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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

COMPLEXO ESPORTIVO E ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA > HOMENAGEM A ROSIVAL GIL BRITO DE SOUZA (O Bonde)

O Complexo Esportivo e Espaço de Convivência “Rosival Gil Brito de Souza (Bonde), recém inaugurado em Macapá, na Praça N.S. da Conceição, homenageia um destacado desportista local. Vamos conhecer uma pouco da história desse pioneiro.

Rosival Gil Brito de Souza, conhecido como “Bonde”, nasceu em 22 de fevereiro de 1937, filho de Manoel Brito Ferreira e Eulália Gil de Souza. Era natural da cidade de Vigia-PA, mas amapaense de coração. A sua adoção pelo Amapá começa no final dos anos 40, prestes a completar 13 anos de idade, quando, como ajudante de seu pai, Manoel Brito, pescador profissional, singrou as águas do amazonas em um barco a vela, partindo de Vigia-Pará até Calçoene-Amapá, para a pesca da gurijuba, peixe que, após ser capturado nas águas do norte do estado do Amapá, era comercializado no estado do Pará. Nos anos seguintes, idas e vindas se sucederam na mesma rota de viagem e trabalho, quando em uma delas, Rosival “o Bonde”, já com 16 anos de idade, enamorou-se por uma jovem chamada Creuza, nascida em Calçoene e filha de família de pequenos criadores de gado. Casaram logo e estabeleceram residência em Macapá, ele com 17 e ela com 15 anos. 

Do casamento nasceram dez filhos, seis homens e quatro mulheres: Nelson (o primogênito), Rosenilda, Rosemeire, Jorge, Edilson, Ronaldo, Roseneide, Ronildo, Roselene e Romildo (o caçula), todos macapaenses. A vida lhe concedeu, ainda, 18 netos e 15 bisnetos.  Rosival “o Bonde”, ao se fixar em Macapá e já afastado da pesca, cumpriu uma jornada longa de feitos que a deixou consignada, assim como tantos outros homens e mulheres na história do pioneirismo do Amapá. Em Macapá, fixou-se com a sua família e foi morar no bairro do Trem, sempre às proximidades da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Na paróquia, foi integrante do Apostolado de Oração, coordenador da comunidade São Benedito e participou ativamente dos eventos religiosos e das festividades realizadas pelos paroquianos. Dedicou sua fé e devoção aos seus filhos na iniciação e formação cristã católica. Foi um participante ativo na agregação das festividades de Nossa Senhora das Neves, padroeira dos vigienses, ao espaço físico da Igreja da Conceição, que até hoje acontece, e neste ano (2024) completam 79 anos de festividade em Macapá. Foi presidente por mais de 20 anos alternados da Colônia, e posteriormente, Associação dos Vigienses Radicados no Amapá, entidade que em tempos passados agregava as centenas de vigienses que residiam no Amapá. Foi graças à sua capacidade de liderança e convencimento que durante o governo Anibal Barcelos, foi estabelecido um ponto facultado para todos os vigienses que trabalhavam no governo e que residiam no Amapá, para que pudessem participar, durante todo o dia,  das comemorações alusivas à festividade de Nossa Senhora da Neves, celebrada anualmente no dia 5 de agosto, que naquela época era um evento bastante concorrido, e que incluía,  além da procissão, o prato e o bolinho de gurijuba servidos para todos, inclusive para as autoridades, os arraias,  os leilões, e finalizava com grandes bailes para os vigienses. Liderou juntamente a seus pares o movimento com doações e ofertas que resultou na construção em madeira da primeira sede da Associação dos Vigienses Radicados no Amapá, edificada no bairro do Trem, e da segunda sede em alvenaria, e, finalmente, junto ao Governo do Estado, na década de 80 a última sede da AVRA, destinada à convivência e assistência dos vigienses residentes no Amapá. Na sua época, a comunidade vigiense no Amapá era, em número absoluto, a segunda maior, perdendo apenas para os próprios amapaenses nascidos ali. Daí a estreita ligação e o pioneirismo dos vigienses com o Amapá, que se expandiu através dos seus descendentes.  Não por acaso, a Banda da Guarda Municipal de Macapá é composta por diversos músicos vigienses. No início da constituição da sua família, Rosival “o Bonde” desempenhou uma atividade diversificada, dedicando-se a sustentá-la e assegurar um futuro digno para os seus filhos, sem medir esforços desde que os diversos ofícios dos quais se incumbiu fossem honrados. O seu primeiro emprego fixo em Macapá, no final dos anos 50, foi como cobrador dos primeiros ônibus que surgiram na cidade, aqueles que mesclavam lataria e madeira no seu revestimento, os quais só funcionavam após diversos giros manuais da manivela que o motorista ou o cobrador faziam na parte frontal do veículo. Em seguida, valeu-se da sua condição de jovem jogador de futebol, desde os tempos em que viveu na Vigia, para ser chamado a jogar no time do Santana Esporte Clube (o canário milionário como era conhecido), isso rendeu-lhe um contrato para trabalhar na Indústria e Comércio de Minérios S/A-ICOMI. Na ICOMI trabalhou cerca de dois anos, tendo ainda com a influência de jogador de futebol, se tornado funcionário do Governo do extinto Território Federal do Amapá, onde 30 anos depois se aposentou. 

Além do Santana Esporte Clube, em Macapá jogou também no Guarany Atlético Clube, convidado por seu compadre Milton Corrêa, que era o dono do Clube. De acordo com os registros históricos do saudoso jornalista Joaquim Neto, Rosival (o Bonde) foi o primeiro treinador do Clube da Torre, agremiação tradicional fundada em 1963 sob a inspiração da paróquia de Nossa Senhora da Conceição

Também dirigiu o Municipal Esporte Clube, extinta agremiação da Prefeitura Municipal de Macapá que, na década de 1960, disputou o campeonato amapaense da primeira divisão do Amapá. Foi fundador do Clube Atlético Londrina, que disputou o campeonato profissional nos anos 90 e hoje está licenciado da Federação Amapaense de Futebol. A sua veia de desportista oportunizou a formação de dezenas de jovens bons jogadores, craques dos áureos tempos do futebol amapaense. 

Foto: Rogério Castelo - Cortesia 

A praça de Nossa Senhora da Conceição foi o seu principal instrumento laboratorial para os muitos feitos em favor do desporto amapaense. Rosival, “o Bonde”, com uma enxada e um ancinho, foi o construtor do segundo campo oficial da praça de Nossa Senhora da Conceição, que no passado era composto por quatro campos de futebol, onde eram realizados treinamentos dos clubes locais, torneios e campeonatos com a sua frequente participação e idealização. 

Dando continuidade à sua luta para construir o futebol amapaense, em 1991, no estádio Zerão, viu uma obra construída por suas mãos: os seus seis filhos jogarem juntos em uma partida oficial de futebol profissional, vestindo o mesmo uniforme e defendendo as cores do seu time querido, o Clube Atlético Londrina, o que resultou num feito inédito no mundo do futebol até que se prove o contrário. Esses traços de liderança e alegria o fizeram também um dos principais líderes na história super vitoriosa da Escola de Samba Piratas da Batucada. Em 1987, ele, juntamente com os mestres Monteiro e Manoel Torres, e o filho Nelson Souza, foi um dos responsáveis pela união das instituições existentes no bairro do Trem, fazendo da Piratas da Batucada uma escola Super Campeã, que passou de zero título para dezenas de conquistas. Além disso, emprestou a sua inquietude saudável para ser um dos fundadores do movimento junino Bate Coração, que resultou na conquista de diversos títulos em festivais juninos. Rosival Gil Brito de Souza, o Bonde, era um homem alegre, festivo, folclorista e idealizador. Sempre dizia que, perto dele, não havia espaço para a mediunidade e a tristeza, apenas para a atitude e a animação. Faleceu em novembro de 1993, aos 56 anos, deixando um legado de bons exemplos para ser seguido. Seu corpo descansa em paz no Cemitério de São José, bairro Santa Rita.

NOTA DO EDITOR

Agradecemos a colaboração do amigo Nelson Souza, um dos filhos de homenageado, pelo envio do texto biográfico, informações complementares e fotos de seu pai Rosival Gil Brito de Souza, o Bonde!  João Lázaro.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ: MÁRIO HENRIQUE DA SILVA – O BOLA

Trazemos hoje para o leitores do blog Porta-Retrato - Macapá, um texto do jornalista João Silva, narrando um pouco da vida de Mário Hilton Henrique da Silva, um ilustre personagem amapaense que lutou, venceu e morreu precocemente:
A HISTÓRIA DE UM GAROTO POBRE 
Por João Silva 
Mario Hilton Henrique da Silva, mais conhecido como Bola nasceu em Macapá, em 02 de março de 1952, filho de Maria Perpétua de Sousa Silva e Hamilton Henrique da Silva; faleceu em 1999 com 47 anos de idade, deixando muita saudade no seio da sua família e vasto círculo de amigos. Desde muito pequeno o filho do piloto Hamilton Silva trabalhou duro nas ruas de Macapá lavando carros, consertando pneus de veículos na via pública; na sua mocidade Bola sempre tinha uma grana no bolso para prover suas necessidades; de dia trabalhava nas ruas, mas à noite estudava no GM (Ginásio de Macapá), infelizmente muitas dificuldades o impediram de concluir seus estudos, conta a filha Heleni. Mas nada conseguiu parar aquele jovem de pouca estatura diante da paixão pelo esporte, pelo basquetebol; Bola tinha baixa estatura, mas tinha as mãos certeiras! Foi um grande cestinha do basquetebol amapaense. Começou brilhando nos Jogos Escolares, mais tarde jogou no Trem Desportivo Clube, no América do Pedro da Lina, no Esporte Clube Macapá e na Seleção Amapaense; era um jogador que empolgava a torcida quando estava em quadra, lembra Celso Façanha que foi um dos maiores alas do basquetebol tucujú nos anos 60 e 70. A filha Heleni falando saudosa sobre o pai, lembra que um dia, depois do seu trabalho na rua, conheceu o dono do Cartório Jucá que o convidou para trabalhar na firma, tornando-se depois de algum tempo primeiro oficial de títulos daquele estabelecimento; sua função era protestar os títulos que lá estavam, o que fazia com enorme dedicação. Bola casou-se muito cedo com a dona Maria Rute Monteiro da Silva, e o casal foi morar na Av. Almirante Barroso 3003 – Bairro do Alvorada; tiveram cinco filhos: 4 mulheres e 1 homem: Helaine Monteiro da Silva, Hamilton Henrique da Silva Neto, Heliane Monteiro da Silva, Helenir Monteiro da Silva e Helen Monteiro da Silva; ao falecer em 1999, deixou viúva Dona Maria Rute, professora do governo federal, que se encarregou de criar seus filhos, encaminhando todos na vida, sem perder nenhum deles. 
Entre filhos e netos, ela se orgulha de ter professores, advogada, gerente de loja, secretária executiva, gente que trabalha e honra a memória do trabalhador de rua que foi oficial de títulos do Cartório Jucá e nas quadras deu muitas alegrias ao basquetebol do Amapá.
No registro abaixo, em preto e branco, da esquerda para a direita, Bola é o quarto agachado, ao lado de Jorge Barcessat, outro craque do bola-ao-cesto amapaense que faleceu este ano(2022).
A partir da esquerda em pé: 1 e 2 não reconhecidos, 3-Mário Cuia, 4-Antônio Chagas e 5-Jorge Récio. 
Agachados: 1-?, 2-Antônio de Pádua (Patinhas), 3-Jorge Basessat, 4-Bola e 5-Zezão Ardasse. Técnico: Antenor Epifânio Martins (Pigmeu)
Fotos coloridas: Arquivo da família
Via Facebook

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...