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quinta-feira, 21 de julho de 2022

PATRIMÔNIO HISTÓRICO: FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ

 A cisterna da Fortaleza

Reservatório de águas pluviais na praça principal da fortaleza - Foto: Tito Garcez

(*) Por Franck Coutinho.

Existe no centro da Fortaleza de São José de Macapá, uma cisterna de armazenamento de água potável, esse sistema foi arquitetado pelo engenheiro militar, Enrico Antônio Galluzzi. Ela foi construída por artífices que estavam a serviço da coroa portuguesa no Brasil, o que chama a atenção nessa construção é o estilo na qual foi construído, faz lembrar o tento do antigo panteão de Roma, Itália, esses detalhes só podem ser observados de dentro da cisterna.

Sabíamos da existência de material especial de construção que veio da Europa para a construção dessa cisterna, mais precisamente os tijolos que foram usados nela, lembrando que os demais tijolos da Fortaleza, foram confeccionados em Belém e a grande parte na Vila de São José do Macapá.  Se observa nos tijolos da cisterna duas marcas de tijolaria, sendo a Cacoalinho (Portugal) e Claytons Patent (Inglaterra).

Dentro existem dutos de água (encanamentos), construídos em pedra de cantaria, que levava água trazida do Rio das Amazonas para dentro da Fortaleza. Com o passar dos séculos, esses dutos entupiram com o barro do Amazonas.
Foto: Cortesia do GT Obdias Araújo]

Esta foto sem data, mostra uma reforma no Sistema de Captação Pluvial da Fortaleza de  Macapá, em cuja estrutura, ficam evidentes as  canaletas convergentes que levam as águas da chuva para a cisterna ao centro do Pavilhão e de lá são drenadas para o Rio Amazonas. (João Lázaro)

Existe uma lenda urbana que se propagou em Macapá, os antigos habitantes da cidade diziam que esse poço serviu para afogar escravos e índios rebeldes, no entanto não há nenhuma evidência histórica desses supostos fatos. Realmente se trata de uma das muitas urbanas da Fortaleza de São José de Macapá, a finalidade era o abastecimento de água para a guarnição militar dessa fortificação militar.

As fotos são do meu arquivo pessoal, registradas no ano de 2016, após a remoção do barro da cisterna, os tijolos da Cacoalinho e Claytons Patent vieram à tona novamente.  Essa é a uma das muitas partes da história do Amapá, Brasil que nunca foi ensinada nas escolas e universidades do estado do Amapá.

(*) Franck Coutinho, professor de história e historiador

Fotos: Franck Coutinho (arquivo pessoal)

Via Facebook

terça-feira, 19 de julho de 2022

MEMÓRIA DA COMÉRCIO AMAPAENSE: CASA MORAES

CASA MORAES: UM SORTIDÃO QUE MARCOU ÉPOCA NA ANTIGA DOCA DA FORTALEZA

Casa Moraes - pintura com pigmentos de betume da judeia sobre tela, do artista plástico, Miguel Arcanjo - acervo da família Cardoso.

Por: Wanke Do Carmo

Fundada em março de 1959 pelo senhor Antônio Moraes Cardoso ( Seu Antonico ), juntamente com a sua esposa, Augusta Pereira Cardoso, casal proveniente de Breves-PA.

A Casa Moraes localizava-se na antiga doca da Fortaleza de São José, que muitos chamavam de "beira", quase encostada em suas seculares muralhas.

O estabelecimento era uma festa para os olhos pela variedade de gêneros alimentícios e produtos diversos espalhados por todo seu interior e área externa. O forte da casa eram os secos e molhados que incluía o tradicional Jabá em fardo (charque), açúcar, café,  feijão, tabaco em rolo, manteiga em latões, o mel de cana em pote de Abaetetuba-PA, coberto com folha de sororoca, e o delicioso mapará seco de Cametá-PA. Era local de encontro dos embarcadiços e canoeiros que depois de uma longa viagem de barco ou nas valentes canoas à vela, provenientes das ilhas do Pará, faziam sua confraternização regada com a velha e boa cachaça Alvorada, aquela do rótulo com um galo colorido. Outros famosos frequentadores foram os briosos guardas territoriais que saídos do plantão na Fortaleza de São José, aproveitavam para tomar um delicioso caldo de cana acompanhado de uma saborosa donzela (biscoito de trigo com açúcar cristal). Aos clientes mais chegados do seu Antonico era ofertado um molhe de tabaco para ser mascado ou fumado de acordo com o gosto do freguês. O crediário aos clientes de confiança era anotado no famoso caderninho de despesas e compras, era uma espécie de cartão de crédito da mercearia mais popular da antiga doca da Fortaleza nos idos dos anos 60 e 70.

Ainda eram ofertados os artigos de caça e pesca: malhadeiras, anzóis, querosene, lamparina, farol para embarcações e corda de sisal.

À época do Carnaval, os sócios do memorável Saci Clube, que depois virou Círculo Militar, paravam na Casa Moraes com seu Antonico para fazer o "aquecimento" com a saborosa batida de limão.

Um dos grandes orgulhos do seu Antônio Moraes (Antonico) era falar aos amigos que criou e formou os 10 filhos, entre eles advogados, professores e administradores, com a renda proveniente desse pioneiro estabelecimento que marcou época na Macapá do tempo do TFA. Boas lembranças do comércio pioneiro da nossa cidade.

Nota do Editor

Nas fotos que ilustram essa matéria, podemos ver claramente, em tomada aérea e posições diferentes, o local exato onde ficava situada a Casa Moraes, à beira do Igarapé da Fortaleza, bem próximo ao baluarte São José, que nos dias de hoje, fica voltado para à agência do Banco do Brasil.

Via Facebook

quinta-feira, 29 de abril de 2021

HISTÓRIA E MEMÓRIA DO AMAPÁ: FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ – “Baluarte da luta contra piratas e salteadores”

A reportagem "Baluarte da luta contra piratas e salteadores", publicada na Revista O Cruzeiro – edição de 04 de novembro de 1950, relata a importância histórica da Fortaleza de São José de Macapá, a mais imponente e preservada fortificação da presença portuguesa na Amazônia no período colonial.

Um importante registro fotográfico que, através da extinta Guarda Territorial do Amapá, faz uma reconstituição de como era a rotina dos soldados na vigilância da fortificação e região. Essas cenas nos reportam aos idos do século 18.

A FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ, imponente obra de Portugal na Amazônia, foi inaugurada em 04/02/1782, dezoito anos depois de iniciada a sua construção, que obedeceu ao sistema do famoso marechal francês Vauban. Notem o quadrilátero central com os baluartes se projetando agressivamente nas quinas.

 

A largura da muralha é fabulosa: 7 homens de braços abertos.

Portão de entrada

Do lado de dentro, a guarnição portuguesa defendia o local.

Naquele tempo, fazia-se diariamente a ronda extramuros, para evitar surpresas funestas.

O soldado colonial usava farda semelhante a esta, que envergou também a Guarda Territorial do Amapá, nos dias de festas especiais.

Portões de ferro como esse eram usados na defesa interna, isolando os baluartes.

A bandeira colonial subia aos céus na ponta do baluarte que dominava sobranceiro o rio Amazonas.

Sentinelas postadas nas guaritas dos baluartes velavam pela segurança da Fortaleza Real de Macapá.

O canhão pronto para abrir fogo, os artilheiros se punham a postos, cada um a cargo de uma operação.

Munição para os canhões da Fortaleza de Macapá: petardos redondos de ferro.

O municiador trazia a bala, amontoada com outras por detrás dos canhões, e colocava-a no cano.

O socador, manejado com habilidade e precisão por um dos homens, empurrava carga e bala cano abaixo. 

O estopim aceso era levado à mecha da espoleta que ia deflagrar a carga, lançando o projétil.

Afastavam-se então os artilheiros para evitar o choque do recuo do canhão no momento da explosão.

O atirador, porém, permanecia em seu posto. A carga se incendiava em meio a grande fumaceira.


Atenção! Lá vai bala!

Conversa de soldados, à sombra protetora das velhas muralhas, um dos bastiões da nossa integridade.

Texto da reportagem na íntegra:


Texto de Jorge Ferreira e fotos de Roberto Maia.

Fonte: Blog Amapá, Minha amada terra!

(Última atualização: 22h10m - 29/04/2021)

sábado, 9 de novembro de 2019

Foto Memória de Macapá: O Museu da Fortaleza

Por Nilson Montoril
Em solenidade realizada do dia 25 de janeiro de 1948, data que caiu num domingo, o governador do Território Federal do Amapá, capitão Janary Gentil Nunes, inaugura o Museu Territorial, instalado no pátio da Fortaleza São José, em Macapá. A majestosa fortificação bélica tinha passado por uma radical restauração, haja vista que se encontrava em ruínas quando o gestor territorial iniciou o processo de implantação da nova unidade federada. A instalação do governo ocorreu no dia 25 de janeiro de 1944, uma terça-feira. O Território fora criado a 13 de setembro de 1943. Além de inaugurar o museu, Janary Nunes assinou dois importantes decretos. Um ato nomeou o ex-pracinha da Força Expedicionária Brasileira, Newton Wilson Cardoso, para dirigir a instituição. Outro, instituindo o Regulamento do Ensino Primário no Território do Amapá. As instalações do "Museu Territorial" ficaram próximo a rampa de acesso para o baluarte Nossa Senhora da Conceição.
Onça Pintada e cobra Sucuri que se encontravam no Museu Territorial, na Fortaleza de Macapá
Entre a parede da rampa e parte interna da muralha, num canto coberto perto das quartinas foi colocada uma onça pintada. Na estrutura de madeira e telas, em frente à Casa do Comandante ficaram vários animais, devidamente separados. A maioria foi doada por moradores da região das Ilhas do Pará. Uma campanha lançada através da Rádio Difusora foi vital nesse sentido. A criançada gostava mais de ver os macacos.
Fonte: Facebook

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Fotos Memória de Macapá: Militares da Escola Superior de Guerra, em visita à Fortaleza de Macapá

Nossas Fotos Memória de hoje mostram integrantes da Escola Superior de Guerra, em visita à Fortaleza de São José de Macapá, em 1952.
Todas as fotos aqui publicadas - detentoras de direitos autorais – foram reproduzidas, diretamente do acervo virtual do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC).
Fonte: Disponível em CPDOC FGV

sábado, 7 de setembro de 2019

Fotos Memória de Macapá: PRIMEIRO DESFILE CÍVICO REALIZADO NA FORTALEZA SÃO JOSÉ

Por Nilson Montoril
No dia 7 de setembro de 1945, data da Independência do Brasil, a cidade de Macapá via pela primeira vez um desfile cívico realizado na Fortaleza São José. Desde cedo o povo saiu às ruas, rumando para a vetusta edificação militar, que ainda se encontrava em restauração. Ornamentada com galhardetes verde-amarelos e com enormes bandeiras do Brasil, nosso monumental patrimônio histórico, uma das sete maravilhas nacionais foi pouco a pouco sendo tomada por populares. A guarnição da briosa Guarda Territorial ali instalada, era a responsável pelos trabalhos de restauração. Vale dizer que, quando da instalação do governo do Território Federal do Amapá, a velha fortificação estava em ruínas. A Guarda Territorial não era apenas uma corporação paramilitar, mas também uma força tarefa para recuperação de prédios públicos e prestação de serviços comunitários. Por isso, contava com o concurso de pedreiros, carpinteiros, marceneiros, alfaiates, sapateiros e, atuando como mantenedores da ordem, reservistas de primeira categoria.
Às 8 horas, o governador Janary Gentil Nunes chegava à Fortaleza São José, envergando seu uniforme de capitão da arma de Infantaria do Exército, sendo saudado pelos toques militares de estilo e hasteou o pavilhão nacional no mastro grande erguido no bastião de São José, o que atualmente é o mais próximo do Banco do Brasil. Enquanto a bandeira era hasteada a multidão cantava o hino pátrio. Houve saudação cívica realizada pelo governador e pelo capitão Humberto Pinheiro de Vasconcelos, diretor da Divisão de Segurança e Guarda e comandante da Guarda Territorial. Em seguida, ao rufo dos tambores da banda marcial dos escoteiros do Pará, que se encontrava na cidade desde o dia anterior, foi acesa uma garbosa tocha simbolizando a chama cívica que os brasileiros precisam cultivar. A parada cívica foi comandada pelo 1º Tenente Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, chefe do Serviço de Informações do governo territorial e estava primorosamente organizada. As entidades que desfilaram cobriram o curto trajeto entre os baluartes São Pedro e Nossa Senhora da Conceição.
A delegação da Federação Paraense de Escoteiros, chefiada pelo Capitão Gonçalo Lagos Castelo Branco Leão. Abriu o desfile ao som de sua contagiante banda marcial. Posteriormente, apresentaram-se os alunos do Grupo Escolar de Macapá, integrantes do Amapá Clube, Esporte Clube Macapá e Cumaú Esporte Clube. A Guarda Territorial fechou a parada de 7 de setembro. Um acontecimento marcado por fortíssima emoção ocorreu por ocasião do desfile alusivo aos 125 anos da Independência do Brasil. O ex-pracinha Alfredo Fausto Façanha marcou sua presença envergando o uniforme do 6º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira que usou nas batalhas de Montese, Pao e Castelo Novo, contra forças alemãs que ocuparam a Itália durante a segunda guerra mundial. Alfredo era natural do lugar Floresta, na região das ilhas do Pará, que, até a criação do Território Federal do Amapá, a 13 de setembro de 1943, pertenceu ao município de Macapá.
Com a edição do ato que desmembrou do Estado do Pará as terras do atual Estado do Amapá, o Rio Amazonas passou a ser o limite natural entre as duas unidades administrativas do país. Nasceu em 1921 e ao ser convocado para a guerra tinha 23 anos de idade. Embarcou para a Itália em dezembro de 1944, desembarcando em Nápoles dia 8 de fevereiro de 1945, entrando imediatamente em atividade. Com a rendição dos alemães a 8 de maio de 1945, as hostilidades cessaram e os pracinhas brasileiros retornaram ao solo pátrio. Como soldado da 8ª Região Militar, contingente da Amazônia, Alfredo Fausto Façanha embarcou para o Rio de Janeiro no dia 6 de junho. Era filho de Augusto Fausto Façanha e Amélia Maria Façanha. À noite, no Cine-Teatro Territorial, o ex-pracinha participou de uma sessão cívica e narrou lances dramáticos dos combates em que esteve presente.
Em 1953, ocorreu o último desfile cívico na Fortaleza. O efetivo estudantil e de outras entidades que sempre participaram do evento forçaram sua realização em outro local. No flagrante vemos a tropa de Escoteiros do Mar Marcílio Dias a postos no baluarte Nossa Senhora da Conceição, local onde estava fincado o mastro para o hasteamento da Bandeira Brasileira e o palanque das autoridades. Dai, os participes do desfile tomavam o sentido do baluarte São Pedro. Observe como prevalecia o usa de roupa branca feita de linho por parte dos populares.
Fonte: Texto de Nilson Montoril, publicado em 12 de setembro de 2013, no blog Arambaé do historiador, e reproduzido na íntegra no blog Porta-Retrato.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Foto Memória de Macapá: Mestre Zacarias

O Pioneiro Zacarias Álves de Araújo - filho de Pedro Justino de Araújo e Joana Monteiro de Araújo - nasceu dia 04 de abril de 1910, em Goianinha do Norte, uma cidade há 300 quilômetros de Natal, Rio Grande do Norte.
Antes de ir para Macapá, mestre Zacarias passou um período de sua vida, em vários municípios do Pará, e onde ele chegava montava um curtume (operações de processamento do couro cru).
Em Belém, Mestre Zacarias conheceu a professora paraense Odália Vieira de Araújo, com quem se casou e teve 7 casais de filhos, ou sejam 7 homens: Hilkias, Milkbuquias, Zildequias, Jeconias, Hodias, Ezequias e Obdias, e 7 mulheres: Ivonete, Ivonilde, Iranilde, Ionilde, Elionilde (gêmeas já falecidas) Renilde e Iranete.
Além das gêmeas, são falecidos Zildequias, Hodias, Jeconias, Iranilde e Ivonete.
Ao chegar em Macapá, em 1947 - no início do Território Federal do Amapá – Mestre Zacarias exerceu suas atividades primeiramente como sapateiro na Fortaleza de São José de Macapá, e posteriormente foi levado por Janary Nunes, para a Escola Industrial de Macapá, na época dirigida por Glycério de Souza Marques. Lá na Industrial ele confeccionava coturnos para os integrantes da Guarda Territorial; fazia botas para aquelas pessoas que tinham deficiências e deformações nos pés; fazia também calçados para alunos pobres da rede pública do ex-Território; redengues (instrumento utilizado para açoitar o cavalo) e cintos de couro. Além das tarefas citadas, ele executava outras tantas inerentes à sua função de sapateiro tais como confecções e remendos nas velas das primeiras embarcações da frota do Governo do Amapá, que faziam viagens para o interior do Território, assim como, fazia também sanefas, umas lonas resistentes, que cobriam a carroceria e protegiam as cargas dos  caminhões do Governo.
Sabe-se que o General Ivanhoé Gonçalves Martins – que governou o Amapá de 10 de abril de 1967 a 06 de outubro de 1972 – colecionava na residência muitas unidades do rebengue “umbigo de boi”, confeccionadas por Mestre Zacarias.
Mestre Zacarias teve como contemporâneos na Escola Industrial, entre outros, os pioneiros Mestre Rosendo Góes, Professores Feijão e Antenor Epifânio Martins o “Pigmeu”.
Além da Escola Industrial ele também lecionou na Escola Coaracy Nunes, em Macapá e na Escola Vidal de Negreiros, no município de Amapá, na época em que o prefeito de lá era o Sr. Leonel Nascimento, falecido em Macapá, em janeiro de 2019. Dentre os colegas de Mestre Zacarias, na “Vidal de Negreiros”,  destacamos o saudoso jornalista Paulo Conrado Bezerra, o desembargador aposentado Luiz Carlos Gomes dos Santos e o professor aposentado Eurico de Jesus Moreira, hoje morando em Fortaleza-CE.
Mestre Zacarias também era músico flautinista, isto é, tocador de flautim, uma flauta menor. Ele aparece sem o quepe à direita da foto acima.
É importante frisar que o flautim é um instrumento musical da família da flauta, soando uma oitava acima da flauta soprano, da qual possui igual digitação.
Segundo o site Wikipédia, o flautim é constituído por um pequeno tubo de cerca de 33 cm de comprimento e um bocal, e foi introduzido em orquestra no século XIX, sendo usado na música erudita moderna. Produz o som mais agudo da orquestra.
No tempo de rapaz, Mestre Zacarias tocava banjo com os irmãos em uma orquestra de família, em Belém do Pará.
Mestre Zacarias, em Macapá, morou inicialmente em uma casa na beira do rio, na antiga área do Elesbão onde hoje é o bairro Santa Inês, próximo à Fortaleza de Macapá. Depois ele foi para uma área mais firme no Bairro do Trem. Esteve algum tempo, também, ocupando uma área ao lado da sede do Trem Desportivo Clube, onde hoje funciona uma panificadora.
Nas idas e vindas ele também residiu na Av. Pe. Manoel da Nóbrega, entre as ruas Eliezer Levy e General Rondon, no Laguinho.
Finalmente, fixou-se à Rua São José n° 2, canto com a Av. Pedro Baião.
Mestre Zacarias Álves de Araújo, faleceu em Macapá com 73 anos de idade, no dia 22 de novembro de 1983, e seu corpo descansa em paz, em jazigo da família, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no Centro da cidade, onde também estão sepultados a esposa Dona Odália e os filhos Zildequias e Ivonete.
A Câmara Municipal de Macapá, prestou uma justa homenagem à sua memória, colocando o nome do ilustre pioneiro em uma das artérias do Bairro Santa Inês: Av. Prof. Zacarias Araújo.
Com informações de Obdias Araújo, filho do biografado.
(Última atualização em 14/05/2019, às 13h)

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Foto Memória de Macapá: Fortaleza de São José, em completo abandono

Publiquei em 8 de setembro de 2011, oito fotos raras da Fortaleza de Macapá, em total abandono, tal como foi encontrada por Janary Nunes, ao assumir o Território Federal do Amapá, em 1943.
Hoje trago uma foto, publicada pelo amigo Maximilian Santos, no Memorial Amapá, que mostra como era a entrada do Igarapé do Igapó, ou Igarapé da Fortaleza, naquela época.
Tais relíquias fazem parte do acervo histórico do Amapá guardado no Museu Joaquim Caetano da Silva, e que ilustraram o Relatório do Governo do ex-Território Federal do Amapá, datado de 1944.
Nas imagens vemos as reais condições do entorno da Fortaleza, no início dos anos quarenta, evidenciando uma das guaritas do lado direito da velha edificação.
Fonte: Memorial Amapá

segunda-feira, 18 de março de 2019

Foto Memória da Cidade de Macapá: Fortaleza de São José – ontem e hoje

Na primeira foto, em preto e branco, temos o angulo da foto tirada por trás do baluarte Nossa Senhora da Conceição, antes do aterro da área do Igarapé do Igapó, podendo se ver ao fundo o antigo estaleiro territorial. Na colorida, vemos a situação depois do local aterrado, tendo ao fundo, agora, o espaço do entorno da Casa do Artesão, local do antigo estaleiro, na frente da cidade.
Abaixo, mais duas fotos comparativas do monumento histórico que mais atrai turistas para o Amapá: a Fortaleza de São José de Macapá.
Antes do aterro do lado direito de seu entorno, as águas do Rio Amazonas, passavam bem próximas à sua muralha, pois era e entrada do Igarapé do Igapó ou Igarapé da Fortaleza.
A Fortaleza de São José é um dos pontos preferidos para visitação pública, em Macapá.
Resumo histórico - É o único monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amapá, segundo o historiador e jornalista Edgar Rodrigues. Com quase 20 anos de construção, a fortaleza foi inaugurada no dia 19 de março de 1782 e, portanto, completa em 2019, 237 anos.
Considerado o mais belo, o mais imponente e o mais sólido monumento militar do Brasil no período colonial, a planta era do engenheiro Henrique Antônio Gallúcio, estilo Vauban, de oitava classe, em quadrado e seus baluartes pentagonais nos vértices.
Os engenheiros e técnicos que a construíram, enfrentaram grandes dificuldades na movimentação do terreno, na condução dos blocos de pedras, na edificação do monumento propriamente dita. Trabalharam durante dezoito anos até darem por concluída a empreitada gigantesca que iniciaram.
De acordo com o historiador Nilson Montoril, o baluarte de São Pedro foi o primeiro a ser construído.
A pedra fundamental da construção da Fortaleza de São José de Macapá foi lançada pelo então governador do Grão-Pará, Ataíde Teive, e o engenheiro da fortificação, Henrique Galúcio, que morreu em 1769 após contrair malária.
Segundo Nilson Montoril, a construção da Fortaleza de São José de Macapá, durou 18 anos, e teve o uso de 2 mil trabalhadores, entre negros e índios. "Os escravos trabalharam em várias frentes na fortaleza. Uns eram usados para erguer a estrutura do forte, outros ficavam perto do Rio Pedreira (Macapá) para tirar as pedras do fundo d'água para serem utilizadas na construção", explicou o historiador.
Fontes consultadas: G1 e Amapá em destaques

terça-feira, 18 de setembro de 2018

LITERATURA AMAPAENSE: O Roubo do Forte Velho, poema de Obdias Araújo

TELA DE OLIVAR CUNHA
O poeta e sociólogo amapaense Fernando Canto, incluiu em sua tese de doutorado sobre a Fortaleza de São José de Macapá, o poema O ROUBO DO FORTE VELHO, de autoria do músico e poeta Obdias Araújo, “um velho militante da literatura amapaense, irmão de outros bons poetas”.

Tu sabias
que a Fortaleza
foi toda construída
no Curiaú?
Diz que o Sacaca
o Paulino e o Julião Ramos
vieram em cima da Fortaleza
varejando até chegar na beira do Igarapé Bacaba
onde amarraram a bichona na Pedra do Guindaste
e foram tomar uma lá
no boteco do sêo Neco.
Diz que o o Alcy escreveu uma crônica
E o Pedro Afonso da Silveira Júnior leu
Oito horas da noite
no Grande Jornal Falado E-2.
Diz que, né?
Diz que o mestre Zacarias
vinha em cima do farol
tocando um flautim feito
com as aparas da porta de ébano...
E que Dona Odália vinha fazendo
flores de raiz de Aturiá
sentada no maior de todos os canhões
brincando com a Iranilde
que acabara de nascer.
Diz que o Amazonas Tapajós vinha
cantando ladrões de Marabaixo
-ele, o Edvar Mota e o Psiu.
E o João Lázaro transmitia tudo para a Difusora.
Diz que até o R. Peixe pintou um mural
-aquele que ficou no pátio da casa do Isnard
lá no Humilde Bairro de Santa Inês
de onde foi roubado pelo Galego e trocado
por duas garrafas de Canta Galo
e uma de Flip Guaraná, lá na Casa Santa Brígida...
Hoje Macapá amanheceu bem
mais triste que de costume.
Roubaram a Fortaleza!
Levaram o velho forte! De madrugada
Dois ou três bêbados remanescentes
viram passar aquela enorme coisa boiando
rumo Norte, parecida uma usina
de pelotização.
Andam comentando lá
pelo Banco da Amizade
que foi o Pitoca
a Souza
o Quipilino
o Pombo
o Zee e o Amaparino...
E que o Olivar
do Criôlo Branco
e o Cirão
estão metidos nessa história.
Eu, hem!

O ROUBO DO FORTE VELHO
Fernando diz que “todas as pessoas citadas no texto, bem como os lugares, existiram ou existem ainda. São elas: Sacaca, conhecedor de ervas, curandeiro; Paulino, organizador de festas de Marabaixo; Julião Ramos, líder, negro do Marabaixo do Laguinho e fundamental no processo de gentrificação das famílias de negros que moravam na frente da cidade na época da instalação do Território Federal; Seu Neco, dono de bar; Alcy, poeta e jornalista; Pedro Afonso da Silveira Júnior, locutor de rádio; Mestre Zacarias, flautista, pai do poeta; D. Odália, mãe do poeta; Iranilde, irmã do poeta que nasceu nas dependências da FSJM quando seu pai ali morava; Amazonas Tapajós, locutor de rádio e boêmio; Edvar Mota, locutor e publicitário; Psiu, locutor e marcador de quadrilha junina; João Lázaro, disk jockey da Rádio Difusora de Macapá; R. Peixe, artista plástico e sambista; Isnard, poeta e advogado, que foi preso contumaz do regime militar; Galego, poeta e jornalista; Pitoca e Souza, filhos do Sacaca, Quipilino e Pombo, irmãos boêmios, sendo o primeiro servidor da Prefeitura e o segundo mecânico e sambista; Zee e Amaparino, irmãos, o primeiro funcionário púbico federal no Amapá e o segundo biblioteconomista; Olivar, torneiro mecânico, filho do Criôlo Branco, massagista e benzedor e; Cirão, tratorista da Prefeitura.
Locais: Fortaleza, FSJM; Curiaú, quilombo próximo de Macapá; Igarapé bacaba, local próximo ao Curiaú; Pedra do Guindaste, antiga pedra e agora um pedestal de cimento que sustenta a estátua de São José, padroeiro da cidade e se localiza na praia; Grande Jornal Falado E-2, antigo programa de notícias de grande audiência transmitido pela Rádio Difusora de Macapá; Aturiá, nome de praia e de uma árvore; Marabaixo, manifestação cultural de origem afrodescendente. Bairro de Santa Inês, antiga localidade da Vacaria, ao sul da FSJM; Canta Galo, marca de cachaça; Flip Guaraná, antigo refrigerante local; Casa Santa Brígida, comércio; rumo Norte, direção da praia do Igarapé das Mulheres; usina de pelotização, local de transformação de pedras de manganês em bolinhas para exportação do minério e; Banco da Amizade, tradicional local de encontro de amigos no bairro do Laguinho.
Este poema é interessante porque realiza uma mistura de personagens emblemáticos da cidade que participaram de um roubo fantástico, em que arrastaram a FSJM pelo litoral até o local onde ela teria sido construída: o Curiaú, na imaginação do poeta.
Suas referências memoriais apontam para uma realidade impossível, na narrativa de lugares e personagens reais da cidade, principalmente os do bairro do Laguinho. O enredo do poema parece se tratar de um resgate (que envolve vingança) de um objeto que não pertencia à cidade de Macapá, mas sim aos remanescentes dos escravos, cujos ancestrais participaram da construção da fortificação, pois a maioria deles são afrodescendentes e por isso viram-se no direito de arrancar a fortificação e leva-la até onde foi, de pleno direito, construída."
Foto: Reprodução / Arquivo pessoal
OBDIAS Alves de ARAÚJO, é amapaense da gema. Nasceu no município de Macapá no dia 22 de Fevereiro de 1957, filho de Zacarias Alves de Araújo e Odália Vieira de Araújo. Músico (trombone e flauta-doce), durante boa parte de sua vida foi amante da boémia e da noite, lançou seu primeiro livro em 1984. Vem participando dos movimentos literários de Macapá e mantendo intercâmbio com poetas e trovadores de outros estados. Embora de uma geração mais recente, fez parte do grupo de poetas que tinha como principal líder Alcy Araújo, ou seja: Isnard Lima, Álvaro da Cunha, Cordeiro Gomes, Manoel Bispo, Fernando Canto e Outros.
Obdias é membro das associações paraense e amapaense de escritores e da União Brasileira de Trovadores. Vive em União estável com Telma Maria Salomão de Araújo.  
Livros Publicados: Apologia (1984) e Praça Pinga Poesia & Mágoa – Diário de um Vagabundo Lírico (1987), VERSÍCULOS DE SALOMÃO (Dezembro de 2017).
Os poemas de Obdias, curtos e de uma linguagem direta e contemporânea, por vezes irônica, conduzem o leitor para o imaginário de um poeta integrado ao seu tempo, que fala de amor e de saudade. Cultiva o humor, trazendo da vida quotidiana os elementos que constroem o seu tecido poético com cores, sons e ritmos.
Obdias é um escritor que gosta de viver intensamente, conta piadas de todos os gêneros, com nítida preferência para os temas eróticos. Entretanto, com perspicácia, é capaz de filtrar para a literatura tudo aquilo que pode ser aproveitado na poética. Não é um escritor que produza intensamente, mas através dos três volumes já publicados, podemos ter uma ideia de que ele está entre os melhores que o Amapá já produziu.
(Texto: Paulo Tarso Barros)
Fonte: Fernando Canto - Todas as informações fazem parte da tese do sociólogo Fernando Canto, sob o título LITERATURA DAS PEDRAS: A Fortaleza de São José de Macapá, como locus das identidades amapaenses, publicada pela Editora da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP, 2017.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...