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terça-feira, 16 de abril de 2024

PIONEIRO DO ESCOTISMO AMAPAENSE > CHEFE DÁRIO CORDEIRO JASSÉ (in memorian)

Chefe DÁRIO CORDEIRO JASSÉ, deixou seu nome nos anais do Movimento Escoteiro do Amapá. 

Foi dele a iniciativa de fundar no dia 13 de julho de 1947, em Macapá, a Associação de Escoteiros do Mar “Marcílio Dias”.

Em razão disso, o blog Porta-Retrato-Macapá presta-lhe merecida homenagem póstuma.

O paraense DÁRIO CORDEIRO JASSÉ, filho de José Jassé e Rita Cordeiro Jassé, nasceu em Belém/PA, dia 18 de maio de 1907. Enquanto permaneceu em Belém residiu na Rua dos 48, por trás da Igreja da Santíssima Trindade e na Avenida 25 de setembro, aos fundos do Bosque Rodrigues Alves. Na capital paraense ministrou aulas de educação física em diversos estabelecimentos de ensino e integrou o movimento escoteiro. Convidado para trabalhar em Macapá, Dário Jassé lá chegou em abril de 1947, sendo lotado na então Divisão de Educação e exercendo a função de Inspetor de Ensino. Fixou residência no bairro do Trem, onde a Prefeitura de Macapá havia concedido à associação que dirigia uma ampla área delimitada pelas Avenidas Cônego Domingos Maltez/Antônio Gonçalves Tocantins e pelas Ruas General Rondon/Eliezer Levy. De imediato foi demarcado um campo de futebol e iniciada a construção de um barracão. As instruções sobre o escotismo eram ministradas no revelim da Fortaleza de São José. No pentágono localizado à frente da Fortaleza, o chefe Dário Cordeiro Jassé ministrava os ensinamentos sobre escotismo aos componentes do Grupo Marcílio Dias. As aulas sempre ocorriam à tarde e atraiam dezenas de curiosos, principalmente crianças.

Família

Chefe Dário Jassé teve ao todo dez (10) filhos, frutos de dois relacionamentos: seis homens e quatro mulheres, duas delas são macapaenses: além de Rita Célia, que mora em Brasília, e Regina Clélia que mora em Macapá, havia um menino de nome Manoel que viveu poucos dias, e era o único filho macapaense. Os demais, todos paraenses: Lia, a mais velha de todos, ainda viva e lúcida, com mais de 90 anos (95/96) mora no Rio de Janeiro. Norma, Dário Maurício, José, Carlos Fernando e Raimundo Sérgio são falecidos. Nosso informante o paraense Antônio Mario, hoje (2024) com 77 anos, aposentado, também mora em Macapá há muitos anos, casado com uma das filhas do Seu Barbosa, reside na área da antiga Vacaria, no bairro do Beirol.

Morte e homenagens póstumas

Em 1953, doente, chefe Dário Jassé foi internado no Hospital do IPASE, no Rio de Janeiro, onde faleceu a nove de março. Em maio ele completaria 46 anos de idade. O corpo de Dário Jassé foi enterrado no cemitério São João Batista e o governo do Amapá arcou com as despesas de seu funeral. Dário Jassé era o Comissário Regional da União dos Escoteiros do Brasil, no Amapá e Clodoaldo Nascimento o subcomissário. No dia 3/4/1953, às 10 horas, o Grupo Marcílio Dias prestou-lhe homenagens na área da entidade que fundara. Houve hasteamento da bandeira nacional e colocação de uma placa homenageando o extinto. O tenente Glycério de Souza Marques teceu breves comentários sobre a vida do Professor Jassé. Compareceram à solenidade: o Dr. Hildemar Pimentel Maia, governador em exercício; Heitor de Azevedo Picanço, presidente da União dos Escoteiros do Brasil - Regional do Amapá; Jacy Barata Jucá, presidente da Associação Marcílio Dias e Clodoaldo Carvalho do Nascimento, Comissário Regional substituto. Cantou-se a canção do silêncio e a valsa da despedida. Jacy Barata Jucá e Heitor Picanço descerraram a placa Dário Jassé com os dizeres: “Marcílio Dias, Campo Escola Dário Jassé. Em 1958, o chefe Clodoaldo Nascimento foi ao Rio de Janeiro para providenciar a vinda dos despojos de Dário Jassé para Macapá, fato concretizado dia 17/11/1958, em avião do Lóide Aéreo Nacional.

A foto acima, registra o momento em que a carreta que transportava a urna mortuária do chefe Dário Cordeiro Jassé estacionava no pátio central da Fortaleza de Macapá e o chefe Raimundo Façanha direcionava a roda dianteira esquerda do pequeno veículo no sentido da capela de São José. Do lado oposto, entre os escoteiros que empurravam o carro vemos o chefe Luciano. No interior da carreta há dois lobinhos do Grupo Marcílio Dias. O lobinho que está perto do chefe Luciano é o Urivino Bandeira, ainda vivo. Dentre as pessoas que recepcionaram o chefe escoteiro falecido identificamos o senhor Belarmino Paraense de Barros, de roupa branca e o Inspetor da Guarda Territorial Ítalo Marques Picanço que faz a saudação escoteira. Observe que a urna mortuária estava na carreta e sobre ela foi postada uma flor de lis, o símbolo do escotismo. Esta urna ainda se encontra guardada no interior da Fortaleza. A urna mortuária, contendo na parte superior uma flor de lis, símbolo do escotismo, foi trasladada para a capela de São José, na Fortaleza de Macapá. À época, ainda se falava na construção de um memorial destinado aos pioneiros da implantação do Território do Amapá e a urna contendo os restos mortais de Dário Jassé seria guardada no citado monumento juntamente com os despojos de Joaquim Caetano da Silva. Com o passar dos anos, muitos mentores da ideia deixaram o Amapá e ela foi fenecendo. Durante muito tempo as urnas de Joaquim Caetano e de Dário Jassé permaneceram na sacristia da capela da Fortaleza. Transferidas para outro edifício do velho forte, elas passaram a figurar como reserva técnica do Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva. Atualmente, a urna do patrono do museu está guardada no prédio da antiga Intendência de Macapá. A urna de Dário Jassé permanece como “reserva técnica” e mantida na Fortaleza. O historiador Nilson Montoril de Araújo afirmava com absoluta convicção que os restos mortais contidos na urna que está sendo mantida na Fortaleza são de Dário Cordeiro Jassé. Ele viu a urna chegar a Macapá e acompanhou o féretro até a Fortaleza. Naquele dia 17 de novembro de 1958, Nilson estava entre os escoteiros macapaenses, pois integrava o Grupo São Jorge. Dentre os pioneiros do escotismo no Amapá, ainda vivo o chefe José Raimundo Barata, com 96/97 anos e reside em Belém do Pará. Manoel Ferreira, o popular Biroba, que era um dos chefes dos escoteiros do mar também testemunhou o fato aqui narrado.

Texto de Nilson Montoril, adaptado para o Porta-Retrato, publicado originalmente no blog Arambaé, do próprio Nilson.

Nota do EditorAgradecemos ao amigo Antônio Mário, filho do biografado, que contribuiu com informações para atualização desta biografia! (João Lázaro)

segunda-feira, 15 de abril de 2024

CULTURA: FUTLAMA – PATRIMÔNIO CULTURAL E IMATERIAL DE MACAPÁ

Foto: Arquivo GE/AP
De acordo com o Museu do Futebol, o futlama é uma modalidade que os ribeirinhos das ilhas do Amapá praticam nas lamas formadas pela baixa maré às margens do Rio Amazonas. A movimentação das águas determina a forma do campo e o horário das partidas, onde é usada uma bola impermeabilizada para não encher de água. O "futebol na lama" surgiu de forma informal, quando amigos se reuniam nos fins de semana para jogar peladas na beira do rio, na década de 1990. Os praticantes são residentes nos bairros Santa Inês, Perpétuo Socorro e Cidade Nova. O principal local para os jogos é o trecho do rio situado ao lado do Trapiche Eliezer Levy, próximo à imagem de São José, padroeiro do Estado, com vista para o Complexo Beira Rio e a bicentenária Fortaleza de São José, locais de referência e cartões postais de Macapá. A prática requer maior cuidado, uma vez que a praia é lisa, e é necessário ter cautela para não causar danos ao adversário. Além disso, é um meio de entretenimento para atletas e familiares que assistem às partidas. A prática se tornou um esporte e, atualmente, conta com uma federação e um campeonato estaduais, que ocorrem entre agosto e outubro. A Federação Amapaense de Futlama foi constituída em 27 de agosto de 2007. 

Foto: PMM/Divulgação

O campeonato já teve três edições, com a participação média de 100 equipes, incluindo equipes femininas e masculinas, que participaram do evento. Além do torneio oficial, é possível encontrar pessoas jogando bola nos campos cobertos de lama à margem do rio, ao longo de todo o ano. Os times têm nomes que homenageiam termos regionais como "Tralhoto" e "Carataí", que são nomes de peixes da região amazônica. Os pássaros "Tico-tico" e "Beija-flor", "Pau-ferro" e "Maçaranduba", nomes de madeiras nativas, são alguns exemplos. Participam ainda as equipes de Acari, Boto Cor de Rosa, Peixe-Boi, Tucunaré, Candiru, Tilápia, Carpa, Gavião, União São João, Camarão, Vento D`água, Turu, Peixe Espada, Sereias, Amazonas, Água-Marinha, Abacaxi, Jacaretinga, Tubarão Branco, Falcão, Pratinha, Beta Azul, Orquídea, Kanário, Coração, Arraia, Jaú e Flamingo, etc.

As regras do futsal são as mesmas. O escanteio é diferente, pois pode ser cobrado com os pés ou com as mãos.

Em maio de 2021, o futlama foi declarado Patrimônio Cultural e Imaterial de Macapá por meio da Lei 2454/2021, de autoria do vereador Alexandre Azevedo, e sancionada pelo prefeito da capital, Dr. Furlan.

Fonte: Museu do Futebol

sábado, 10 de fevereiro de 2024

MEMÓRIAS DO CARNAVAL AMAPAENSE - ANO 1984 - PIRATAS DA BATUCADA

MITOLOGIA AMAZÔNICA, ASSOMBRAÇÃO E FASCÍNIO

O vídeo abaixo apresenta a música composta por Jeconias Araújo e José Estumano, na interpretação de Humberto Moreira, que foi samba-enredo da Associação Recreativa Piratas da Batucada, de Macapá, no carnaval de 1984.

É uma das faixas no 3º disco de Carnaval lançado pela Prefeitura de Macapá, com recursos repassados pelo Governo do então Território Federal do Amapá.

Como aconteceu no ano anterior, também nesta edição, os cantores amapaenses foram levados até a capital paraense, sendo contratados em Belém apenas os músicos. 

Na capa do disco imagens do bloco “A Banda”, com layout de Antônio Brito e fotomontagem de Fernando Leite do Foto Galeria. No anverso os títulos das músicas e a ficha técnica. Ouça:

Vídeo gentilmente cedido ao blog pelo amigo Francelmo George.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE – A MARABAIXEIRA JOSEFA PEREIRA LAU PICANÇO

Dona Josefa, nossa homenageada!

Josefa Pereira Lau - um ícone da cultura negra do Amapá - a marabaixeira, conhecida carinhosamente como Zezinha, nasceu numa segunda-feira em 19 de março de 1928, na localidade de Mazagão Velho/AP, filha de Benedito Lau e Raimunda Lemos. Ele filho legítimo da Vila do Mazagão Velho e ela filha legitima da Vila do Maruanum. Além da Josefa, o casal teve mais seis filhos. Por ter nascido num dia de S. José, ficou conhecida como tia Zezinha. Desde pequena Josefa se envolvia nas atividades realizadas na comunidade principalmente relacionadas à cultura de Mazagão Velho, local onde nasceu.

Foto: Santana do Amapá (reprodução)

A dança do Marabaixo é a manifestação cultural mais popular da localidade. Tia Zezinha tinha gratas lembranças de sua infância, pois aprendeu muito com seus pais e avós e sempre foi uma criança amada e curiosa por viver no meio da dança. O marabaixo é uma dança movida pela emoção, fé e herança cultural de um povo. Dona Josefa dizia que sentia orgulho da família que gerou. Sua infância e adolescência se deram na redondeza de sua terra natal, participando das atividades religiosas tradicionais do município histórico. 

Viveu em Mazagão Velho até casar-se, aos 16 anos, com Mariano Aleluia Picanço, em 1945, quando passou a se chamar Josefa Pereira Lau Picanço e se mudou para a Comunidade de Igarapé do Lago, distante 87 quilômetros da capital, Macapá. Dona Josefa Pereira Lau Picanço gerou apenas um filho, mas teve a oportunidade de criar muitos outros e cuidar de netos; para eles ela ensinou a cultura que aprendera desde criança. Dona Josefa começou a trabalhar desde cedo, quando cortava e ajudava na coleta da borracha, cultivava castanha de murumuru e realizava outras atividades na roça. Além de incentivadora da cultura afrodescendente, Dona Josefa era cantadeira dos ladrões de Marabaixo, contadora de histórias premiada e reconhecida pelo Ministério da Cultura como Mestra de Cultura Popular. Integrou a Comissão de Foliões de N.S. da Piedade de Igarapé do Lago onde exerceu por muitos anos o cargo de guardiã da santa junto com sua família. Foi importante também sua contribuição para a produção de vários sambas-enredo de diversas escolas de samba da capital amapaense, baseados no folclore e práticas culturais. 

Fez parte da Ala das Baianas da Piratas da Batucada. Tia Zezinha foi ainda parteira; fazia questão de afirmar que foi um dom que Deus lhe deu de ajudar uma vida a nascer. Viveu no Igarapé do Lago até a morte de seu marido, quando, por questões de logística foi para Macapá residir na casa da sogra, na Avenida Antônio Coelho de Carvalho, sem deixar de lado a sua querida Vila do Igarapé do Lago e Mazagão Velho. Em Macapá no canto do estádio Glycério Marques e em frente à sua casa, tia Zezinha vendia comidas típicas para ajudar nas despesas da casa.  Dona Josefa Pereira Laú Picanço, não só foi apreciadora da Cultura amapaense, foi detentora de saberes ancestrais. Poucas pessoas conheciam melhor do que ela sobre a origem das festas religiosas da Vila do Mazagão Velho, suas tradições e suas origens. Foi eximia dançadeira do marabixo, sairé e batuque. Teve brilhante participação nas festas do Divino Espírito Santo na Vila de Mazagão Velho e de São Gonçalo. Dona Josefa também fundou o Grupo da Terceira Idade da Vila do Mazagão Velho e foi atuante membro da Escola de Samba Piratas da Batucada, além de brincante das quadrilhas juninas.  Dona Josefa Pereira Lau Picanço, faleceu no dia 5 de abril de 2020, aos 92 anos, vítima de um aneurisma cerebral. Seu corpo está sepultado na Vila do Igarapé do Lago.  

A inesquecível Tia Zezinha, nossa biografada de hoje, é reverenciada pelo Museu Afro-Amazônico "Josefa Pereira Lau", localizado à Av. Dr. Silas Salgado, 3586, bairro Santa Rita, em Macapá, Capital do Amapá

Fontes consultadas: Pe. Paulo Roberto Mathias de Souza e Tribuna Amapaense

Fotos: Acervo do Museu Afro-Amazônico

                                                                            (06/02/2024 - Atualizado às 13h59)

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE: MARABAIEIRA GERTRUDES DA SILVA GAIA

GERTRUDES SATURNINO LOUREIRO, filha de Ciriaco Manuel Saturnino e Izabel Maria de Nazareth, foi a única filha mulher de uma família de seis irmãos: Serafim, Nazário, João, José Cirilo e Bernardino. Mulher negra, aguerrida, filha de negros escravizados, nasceu em terras amapaenses, (Macapá), no dia 08 de dezembro de 1899. Em 18 de maio de 1918, contraiu seu primeiro casamento com Hyppólito da Silva Gaia, passando a ter o nome de Gertrudes da Silva Gaia. Desde criança sempre foi uma pessoa ativa, de personalidade forte, perseverante, dinâmica, extrovertida, que lutava muito pelo que queria e acreditava, isso de certa forma, contribuiu para a sua separação. Anos mais tarde, constituiu nova família com Raimundo Pereira da Silva, (Capa Branca), com quem teve cinco filhos: Mamédio, Natalina, Sebastião, Maria José e Izabel.

O espírito combativo, de coragem e de liberdade que norteava sua vida não admitia nem aceitava a submissão imposta, na época e contrariando as ideias e a vontade de seu marido, passou por uma nova separação. Assumindo o desafio de cuidar sozinha de seus filhos, exercia as mais diversas e humildes atividades: doméstica, lavadeira, cozinheira, pela sobrevivência da família. Gertrudes foi parteira, ajudando muitas mães a dar à luz seus filhos; foi benzedeira e com seu conhecimento sobre as ervas e plantas medicinais, fazia seus remédios caseiros, garrafadas, chás e outros.

Mulher, Negra e Separada, numa época em que o preconceito na sociedade era muito forte, sofreu e carregou as desvantagens de um sistema injusto, preconceituoso e racista, mas lutou muito para romper barreiras e conquistar espaços. Foi assim que quando do remanejamento das famílias da Rua da Frente da cidade onde moravam, Gertrudes se recusou em ir com a maioria para o Laguinho e decidiu integrar o grupo menor das famílias negras e ir fixar sua residência na Favela, para onde levaram na bagagem a coragem, a força, a resistência, a fé, a religiosidade.

E o Marabaixo, com o culto e louvor à Santíssima Trindade pelos inocentes foi levado e se fortaleceu naquele bairro, sustentado pela fé das famílias Gertrudes, Congó, Pedro e Raimunda Costa e outros que sempre incentivavam e apoiavam esse legado cultural. Essa separação dos negros foi triste e lamentada e foi muito cantada nos ladrões do Marabaixo, Gertrudes cantava assim:

“PELO JEITO QUE ESTOU VENDO

QUEREM ME DEIXAR SOZINHA

VOU COM UNS PARA A FAVELA

OS OUTROS VÃO PRO LAGUINHO”.

A vida e as realizações não foram fáceis para os negros de um núcleo populacional negado pelas autoridades e que nunca se configurou de direito como um bairro. Mas, mesmo com essa negação e sem o reconhecimento, o Bairro da Favela, existiu de fato, e ainda hoje é vivo na memória, na história e nas tradições culturais da cidade de Macapá persistindo no imaginário popular do amapaense, especialmente dos que ali viveram.

Gertrudes exerceu importante liderança no Bairro e uma das precursoras do Marabaixo na Favela. Foi uma grande mulher à frente de seu tempo. Cantava, dançava, tocava caixa de Marabaixo com uma maestria ímpar. Criou o quadro de sócio da “Santíssima Trindade dos Inocentes” que foi uma forma prática e criativa de garantir a realização anual da festividade no Bairro, pois quando não havia promesseiros, usavam o livro de sócios e tiravam o pilor (sorteio) dos festeiros e dos novenários que seriam os responsáveis dos festejos do ano. Incentivava e despertava nas crianças e jovens o gosto pelo Marabaixo; todas as tardes reunia seus filhos, sobrinhos, netos e filhos de amigos e conhecidos e os ensinava a tocar caixa, cantar o ladrão e dançar o marabaixo. Essa sua prática certamente contribuiu para fortalecer a cultura dessa manifestação no Bairro.

Dona Gertrudes morreu no dia 07 de setembro de 1973, aos 74 anos, vitimada por um AVC, deixando aos seus descendentes esse legado como herança a ser cultivada e perpetuada.

Biografia e foto de Edgar Rodrigues – jornalista e pesquisador amapaense.

Via Facebook

terça-feira, 21 de junho de 2022

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ: ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS, 69 ANOS DE FUNDAÇÃO

Há exatos 69 anos, era fundada em Macapá, a Academia Amapaense de Letras.

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS

(*) Por Nilson Montoril

               Estimulados por membros da Academia Paraense de Letras, notáveis servidores públicos do Território Federal do Amapá decidiram fundar um Silogeu com as mesmas finalidades da congênere parauara, na cidade de Macapá. Isso ocorreu no dia 21.6.1953, comemorando a passagem do aniversário do escritor Machado de Assis. Surgia dessa forma, a Academia Amapaense de Letras, uma entidade civil, sem fins lucrativos, que tem por finalidade implementar o desenvolvimento literário,cultural,cientifico e artístico do Brasil,conforme o estabelecido em suas normas internas. Decorrente de sua própria natureza, a Academia Amapaense de Letras funcionará por prazo indeterminado. Com sede e foro na cidade de Macapá, a AAL tem três categorias de sócios: titulares, correspondentes e honorários. Apenas o sócio titular goza do direito de votar e ser votado. A admissão de sócio titular, de caráter efetivo e perpétuo, dar-se-á por eleição, em escrutínio secreto, entre candidatos de qualquer sexo, inscritos previamente para preenchimento de vagas abertas com o falecimento de ocupantes anteriores, de uma das cadeiras indicadas no parágrafo 2º do Art. 4, ou que tenha mudado de categoria, ou abdicado de ser acadêmico, que tenha trabalhos publicados ou não, de reconhecido valor literário, cultural, cientifico, artístico ou histórico. Cada cadeira terá um patrono reconhecido como vulto ligado a história e cultura do Amapá. A solenidade de fundação do Silogeu amapaense aconteceu na sala de estudos da Biblioteca “Clemente Mariani”, do Grêmio Literário e Cívico Rui Barbosa, entidade constituída por estudantes do então Ginásio Amapaense, instalada no Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

              Os sócios fundadores foram: Benedito Alves Cardoso (Presidente), Gabriel de Almeida Café (Secretário), João Elias de Nazaré Cardoso, Nelson Geraldo Sofiatti, Heitor de Azevedo Picanço (Bibliotecário), Amilcar da Silva Pereira (Tesoureiro), Uriel Sales de Araújo, Célio Rodrigues Cal, Oton Accioli Ramos, Mário de Medeiros Barbosa, Lício Mariolino Solheiro e Jarbas Amorim Cavalcante. Cinco sócios honorários foram distinguidos: Diniz Henrique Botelho, Altino Pimenta, Deputado Coaracy Nunes, Dr. Hildemar Pimentel Maia e tenente coronel Janary Gentil Nunes, governador do Amapá. A instalação do colegiado e a posse de seus membros aconteceu no dia 5 de julho. Os sócios fundadores exerciam o magistério do Ginásio Amapaense. Em pouco tempo a entidade deixou de atuar regularmente e nenhum trabalho de estruturação foi realizado. No inicio do ano de 1989, fui procurado pelo Dr. Georgenor Franco Filho, Juiz do Trabalho de Macapá e membro da Academia Paraense de Letras, que demonstrou interesse em soerguer o Silogeu e gostaria de contar com minha ajuda. Tinha tratado do assunto com o advogado Antônio Cabral de Castro, que lhe falou a meu respeito.

                Eu exercia a Presidência do Conselho Territorial de Educação e pude dispor do plenário do órgão para a realização da reunião preparatória visando à organização da Academia Amapaense de Letras. 

Na solenidade de posse dos membros da Academia Amapaense de Letras, ocorrida no Salão Nobre do Palácio do Setentrião, em agosto de 1988, o Governador Jorge Nova da Costa faz uso da palavra para enaltecer a bela iniciativa e desejar sucesso ao Silogeu. Á sua direita vemos o Juiz do Trabalho, Dr. Goergenor Franco Filho.Á esquerda, vislumbramos o Professor e Adm. Nilson Montoril de Araújo, Presidente da novel instituição.

No dia 31 de agosto, às 20h:30min, na Sala de Sessões Plenárias Mário Quirino da Silva, estiveram reunidos: Georgenor de Souza Franco Filho, Nilson Montoril de Araújo,Antônio Cabral de Castro,Dagoberto Damasceno Costa,Estácio Vidal Picanço,Fernando Pimentel Canto e Manuel Bispo Corrêa. Analisamos um modelo de estatuto apresentado pelo Dr. Georgenor, relacionamos os patronos das cadeiras e decidimos que, inicialmente a Academia funcionaria com apenas 20 sócios titulares, salvaguardando-se o direito dos sócios fundadores. Dentre eles, somente Heitor de Azevedo Picanço residia em Macapá. Posteriormente, outros valores literários foram incorporados ao grupo, que ficou constituído por 22 membros. Até o presente momento, 12 sócios faleceram: Alcy Araújo Cavalcante, Aracy Miranda de Mont’Alverne, Estácio Vidal Picanço,Hélio Guarany Pennafort, Elfredo Távora Gonçalves, Jorge Basile,Arthur Nery Marinho,Heitor de Azevedo Picanço,Isnard Brandão Filho,José de Alencar Feijó Benevides, Amaury Guimarães Farias e Antônio Munhoz Lopes. Os sócios restantes são: Nilson Montoril de Araújo, Georgenor Franco Filho, Antônio Cabral de Castro, Antônio Carlos Farias, Paulo Fernando Batista Guerra, Dom Luiz Soares Vieira, Dagoberto Damasceno Costa, Fernando Pimentel Canto, Manoel Bispo Correa e Luiz Alberto Guedes. Dia 12 de setembro, no Salão Nobre do Palácio do Setentrião, em sessão presidida pelo Governador Nova da Costa, 15 acadêmicos tomaram posse.

                A posse da primeira diretoria se deu no dia 17 de outubro: Presidente, Nilson Montoril de Araújo; Vice-Presidente, Dom Luiz Soares Vieira; Secretária, Aracy Miranda de Mont’Alverne; Tesoureiro, Antônio Carlos da Silva Farias;Diretor de Biblioteca, Dagoberto Damasceno Costa;Comissão de Contas:Antônio Cabral de Castro,Antônio Munhoz Lopes e Paulo Fernando Batista Guerra.Infelizmente, o euforismo inicial cedeu lugar a acomodação da maioria dos sócios.Isso gerou sérios problemas para o pleno funcionamento da instituição. Podendo deliberar com a presença de pelo menos 5 membros, o Silogeu raríssimas vezes atingiu este número.Na sexta-feira,dia 22 de maio, apenas os acadêmicos Montoril,Guerra e Munhoz marcaram presença a uma reunião solicitada por um dos sócios,que não compareceu. Mesmo assim, apreciações importantes foram feitas e deverão ser discutidas com demais sete acadêmicos, se eles aparecerem ao próximo encontro. A Academia Amapaense de Letras está em perfeitas condições para funcionar. Para fazê-lo plenamente, basta que os sócios restantes pensem seriamente na instituição e não nos seus interesses individuais.

(*) Presidente da Academia Amapaense de Letras (2022)

segunda-feira, 20 de junho de 2022

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA: O MESTRE JOAQUIM ERA UM LUXO!

Trago hoje para os leitores do blog Porta-Retrato – Macapá, um texto publicado, inicialmente, há cinco anos, no domingo 18 de junho de 2017, no Grupo MMM (Meio do Mundo Macapá), onde o cronista João Silva, destaca a simplicidade e a maneira peculiar do trajar desse ilustre amapaense - Mestre Joaquim Miguel Ramos, um dos cinco filhos de Julião Tomaz Ramos, o Rei Negro do Marabaixo.

CRÔNICA - O MESTRE JOAQUIM ERA UM LUXO!

Por João Silva

Começo pelo começo. O Mestre Joaquim Ramos, filho de Julião Ramos, o Rei Negro do Marabaixo, era um luxo de simpatia, doce, um cara diferente, um gentlemen, gente fina.

Eu o conheci bem: ele era um operário surreal, depois eu explico. Trabalhava na Usina de Força e Luz, ao lado da casa dos Picanço e Silva. Por muitos anos foi freguês de caderno, comprava mantimento pra pagar por mês na mercearia do velho Duca Serra - 'Negro correto' - papai vivia dizendo, e eu vivia ouvindo o que dizia sobre freguês pontual no pagamento da despesa mensal. Era sair a grana do pessoal da Usina, o mestre Joaquim vinha pagar o que devia, diferente de uns e outros que davam trabalho ao velho Duca.

Precisava ver como chegava pra trabalhar na termoelétrica que acendeu o primeiro bico de luz no Amapá, aliás um ambiente cheio de graxa, barulho, fumaça, água quente, óleo queimado saindo dos filtros e motores...Vinha todo no linho, impecável, surreal para um trabalhador do pesado: calça, camisa, sapato, tudo branco, na pinta como se fosse a um casório.

Então tirava aquele traje 'de gala', vestia a roupa de trabalho que trazia na sacola...Quando saía do serviço, vestia de volta a roupa com que chegara.

Joaquim Ramos e Duca Serra eram tão amigos, que papai o lisonjeou com um convite que aceitou na hora: virar padrinho de batismo de um dos seus filhos, Paulo Sérgio, hoje médico pneumologista.

Claro que a áurea desse afrodescendente ilustre, exímio tocador de caixa de marabaixo,  também brilhou nas noites de festa do Laguinho.

Olha ele aí com Francisca Venina da Trindade escancarando aquele sorrisão de 'dindinho' do mano Tachachado...Imagino o que essas duas figuras iluminadas do Laguinho e do marabaixo estariam conversando antes de nos deixar...Coisa triste não era!

Via GRUPO MMM (MEIO DO MUNDO MACAPÁ) - Facebook

sábado, 4 de junho de 2022

MEMÓRIAS DA CIDADE DE MACAPÁ: TRAPICHE “ELIÉZER LEVY”

O VELHO TRAPICHE “ELIÉZER LEVY”

Por Alcinéa Cavalcante

O velho Trapiche Eliézer Levy, de muitas histórias, causos e lendas.

Nele atracavam embarcações de bandeiras de vários países e os gringos aproveitavam para tomar um sorvete, servido em taça de inox pelo famoso garçom Inácio, no Macapá Hotel.

Era desse trapiche que saíam os navios com destino a Belém. No final das férias iam lotados de universitários que voltavam para as faculdades (não havia ensino superior no Amapá).

Nas tardes de domingo o velho trapiche era a passarela da juventude. Depois da sessão da tarde nos cines João XXIII e Macapá os jovens iam como em procissão passear ali. Era um passeio obrigatório.

À noite era comum ver na ponta do trapiche um pescador solitário. Um pescador de peixes, ou de estrelas, ou de poesia ou de raios da lua.

A foto é do tempo em que ainda existia a tão cantada em verso e prosa “Pedra do Guindaste” de muitas lendas. Uns diziam que meia noite a pedra se transformava num navio de ouro maciço enfeitado com diamantes e esmeraldas. Outros contavam que era uma princesa encantada. E tinha gente que jurava ter visto “com esses olhos que a terra há de comer” a pedra se transformar em princesa quando o relógio marcava meia-noite em ponto.

Um dia colocaram a imagem de São José, padroeiro de Macapá, em cima da pedra. Pouco tempo depois um navio chocou-se com ela destruindo-a. 
No lugar foi construído um pedestal de concreto para São José, colocado de costas para a cidade, mas abençoando todos que aqui chegam pelo majestoso rio Amazonas.

A imagem do santo padroeiro é uma obra de arte do escultor português Antônio Pereira da Costa. Ele também esculpiu os bustos de Tiradentes (na Polícia Militar) e Coaracy Nunes (no aeroporto) e os leões do Fórum de Macapá (atual sede da OAB).

ATUALIZAÇÃO: 

Espaço na cabeceira do trapiche será expandido — Foto: PMM/Divulgação

De acordo com a Secretaria de Obras e Infraestrutura Urbana foi elaborado um novo projeto arquitetônico que prevê 4 pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá; o Trapiche Eliézer Levy, na orla do Rio Amazonas, passará por um processo de revitalização e ampliação.

O ponto turístico que foi fechado para reforma há pelo menos 6 anos, voltou a ser aberto em 2018 mas novamente foi interditado.

O governo do Amapá passou a responsabilidade do local para a prefeitura de Macapá em julho de 2021, por meio de um termo de concessão, com a autorização para o uso do espaço por 20 anos.

Trapiche Eliézer Levy, na orla de Macapá, no Amapá — Foto: Maksuel Martins/GEA/Divulgação

A obra integra o projeto Orla Viva, que prevê a revitalização de toda a frente da cidade.

Com o projeto será feita a reforma de toda a base já existente e do restaurante que fica na cabeceira, mas haverá novidades como a ampliação do deck, instalação de iluminação em "led" e píer que permitirá que pequenas embarcações atraquem.

Trapiche Eliézer Levi será reformado com arquitetura inspirada nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá — Foto: PMM/Divulgação

Será um espaço livre para feiras e eventos culturais.

Com a iniciativa, será possível reavivar a memória da população, que vê no trapiche a representação de parte da cultura e da história macapaense. (G1)

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

PROFESSORA ELSA TEÓFILO KÖHLER DA CUNHA – 96 ANOS, BEM VIVIDOS!

Elsa Teófilo Köhler, filha única de Ricardo Köhler e Julia Theophilo Köhler, nasceu na terça-feira, 13/10/1925, em Manaus, capital do Amazonas.

Em 1942, concluiu o curso secundário no Colégio Dom Bosco, em Manaus/AM, dois anos depois, concluiu o Curso de Piano, na Escola Musical Ana Carolina, apresentando um recital de piano, no Teatro Amazonas. A Escola era reconhecida pelo Conservatório de Música Joaquim Nabuco, de Manaus/AM, tendo como professora a Sra. Aline Marçal de Carvalho Ferreira.

Casou-se em 27/05/1944, com Antenor Ferreira da Cunha, bancário e formado em Contabilidade, passando a assinar, Elsa Teófilo Köhler da Cunha. Ele exerceu o cargo de Subgerente e Gerente, no Banco da Amazônia, em várias cidades da Região Norte e Nordeste, inclusive, em Macapá, cidade que aprendeu a amar, e lá permaneceu até os seus últimos dias de vida.

Antenor e Elsa tiveram 7 filhos: Themis Köhler da Cunha Kuribayashi (Miss Amapá 1963), Pedro Ricardo Köhler da Cunha (in memorian), Thelma Köhler da Cunha, Celene Köhler da Cunha, Ava Köhler da Cunha Souza, Elizabeth Köhler Cunha de Toledo(Miss Amapá 1977) e Evanita Köhler da Cunha.

Em razão do cargo que seu marido ocupava, professora Elsa teve de residir em diversas cidades diferentes.

Em 1955, professora Elsa assume a Diretoria do Jardim da Infância Hipólito Corrêa, em Parintins/AM.

Em 15/02/1962, chega a Macapá, quando o Amapá, ainda era Território Federal.

Em 1963, é designada ao cargo de Diretora do Conservatório Amapaense de Música, pela então Diretora da Divisão de Educação, Prof. Aracy Miranda de Mont’Alverne, no governo de Terêncio Furtado de Mendonça Porto, quando exerceu, ao mesmo tempo, a função de Professora de Piano, devido à escassez e dificuldade de encontrar profissionais qualificados na época.

Ao longo dos anos, no cargo de direção, promoveu vários recitais de piano, realizados por alunas e professoras, com participação especial em número de canto lírico com sua belíssima voz. Mais tarde, foram sendo introduzidas apresentações de violão e coral.

Entre suas atuações, destaca-se sua participação na Comissão Julgadora no I Salão de Artes Plásticas do Amapá, em 1973 e no I Festival Juvenil da Canção Amapaense, em 1975; participou com número de canto na Festa Anual da Escola de Música Walkiria Lima, antigo Conservatório Amapaense de Música, em 1985.

Elsa Köhler, dirigiu o Conservatório Amapaense de Música, até 1980, e continuou como professora até sua aposentadoria, em 1985.

Em 1988, fica viúva, com o falecimento do senhor Antenor Ferreira da Cunha.

Em 1990, a Escola Walkiria Lima dedica seu recital de final de ano, exclusivo a ela e no ano seguinte (1991) coroa suas homenagens com a entrega de um documento oficial, destacando e agradecendo seu brilhante trabalho e colaboração aos anos dedicados àquela entidade.

Professora Elsa Teófilo Köhler da Cunha, um exemplo de força, coragem e determinação, continua firme, forte, com amorosa dedicação à sua família aumentada com mais 14 netos e 20 bisnetos.

Ao completar 96 anos de vida, prof. Elsa recebe os parabéns e o carinho de todos – familiares, colegas, amigos e conhecidos – pelo muito que fez pela difusão da cultura do Amapá.

O editor do Blog Porta-Retrato envia felicitações e um abraço forte à ilustre aniversariante, com votos de vida longa ao lado de todos que lhe são caros.

Fonte: Família Köhler da Cunha

Fotos: Arquivo pessoal

sábado, 18 de setembro de 2021

FALECIMENTO: Tia Biló – marabaixeira - morre aos 96 anos em Macapá

Tia Biló - única filha de Julião Ramos que ainda vivia entre nós, faleceu na madrugada do sábado 18 de setembro de 2021.

Segundo a família, ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Macapá e teve falência múltipla de órgãos.

BENEDITA GUILHERMA RAMOS, A Tia Biló, precursora, grande entusiasta e divulgadora do Marabaixo, cantando, encantando e repassando há várias gerações o legado deixado por seu pai, nasceu há 96 anos em Macapá em 10 de fevereiro de 1925. Filha de Julião Ramos, mestre do Marabaixo e Januária Ramos. Dona Biló - filha mais nova de 05 filhos, mãe de 7 filhos que lhe agraciaram com 16 netos e 20 bisnetos.

Seu primeiro emprego foi como zeladora em uns dos banheiros públicos, construídos por Janary Nunes; trabalhou também na Escola Azevedo Costa, foi transferida para o Colégio Amapaense e logo em seguida para o IETA – Instituto Educacional do Território do Amapá, onde hoje está instalada a UEAP – Universidade Estadual do Amapá.

Tia Biló, como era carinhosamente chamada, trouxe no DNA, a paixão pelo Marabaixo, herdada do seu pai, Mestre Julião Ramos.

Foi uma das precursoras dos grupos de Marabaixo que atualmente encantam várias gerações de amapaenses com esse ritmo contagiante e expressão maior da nossa cultura.

Teve o privilégio de conviver com grandes compositores de Marabaixo, dentre eles, Raimundo Lasdislau.

Seu corpo descansa em Paz, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no Centro da cidade.

Fontes: G1 e Memorial Amapá

Foto: Márcia do Carmo (Diário do Amapá)

segunda-feira, 10 de maio de 2021

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE: A ARTE DE ESTÊVÃO FERREIRA DA SILVA

Estêvão Ferreira da Silva, artista plástico, autodidata e carnavalesco amapaense, nascido em 26 de dezembro de 1951.

Filho de Joaquina Rodrigues de Jesus, mulher negra marabaixeira e lavadeira conhecida como Tia Joaquina, no marabaixo.

Estêvão viveu uma união estável de 25 anos com Eulina Picanço Camilo, com quem teve 4 filhos: Gioconda Camilo da Silva, Eliane Camilo da Silva, Helene Camilo da Silva e Antônio VanGogh Camilo da Silva.  Eulina é filha de Maria José Picanço Camilo, prima de Raimundo Azevedo Costa, (primeiro prefeito eleito de Macapá) neta de Joaquim Mariano, o primeiro fazendeiro de gado bovino de Macapá.

Estêvão e sua mãe D. Joaquina eram amigos de Sacaca, o grande mestre da medicina da floresta. e de Alice gorda a Rainha Momo do Carnaval Amapaense, entre muitos outros.

A história de vida de Estêvão Silva, faz-se uma obra literária. Ele tinha o dom da escrita perfeita, gostava muito de ler, deixou um acervo rico de artes plásticas.

Iniciou sua carreira artística aos 18 anos, e desde então fez história na cidade, estado e país. Possui obras em vários lugares do mundo inclusive Paris

Seu mestre das artes plásticas foi R. Peixe, que sempre o tratou como filho. R. Peixe, aparece `à direita dessa foto histórica, tendo ao centro, outro artista plástico Franck Asley. Todos falecidos,

Durante sua vida Estêvão fez muitos amigos, pois além do dom da arte tinha o dom de fazer amizades com facilidade.

Sempre foi uma pessoa simples, de coração grande; sua casa era aberta a todos que buscavam trabalho no mundo das artes, sempre foi visto como um mestre por aqueles que estavam iniciando nesse ramo.

Como carnavalesco, começou sua história no carnaval da Avenida Fab. Deu títulos de campeãs à várias Escolas de Samba de Macapá. Estêvão idealizava com primor os carros alegóricos escutando o samba enredo das Escolas e dando vida a esses trabalhos artísticos.

O carnaval do Amapá começava a deslanchar com a inauguração do Sambódromo; foi então que Estêvão não mediu esforços para fazer mais uma vez, a Piratas da Batucada, campeã! No primeiro desfile no Sambódromo ele deu vida aos carros alegóricos do Piratão, fato que até hoje, é lembrado por todos os admiradores dessa Escola. Tinha por título: O corpo de Mani dádiva de Tupã.

Estevão foi reconhecido por seu belo trabalho quando o renomado carnavalesco carioca, Joaozinho 30, conheceu esse grande mestre da Cultura e da Arte, amapaenses.

A Escola de Samba Boêmio do Laguinho que foi campeã pelas mãos de Estêvão Silva, em 1999, com o enredo: Despertar de Uma Nação, Intérpretes: Macunaima e Carlos Peru. Em uma das alegorias deu vida à cobra grande que vinha girando e fumando no Sambódromo. Neste ano Boêmios saiu do segundo grupo.

A Galeria dos Prefeitos exposta na Prefeitura Municipal de Macapá foi produzida por ele de 1987 até 2002.

Estêvão foi professor de artes na Escola Cândido Portinari; seus alunos lhe fizeram uma homenagem com sua caricatura.

Em 2004 antes de sua morte, ele ainda fez um projeto chamado festa do Mairi Cunani para o Sesc Araxá; na época sua visão era fixar a cultura folclórica e indígena, para o povo amapaense começar a aderir esse costume. Em frente ao Sesc foi colocada uma Urna funerária indiana Maracá Cunani.

Estêvão idealizou junto com a Fecomércio a decoração natalina da Rua Cândido Mendes, a principal do comércio amapaense; a decoração natalina das praças também foi feita por ele, em 2004.

Estêvão estava decorando o complexo do Araxá.  Na madrugada do dia 19 de dezembro de 2004, ele caiu acidentalmente no Rio Amazonas e acabou morrendo afogado.

Na semana desse trágico acidente Estêvão Silva e, alguns amigos, estavam com uma exposição de obras plásticas, montada no salão do monumento Marco Zero. As obras lá expostas eram:  Os quadros da Fortaleza de São José de Macapá, da Índia nua, da Onça, do Índio na floresta e de uma Arara em mosaico. Essas foram as obras lembradas por sua família, pois seus filhos não souberam informar quem realmente as comprou, pois eram as únicas que Estevão havia deixado de legado.

Em 2005 o bloco do LaguinhoFilhos da Mãe Luzia” fez uma homenagem para ele no desfile dos blocos, com o enredo: Mãe Luzia de mãos dadas com Estêvão Silva com mãos de Ouro colorindo toda a vida. Intérprete Adail Júnior.

Fonte: Facebook

quinta-feira, 18 de março de 2021

FATOS E MEMÓRIAS DO AMAPÁ: Manoel Cordeiro - Um gênio da música


                                                                 (Foto: Reprodução / Facebook)

Por (*)Humberto Moreira

“Realmente a população de Macapá ganhou, com o passar do tempo, muitas facilidades e avanços que deixaram a vida mais tranquila. Mas já fomos uma cidade onde não havia supermercados e atacadões. Foi no tempo dos pequenos comércios de gêneros alimentícios, comumente chamados de “tabernas”. Lembro de minha mãe me mandando diariamente a esses estabelecimentos para comprar arroz, farinha, açúcar e todo tipo de gêneros de primeira necessidade. Na época não se comprava em grandes quantidades e tínhamos de voltar diariamente às tabernas do bairro para comprar o que era necessário.

E foi nessas idas e vindas que conheci a Casa Novo Horizonte, que ficava na esquina da Hildemar Maia com a Mendonça Furtado, na chamada rua do aeroporto. Haviam alguns outros pequenos comércios que eram mais perto de casa. Porém uma coisa me atraiu ao local desde o primeiro dia. Naquela taberna havia um senhor e seu filho que tocavam e quando eu chegava lá acabava ficando um pouco mais para ouvir as músicas executadas pela dupla. Sentava em cima da sacaria e acabava atrasando o mandado da Dona Dulce.

O velho era Seu Mundinho. Um paraense de Ponta de Pedras e o garoto, filho dele, era nada mais nada menos que Manoel Cordeiro. Fui me aproximando devagar e fiz amizade com aquele garoto pois, eu já participava dos programas de música ao vivo na Rádio Difusora e vi ali a oportunidade de mais um parceiro.

Do outro lado da rua havia um bar chamado Casa Três Padroeiros, de propriedade de um enfermeiro chamado Francisco Monteverde. Lá aos domingos, se reunia a nata da música macapaense. Estavam por lá artistas como Francisco Lino, Manoel Sobral, Beni Santos, Geraldo do Pandeiro, Fernando da Cheirosa, Amilar, Vitaleiro, Treze e tantos outros.

Nas minhas idas e vindas à Casa Novo Horizonte fui ficando cada vez mais amigo do Manoel Cordeiro, chegando a ponto de convida-lo pra gente ir se meter no meio dos bambas que domingo frequentavam o bar da frente.

Tomamos coragem suficiente e atravessamos a rua num domingo. No repertório cantado pelos frequentadores da Casa Três Padroeiros, bolerões de Nelson Gonçalves e sambas de Ataulfo Alves muito aplaudidos na época.

Lá chegamos nós meio tímidos, Manoel com seu violão e eu querendo uma oportunidade pra soltar a voz. Não demorou muito para sermos chamados ao palco. A gente havia ensaiado um samba que tocava muito no Carnet Social da RDM chamado “Ilha do Marajó” de Zito Borborema. Tacamos Ficha. Dois moleques atrevidos em meio às feras musicais da cidade: ‘Recebi um telegrama do meu velho pai me pedindo pra voltar...”. A casa se derreteu em aplausos depois que terminamos. Saímos de lá felizes pelo resultado da nossa audaciosa aventura.

Anos depois, já adultos, integramos os grupos de bailes. Mas nunca estivemos num mesmo conjunto. Ele foi para Os Inimitáveis e Embalo Sete e eu para os Joviais e depois Cometas. Ele seguiu sua carreira fazendo sucesso com a Banda Warilou e eu continuei por aqui na vidinha de sempre.

Há mais ou menos um mês atrás aquele garoto, meu companheiro, hoje famoso maestro da música da Amazônia e conhecido no Brasil inteiro, foi infectado pelo Corona Vírus. Fiquei com o coração apertado, pois essa doença arrancou de mim algumas pessoas queridas. Gente da música também, como Fábio Mont’alverne e Siney Saboia. Não sou de rezar toda hora, mas fiz uma oração pedindo pela cura do meu amigo. Nossos laços, apesar da distância, não se desfizeram nunca e eu ficaria ainda mais triste se ele partisse.

Graças a Deus Manoel Cordeiro está se recuperando e eu o vi na semana passada no programa da Ana Maria Braga, acompanhando a Fafá de Belém. E fiquei feliz sentindo um alívio de ver que esse gênio da música ainda vai continuar conosco. Saúde irmão. Você não pode nos deixar agora porque se for, levará consigo muito da nossa alegria.

(*) Radialista, jornalista e cantor amapaense

(Fonte: Facebook)

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“Trajetória - Manoel Cordeiro começou a tocar aos 12 anos. O avô era maestro no Ceará. A mãe, cabocla marajoara, tocava cavaquinho. Curioso e autodidata, o então jovem músico ingressou em bandas de baile na primeira metade dos anos 1970. De 1976 a 1986, deixou o talento de lado e foi funcionário do Banco do Brasil, onde chegou a ser supervisor de operação. Mas, em 1983, voltou aos estúdios, desta vez para tocar ao lado do irmão. Nessa época, Manoel recebeu de Alípio Martins uma proposta irrecusável: montar uma banda base que acompanhasse vários artistas.

E assim ele contabiliza, por alto, mais de 700 participações em discos. Na década de 1980, trabalhou na criação do estúdio Gravasom, de Carlos Santos, que tinha selo, rádio e loja de discos. Quem emplacasse no Pará, tinha distribuição nacional pela Polygram. Em 1987, Manoel Cordeiro foi contratado como músico e arranjador de Beto Barbosa e, logo depois, começou a produzir o artista, que chegou a vender 1,5 milhão de cópias por álbum, um sucesso estrondoso que acabou atraindo quem não era do ramo.” Agência PA (SECOM)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...