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quinta-feira, 21 de julho de 2022

PATRIMÔNIO HISTÓRICO: FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ

 A cisterna da Fortaleza

Reservatório de águas pluviais na praça principal da fortaleza - Foto: Tito Garcez

(*) Por Franck Coutinho.

Existe no centro da Fortaleza de São José de Macapá, uma cisterna de armazenamento de água potável, esse sistema foi arquitetado pelo engenheiro militar, Enrico Antônio Galluzzi. Ela foi construída por artífices que estavam a serviço da coroa portuguesa no Brasil, o que chama a atenção nessa construção é o estilo na qual foi construído, faz lembrar o tento do antigo panteão de Roma, Itália, esses detalhes só podem ser observados de dentro da cisterna.

Sabíamos da existência de material especial de construção que veio da Europa para a construção dessa cisterna, mais precisamente os tijolos que foram usados nela, lembrando que os demais tijolos da Fortaleza, foram confeccionados em Belém e a grande parte na Vila de São José do Macapá.  Se observa nos tijolos da cisterna duas marcas de tijolaria, sendo a Cacoalinho (Portugal) e Claytons Patent (Inglaterra).

Dentro existem dutos de água (encanamentos), construídos em pedra de cantaria, que levava água trazida do Rio das Amazonas para dentro da Fortaleza. Com o passar dos séculos, esses dutos entupiram com o barro do Amazonas.
Foto: Cortesia do GT Obdias Araújo]

Esta foto sem data, mostra uma reforma no Sistema de Captação Pluvial da Fortaleza de  Macapá, em cuja estrutura, ficam evidentes as  canaletas convergentes que levam as águas da chuva para a cisterna ao centro do Pavilhão e de lá são drenadas para o Rio Amazonas. (João Lázaro)

Existe uma lenda urbana que se propagou em Macapá, os antigos habitantes da cidade diziam que esse poço serviu para afogar escravos e índios rebeldes, no entanto não há nenhuma evidência histórica desses supostos fatos. Realmente se trata de uma das muitas urbanas da Fortaleza de São José de Macapá, a finalidade era o abastecimento de água para a guarnição militar dessa fortificação militar.

As fotos são do meu arquivo pessoal, registradas no ano de 2016, após a remoção do barro da cisterna, os tijolos da Cacoalinho e Claytons Patent vieram à tona novamente.  Essa é a uma das muitas partes da história do Amapá, Brasil que nunca foi ensinada nas escolas e universidades do estado do Amapá.

(*) Franck Coutinho, professor de história e historiador

Fotos: Franck Coutinho (arquivo pessoal)

Via Facebook

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Uso de bicicletas em Macapá

(*)Por Nilson Montoril
Não há registros formais sobre a existência de bicicletas em Macapá antes da criação do Território Federal do Amapá, em 1943. Elas começaram a aparecer na cidade a partir do ano de 1945. 
A casa Leão do Norte,(foto) então administrada pela família Zagury foi a primeira a vender os fascinantes veículos da marca Hércules. Em pouco tempo, quem não possuía uma bicicleta podia alugá-la pagando um cruzeiro à hora. O negócio era mantido pelo macapaense Francisco Marques Picanço, o Mixico, que ainda reside na capital do Amapá. O próprio Mixico fazia a manutenção de suas bicicletas e montava e lubrificava as que eram vendidas na Casa Leão do Norte, onde trabalhava.
No decorrer de vários anos o Mixico destacou-se como o melhor ciclista da cidade, representando a Congregação Mariana e o Juventus Esporte Clube. Andar pedalando uma bicicleta Hércules dava um prestigio danado, notadamente se o veículo fosse próprio. O Mixico tinha umas 3 ou 4 bicicletas, todas impecáveis quanto ao estado de conservação. Creio que, atualmente, apenas o José do Carmo Tavares, o Zeca Eletricista é o único cidadão de Macapá a manter em funcionamento suas duas bicicletas da marca Hércules. E saiba que o Zeca tem mais de 80 anos de idade e todos os dias transita pelas ruas de Macapá.
(Reprodução: imagem meramente ilustrativa/Google images)
Comprar uma bicicleta da marca Hércules não era privilégio reservado a qualquer um. O preço era salgado se comparado ao de outras marcas que depois foram aparecendo. A Casa Leão do Norte manteve a primazia de vender com exclusividade, por muitos anos, as bicicletas Monark. 
(Reprodução: imagem meramente ilustrativa/Google images)
Foi neste estabelecimento comercial que, em 1966, comprei minha única bicicleta, um modelo com barra circular (semelhante a da foto) intitulado “Monark Copa do Mundo”. 
(Reprodução: imagem meramente ilustrativa/blog Velhas  Bicicletas)
Antes, tive o prazer de pedalar uma bicicleta Goricke (fabricação alemã)...
(Reprodução: imagem meramente ilustrativa/site João de Souza Lima)
...e outra Mercswiss (fabricação totalmente brasileira), que pertenceram respectivamente as minhas irmãs Nice e Nancy.
Reprodução: Google images





Lembro que a logomarca da Mercswiss era uma bela caravela(foto), cuja placa vinha presa com rebites na parte do quadro por onde era embutido o garfo da roda dianteira e o guidom. Eram alvo de admiração as bicicletas utilizadas pelos padres italianos. 



Elas pareciam ser frágeis, mas suportavam muito bem o corpanzil do Irmão Leigo Francesco Mazollene, o famoso Catterpilar(foto). Esse devotado religioso transportava com freqüência, sobre os ombros, um quarto trazeiro de carne bovina que os membros do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras consumiam na então Prelazia de Macapá. Fazia isso subindo a Rua Cândido Mendes, trajeto compreendido entre o Frigorífico Territorial (que ficava na esquina da citada rua com a Avenida Coaracy Nunes) e a Casa dos Padres, na Rua São José.





(Reprodução: imagem meramente ilustrativa/blog bicicletas antigas)
As duas primeiras bicicletas oriundas da Itália, ambas da marca Bianchi, fabricadas em Treviglio, Milão a partir de 1885, pela fábrica de Edoardo Bianchi, chegaram a Macapá no dia 5 de outubro de 1948. 
Elas vieram por via marítima até Belém e daí para Macapá em embarcações do governo territorial. Estavam montadas e prontas para uso imediato. 
Os dois maiores utilizadores das bicicletas eram o Padre Lino Simonelli e o irmão Francisco. O Padre Lino virava Macapá de cabeça pra baixo. Muito brincalhão, ele mesmo apitava com a boca para afastar apalermados do caminho. Ia frequentemente pregar o catecismo na periferia da cidade, notadamente no Igarapé das Mulheres (Perpétuo Socorro) e o Morro do Sapo, assim denominada a parte alta no final da Rua São José, antes um precaríssimo caminho cortado por um braço do igarapé da Companhia, área que depois foi rasgada para a abertura da Avenida Nações Unidas.
Nessas andanças pela periferia da cidade o Padre Lino contava com a colaboração do médico Diógenes Gonçalves da Silva, que fazia uso de uma velha bicicleta da marca Hércules trazida de Belém.
(Reprodução: imagem meramente ilustrativa/Crédito:Josué Santos)

Outra marca de bicicleta que eu conheci e andei foi a Gulliver, fabricada em Bonsucesso no Rio de Janeiro pela firma “B Herzog”, pertencente à família de Leon Herzogera, seu fundador. Isso ocorreu a partir de 1951, e o veículo era de ótima qualidade. Em 1939 Leon Herzog possuía uma pequena fábrica na Polônia, mas a ocupação do país pela Alemanha o fez perder tudo. Em 1945, após a segunda guerra mundial Leon migrou para o Brasil. Sua lojinha de Bonsucesso cresceu até virar fábrica. Entretanto, devido a desentendimentos entre os familiares acionistas a firma encerrou suas atividades no final da década de 1950. As bicicletas de hoje são mais bonitas, leves, resistentes, mas perderam o encanto de outrora. Porém, a bicicleta é disparadamente, o veículo mais usado em todo o mundo.(Nilson Montoril)
(*) Historiador, professor, radialista e blogueiro do Amapá.

Fonte: Texto especialmente adaptado para o blog Porta-Retrato, publicado originalmente em 12/11/2013 no blog do historiador Nilson Montoril. Leia o original, na íntegra, em Nilson Montoril - Arambaé.


Nota do blog: Todas as fotos das bicicletas foram pesquisadas no Google images e extraídas de sites na internet. Estão publicadas no blog apenas a título de ilustração, sem qualquer cunho pessoal com o editor do texto.

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