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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 9 – JOSÉ ROSA TAVARES: O PIONEIRO DA CALIGRAFIA E DA HONESTIDADE

No coração pulsante do Largo dos Inocentes - Formigueiro, em Macapá, ergue-se agora a nona homenagem a uma figura que personifica o pioneirismo amapaense: José Rosa Tavares.

Homem de caligrafia impecável, cujas letras traçadas à mão carregavam a precisão de um artista e a confiança de um servidor público, Tavares foi o artífice manual das folhas de pagamento da Prefeitura de Macapá, quando o Amapá ainda era Território Federal. Em tempos em que máquinas ainda eram sonho distante, sua pena era o elo entre o suor do trabalhador e o dever da administração.

Convocado pelo prefeito Heitor de Azevedo Picanço, José Rosa não foi escolhido ao acaso. Sua honestidade inabalável, o capricho em cada traço e o zelo incansável pela tarefa pública o elevaram a essa responsabilidade nobre. Reservado em sua essência, mas de coração aberto aos amigos, ele transformava as noites no calçadão em frente à sua casa — na icônica esquina da rua Mendonça Furtado com Tiradentes — em rodas de prosa genuína. Ali, sob o céu estrelado do Amapá, os temas fluíam como o rio próximo: a roça fecunda, a caça desafiadora e a pesca generosa, tecendo laços que uniam a comunidade em simplicidade e cumplicidade.

Casado com Maria do Carmo Tavares, a inesquecível Dona Mariquinha — mulher de generosidade sem medidas e acolhida farta —, José Rosa construiu uma família exemplar. Dos 12 filhos criados com afeto e princípios sólidos, brotou um legado que transcende gerações: o serviço à comunidade, a modéstia como virtude e o afeto como herança eterna. No Largo dos Inocentes, sua memória agora se eterniza, convidando-nos a refletir sobre os pioneiros que, com mãos calejadas e espíritos retos, forjaram os alicerces de Macapá.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

Fonte memorial: João do Carmo Tavares, bancário e filho de José Rosa Tavares – depoimento em 2025.

Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 1: A DOCE LEMBRANÇA DE TIA GUÍTA

Nos últimos anos, a Prefeitura de Macapá vem realizando um importante trabalho de revitalização dos espaços históricos e culturais da cidade. 

Entre as ações mais simbólicas está a recuperação da Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, um lugar que guarda séculos de memória e identidade amapaense. O projeto incluiu a instalação de tótens informativos que homenageiam personalidades que deixaram marcas profundas na formação social e cultural da capital.

Personalidades homenageadas nos totens informativos:

  • Benedicto Antônio Tavares (1868–1941)
  • Francisca Luzia da Silva – Mãe Luzia (1854–1954)
  • Maria Lopes da Silva – Maria Joana (1893–1970)
  • Maria Rosa Tavares de Almeida – Micota (1896–1986)
  • Raimunda Tavares da Silva – Tia Mundica (1925–1996)
  • Maria de Lourdes Serra Penafort (1927–1989)
  • Ursula Evangelista da Costa Cecílio – Tia Ursinha (1915–2005)
  • José Maria Chaves – Zé Maria Sapateiro (1924–2019)
  • Adélia Tavares de Araújo – Tia Guita (1916–1997)
  • Lucimar Araújo Tavares – Tia Luci (1920–2013)
  • Militina Epifania da Silva – Milica
  • Aristarco Figueiredo Brito (1942–)
  • Tereza da Conceição Serra e Silva (1860–1940)
  • Janiva de Menezes Nery – Dona Nini (1924–)
  • Aurilo Borges de Oliveira (1917–1976)
  • José Rosa Tavares (1924–)
  • Francisco Castro Inajosa – Mestre Chico (1911–1945)
  • ⁠Maria Germinina de Mendonça Almeida (1942)
  • ⁠Cacilda da Cruz Pimentel (1910-1974)
  • ⁠José Duarte Azevedo – Zé Mariano (1902-1986)⁠
  • ⁠Professora Zaide Soledade (1934 – 2015)
  • ⁠Antônio Munhoz Lopes (1932 – 2017)

Esses totens, dispostos ao longo da praça, não apenas embelezam o espaço público, mas também resgatam histórias de vida que, por muito tempo, permaneceram guardadas na lembrança oral do povo. É como se o Largo, renovado e pulsante, se transformasse em um verdadeiro museu a céu aberto, onde cada nome, cada rosto e cada palavra nos reconectam com o passado.

É nesse contexto que o Porta-Retrato – Macapá, espaço dedicado à preservação das memórias da cidade, abre hoje suas páginas para recordar uma dessas figuras inesquecíveis: Tia Guíta, mulher de fé, poesia e sabor.

Tia Guíta: Doces Lembranças

Nas margens antigas do rio e nas ruas de chão batido da velha Macapá, vive ainda a lembrança de uma mulher cuja presença iluminava as festas, as cozinhas e as rodas de tradição. 

Adélia Tavares de Araújo, mais conhecida como Tia Guíta (1916–1997), foi uma das figuras mais queridas e emblemáticas da cultura amapaense.

Nascida na Rua da Praia, coração pulsante da antiga cidade, Tia Guíta cresceu em meio ao cheiro do peixe fresco, ao som dos tambores do marabaixo e ao murmúrio do rio Amazonas. Cozinheira de talento e alma generosa, era procurada por muitos que desejavam saborear seus quitutes — e, sobretudo, o inesquecível mingau de mucajá, receita que atravessou o tempo como símbolo de afeto e identidade.

A vida a levou também ao garimpo do Lourenço, onde aprendeu o francês crioulo com trabalhadores vindos de várias partes. Essa habilidade rara lhe abriu portas: as autoridades do antigo Território Federal do Amapá frequentemente a chamavam para traduzir conversas e documentos, reconhecendo nela uma mulher de sabedoria e sensibilidade.

Devota fervorosa de São José, santo padroeiro de Macapá, Tia Guíta não se limitava à cozinha nem ao trabalho. Era também dançarina e poetisa, presença marcante nas rodas de Marabaixo e Batuque, onde o corpo e a palavra se uniam para celebrar a vida, a fé e a ancestralidade negra amapaense. Sua voz, firme e doce, ecoava nas festas como quem reza dançando e dança rezando.

Hoje, o nome de Tia Guíta está gravado na história e no coração de Macapá. Sua memória repousa entre o sagrado e o cotidiano — na fé de São José, no ritmo do tambor, no sabor do mucajá e na poesia simples que nasce das margens do rio. Lembrá-la é honrar todas as mulheres que, com trabalho, arte e devoção, ajudaram a construir a alma dessa cidade amazônica.

Dona Amélia Tavares de Araújo, irmã de Dona Venina Tavares de Araújo, foi esposa do renomado desportista Wenceslau do Espírito Santo, conhecido como o lendário “16”, múltiplo campeão pelo Amapá Clube. Foi mãe de Norberto Tavares de Araújo Neto, que também seguiu os passos do pai, atuando como atacante no Amapá Clube e na Sociedade Esportiva e Recreativa São José.

Fontes: – Totem informativo instalado na Praça do Largo dos Inocentes - Formigueiro, projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Macapá, 2025.

– Pesquisa e texto original da Professora Mestra Mariana Gonçalves.

– Registro fotográfico de @paulotarsobarros.

Texto integrante do acervo histórico do blog Porta-Retrato – Macapá.

quarta-feira, 19 de março de 2025

MEMÓRIAS DE UMA MACAPÁ DE OUTRORA: HOMENAGEM A SÃO JOSÉ

São José é o padroeiro do estado do Amapá e de sua capital, Macapá. A festividade em tributo ao santo é comemorada em todo o estado, que oficializa o feriado no dia 19 de março. A veneração religiosa dedicada a São José possui suas raízes na fundação da Vila de Macapá, datada de 1758. A edificação da igreja consagrada ao santo ocorreu em 1761, marcando o início da festividade. A Lei Estadual nº 667/2002 estabelece o reconhecimento do feriado de São José em todo o território do Amapá. O feriado é observado em todas as 16 cidades do Amapá. A celebração de São José é caracterizada por um extenso cronograma de atividades em colaboração com a comunidade católica. A imagem peregrina de São José é acolhida por colaboradores da Prefeitura, do Poder Executivo e de diversas instituições. (Wikipédia)

Em homenagem a essa data significativa, a Seção de Memória Institucional do TJAP compartilha um documento histórico, recém-descoberto no Arquivo Geral do Judiciário, que nos oferece valiosas informações sobre as celebrações em honra ao santo em Macapá no ano de 1931.

Nesse registro, composto por folhas impressas em material tipográfico, há detalhes sobre a programação, que teve início às 5 horas da manhã do dia 10 de março, com a alvorada em frente à Igreja Matriz, seguindo até o dia do padroeiro, sendo encerrada com a bênção do Santíssimo Sacramento. A agenda ainda incluiu leilões, procissões e quatro dias de atividades populares na área próxima à matriz.

É importante destacar a participação do Judiciário nas comemorações, que foi representado pelo Juiz de Direito da Comarca de Macapá, Dr. Álvaro de Magalhães Costa, que atuou como juiz de honra durante a festividade.

Ao longo dos dias de celebrações em honra ao santo padroeiro, durante o período do Território Federal do Amapá,... 

... eram realizadas noites de eventos beneficentes que reuniam as famílias na barraca do santo, na Praça Veiga, enquanto a população aproveitava o arraial montado em frente à Igreja Matriz, no centro da cidade.

Fonte: TJAP

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...