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domingo, 21 de setembro de 2025

MEMÓRIA DE NOSSA CIDADE: ANTIGA BAIXADA ALAGADA DE MACAPÁ

A fotografia publicada hoje no Porta-Retrato nos devolve um pedaço precioso da história de Macapá, e revela uma vasta área verde e alagada, situada na continuação da Avenida Feliciano Coelho, no ponto em que se encontra com a Rua Tiradentes, no bairro do Trem.

O registro chegou até nós pelas mãos do amigo José Jair, filho do senhor Aprígio Marinho de Souza, barbeiro do histórico Macapá-Hotel

Reproduzida do Facebook - Colotizada por IA

A imagem, feita entre 1959 e 1960, captada dos altos da conhecida curva da Santa Maria, retrata um tempo em que a área permanecia alagada, de terrenos encharcados e poucas casas, onde famílias simples viviam em estreita adaptação às condições do lugar. Mais do que um registro fotográfico, ela guarda a memória de um espaço em transformação, revelando a força cotidiana de quem construiu sua história em meio às adversidades do ambiente.

Antes de ser aterrada, essa região era chamada informalmente de Baixada do Adonias. Ao fundo é vista a´área o Remanso. Com o tempo, foi incorporada ao bairro Santa Inês, acompanhando o ritmo de transformação e crescimento da cidade.

Moradores antigos lembram ainda que o lugar recebeu outros nomes, como Baixada da Crisonta e Baixada do Jagunço, apelidos que guardam a memória das famílias que ali viveram e deixaram suas marcas.

Em primeiro plano, surge a casa de Dona Quiquita, mãe de José Penha — o inesquecível Zé Crioulo, músico de talento ímpar, cuja memória ainda ecoa na cultura amapaense.

Com o passar das décadas, a paisagem mudou por completo. Onde havia água e lama, vieram o aterro, o saneamento e, por fim, a urbanização. O espaço transformou-se, mas deixou para trás lembranças que hoje sobrevivem apenas em registros como este.

Agradecemos de forma especial à Familia Marinho de Souza, pelo compartilhamento dessa fotografia de arquivo. Com autorização de José Jair e, com o auxílio de recursos de inteligência artificial, as pessoas que apareciam na cena foram removidas, preservando apenas o cenário de fundo — gesto que reforça o valor histórico do registro ao destacar a memória da área retratada.

Mais do que uma fotografia, trata-se de um testemunho da memória coletiva. Uma ponte entre lugares, pessoas e histórias, que preserva as raízes da capital e nos ajuda a compreender o quanto Macapá mudou ao longo de sua trajetória.

Créditos foto: Família Marinho de Souza

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

MEMÓRIA DA SAÚDE DO AMAPÁ > UNIDADE MISTA DE SAÚDE

RESGATE HISTÓRICO

A primeira unidade de saúde do Amapá funcionava no antigo prédio do Senado da Câmara.

A partir da posse de Janary Nunes como governador do Amapá, em 1944, os antigos casarões foram submetidos a reformas significativas. As casas de taipa, que são feitas de barro, foram remodeladas com o mesmo material, dando uma aparência agradável. 

As edificações foram projetadas para servir à administração pública.

Unidade Mista de Saúde funcionou neste local e permaneceu em atividades até a instalação do Hospital Geral de Macapá, atualmente Hospital das Clínicas, na Av. FAB.

No local, funcionou o Palácio do Governo, a Central Telefônica e o Colégio Comercial do Amapá. Em 1970, o prédio estava bastante danificado e sem condições de ser reformado ou adaptado. 

Biblioteca Pública "Elcy Lacerda" foi construída na área, com um aspecto mais modesto do que o que vemos atualmente.

Fonte: Arquivo Histórico do Amapá

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

MEMÓRIA DA CIDADE > RETRATO DA MACAPÁ DE OUTRORA

Esta imagem da Macapá antiga foi encontrada na internet, postada por Roque Oliveira, mas não se sabe quando nem quem a tirou.  

De acordo com a legenda, o endereço é Av. Coaracy Nunes, quase na esquina com a Rua São José. O Sr. Roque Batista construiu a residência à direita. Existe atualmente um edifício da Caixa Econômica Federal no local. Por ser raro, decidi publicá-lo no blog Porta-Retrato-Macapá, como um registro histórico da memória da Macapá de outrora.

Fonte: Facebook 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

FOTO MEMÓRIA DO ESPORTE AMAPAENSE > TREINO CONJUNTO: AMÉRICA X JUVENTUS

Do acervo pessoal do amigo Cléo Araújo, este registro fotográfico de 1958, de um treino conjunto realizado na quadra da Praça Barão do Rio Branco paralela à Rua Cândido Mendes, entre as equipes de América x Juventus, no centro de Macapá; em pé, da esquerda para a direita pelo time do América: Titio (Mauricio Lopes Damasceno), Zamba, Zé Façanha, Antônio Farias, João Moreira e Lelé; Juventus: Tinilo, Ubimar, Macedo, Januário Guedes, Biló, Claudio Cavalcante e Expedito Cunha Ferro (juiz).

Fonte:Facebook

terça-feira, 9 de agosto de 2022

O CENTENÁRIO DE DONA SARAH ALCÂNTARA (Funcionária pioneira da Firma Irmãos Zagury)

O Calendário registra nesta terça-feira, 9 de agosto de 2022, uma data importante para todos que admiram e têm um carinho especial por Dona SARAH ALCÂNTARA, que completa CEM ANOS de feliz existência!

Fotos: Arquivo da família

Sarah Moreira de Alcântara, nasceu em Cachoeira do Ariri-Marajó/PA, numa quarta-feira, 9 de agosto de 1922.

A centenária senhora, foi durante muitos anos, funcionária de confiança da Firma Irmãos Zagury.

Segundo informações de Edgleuma Alcântara Valente, filha da homenageada, Dona Sarah Alcântara, chegou a Macapá, a passeio, para ficar poucos dias.

No auge de seus vinte e poucos anos, quase ao final dos anos 40, Sarah Alcantara seguiu para Macapá a bordo da Lancha Amapá, a convite de uma amiga que morava na capital amapaense. Nessa época ela trabalhava na Perfumaria Orion, que funciona até hoje, na  Travessa Frutuoso Guimarães, 270, campina, Belém/PA.

Entretanto, a viagem constituiu-se numa perigosa aventura. A pequena embarcação foi apanhada por uma tempestade que quase ceifou a vida de todos os passageiros, que apesar do susto, chegaram sãos e salvos ao destino. Sarah Alcântara salvou a vida, mas perdeu todos os documentos que levava.

A primeira pessoa com quem Sarah Alcântara teve contato em Macapá, foi Dona Sarah Roffé Zagury, forte comerciante que tocava os negócios da família, entre eles a Sorveteria Central, que funcionava em um prédio na esquina da Rua Cândido Mendes com a Av. Siqueira Campos, atual Mário Cruz, no antigo Largo da Matriz, hoje Praça Veiga Cabral.

O encontro com a Matriarca dos Zagury se deu em um momento em que os irmãos Moisés e Meryan, que moravam com a mãe, estavam em viagem para o Rio de Janeiro. Por estar sozinha sem os filhos, Dona Sarah Roffé, viúva e com idade avançada, solicitou que a jovem Sarah lhe fizesse companhia. E assim aconteceu.

Ao retorno dos dois viajantes, Dona Sarah Roffé, que havia gostado da companhia da nova amiga, preferiu mantê-la em seu comércio e, posteriormente, a apresentou à sua nora Clemência Zagury, com quem Sarah, a partir de então, com carteira assinada, começou a trabalhar na Casa Leão do Norte. Daí pra frente as duas se deram muito bem e cultivaram por longo tempo, uma amizade de consideração, confiança e respeito mútuo. A jovem Sarah, auxiliou em muito Dona Clemência, na criação dos filhos menores. Sarah Alcântara, residia em frente à Casa Leão do Norte, na Av. Amazonas, 25, esquina da Presidente Vargas.

Dona Sarah Alcântara mudou-se para Belém do Pará em 1975, quando Dona Clemência, já viúva, havia viajado para o Rio de Janeiro.

Dona Sarah, apesar da idade avançada, está lúcida, com boa memória, bem de saúde, sem problemas de pressão alta ou diabetes; se alimenta bem, e não dispensa uma boa tigela do gostoso açaí com farinha e sem açúcar, tanto no almoço como no jantar. Apenas um problema de mobilidade lhe causa algumas restrições no deslocamento, ocasião em que faz uso de uma cadeira de rodas com tração manual.

Dona Sarah foi casada com o macapaense José Soares Valente com quem teve os filhos Edson e Edgleuma Alcântara Valente, todos macapaenses.

José Valente se separou da mãe deles, quando Edgleuma tinha 2 anos, e Edson 2 meses de idade; em seguida, se mudou para Belém e anos depois para Marabá-PA, onde viveu e prosperou no comércio de peças e faleceu há uns 8 anos.

Edgleuma, que é a mais velha, cuida da mãe em Belém do Pará e Édson continua morando em Macapá.

Testemunhos dos filhos do casal Isaac/Clemência Zagury sobre Dona Sarah Alcântara

Leão Zagury: João, lembro bem da dona Sarah. Durante muitos anos foi o braço direito da minha mãe na Casa Leão do Norte. Fazia as refeições na nossa casa, junto com vários outros funcionários. Meus pais franqueavam a mesa para seus colaboradores. Lembro com clareza de quando comecei a ler revistas em quadrinhos que comprávamos no seu Daniel que era também fotógrafo, ela me deu de presente uma revista que fez diferença na minha vida e agradeço até hoje: Ciência em quadrinhos. Nesse número tratava da solução do problema da coroa de ouro do rei e quando Arquimedes resolveu gritou heureca! Lembro também dos filhos Edson e Edi. Como já lhe disse em relação a outros funcionários dos meus pais devo muito a essa senhora adoraria poder abraçá-la. Saúde para todos!

Abraham Zagury

Encontrei a Sarah Alcântara, em uma de minhas visitas à Macapá; foi um encontro muito gratificante, em que só tive lembranças tão especiais e muito boas! É impossível, João, não recordar o quanto a Sarah esteve sempre ao lado da minha mãe na casa Leão do Norte! Foi uma colaboradora, sempre, muito dedicada, educada e sobretudo, amiga de todas as horas!

A Sarah, o Édson e a Edgleuma, seus filhos, moravam em frente à nossa loja; a nossa convivência era diária e nos sentíamos uma única família. Sempre muito próximos!

Agora João, gostaria de me dirigir especialmente à Sarah: Sara, nesse momento em que você completa anos, numa idade tão especial, gostaria de expressar meu carinho por você que sempre foi uma presença doce e afetuosa em nossa casa! Um grande beijo pra você, boas lembranças de você e dos seus filhos!

Sarah Zagury:

Lembro que a Sarah Alcântara trabalhou muito tempo na loja; morava ao lado da nossa casa; era muito cuidadosa com os filhos e com os da minha mãe.

Minha mãe gostava muito dela, era de muita confiança!

Via WhatsApp

Informações de Edgleuma Alcântara Valente, filha da homenageada.

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ATUALIZAÇÃO EM 1 DE SETEMBRO DE 2022

Transcorridos 21 dias do aniversário de Dona Sarah, neste 1º de setembro, fomos surpreendidos com a notícia do falecimento de nossa homenageada, que desde o dia 20 de agosto estava internada, enfrentando sérios problemas respiratórios. Ela faleceu nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira,1/9, em Belém/PA.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

MEMÓRIAS DE MACAPÁ: O LEÃO AZUL DO BAENÃO É MACAPAENSE

O LEÃO AZUL QUE ESTÁ NO BAENÃO É MACAPAENSE (E “irmão” dos dois que estão nas sede da OAB/AP, em Macapá)

(Foto: Via WhatsApp)

A icônica estátua do Leão Azul no estádio Baenão, em Belém/PA, foi esculpida em Macapá, pelo português Antônio Costa, cuja oficina de trabalho foi erguida no terreno da Loja Maçônica Duque de Caxias, por trás do templo, localizado à Av. Coriolano Jucá, 451 no Centro da capital amapaense. 

Antônio Costa era maçom e fabricava ladrilhos para piso de residências e órgãos públicos de Macapá, nas cores branco e preto. Os pisos originais do Hospital Geral de Macapá, Maternidade de Macapá, Grupos Escolares, Fórum e de outros prédios eram verdadeiros tabuleiro de damas (mosáicos). 

Os dois leões existentes na frente do antigo Fórum, atual sede da OAB/AP foram esculpidos por ele, a  partir de uma forma confeccionada pelo Sr. Jorge Marceneiro (já falecido) que residia no bairro do Trem, na quadra dos Escoteiros do Mar Marcílio Dias.

O historiador Nilson Montoril cita detalhes sobre a confecção e doação do Leão Azul: “ Meu tio paterno Hermano de Araújo Jucá(mazaganense), apaixonado torcedor do Clube do Remo, encomendou ao seu Antônio Costa, um leão para ser doado ao "Clube de Periçá". Uma vez esculpida, a peça foi pintada de azul. Hermano Jucá era sobrinho de Cândido Jucá, um dos organizadores do "Grupo do Remo", que alterou sua denominação. Na época em que a doação do leão macapaense foi concretizada, integrava a diretoria azulina de Antônio Baena o médico Roberto Macedo, meu primo e sobrinho de Hermano Araújo. Para transportar o leão para Belém, tio Hermano recorreu aos préstimos do cunhado Francisco Jucá do Nascimento, que era o comandante do navio Oiapoque, pertencente ao SENAPP (Serviço de Navegação e Administração dos Portos do Pará). O navio fazia a linha Belém/Oiapoque/Belém, com escalas em Curumum, Curralinho, Breves e Macapá. Numa das viagens, ao aportar em Macapá, o Comandante Nascimento aproveitou a estada para visitar seus parentes, entre eles Hermano Jucá. Ao pedir ao tio Chiquinho Jucá, que levasse o leão para Belém, tio Hermano engoliu em seco a resposta: " levo sim, mas o bicho deve ir enjaulado e acorrentado, acomodado no porão. Não posso deixar os tripulantes e os passageiros correrem risco algum". O Comandante Jucá era torcedor do Paysandu e não iria perder a oportunidade de fazer gozação com o primo. Na volta do navio Oiapoque, o caixote com o leão já estava na cabeça do trapiche Eliezer Levy, pronto para embarcar. Uma outra gozação foi feita ao tio Hermano: " Diz ao pessoal do Remo, que vá receber o caixote na Bacia, senão mando jogá-lo no Guajará". O leão azul nascido em Macapá, continua soberano e ornando o Estádio Evandro Almeida. Ele é cópia fiel dos leões da sede da OAB/AP, em Macapá.”

O monumento permanece no lugar de sempre, no escanteio do gol que fica para a travessa 25 de setembro.

Via Facebook 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

MEMÓRIAS DA CIDADE - SONOROS DE MACAPÁ

 Por Nilson Montoril

O primeiro “sonoro” da cidade de Macapá foi instalado no dia 25 de fevereiro de 1945,

por iniciativa do jornalista Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, coordenador do Serviço de Informações do Governo do Território Federal do Amapá.

Os equipamentos para amplificação de som e voz foram assentados no subsolo da Intendência Municipal e o idealizador do sistema fazia a locução.

             Heráclides Macedo - técnico da Panair do Brasil que instalou o primeiro sonoros de Macapá, em 1945

Em pontos estratégicos da cidade foram colocados quatro alto-falantes, tipo corneta, através dos quais as informações sobre as realizações do governo territorial e as notícias da segunda guerra mundial chegavam ao conhecimento do público. A cidade era tão pequena, que, querendo ou não, todos os seus moradores ouviam as transmissões.

Este sonoro foi o embrião da Rádio Difusora de Macapá. Após a inauguração da RDM, os equipamentos do serviço de alto-falantes foram incorporados ao acervo técnico da emissora.

O segundo sonoro, instalado quando a Rádio Difusora já estava no ar, funcionou ao lado da Sorveteria Central, na esquina da Rua Cândido Mendes com a Avenida Siqueira Campos (Mário Cruz), com locução de Laurindo Banha.

Com um terraço aprazível, a sorveteria pertencente à firma Sarah Rofé Zagury atraía o pessoal apreciava sorvetes e picolés de leite, taperebá, açaí, nescau, maracujá e ameixa. E os que curtiam músicas sentimentais. Corinhos, sambas, baiões, sambas-canção, tangos, foxtrot, guarânias e outros ritmos que faziam grande sucesso no cenário nacional eram executados com muita frequência. Os frequentadores que estavam desiludidos no amor pediam composições como “Lama”, “Último Desejo”, “Dez Anos”, “Devolvi”, “Lencinho Branco” e “Madressilvas”.

Estes e outros sucessos também tocavam no alto-falante da Farmácia e Drogaria Serrano,

que revelou para o rádio amapaense o saudoso amigo Pedro Afonso da Silveira. Posteriormente surgiram as aparelhagens de som rotuladas como “picarp”, detentoras de invejáveis discotecas.

Elas se esmeravam na animação de festas dançantes, sendo a mais famosa a que pertenceu a Jefferson Pechouth, mais conhecido no seio da sociedade boêmia e festeira como Pecó. Cada sonoro festivo tinha suas peculiaridades e locutores.

O sonoro da “Casa Ribamar”, localizado no poste fronteiriço ao referido estabelecimento comercial, na esquina da Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd com a Rua Cândido Mendes, entrava no ar as 16 hora e encerrava suas atividades as 18 hora, após a execução da música “Ave Maria”.

Uma sentida mensagem religiosa era lida pelo locutor, que se intitulava como “o amigo de Vocês”. Deste sonoro saiu mais um bom valor do rádio amapaense, Bonifácio Alves. Não havia um só dia que o sonoro da Casa Ribamar não tocava uma música catastrófica, cujo início era: Sangue, Sangue, Sangue.

Na frente da Casa Ribamar, na Rua Cândido Mendes, estava edificada a Casa Dora, propriedade de Thanus Ziade. O som do alto-falante incidia agressivamente no quarto onde o Raja Ziade, filho do seu Thanus, costumava tirar uma sesta.

Um dia, cansado de ser perturbado, o Raja apanhou um rifle e detonou vários tiros contra a “garganta de ferro”. Foi o que bastou para que um novo aparelho fosse instalado, mas voltado para outro ponto. À proporção que a cidade crescia, algum dono de casa de comércio mandava instalar um sonoro para fazer a propaganda de seus produtos.

No Elesbão, área próxima ao flanco oeste da Fortaleza de Macapá, existiu um sonoro denominado Alvorada. O locutor gostava de tomar uns aperitivos antes do início das transmissões. Além do mais, seu português era sofrível. Quando o sonoro entreva no ar, ele caprichava na identificação da aparelhagem, baixando e subindo o nível de som do prefixo.

Certa vez, por ocasião de uma animada festa dançante, o locutor quis deixar patente que seu equipamento era melhor que os demais e sapecou esta preciosidade: “Estão ouvindo o Sonoro Arvorada, o único que não tem ruído, não tem zumbido e não tem porra nenhuma. São 250 kilowatts de saída e respeite a porrada nas caixas”. Os fofoqueiros que se encarregaram de espalhar está suposta louvação juram que ela de fato aconteceu.

Fonte: Diário do Amapá

domingo, 19 de junho de 2022

FOTO MEMÓRIA DE MACAPÁ: RARIDADE HISTÓRICA: ANTIGOS CAMINHÕES DE ALUGUEL

Encontrei na grande rede, esta preciosidade postada pelo amigo Luiz Nery, que hoje comanda o lendário Bar Du Pedro.

Uma foto emblemática de grande relevância, para a memória de nossa Macapá.

Não podemos precisar a data, mas, tudo nos leva a crer que esse registro fotográfico, que é uma raridade histórica, seja do final dos anos 50 ou início da década de 60.

Nas imagens vemos, em primeiro plano, cinco caminhões de aluguel estacionados na área da Esplanada da Fortaleza de São José. Os veículos são de diversas marcas e venciam a concorrência com as carroças de tração animal, quando a carga a ser transportada era mais volumosa e pesada. Bem atrás dos mesmos podemos observar o telhado do Cliper Bar, que se constituía numa parada de ônibus. Mais atrás vemos o Mercado Central, um prédio de muita importância na venda de carne bovina, suína, peixes, verduras, lanches, além de secos e molhados. O Mercado foi inaugurado a 13/9/1953 e sua área frontal passou a ser denominada Praça Manuel Theodoro Mendes, Comandante da Fortaleza e Intendente Municipal de Macapá, entre 1896 e 1905.

Foto: Álbum da família Maciel Pires

Via Paneiro de Lembranças - Facebook - (Com informações de Nilson Montoril)

sábado, 4 de junho de 2022

MEMÓRIAS DA CIDADE DE MACAPÁ: TRAPICHE “ELIÉZER LEVY”

O VELHO TRAPICHE “ELIÉZER LEVY”

Por Alcinéa Cavalcante

O velho Trapiche Eliézer Levy, de muitas histórias, causos e lendas.

Nele atracavam embarcações de bandeiras de vários países e os gringos aproveitavam para tomar um sorvete, servido em taça de inox pelo famoso garçom Inácio, no Macapá Hotel.

Era desse trapiche que saíam os navios com destino a Belém. No final das férias iam lotados de universitários que voltavam para as faculdades (não havia ensino superior no Amapá).

Nas tardes de domingo o velho trapiche era a passarela da juventude. Depois da sessão da tarde nos cines João XXIII e Macapá os jovens iam como em procissão passear ali. Era um passeio obrigatório.

À noite era comum ver na ponta do trapiche um pescador solitário. Um pescador de peixes, ou de estrelas, ou de poesia ou de raios da lua.

A foto é do tempo em que ainda existia a tão cantada em verso e prosa “Pedra do Guindaste” de muitas lendas. Uns diziam que meia noite a pedra se transformava num navio de ouro maciço enfeitado com diamantes e esmeraldas. Outros contavam que era uma princesa encantada. E tinha gente que jurava ter visto “com esses olhos que a terra há de comer” a pedra se transformar em princesa quando o relógio marcava meia-noite em ponto.

Um dia colocaram a imagem de São José, padroeiro de Macapá, em cima da pedra. Pouco tempo depois um navio chocou-se com ela destruindo-a. 
No lugar foi construído um pedestal de concreto para São José, colocado de costas para a cidade, mas abençoando todos que aqui chegam pelo majestoso rio Amazonas.

A imagem do santo padroeiro é uma obra de arte do escultor português Antônio Pereira da Costa. Ele também esculpiu os bustos de Tiradentes (na Polícia Militar) e Coaracy Nunes (no aeroporto) e os leões do Fórum de Macapá (atual sede da OAB).

ATUALIZAÇÃO: 

Espaço na cabeceira do trapiche será expandido — Foto: PMM/Divulgação

De acordo com a Secretaria de Obras e Infraestrutura Urbana foi elaborado um novo projeto arquitetônico que prevê 4 pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá; o Trapiche Eliézer Levy, na orla do Rio Amazonas, passará por um processo de revitalização e ampliação.

O ponto turístico que foi fechado para reforma há pelo menos 6 anos, voltou a ser aberto em 2018 mas novamente foi interditado.

O governo do Amapá passou a responsabilidade do local para a prefeitura de Macapá em julho de 2021, por meio de um termo de concessão, com a autorização para o uso do espaço por 20 anos.

Trapiche Eliézer Levy, na orla de Macapá, no Amapá — Foto: Maksuel Martins/GEA/Divulgação

A obra integra o projeto Orla Viva, que prevê a revitalização de toda a frente da cidade.

Com o projeto será feita a reforma de toda a base já existente e do restaurante que fica na cabeceira, mas haverá novidades como a ampliação do deck, instalação de iluminação em "led" e píer que permitirá que pequenas embarcações atraquem.

Trapiche Eliézer Levi será reformado com arquitetura inspirada nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá — Foto: PMM/Divulgação

Será um espaço livre para feiras e eventos culturais.

Com a iniciativa, será possível reavivar a memória da população, que vê no trapiche a representação de parte da cultura e da história macapaense. (G1)

domingo, 22 de maio de 2022

MEMÓRIA DA MACAPÁ ANTIGA: O BOTECO DO NECO BRITO

Por Nilson Montoril de Araújo

Um capricho do destino uniu duas almas que encarnaram em locais relativamente distantes. 

Anésio de Moraes Brito e Eliza Homobono Brito. Foto Arquivo pessoal

Ele, nascido no dia 11/11/1907, na vila do Igarapé Grande, arquipélago do Bailique. Ela despontou para a vida no município de Chaves mais precisamente na localidade Ciriáca, Ilha Viçosa, no dia 18/3/1916. Anésio, conhecido como Neco, pescava e criava gado. A notícia sobre a criação do Território Federal do Amapá o motivou a mudar-se para Macapá, em busca de melhor condição de vida para a família, então composta por ele, Dona Eliza, que estava gestante (Cristina), o filho José e a filha Marluce. Corria o ano de 1944, e o governador Janary Nunes estava implantando seu governo. A mão de obra prioritária era composta por operários da construção civil, o que não era o ramo de Neco Brito. Com o dinheiro da venda de sua propriedade no Igarapé Grande, Neco Brito alojou sua trupe na canoa a vela “Titular” e veio para a capital do Amapá, decidido a abrir um boteco em área próxima a Fortaleza de São José. Com o passar do tempo, a área hoje cortada pela Av. Hélio Penafort, ganhou a denominação de “Baixa da Maria Mucura”. 

No limiar desse logradouro, teve início um arremedo de via pública denominada Fernando da Costa de Ataíde Teyve, que depois recebeu o nome Rio Maracá. 

Na esquina da mencionada avenida, com a Rua São José, em ponto bem concorrido,(em destaque amarelo) que atualmente abriga uma loja sortida, foi instalada a mercearia “Jesus, Maria, José”, título expressivo, mas relegado pelos fregueses, que preferiram rotular o empreendimento como “Boteco do Neco Brito”. O imóvel em madeira, com dois pavimentos, (em destaque vermelho) no outro canto, era a Casa Califórnia. Na mesma fotografia, em primeiro plano, aparece a famosa. "Baixa da Maria Mucura".

Anésio continuou exercendo a atividade de pescador. Mostrou que o trecho do Rio Amazonas, na frente de Macapá é piscoso e tem excelentes peixes. Numa de suas pescarias, ele capturou uma bela piraíba (filhote) e decidiu oferecê-la ao governador Janary Nunes, que a aceitou e o declarou como pescador oficial. Progressivamente, a família do casal Anésio e Eliza foi crescendo. Na capital do Amapá, contando com a ajuda de “aparadeiras”, nasceram Maria Cristina, Maria de Nazaré, Águida Maria, Sônia Maria, Maria Regina e Salvador. Apenas a Nazaré Maria nasceu na Maternidade. Foram nove rebentos no total. Para suprir a necessidade da prole, Dona Elisa devotou-se à costura, coisa que fazia muito bem. Tinha uma seleta freguesia, inclusive gente da alta sociedade macapaense. Também preparava cachorro quente e pastéis, que o José Homobono saia vendendo pelos arredores do boteco. O ponto alto da venda ocorreu no decorrer do ano de 1953, com a construção do Mercado Central, graças ao apetite dos operários da importante obra. O Boteco do Neco Brito foi frequentado por tripulantes dos barcos do governo, operários que fizeram a restauração da Fortaleza São José, membros da Guarda Territorial aquartelados na fortificação, moradores do então bairro da Fortaleza, incluindo os habitantes do Remanso/Elesbão e da Baixa da Maria Mucura. Os habitantes do nascente bairro do Trem, notadamente a turma da birita, também costumavam ir rogar a proteção de “Jesus, Maria, José”. O boteco servia cachaça Alvorada, peixe salgado, carne de caça, principalmente de cotia, jacaré (abatido no quintal do botequim), açúcar moreno(mascavo), açúcar molhado, sal, querosene, tabaco, feijão sacaninha, farinha d’água, Flip Guaraná, sardinha em lata, carne em conserva e tira gosto. O aperitivo mais apreciado era a famosa “meladinha”, preparada com uma colher de mel, dois limões e três dedos de cachaça. Em meados da década de 1950, Dona Eliza preparava saboroso mingau de milho/banana e café, que as filhas Cristina e Maria de Nazaré iam vender na frente do Mercado Central. Ainda amassava açaí para vender. Dona Eliza controlava toda a renda das vendas, cabendo à Marluce elaborar a escrituração e manter atualizada a lista dos devedores. A residência dos Homobono Brito foi edificada em um terreno cedido pela Prefeitura de Macapá, à esquerda da Rua Coronel José Serafim, entre as avenidas Antônio Coelho de Carvalho e Henrique Galúcio, sentido ponte do Abílio/Trem, que ainda pertence aos descendentes de Neco e Eliza. Anésio Brito se manteve em atividade até 1964, com 57 anos. Os filhos com mais idade já trabalhavam e Dona Eliza permaneceu confeccionando roupas. Seu Neco faleceu no dia 1/9/1987, aos 80 anos. Dona Eliza desencarnou a 16/11/1996, também com 80 anos. Ainda moram em Macapá muitos dos antigos fregueses do boteco, que narram causos muito interessantes ali ocorrido.

Atualmente, onde ficava a Casa Califórnia, está o Shopping Popular.

Via Paneiro de Lembranças (Facebook)

Com adaptações para o blog Porta-Retrato-Macapá.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

ANTIGO PRÉDIO DO PRESÍDIO DO BEIROL - MACAPÁ

Nossa FOTO MEMÓRIA de hoje, vem do acervo pessoal da família Cantuária. 

Bem na porta, de casquete, com uniforme da Guarda Territorial, vemos o Inspetor Ítalo Marques Picanço.

No degrau abaixo, a partir da esquerda de quem olha, está o Ten. Charone, tendo ao seu lado esquerdo (de óculos) o delegado Antero Picanço Furtado. Os demais, não conseguimos identificar.

Ana Cantuária é a primeira (à esquerda) das três mulheres no degrau inferior, bem à frente.

O amigo Aluísio Cantuária, publicou em sua página na rede social, um importante registro de um raro momento dos primeiros tempos do Território Federal do Amapá, início dos anos 1960: a frente do prédio da administração do Presídio do Beirol, em Macapá, na rua Jovino Dinoá (ao lado do Quartel da Polícia Militar). 

Aluísio conta na legenda, que a irmã dele Ana Cantuária Queiroz, na época, aluna da Escola Normal,” iniciava sua vida profissional no magistério, lecionando na escola primária (salvo engano para filhos dos presos) que funcionava junto ao presídio. É uma foto que tem bastante relação com minha infância. Até o ano de 1962, minha família morou na Vila de Fazendinha (meu pai era funcionário do Governo do TFA, lotado na Divisão de Produção, à qual estava vinculado o posto Agropecuário de Macapá, que funcionava na Fazendinha). Constantemente íamos à Macapá, tanto em um ônibus dirigido pelo senhor Tibúrcio, como em carroceria de caminhão do governo. "

"Obrigatoriamente passávamos em frente ao presídio - na ida e na volta -, com sua vila de casas ao lado, onde, parece, moravam famílias de presos que ali cumpriam pena."

"Na foto, minha mana está bem na frente, cabelos compridos e um pouco encaracolados. Sempre foi bonita! Um pouco atrás dela, à sua direita, aparece um senhor que se trata do Tenente Uadih Charone. Ela identificou outras pessoas, mas não lembro dos nomes. Certamente o pessoal do grupo os identificará. Bom exercício de memória a todos! “.

O historiador Nilson Montoril de Araújo, complementa informando que o “Tenente R2, Uadih Accioly Charone era, à época, o Diretor da Divisão de Segurança e Guarda. Aparecem na foto os servidores da Colônia Penal São Pedro. A rua Jovino Dinoá, a partir da Av. Feliciano Coelho era mão dupla e correspondia ao trecho inicial da estrada da Fazendinha. Ainda não havia acesso pela rua Leopoldo Machado devido a área alagada da Ressaca do Beról. As famílias dos presos casados de bom comportamento residiam em casas situadas à direita do presídio. O motorista de ônibus citado pelo Aluísio era o Tibúrcio Melo, bastante conhecido na cidade. Na área posterior da Colônia Penal São Pedro existiam muitos pés de caju, plantados pelos presos. Em decorrência deste fato, o presídio ficou conhecido como Cajual. Para evitar transtornos aos filhos dos apenados em escolas do Trem, um estabelecimento de ensino funcionava na colônia."

Fonte: Facebook

 

quinta-feira, 10 de junho de 2021

MEMÓRIAS - PRECIOSIDADES DA MACAPÁ ANTIGA

 Amigo Floriano Lima, talentoso fotógrafo profissional em Macapá, nos brinda com uma preciosidade memorável, que é a Foto Memória, de hoje no blog |Porta-Retrato-Macapá.

São dois registros fotográficos, de 1965, que ele publicou na Rede Social, em 2019, bem antes da pandemia,  deixados pelo Sr. Luiz Lima, pai dele, que era comerciante e também fotógrafo amador, nas horas vagas.

A casa – grata lembrança de sua infância, feita toda em madeira de acapu, que mantém até hoje as mesmas linhas originais – fica na Av. Desidério Antônio Coelho, no bairro do Trem, (em frente ao portão da escola do SESI).

Também chama atenção a casa ao lado, coberta com palha, muito comum na época na cidade.

A pedido do blog, o próprio Floriano bateu nova foto e mostra o local hoje (2021); ele confirma que “a casa tem modificações no pátio, que era diferente; eles abriram e fizeram só uma área grande e botaram uma porta larga, mas a estrutura, o formato da casa, ainda são os mesmos; uma pena que a planta atrapalhou de se ter uma visão completa, mas é essa aí.” Floriano conclui informando que “a casa pertence à dona Floripa viúva do Seu Lima (in memoriam), que era proprietário da Vidraçaria Lima, por coincidência um outro Lima”.

Fonte: Facebook

domingo, 6 de junho de 2021

Foto Memória do Comércio Amapaense: Interior do ELITE BAR

 

Nossa foto memória de hoje, traz imagens inéditas do interior do Elite Bar, onde podemos ver o proprietário Sr. João Vieira de Assis, o antigo balcão, motor, bomboniere e alguns clientes, que, naquela época eram chamados de “fregueses”.

O Elite Bar, um movimentado estabelecimento da Macapá antiga, funcionou inicialmente numa antiga edificação conhecida como “casa amarela”, cujo primeiro proprietário foi o Tenente-Coronel Coriolano Finéas Jucá. Segundo o historiador Nilson Montoril, a casa amarela, que originalmente foi pintada de branco, fazia fundos com a residência do marroquino Leão Zagury. Os cômodos faziam frente para a antiga Rua Independência, também chamada Rua de Cima, bem em frente ao prédio da antiga, Intendência Municipal, hoje ocupado pelo Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.

Com o passar do tempo a Rua Siqueira Campos recebeu duas denominações: Mendonça Furtado e Mário Cruz. Essa última ainda prevalece. A casa amarela foi vendida ao comerciante Moisés Zagury que mandou demoli-la para erguer a oficina mecânica dos carros Ford que ele vendia. Atualmente (2021), naquela área funciona parte da loja 246.

De lá o Elite Bar foi ocupar o espaço no antigo canto da Av. Presidente Vargas, com a Rua São José, Praça Veiga Cabral, onde hoje existe um prédio em que, nos altos funcionam salas para aluguel e na parte de baixo uma loja de confecções.

terça-feira, 18 de maio de 2021

MEMÓRIAS DA CIDADE DE MACAPÁ: HISTÓRIAS E CAUSOS CONTADOS POR UM LAGUINENSE DA GEMA

LAGUINHO, 76 ANOS – DE HISTÓRIAS E TRADIÇÕES

Por Édi Prado. Maio 2021

Foto rara dos anos 60. Imagens do inspetor Waldelor da Silva Ribeiro, em pé, à esquerda. Ao centro de camisa escura, Sr. Queiroga, aponta sinais de trânsito para um candidato à motorista e à direita, sentado, o agente Murilo, que antes de ser guarda territorial trabalhou no Elite Bar do Sr. João Assis, na esquina da Praça Veiga Cabral.

Meu pai, o inspetor Waldelor da Silva Ribeiro, veio do Afuá em 1948, junto com minha mãe, Maria de Nazaré Prado Ribeiro. Foram morar nas palafitas, no remanso. Nas mediações da Fortaleza São José de Macapá, comum no começo do Território Federal do Amapá. Lá nasceram Edilson José Prado Ribeiro, o Canhoto, que foi vítima do incêndio em 1972, no cais em Santana, quando o Rio Amazonas pegou fogo. Edvaldo de Jesus Prado Ribeiro, delegado da Polícia Civil e Elisabeth Maria Ribeiro Corrêa, professora.

Em 1954, o então governador Janary Nunes, que estava transferindo os negros das mediações da Igreja São José, para o Laguinho, ofereceu ao meu pai, um lote na Rua General Rondon, 618, quase esquina com a então Nações Unidas. 

Lá ele ergueu a casa de madeira e foi onde nasci. Laguinense legítimo.

Cerca de 98% era de família negra. Nossos vizinhos, eram o Seu Ramiro e D. Zefinha e a família do Seu Balô, branco, casado com uma negra. Vó Isabel, avó do José Cardoso Neto, Cutica e os primos Wanderlei e Genésio. Em frente de casa morava o Seu Pedro Monteiro, ou Pedro da Lina, fundador do América Futebol Clube e nos fundos, na Av. Nações Unidas, o irmão dele, o Seu Zé da Lina, acendedor das lâmpadas no centro da cidade.

Tem muitas histórias. Muitos causos. Mas o espaço é curto. Vou escrever umas boas histórias depois. Hoje vamos enumerar alguns nomes de pessoas que nasceram ou vieram para o Laguinho, formar este grande timaço.

Eis alguns nomes lembrados, muitos serão adicionados, mas por segurança, vamos registrando os que vieram a mente.

Eu era conhecido como Lia. Não sei a origem. Nem a mamãe lembrava. Meu nome é Edevonildo Nazaré Prado Ribeiro. Quando fui para o Rio de Janeiro, estudar jornalismo, meu nome foi abreviado para facilitar. Passaram a me chamar de Édi Prado. Convenhamos, melhor que Edevonildo. O Laguinho faz 76 anos. Em 1954, quando nasci, já estavam as famílias da Vó Bel, João e Joana Pil, família do Dedé, Manhabuco, Raimunda Rodrigues Carvalho, conhecida como Raimunda Zefa, mãe do Vedete, Seu Totonho, carroceiro e o filho Zé Maria Pires, Família Quipilino, Seu  Ramiro e D. Zefinha, donos da amassadeira de açaí. Sabá Ataíde, Boquinha, Henrique, D. Joaquina Bruno, João de Paula, Abdon Lima, Odilardo, Pedro Uriel, Rui Lima, Oneide Lima, que casou com o Manoel Bispo, professor e artista plástico, poeta e laguinense.

O Antônio Rodrigues Carvalho, o Vedete, quando consultado para rever lembranças, foi citando os nomes completos: José Maria do Espírito Santos ( Quipilino ), José Cardoso Neto ( Cutica ) , Joaquim da Silva Ramos ( munjoca ), Raimundo Nonato Ataíde de Lima ( boquinha ), Sebastião Ataíde de Lima  ( Sabá );  os filhos do seu Pedro da Lina com D. Astrogilda, Pedrinho, Zeca, Bernardo, Ediberto (Dida) também a D.Dulce, irmã da D. Astrogilda com o Seu Álvaro, com os filhos Alvanéia, Aldomaro, Agostinho e Kátia .

Cada família tem uma boa e memorável história. Tem a Tia Zefa, mãe de Aureliano Da Silva Ramos ( Neck) José Isaías da Silva Ramos (Bomba d’água) Pedro da Silva Ramos ( Pedro ).   Os filhos do Manhabuco, temos que lembrar os nomes. Perguntei para a Graça, filha do Vagalume. Na hora:  Manhabuco e D.  Joaquina, Pedro, João, Graça, se lembrar de mais mando, disse ela. Tem tempo para resgatar.

A Graça lembrou do Seu Ladislau e D. Joaquina José, Maria, Joaquina, Joana, a Maria que eles criaram casou com o Domingos que o Seu Biluca criou. Citou o Libório. O cheio de breque que bebia umas? Esse. Tinha o Perigoso, o pai do Nonato, que morava onde é o Waldir, que tem o Bar Calçadão.

Seu Arinho. D. Ondina, tiveram o Marinho, Zé Buchinha, Zezé  e a filharada. Seu Ramiro e dona Zefinha Joaquina, Maria, Antonina, Ramirinho, José, Deco. Dona Onória, mãe do José Querozene, Raimundinha, Sené e outros. Lembra do  Seu José Perigoso e Suza, Paulinho,Dudeca, Budeco , Teotônio e Dona Nenê, filhos Geralda e Zé Maria. Dona Joaquina Bruno, Bruno, Fatima, Raimundinha, Sebastião, Silvia, Aroldo, Raimundinho, Nazaré. D Biló e a  filha a Lurdes. D Aurora e família.  D. Serena, Gorete, Vasquinho.

Vamos lembrar do Seu Herculano e D Otília os pais do Budeco, José,  Joāo, Graça e outros.  João Falconere e D Raimunda Diquita, Joãozinho, Braziléa. Seu Guitinho e Dona Maria, Filomena, Graça, Raimundo, José, Izabel.  Piedade, Felízia a Fefé,  Genésio,  Wanderlei, José Cutiquinha.

D Josefa mãe do Sené, D Agda mãe da Deuza, D Ondina do Dedé, José e Deuzarina.. /2021] Graça. Laguinho: Família Bispo, Manoel Neldon, Ana Laura Neucinda. Família Bacessar, Sebastiana, Ana Lúcia, Graça.  João de Paula e D Maria, Joana, Joãozinho, Mozart, Meire, Manoel, Graça. D Biló, Munjoca, Maria, Raimundo, Bilozinha,  Socorro  e Josefa. Tia Filipa Ramos e Graça Ramos.  Raimunda Ramos, Graça, José Raimundo, Joaquina, Jovem, Márcia Eyd.

D. Dolores e Raimundo Ardasse,  Deuzuite,  Raimundo,  José, Rosália, Aroldo, Adolfo,  Joana irmā do Folconere,  esposo e filhos. Seu Manelão e a Marcina Clotilde e o Bira.  Seu Manelão e D Marcina tiveram três filhas quando lembrar o nome delas te mando.  Mestre Bené e D Luzia fil ,Nicinha,  Luzia .  Os pais do Adolfo Valente. José Valente e não lembro do nome da esposa dele. Família Canto: Fernando, Juvenal, Zé Eduardo. Walmir Cabeludo, Augusto Bazuca e Macaco, Carlito Cachorro de Roça, Joca, Naza, Carlos Moreno, Milton Corrêa, Mário Corrêa, Miltinho.

Por hoje, são só esses...

Édi Prado – jornalista amapaense, fundador e parceiro do blog Porta-Retrato-Macapá.

Imagem pequena de arquivo.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...