA FLOR DO AFUÁ, em homenagem aos afuaenses, que eram fregueses de seu comércio quando iam à Macapá fazer compras. O nome Casa Flor da Síria, posteriormente, foi utilizado por outro comerciante. 

COMÉRCIO ITINERANTE EM SERRA DO NAVIO.

Para impulsionar as vendas, aumentar a receita da Casa Flor do Afuá e, sobretudo, atender clientes distantes da cidade, Seu Esdras realizava viagens mensais à Serra do Navio. Da mesma forma, um grupo de comerciantes de Macapá, autorizados pela ICOMI, seguia para lá durante o período de pagamento dos funcionários da Companhia. A estadia em Serra do Navio durava três dias, com a maioria dos comerciantes improvisando a hospedagem no próprio local de venda ou na casa de algum conhecido. 

As mercadorias eram dispostas no prédio onde funcionava o Manganês Esporte Clube e o Supermercado, seguindo um padrão norte-americano, o que era inovador para a época. Os comerciantes, chamados de "marreteiros", inicialmente viajavam para Santana em um caminhão alugado, saindo da loja na Cândido Mendes por volta das 22h. O trem da ICOMI partia à meia-noite e chegava às 6h em Serra do Navio, onde eram transportados até o local de venda em caminhões da própria companhia. 

Os produtos oferecidos por esses comerciantes não eram encontrados no supermercado local, sendo predominantemente sapatos, roupas, artigos de armarinho e miudezas em geral, armazenados em três ou quatro maletas. A presença dos "marreteiros" em Serra do Navio era permitida pela ICOMI para evitar que as pessoas tivessem que percorrer os 200km até Santana ou Macapá. As viagens eram desgastantes e exigiam diversos sacrifícios, como o preparo e embalagem das mercadorias, viagens de caminhão e trem, além das condições de hospedagem. Mas, tinha o lado positivo: o faturamento dos três dias de venda compensava, pois tudo era pago em espécie e à vista. Nosso informante, que na época (anos 60), estava na faixa etária dos 10 para 15 anos, diz ter boas lembranças dessas aventuras, pois não perdia uma viagem.

Foto: Arquivo do blog

Quando ocorreu o incêndio de 1967, a Casa Flor da Síria, já pertencia à outra firma empresarial. A Casa Flor da Síria, da foto, era adjacente à Casa Flor do AfuáComo comerciante, Seu Esdras exerceu na década de 60, as funções de secretário e tesoureiro da Associação Comercial do Amapá, quando esta funcionava à Praça Veiga Cabral, na Av. General Gurjão, próximo ao prédio da Embratel. O comércio dele funcionou por dezesseis anos (1951 a 1967), e encerrou com o incêndio de parte na área comercial da Rua Cândido Mendes (lado esquerdo no sentido Av. Mendonça Junior para Av. Coaracy Junior), em 24.11.1967. Nesse incêndio, a família perdeu o comércio e a residência. A partir daí ele retomou às atividades anteriores ao comercio, como Construtor Civil. Entre as obras construídas, destacam-se o Supermercado Brunswick, o primeiro supermercado inaugurado em Macapá, em 1976, de propriedade do Sr. João Evangelista Alves Pereira na Av. Pe Júlio Maria Lombaerd (atual Supermercado Santa Lúcia); Galeria de Lojas na Av. Pe Júlio Maria Lombaerd, entre Rua Cândido Mendes e Rua São José, de propriedade do Sr. Celestino Pinheiro, dono da Casa Estrela. Como um dos pioneiros da Igreja Assembleia de Deus, colaborou na construção do primeiro templo da Igreja Pioneira (demolido), situado na Rua Tiradentes com a Av. Presidente Vargas. Na área administrativa, exerceu a função de tesoureiro da Igreja. Foi, ainda, professor da Escola Bíblica Dominical e integrante do Conjunto Coral da Igreja. Nos anos 80, exerceu a função de Evangelista e Diretor de Patrimônio (por um ano) na Igreja Assembleia de Deus, da Av. Cora de Carvalho; casou em Capanema (PA), com Marta Trajano Torres, em 24.03.1934, com quem teve 03 (três) filhos: Lourdes Trajano Torres, Itamar Trajano Torres e Irene Trajano Torres. Pr. ESDRAS PINHEIRO TORRES faleceu em Macapá, dia 18.08.1989, aos 84 anos de idade, vítima de ataque cardíaco (Infarto). Faleceu sem conhecer o Afuá; seu corpo descansa em paz no Cemitério de São José, no bairro Santa Rita. Seu nome foi dado a uma das Ruas do Bairro Jardim Marco Zero, por indicação do Vereador Adonias de Freitas Trajano. Chama-se Travessa Pr. Esdras Pinheiro Torres.

Fonte: Dados biográficos fornecidos pelo amigo Itamar Trajano Torres, filho do biografado. 

(Reeditado e atualizado em 04/04/2024 às 22h08)

terça-feira, 19 de julho de 2022

MEMÓRIA DA COMÉRCIO AMAPAENSE: CASA MORAES

CASA MORAES: UM SORTIDÃO QUE MARCOU ÉPOCA NA ANTIGA DOCA DA FORTALEZA

Casa Moraes - pintura com pigmentos de betume da judeia sobre tela, do artista plástico, Miguel Arcanjo - acervo da família Cardoso.

Por: Wanke Do Carmo

Fundada em março de 1959 pelo senhor Antônio Moraes Cardoso ( Seu Antonico ), juntamente com a sua esposa, Augusta Pereira Cardoso, casal proveniente de Breves-PA.

A Casa Moraes localizava-se na antiga doca da Fortaleza de São José, que muitos chamavam de "beira", quase encostada em suas seculares muralhas.

O estabelecimento era uma festa para os olhos pela variedade de gêneros alimentícios e produtos diversos espalhados por todo seu interior e área externa. O forte da casa eram os secos e molhados que incluía o tradicional Jabá em fardo (charque), açúcar, café,  feijão, tabaco em rolo, manteiga em latões, o mel de cana em pote de Abaetetuba-PA, coberto com folha de sororoca, e o delicioso mapará seco de Cametá-PA. Era local de encontro dos embarcadiços e canoeiros que depois de uma longa viagem de barco ou nas valentes canoas à vela, provenientes das ilhas do Pará, faziam sua confraternização regada com a velha e boa cachaça Alvorada, aquela do rótulo com um galo colorido. Outros famosos frequentadores foram os briosos guardas territoriais que saídos do plantão na Fortaleza de São José, aproveitavam para tomar um delicioso caldo de cana acompanhado de uma saborosa donzela (biscoito de trigo com açúcar cristal). Aos clientes mais chegados do seu Antonico era ofertado um molhe de tabaco para ser mascado ou fumado de acordo com o gosto do freguês. O crediário aos clientes de confiança era anotado no famoso caderninho de despesas e compras, era uma espécie de cartão de crédito da mercearia mais popular da antiga doca da Fortaleza nos idos dos anos 60 e 70.

Ainda eram ofertados os artigos de caça e pesca: malhadeiras, anzóis, querosene, lamparina, farol para embarcações e corda de sisal.

À época do Carnaval, os sócios do memorável Saci Clube, que depois virou Círculo Militar, paravam na Casa Moraes com seu Antonico para fazer o "aquecimento" com a saborosa batida de limão.

Um dos grandes orgulhos do seu Antônio Moraes (Antonico) era falar aos amigos que criou e formou os 10 filhos, entre eles advogados, professores e administradores, com a renda proveniente desse pioneiro estabelecimento que marcou época na Macapá do tempo do TFA. Boas lembranças do comércio pioneiro da nossa cidade.

Nota do Editor

Nas fotos que ilustram essa matéria, podemos ver claramente, em tomada aérea e posições diferentes, o local exato onde ficava situada a Casa Moraes, à beira do Igarapé da Fortaleza, bem próximo ao baluarte São José, que nos dias de hoje, fica voltado para à agência do Banco do Brasil.

Via Facebook

domingo, 6 de junho de 2021

Foto Memória do Comércio Amapaense: Interior do ELITE BAR

 

Nossa foto memória de hoje, traz imagens inéditas do interior do Elite Bar, onde podemos ver o proprietário Sr. João Vieira de Assis, o antigo balcão, motor, bomboniere e alguns clientes, que, naquela época eram chamados de “fregueses”.

O Elite Bar, um movimentado estabelecimento da Macapá antiga, funcionou inicialmente numa antiga edificação conhecida como “casa amarela”, cujo primeiro proprietário foi o Tenente-Coronel Coriolano Finéas Jucá. Segundo o historiador Nilson Montoril, a casa amarela, que originalmente foi pintada de branco, fazia fundos com a residência do marroquino Leão Zagury. Os cômodos faziam frente para a antiga Rua Independência, também chamada Rua de Cima, bem em frente ao prédio da antiga, Intendência Municipal, hoje ocupado pelo Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.

Com o passar do tempo a Rua Siqueira Campos recebeu duas denominações: Mendonça Furtado e Mário Cruz. Essa última ainda prevalece. A casa amarela foi vendida ao comerciante Moisés Zagury que mandou demoli-la para erguer a oficina mecânica dos carros Ford que ele vendia. Atualmente (2021), naquela área funciona parte da loja 246.

De lá o Elite Bar foi ocupar o espaço no antigo canto da Av. Presidente Vargas, com a Rua São José, Praça Veiga Cabral, onde hoje existe um prédio em que, nos altos funcionam salas para aluguel e na parte de baixo uma loja de confecções.

sábado, 1 de maio de 2021

FOTO MEMÓRIA DO COMÉRCIO AMAPAENSE: CASA LÍBIA

 Foto da década de 60, compartilhada por Francisco Bessa de Castro na Rede Social, trás imagens do interior da CASA LÍBIA, com ilustres visitantes.

A partir da esq.: engenheiro Clack Charles Platon; Sr. Genésio Antônio de Castro; Sr. Ivaldo Alves Veras, rádio técnico da Difusora de Macapá; Dona Engrácia Ribeiro de Oliveira (Gracinha) e a filha Maria Nilma.

Fonte: Facebook

terça-feira, 14 de abril de 2020

Foto Memória do Comércio Amapaense: Sr. Luiz Gomes de Pinho – Empresário Pioneiro do Amapá

O empresário Luiz Gomes de Pinho, nasceu em Monsenhor Tabosa-CE, em 11 de abril de 1927. Em 1954 chega em Macapá e começa o ofício de relojoeiro. Em 1958 casa com a paraense Jacira Maria da Motta Leitão e tem quatro filhos: Rosângela, Eliana, Orleans e Adriana. Em 1959 abre duas sapatarias denominadas Casas Pará, na Rua Cândido Mendes. Abre em seguida quatro pontos de venda, do Sorvete Gelar, na Av. FAB, Cândido Mendes, próximo ao Estádio Municipal Glycério Marques e em Santana.
Monta em seguida a Sapataria Ideal, na Rua Cândido Mendes. Fecha a sapataria e monta o Picolé Ki Ideal. Após comprar uma máquina de caldo de cana em São Paulo, fecha o Picolé Ki Ideal e abre a Lanchonete Ki Delícia e depois a Loja Imperatriz, com vendas de roupas e calçados. Monta novamente uma fábrica de picolé em Macapá, chamada Picolé Guri. Em 1980 vende todo o seu patrimônio e vai embora para o Ceará, abrindo uma loja de artigos da terra. Mas em 1984 houve um assalto na loja, onde ele perdeu tudo. Desiludido, resolve retornar ao Amapá, passando a vender caldo de cana no Mercado Central. Aposenta-se e abandona os negócios.ojeHojeHHo
Luiz Gomes de Pinho, aposentado, morava com a filha Eliana, em Macapá, próximo ao monumento do Marco Zero do Equador.
Depois dos 90 anos, teve alguns problemas circulatórios e só andava em casa, mas antes ainda ia ao centro da cidade, sozinho, de ônibus...
“Seu” Luiz Gomes de Pinho era um apaixonado pelo Amapá e pela sua gente.
Seu Luiz faleceu, em Macapá, em 13 de junho de 2022, aos 95 anos.
Fonte: “Livro do Comércio do Amapá – A História”
               Fecomércio - Amapá-2017  
Agradecemos o apoio de Rosângela Pinho, filha do biografado - diretamente de Fortaleza/CE - pelas atualizações, envio de fotos e informações complementares!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Foto Memória do Comércio Amapaense: Casa Líbia

Hoje, trago outro registro fotográfico histórico, do acervo da família Bessa de Castro.
Uma foto memorável da Casa Líbia - um estabelecimento comercial com uma enorme clientela - que se situava na confluência da Rua Cândido Mendes com a Av. Prof.ª Cora de Carvalho, tendo ao lado o escritório do despachante Negrão e, defronte, (do outro lado da rua) o posto Texaco do seu Assis (hoje dos Alcolumbres).
Fonte: Facebook

terça-feira, 5 de junho de 2018

Foto Memória do Comércio Amapaense: Empresário Waldir do Nascimento Carrera

           Waldir do Nascimento Carrera nasceu em Belém do Pará no dia 10  de março de 1942. Migrou para o Amapá em 1952, aos 10 anos de idade, ao lado de sua mãe Augusta do Nascimento Carrera e sua irmã Marly da Conceição Carrera. Ainda muito jovem, aos 20 anos, começou a trabalhar na empresa Techint Engenharia e Construção, no Município de Porto Grande, onde permaneceu até que a firma tivesse fechado. Voltou para Macapá e casou-se com a jovem Ilka Maria Jucá, com quem teve 03 filhos: Marcus Vinicius Jucá Carrera, Soraya Augusta Jucá Carrera e Paula Simone Jucá Carrera. Em 1970, abriu sociedade com o cunhado Hernani Vitor Guedes em uma Farmácia e dois anos depois, comprou a cota parte de seu sócio e fundou a W.N.Carrera (cujo nome fantasia era FARMATREM), ramo em que se dedicou por 26 anos.
Além de empresário, Waldir Carrera sempre se dedicou à vida social, esportiva e carnavalesca do Amapá, acumulando títulos como: Presidente do Esporte Clube Macapá; Presidente da Federação Amapaense de Basquetebol; Diretor e um dos fundadores da Escola de Samba Unidos da Coaracy Nunes; Presidente da Escola de Samba Piratas da Batucada;  além de também fazer parte da Diretoria da BANDA (bloco de sujos). Em 1993, Waldir Carrera foi eleito Presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá (ACIA), onde desenvolveu vários projetos de assistência aos associados.
Em 1999, foi eleito Presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Farmacêutico do Estado do Amapá, onde desempenhou seu mandato com avidez e conquistas relevantes para a categoria.
Waldir do Nascimento Carrera faleceu no dia 26 de fevereiro de 2002, com 59 anos de idade, vítima de infarto, logo após mudar seu ramo empreendedor para casa Lotérica. Anos depois, recebeu a homenagem póstuma da Federação do Comércio – FECOMÉRCIO, que deu seu nome para o anfiteatro daquela instituição.
Fonte: Texto elaborado pela família do biografado, a quem agradecemos pela colaboração!
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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Foto Memória do Comércio Amapaense: FARMATREM

(Foto: Reprodução/Fecomércio/AP)
A FARMATREM, era um dos principais estabelecimentos do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Macapá - localizado na av. Feliciano Coelho, 980, esquina com Rua Leopoldo Machado - fundado em 29 de dezembro de 1972, pelo empresário Waldir do Nascimento Carrera.
Fonte consultada: Comércio do Amapá – A História / FECOMÉRCIO-AP - 2018
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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Fotos Memória do Comércio Amapaense: Família Roffé, do norte da África para a Amazônia até o Amapá

O início da emigração de famílias judias radicadas há vários séculos no norte da África, para a Amazônia brasileira, aconteceu na segunda metade do século XIX, quando o reino do Marrocos atravessou guerras e instabilidade política, provocadas pelas intervenções militares das potências europeias, a partir de 1844.
A Família Roffé, veio nessa leva.
As populações, no norte do Marrocos, usavam a língua espanhola, e ao sul, o árabe e dialetos bérberes.
De 1471 a 1578 Arzila foi ocupada pelos portugueses, que ergueram as muralhas ainda existentes e a transformaram em importante centro comercial; a seguir foi perdida para os espanhóis, que a chamavam de Arcila. Posteriormente foi cedida a governantes muçulmanos e recebeu o nome árabe atual: Asilah.
A família Roffé é originária de Arzila (Asilah), uma pequena cidade do noroeste de Marrocos, localizada na atual província de tanger, que abrigava uma numerosa colônia judaica.
A palavra Roffé é de origem hebraica e significa médico; a família se comunicava em língua espanhola.
O patriarca Levi Roffé ou Roiff nasceu e morreu em Arzila, onde viveu 106 anos, de 1817 a 1923.
Era negociante nas feiras e figura de alguma projeção na comunidade israelita; consta que havia uma rua com o seu nome na cidade.
Casou-se duas vezes: primeiro com Honória e posteriormente com Cota. Foram seus filhos: Abraham, Alfredo, Jaime, Aziza, Bonina e Camila (Jaime e Camila eram filhos de Cota). Os três filhos homens e vários netos, filhos de suas filhas, emigraram para o Brasil.
Abraham Roffé nasceu em Arzila em 1857 e viajou para o Brasil em 1872. Retornou ao Marrocos, casou-se com Anna Barcessat aproximadamente em 1875 e voltou para a Amazônia sem a família. Estabeleceu-se no município de Afuá (Roflandia) e quando sua situação melhorou mandou buscar mulher e filhos. Posteriormente vários parentes seus e da mulher também vieram e foram as raízes de outras famílias de sefarditas do Pará.
Mais tarde, Abraham transferiu-se para Belém, onde participou de importante firma comercial de seu filho Isaac. Para os padrões da época e da região, era considerado um homem rico. Era de baixa estatura, robusto, moreno, austero, pouco simpático, mascava fumo. 
Relacionava-se muito bem com o filho Isaac, com quem tinha interesses comerciais estreitos, e com eles também trabalhavam seus filhos Simão e Mário, bem como o neto Marcos Athias. Conhecido como “o velho Roffé”, faleceu em 1º de fevereiro de 1932, aos 75 anos, e está sepultado no antigo Cemitério Israelita de Belém da Rua José Bonifácio.
Anna Barcessat Roffé nasceu em Arzila em 1862, filha de Moisés Barcessat e Júlia Bencheton. Casou-se em 1875, com 13 ou 14 anos, e aos 15 anos deu à luz sua primeira filha: Meriam. Seus filhos mais velhos nasceram em Arzila e posteriormente veio ao encontro do marido no Brasil, onde nasceram os cinco filhos mais novos.
Nos anos em que permaneceu com os filhos no Marrocos, sofreu grandes privações. Os recursos deixados por Abraham acabaram, mas ela nunca escreveu a respeito ao marido
Gorda e precocemente envelhecida, sofria de hérnia abdominal, tendo sido operada várias vezes, e passava a maior parte do tempo deitada em uma rede, ou ficava sentada junto à janela conversando com os conhecidos. Gostava muito do jogo do bicho e sempre pedia a alguém que passava sob sua janela para ir fazer o seu joguinho. Era simpática, afável, solidária, caridosa. Faleceu em Belém, em agosto de 1922, aos 60 anos.
Família Zagury
A trajetória da família Zagury, no Amapá, começa bem antes do Território, quando o marroquino e desbravador Judah (Leão) Zagury, opta pelo Amapá com um faro de comerciante, onde chega no ano de 1879, com 15 anos de idade, levando mercadorias dos armazéns dos seus conterrâneos para negociar em Macapá, Bailique e Mazagão.
Dez anos depois de uma vida agitada, monta seu estabelecimento comercial, onde vende tudo o que lhe oferece um lucro.
Em 1897, se casa com a jovem Sarah Roffé, natural de Tânger, Marrocos, filha do abastado comerciante Abraham Roffé e Anna Barcessat e dessa união nascem Esther, José, Eliezer, Issac, Syme, Meryan, Abraham, Moisés e Ana.
Naturaliza-se brasileiro em 1904 e no ano seguinte, recebe a patente de Capitão da Guarda Nacional.
Dona Sarah, sua esposa, nasce em 1882 e naturaliza-se brasileira em 5 de outubro de 1945.
Com o falecimento de Leão Zagury, em 1930, sozinha, cria os filhos que com o sacrifício dela se formam. Na mesma época em que Leão morre, Sarah adoece e enquanto Moisés estava em Belém, Isaac fica no Amapá sustentando a casa e ainda manda dinheiro para o irmão que estava em Belém estudando. 
Restabelecida, Sarah recomeça a vida comercial, na qual tinha muita experiência pois sempre trabalhara ao lado do marido. Foi ela inclusive, quem fabricou sabão pela primeira vez no Amapá. Fabricava ainda o creme dental usado na casa dos Zagury. Obteve esses conhecimentos com o filho – José – farmacêutico. Aprendeu também a tratar de doentes de malária. Começou a trabalhar no balcão da fábrica de sabão e atender em casa aos doentes de malária e de outras doenças. O comércio Zagury era um lugar onde eram vendidos tecidos, sapatos, remédios e tudo mais. Os produtos eram vendidos em Macapá e para as ilhas, através do célebre aviamento, que era um tipo de permuta. A borracha era levada e trocada lá por mercadoria, ou então, se o comprador tivesse crédito levava a mercadoria e o débito ficava para futuros acertos. Era o famoso “aviamento quinzenal”.
Dona Sarah, faleceu aos 80 anos, dia 20 de novembro de 1963, no Rio de Janeiro, onde está sepultada.
Fontes consultadas: 
Blog Família Roffé, disponível em: 
http://familiaroffe.blogspot.com.br/
Blog Prof. Áureo Roffé, disponível em:
http://aureoroffe.blogspot.com.br/2012/08/familia-roff.html
Nota do Editor: Para realização dessa pesquisa, essa editoria contou com a imprescindível colaboração dos amigos e irmãos Leão, Abraham e Sarah Zagury, diretamente do Rio de Janeiro, bem como do primo Simão Pecher, diretamente de Manaus(AM). Eles, em nome das Famílias dos pioneiros do comércio amapaense, aprovaram a iniciativa e facultaram ao blog Porta-Retrato, a devida autorização para a publicação dessa matéria histórica. Grato a todos. (João Lázaro)

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Foto Memória do Comércio Amapaense: Empresario João Djalma Santiago do Nascimento (em memória)

Imagem: Reprodução / Fecomércio
O empresário João Djalma Santiago do Nascimento, nasceu em Afuá-PA, em 1 de maio de 1945. Chegou em Macapá com 2 anos de idade. Estudou e concluiu o ensino médio no Colégio Amapaense. Desde criança trabalhava com o pai José do Nascimento, na fabricação de lamparinas, no bairro do Trem. Casou com Adelsira Costa de Souza, em 10 de julho de 1965.  Trabalhou inicialmente por conta própria com o empresário Normando Silveira, em 1966, na Ótica Suzi, na Praça Veiga Cabral. Depois dessa experiência de trabalho, consegue comprar a empresa e substitui o nome e a natureza do comércio para Ótica Menina.
Djalma foi fundador do Clube de Diretores Logistas de Macapá(CDL) e Presidente por vinte anos até seu falecimento. Intermediou a ida das Lojas Brasileiras (Lobras) e do Banco Econômico  para Macapá. Fez parte do grupo de apoio à instalação da Telecomunicações do Amapá – TELEAMAPÁ. Foi membro da Associação Comercial e Industrial do Amapá. Era também rotariano e maçon, chegando ao Grau 33.
João Djalma Santiago do Nascimento faleceu em Macapá, dia 19 de novembro de 1993, com 48 anos de idade.
Fonte consultada: Comércio do Amapá – A História / FECOMÉRCIO-AP - 2018

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Foto Memória do Comércio Amapaense: Farmácia Droga Norte

A Droga Norte, foi uma das primeiras farmácias da capital amapaense.
Seu proprietário Marlindo Martins Serrano, que chegou em Macapá em meados dos anos 1960, era um dos filhos do farmacêutico Francisco Serrano, dono da farmácia do mesmo nome, situada na descida da Rua Cândido Mendes, no centro comercial da cidade.
A Droga Norte ocupava uma das lojas situadas no entorno do Mercado Central, inauguradas pela Prefeitura Municipal de Macapá, em 1965, na época em que o prefeito do município era o Coronel Renêe de Azevedo Limmounchi, nomeado pelo Governador do então Território Federal do Amapá.
Marlindo dispensava a todos que o procuravam uma atenção especial, com uma palavra, um sorriso, e um excelente atendimento, além de seu inconfundível carisma.
Ele passou para o plano espiritual em 2010, mas seu legado de amor à profissão e à família, ficarão para sempre.
Fonte consultada: Comércio do Amapá – A História / FECOMÉRCIO-AP - 2018

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Foto Memória do Comércio Amapaense: O Pioneiro Stephan Hout

Nossa Foto Memória de hoje, presta uma homenagem póstuma ao pioneiro STEPHAN HOUAT
STEPHAN HOUAT, nasceu em Batroun, República do Líbano, no dia 5 de dezembro de 1923, filho dos comerciantes Jorge Houat e D. Foutine Darghan Houat. Estudou o Curso Ginasial no Colégio dos Irmãos Maristas e na Escola de Belas-Artes em Beirute, Capital do Líbano, formando-se em Técnica-Mecânica. Começou trabalhando na função de subchefe da oficina mecânica da companhia de petróleo "Iraq Petroleun Company". No ano de 1940, passou a ministrar aulas na Escola de Belas-Artes onde se formou. Com a ocupação do Líbano pelas tropas inglesas e por franceses livres em 1941, a juventude começou a reagir contra as reformas tendenciosas que queriam implantar. Alguns libaneses começaram a emigrar, entre os quais o seu pai, que veio para o Brasil em 1942, se estabelecendo em Belém do Pará. Stephan decidiu vir para o Brasil em 1947, chegando ao Rio de Janeiro em companhia de seu irmão Abdallah no dia 23 de junho; prosseguindo viagem para Belém-PA, assumiu a gerência do comercio de seu pai e inaugurou uma casa de comércio em sociedade com seu irmão Abdallah em 1948, no mercado de São Brás, aí permanecendo três anos. Chegou ao Amapá, em maio de 1949, dando início a sua atividade comercial, sempre de sociedade, com seu irmão.
Primeiro com uma banca na Doca da Fortaleza e, depois, numa loja pequenina, construída de madeira e coberta de cavacos,...
...no local onde depois funcionou a loja Beiruth N'América, na qual exibia tecidos de lindas padronagens.
Começou então a odisseia da Associação Comercial do Amapá, onde assumiu diversos cargos, inclusive o de Presidente; participou da criação do Clube dos Diretores Lojistas e liderava, com seu irmão os libaneses que vieram para o Amapá. Desportista, torcedor do Trem Esporte Clube, assumiu os cargos de Diretor de Esportes, Diretor Social, Presidente e Vice-Presidente, bem como apoiou as diretorias na construção da sede social e na formação de uma equipe de futebol para competir em igualdade de condições com o Amapá, Macapá e São José; passou a se dedicar ao Bairro do Trem para onde foi morar e era muito querido. Foi um colaborador permanente dos padres da igreja de Nossa Senhora da Conceição; participou da colocação da pedra fundamental da sede dos escoteiros do mar "Marcilio Dias" chefiada pelo professor Dário Jassé; foi escolhido pelos clubes para o cargo de Presidente da Federação Amapaense de Desportos; Presidente da Federação Amapaense de Natação; Presidente da Federação de Futebol de Salão. Presidiu diversas delegações que viajaram para Belém, Rio Branco, Salvador; Fundador do Aeroclube de Macapá, Diretor do Colégio de Árbitros. Mesmo sendo torcedor do Trem, era sócio de todos os outros clubes e justificava que era uma colaboração, um incentivo. 
No ano de 1953, viajou para o Líbano para casar com a jovem Jacqueline EI Achi no dia 27 de setembro, (veja a foto acima) retomando em novembro do mesmo ano, quando a apresentou à sociedade amapaense. 
No ano de 1969, se candidata ao cargo de Vereador pelo Município de Macapá e, merecendo o apoio popular, é eleito juntamente com Humberto Dias Santos, Walter Banhos de Araújo e Lucimar Amoras DeI Castilho, diplomados no dia 2 de janeiro de 1970, assumindo a Presidência da Mesa. Membro do Rotary Clube de Macapá. Fez parte de diversos Conselhos, foi 2º Secretario, Vice-Presidente e Diretor sem pasta. Assumiu por duas vezes a Presidência da entidade, reunindo-se no Esporte Clube Macapá onde seu irmão Abdallah era Presidente. No ano de 1975, se transfere para Belém, onde funda uma firma de compensados e material de construção, fixando residência naquela cidade, passando a dedicar sua vida esportiva ao Paissandu Esporte Clube, sócio e torcedor, sendo eleito Presidente do alviazul onde teve uma atuação merecedora de elogios. Teve uma vida social intensa no clube Monte Líbano do qual foi também Presidente. De repente a morte chegou, surpreendendo a sua esposa Jacqueline, seus filhos Kátia Mara, Jorge, Fadia Luzia, Jussara Keila e José Emílio, seus irmãos, seus parentes, seus amigos e o povo amapaense, pela perda sentida daquele dinâmico companheiro, personagem importante na construção do Amapá.
Stephan Houat, faleceu em São Paulo, em 19/10/1990 de um enfarte fulminante, quando participava de um evento social.

Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá Vol. II – De Coaracy Sobreira Barbosa – Imprensa Oficial, agosto de 1998.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...