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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 11 – MARIA GERMINA DE MENDONÇA ALMEIDA: A GUARDIÃ ETERNA DO FORMIGUEIRO

 Maria Germina de Mendonça Almeida é a décima primeira homenageada do projeto memorialista do Largo dos Inocentes, e sua trajetória sintetiza a força silenciosa de tantas mulheres que ajudaram a erguer o bairro com trabalho, resistência e memória. 

Nascida em 1942, filha de Ana Rosa de Mendonça, ela cresceu no Formigueiro, onde passou grande parte da infância e juventude, em um tempo em que a vida cotidiana era marcada pela simplicidade, mas também por grandes desafios.

Ainda menina, por volta dos 12 anos, Maria assumiu responsabilidades que hoje seriam impensáveis para uma criança. Coube a ela colaborar nas tarefas domésticas e, sobretudo, no abastecimento de água da casa. Diariamente, carregava pesadas latas retiradas dos poços do Mato e de São José, percorrendo caminhos de terra em uma rotina exaustiva, que exigia força física, disciplina e coragem. Era uma atividade dura e dolorida, como ela mesma costumava recordar, mas absolutamente essencial para garantir que nada faltasse à família.

O núcleo familiar de Maria se estruturou em torno da figura de sua mãe, Ana Rosa, e de Hipólito da Silva Gaia, com quem Ana se casou e com quem teve três filhos: Antônio, Vivaldina e Benedito. Nesse ambiente, Maria aprendeu o valor da solidariedade, da partilha e do cuidado coletivo, valores que a acompanharam por toda a vida e que ajudaram a moldar o espírito comunitário do Formigueiro. A casa, simples, era também um ponto de encontro, onde histórias, notícias e lembranças circulavam de boca em boca, alimentando a memória social do lugar.

Com o passar dos anos, Maria transformou suas vivências em narrativa, tornando-se uma verdadeira guardiã da memória viva do bairro. Suas lembranças sobre o trabalho de buscar água, as dificuldades do cotidiano, as vizinhanças, festas e mudanças no Largo dos Inocentes resgatam um tempo em que a sobrevivência dependia diretamente do esforço coletivo e da presença ativa das mulheres na organização da vida doméstica e comunitária. Ao narrar o passado, ela não só preservava a própria história, como ajudava a manter viva a identidade do Formigueiro e de seus moradores.

Homenagear Maria Germina de Mendonça Almeida no Largo dos Inocentes é reconhecer o protagonismo das mulheres anônimas que, com braços cansados e passos firmes, asseguraram dignidade às suas famílias e deixaram marcas profundas na história da cidade. Seu nome, agora inscrito entre as personalidades lembradas no espaço público, transforma em patrimônio simbólico uma experiência de vida que combina luta, trabalho duro e afeto. Para o blog Porta-Retrato, registrar essa biografia é, ao mesmo tempo, ato jornalístico, gesto histórico e exercício de memória, garantindo que a história de Maria continue inspirando as novas gerações.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: Professora Kátia Silene Almeida – 2025

Registro fotográfico de @paulotarsobarros

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 9 – JOSÉ ROSA TAVARES: O PIONEIRO DA CALIGRAFIA E DA HONESTIDADE

No coração pulsante do Largo dos Inocentes - Formigueiro, em Macapá, ergue-se agora a nona homenagem a uma figura que personifica o pioneirismo amapaense: José Rosa Tavares.

Homem de caligrafia impecável, cujas letras traçadas à mão carregavam a precisão de um artista e a confiança de um servidor público, Tavares foi o artífice manual das folhas de pagamento da Prefeitura de Macapá, quando o Amapá ainda era Território Federal. Em tempos em que máquinas ainda eram sonho distante, sua pena era o elo entre o suor do trabalhador e o dever da administração.

Convocado pelo prefeito Heitor de Azevedo Picanço, José Rosa não foi escolhido ao acaso. Sua honestidade inabalável, o capricho em cada traço e o zelo incansável pela tarefa pública o elevaram a essa responsabilidade nobre. Reservado em sua essência, mas de coração aberto aos amigos, ele transformava as noites no calçadão em frente à sua casa — na icônica esquina da rua Mendonça Furtado com Tiradentes — em rodas de prosa genuína. Ali, sob o céu estrelado do Amapá, os temas fluíam como o rio próximo: a roça fecunda, a caça desafiadora e a pesca generosa, tecendo laços que uniam a comunidade em simplicidade e cumplicidade.

Casado com Maria do Carmo Tavares, a inesquecível Dona Mariquinha — mulher de generosidade sem medidas e acolhida farta —, José Rosa construiu uma família exemplar. Dos 12 filhos criados com afeto e princípios sólidos, brotou um legado que transcende gerações: o serviço à comunidade, a modéstia como virtude e o afeto como herança eterna. No Largo dos Inocentes, sua memória agora se eterniza, convidando-nos a refletir sobre os pioneiros que, com mãos calejadas e espíritos retos, forjaram os alicerces de Macapá.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: João do Carmo Tavares, bancário e filho de José Rosa Tavares – depoimento em 2025.

Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

domingo, 7 de dezembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 8 - BENEDICTO ANTÔNIO TAVARES: MESTRE E FIGURA DE PRESTÍGIO NA MACAPÁ ANTIGA


 Nascido em 9 de janeiro de 1868, Benedicto Antônio Tavares recebeu o nome em homenagem a São Benedito, santo de forte devoção popular na Amazônia. O sobrenome Tavares, herdado do pai, acompanharia uma trajetória marcada pelo respeito público, pela ligação com a elite local e por uma atuação comunitária que ecoa até hoje na memória de Macapá.

Casado com Quitéria Rosa Tavares, Benedicto construiu um núcleo familiar que seria, ao mesmo tempo, tradicional e profundamente ligado às raízes da cidade. Do casamento, vieram os filhos Maria Rosa Tavares de Almeida e José Rosa Tavares. Também foi pai de Norberto Tavares, ampliando uma linhagem que se entrelaça com a história social da capital amapaense.

Reconhecido como uma das figuras de destaque na Macapá do final do século XIX e primeiras décadas do XX, Benedicto integrou a elite local não apenas por sua posição social, mas pelo papel que desempenhou no serviço público. Exerceu as funções de oficial de justiça e intendente municipal, cargos que exigiam responsabilidade, senso de justiça e articulação com a vida política e administrativa da época.

Entretanto, sua contribuição mais marcante talvez tenha vindo do ambiente doméstico. Em sua própria residência, Benedicto abria as portas para exercer uma vocação que o aproximava diretamente da comunidade: alfabetizar crianças, jovens e adultos, ensinando leitura, escrita e, especialmente, “a fazer conta”, expressão tão comum no vocabulário cotidiano de então. Era um mestre informal, cuja casa se transformava em espaço de aprendizagem para aqueles que tinham pouco ou nenhum acesso à educação regular.

Esse gesto simples e contínuo — ensinar — conferiu a Benedicto um lugar especial na memória coletiva. Ele representava não apenas o homem público, mas o educador comunitário, figura que ajudava a moldar futuros e a disseminar conhecimento em uma Macapá ainda em formação, com poucos recursos escolares e forte dependência da iniciativa de cidadãos comprometidos com o bem comum. 

Benedicto Antônio Tavares faleceu em 25 de setembro de 1941, deixando um legado de serviço, respeito e educação transmitida de forma generosa. Sua história permanece viva como parte do patrimônio humano que construiu a Macapá do passado e alimenta a identidade da cidade atual.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: Bisneta – Maria das Dores do Rosário Almeida – 2025

Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

sábado, 6 de dezembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 7 - LEMBRANÇAS DE TIA URSINHA

 
TIA URSINHA

Ursula Evangelista da Costa Cecilio 

(1915–2005)

Entre as figuras que moldaram a identidade afetiva e cultural do Largo dos Inocentes, no tradicional Formigueiro, nenhuma presença é tão lembrada quanto a de Tia Ursinha. Nascida em 25 de abril de 1915, Ursula Evangelista da Costa Cecilio tornou-se, ao longo do século XX, uma referência de fé, solidariedade e pertencimento comunitário, marcas que a fizeram permanecer viva na memória social de Macapá.

Pioneira daquela região emblemática da capital, Tia Ursinha não apenas testemunhou as transformações do bairro, mas participou ativamente de suas tradições. Devota e assídua nas celebrações religiosas, era figura certa nas festas, novenas e rituais que uniam os moradores e reforçavam o sentimento de vizinhança. Seu comportamento acolhedor e seu senso de compromisso com o outro fizeram dela um ponto de apoio para famílias inteiras que encontravam, em sua casa e em sua presença, um gesto de escuta e solidariedade.

Mais que uma moradora ilustre, Tia Ursinha tornou-se um símbolo de resistência cultural, preservando costumes e modos de viver que ajudaram a tecer a história do Largo dos Inocentes. Sua trajetória se confunde com a própria memória do território: a fé que professava, o cuidado com a comunidade e a dedicação à família refletem valores que permaneceram, mesmo após sua partida, em 1º de julho de 2005.

Hoje, recordar Tia Ursinha é reconhecer a força das mulheres que sustentaram a vida social de Macapá, transmitindo saberes, valores e tradições às novas gerações. Sua lembrança permanece como um farol afetivo para todos que conheceram sua doçura e sua firmeza.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: Neto – Sociólogo Evandro Milhomem (2025)

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

domingo, 23 de novembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 6 - MÃE COTA: MEMÓRIA VIVA DE MACAPÁ

Hoje abrimos espaço para contar a história de Mãe Cota, cuja força, ternura e ancestralidade deixaram raízes profundas no coração do Formigueiro.

Maria Rosa Tavares de Almeida veio ao mundo em 20 de setembro de 1896, filha de Benedicto Antônio Tavares e Quitéria Rosa Tavares. Nascida em um tempo de grandes desafios, Maria Rosa cresceu entre saberes tradicionais, rezas antigas e a força cotidiana das mulheres negras que moldaram a cultura amapaense. Ainda jovem, descobriu um dom natural para cuidar, ensinar e acolher — virtudes que guiariam toda a sua existência.

Conhecida carinhosamente como Mãe Cota, ela dedicou parte de sua vida à educação. Atuou como professora municipal da 1ª série na comunidade do Curiáu, entre 1938 e 1939, plantando as primeiras sementes de conhecimento que muitos moradores da região levariam para além da infância. Como educadora, era lembrada pelo rigor amável, pela paciência e pelo respeito à formação humana.

Mas Mãe Cota não cabia em um único ofício. Era mulher de muitos talentos, dona de uma habilidade rara nas artes tradicionais que marcam o cotidiano amazônico. Trabalhou como rendeira, lavadeira, cozinheira e amassadeira de açaí — profissões que exigem força, técnica e dedicação. Queimou panelas para alimentar famílias, tingiu fios que viraram arte, lavou histórias que o tempo insistia em guardar. Tornou-se também tacacazeira, levando às ruas sabores que hoje são parte inseparável da memória afetiva de Macapá.

Dotada do dom da cura e do aconselhamento, Mãe Cota foi ainda rezadeira, benzedeira e figura de extrema confiança na comunidade. Em sua casa, muitos encontravam alívio espiritual, palavra firme, escuta atenciosa e esperança. Nas festas do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade, entoava cantorias de marabaixo, mantendo viva uma das mais importantes expressões culturais do Amapá. Seu canto, dizem, alcançava os que estavam longe — e confortava os que estavam perto.

Profundamente religiosa, integrou o Apostolado da Oração da Igreja Matriz de São José, onde sua presença constante e silenciosa se tornou um símbolo de fé e devoção.

Mãe Cota partiu em 24 de novembro de 1986, aos 90 anos. Viveu quase um século costurando laços de fé, trabalho, sabedoria e amor ao próximo. Deixou um legado que ultrapassa as fronteiras da família e se estende pela cultura e pela história do Amapá. Hoje, é lembrada como exemplo de dignidade, força feminina e ancestralidade — uma daquelas pessoas cuja vida se transforma, por si só, em patrimônio imaterial.

Ao celebrarmos a memória de Mãe Cota, celebramos também a resistência e a beleza das mulheres que moldaram, com suas próprias mãos, os alicerces culturais de Macapá.

Sua história permanece viva, como as vozes do marabaixo que ecoam pelas ruas, como o cheiro de tucupi que anuncia afeto, como o conselho sábio que nunca se perde.

Mãe Cota vive — na memória, no legado e no coração do Amapá.

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Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: Neto – Murilo José, Diones da Rosaiva Almeida – 2023

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 5 - A TRAJETÓRIA DE ZÉ MARIANO

Hoje vamos recordar a trajetória do senhor José Duarte de Azevedo, conhecido como  Zé Mariano — figura ilustre e indispensável à memória afetiva amapaense. Homem simples, íntegro e profundamente enraizado no bairro Formigueiro, Zé Mariano viveu intensamente o cotidiano do antigo Território Federal do Amapá. Sua história, sustentada pelo trabalho incansável, pela fé e pelo amor à família, merece ser retomada e celebrada como parte fundamental do nosso memorial coletivo.

Zé Mariano (1902–1986)

Nascido em Macapá em 1902, José Duarte de Azevedo, o Zé Mariano, cresceu em uma época em que a cidade dava seus primeiros passos rumo à urbanização. Filho de Mariano Duarte de Azevedo e Tereza de Azevedo Picanço, integrou-se desde cedo à realidade dos pioneiros do Formigueiro, área onde muitas famílias tradicionais ajudaram a moldar a identidade local.

Sua vida profissional ganhou novos rumos a partir de um convite decisivo: o então governador Janary Nunes, figura central na consolidação do Território Federal do Amapá, chamou Zé Mariano para integrar a equipe responsável por importantes obras públicas. Ele participou diretamente da construção do Hospital Geral de Macapá e do Macapá Hotel, dois marcos estruturais que transformaram o cenário urbano da capital na década de 1940.

A dedicação, a seriedade e o senso de responsabilidade com que executava suas funções renderam-lhe a confiança do Governo. Por isso, Zé Mariano assumiu mais tarde o cargo de porteiro do Palácio do Governo, acumulando também inúmeras tarefas externas. Era, como muitos lembram com carinho, o “verdadeiro faz-tudo”, sempre presente, sempre pronto, sempre discreto.

No campo familiar, Zé Mariano construiu uma história tão sólida quanto sua vida pública. Casou-se com Tereza de Azevedo Costa, com quem teve oito filhos. Da união nasceu uma linhagem que seguiria contribuindo com a cidade — entre eles, Raimundo Azevedo Costa, que fez história ao se tornar o primeiro prefeito eleito de Macapá, em 1985.

Católico dedicado, Zé Mariano era presença constante nas missas da Igreja Matriz de São José. Carregava consigo um entusiasmo especial pelas festas de arraial, período que marcava encontros, reencontros e a celebração da cultura local. Nessas ocasiões, recebia com alegria parentes e amigos vindos do interior, reforçando os laços afetivos que sempre prezou.

Faleceu em 1986, deixando um legado de simplicidade, trabalho e dignidade. Sua trajetória, embora marcada pela discrição, permanece viva na memória dos descendentes, amigos e moradores que reconhecem em Zé Mariano um dos alicerces humanos que ajudaram a construir Macapá.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: João do Carmo Tavares (filho)

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

domingo, 16 de novembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 4 - AS LEMBRANÇAS DE MESTRE CHICO

Hoje vamos falar de Mestre Chico, figura essencial na história do Formigueiro e do desenvolvimento urbano de Macapá. Carpinteiro habilidoso, vizinho de outros mestres artesãos, e colaborador de obras que hoje fazem parte do imaginário amapaense, ele representa a força silenciosa dos trabalhadores que edificaram a cidade muito antes de seus espaços ganharem nomes oficiais ou destaque nos mapas.

Francisco Castro Inajosa (1911 – 1995)

Francisco Castro Inajosa, carinhosamente conhecido como Mestre Chico, nasceu em 14 de agosto de 1911. Ao longo de sua vida, deixou marcas profundas na história de Macapá por meio de seu talento como carpinteiro e de sua dedicação ao trabalho comunitário. Faleceu em 8 de agosto de 1995, mas seu legado permanece vivo nas estruturas que ajudou a construir e nas memórias daqueles que conviveram com ele.

Radicado na área onde funcionou o antigo Fórum de Macapá, Mestre Chico tinha como vizinho o respeitado “Mestre Julio”. Quando o então governador Janary Gentil Nunes requisitou o terreno para a construção do Fórum, foi o próprio Mestre Chico quem sugeriu um novo local de moradia. Assim, mudou-se para a Rua José Serafim, esquina com a General Gurjão — região então conhecida como “Formigueiro”, hoje denominada Rua Tiradentes.

A trajetória de Mestre Chico se entrelaça com a história urbana e cultural do Amapá. Seu talento contribuiu para importantes obras da cidade, entre elas a construção do Trapiche Eliezer Levy, um dos cartões-postais de Macapá, e da Igreja de Mazagão Velho. Foi durante esse período que conheceu sua esposa, Ercilia Duarte Inajosa, a Dona Ciroca, nascida em 28 de janeiro de 1921 e falecida em 20 de outubro de 2013, companheira fiel em sua caminhada.

Além disso, Mestre Chico atuou na reforma da Igreja Matriz de São José de Macapá e participou de diversas obras públicas, servindo como mão de obra especializada do antigo setor de Bens de Imóveis da Secretaria de Obras. Ao longo de sua vida profissional, trabalhou ao lado de dois outros grandes artesãos da época: Mestre Antônio e Mestre Benedito, fortalecendo um ciclo de mestres que ajudou a erguer parte significativa do patrimônio amapaense.

Mais do que um carpinteiro, Mestre Chico foi um homem de visão, simplicidade e profundo senso de comunidade. Sua história é a história de uma Macapá que cresceu pelas mãos de trabalhadores anônimos, mas fundamentais — homens que moldaram madeira e também identidades.

O legado de Mestre Chico permanece nos edifícios que ajudou a levantar e, sobretudo, na lembrança de sua contribuição para a construção social e cultural do Amapá.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Depoimento de Mestre Neto – Benedito João Silva

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...