quinta-feira, 19 de abril de 2012

Do Fundo do Baú: O velho barração paroquial

Encontrei esta foto, raríssima,  em meio à inúmeras outras, que me foram doadas pela direção do Centro Educacional do Laguinho.
A imagem original estava inclinada (foto acima), e não havia sido identificada, anteriormente.
Entretanto, após acurada análise, nos permitiu identificar uma série de detalhes na imagem, que não nos deixam a menos dúvida do local. O mais próximo deles, é o telhado e a lateral direita do prédio da igreja Assembleia de Deus, que está bem evidente. Sua localização, até hoje, é na confluência da Av. Presidente Vargas com a Rua Tiradentes (antiga José Serafim), no centro de Macapá.
Detalhe Histórico: Nesse barracão paroquial foram exibidos - nos anos 50 e boa parte dos 60 – renomados filmes e seriados que agitavam, entusiasticamente, a garotada que participava das atividades catequéticas da igreja de São José. Funcionava como um chamariz, um verdadeiro atrativo para meninos e meninas em idade de  receber uma formação e uma educação religiosa. Os garotos e garotas envolvidos nas atividades da igreja, recebiam uma espécie de premiação, após frequentarem as aulas de catecismo ministradas sob a orientação dos padres do PIME. Aos domingos, no local, eram exibidos filmes, seriados e/ou peças teatrais. Entre outras peças, destacamos "O Cordão da Baratinha", "Cordão do Papagaio" e o Boi "Pai da Malhada". O responsável pela operação do projetor de 16 milímetros, era um jovem rapaz de nome Estandico, ajudante dos padres. Ele fazia de tudo. Para desenvolver a função, recebeu um treinamento do Sr. João Freire - o mesmo que também operou as máquinas do Cine Territorial, Cine Macapá e Cine João XXIII - para trabalhar com a pequena máquina de projeção. Entre os filmes mais conhecidos destacamos: Arqueiro Verde, Batman e Robin, O Gordo e o Magro, Durango Kid, Roy Rogers, Tarzan, Jim das Selvas, Zorro, Robin Hood e os de desenhos animados como Mickey Mouse e Pato Donald. Todos sentavam em bancos corridos. A sessão sempre era interrompida na metade para a troca do rolo de filme, já que só havia uma máquina de projeção. Enquanto esperava a segunda parte a garotada produzia uma barulheira ensurdecedora. O historiador Nilson Montoril conta que as meninas ficavam em áreas separadas dos garotos. Elas eram organizadas pelas jovens da congregação Filhas de Maria sob o comando do Pe. Lino Simonelly e eles eram comandados pelo Pe. Vitório, auxiliado pelo Chefe Humberto Santos e pelo Expedido Cunha Ferro - o 91. As idades dos frequentadores iam desde dos 7 aos 18 anos, entre Lobinhos, Escoteiros, Pioneiros, atletas do Juventus Esporte Clube, e membros da Juventude Operária Católica - JOC, e mais as meninas das Cruzadas.
O barracão funcionou até o surgimento do Cine João XXIII, em 1965, e acabou sendo o embrião do referido Cinema.
Havia um barracão semelhante, menor, para as mesmas finalidades, na paróquia Nossa Senhora da Conceição, bairro do Trem. Algum tempo depois os filmes passaram a ser projetados no Cine Paroquial. Após o fechamento deste, funcionou no local o Cine Veneza.
Quem tiver mais informações sobre esta época, pode nos escrever por e-mail – jolasil@gmail.com -  que iremos complementando, gradativamente, o texto. Se preferir pode deixar comentários.
(Atualidado em 21 de abril de 2012)

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