quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Montagem das torres de transmissão da Rádio Educadora de Macapá

Há 43 anos - em 4 de agosto de 1968 - entrava no ar, em Macapá, a terceira emissora de AM (Amplitude Modulada) do Amapá: a Rádio Educadora São José de Macapá.
A primeira foi a Rádio Difusora de Macapá - emissora oficial do Governo do Amapá - que foi inaugurada em 11 de setembro de 1946.
A segunda foi a ZYD 11 - Rádio Equatorial de Macapá - que por ser clandestina teve vída efêmera. Entrou em operação em 23 de dezembro de 1962.
Estas fotos raras - de 1967 - fazem parte da história da Rádio Educadora São José de Macapá, de propriedade da Prelazia de Macapá.
São imagens inéditas que pertencem ao acervo da família do técnico Remy do Rêgo Barros - um dos montadores do parque transmissor e dos equipamentos nos estúdios daquela emissora católica. Essas cópias nos foram gentilmente cedidas por sua filha Sandra Barros, via e-mail, justamente com outras mais que já foram publicadas, anteriormente, no blog Porta-Retrato.
Nestas duas primeiras fotos vemos Remy Barros (de camisa branca) no comando da montagem de uma torre irradiante de 60 metros de altura, numa zona alagada do bairro do trem, local em que foi erguido o parque transmissor.
( Foto: Reprodução / acervo família Remy Barros)
( Foto: Reprodução / acervo família Remy Barros)
Na foto 3 já vemos a torre erguida e a equipe fazendo os arremates.
A ZYA-52, iniciou testes experimentais em 1º de maio de 1988. Foi inaugurada oficialmente em 4 de agosto de 1968.
A emissora apresentou uma programação inovadora para a época, planejada pelo diretor artístico José Maria de Barros, que também era um dos sócios fundadores.
Outra novidade, ficava por conta dos avanços tecnológicos projetados pelo padre Domênico Bottan (já falecido).
Os funcionários fizeram um curso de preparação (1967) meses antes da emissora entrar no ar.
Apesar de ser uma emissora católica, a Rádio Educadora manteve uma programação variada.

O Fechamento da emissora - Em março de 1978, o conselho eclesiástico da Prelazia de Macapá resolveu montar um questionário para decidir sobre o futuro da Rádio Educadora. Foram elaboradas 12 perguntas e encaminhadas a todos os padres que atuavam nas paróquias da capital. O questionário foi elaborado em italiano e respondido no mesmo idioma pelos sacerdotes.

Os padres tinham um prazo para entregar o questionário até o dia 12 de março. As respostas poderiam ser dadas na mesma folha das questões ou em uma folha à parte, sendo que a maioria preferiu a última opção. 
Vinte padres responderam o questionário. Apenas Dante Bertolazzi, José Busato e Lino Simonelli votaram pela continuação das atividades da emissora, desde que tentassem outras maneiras para continuar com a rádio e a tornasse mais católica. Os padres Angelo Biraghi, Angelo Bubani, Luis Carlini, Angelo Consonni, Angelo Da Maren, Domingos Franzese, Francisco Mazzoleni, Fúlvio Giuliano, Sandro Galazzi, Vitório Galliani, Jorge Pedemonte, Gianfranco Picozzi, Angelo Pighin, Nello Ruffaldi, Vendramino Zanardo e Salvador Zona votaram pelo fechamento da Rádio Educadora. O padre Paulo Lepre não se arriscou a dar uma resposta definitiva sobre o assunto.
No mês seguinte, mais precisamente no dia 17 de abril de 1978, a Rádio Educadora São José encerrou as atividades. Era uma segunda-feira. A emissora encerrou com um pronunciamento do padre Jorge Basile, lamentando sobre o fechamento da rádio, e a execução do prefixo, o Lago dos Cisnes.
Depois veio um silêncio, o desfecho de quase uma década de história da emissora de rádio da Prelazia de Macapá. No final do mês, os transmissores foram lacrados e as portas fechadas.
O conselho da Prelazia decidiu então fechar as portas da Rádio Educadora.
(Fonte: Os dez anos da Rádio Educadora de São José (1968 - 1978) TCC - Acadêmico Rodrigo Cunha.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ESPECIAL: MENDONÇA FURTADO, O FUNDADOR DE MACAPÁ

Por Nilson Montoril (*)
(Reprodução/Acervo Nilson Montoril)
 
Mendonça Furtado, Governador do Grão Pará

                    A morte do rei D. João V, ocorrida a 31 de julho de 1750, fez subir ao trono português o filho do monarca falecido, D. José I. Influenciado pela esposa, Mariana da Áustria, D. José I, nomeou para o cargo de Secretário de Negócios Estrangeiros e de Guerra, Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal e Primeiro Ministro da Coroa. O período que Sebastião José passou na Inglaterra como Embaixador, fê-lo conhecer em detalhes como funcionava a Companhia das Índias Orientais criada pelos Ingleses. Ao ser nomeado Primeiro Ministro de Portugal, decidiu estabelecer um plano econômico capaz de tornar rendosa a exploração das colônias lusitanas. Tomou para a Coroa a função de controlar todos os ramos mais rendosos do comércio ultramarino, prepara a exploração do Vinho do Porto e a pesca do atum, deixando à concorrência da pequena burguesia os setores do comércio secundário. Concentrou parte de sua atenção no Grão-Pará, tornando Belém o centro da administração do Estado do Grão-Pará e Maranhão. Escolheu para governá-lo o meio-irmão Francisco Xavier de Mendonça Furtado, dotado do mesmo espírito agudo de Pombal, embora não fosse tão inteligente quanto o irmão. Entretanto, levava vantagem no tocante à vontade de caráter. Não era dissimulado, tortuoso ou falso. Mesmo irritado, colocava o problema de frente e por isso era tido como grosseiro, mas capaz de reconhecer o erro cometido e recomendar clemência a quem o irritou.
                    A nomeação de Mendonça Furtado saiu no dia 31 de maio de 1751, ocasião em que recebeu do Ministro dos Negócios Ultramarinos, as instruções para o nucleamento dos índios, fortificação da fronteira, precaução contra a ambição francesa, o estabelecimento de povoações e intervenção na política de ação da Companhia de Jesus. Deveria a todo custo fixar na Amazônia a soberania luso-brasileira. No dia 26 de julho de 1751, Mendonça Furtado apontava em São Luiz para dar posse ao Governador do Maranhão, Luiz de Vasconcelos Lobo, a ele subordinado. De São Luiz passou a Belém, tomou posse no dia 24 de setembro, se defrontando com sérios problemas de ordem econômica e disciplinar. Na época, circulavam em Belém moedas de vinténs, feitas de cobre; moedas de pataca, em prata e de ouro, de cinco e dez cruzados. Eram rotuladas como moedas da província, porque não eram aceitas fora de Belém. As pessoas que embarcavam para Lisboa tinham que entregar suas moedas ao caixa do navio, que lhes repassavam valores equivalentes em moeda cunhada pela Coroa. O poder aquisitivo das moedas da Província tinha sido corroído pela elevação de preço dos produtos alimentícios devido à drástica redução de mão-de-obra, provocada por um surto de sarampo. Em Belém e nos núcleos populacionais mais próximos morreram mais de quinze mil indivíduos, entre índios e escravos.
(Reprodução/Acervo Nilson Montoril)
                    Mendonça Furtado precisou ser ríspido com os Jesuítas. Eles geravam conflitos freqüentes com os colonos na disputa de mão-de-obra indígena. Não queriam que os índios fossem escravizados pelos colonos, mais se valiam deles para produzir bastante e auferir bons lucros. Os Jesuítas eram tidos como habituais sonegadores de impostos na exploração de produtos das aldeias. A arrogância dos inacianos era tão flagrante, que nem o Bispo do Grão-Pará, Dom Bartolomeu do Pilar foi respeitado como líder e superior de todas as ordens religiosas. Até 1748, o impasse ainda perdurava e Dom Miguel de Bulhões, terceiro Bispo do Grão-Pará era hostilizado pelos Jesuítas. Mendonça Furtado, apoiado pelo Marques de Pombal, iria dar fim aos desmandos. Curioso é que o governador não queria bater de frente com a ordem de Santo Inácio de Loiola. Sua religiosidade ficou evidente, quando ele desembarcou em Belém conduzindo nas mãos uma imagem de Nossa Senhora das Missões. Mas, Mendonça Furtado sabia que a intenção do Rei D. José I era tirar dos religiosos o poder temporal nas aldeias, deixando-os apenas com o domínio espiritual. Um alvará neste sentido não tardaria a sair.
                    O alvará deveria emancipar os índios, substituindo-os por escravos africanos. No Maranhão, a substituição já vinha ocorrendo. No Pará, os colonos alegavam que não tinham recursos para comprar escravos. O primeiro povoado instalado por Mendonça Furtado foi o de São José de Macapá, na antiga Província dos Tucujús. Não havia aldeia na área nem religiosos, fato que facilitou suas iniciativa. No espaço de 40 dias aproximadamente, a contar de sua posse no Governo do Grão-Pará, o Capitão-General Mendonça Furtado concebeu o plano de povoamento de Macapá. Inicialmente selecionou 86 açorianos dentre os 432 trazidos para Belém e alguns negros escravos egressos de outras regiões do Brasil. Designou o Ajudante-de-Ordem Manoel Pereira de Abreu para Chefiar os colonizadores e recrutou índios de aldeias mais próximas, mandando transferí-los para o local do novo burgo. Como orientador espiritual mandou o Padre Miguel Ângelo de Moraes. No dia 31 de outubro de 1751 foram expedidas as orientações para o povoamento. Os açorianos realizariam os trabalhos na lavoura e contariam com a ação dos negros para derrubar a mata, destocar o terreno e limpá-lo. Aos índios estavam reservadas as atividades de caça, pesca e remeiros. O ajudante-de-ordem deveria promover a harmonia entre brancos, negros e índios. Os índios eram livres, razão pela qual alguns deles desapareciam por um bom espaço de tempo e depois retornavam. Mas, nem tudo saiu como foi planejado. As pesadas chuvas de final de ano arrasaram a lavoura e doenças de mau caráter atingiram os açorianos. Para complicar a situação, Manoel Pereira de Abreu discriminou o Padre Miguel Ângelo de Moraes e sequer lhe repassou a cota de alimentos que ele tinha direito. O sacerdote só não morreu de fome devido à assistência que os açorianos lhe deram.
(Reprodução/Acervo Nilson Montoril)
                    A povoação de Macapá deve ter sido iniciada na primeira quinzena de novembro de 1751, no mesmo espaço onde está erguida a Fortaleza de São José, próximo ao reduto fortificado instalado em 1738. A guarnição do Forte de Faxina se encarregou de mandar notícias ao Governador Mendonça Furtado a cerca das atitudes do ajudante-de-ordem. A 18 de dezembro de 1751, o Coronel João Batista de Oliveira saiu de Belém com a missão precípua de repreender Manoel Pereira de Abreu, substituí-lo e levar em frente o plano de criar o núcleo populacional de Macapá. Colocou tudo nos seus devidos lugares, dando especial atenção aos índios que ameaçavam debandar. No inicio de 1752, outros açorianos foram mandados para Macapá. Em fevereiro do mesmo ano, Mendonça Furtado visita a povoação pela primeira vez. Inspecionou e mandou corrigir o que não lhe agradou. Trouxe seu médico particular, que cuidou dos enfermos. Ainda em 1752, novos açorianos chegaram a Amazônia e centenas deles foram transferidos para Macapá. A situação do povoado apresentava sensíveis melhoras.
                    Portugal utilizou açorianos para povoar Macapá como forma de evitar a influência das ordens religiosas sobre ela. A transferência de açorianos e de naturais da ilha da Madeira para a Amazônia e outras regiões do Brasil foi estratégica, porque a população tinha crescido muito e a área disponível para empreendimentos agrícolas era reduzida. Tanto o arquipélago dos Açores como o arquipélago da Madeira são de origem Vulcânica. O arquipélago da Madeira dita 560 km da costa do Marrocos. A Ilha da Madeira é a maior delas e tem 178 km². A sede é Funchal, designação dada à quantidade mais ou menos considerável de funchos dispostos aproximadamente entre si. Funchos, de latim fenuculu, é uma planta aromática e ramosa, da família das umbelíferas, de flores amarelo-esverdeada, dispostas em numerosas umbelas (sombrinhas) compostas, cujo fruto é medicinal. A segunda ilha mais importante é a do Porto Santo com 38 Km². Além dela existem os grupos das ilhas Desertas e Selvagens. O arquipélago dos Açores é formado por 9(nove) ilhas e dista 1.300Km da costa de Portugal. A ilha de São Miguel, a maior, com 747Km², é bastante montanhosa, com pico de 2.284metros. As demais são: Ilha de São Jorge, Ilha Graciosa, Ilha das Flores, Angra do Heroísmo, Porto Delgado, Faial, Terceira e Santa Maria, onde se localiza a Vila do Porto. Grande parte dos açorianos vindos para Macapá nasceu nas Ilhas Graciosa e Terceira.
                    Macapá sempre mereceu a atenção desvelada de Mendonça Furtado. Sua localização recomendava o assentamento de uma grande Fortaleza e a elevação do povoado a categoria de vila. Esta providência ele tomou no inicio do mês de fevereiro, em 1758, quando permaneceu 5(cinco) dias no povoado. A última visita tinha sido realizada em 1754, ocasião em que se deslocava para Mariuá, no Rio Negro, ao encontro de D. José de Iturriaga, com o qual discutiria a demarcação das fronteiras entre Brasil e as colônias espanholas. Desta feita, ele iria ao Rio Negro com o mesmo propósito. Deixou Belém decidido a cumprir a lei de 6 de junho de 1755 que mandava tirar dos missionários religiosos o poder temporal nas aldeias indígenas e o Alvará de 7 de junho que determinava converter as aldeias em lugares e os povoados em vilas. As aldeias governar-se-iam pelos seus próprios principais, que teriam debaixo de si sargentos-mores, capitães, alferes e meirinhos. Mas quem pelas sentenças destas autoridades se julgasse prejudicado poderia recorrer ao Governador do Grão-Pará e à Justiça de Belém e de São Luiz. No Maranhão e Pará havia sessenta aldeias indígenas, das quais 5(cinco) administradas por padres das Mercês, 12(doze) por Carmelitas e 15(quinze) por Capuchinhos e 28(vinte e oito) por Jesuítas. Os Jesuítas eram os únicos a serem hostilizados porque se opunham a tirania dos colonizadores brancos.
Antes de apostar em Macapá, Mendonça Furtado parou na aldeia dos índios Urucará, onde o Padre Antônio Vieira havia introduzido índios nheengaibas, perseguidos por escravagistas. No dia 24 de janeiro de 1758, aldeia Urucará foi elevada à categoria de vila e testemunhou a instalação do Senado da Câmara. A denominação mudou para Portel. A comitiva do Governador chegou a Macapá dia 1° de fevereiro e as delineações do espaço que iria abrigar a vila ocorreram imediatamente. Este espaço corresponde as Praças Veiga Cabral (Largo de São Sebastião) e Barão do Rio Branco (Largo de São João).
(8) Historiador, professsor e radialista do Amapá
(Post publicado originalmente no blog Arambaé - por Nilson Montoril de Araújo)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Antes e Depois: Imagens aéreas da Fortaleza de Macapá

(Foto: Reprodução/google imagens)
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Nestas fotos dos anos 60 vemos a Fortaleza de Macapá, em primeiro plano e ao fundo, parte da cidade de São José de Macapá. Um dos prédios à direita da foto é do antigo estaleiro do Governo.
(Foto: Reprodução/Google imagens)
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Observa-se também nestas imagens, o leito do igarapé da fortaleza, próximo à lateral direita do forte, e as conoas atracadas na Doca da fortaleza.
(Foto: Reprodução/Acervo Deuzuite Ardasse)
Para ampliar, clique na imagem
E nesta foto observa-se que as águas do rio Amazonas chegavam bem perto da centenária muralha da fortaleza, e que anos mais tarde a área de entorno seria totalmente aterrada e saneada fazendo desaparecer, definitivamente, a conhecida Doca da Fortaleza.
(Foto: Reprodução/blog Repiquete...)
(Clique na foto para observar melhor)
(Foto extraída do blog Repiquete)
Foto dos anos 60 vendo-se a Fortaleza de Macapá, de outro ângulo, destacando-se no alto da imagem, a área alagada do Elesbão, destacando-se o matadouro de porco que existia no local.
A Fortaleza de São José de Macapá, está assim:
(Foto: Reprodução/Governo do Amapá)
(Foto do Governo do Amapá - Contribuição do amigo Paulo Tarso Barros)
A imagem de 2008, é completamente diferente das fotos acima em P/B: o antigo Igarapé da Fortaleza, desapareceu com o aterramento da área lateral direita do Forte. Hoje existe apenas um canal, na Avenida Mendonça Junior, para o desague das águas pluviais.
(Repaginado em 02/08/2011)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Antigo Campo de Aviação de Macapá

(Foto: Reprodução de livro)
(Foto extraída do álbum do amigo Paulo Tarso Barros, no Facebook)
Nesta foto rara de 1954, vemos uma aeronave - modelo Douglas DC-3, dos Serviços Aéreos "Cruzeiro do Sul" - pousada no antigo Campo de Aviação que ficava localizado no centro de Macapá,  mais precisamente, na área de entorno da Avenida FAB.
Segundo Arlindo Oliveira, mecânico de aeronaves, à época,a pista ficava na atual Procópio Rola, numa área que compreende as avenidas FAB e Raimundo Álvares da Costa, abrangendo o espaço hoje ocupado pela Prefeitura de Macapá, prédio do Hemoap e Palácio do Governo além de toda a área, hoje destinada ao bloco de secretarias do governo do Estado, desde a Leopoldo Machado até a Rua General Rondon." (Fonte: Jornal Correio do Amapá)
(Foto: Reprodução/Google/imagens)
Na época, era esse, o símbolo usado como logomarca da empresa.
(Última atualização às 02h:32m)

sábado, 30 de julho de 2011

Uma casa da Macapá de outrora

A amiga Sarah Zagury, nos mandou (via e-mail) a foto abaixo, que é um registro histórico de Macapá, logo no início do Território Federal do Amapá. É um raro momento do ano de 1949, quando Sarah, na inocência de seus 4 meses de nascida, recebia o carinho de sua Tia Meryan.
(Foto: Reprodução/Acervo/álbum família Zagury)
“Está foto é de 1949, a criança no colo sou eu e a moça é a tia Meryan. O impressionante é a casa  no fundo da foto. Era uma casa de madeira maravilhosa, cheia de janelas, enorme... ficava bem em frente do rio e hoje não  existe mais. Quando eu era criança ia para a janela e ficava olhando encantada com esta casa e os barcos que iam passando. Era nesse braço do rio Amazonas  que brincavamos quando a maré estava baixa.” Sarah Zagury.
O local era a antiga rua da praia, na beira do Amazonas, numa área que na época ficava ao lado da Casa Leão do Norte e da fábrica do Flip Guaraná, onde depois foi construída a Praça Zagury/Praça do Coco.
(Foto: Reprodução/Acervo/álbum família Zagury)
No detalhe a antiga casa da rua da praia, que situava-se na frente da cidade de Macapá. O historiador Nilson Montoril lembra que  nesta casa que ficava à beira do barranco, no final da Av. Presidente Vargas, residiram os pioneiros Joary Barriga e Armindo Felipe Zagalo, pai do Prof. Carlos Zagalo.
(Última atualização dia 03/08/2011)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Largo da Matriz: O Marco Zero de Macapá

O antigo Largo (Praça)  de São Sebastião ou Largo da Matriz, localizava-se na área onde hoje está erguida a praça Veiga Cabral. Foi nesse local que aconteceu, em 4 de fevereiro de 1758, o levantamento do pelourinho e o governador do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fundou naquele dia a Vila de São José de Macapá.
Tomando referência à condição geografica de hoje, poderiamos dizer que esse trecho seria situado entre a avenida Presidente Vargas, e as ruas São José e Cândido Mendes, que só foram abertas a partir de 1943, quando o Amapá foi transformado em Território Federal. A foto foi tirada no sentido de Leste para Oeste.
Estas imagens raras, e muitas outras, que fazem parte do acervo do governo do Pará, completam em 2011, cento e três anos que foram  registradas pelo brilhante fotógrafo Fidanza, em 1908. Elas compõem o "Album do Estado do Pará", que retrata a resenha dos 8 anos do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Estado do Pará, de 1901 a 1909.
(Última atualização dia 28/07/2011, às 18h:40m)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Morre em Belém, aos 67 anos, Edvar Mota: “O Mestre da Voz”

(Foto: Reprodução/print de tela/vídeo documentário)
Faleceu na madrugada desta  terça-feira(26) em Belém (PA), aos 67 anos, o radialista Francisco Edvar do Espírito Santo Mota.
(Foto: Reprodução/print de tela/vídeo documentário)
Edvar Mota, como era conhecido no meio radiofônico, era amapaense nascido em 19 de novembro de 1943 na Rua Mário Cruz, bem em frente à antiga Intendência, no centro de Macapá, filho de um próspero comerciante português das ilhas do Pará e da dona de casa paraense Emília do Espírito Santo Fonseca.
Edvar teve uma infância feliz, no início do Território Federal do Amapá. Foi aluno do Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Seu primeiro contato com o mundo artístico, começou a partir da mudança de sua família para próximo à Rádio Difusora de Macapá, quando passou a observar os apresentadores e tomar gosto pelos programas  apresentados na emissora oficial por locutores de renome na época, tais como Amazonas Tapajós, Argemiro Imbiríba, Agostinho Souza e muitos outros.
Foi lá que conheceu – aos 13 anos de idade – os técnicos da emissora: Ivaldo Veras, Manoel Veras, José Rodrigues, Otávio Pinheiro dos Santos, Baião Caçula e muitos outros. Aos 15 anos, ajudando o pessoal da técnica em pequenos serviços, começou a estagiar como Aprendiz de Operador de Áudio (antigo Controlista) passando depois aos 17 anos a aprender as primeiras noções como  locutor comercial, devido sua bela voz. A partir daí, trabalhou por longos anos na Rádio Difusora de Macapá, apresentando os programas que marcaram sua carreira profissional como Carnê Social, Grande Jornal Falado E-2, A Grande Seresta e muitos outros; Edvar foi uma espécie de faz tudo na Rádio Difusora.
Edvar nas hora de folga também trabalhou, por longos anos em serviços de autofalantes, sendo um deles, o da Casa Ribamar de Inácio Serra, que explorava o ramo de tecidos em Macapá. Também prestou longos anos de serviços como a voz oficial do Cine Macapá - A Casa dos Grandes Espetáculos - tanto para anunciar, internamente, as próximas atrações do cinema, no início das sessões, como na propaganda volante daquela famosa casa de projeções cinematográfica. Isso tudo ao vivo, pois na época não haviam gravadores.
(Foto: Reprodução/printe de tela/Vídeo documentário)
No rádio deixou sua marca no programa “A Grande Seresta” através das músicas de Orlando Silva, Adelino Moreira, Altemar Dutra, Edna Fagundes, Nelson Gonçalves e Pixinguinha cuja composição Rosa era a sua preferida.
Seu grande parceiro, das noitadas da Grande Seresta, foi o músico e professor Nonato Leal, que definiu o companheiro, como “um músico, romântico e de uma sensibilidade musical enorme”, além deexcelente amigo, franco, leal e verdadeiro”.
(Foto: Reprodução/printe de tela/Vídeo documentário)
A história de vida do radialista está registrada em um documentário de 30’- "Edvar Mota O Mestre da Voz" -  produzido pelas jornalistas Elainne Juarez, Márcia Corrêa e a saudosa Hanne Capiberibe, orientado pelo Mestre em Comunicação Jackson Barbosa, Trabalho de Conclusão de Curso pela Faculdade Seama, 2004, que não tardiamente reconheceram e prestaram homenagem em vida ao grande radialista que foi Francisco Edvar do Espírito Santo Mota.
Este post usou como fonte dados do citado documentário: “Edvar Mota – O Mestre da Voz”, de uma cópia gentilmente cedida ao blog Porta Retrato, através da jornalista Hanne Capiberibe (falecida).
Via Retistro no blog da jornalista Cléia Soares
Atualização: O corpo de Edvar Mota, foi sepultado na tarde desta quarta-feira(27), às 17h, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Macapá.
(Atualizado em 27/07/2011, às 21h:50m)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma das construções da Macapá de outrora

Foto de 1908 - Um dos estabelecimentos comerciais da Macapá antiga, na Rua Siqueira Campos.
No detalhe um dos antigos casarões de Macapá que localizava-se no trecho que começava na Rua da Praia e terminava na Praça da Matriz - hoje Av. Mário Cruz, entre as Ruas Cândido Mendes e Binga Uchôa. Nessa época a atual Mário Cruz se chamava Siqueira Campos e chegava até a margem do rio.
Na realidade esses casarões foram todos demolidos e em seu lugar foi erguida depois a praça Zagury.
Foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará" - montado e impresso em París - por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
(Post republicado por conter informações incorretas e que foram confirmadas pelo historiador Nilson Montoril)
(Última atualização em 28/07/2011, às 20h:30m)

sábado, 23 de julho de 2011

O lendário Poço do Mato

O lendário Poço do Mato, de Macapá, foi declarado Monumento de interesse cultural do município de Macapá, através do Projeto de Lei nº 037/93, da Câmara de Vereadores de Macapá.

Criado em 1864 para fornecer água aos moradores do antigo bairro do Laguinho, o Poço do Mato tornou-se uma verdadeira fonte de imaginação e fatos folclóricos para os macapaenses.

O primeiro Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Macapá, coletava água do velho Poço do Mato, que apesar de antigo, tinha água pura e límpida.

Na Avenida Manoel da Nóbrega, no bairro do Laguinho, em Macapá, existe um dos três poços tubulares escavados na área do Serviço de Água e Esgoto, antecessor da CAESA.

O que os antigos moradores de Macapá chamavam de poço do mato ainda existe e bloqueia a Av. Mãe Luzia. Uma área alagada invadida por populares, que ali fizeram suas casas.

(Atualizado em 16 de outubro de 2020)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A antiga Dica da Fortaleza

 ( Clique na foto para visualizar melhor )
Essa era a imagem da antiga Doca da Fortaleza, em 1908. Nesse local aportavam as canoas oriundas das ilhas do Pará e de outras regiões próximas a Macapá.
Segundo o historiador Nilson Montoril, a ponte que aparece na foto na entrada do Igarapé, teria sido construída por soldados aquartelados na Fortaleza de São José de Macapá, que ficava ao lado.
Atualmente o local está totalmente aterrado e faz parte do entorno do Forte, tombado pelo IPHAN.
Esta foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará", pertence à resenha dos 8 anos do governo Augusto Montenegro no Pará. Além do relato histórico, o importante documento possui muitas fotos da época, que foram feitas pelo excelente fotógrafo Fidanza, em 1908.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A frente da Macapá de outrora

(Contribuição do amigo Paulo Tarso Barros, via Facebook)
Vista panorâmica da frente da cidade de Macapá, em 1908.
Se você clicar na imagem e ampliá-la, vai poder ver melhor muitos detalhes, nela contidos.
Moradores ribeirinhos (a maior parte, crianças), aproveitam a baixa da maré e andam na praia (com água nos pés) que é, predominantemente,  formada de solo lamacento.
Um dos telhados, que se destacam na foto (seta), é do prédio da antiga Intendência de Macapá, que foi construído no final do século 19, mais precisamente em 1895, na administração do intendente Coriolano Jucá. (Fonte)
Não é vista nesse ângulo, a Pedra do Guindaste que fica mais à direita da imagem.
A foto não registra também o trapiche Eliezer Levy, que só foi construído na administração do Major Moisés Eliezer Levy, de maio de 1932 a setembro de 1935, um dos períodos no qual o mesmo governou Macapá, e a construção do trapiche que recebe seu nome, foi uma de suas inúmeras realizações.
Sua localização foi próxima à Pedra do Guindaste.
Foto rara, extraída do "Álbum do Estado do Pará" - montado e impresso em Paris - por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
( Repaginado em 20/07/2011 )

terça-feira, 19 de julho de 2011

Antigo Igarapé da Fortaleza

(Clique na foto para ampliá-la)
Assim era a entrada do antigo Igarapé da Fortaleza, também chamado de Igarapé do Igapó - onde situava-se a chamada Doca - no ínício do século 20, mais precisamente em 1908.  
À direita da foto pode-se observar o baluarte Nossa Senhora da Conceição, da Fortaleza de Macapá.
Esta foto rara, foi extraída do "Album do Estado do Pará" -montado e impresso em Paris - por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
Nessa época as águas do Rio Amazonas, chegavam bem próximas às paredes seculares do monumento, que por muitos anos sofreu diversos períodos de abandono, antes do surgimento do Território Federal do Amapá, em 1943.
A imagem começou  a ser modificada, a partir do momento em que o local foi totalmente aterrado e saneado, para dar lugar à atual área de entorno da Fortaleza de São José de Macapá. Tal procedimento foi uma das exigências do IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que fêz o tombamento do Forte, na década de 1950. (Fonte)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ESPECIAL: O DESENLACE DE IRACEMA CARVÃO NUNES

      (*)Por Nilson Montoril
                    Nascida na cidade de Cruzeiro do Sul, no Território Federal do Acre, a 3 de outubro de 1913, Iracema Carvão Nunes viveu o suficiente para desempenhar um importante papel no seio de sua família, na vida do esposo e de um povo sofrido que a considerava um ser iluminado para cumprir importantes missões. Era filha do comerciante e contabilista Joaquim Carvão e de sua esposa Auta Rodrigues Carvão que geraram mais sete filhos: Alfredo, Mário, Silvio, Aluízio, Paulo, Irauta e Alice Déa. Em busca de melhores condições de vida a família Carvão mudou-se para Belém, onde faleceu a senhora Auta Rodrigues. Na condição de filha mais velha, Iracema auxiliou o pai na criação de seus irmãos. Em 23 de julho de 1937, contraiu núpcias com o jovem oficial do Exército Brasileiro, Janary Gentil Nunes, e o acompanhou em suas andanças pelo Paraná e Clevelândia. O então capitão Janary Gentil Nunes comandava a 5º Companhia de Metralhadoras Anti-Aérea, em pleno curso da II Guerra Mundial, quando o Presidente da República, Getúlio Vargas, o nomeou para assumir o importante cargo de governador do Território Federal do Amapá, criado no dia 13 de setembro de 1943. Neste momento, Iracema Carvão Nunes já enfrentava sérios problemas de saúde decorrentes de uma cardiopatia grave.
( Foto: Reprodução de arquivo )
Tinha uma menina ( Iracema Carvão Nunes) e um menino, Janary Carvão Nunes), nascidos respectivamente em 1940 e 1943, tratados por parentes e amigos como Ceminha e Janarizinho. A despeito dos contratempos enfrentados como esposa de militar, sujeita a mudanças repentinas para lugares nem sempre dotados de conforto, Dona Iracema mantinha-se fiel a seu papel de esposa e mãe extremosa. O Capitão Janary Nunes chegou a Macapá na manhã do dia 25 de janeiro de 1944, para instalar o governo do Território do Amapá. Ela, os filhos e a irmã mais nova, Alice Déa, permaneceram em Belém, haja vista que em Macapá não existia sequer uma casa condiga disponível para abrigá-los. O governador precisou mandar construir uma casa de madeira próxima a Intendência Municipal, para depois promover a vinda de sua família. O terreno onde o imóvel foi erguido pertencia ao casal Otávio Acioli Ramos e Paula Loureiro Acioli Ramos, pais dos jovens Aristeu e Avertino Ramos, atletas que defenderam brilhantemente as cores do Esporte Clube Macapá e da Seleção Amapaense de Futebol.
No dia 1 de maio de 1944, viajando no Iate Itaguary, Dona Iracema, os filhos e a irmã, desembarcaram no Trapiche major Eliezer Levy, em Macapá. Acostumada a ver lugares degradados, Dona Iracema não estranhou a decadência da capital do Amapá.
                    A fragilidade da sua saúde não a impediu de expandir sua condição de mãe às pessoas carentes da pequena Macapá. Como esposa do governador ela deveria dirigir a comissão Territorial da Legião Brasileira de Assistência, entidade presidida a nível nacional pela senhora Darcy Sarmento Vargas, esposa do presidente da República do Brasil, Dr. Getúlio Dorneles Vargas.
A instalação da LBA-Amapá deu-se no dia 18 de agosto de 1944. Numa terra onde faltava tudo, a LBA iria implantar a Campanha de Redenção da Criança e os programas Natal do Soldado e da Criança, auxílio às pessoas notadamente pobres e às famílias dos reservistas convocados para a Força Expedicionária Brasileira, construção de um posto de puericultura e permanente assistência, em remédios, vestuários e alimentação às gestantes e crianças. Tolerante e compreensiva ouvia os que a procuravam e sempre agia com o interesse de ser útil, desde que fosse para praticar o bem. Nunca distinguiu as pessoas pelo brilho das jóias, pelo exibicionismo das ideias ou pela roupagem que vestiam. Avessa à intriga, à maledicência, à crítica deprimente do alheio, teve permanentemente ao seu lado amizades sinceras e definitivas. Recrutou como valorosos aliados na implantação da LBA-Amapá os doutores Hildemar Pimentel Maia, Odilardo Gonçalves da Silva, Salomão Moisés Levy, seu cunhado, doutora Abelinha Valdez, Maria de Lourdes Dacier Lobato, Alice de Araújo Jucá, Olga Montoril de Araújo, Irauta Carvão Levy e Lair do Couto Freitas. Instituiu com as cinco últimas a Campanha da “Boa Vontade” visando patrocinar o Natal da Criança Pobre.
( Foto: Reprodução de jornal / arquivo Nilson Montoril )
Fotografia de Dona Iracema Carvão Nunes estampada na primeira página do Jornal Amapá nº 70, edição de 20 de julho de 1946. No dia 23, seria feita a benção da campa onde ela foi sepultada. O povo do Amapá arcou com as despesas para preparação do mausoléu.
                    Diariamente, às 18 horas, Dona Iracema coordenava a distribuição de sopa às gestantes, parturientes e crianças pobres. Mas qualquer pessoa desprovida de meios para alimentar-se mais de uma vez por dia também era recebida com respeito e afeto. Isso acontecia na residência governamental, porque a bondosa senhora andava temerosa de que a saúde não lhe permitisse comparecer a lugares públicos. O Natal de 1944 foi marcado pela primeira grande promoção da LBA. Além das refeições próprias da época, as crianças receberam presentes. Em 1945, os trabalhos de assistência social coordenados pela primeira dama seriam ainda mais consagradores. Porém, às 20h30min do dia 23 de julho, uma segunda-feira, a morte iniciou suas manobras para arrebatá-la do convívio dos seus entes queridos e do povo amapaense. Naquela oportunidade ela e o governador completavam oito anos de casados, uma feliz união firmada perante as leis de Deus no dia 23 de julho de 1937. A jovem Iracema tinha então 24 anos de idade. Poucos meses antes de morrer, Dona Iracema precisou ir ao Rio de Janeiro a fim de buscar melhoras para seu estado de saúde. Retornou a Macapá depois de rigoroso tratamento e demonstrava muita disposição para cumprir seus compromissos. Entretanto, no dia 19 de julho de 1945, quinta-feira, a cardiopatia voltou a importuná-la, deixando-a de cama. Para cúmulo da má sorte, um acesso palúdico veio embaraçar o trabalho de seu dedicado médico, Dr. Cláudio Pastor Dacier Lobato. De Belém foi chamada às pressas a cardiologista Maria do Carmo Sarmento de Carvalho, que passou a lhe dar assistência médica. Às 21h30min do dia 23 de julho de 1945, um colapso que para alguns dos que a assistiam até passou despercebido, ceifou a vida da ilustre cidadã acreana. Ela viveu apenas 1 ano e 53 dias em solo macapaense. Dia 3 de outubro ela iria completar 32 anos de idade.
Dia 24 de julho de 1945. Cemitério Nossa Senhora da Conceição. O esquife de Dona Iracema estava coberto com a Bandeira Nacional e um soldado da Guarda Territorial executava o toque de silêncio. O Governador Janary Nunes usando seu uniforme militar segurava seu quepe com a mão direita junto ao quadril. A seu lado estava o Dr. Raul Montero Waldez, Secretário Geral do Território do Amapá. Os sacerdotes alemães Antônio Schulte (de branco) e Philippe Blanke ( de preto) já haviam realizado as orações de praxe. Próximo ao corneteiro, entre dois garotos, estava o Dr. Marcilio Felgueiras Viana. Diretores e Chefes de repartições públicas, funcionários e populares foram prestar suas últimas homenagens à Dona Iracema.
                    Seu corpo foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição sem pompa e sem luxo. O esquife, feito por marceneiros amapaenses, foi forrado de simples gorgorão preto, ornado com uma singelíssima cruz desenhada com nastro branco. O mausoléu que abriga seus restos mortais, edificado perto da Capela de Nossa Senhora da Conceição foi construído um ano depois com dinheiro proveniente de uma subscrição feita pelo povo do Amapá.
(*) Históriador e radialista do Amapá
(Post publicado originalmente no blog Arambaé - por Nilson Montoril de Araújo)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Antes e Depois: Prédio de Mazagão Velho

Casarão do século 18, mesmo adaptado, mantém a mesma arquitetura desde sua construção.
 
Compare os três momentos das fotos. A primeira foi clicada em 1966 e as duas, mais recentes,  45 anos depois .
( Foto do acervo do amigo Paulo Tarso Barros )
( Foto: Contribuição do amigo Aloisio Cantuária )
Esta casa, localizada em Mazagão Velho - uma das comunidades principais do município de Mazagão, no Estado do Amapá - pertence à família Ayres, e foi erguida na segunda metade dos anos 1700, constituindo-se hoje, num dos patrimônios históricos daquele município. Embora tenha recebido, ao longo dos anos, adaptações com algumas modificações em sua estrutura, sua caracterísca e sua arquitetura original, foram mantidas inalteradas.
(Repaginado em 15 de julho de 2011)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Antes e Depois: Avenida Mário Cruz

Av. Mario Cruz no início do Território Federal do Amapá.
(Foto de Carla Marinho / Google imagens)
Agora as marcas do progresso e da evolução urbana, modificam a paisagem. O "Antes" e o "Depois" dessa histórica avenida de Macapá.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Foto rara da Praça da Matriz

(Para melhor visualização, clique na foto)
(Contribuição do amigo Paulo Tarso Barros, via Facebook)
Esta foto rara datada de 1908, foi extraída do "Álbum do Estado do Pará", montado e impresso em Paris, por ordem do Dr. Augusto Montenegro, que governou o Pará de 1901 a 1909.
Resumo histórico: Augusto Montenegro era advogado, e como governador fez grandes feitos na história do Pará. Ele concluiu a estrada de ferro Belém-Bragança no dia 31/12/1901, regularizou as finanças, melhorou o serviço de águas, e ainda resolveu a secular pendência das terras do Amapá, ganhando dos franceses. Augusto Montenegro substituiu o governador Paes de Carvalho. Em sua homenagem, foi dada a uma rodovia o nome de Augusto Montenegro, que é uma das mais movimentadas de Belém, capital do Pará. (Fonte: Wikipédia)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Antes e Depois: Calçada da Beira Rio

(Foto: Reprodução / Acervo Fernando Canto )
( Foto extraída do blog Canto da Amazônia,  de Fernando Canto )
Antes a Calçada da Beira Rio era assim...dava pra ver a Fortaleza de Macapá, aos fundos.
( Foto: Reprodução / Acervo Dora Figueiredo )
( Foto de Dora Figueiredo, extraída do blog Visualizações do Amapá )
  ... e Agora recebeu os Quiosques do Complexo Beira Rio onde funcionam bares e restaurantes, na frente da cidade. Hoje, uma parte do forte foi encoberta pelos prédios.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ESPECIAL: SEU MANUEL, "O POPULAR PAU FURADO"

Por (*)Nilson Montoril
Seu Manuel é o primeiro à direita da foto. Na época ele usava apenas uma bengala. Os demais populares eram moradores de Mazagão que retornariam pra casa aproveitando uma carona na ubá "Caça Níquel", do comerciante Francisco Torquato de Araújo que já estava na proa da embarcação.
Moreno, corpo esguio e rosto marcado pelo sofrimento, assim era o seu Manuel, um deficiente físico que vivia da caridade pública na cidade de Macapá. Morava em um prédio que fora construído pelo governo do Território Federal do Amapá para abrigar o “Restaurante dos Operários” e servir de abrigo aos que vieram de outras plagas para trabalhar na construção de diversos prédios públicos e que viviam em alojamentos precariamente edificados. Os trabalhadores permaneciam naquele local pelo tempo necessário para construírem suas casas em lotes que a Divisão de Terras e Localização distribuía. O restaurante acabou sendo rotulado de Barracão dos Imigrantes, ficava na esquina da Rua São José com a Avenida Professora Cora Rola de Carvalho. Pelo centro dessa segunda via pública passava a tubulação do primeiro sistema de esgoto de Macapá. A área era tão alagada que foi preciso construir-se pequenos pilares para manter os tubos fora do lamaçal. No inicio seu Manuel usava apenas uma grossa bengala para sustentar a mudança de passo da perna esquerda. Depois se fez imprescindível trocar a bengala por uma muleta relativamente desgastada para poder se deslocar, haja vista que a atrofia da perna esquerda se agravara. Quase não falava e a dentição lhe era escassa. A despeito de ser deficiente físico, seu Manuel caminhava bastante. Seu ponto preferido para sentar-se e ver o tempo passar era a calçada da residência da senhora Sofia Mendes Coutinho, situada no canto da Avenida General Gurjão com a Rua São José. Ali ficava horas a fio observando tudo que se passava no centro histórico de Macapá. À tarde, quando a maré enchia por volta das 16 horas, seu Manuel deixava a calçada e rumava para o trapiche major Eliezer Levy. Com muito aprumo caminhava sobre a longa ponte até alcançar o ancoradouro frontal. Á época existia na cabeça do trapiche um abrigo coberto destinado a passageiros e cargas miúdas. Era o local onde seu Manuel ficava fitando as águas do Rio Amazonas e acompanhando a chegadas dos reboques a vela provenientes da região das ilhas do Pará, que traziam açaí, frutas e peixe. Tudo era vendido rapidamente aos costumeiros fregueses, principalmente às mulheres amassadeiras do nosso rico e gostoso “petróleo”. À conta da caridade dos caboclos seu Manuel sempre voltava para o barraco com alguns peixinhos frescos, suficientes para o preparo de um reanimante caldinho. Ele também podia ser encontrado sentado na calçada da Igreja de São José proseando com o amigo Ponciano ou sobre a panela da rede de esgoto da Avenida Cora de Carvalho. Todo mundo se admirava de o ver escalando aquele objeto alto sem pedir a ajuda de terceiros.
(Foto de Arquivo da Diocese de Macapá)
Esta foto é de 1949. Observe que a igreja está com pintura nova. Ela havia passado por uma reforma coordenada pelo Padre Mário Limonta. À esquerda da foto vemos a Casa Paroquial. Era na ponta da calçada, à direita do templo que o "Pau Furado"gostava de ficar sentado.
As crianças que tão bem conheciam seu Manuel não lhe faltavam com o respeito. Algumas evitavam passar perto daquele cidadão desvalido porque os próprios pais diziam que iriam chamar o “Pau Furado” caso os filhos não se comportassem direito. A mesma coisa falavam em relação ao senhor Benedito Lino do Carmo, o Congó. A molecada da Matriz até que tentava tirar um dedo de prosa com seu Manoel, mas ele falava meio embrulhado e somente as pessoas pacientes conseguiam entendê-lo. Se naquele tempo os políticos distribuíssem dentaduras, a pronúncia do “Pau Furado” seria melhor. Nunca consegui saber de que localidade veio seu Manoel. Algumas pessoas diziam que ele era proveniente da ilha do Marajó e teria contraído paralisia infantil. A origem do seu apelido e o complemento do nome de batismo jamais foram descobertas. Seu Manuel detestava ser apelidado. No tempo de manga ele fazia a festa. Primeiramente amassava bem a fruta. Depois, chupava a poupa, devorava a casca e fazia um malabarismo tremendo com o caroço dentro da boca. Ao ser jogado fora, o caroço estava branquinho da silva. Seu Manuel residiu no Barraco dos Operários até morrer, no final da década de 1960. O propósito do Governador Ivanhoé Gonçalves Martins em melhorar o aspecto urbano de Macapá mudou completamente o habitat do Pau Furado. O prédio que o abrigava encontrava se praticamente desativado e não servia mais refeições.Os alimentos necessários à subsistência de seu Manuel continuavam a ser dados por pessoas caridosas, entre elas a Alice Gorda que na época gerenciava um hotel. Foi a Alice Gorda, nossa eterna Rainha Moma, quem providenciou o sepultamento daquele homem que tanto sofreu até desencarnar do verbo.
(*) Professor e historiador amapaense
(Artigo publicado, originalmente, em 25 de junho de 2011  no blog Arambaé, do historiador Nilson Montoril.)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...