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domingo, 1 de junho de 2025

MEMÓRIA ESCOTEIRA: O INÍCIO DO ESCOTISMO NO AMAPÁ

No ano de 1942 e nos anos seguintes, o mundo vivia em plena Segunda Guerra Mundial. O Brasil, até então neutro, viu-se envolvido no conflito após o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães em águas territoriais nacionais. Essa tragédia resultou em perdas humanas e na interrupção do abastecimento entre o Sul e a região Norte, que ainda não contava com rodovias para facilitar o transporte.

Belém do Pará, cidade natal de José Raimundo Barata, não ficou imune aos reflexos da guerra. Com a entrada do Brasil como aliado dos Estados Unidos, Belém tornou-se uma base estratégica para operações militares. Aviões aliados faziam escala em Macapá, no Território Federal do Amapá, onde os americanos haviam construído uma base aérea — posteriormente transformada na Escola de Iniciação Agrícola do Amapá.


Essa parceria trouxe melhorias estruturais significativas às cidades de Amapá, Belém e Natal, especialmente quanto à infraestrutura dos aeroportos, que foram adaptados para funcionar como bases militares. Além disso, houve aumento de empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico local.

Naquela época, Raimundo cursava o segundo ano de Marcenaria numa escola técnica de Belém, que oferecia regime de semi-internato com refeições diárias incluídas. Entre os alunos, havia uma forte união, alimentada pela diversidade social e pelo espírito coletivo de aprendizado. 

Imagem; reprodução internet

Além disso, ele participava do grupo escoteiro católico “São Raimundo Nonato”, vinculado à igreja de mesmo nome no bairro do Telégrafo.

Filho de uma família modesta, Raimundo via seu pai, embarcadiço em uma companhia fluvial, sustentar todos sozinho. Após o falecimento do genitor em abril de 1944, a situação financeira da família se agravou. Para ajudar, sua irmã de criação e sua mãe passaram a vender gêneros alimentícios e lavar roupas para fora, enquanto Raimundo buscava trabalho sem sucesso. 

Foi então que, em abril de 1945, surgiu uma oportunidade inesperada.

Imagem meramente ilustrativa

O chefe escoteiro Glycério de Sousa Marques apareceu em sua casa com uma proposta promissora: recrutar dois jovens para fundar o movimento escoteiro no recém-criado Território Federal do Amapá. O governador Janary Gentil Nunes era um entusiasta das ideias de Baden-Powell e enxergava no escotismo um instrumento de formação cívica e moral.

Raimundo foi indicado ao cargo por ser considerado apto ao perfil desejado e por estar em situação difícil. Antes de assumir a missão, porém, precisou passar por um curso intensivo promovido pela Federação Paraense de Escoteiros, sob a orientação do experiente Chefe Castelo (Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão). Ao final dos 90 dias de treinamento prático e teórico, estava pronto para partir.

Em 17 de agosto de 1945, Raimundo Barata e Clodoaldo Nascimento, seu parceiro de missão, embarcaram no Iate "São Raimundo" com destino a Macapá. A viagem foi longa e desconfortável, mas, ao chegarem na manhã do dia 21, iniciavam ali uma nova fase: a implantação do escotismo no Amapá. Apesar das instalações precárias e das dificuldades enfrentadas, os jovens seguiram firmes no propósito, guiados pelo lema escoteiro: "O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades."

Assim, com dedicação e resiliência, José Raimundo Barata tornou-se um dos pioneiros do escotismo no Amapá, contribuindo para a formação de jovens e para o fortalecimento de valores essenciais à sociedade.

O Chefe José Raimundo Barata, com 99 anos, que enfrentava problemas de saúde, faleceu na quarta-feira, 04/03/2026, em Belém do Pará.

NOTA DO EDITOR:

Início do escotismo no  Amapá narrado pelo Chefe José Raimundo Barata, um dos pioneiros do Escotismo na região.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

REGISTRO MEMORÁVEL > TRÊS BALUARTES DO ESPORTE AMAPAENSE

 Direto do baú de Lembranças do amigo João Silva:

(Reprodução)

Uma fotografia dos anos 70 mostra uma solenidade realizada na Federação Amapaense de Desportos – FAD

As imagens apresentam, a partir da esquerda, Milton de Souza Corrêa, Waldemar Vilhena, o Vavá, e o Dr. João Telles.

Milton de Souza Corrêa foi um desportista amapaense, membro benemérito do Conselho Regional de Desportos (CRD), fundador do Guarany Atlético Clube e sócio proprietário do Esporte Clube Macapá.

Dr. João Telles foi presidente do Juventus Esporte Clube e primeiro presidente do Conselho Regional de Desportos. Waldemar Vilhena integrou a Juventude Oratoriana do bairro do Trem, foi jogador e diretor de futebol do Ypiranga Clube.

Milton Corrêa, falecido em 18 de agosto de 1994, virou nome do Estádio Zerão; Dr. João Telles, que foi Secretário Geral do governo do T.F.Amapá e respondeu diversas  vezes pelo governador Janary Nunes, também já faleceu; Waldemar Vilhena, ainda vivo, trabalha e mora com seus familiares em Belém do Pará.

Fonte: Facebook

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

COMPLEXO ESPORTIVO E ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA > HOMENAGEM A ROSIVAL GIL BRITO DE SOUZA (O Bonde)

O Complexo Esportivo e Espaço de Convivência “Rosival Gil Brito de Souza (Bonde), recém inaugurado em Macapá, na Praça N.S. da Conceição, homenageia um destacado desportista local. Vamos conhecer uma pouco da história desse pioneiro.

Rosival Gil Brito de Souza, conhecido como “Bonde”, nasceu em 22 de fevereiro de 1937, filho de Manoel Brito Ferreira e Eulália Gil de Souza. Era natural da cidade de Vigia-PA, mas amapaense de coração. A sua adoção pelo Amapá começa no final dos anos 40, prestes a completar 13 anos de idade, quando, como ajudante de seu pai, Manoel Brito, pescador profissional, singrou as águas do amazonas em um barco a vela, partindo de Vigia-Pará até Calçoene-Amapá, para a pesca da gurijuba, peixe que, após ser capturado nas águas do norte do estado do Amapá, era comercializado no estado do Pará. Nos anos seguintes, idas e vindas se sucederam na mesma rota de viagem e trabalho, quando em uma delas, Rosival “o Bonde”, já com 16 anos de idade, enamorou-se por uma jovem chamada Creuza, nascida em Calçoene e filha de família de pequenos criadores de gado. Casaram logo e estabeleceram residência em Macapá, ele com 17 e ela com 15 anos. 

Do casamento nasceram dez filhos, seis homens e quatro mulheres: Nelson (o primogênito), Rosenilda, Rosemeire, Jorge, Edilson, Ronaldo, Roseneide, Ronildo, Roselene e Romildo (o caçula), todos macapaenses. A vida lhe concedeu, ainda, 18 netos e 15 bisnetos.  Rosival “o Bonde”, ao se fixar em Macapá e já afastado da pesca, cumpriu uma jornada longa de feitos que a deixou consignada, assim como tantos outros homens e mulheres na história do pioneirismo do Amapá. Em Macapá, fixou-se com a sua família e foi morar no bairro do Trem, sempre às proximidades da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Na paróquia, foi integrante do Apostolado de Oração, coordenador da comunidade São Benedito e participou ativamente dos eventos religiosos e das festividades realizadas pelos paroquianos. Dedicou sua fé e devoção aos seus filhos na iniciação e formação cristã católica. Foi um participante ativo na agregação das festividades de Nossa Senhora das Neves, padroeira dos vigienses, ao espaço físico da Igreja da Conceição, que até hoje acontece, e neste ano (2024) completam 79 anos de festividade em Macapá. Foi presidente por mais de 20 anos alternados da Colônia, e posteriormente, Associação dos Vigienses Radicados no Amapá, entidade que em tempos passados agregava as centenas de vigienses que residiam no Amapá. Foi graças à sua capacidade de liderança e convencimento que durante o governo Anibal Barcelos, foi estabelecido um ponto facultado para todos os vigienses que trabalhavam no governo e que residiam no Amapá, para que pudessem participar, durante todo o dia,  das comemorações alusivas à festividade de Nossa Senhora da Neves, celebrada anualmente no dia 5 de agosto, que naquela época era um evento bastante concorrido, e que incluía,  além da procissão, o prato e o bolinho de gurijuba servidos para todos, inclusive para as autoridades, os arraias,  os leilões, e finalizava com grandes bailes para os vigienses. Liderou juntamente a seus pares o movimento com doações e ofertas que resultou na construção em madeira da primeira sede da Associação dos Vigienses Radicados no Amapá, edificada no bairro do Trem, e da segunda sede em alvenaria, e, finalmente, junto ao Governo do Estado, na década de 80 a última sede da AVRA, destinada à convivência e assistência dos vigienses residentes no Amapá. Na sua época, a comunidade vigiense no Amapá era, em número absoluto, a segunda maior, perdendo apenas para os próprios amapaenses nascidos ali. Daí a estreita ligação e o pioneirismo dos vigienses com o Amapá, que se expandiu através dos seus descendentes.  Não por acaso, a Banda da Guarda Municipal de Macapá é composta por diversos músicos vigienses. No início da constituição da sua família, Rosival “o Bonde” desempenhou uma atividade diversificada, dedicando-se a sustentá-la e assegurar um futuro digno para os seus filhos, sem medir esforços desde que os diversos ofícios dos quais se incumbiu fossem honrados. O seu primeiro emprego fixo em Macapá, no final dos anos 50, foi como cobrador dos primeiros ônibus que surgiram na cidade, aqueles que mesclavam lataria e madeira no seu revestimento, os quais só funcionavam após diversos giros manuais da manivela que o motorista ou o cobrador faziam na parte frontal do veículo. Em seguida, valeu-se da sua condição de jovem jogador de futebol, desde os tempos em que viveu na Vigia, para ser chamado a jogar no time do Santana Esporte Clube (o canário milionário como era conhecido), isso rendeu-lhe um contrato para trabalhar na Indústria e Comércio de Minérios S/A-ICOMI. Na ICOMI trabalhou cerca de dois anos, tendo ainda com a influência de jogador de futebol, se tornado funcionário do Governo do extinto Território Federal do Amapá, onde 30 anos depois se aposentou. 

Além do Santana Esporte Clube, em Macapá jogou também no Guarany Atlético Clube, convidado por seu compadre Milton Corrêa, que era o dono do Clube. De acordo com os registros históricos do saudoso jornalista Joaquim Neto, Rosival (o Bonde) foi o primeiro treinador do Clube da Torre, agremiação tradicional fundada em 1963 sob a inspiração da paróquia de Nossa Senhora da Conceição

Também dirigiu o Municipal Esporte Clube, extinta agremiação da Prefeitura Municipal de Macapá que, na década de 1960, disputou o campeonato amapaense da primeira divisão do Amapá. Foi fundador do Clube Atlético Londrina, que disputou o campeonato profissional nos anos 90 e hoje está licenciado da Federação Amapaense de Futebol. A sua veia de desportista oportunizou a formação de dezenas de jovens bons jogadores, craques dos áureos tempos do futebol amapaense. 

Foto: Rogério Castelo - Cortesia 

A praça de Nossa Senhora da Conceição foi o seu principal instrumento laboratorial para os muitos feitos em favor do desporto amapaense. Rosival, “o Bonde”, com uma enxada e um ancinho, foi o construtor do segundo campo oficial da praça de Nossa Senhora da Conceição, que no passado era composto por quatro campos de futebol, onde eram realizados treinamentos dos clubes locais, torneios e campeonatos com a sua frequente participação e idealização. 

Dando continuidade à sua luta para construir o futebol amapaense, em 1991, no estádio Zerão, viu uma obra construída por suas mãos: os seus seis filhos jogarem juntos em uma partida oficial de futebol profissional, vestindo o mesmo uniforme e defendendo as cores do seu time querido, o Clube Atlético Londrina, o que resultou num feito inédito no mundo do futebol até que se prove o contrário. Esses traços de liderança e alegria o fizeram também um dos principais líderes na história super vitoriosa da Escola de Samba Piratas da Batucada. Em 1987, ele, juntamente com os mestres Monteiro e Manoel Torres, e o filho Nelson Souza, foi um dos responsáveis pela união das instituições existentes no bairro do Trem, fazendo da Piratas da Batucada uma escola Super Campeã, que passou de zero título para dezenas de conquistas. Além disso, emprestou a sua inquietude saudável para ser um dos fundadores do movimento junino Bate Coração, que resultou na conquista de diversos títulos em festivais juninos. Rosival Gil Brito de Souza, o Bonde, era um homem alegre, festivo, folclorista e idealizador. Sempre dizia que, perto dele, não havia espaço para a mediunidade e a tristeza, apenas para a atitude e a animação. Faleceu em novembro de 1993, aos 56 anos, deixando um legado de bons exemplos para ser seguido. Seu corpo descansa em paz no Cemitério de São José, bairro Santa Rita.

NOTA DO EDITOR

Agradecemos a colaboração do amigo Nelson Souza, um dos filhos de homenageado, pelo envio do texto biográfico, informações complementares e fotos de seu pai Rosival Gil Brito de Souza, o Bonde!  João Lázaro.

sábado, 25 de maio de 2024

PEDRO MAFRA DA SILVA > UM PIONEIRO DO MERCADO CENTRAL

Nosso biografado de hoje é um nordestino que, como muitos outros, aportou no Amapá por vislumbrar novos horizontes nos ares amazônicos. Com esta narrativa, queremos prestar uma justa homenagem póstuma, à memória deste potiguar que muito contribuiu com seu modesto trabalho, em prol do território federal recém criado pela histórica caneta de Getúlio Vargas, em 1943.

Falamos de PEDRO MAFRA DA SILVA - Mafrita para os mais próximos - nascido dia 10 de setembro de 1926, na cidade de Vera Cruz, Rio Grande do Norte. Apesar de seu completo desconhecimento da escrita e da leitura, era exímio conhecedor das operações matemáticas. Depois de uma desilusão amorosa em sua terra natal, aos 24 anos de idade, decidiu se aventurar em terras Tucujus e embarcou em um navio com aproximadamente 120 homens que viriam trabalhar na plantação de seringueira na cidade de Mazagão. O pioneiro Miguel Pinheiro Borges foi o responsável pela condução da jornada, que visava alcançar melhores condições de vida. No início dos anos 1950, já estabelecido na cidade amazônica, enfrentou um surto de malária que resultou na morte de 90 trabalhadores do empreendimento muitos deles, seus amigos conterrâneos. Diante de inesperada situação, Pedro Mafra foi obrigado a trocar de ramo, optando por exercer a atividade profissional de açougueiro no recém criado Mercado Central de Macapá, na época, o principal ponto de compras das famílias amapaenses. Por um período também trabalhou como marchante, distribuindo carne para os açougues da cidade. Em 1958, Pedro Mafra conhece Rachel Uchôa, sobrinha do saudoso pioneiro Binga Uchôa, com quem se une em matrimônio. Em 1959 nasce sua primeira filha, a professora Lúcia Uchôa, logo em seguida chegam os gêmeos, Zozimar Uchôa (Tibá) e Zozimir Uchôa ( Tibi). O casamento do casal teve mais 11 frutos: Lucidete, Lucineide, Josivaldo, Josielson, Laurilane, Lorilene, Pedro, Wellington, Wendel, Wolney e Bertoni

No esporte, seu coração era dividido por dois times futebol: Fluminense e Paysandu. Chegou até a ganhar diploma de torcedor sofredor pelos amigos remistas. Em Macapá, Mafrita possuía uma vasta lista de amigos. 

A amizade mais duradoura ultrapassou décadas, Pedro Mafra e o professor José Figueiredo de Souza, o Savino, eram amigos inseparáveis. Eles diziam que estavam juntos nas primeiras manifestações carnavalescas que deram início à “Banda”, hoje já consolidado o maior bloco de sujos do norte do país. 

Após anos de trabalho nos boxes do mercado central, tendo como companheiros alguns mostrados na foto acima, Pedro Mafra decidiu abrir seu próprio açougue. Ele trabalhou no Bairro Jesus de Nazaré, em um mercadinho de nome “Três Poderes”, localizado na Av. Ernestino Borges, esquina com Rua Leopoldo Machado; teve ainda um segundo açougue, de nome Três Poderes II, localizado na Hamilton Silva com Presidente Vargas, no Bairro Santa Rita e em seus mais recentes dias como açougueiro, trabalhou por muitos anos em um açougue no Mercado Santa Tereza, localizado na Av. Ernestino Borges com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Laguinho. Já na década de 80, Mafra passou a fazer parte do quadro de funcionários da Câmara Municipal de Macapá, onde atuou como segurança. Ele construiu uma residência no número 1197 na Avenida José Antônio Siqueira, no bairro Jesus de Nazaré, entre as ruas Jovino Dinoá e Leopoldo Machado, onde viveu até o último dia da sua vida. Sua esposa, Dona Rachel, faleceu em outubro de 1994. No dia 04 de maio do ano de 2000, após passar mal em casa, Pedro Mafra foi levado às pressas para o hospital de emergências, mas depois de várias tentativas de reanimação, veio a óbito em decorrência de um infarto do miocárdio. O corpo de Pedro Mafra foi velado na capela Santa Rita e sepultado no cemitério São José em Macapá, no bairro de Santa Rita.

Nota do Editor: Agradecimentos ao Bertoni Uchoa filho do biografado, por nos fornecer informações e fotos para montagem e ilustração desta biografia! (João Lázaro)  

terça-feira, 21 de junho de 2022

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ: ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS, 69 ANOS DE FUNDAÇÃO

Há exatos 69 anos, era fundada em Macapá, a Academia Amapaense de Letras.

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS

(*) Por Nilson Montoril

               Estimulados por membros da Academia Paraense de Letras, notáveis servidores públicos do Território Federal do Amapá decidiram fundar um Silogeu com as mesmas finalidades da congênere parauara, na cidade de Macapá. Isso ocorreu no dia 21.6.1953, comemorando a passagem do aniversário do escritor Machado de Assis. Surgia dessa forma, a Academia Amapaense de Letras, uma entidade civil, sem fins lucrativos, que tem por finalidade implementar o desenvolvimento literário,cultural,cientifico e artístico do Brasil,conforme o estabelecido em suas normas internas. Decorrente de sua própria natureza, a Academia Amapaense de Letras funcionará por prazo indeterminado. Com sede e foro na cidade de Macapá, a AAL tem três categorias de sócios: titulares, correspondentes e honorários. Apenas o sócio titular goza do direito de votar e ser votado. A admissão de sócio titular, de caráter efetivo e perpétuo, dar-se-á por eleição, em escrutínio secreto, entre candidatos de qualquer sexo, inscritos previamente para preenchimento de vagas abertas com o falecimento de ocupantes anteriores, de uma das cadeiras indicadas no parágrafo 2º do Art. 4, ou que tenha mudado de categoria, ou abdicado de ser acadêmico, que tenha trabalhos publicados ou não, de reconhecido valor literário, cultural, cientifico, artístico ou histórico. Cada cadeira terá um patrono reconhecido como vulto ligado a história e cultura do Amapá. A solenidade de fundação do Silogeu amapaense aconteceu na sala de estudos da Biblioteca “Clemente Mariani”, do Grêmio Literário e Cívico Rui Barbosa, entidade constituída por estudantes do então Ginásio Amapaense, instalada no Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

              Os sócios fundadores foram: Benedito Alves Cardoso (Presidente), Gabriel de Almeida Café (Secretário), João Elias de Nazaré Cardoso, Nelson Geraldo Sofiatti, Heitor de Azevedo Picanço (Bibliotecário), Amilcar da Silva Pereira (Tesoureiro), Uriel Sales de Araújo, Célio Rodrigues Cal, Oton Accioli Ramos, Mário de Medeiros Barbosa, Lício Mariolino Solheiro e Jarbas Amorim Cavalcante. Cinco sócios honorários foram distinguidos: Diniz Henrique Botelho, Altino Pimenta, Deputado Coaracy Nunes, Dr. Hildemar Pimentel Maia e tenente coronel Janary Gentil Nunes, governador do Amapá. A instalação do colegiado e a posse de seus membros aconteceu no dia 5 de julho. Os sócios fundadores exerciam o magistério do Ginásio Amapaense. Em pouco tempo a entidade deixou de atuar regularmente e nenhum trabalho de estruturação foi realizado. No inicio do ano de 1989, fui procurado pelo Dr. Georgenor Franco Filho, Juiz do Trabalho de Macapá e membro da Academia Paraense de Letras, que demonstrou interesse em soerguer o Silogeu e gostaria de contar com minha ajuda. Tinha tratado do assunto com o advogado Antônio Cabral de Castro, que lhe falou a meu respeito.

                Eu exercia a Presidência do Conselho Territorial de Educação e pude dispor do plenário do órgão para a realização da reunião preparatória visando à organização da Academia Amapaense de Letras. 

Na solenidade de posse dos membros da Academia Amapaense de Letras, ocorrida no Salão Nobre do Palácio do Setentrião, em agosto de 1988, o Governador Jorge Nova da Costa faz uso da palavra para enaltecer a bela iniciativa e desejar sucesso ao Silogeu. Á sua direita vemos o Juiz do Trabalho, Dr. Goergenor Franco Filho.Á esquerda, vislumbramos o Professor e Adm. Nilson Montoril de Araújo, Presidente da novel instituição.

No dia 31 de agosto, às 20h:30min, na Sala de Sessões Plenárias Mário Quirino da Silva, estiveram reunidos: Georgenor de Souza Franco Filho, Nilson Montoril de Araújo,Antônio Cabral de Castro,Dagoberto Damasceno Costa,Estácio Vidal Picanço,Fernando Pimentel Canto e Manuel Bispo Corrêa. Analisamos um modelo de estatuto apresentado pelo Dr. Georgenor, relacionamos os patronos das cadeiras e decidimos que, inicialmente a Academia funcionaria com apenas 20 sócios titulares, salvaguardando-se o direito dos sócios fundadores. Dentre eles, somente Heitor de Azevedo Picanço residia em Macapá. Posteriormente, outros valores literários foram incorporados ao grupo, que ficou constituído por 22 membros. Até o presente momento, 12 sócios faleceram: Alcy Araújo Cavalcante, Aracy Miranda de Mont’Alverne, Estácio Vidal Picanço,Hélio Guarany Pennafort, Elfredo Távora Gonçalves, Jorge Basile,Arthur Nery Marinho,Heitor de Azevedo Picanço,Isnard Brandão Filho,José de Alencar Feijó Benevides, Amaury Guimarães Farias e Antônio Munhoz Lopes. Os sócios restantes são: Nilson Montoril de Araújo, Georgenor Franco Filho, Antônio Cabral de Castro, Antônio Carlos Farias, Paulo Fernando Batista Guerra, Dom Luiz Soares Vieira, Dagoberto Damasceno Costa, Fernando Pimentel Canto, Manoel Bispo Correa e Luiz Alberto Guedes. Dia 12 de setembro, no Salão Nobre do Palácio do Setentrião, em sessão presidida pelo Governador Nova da Costa, 15 acadêmicos tomaram posse.

                A posse da primeira diretoria se deu no dia 17 de outubro: Presidente, Nilson Montoril de Araújo; Vice-Presidente, Dom Luiz Soares Vieira; Secretária, Aracy Miranda de Mont’Alverne; Tesoureiro, Antônio Carlos da Silva Farias;Diretor de Biblioteca, Dagoberto Damasceno Costa;Comissão de Contas:Antônio Cabral de Castro,Antônio Munhoz Lopes e Paulo Fernando Batista Guerra.Infelizmente, o euforismo inicial cedeu lugar a acomodação da maioria dos sócios.Isso gerou sérios problemas para o pleno funcionamento da instituição. Podendo deliberar com a presença de pelo menos 5 membros, o Silogeu raríssimas vezes atingiu este número.Na sexta-feira,dia 22 de maio, apenas os acadêmicos Montoril,Guerra e Munhoz marcaram presença a uma reunião solicitada por um dos sócios,que não compareceu. Mesmo assim, apreciações importantes foram feitas e deverão ser discutidas com demais sete acadêmicos, se eles aparecerem ao próximo encontro. A Academia Amapaense de Letras está em perfeitas condições para funcionar. Para fazê-lo plenamente, basta que os sócios restantes pensem seriamente na instituição e não nos seus interesses individuais.

(*) Presidente da Academia Amapaense de Letras (2022)

terça-feira, 31 de maio de 2022

MEMÓRIA DA MACAPÁ ANTIGA: ACIDENTE AÉREO

Com a devida vênia de seu autor, tomo a liberdade de compartilhar com os leitores do blog Porta-Retrato, um texto de Nilson Montoril, narrando um fato acontecido na Macapá de outrora.

UM INTRIGANTE ACIDENTE AÉREO

Nilson Montoril

Numa manhã do mês de julho de 1957, estando de férias escolares, fui encarregado de comprar pães na Fábrica Amapaense, cujo prédio estava erguido onde hoje funcionam a Loja Domestilar de frente para a Rua Tiradentes. Ao lado, anos depois, surgiu o segundo prédio da Caixa Econômica Federal. A cidade de Macapá, ainda pequena, praticamente dormia. Ao me aproximar da Av. Coriolano Jucá vi que muita gente corria em direção da Av. Iracema Carvão Nunes, no sentido do aeroporto. Abelhudo como todo moleque, comprei 2 pães comuns e fui bisbilhotar o que havia acontecido. Ao chegar em frente ao escritório da ICOMI, observei a presença de um avião do Lóide Aéreo parado no meio do terreno onde estavam sendo cavadas as valas para o alicerce da Galeria Comercial. O aparelho parou no ponto que, depois, abrigou a primeira sede própria da Caixa Econômica. Era um reboliço danado. Na porta da aeronave apareceu um homem grandalhão, que só pronunciava pornografia bem cabeludas, de fdp pra cima, e acusava o piloto de ter arrebentado com o seu "culhão". Imediatamente o reconheci, haja vista que ele era muito conhecido. Tratava-se do Senhor Tibúrcio, comerciante e pecuarista, que tinha feito uma cirurgia de hidrocele, em Belém. De dentro do avião vinha um canto religioso. Eram vozes das moças da irmandade Filhas de Maria, capitaneadas por freiras de Congregação Nossa Senhora Menina, que tinham ido a Belém, participar de um evento importante. Como os aviões DC-3 eram altos na frente, a subida e descida dos passageiros ocorria com um uso de uma escada apropriada, coisa que não havia por perto. Arranjaram uma estreita escada de madeira em precárias condições. O artefato quase não alcançava a porta do avião. O primeiro candidato à descida foi Seu Tibúrcio. No que ele botou o pé no degrau a peça estalou. O homem recuou e bradou um paneiro de nomes feios. Voluntários e amigos convenceram Seu Tibúrcio a aguardar a chegada de outra escada. Somente assim foi possível os demais passageiros desembarcarem. O acidente ocorreu porque havia chovido bastante de madrugada e a pista de pouso da antiga Panair do Brasil, que era revestida de capim estava muito lisa. Além disso, o piloto falhou no momento da aterrisagem e tocou o solo no trecho da pista paralela à frente ao Hospital Geral. Consequentemente, sobrou pouco espaço para o avião se deslocar. Assim, a aeronave rompeu a cerca de arame farpado da Rua General Rondon e avançou para a área que atualmente abriga o Tribunal de Justiça. O piloto manobrou o avião para o leito da Av. FAB, na época precaríssimo, e ganhou o rumo da Av. Iracema Carvão Nunes. Parou pertinho dela, porque as rodas atolaram nas escavações das obras da Galeria Comercial. A grande surpresa que eu tive foi ver minha irmã, Neyde Montoril, uma das moças cantoras, descendo a tosca escada de madeira.

Via Paneiro de Lembranças – Facebook

Fotos: Arquivo do blog e Pinterest

Nota do Editor:

Na época em que aconteceu esse acidente eu tinha 9 anos e morava na Av. Presidente Vargas nº 52 – próximo à Escola Normal (depois IETA).

Lembro bem da aeronave – modelo Curtiss C-46 Commando que tinha as cores da empresa - semelhante ao modelo que ilustra esse post. Apenas aeronaves desse modelo usado pelo Lóide Aéreo, voavam para Macapá. Os modelos Douglas DC-3 eram da Cruzeiro do Sul e do Correio Aéreo Nacional.

(João Lázaro – editor)

terça-feira, 3 de maio de 2022

O embaixador do bairro do Trem: Belarmino Paraense de Barros

Por Nilson Montoril (*)

Dentre os auxiliares do Governador Janary Nunes que tiveram papel marcante na implantação do Território Federal do Amapá, merece especial referência o belenense Belarmino Paraense de Barros. 

Este cidadão, formado em Guarda Livro pela Fênix Caixeiral Paraense, veio para Macapá atendendo convite formulado pelo governador, seu superior hierárquico na Companhia Independente de Metralhadoras Anti Aérea estabelecida em Val-de-Cãns.

Na época, Belarmino havia dado baixa do Exército como Sargento e dono de um prontuário notável. Entre 1º de março de 1940, ano de sua formatura, até 21 de julho de 1941, data que marca seu ingresso no Exército, o jovem contabilista trabalhou fazendo a escrituração contábil de diversas firmas comerciais de Belém. Estava com vinte anos de idade quando sentou praça para prestar o serviço militar obrigatório.

Mesmo não mantendo contatos frequentes com a tropa, Belarmino exercia boa liderança na corporação, devido sua dedicação aos esportes. Sempre estava metido no grupo que organizava as competições esportivas. A 22 de janeiro de 1943, passou a ocupar o posto de Cabo, sendo promovido ao posto de Sargento em 1944. No dia 29 de outubro de 1945, chegava a Macapá. 

Na capital do Amapá, Belarmino reencontrou vários companheiros de caserna, entre eles o seu comandante. Seu primeiro cargo no governo territorial foi de contador do Serviço de Administração Geral, órgão que coordenava as atividades de pessoal, finanças, material, conservação, limpeza, etc. Depois passou a exercer a chefia da Seção de Municipalidade, percorrendo frequentemente as sedes dos municípios de Mazagão, Oiapoque e Amapá para proceder as inspeções contáveis das comunas e analisar as tomadas de contas. Agiu da mesma forma no que se refere ao balaço de material permanente dos demais órgãos do governo. 

A 18 de abril de 1951, foi convocado para desempenhar uma missão bastante desafiadora: gerenciar a Olaria Territorial. 

Deveria elevar a produção de tijolos, telhas, manilhas para esgoto, cerâmicas, azulejos e outros materiais necessários às obras públicas que estavam sendo realizadas em Macapá.

Na fase de implantação da Olaria o superintendente foi o senhor Nicanor Gentil, primo do governador. O deslocamento deste cidadão para outra atividade motivou a nomeação de Belarmino. O governador sabia que seu comandado dos tempos da Companhia de Metralhadoras Antiaérea tinha liderança e lábia suficiente para motivar os trabalhadores, levando-os a atingir as metas necessárias.

A Olaria Territorial vinha se recuperando de um incêndio que destruiu parte de sua estrutura. Ao assumir o cargo de Superintendente da Olaria Territorial, Belarmino Paraense de Barros já era sobejamente conhecido e benquisto pelo operariado. Ele representava para o Bairro do Trem o mesmo que Julião Ramos simbolizava para o Laguinho.

A eficiente gestão de Belarmino se estendeu até o dia 13 de julho de 1961, correspondendo a um ano e dois meses. 

Na mesma data ele retomou suas funções de contador no Serviço de Administração Geral. Neste órgão, em dezembro de 1962, alcançou o cargo de Diretor, nomeado pelo Governador Raul Montero Valdez.Em 1963, no período de 30 de janeiro a 11 de abril, Belarmino foi o titular da Secretaria Geral do Território Federal do Amapá.

O ocupante deste cargo era uma espécie de vice-governador, cuja nomeação era feita pelo Presidente da República. Em 1964 ele voltou a merecer a mesma distinção.

Com o golpe militar de 1964, deflagrado dia 31 de março, Belarmino foi colocado sob suspeição de ter praticado improbidades administrativas. Mesmo sem a ocorrência de um julgamento feito nas conformidades da lei, ele foi exonerado a bem do serviço público. Mais tarde, foi inocentado e recuperou seu cargo de servidor público embora com aposentadoria compulsória. Mudou-se para Belém no dia 6 de outubro de 1964.

O clima político em Macapá não lhe era favorável e muitas pessoas que ele tanto ajudou, inclusive tornando-as servidores públicos federais evitavam falar com ele temendo represálias por parte dos governantes. Na capital das mangueiras criou a firma Planamazon Ltda, através da qual elaborava projetos agropecuários e industriais. Também prestava assessoramento técnica, econômica, contábil e de engenharia. Belarmino Paraense de Barros era natural de Belém, onde nasceu a 26 de junho de 1921. Seus pais eram Amélio Brasil Barros e Benvinda das Neves Barros. Sua passagem por Macapá revestiu-se de muitos méritos. Integrou o Rotary Club de Macapá, sendo um dos seus membros mais atuantes.

 A primeira residência de Belarmino, em Macapá, demorava na Avenida Pedro Baião de Abreu, lado esquerdo, entre as ruas Rua Tiradentes e General Rondon. A casa ficava ao lado de uma velha fábrica de sabão. Posteriormente a família mudou-se para outro prédio que seu Belarmino mandou construir na esquina, de frente para a então rua José Serafim Gomes Coelho(Tiradentes). Na época, aquele trecho era identificado como bairro da Fortaleza.

(*) Historiador, professor, radialista e blogueiro amapaense. Artigo publicado, originalmente no Jornal Diário do Amapá, edição do dia 09/10/2021.

domingo, 4 de abril de 2021

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ

AS LÁPIDES DE HOMENAGEM PÓSTUMA DA IGREJA DE SÃO JOSÉ

Por: Wanke Do Carmo

Foto: Alcinéa Cavalcante

AS CURIOSAS LÁPIDES

Quem já entrou na antiga igreja matriz de São José de Macapá deve ficar curioso quando depara com lápides no piso e nas paredes do bicentenário templo católico. Quem seriam esses ilustres personagens? Qual a importância que tinham na sociedade macapaense à época? Por que o privilégio de serem sepultados dentro da igreja?

AS LÁPIDES POST MORTEM

As homenagens póstumas ou homenagem post mortem é uma forma de reconhecimento e congratulações realizada posteriormente à morte de um indivíduo. Enquanto os prêmios são dados às pessoas ainda vivas, as homenagens póstumas são feitas como forma de reconhecimento das obras de pessoas que já faleceram em prova de amor conjugal, filial e fraterno.

OS ILUSTRES FALECIDOS

As pedras tumulares encontradas  no interior da igreja de São José pertencem à personalidades ilustres e eminentes na Macapá do século XIX,...  

... dentre elas estão a lápide  em homenagem ao Capitão da Guarda Nacional, Alexandre Antônio Rola,  falecido em 7 de junho  de 1880 aos 44 anos de idade,  era filho do Tenente-coronel da Guarda Nacional e Intendente (prefeito) de Macapá,  Antônio Procópio Rola;...

...José  Mariano Ferreira  D'Almeida, falecido em 10 de maio de 1865 aos 37 anos, era um comerciante abastado e devoto fervoroso de São José que contribuía com as obras dos padres da Paróquia local, essas duas lápides localizam-se no piso  da igreja...
...e a de Dona Joaquina Roza Tavares,  falecida  em 29 de março de 1859, esposa do capitão da Guarda Nacional, José Júlio Tavares, encontra-se instalada  na parede  do templo do lado esquerdo da entrada.

A ampulheta com asas ou ampulheta alada, esculpida na lápide de D. Joaquina Roza Tavares, simboliza que a vida passa “voando”.

A inscrição P. N. E. A. M. em sua lápide significa: Pai Nosso e Ave-Maria.

Ressalta-se que nenhum corpo foi sepultado no interior do templo, era concedida a permissão especial pela autoridade eclesiástica de acordo com a importância e status que a família e o falecido possuíam na cidade e também da devoção e contribuição para as obras de caridade da Paróquia de São José. 

Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Macapá — Foto: John Pacheco/G1

De acordo com a Diocese de Macapá, os corpos dos ilustres falecidos foram sepultados no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, localizado atrás da nova catedral.

OS EPITÁFIOS

AMOR FRATERNAL

À MEMÓRIA DE ALEXANDRE ANTONIO ROLA

FILHO DO TENENTE-CORONEL ANTONIO PROCOPIO ROLA E D. EUGENIA FERREIRA ROLA

FALLECEU COM 44 ANNOS A 7 DE JUNHO DE 1880

GRATIDÃO DE SUAS IRMÃES

1881

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AQUI JAZEM OS RESTOS MORTAES DE

JOSÉ MARIANNO FERREIRA D'ALMEIDA

NASCEU EM

10 DE MAIO DE 1828

E FALECEU EM

10 DE FEVEREIRO DE 1865

TRIBUTO D'AMOR CONJUGAL

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AQUI JAZEM OS RESTOS MORTAES

DA ILLMA. SNRA.

D. JOAQUINA ROZA TAVARES,

NASCIDA NESTA CIDADE DE S. JOSE DE MACAPÁ A 19 DE SETEMBRO DE 1819

CASADA A 24 DE JULHO DE 1858, E FALLECIDA A 29 DE MARÇO DE 1859

SEU MARIDO

O CAPITÃO JOSÉ JULIO TAVARES,

INCONSOLÁVEL PELA PERDA DESSE CÁRO OBJECTO DE TERNURA, NÃO LHE PODENDO DAR UMA PROVA MAIOR DE SEU AMOR E AMIZADE, LHE MANDOU CONSAGRAR ESTA LAPIDA COMO SIMBOLO DE ETERNA SAUDADE.

P. N. E. A. M. (PAI NOSSO E AVE-MARIA)

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Por: Wanke Do Carmo,  historiador e colaborador do Instituto Memorial Amapá

Notas: Observa-se que as grafias encontradas nas lápides estão em português arcaico;

Fotos das lápides: Wanke Do Carmo 

domingo, 16 de agosto de 2020

Foto Memória da Mineração Amapaense: Presidente JK, em visita ao Amapá

Registro do encontro histórico entre o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e autoridades do ex-Território Federal do Amapá, em 1957.

Nas imagens a partir da esquerda: Coronel Janary Gentil Nunes, então presidente da Petrobrás; Presidente JK; Engº Augusto Antunes, presidente da ICOMI e o Deputado Coaracy Gentil Nunes.

Atrás do presidente, o Dr. Amilcar da Silva Pereira, Governador do Amapá.

Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira participou da solenidade inaugural das instalações do Porto da ICOMI, na manhã de 05 de janeiro de 1957.

Na ocasião ele acionou a esteira com o primeiro carregamento de manganês para a rota internacional.

O Coronel Janary Nunes, primeiro governador do Amapá, permaneceu no cargo de 25 de janeiro de 1944 a 28 de fevereiro de 1955.

No período de 3 de fevereiro de 1956 a 9 de dezembro de 1958, foi nomeado 3º Presidente da Petrobrás.

Deputado Coaracy Nunes, foi Deputado Federal pelo Amapá de 1947 a 1958.

Dr. Amilcar Pereira foi governador do Amapá de 1º de março de 1956 a 10 de fevereiro de 1958.

Foto gentilmente cedida pela Família Pessoa.

sábado, 15 de agosto de 2020

Foto Memória de Macapá: Três Pioneiros no Urca Bar

Um registro raro de 1959, uma relíquia histórica, pertencente ao acervo da família do Tenente Pessoa.

Nas imagens, 3 pioneiros de Macapá, em momentos de descontração no interior do Urca Bar.

A partir da esquerda: Tenente Armando Amaral, marido da prof.ª Risalva Amaral; Tenente Pessoa(centro) e à direita o comerciante José Júlio Ferreira, Alemão, proprietário do Urca Bar. A sra. ao lado é Dona Elza Ludovina Tavares Ferreira, esposa do Sr.José Júlio, e o garoto é o Antônio Fernando Tavares Ferredira, filho mais velho do casal, já falecido.

O Urca Bar, foi um estabelecimento comercial montado nos anos 50, pelo comerciante Durval Alves de Melo, na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Trem, que, anos mais tarde, foi repassado ao Sr. Alemão.

domingo, 28 de agosto de 2016

Foto Memória de Macapá: Entrevista do jornalista Ernani Marinho c/Dra. Ida e Dr. Cohen

A Foto Memória de hoje, vem do álbum de memórias do amigo Ernani Marinho. 
É um registro raro, dos anos 60 (+/- 1965/66), quando o jornalista Ernani Marinho(à direita), na época redator do Gabinete do Governador do ex-Território Federal do Amapá, entrevistava a Dra. Ida Ribeiro, então Delegada Federal de Agricultura no Amapá e o Dr. José Chaves Cohen, (à esquerda) agrônomo, na época, Diretor da Divisão de Produção, visando coletar dados para um relatório anual do Governo do Território.
Dra. Ida, estava residindo em Belém. (Não temos informações recentes dela). Dr. Chaves Cohen já é falecido.
A entrevista aconteceu na sede de Divisão de Produção, hoje Secretaria de Agricultura, em Macapá/AP.
(Informações do próprio Ernani)

domingo, 7 de agosto de 2016

Foto Memória de Macapá: José Maria Frota de Almeida

JOSÉ MARIA FROTA DE ALMEIDA, nasceu na cidade de Belém do Pará no dia 23 de junho de 1924, sua família por parte de pai de origem portuguesa, filho de Abel da Graça Almeida e Clementina Alice Frota de Almeida. Casado com Zilda Oliveira de Almeida, foi pai de 10 filhos (Abel, Geracina, Eugênio, Clarisse, Lourdes, Herculano, Geraldo, José, Paulo e Maria de Nazaré que desencarnou com sete dias de nascida. Desde novo trabalhou nas lides do movimento espírita em Belém, no Lar de Maria.
Chegou em Macapá em dezembro de 1959, com 35 anos, para ficar por apenas dois anos na função de delegado dos conferentes de cargas e descargas. E permaneceu por mais de 18 anos, contribuindo com suas expertises à sociedade Amapaense.
Sua trajetória nesse período foi bastante efetiva, sendo um dos fundadores da APAE/AP e da União Espírita Amapaense. Teve participação ativa na Maçonaria; foi Presidente do Amapá Clube. Seu espírito jovem e alegre, sempre rodeados de amigos, levou-o a ser um dos fundadores do maior bloco de rua “A Banda”.
JOSÉ MARIA FROTA DE ALMEIDA, desencarnou em 11 de setembro de 1981, vítima de um acidente de carro.
(Texto e informações de Lourdes Oliveira de Almeida, via e-mail)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Memória da Segurança Pública do Amapá: Galeria da antiga GUARDA TERRITORIAL

GALERIA DA GUARDA TERRITORIAL DO AMAPÁ
Inspetor Antônio
A Guarda Territorial foi implantada no Amapá, em 1944. 
Guardas Territoriais Façanha (alto),
Bolvora; Rayol e Adamor 
(embaixo)
“O governador Janary Nunes chamou jovens que trabalhavam como marceneiro, pedreiro, carpinteiro, sapateiro, alfaiate e outras profissões, para manter a ordem pública e promover o desenvolvimento do então Território do Amapá, à época, através da construção civil. Os guardas faziam os serviços da Polícia Militar, passando pelos Bombeiros até a Polícia Civil”, falou Lúcio Pereira.
Guarda Uchôa
Segundo Pereira, a Guarda Territorial era composta por 470 sentinelas ao ser extinta, em 1975, para a criação da Polícia Militar no estado.
Guarda Nelson
José Lúcio Pereira, é presidente da Associação dos Ex-Guardas Territoriais do Amapá. (Fonte: G1/AP)
Guarda Batista
Fonte: G1/AP
Fotos: acervo da Guarda Territorial do Amapá

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...