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sábado, 1 de novembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 2: TIA MUNDICA: SABOR, GENTILEZA E MEMÓRIAS SERVIDAS QUENTES

Hoje recordamos Raimunda Tavares da Silva, a segunda mulher pioneira do Largo dos Inocentes homenageada aqui no blog Porta-Retrato.

Foto: Arquivo da Família

Dona Raimunda Tavares da Silva, carinhosamente conhecida como Tia Mundica, nasceu em Macapá no dia 25 de setembro de 1915 e faleceu em 14 de novembro de 1996, aos 81 anos. Filha de Cláudia Coimbra, casou-se com Benedito Costa da Silva (Biló) e foi morar na localidade de Coração. Lá, teve quatro filhos: Maria Neuzarina e João Gualberto (ambos já falecidos), além de Cezarina Perez, José Raimundo (Billy Pan) e Maria dos Anjos Tavares da Silva Miguel.

Há vidas que passam de forma silenciosa, mas deixam marcas profundas, como cheiro de comida boa que invade a rua e nunca mais sai da memória. Dona Raimunda, Tia Mundica para os mais próximos, foi assim: presença simples, coração generoso e mãos que transformavam afeto em alimento.

Na Macapá das décadas de 1940 e 1950, quando professoras recém-chegadas desembarcavam no Amapá para servir no governo do Cel. Janary Nunes, a casa de Tia Mundica se tornava abrigo. Ali não era só panela no fogo. Era porta aberta, sorriso que descansava o coração e aquele jeito de fazer qualquer pessoa sentir que pertencia. Um gesto simples, mas grande como o rio Amazonas, mostrando o espírito hospitaleiro do amapaense. No prato, mingau de milho quentinho, tacacá que abraçava a alma, açaí batido com carinho. E, por cima de tudo isso, a sensação de lar, costurada com afeto, para quem estava longe de casa e ainda procurando seu lugar.

Seu talento culinário virou referência. Seu cuidado, lembrança viva. Sua mesa, lugar de encontro e afeto. Na simplicidade da vida comunitária, ela criou raízes que ainda florescem nas lembranças de quem provou sua comida e, mais ainda, sua gentileza.

Celebrar Tia Mundica é lembrar que a história de uma cidade também se escreve com tempero, carinho e portas abertas. E que existem pessoas que, mesmo sem grandes títulos, se tornam patrimônio afetivo de um povo.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Depoimento da filha, Maria dos Anjos (2025)

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

LEMBRANÇA DOS PIONEIROS DE MACAPÁ > SEU RUBIM ARONOVITCH E DONA DADÁ

Hoje, trago ao Porta-Retrato, um momento de um dos pioneiros de Macapá.

Refiro-me ao Pioneiro da Saúde no Amapá – Dr. Rubim Brito Aronovitch, nascido em Belém do Pará, no dia 9 de dezembro de 1905.

O Dr. Rubim, conhecido como “Seu” Rubim por aqueles próximos, era um farmacêutico formado pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Pará em 1948.

Logo após concluir seus estudos, mudou-se para o antigo Território Federal do Amapá e, em 14 de fevereiro de 1949, começou a trabalhar para o governo como farmacêutico.

Ele foi o responsável pela Farmácia da Unidade Sanitária Mista de Macapá. Além disso, exerceu o cargo de professor na Escola Normal de Macapá, onde ensinou Higiene, Ciências Naturais, Física, Química e Biologia entre 1955 e 1962.

Era totalmente devotado ao seu trabalho e continuava se aperfeiçoando e estudando. Em 1959, foi um dos criadores da Associação de Farmácia e Bioquímica do Amapá.

Descendente de imigrantes russos, Rubim Brito Aronovitch fez do Amapá seu lar, participando de atividades sociais, esportivas e políticas. 

Casou-se com a Sra. Odacy, carinhosamente chamada  Dadá, que aparece ao seu lado em um evento social em Macapá.

Ao se aposentar, mudou-se de volta para Belém.

Após seu falecimento, o farmacêutico Rubim Aronovitch teve seu nome homenageado na Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Inês, à beira do rio Amazonas, na capital do Amapá.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

MEMÓRIA DA TV AMAPÁ - CANAL 6

Registro em preto branco da década de 1970, com imagens de pioneiros da Tv Amapá – Canal 6, em Macapá.

Da esquerda para direita: Bira Matias, Corrêa Neto e Júlio Duarte. 

Bira Matias atuou como assistente administrativo e Júlio Duarte como cinegrafista. O jornalista Antônio Corrêa Neto, que faleceu em 21 de abril de 2013, dirigiu o setor de jornalismo da emissora.

Via Facebook

quinta-feira, 10 de abril de 2025

BOAS LEMBRANÇAS > ENCONTRO ENTRE AMIGOS DO AMAPÁ

Uma imagem dos anos 60 nos apresenta três amigos de Macapá, jovens, em uma pose especial para eternizar esse encontro memorável.

Na ordem da esquerda para a direita, encontramos Laercio de Sousa Monteiro, líder estudantil e ex-aluno do Colégio Amapaense, ao centro o Comandante João Batista de Oliveira Costa, destacado profissional da aviação no Amapá e também ex-aluno do Colégio Amapaense, e à direita o professor Alberto de Andrade Uchôa, sobre sua bicicleta.

Postado no Facebook

Crédito da imagem: Arquivo da Família Uchôa

domingo, 6 de abril de 2025

MEMÓRIA DE MACAPÁ > ENCONTRO DE PIONEIROS DO AMAPÁ

O dia 2 de abril, que passou, foi significativo para familiares e amigos do professor Alberto de Andrade Uchôa, destacado sociólogo de Macapá, pois ele celebrou seu 92º aniversário.

Durante sua atuação como servidor público, Alberto Uchôa passou por diversas administrações, onde desempenhou um papel importante como assessor em funções significativas. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi atender ao pedido do Governador Luiz Mendes da Silva, elaborando um projeto que transformou a Escola Normal de Macapá em um Instituto de Educação, dando origem ao IETA, onde se tornou o primeiro diretor e, mais tarde, professor. 

Para celebrar essa ocasião, seu filho, o fotógrafo Paulo Uchôa, compartilhou várias imagens de seu pai nas redes sociais. Dentre essas fotos, destacamos um encontro do professor Uchôa com alguns dos primeiros integrantes da história de Macapá em um evento social.

Nas imagens, da esquerda para a direita, em pé ao redor da mesa com as bebidas, estão: o Professor Alberto Uchôa, os advogados Pedro Peticov e Edir Macedo, além do amigo Clóvis Maia, irmão do Dr. Clemenceau Pedrosa Maia, ex-Juiz de Direito na Comarca de Macapá.

As senhoras Milnéia e Graça, esposas dos doutores Edir e Peticov, estavam sentadas.

Via Facebook

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

MEMÓRIAS DA MACAPÁ ANTIGA > CLIENTES HABITUAIS DO GATO AZUL

Uma joia do passado resgatada do acervo da família Coutinho nos remete a recordações de alguns dos primeiros habitantes de nossa antiga Macapá

Da esquerda para a direita, identificamos: Darciman (usando óculos escuros) irmão do dono do bar,  Pedrinho (fumando – ele utilizava muletas), Alfredo La Roque e Pedro Silveira, no Bar Gato Azul. Conforme os relatos da publicação, João Silva menciona que se trata de um dos muitos encontros de clientes habituais do Gato Azul, onde se consumia bebida, petiscava-se alguma coisa e a vida da cidade era discutida com clareza.

Euclides Moraes recorda que sua entrada no mundo boêmio ocorreu no Gato Azul, estabelecimento de Amujacy Alencar, que aos sábados atraía a elite intelectual do Amapá. Além das figuras presentes na fotografia, também compareciam nomes como Alcy Araújo, Agostinho Souza, Ernani Marinho, Juarez Maués, Benedito Andrade e Isnard Lima, que se juntavam aos profissionais do rádio, especialmente os da RDM(Rádio Difusora de Macapá). Moraes também destaca que Amujacy criou uma bebida chamada MORTE LENTA, extremamente potente, que consistia em misturar diversas sobras de bebidas fortes que eram vendidas, como uísque, cachaça, vodca e gim, resultando na famosa e temida MORTE LENTA.

Via Facebook 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

MEMÓRIA DE MINERAÇÃO AMAPAENSE > O PIONEIRO ALBERTO PINTO GOMES

RESGATE HISTÓRICO

Este documento raro é uma Ficha Funcional usada pela Indústria e Comércio de Minérios S/A, uma mineradora que trabalhou por muitos anos na exploração de manganês no Amapá.

É o cartão de identificação do pioneiro Alberto Pinto Gomes, nascido em 06 de junho de 1914 e admitido na ICOMI em 29 de maio de 1957, como funcionário de chapa nº 5031, que desempenhava a função de Auxiliar Agente de Estação III. Aposentou-se em 29 de julho de 1980, tendo completado 23 anos e 3 meses de serviço.

Seu Alberto faleceu, aos 80 anos, em 10 de maio de 1994.

Fonte: Rede Social (Facebook)

Foto:Reprodução

domingo, 24 de novembro de 2024

GENERAL JOÃO ÁLVARES DE AZEVEDO COSTA > EX-COMANDANTE DA FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ

A ele, a homenagem póstuma do blog Porta-Retrato – Macapá, em reconhecimento ao grande nome da região e ao seu grande trabalho pelo Brasil.

João Álvares de Azevedo Costa nasceu em São José de Macapá, no dia 14 de novembro de 1871, quando a cidade ainda pertencia ao estado do Pará. Filho de pais humildes demonstra desde cedo o desejo de viajar pelo Brasil, conhecer outros lugares e pessoas novas em busca de realizar o seu sonho mais caro: servir à Pátria no então glorioso Exército de Caxias. Com este objetivo, viaja para São Sebastião do Rio de Janeiro, onde se inscreve em 1 de março de 1889, como aluno da Escola Militar. Foi testemunha ocular da Proclamação da República, que ocorreu em 15 de novembro daquele ano, um dia após ter completado 18 anos. Como Cadete-sargento do Legendário 1º Regimento de Cavalaria, Azevedo Costa participou diretamente do glorioso movimento de 15 de novembro. Ele integrou a guarda pessoal do marechal Deodoro da Fonseca, uma das figuras mais relevantes da história brasileira devido à sua participação na Proclamação da República e ao seu primeiro mandato como presidente. Sob a influência do marechal que proclamou a República do Brasil, formou-se em Ciências Físicas e Matemáticas e Engenharia na Escola Militar. Em 20 de fevereiro de 1894, é promovido a Alferes  (Oficial). Em 1903, foi designado para manter contatos com os chefes militares bolivianos a respeito dos limites com o Acre, cumprindo a missão com brilhantismo, resultando dessas negociações na assinatura do Tratado de Petrópolis. Realizou uma visita à capital boliviana La Paz como representante das Forças Armadas brasileiras que estão instaladas no Acre. Sua atuação como mediador foi tão relevante que o diplomata brasileiro José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, o elogiou. Nomeado membro da Comissão de Limites, levantou a topografia da área fortificada do norte do Brasil, sendo designado para o comando da Fortaleza de São José de Macapá. Ao constatar o estado de abandono em que sua terra natal se encontrava, sentiu a mesma reação que o médico e jornalista macapaense Alexandre Vaz Tavares. Os jornalistas José Antônio de Cerqueira (Siqueira), Joaquim Francisco de Mendonça Júnior, major José Serafim Gomes Coelho, coronel José Coriolano Jucá e outros importantes do Amapá se juntaram para ajudar nas obras de recuperação da cidade, começando pelo apoio para a fundação do jornal Pinsônia. Após retornar ao Rio de Janeiro, acompanhou as lutas políticas dos presidentes Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás e Delfim Moreira dentro do quartel. No governo de Epitácio Pessoa, houve um movimento chamado Tenentismo, dos oficiais das Forças Armadas, em 5 de julho de 1922, com o levante do Forte de Copacabana. Houve, posteriormente, a rebelião de 1924, sob o governo do presidente Arthur Bernardes, seguida pela Coluna Prestes. A CGT começou a discutir a influência do Partido Comunista Brasileiro, levantando os trabalhadores e criando os sindicatos, gerando a Revolução de 1930, a era Vargas, o golpe do Estado Novo e a Constituição de 1937. Ele viveu toda essa fase de mudanças para o país. Em 1943, como macapaense, elogiou a criação do Território Federal do Amapá e a nomeação do seu amigo e colega de farda Janary Gentil Nunes, e disse à imprensa: "O Amapá está bem servido pelo meu jovem Tenente". A promoção de General-de-Exército, concedida pelo presidente Getúlio Vargas, foi o ponto culminante da sua vida. Após o ato solene, declarou: “Agora poderei partir para a posteridade; recebi a recompensa que me era devida pela certeza do dever cumprido”. General Azevedo Costa, de 82 anos, faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 1953. 

O governador Janary Nunes o homenageou, dando o seu nome ao Grupo Escolar General Azevedo Costa, no bairro do Laguinho, fundado em 24 de janeiro de 1955, com o objetivo de atender à clientela de 1ª a 5ª séries.

Fonte: blog do jornalista Edgar Rodrigues.

sábado, 19 de outubro de 2024

LUTO NA COMUNIDADE MÉDICA DO AMAPÁ - MORRE JOCY FURTADO DE OLIVEIRA - MÉDICO ANESTESISTA

Na quarta-feira, 16, morreu em Macapá aos 76 anos de idade, o médico anestesista JOCY FURTADO DE OLIVEIRA. Ele estava na UTI do Hospital São Camilo, em decorrência de um acidente vascular cerebral hemorrágico. Foi submetido a uma cirurgia, mas não resistiu.

O macapaense Jocy Furtado de Oliveira, filho de Ituassú Borges de Oliveira e Francisca Furtado de Oliveira, era o irmão mais velho de Suely e José Furtado (In memoriam). Neto legítimo de Ernestino Borges, Intendente (prefeito) de Macapá entre setembro de 1921 e março de 1922. Jocy Oliveira frequentou o grupo escolar anexo à Escola Normal, dirigido à época pela professora Esther da Silva Virgolino, e se formou no Colégio Amapaense no ginásio e no científico. 

Em 1968, foi aprovado para o curso de medicina da Universidade Federal do Pará e se formou em 1973. Fez residência médica, de 1974 a 1975, em anestesiologia, no Centro de Ensino e Treinamento Integrado da Unicamp, São Paulo

Em 1977, casou-se com Oriete Sussuarana de Oliveira, com quem teve três filhos. No mesmo ano foi nomeado médico do Território Federal do Amapá e permaneceu no estado como médico anestesista. Foi presidente do Conselho Regional de Medicina do Amapá. Fundador e presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado do Amapá (SAEAP) e membro da Academia de Medicina do Estado do Amapá

No dia 13 de setembro de 2021 recebeu a medalha da Academia dos Notáveis Edificadores do AmapáO notável Guilherme Jarbas Santana foi o patrono e o Desembargador Carlos Tork entregou-lhe a medalha. O evento fez parte da campanha "Orgulho de ser Amapá", desenvolvida pelo senador Randolfe Rodrigues em parceria com a Prefeitura de Macapá, Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça e o Memorial Amapá.

Jocy ocupou também o cargo de Secretário de Saúde do Amapá.

A família informou que o corpo de Jocy Furtado de Oliveira foi cremado.

Fontes: Memorial Amapá e redes sociais

Fotos: Nascimento Kitt, Ascom do Senador Randolfe e do acervo do homenageado.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

MEMÓRIA DA SAÚDE DO AMAPÁ > PRIMEIROS PROFISSIONAIS DO DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA, EM MACAPÁ

RESGATE HISTÓRICO

Primeiros profissionais do Departamento de Saúde Pública, em Macapá.

Diretores, médicos, dentistas, auxiliares e guarda-medicador.

Fonte: Múseu Histórico do Amapá

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

MEMÓRIA DA SAÚDE DO AMAPÁ > UNIDADE MISTA DE SAÚDE

RESGATE HISTÓRICO

A primeira unidade de saúde do Amapá funcionava no antigo prédio do Senado da Câmara.

A partir da posse de Janary Nunes como governador do Amapá, em 1944, os antigos casarões foram submetidos a reformas significativas. As casas de taipa, que são feitas de barro, foram remodeladas com o mesmo material, dando uma aparência agradável. 

As edificações foram projetadas para servir à administração pública.

Unidade Mista de Saúde funcionou neste local e permaneceu em atividades até a instalação do Hospital Geral de Macapá, atualmente Hospital das Clínicas, na Av. FAB.

No local, funcionou o Palácio do Governo, a Central Telefônica e o Colégio Comercial do Amapá. Em 1970, o prédio estava bastante danificado e sem condições de ser reformado ou adaptado. 

Biblioteca Pública "Elcy Lacerda" foi construída na área, com um aspecto mais modesto do que o que vemos atualmente.

Fonte: Arquivo Histórico do Amapá

domingo, 6 de outubro de 2024

MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO NO AMAPÁ > GRUPO ESCOLAR DE MACAPÁ

RESGATE HISTÓRICO

Fotos de 1944, mostram escolares em horário de recreio, brincando no Parque Infantil de Macapá, que funcionava na antiga Praça da Matriz, área hoje ocupada pelo Teatro das Bacabeiras, em frente ao antigo Grupo Escolar, na praça Veiga Cabral.

Fonte: Arquivo Histórico do Amapá

domingo, 29 de setembro de 2024

RELEMBRANDO...HOMENAGEM À HISTÓRIA E TRAJETÓRIA DO MANGA

O Manga partiu, mas deixou um legado e muitas histórias na lembrança de seus amigos...

Crônica da Vida

"O GAROTO DAS MARMITAS"

Por Humberto Moreira (*)

Foi quando eu morava na curva da Casa Santa Maria, ali no começo do bairro, que bati com os olhos naquele garoto branquelo e corpulento, que entregava marmitas. Se não me engano, a Dona Perpétua, mãe dele, vendia comida aos que trabalhavam nas redondezas do Mercado Central, edificação que não ficava longe da casa da minha avó. Naquela época, antes de completar 10 anos, eu ainda não sabia que iria manter uma relação de amizade com aquele garoto. Amizade sacudida por algumas discordâncias movidas por opiniões divergentes. Tenho certeza que a gente mantinha um respeito mútuo, fruto de longa convivência no mundo do futebol. Eu trabalhando desde o começo na imprensa esportiva e ele militando nos clubes da cidade como treinador. Estou falando de José Maria Gomes Teixeira, que nos deixou nesta sexta após se retirar das lides esportivas, deixando para trás uma longa trajetória no campo da Praça Nossa Senhora da Conceição, onde comandou por muito tempo a Associação Casados e Solteiros do Bairro do Trem. Manga era botafoguense, como eu e tenho certeza que, se permanecesse mais um pouco entre nós, estaria vibrando com a fase atual do Glorioso.

Juntos ultrapassamos as fronteiras da nossa aldeia correndo literalmente atrás da bola. Ele colocando seus times em campo e eu contando a história no microfone. Em duas oportunidades tivemos o prazer de dividir resultados importantes. Devo dizer antes que vida esportiva do meu amigo começou no Trem Desportivo Clube, onde foi atleta e depois técnico, revelando um sem número de jogadores. Cito aqui três ícones do nosso futebol, que, de alguma forma, foram orientados pelo Manga. Roberto Foguetinho, Vitor Jaime e Mário Sérgio. Estes viveram grandes momentos sob a batuta do treinador que, talvez tenha sido quem mais vezes exerceu o comando do rubro-negro. Mas Manga não ficou exclusivamente no Trem. Ele foi campeão no Amapá Clube comandando o craque Marcelino, que depois, faria sucesso no exterior (Los Angeles Aztecs, América e Necaxa). No Copão da Amazônia de 1989 ele conquistou o título com o Independente numa jornada que começou em Santarém e terminou no estádio Aluísio Ferreira, em Porto Velho. E eu estava lá com Paulo Silva contando essa história. Depois fomos a Guiana Francesa com a seleção amapaense, quando Haroldo Vitor Santos era presidente da FAF. A crônica representada por mim, Anibal Sérgio e João Silva. O jogo inicial contra a seleção da Liga local, foi um espetáculo inesquecível. O empate deixou a gente com orgulho de ser amapaenses. A seleção tinha craques como Miranda, Jorge Nunes, Nerivaldo, Eulan, Edinho, Vitor, Foguetinho e Camecrã. Os caras também tinham um time de respeito, com craques como Maluda (Chelsea e Seleção Francesa) e Darcheville, que jogou em clubes da Europa por muito tempo.

O segundo jogo foi em Kourou, contra o Geldar, time da Legião Estrangeira e o Trem ganhou por um a zero, com um gol do “Trator” Miranda. No comando estava ninguém menos que o Manga. O treinador ainda passou pelo Esporte Clube Macapá, Ypiranga e Santos. Vez em quando a gente batia de frente por não concordarmos com alguma coisa. Inteligente que só ele o Zé Maria sabia como me aborrecer. Ele mandou botar um número bem pequeno na camisa do Amapá Clube e embaralhou a formação, de maneira que o número onze estava com o lateral direito o número dois era um meio campista e assim sucessivamente. Tive que me virar para transmitir o jogo pois o número é o que identifica o jogador em campo. Hoje as coisas mudaram, mas antes os números eram fixos de um a onze. Esse foi mais um motivo de divergência. Mas a gente sempre acabava se entendendo.

José Maria Gomes Teixeira comandou por muito tempo a Copa do Mundo Marcílio Dias, que começou no campinho da tropa escoteira e se transferiu depois para a Praça Nossa Senhora da Conceição. Sempre em parceria com figuras como o narrador Manoel Biroba e o jornalista Pantaleão Oliveira. O evento é a maior competição amadora do país. Hoje são mais de 100 seleções disputando o título. Manga ficou na direção até começar a ter problemas de saúde. Passou o bastão para pessoas como Vitor Jaime e foi morar na Zona Norte. O nosso amigo também tinha o seu lado folclórico. Foi um dos criadores do futebol à fantasia nos carnavais e quando esteve no comando do Independente produziu vários “causos”. Contam os jogadores do elenco do “Carcará” que Manga era fã do goleiro Camecrã. Porém, esse jogador, que estudava advocacia em Macapá, não podia frequentar os treinos, pois tinha os seus afazeres. Além disso, os treinamentos eram realizados em Santana. O reserva era Apolônio, um goleiro muito bom também. Morando no município portuário, Apolônio não perdia nenhum treino. O time alviverde tinha um clássico para jogar no domingo seguinte. Na sexta Camecrã deu as caras no treino. Manga ficou com a batata quente na mão, pois Apolônio estava preparado para ser o titular pegando até pensamento. Mas o treinador matutou até arrumar uma maneira de barrar o goleiro reserva. Ele disse que ia fazer um treino sem bola com os dois goleiros. Simulou estar segurando uma bola e botou o Camecrã no gol. O técnico fingia que atirava a bola no gol e o goleiro titular fingia que pegava. Aí vinham os elogios para as supostas defesas de Camecrã. Após fazer isso várias vezes, o Zé Maria mandou Apolônio para o gol. O reserva não se fez de rogado. Só que desta vez o técnico mudou. Ele simulava ter jogado a bola num canto, Apolônio se atirava no chão e Manga calmamente fingia jogar a bola para o outro lado. Era como se ele usasse uma paradinha para tirar o goleiro reserva da jogada. Depois de repetir o engodo várias vezes, Manga disparou:

- Tá vendo. Estás sem reflexos. Vou ter que escalar o Camecrã.

E como esta foram várias histórias engraçadas protagonizadas pelo MANGA LOVE, que partiu (...) para se encontrar com o criador. Quem o conheceu sabe que ele foi um ser humano com erros e acertos como todos nós. Sua história é uma página importante no livro do futebol amapaense.

Quero deixar aqui minhas homenagens ao amigo que parte e dizer que ele vai fazer falta. Quando a gente falar nos treinadores de futebol amapaense vai lembrar com certeza daquele garoto das marmitas e da Copa do Mundo Marcílio Dias. Boa viagem Manga. Que a sua última jornada voltando para Deus seja tranquila.

(*) radialista, jornalista e cantor do Amapá

sábado, 28 de setembro de 2024

MORRE EM MACAPÁ, AOS 77 ANOS, JOSÉ MARIA GOMES TEIXEIRA – O MANGA

Faleceu na manhã desta sexta-feira (27), aos 77 anos, vítima de uma parada cardíaca, um dos maiores nomes do futebol do AMAPÁ, José Maria Gomes Teixeira, o Manga. 

Durante várias décadas, o desportista coordenou a tradicional Copa do Mundo Marcílio Dias, no bairro do Trem.

Manga deixa esposa e filhos.

Manga nasceu no bairro central de Macapá, em 17 de maio de 1947. Filho de Teófilo Domingos Teixeira e Perpétua Gomes Teixeira. O casal cearense chegou à capital amapaense nos anos 40, durante a criação do Território Federal do Amapá pelo governo de Janary Gentil Nunes. Manga participou da Copa do Mundo Marcílio Dias, foi membro do Escotismo, atuou como Guarda Territorial e trabalhou na Polícia Civil. O início do futebol foi como guarda metas (goleiro). O apelido "Manga" é atribuído ao grande goleiro do Botafogo e Seleção Brasileira, Haílton Corrêa de Arruda, o famoso Manga, que atuou nas décadas de 50, 60, 70 e 80. Como técnico, Manga atuou no Atlético Latitude Zero, Trem Desportivo Clube, Ypiranga Clube, MV-13, Amapá Clube, São José, União Esporte Clube, Guarany Atlético Clube, Independente Esporte Clube, Seleção Amapaense e Copão da Amazônia. 

Via Franselmo George 

História - A primeira edição, da Copa Marcílio Dias, ocorreu em 1952, com o objetivo de integrar ainda mais os jovens, e com o futebol, fazer com que ser um escoteiro se tornasse mais atraente. Seguindo o modelo da competição realizada pela FIFA, a Copa Marcílio Dias passou a ser realizada de quatro em quatro anos, e assim seguiu nas copas de 1966, 1970, 1974 e 1978. No ano seguinte, a partir da chegada do Comandante Barcellos, a competição passou a ser anual. Essa mudança também atendia  pedidos dos jovens, que queriam ter mais oportunidades para jogar a Copa. Da primeira edição participaram 16 seleções, que eram formadas pelos escoteiros e moradores do bairro. As equipes eram: Alemanha Ocidental, Argentina, Brasil, Bulgária, Chile, Colômbia, Espanha, França, Hungria, Inglaterra, Itália, Iugoslávia, México, Tchecoslováquia, União Soviética e Uruguai. Os jogos e o regulamento foram baseados no álbum de figurinhas, que é lançado em cada Copa do Mundo.

A imagem abaixo, foi publicada em P/B no Jornal Diário do Amapá em 1995, quando a Copa Marcílio Dias era realizada no campo situado atrás da sede dos Escoteiros do Mar "Marcílio Dias", no bairro do Trem, onde atualmente está localizada a Escola Municipal "Hildemar Maia".

Colorizada po IA

O empresário Elíuço está à esquerda, seguido por José Maria Gomes Teixeira, o Manga, e o repórter José Maria Trindade, o Zeca Diabo, à direita.

Encontro entre amigos do bairro do Trem, a partir da esquerda: Guarda Gentil, Jeconias Araújo, Zequinha Monteiro, José Maria Oliveira e Manga.
Os bancos das fotos eram da Casa Deuzarina, do bar do Sr. Manoel Paixão.
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Repercussão

Luiz Nery, que atualmente gerencia o Bar Du Pedro no Mercado Central, publicou a seguinte mensagem na rede social:

"José Maria Gomes Teixeira, meu vizinho Manga, faleceu.
Sua paixão era o esporte, especialmente futebol.
Vivi minha infância na Avenida Rio Maracá, onde morou por muitos anos Dona Perpétua, sua mãe.
Gostava de reunir a molecada para partidas de futebol na rua ou na praia, empinar papagaio,organizar a fila da molecada no mês de Junho, quando o posto Santo Antonio, homenageava seu santo protetor, distribuindo mingau e não era pouco, pois só a turma da baixa da mucura fazia a fila dobrar quarteirão. O Manga, tranquilo fazia a fila andar sem bagunça. Embaixo da mangueira em frente a sua residência, reunia a molecada para cortar cabelo e não cobrava nada.
Certo final de semana, manga sofreu um acidente que cortou nervos do tendão, isso fez com que parasse de beber, mas o esporte e a vontade de dias melhores, juntamente com meu falecido irmão José Maria Sandin Nery, meu primo falecido João Dasteca, entraram em um puque-puque e rumaram para a Guiana Francesa, lá passou por dificuldades, mas o futebol facilitou realizar uma cirurgia e evitar o pior. A saudade da Dona Perpétua e de sua esposa Marina, fez com que regressasse a Macapá. Aqui continuou ajudando sua mãe na banca que funcionava no cruzamento da Avenida Rio Maracá com São José.
Veio uma chance na Guarda Territorial e o Manga , agarrou com todo carinho até sua aposentadoria.
No futebol, foi um vencedor sem ser biricica(*).
Descanse na paz do senhor amigo."
Luiz Nery via Facebook
(*) intrometido / presunçoso
O corpo de José Maria Gomes Teixeira (Manga) foi sepultado na manhã deste sábado, 28, no Cemitério de São José, bairro de Santa Rita.

domingo, 22 de setembro de 2024

MEMÓRIA DA JUSTIÇA DO AMAPÁ > PAI DE CORA CORALINA FOI JUIZ DE DIREITO EM MACAPÁ

 Resgate Histórico

Sobrenomes semelhantes aos de uma poetisa goiana de renome nacional, Cora Coralina, identificada como Anna Lins dos Guimarães Peixoto, despertaram a atenção dos pesquisadores Michel Duarte Ferraz (museólogo) e Marcelo Jaques de Oliveira (historiador), do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), que atualmente realizam a análise documental de processos judiciais antigos com objetivo de resgatar registros de valor histórico para justiça amapaense, desde o período do Brasil Império (de 1822 a 1889).

Os investigadores criaram uma tabela que continha, ano após ano, os nomes dos magistrados, servidores e outros colaboradores da justiça que foram identificados durante suas leituras. A pesquisa virtual realizada na seção de hemeroteca da Biblioteca Nacional revelou o nome do dr. Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, que desempenhou o cargo de juiz de direito da Comarca de Macapá em 1868. Ao examinar a biografia de Cora Coralina, verificou-se que ela era descendente do magistrado.

 Fonte: Almanach Administrativo, Mercantil, Industrial e Noticioso da Provincia do Pará para o anno de 1869, p. 389-391.

Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto nasceu em Areias, Paraíba, no ano de 1821. Dada a proximidade com sua terra natal, tudo indica que se formou em Direito pela antiga Faculdade de Direito de Olinda, localizada no mosteiro de São Bento. Sua trajetória profissional inclui a atuação como Chefe de Polícia nas províncias do Amazonas e Piauí. Exerceu a magistratura nas comarcas que fazem parte do Tribunal de Relações do Pará, como Macapá, Manaus e o Termo Judiciário de Cametá. Exerceu a função de Auditor de Guerra da Província do Amazonas. Em 1884, torna-se desembargador do Tribunal de Relações de Goyaz, tendo trabalhado como Desembargador Procurador da Coroa, Soberania e Fazenda Nacional. Em 1889, com 68 anos, faleceu na Vila Boa de Goyaz, hoje cidade de Goiás.

Perfil e personalidade

Até o presente momento, não é possível estabelecer de forma precisa um perfil da sua atuação profissional ou da sua personalidade. Os jornais demonstraram isso claramente.

Eram parciais e distribuíam notícias e versões de interesse dos seus proprietários e dos partidos políticos aos quais estavam ligados. Alguns periódicos das províncias em que atuou tratavam-no como um magistrado exemplar, enquanto outros o acusavam de cometer abusos de autoridade, de conceder favores indevidos aos seus aliados ou de ser um juiz "venal".

É notório que sua trajetória profissional foi marcada por diversas controvérsias, o que pode ter causado mudanças de funções ou até mesmo a transferência de comarcas.

Características de sua atuação

O dr. Peixoto esteve em Macapá entre 1868 e 1870 e, sem dúvida, contribuiu para a jurisdicionalidade e a consolidação da comarca. 

Processo criminal de 1868 com a assinatura do dr. Francisco de Paula Lins dos
Guimarães Peixoto. Acervo do TJAP.

Foram identificados diversos processos judiciais assinados por ele. Além de magistrado, exercia a função de Delegado de Ensino. Cabe ressaltar que, em Macapá, o dr. Peixoto estava envolvido nas questões políticas criadas e ampliadas pelos aliados dos partidos Conservador e Liberal. Um desses eventos foi noticiado pelo jornal O Liberal do Pará no dia 17 de janeiro de 1869.

O jornal noticiava que o magistrado estava em viagem para Belém com o objetivo de se defender das acusações que lhe eram imputadas. O evento ocorreu no ano anterior e oferecia risco à vida do Capitão Fernando Álvares da Costa.

O Liberal do Pará, Anno I, Número 7, Belém do Pará, 17 jan. 1869, p. 1.

 Conta o relator anônimo do caso: O Dr. Peixoto, com um punhal em uma bengala, provocou o nosso amigo de uma forma inusitada e tentou feri-lo. após ter usado todos os meios para espancá-lo. Não tendo o dr. Peixoto procurado em lugar isolado e solitário, muito de propósito quis que a sua façanha fosse decantada por todos. Outros exemplos de questões políticas que envolvem o dr. Peixoto podem ser encontrados em periódicos da antiga província do Piauy.

Transferência para Goiás

O dr. Peixoto estava entre os magistrados mais antigos aptos a concorrer à vaga de desembargador no Tribunal de Relações de Belém. Mas, em 15 de novembro de 1884, foi nomeado desembargador do Tribunal de Relações de Goiás.

Em Vila Boa de Goiás (atual cidade de Goiás), aos 66 anos, ele se casou com Jacintha Luiza do Couto Brandão e, dessa união, nasceu Anna (Cora Coralina).

Relação pai x filha.

Imagem disponível em: Disponível em: <http://www.conhecendomuseus.com.br/noticias/dica-de-leitura-cora-coralina-em-8-obras-fantasticas/>

A poetisa não conviveu com seu pai, uma vez que ele faleceu dois meses depois dela nascer. No entanto, essa ausência parece ter deixado marcas profundas em sua vida. 

Imagem: Dr. Peixoto em foto póstuma. Museu Cora Coralina. Disponível em: <
https://www.got2globe.com/editorial/vida-obra-cora-coralina-escritora-margem/>

Isso fica evidente na fotografia póstuma do dr. Peixoto colocada na parede da casa velha da ponte (antes residência da família e hoje museu Cora Coralina) e nos seus versos, como no poema "Meu pai". 

Dr. Peixoto em foto póstuma: Imagem disponível em:
<https://areiaontemehoje.blogspot.com/2017/02/paternidade-areiense-da-poetisa-cora.html>

  • Meu Pai (In Memoriam)

Meu pai foi embora com suas vestes de Juiz. Eu nem sei quem o vestiu. Eu era tão pequeno, mal nascido. Ninguém previu que eu viveria.

Não coloquei nada em suas mãos. Nenhum beijo, nenhuma oração, nenhum suspiro triste. Eu era tão pequena... E fiquei uma criança minúscula na enorme ausência do meu pai que sentia falta.

Cora Coralina, inclusive, reformou o túmulo do pai,...

Túmulo de Desembargador Peixoto e da poetisa Cora Coralina. Foto Maria Elizia Borges. Disponível em:
<http://docplayer.com.br/113688367-Meu-adeus-a-vida-cora-coralina-1965.html>

 ...adquiriu um espaço ao lado e construiu, no local, o seu próprio túmulo.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social 

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

MEMÓRIA DA AVIAÇÃO COMERCIAL NO AMAPÁ : RESGATE HISTÓRICO > PASSAGEM AÉREA DA CRUZEIRO DO SUL DE 1945

 Apresentamos um resgate histórico relevante que nos foi enviado por Michel Ferraz, curador do Museu de Justiça do Amapá (TJAP)

Imagens: Acervo do Arquivo do TJAP 

São imagens de uma passagem aérea da Cruzeiro do Sul, no trecho Belém/Macapá, emitida em 26 de novembro de 1945. O passageiro é Laurindo Banha Netto.

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NOTA DO EDITOR:

Questionada se o passageiro seria o Seu Banha, Dra. Clara Banha, sobrinha dele, confirma: "Descobri no inventário do vovô que Laurindo Banha Netto era o Tio Banha. Posteriormente, ele alterou o seu nome para Laurindo dos Santos Banha." 

Grato pela informação! João Lázaro

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Resumo

Em 26 de novembro de 1945, foi emitido o bilhete de passagem para o voo 24/35 da companhia Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul. O trajeto entre Belém e Macapá, em 29 de novembro de 1945. O menor de idade (12 anos), LAURINDO BANHA NETTO embarcou no aeroporto de Val de Cães.

Valores da época:

Passagem        360,00     cruzeiros

Menos 50 %    180,00    por ser menor

Total parcial   180,00

Mais Seguro    18,40

Mais 2% quota previdência 3,60

Total Geral     202,00  cruzeiros.

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Laurindo dos Santos Banha, nasceu em 17 de janeiro de 1932, filho de Joaquim Laurindo Banha e Isídia Rosa dos Santos Banha. Ele estudou em escolas de Macapá. Aos 12 anos, foi trabalhar no comércio de D. Sarah Roffe Zagury, onde permaneceu por 44 anos; trabalhou como menino de recados, ajudante de balcão, vendedor, administrador do Bar Central, controlista de vendas da Fábrica do Flip Guaraná, gerente da Agência da Aviação Aérea Cruzeiro do Sul e do Consórcio da Ford. Ele se tornou um funcionário de grande confiança, respondendo pelas tarefas da empresa quando os proprietários não estavam presentes. Encerrou como sócio da empresa.

Empresa no Amapá

De acordo com publicação no blog, a Cruzeiro do Sul, representada pela empresa Moysés Zagury & Cia, começou a operar em 31 de maio de 1945 e, apesar de ter sido negociada com a Varig, o Agente em Macapá permaneceu responsável por administrar todos os eventos ocorridos, destacando o primeiro pouso noturno em 12 de fevereiro de 1953 e a implementação da rota diária Belém/Macapá/Belém a partir de 23 de julho daquele ano.

Agradecemos ao curador Michel Ferraz pela contribuição!

Fonte: TJAP

Texto atualizado com informações complementares,  em 2/12/2024

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