quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fortaleza de São José de Macapá: Nos tempos de abandono

A “vetusta” (velha) Fortaleza de São José - inaugurada em 19 de março de 1782 - é o segundo mais importante monumento histórico de Macapá. Vem depois da igreja Matriz de São José, inaugurada em 5 de março de 1761.
Visão geral da área da Fortaleza de Macapá, totalmente tomada pelo mato, e com clara evidência de abandono, com sério comprometimento da estrutura física dos prédios situados na área interna do forte. Em muitos deles, com o telhado totalmente destruido. Ao fundo da foto vemos um prédio com paredes altas e sem telhado que é a entrada principal do forte.
Do período colonial ao Brasil Império, a Fortaleza de São José de Macapá foi ocupada e utilizada por pelotões das respectivas guardas, portuguesa e Imperial, atendendo aos interesses estratégicos. Porém, com o advento da Proclamação da República em 1889, e a participação do Brasil na conjuntura Internacional da economia de mercado, a Fortaleza gradativamente perde sua função principal e entra num processo de total abandono, situação esta que permitiu o saque de vários objetos como artefatos de guerra, canhões, pedras e tijolos, etc.
Nesta foto, tirada (ao que parece de cima do faról) a partir do baluarte N.S. da Conceição, vemos a parte dos fundos da Fortaleza de Macapá, onde muitos anos mais tarde foi instalada a estrutura do Círculo Militar. Ao fundo, vemos parte do rio Amazonas e uma faixa de terra que seria hoje a avenida beira rio até a localidade do Araxá, às margens do Amazonas.
Foto do lado norte da Fortaleza de Macapá, mostra o aspecto de abandono do forte, às margens do Igarapé do Igapó (também chamado Fortaleza). Foto, (ao que parece)  também tirada do mesmo local das anteriores, presumivelmente, do alto do farol.
Muito embora, algumas vezes a Fortaleza estivera sujeita aos serviços de capina por ordem de intendentes do município de Macapá, mas o longo período de abandono estende-se até 1946, quando na Fortaleza se instalou o Comando da Guarda Territorial (policia ostensiva) órgão do recém criado Territorial Federal do Amapá (1943). E para tal efetivação, este Comando realizou grandes serviços, como a reposição dos telhados arruinados de quatro prédios e da Casa de Órgão; confecção em madeira, de janelas, portas e portões, reutilizando peças originais como dobradiças, ferrolhos e cravos, por ali encontrados sob os escombros; capina (interna e externa), além de retirada dos arbustos dentre as pedras das muralhas, assim como a eliminação de frondosas árvores crescidas nos Terraplenos cujas raízes impactaram os tetos abobadados das casamatas, provocando seríssimas; restaurações de vários pontos degradados, como a substituição de tijoleiras dos pisos, muretas e rampas de acesso; desobstrução dos mais aparentes Canais de Drenagem das Águas Pluviais; Confecção em madeira das carretas que servem de bases para os canhões. Sabendo que todo este trabalho não teve o devido acompanhamento técnico em restauração, mas é reconhecida a competência que tiveram em realizá-lo ao buscarem aproximação com a realidade original, representando desta forma, uma vertente do processo de restauração.
Nesta foto tirada a partir da terra firme, vemos, sob outro ângulo, o lado norte da Fortaleza onde passava o leito do Igarapé do Igapó. Nota-se o baluarte N. S. da Conceição, destacando também o faról, que foi instalado no início do século 20. 
Nas duas fotos acima vemos uma equipe de visitantes - a maioria com uniformes militares - efetuando inspeção nas áreas de entorno do forte, que estava há muito anos totalmente abandonado e totalmente tomado pelo mato alto, e com as instalações seriamente comprometidas, e  - as peças em madeiras - totalmente destruídas e demoronadas.
A ocupação e utilização desse Monumento Histórico pelo Governo do Território do Amapá, revitalizado e destacando sua importância e o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional - IPHAN, se interessa procedendo o Tombamento sob o Processo nº 423/T/50, inscrição nº 269 do livro de Tombo Histórico em 22 de março de 1950. 
Em 1979, a Delegacia do Serviço do Patrimônio da União - DSPU, concede a cessão da Fortaleza ao Governo do Território Federal do Amapá, através de um Termo de Entrega para fins de preservação, neste sentido são realizados alguns serviços emergênciais no monumento, mas sem o devido acompanhamento técnico em restauração. Destaca-se que o Termo de Entrega referido deveria ser ratificado em dois anos, o que não ocorreu. Mesmo assim, o Governo do Território continuou executando os serviços visando a preservação e a conservação do Patrimônio Histórico.
Texto de Hermano Araújo - Historiador
Fotos: Reproduções/Google images
Fonte: Informações históricas: site do Governo do Amapá

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

João Freire da Silva: primeiro Operador de Cinema no Amapá

(Foto: Reprodução de livro)
João Freire da Silva, nasceu em Belém, Estado do Pará, no dia 8 de outubro de 1929, filho de Franquilino Freire da Silva, funcionário público (falecido) e de D. Hildebranda de Araújo Salgado. Iniciou os estudos no Grupo Escolar da vila de Mosqueiro (PA). Acompanhou seu pai, já viúvo, quando se transferiu para o Amapá, chegando no dia 12 de setembro de 1944. Nos primeiros meses de 1945, seu pai entrou na Guarda Territorial e foi servir como Guarda Civil na Base Aérea do Amapá, matriculando seu filho na escola daquela localidade. Ainda em 1945, com a interferência de seu pai começou a trabalhar como auxiliar de balconista no Clube dos Oficiais da Marinha americana. Com o fim da guerra em 1945, e com o regresso dos norte-americanos para o seu país, perdeu o emprego e retomou aos estudos na escolinha dirigida pelo professor Alzir da Silva Maia e, ao terminar o primário, viajou para a cidade de Macapá, participando do Curso de Férias, promovida pelo governo. Em 18 de dezembro, chegou a Macapá com a finalidade de conseguir emprego. Depois de uma audiência com o Governador, capitão Janary Nunes, foi contratado na função de servente na Divisão de Educação, em 2 de janeiro de 1948, quando era dirigida pelo Dr. Marcílio Filgueiras Viana e secretariada pelo Sr. EmanueI Pinheiro. No final do mesmo ano passou a exercer a função de protocolista. Em 1950 através do Sr. Emanuel, foi removido para o Cine-Territorial que, naquela época era o ponto de encontro dos macapaenses. Aprendeu de tudo e realizava todas as tarefas, desde a limpeza do salão, a programação, o preparo dos filmes, a publicidade na Rádio Difusora de Macapá. Adorava o que fazia e esse trabalho durou 14 anos, quando o Governador José Francisco de Moura Cavalcante desativou o cinema, causando a indignação dos frequentadores. João Freire chorou decepcionado e viveu, durante muito tempo, triste, executando a função de datilógrafo na seção de folhas de pagamento. O sistema, na época, pedia 3 tipos de folhas diferentes. Era um serviço que não tinha fim. Terminavam de datilografar o mês findo começava o outro. A folha continha descontos de adiantamentos de compras em casa de comércio e até de jogos de futebol, feitas no mês anterior. Em 1972 foi removido para o Serviço de Administração Geral, no setor de pessoal, João Feire terminou no ano de 1978, o curso no Instituto de Educação e no Colégio Comercial do Amapá, diplomando-se em Contabilidade. Nesse mesmo ano foi designado para exercer a função gratificada de Chefe da Seção de Cadastro e Registros Funcionais, permanecendo até a sua aposentadoria. João Freire casou-se com D. Alencarinha Alencar da Silva no dia 8 de outubro de 1981 e nasceram os filhos Elizabeth (falecida), Cléia, Vera Lúcia, Sônia Edna, TeIma, Elza, Maria de Nazaré, Maria Áurea, Terezinha de Jesus, Margarete e ÂngeIa. Fez parte do grupo de Escoteiros, dirigido pelo tenente Glycério de Souza Marques; tentou organizar um time de futebol, comprou camisas, elegeu a Diretoria, mas não deu certo. Não era bom de bola. Sua presença na galeria dos personagens ilustres do Amapá se deve ao seu pioneirismo no Cine Territorial e nas funções que desenvolveu para o bem-estar de sua família e dos amapaenses. Sr. João  Freire da Silva, hoje aposentado, com 82 anos, reside com a família em Macapá.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá Vol. II", de Coaracy Barbosa - 1998

sábado, 3 de setembro de 2011

O Pioneiro Antônio Cordeiro Pontes

(Reprodução de livro)
Antônio Cordeiro Pontes - Oriundo da tradicional família Pontes, no município do Amapá, nasceu no dia 21 de março de 1937, filho de Francisco Benício Pontes e D. Joana Cardoso Pontes, pecuaristas assentados na região dos Lagos. Muito inteligente, se dedicou aos estudos e, aos 19 anos, ingressou no serviço público, no quadro de diarista em 1º de março de 1956, exercendo a função de professor. Assumiu a chefia de Coordenação da Divisão de Educação no período de 7 a 15 de março de 1964; diretor da Escola Getúlio Vargas em 12 de junho de 1969; diretor do Ginásio Municipal de Santana em 2 de fevereiro de 1967. Pontes, além de professor, transformou-se em líder estudantil, conquistando a liderança jovem, pelos seus posicionamentos nos grêmios e foi neste diapasão que convenceram o jovem estudante e professor a ingressar na política partidária e se candidatar às eleições de Deputado Federal, em oposição ao Deputado Janary Gentil Nunes que pretendia a reeleição. O grande líder foi fragorosamente derrotado pelo jovem Pontes, contrariando todos os prognósticos, destruindo todos os sonhos dos janaristas. Após a posse de Pontes é que fomos descobrir que os pioneiros não eram a maioria dos eleitores; que a juventude tinha adquirido a sua individualidade, desgarrando-se do paternalismo. Os pioneiros choraram a derrota, mas reconheceram que o tempo tinha passado. Antônio Pontes casou-se com D. Benedita Raimunda de Mira Pontes e nasceram os filhos: Valério, Luiz Gustavo, Ana e Rodrigo. Foi reeleito Deputado Federal em 1974, 1978 e 1986. Ao deixar a Câmara, foi colocado à disposição do Ministério da Justiça. Dedicou-se a missão de evangelizar, revelando-se um grande e convincente, destacando-se com sua oratória. Antônio Pontes faleceu em Brasília, no dia 26 de abril de 2001.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá Vol. III", de Coaracy Barbosa - não impresso.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Pioneiro Benedito Malcher

(Foto: Reprodução de livro)
O Pioneiro Benedito Malcher nasceu no dia 14 de março de 1917, em Belém. Filho de Raimundo Malcher e D. Margarida Malcher. Estudou e formou-se em Contabilidade. Foi para o Amapá e ingressou no quadro de funcionários do governo no dia 13 de março de 1944, exercendo funções no Serviço de Administração Geral – SAG. Sua habilidade no manejo dos números o credenciou para o setor de prestações de contas das Prefeituras e do governo, bem como no planejamento das ações governamentais. Exerceu os cargos de Datilógrafo, Escriturário e Oficial Administrativo. Aposentou-se no dia 13 de março de 1976, quando retornou para Belém com sua família. Casou-se com D. Cacilda da Silva Malcher e teve os filhos: Alberto, Jorge Carlos e Rosilma das Graças. Foi um dos fundadores do Trem Desportivo Clube de Macapá, onde destacou-se como desportista e teve uma atuação impecável na vida social, política e profissional, recebendo dezenas de elogios. Foi um dos personagens importantes do Amapá.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá Vol. III", de Coaracy Barbosa - não impresso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Pioneiro: Jaime Pires Pavão

(Foto: Reprodução de livro)
Jaime Pires Pavão, nasceu no município de Cururupú, estado do Maranhão, no dia 30 de agosto de 1932, filho do professor Aclais Rabelo Pavão e de D. Marcelina Pires Pavão. Passou parte de sua infância no lugar onde nasceu e com oito anos de idade foi levado para residir em Belém do Pará onde prosseguiu seus estudos. Estudou o primeiro grau no Grupo Escolar Floriano Peixoto, concluindo em 1949. Iniciou o curso de contabilidade em 1950 na Fênix Caxeiral Paraense, mas concluiu o último ano na Escola Técnica do Comércio do Amapá em 1957. Ainda em Belém, trabalhou no Consulado Britânico desde 1952 e estudava inglês no Consulado Americano, na época o vice-consul Britânico Mr. Kenneth McCrae, tesoureiro da ICOMI em Belém que o convidou para trabalhar em Macapá nessa empresa. Foi para Macapá em 1956 para assumir seu novo emprego na ICOMI, onde exerceu a função de auxiliar de contabilidade no setor contábil da empresa e mais tarde como auxiliar técnico com os americanos, Johnston, Jim Lofley e Donaldson. Na sua ida para Macapá, levou uma autorização da Delegacia Federal de Educação para lecionar Inglês em colégios do Governo. Em 1969 recebeu certificado fornecido pela Universidade Federal do Pará. Macapá era uma cidade pequena, pacata, sem nenhuma atração. A monotonia forçava sua volta para Belém. Muitas vezes ficava a olhar o pequeno aeroporto da avenida FAB, com vontade de voltar, mas ao mesmo tempo esperançoso de adaptar-se a nova vida que iniciara. No dia 31 de dezembro de 1956, num baile de reveillon na sede do Amapá Clube, conheceu Terezinha da Cruz Pimentel, a qual tornou-se sua esposa em 27 de dezembro de 1958 e teve quatro filhos, Cacilda Lúcia, Antônio Jaime, Antônio Cláudio e Antônio Carlos. Conheceu várias famílias em Macapá, crescendo assim seu círculo de amizade, principalmente a família Pimentel, e as demais: Cavalcante, Picanço, Negrão, Holanda, Guedes, Cruz e muitas outras. Lecionou Inglês na Escola Técnica do Comércio e em 1963 voltou a Belém para prestar vestibular em Direito, mas já casado e com dois filhos pequenos, retornou assim para Macapá e assumiu a representação local da multinacional MOORE-MC CORMAK (Nav.) S/A onde permaneceu até o término das atividades da empresa em 1984. Mesmo trabalhando para a empresa, paralelamente, lecionava Inglês nas escolas do governo, CCA, GM, Tiradentes, Azevedo Costa. Foi aposentado em 1991 pelo magistério, mas continuou atividades na SENAVA como chefe de gabinete e chefe de direção de Serviços Gerais. Com a unificação da SENAVA, DER e DETRAER, exerceu funções de chefe de contratos e convênios, chefe de NSP e gerente do Projeto Hidroviário do Porto de Santana. Participou de várias reuniões e seminários em Macapá, Belém e Rio de Janeiro. Jaime Pavão faleceu em 01 de dezembro de 2010, e seu corpo descansa em Paz, no jazigo da família, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Macapá.
Fonte: Livro"Personagens Ilustres do Amapá Vol. III", de Coaracy Barbosa - não impresso.
(Post atualizado em 29/05/2018)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Saudades de Cirilo Picanço, Seu Nascimento e sua esposa Dona Mercedes

Registramos com pesar o falecimento de dois conhecidos motoristas de praça de Macapá: Cirilo Picanço e Seu Nascimento. Ambos faleceram na sexta-feira(26), em Macapá.

No segunda-feira(29), quando o amigo João Bolero Neto nos passava detalhes (via telefone), da morte do ex-prefeito Heitor de Azevedo Picanço, também nos informara da morte de dois  Motoristas de Praça conhecidos na cidade: os amigos Cirilo Picanço (um dos mais antigos de Macapá) e o Seu Raimundo Clementino do Nascimento.
(Foto: Reprodução / acervo pessoal de Cléo Farias de Araújo)
(Foto: Gentil contribuição do amigo Cléo Farias de Araújo)
Do Cirilo, não temos informações sobre a vida dele. Mas, graças ao amigo Cléo Farias de Araújo, reproduzimos o registro fotográfico acima, que é uma recente imagem do amigo Cirilo, em vida. Lembramos da atuação de Cirilo - uma vida inteira - como motorista de praça que, antigamente, era chamado de Chofer de Praça. Era uma pessoa alegre, íntegro, de um grande coração e muita competência profissional.
Seu Nascimento, que além de motorista de praça, foi o proprietário dos Sonoros Caçula, no tempo em que essas aparelhagens faziam muito sucesso em Macapá. Nessa época -  anos 60 - as festas da população amapaense, eram animadas pelas seguintes aparelhagens: Sonoros Eletrônico do saudoso Lindomar, Sonoros Marítimo dos saudoso Praxedes, Sonoros Imperial do saudoso Ildomar Nunes e os Sonoros Caçula, do seu Nascimento.
Seu Nascimento era pai do amigo Deuzué Nascimento (também falecido) com quem trabalhamos durante longos anos, já que ele era um dos operadores de áudio da Rádio Difusora de Macapá. Seu Nascimento, que já estava com sua saúde debilitada, devido o diabetes, faleceu com falência múltiplas de órgãos.
Do Seu Nascimento temos esta foto do álbum de família, que encontramos no blog Memorial Poço do Mato da amiga Neca Machado, do qual reproduzimos esta cópia para lembrar e homenagear os ilustres pioneiros.
(Foto: Reprodução do blog Memorial Poço do Mato)
Neste registro fotográfico vemos Dona Mercedes(esposa) – falecida em 17/01/2011 - e Seu Raimundo Clementino do Nascimento.
As nossas condolências às famílias, pelo passamento de seus entes queridos.
-----------------------------------------------------------------------------------------
Se você souber alguma informação sobre a vida do amigo Cirilo Picanço, que queira compartilhar, entre em contato conosco via e-mail jolasil@gmail.com ou pelos fones: TIM (12) 8152-3757 ou CLARO (12) 9220-5236. Aliás, tanto do Cirilo como de Seu Nascimento.
Ou se preferir, pode deixar registrado nos comentários, abaixo.
(Post atualizado em 01/19/2011, às 21h03m)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

HERNANI GUEDES E SEUS MOCAMBOS

“Os Mocambos” foram pioneiros na divulgação do folclore amapaense, graças à visão do seu Hernani Victor Guedes(foto), que não mediu esforços para realizar o disco, apesar dos percalços desde a gravação (feita de forma simultânea com todos os instrumentos e vozes, na casa do sociólogo e fotógrafo Alberto Uchôa) até a chegada no Recife, onde a fita foi filtrada pela gravadora Rozenblitz, depois de ficar perdida. Bom, depois de achada o disco chegou a Macapá e obteve muito sucesso nas rádios, aparelhagens de som e nos bailes. Suas músicas, que tocavam até no “Carnê Social” (aquele programa que oferecia músicas aos aniversariantes e recém-nascidos, aos que casavam ou aos que eram batizados),...(Fernando Canto)
Um dos sucessos do disco foi “Devaneio”, de autoria do Sociólogo Fernando Canto, que também foi premiada em segundo lugar e melhor Intérprete (José Maria Santos, hoje Jomasan) no IV Festival Amapaense da Canção (1972).
Ouça aqui:
O grupo “Os Mocambos”, pioneiro nos anos 1970 na gravação do marabaixo, ritmo tradicional afro-amapaense que até então não era muito bem visto pela sociedade.
(Foto: Reprodução/blog Som do Norte)
A foto mostra o grupo no baluarte de Nossa Senhora da Conceição da Fortaleza de São José de Macapá, em 1973.
Da esquerda para a direita: Hernani Guedes (violinista),
Guimarães (saxofonista, tecladista, arranjador),
Fernando Canto (guitarra base e vocal),
Aldomário Henriques (guitarra solo e vocal),
Zé Maria Teles (contrabaixo), Tito (Cícero) Melo (voz)
e Pedro Balieiro (bateria)
Ernani Victor Guedes – idealizador do grupo musical - é natural de Cametá, Pará e farmacêutico de profissão.
Hernani chegou ao Amapá em 1950, aos 26 anos, para trabalhar no Hospital Geral de Macapá, levando consigo seu inseparável violino. Antes disso, já tinha conhecido o marabaixo, em viagens que fizera ao então Território Federal do Amapá desde 1946.
(Foto: Reprodução/acervo Cícero Melo)
(Foto: Contribuição do músico Cicero Melo (Tito), ex-integrande dos Mocambos)
Da esquerda para direita: Hernani Guedes, Tito Melo, Aldomário Henriques, José Maria, Pedro Balieiro, Fernando Canto e Guimarães (falecido).
Os Mocambos”, foi formado por volta de 1963. Em 1968 ocorreu a ideia de levar o marabaixo ao disco; o grupo concordou em gravar um LP com 6 músicas autorais e 6 marabaixos. Numa ida a Belém, Hernani combinou a gravação com seu amigo, o fotógrafo Alberto de Andrade Uchôa, que tinha um gravador de teclas com microfone. Uchôa se interessou, ficando de levar o equipamento de gravação para Macapá e depois entregar o  material registrado à  gravadora Rozemblit, em Recife. Deu-se então a gravação das 12 músicas, numa sala improvisada como estúdio, na residência de Uchôa, na Av. Pe. Julio Maria Lombaerd, e em um tempo recorde de quatro horas, das 22h às 2h. Como às 4h Uchôa já pegava o voo para Pernambuco, o grupo gravou e não pôde ouvir o resultado em seguida.
Aliás, demorou para ouvir! Em julho se soube em Macapá que a fita cassete que Uchôa levara havia sido roubada da pousada onde ele se hospedara no Recife. Coincidiu que Hernani soube da notícia quando recebia a visita de Livaldo, dono de laboratório farmacêutico da capital pernambucana, que se comprometeu a localizar o material. Botou um detetive atrás da fita, enfim localizada num sebo recifense em setembro!
Livaldo providenciou a entrega do material à Rozenblit e passados mais oito meses o LP Marabaixo chegava a Macapá "para alegria de de todos os componentes do grupo Os Mocambos, familiares e a comunidade negra", relembra Hernani.
(Foto: Reprodução da capa/acervo particular) 
Capa original (by Carlos Nilson Costa) do disco do Conjunto "Os Mocambos"

Composições do disco
Folclore de domínio público:
1 - Rosa Branca açucena
Ouça:
2 - Olô Olô
Ouça:
3 - Lírio Roxo
Ouça:
4 - Aonde tu vais rapaz
Ouça:
5 - Vem pra cá Yoyô, Vem pra cá Yayá
Ouça:
6 - Eu tinha mamãe, eu tinha
Ouça:
Composições do Grupo:
7 - Devaneio (Fernando Canto)
Ouça:
8 - Tema de Viver (Aldomário e Fernando)
Ouça:
9 - Brasul? Branorte (José Maria Santos - JOMASAN)
Ouça:
10 - Declaração (Hernani Victor Guedes)
Ouça:
11 - Elizabete (Tito e Fernando Canto)
Ouça:
12 - Amor que sonhei (Hernani Victor Guedes)
Ouça:
Músicos participantes do disco: Bateria:  José Maria Santos, Contrabaixo: Eulálio Lucien, Guitarra solo: Aldomário Henrique,Guitarra base: Fernando Canto, Violino: Hernani Victor Guedes, Órgão: Raimundinho, Crooner: Cícero (Tito) Melo, Cantores: Aldomário - Fernando - José Maria e Cícero (Tito), Sax tenor: Ismael, Bongô: Martinho Ramos, Vocal, afuxê: Elizabete Ramos, Fláuta: Cícero (Tito), Banjo: Venilton Leal
O lançamento foi feito no bairro do Laguinho, onde Hernani conhecera o marabaixo ainda nos anos 40 na casa de mestre Julião. A prova do acerto da ousadia não tardou: a diretoria do Círculo Militar, "na época clube fino, da alta sociedade local", convidou “Os Mocambos” para lançar o disco num baile do clube. Era um respaldo considerável: "Desse dia em diante o chique era dançar o marabaixo nas festas onde Os Mocambos tocavam."
Hernani Victor Guedes foi o primeiro músico a gravar um LP, mostrando não somente as composições dos componentes do grupo, mas o primeiro a divulgar a raiz do folclore amapaense, o Marabaixo. Possui músicas gravadas em CD’s de coletâneas comemorativas ao aniversário de Macapá, participou de vários festivais de música. Em destaque para o I Festival da Canção Amapaense (1971), onde obteve o 2º Lugar e venceu o prêmio de música mais popular, com a canção “Declaração”.
Ouça aqui:
(Foto: Reprodução/blog Memorial Poço do Mato)
(Foto gentilmente cedida pela amiga Neca Machado (tem direitos autorias reservados)
Hernani Victor, foi integrante como primeiro violino da Orquestra Primavera, tendo se apresentado no Teatro Nacional do Distrito Federal/Brasília, no Teatro das Docas do Pará e na Inauguração do Teatro Pinheiros – SESC Pinheiros em São Paulo. Realizava apresentações em shows institucionais e particulares como: Feira Agropecuária, Macapá Verão, feiras culturais em escolas públicas, Teatro das Bacabeiras, Convenções do Rotary Internacional, festas de casamentos, aniversários e outros eventos.
Suas apresentações eram marcadas pela irreverência das melodias apaixonadamente envolventes, que vibravan no bailar do arco nas cordas do seu violino mágico, mostrando nos seus shows um estilo próprio e único desse artista erudito para tocar a música brasileiramente Amapaense.( Kiara Guedes – filha de Hernani)

(Atualização em 1/08/2022)

Morre, aos 87 anos, o ex-prefeito de Macapá: Heitor de Azevedo Picanço

Faleceu nas primeiras horas da tarde desta segunda-feira(29), em sua residência em Macapá, o pioneiro e ex-prefeito da capital do Amapá, Heitor de Azevedo Picanço. O corpo do ilustre pioneiro está sendo velado na Capela Santa Rita e deverá ser sepultado na manhã da terça-feira(30), no Cemitério N. Sª. da Conceição, que fica às proximidades. As nossas condolências à família enlutada. (Fonte: repórter João Bolero Neto - via telefone)
(Reprodução)
Heitor de Azevedo Picanço nasceu na localidade de São Sebastião do rio Pedreira, Município de Macapá, no dia 6 de janeiro de 1924, primogênito do casal João Batista de Azevedo Picanço e de Maria Claudina Picanço. Iniciou seus estudos no antigo Grupo Escolar de Macapá, onde concluiu os preparativos para prestar exames de admissão ao curso ginasial no Colégio Salesiano Nossa Senhora do Carmo, na cidade de Belém, concluindo no ano de 1942; ingressou na Escola Técnica de Comércio do Amapá, por onde se graduou Técnico em Contabilidade.
Ingressou na vida pública ao ser nomeado Auxiliar de Tesoureiro do ex-Território do Amapá, por indicação de seu pai. Casou-se com a jovem Helenita Gomes de Souza no dia 13 de maio de 1948, com quem teve os filhos Heleni, João Batista, Heiliana, Roberval, Herbert, Francisca, Helder e Hildemar. Heitor exerceu, na conjuntura administrativa do Território do Amapá, o cargo de Tesoureiro, substituindo seu pai ao se aposentar; Prefeito de Macapá por duas vezes – de Agosto de 1951 a novembro de 1952 e de Janeiro de 1957 a março de 1961; Diretor Financeiro da Companhia de Água e Esgoto do Amapá-CAESA; Chefe de Gabinete da Secretária de Saúde; Membro do Conselho Deliberativo da Companhia de Eletricidade do Amapá-CEA; exerceu o mandato de Prefeito pró tempore de Santana. Além dos cargos que exerceu, Heitor deu aulas na Escola Técnica de Comércio nas matérias de Análise de Balanço e Contabilidade Pública; membro do Conselho Deliberativo do Esporte Clube Macapá e do Amapá Clube; político ligado ao antigo PSD, esteve sempre liderando grupos e elegendo amigos.
Fonte: Livro Personagens Ilustres do Amapá - de Coaracy Barbosa Vol 1 - 1997.
(Atualizado às 09h18m)

sábado, 27 de agosto de 2011

Reunião festiva com muitos pioneiros

(Foto: Reprodução/acervo Amiraldo Bezerra)
Esta foto nos foi compartilhada pelo amigo Amiraldo Bezerra.
A data do evento é desconhecida mas, acreditamos ser dos anos 50.
As imagens nos revelam um instante festivo, de Pioneiros do Amapá, em volta de uma mesa repleta de bebidas. Na cabeceira da mesa,  (na direção da porta aos fundos da imagem) o primeiro governador do Amapá - Janary Nunes. Do lado esquerdo da foto, o 3º participante é o Sr. Belarmino Paraense de Barros; ao fundo (entre ele e o governador) sem gravata, está o Sr. Acésio Guedes; do outro lado um dos auxiliares do Governador. O sr. idoso (de cabelo branco e apoiado na mesa) é o Sr. João Batista de Azevedo Picanço (Tio Joãozinho).
Se alguém souber alguma informação sobre local, data e o que está sendo comemorado, por favor nos informe via e-mail - jolasil@gmail.com - ou deixe um comentário sobre o assunto.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Conjunto "The Brazilian Bitles" se apresentou em Macapá

(Reprodução/Revista Icomi Notícias)
Foto de 1966 - No detalhe os 5 membros do grupo musical brasileiro The Brazilian Bitles, em apresentação nos salões de festas da Piscina Territorial para uma seleta plateia, em evento patrocinado pelo Country Club Equatorial.
O renomado conjunto fez uma apresentação para o público no Estádio Municipal Glycério de Souza Marques. O flagrante mostra na mesa (de lado, à direita da foto), a bibliotecária Dea Rola Soáres filha do Sr. João Soares, um dos Pioneiros de Macapá.

BAIXE AS MÚSICAS DOS BRAZILIAN BITLES EM SEU PC PARA MATAR SAUDADES
Clique nos links abaixo

The Brazilian Bitles - Esperando você.mp3
The Brazilian Bitles - Vem meu amor.mp3
The Brazilian Bitles - Louco de amor.mp3

The Brazilian Bitles - Não tem Jeito  -    Ouça
The Brazilian Bitles - Esperando Você - Ouça
The Brazilian Bitles - Vem meu Amor - Ouça: 
The Brazilian Bitles - Louco de Amor - Ouça

(Repaginado em agosto de 2011)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O lago que virou favela

(Reprodução)
Antigamente quando se passava pela Rua São José entre a Rua Mãe Luzia e José Antônio Siqueira, em Macapá, se apreciava essas imagens, num lago de águas paradas.  Depois o local foi invadido e transformado numa favela.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Festa de aniversário

( Foto: Reprodução / acervo Família Zagury )
( Foto: Contribuição da amiga Sarah Zagury )
A foto é de 1962 – Festa dos 13 anos da amiga Sarah Zagury. Ela com amiguinhos de sua época.
A partir da esquerda: Os dois garotos são filhos do Sr. Heitor Picanço, o mais alto é o Roberval (Badú) Picanço, ao lado dele a menina é a Josie Mengai (irmã do Fernando Remedios); as demais do lado dela, lembro das feições mas não os nomes; a jovem no centro da foto de travessa branca no cabelo é a Sarah (aniversariante). Na cadeira de rodas a Lurdinha, amiga da Sarah. A jovem de cabelinho curto, blusa sem manga, com as mãos em frente ao corpo, (salvo engano) estou achando parecida com a filha do Capitão Luiz Ribeiro de Almeida parece que o nome dela é Vânia (a confirmar); A 3ª menina à direita da foto (de vestido branco) é a Marilanda (filha do Dr. Orlando Sabóia). As crianças não deu pra reconhecer ninguém. Quem conhecer alguma delas pode escrever nos comentários que completaremos a legenda.  Ao fundo o barracão da fábrica do Flip Guaraná, com janelas fechadas.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Funcionários pioneiros

(Foto: Reprodução / acervo família Amoras dos Santos)
( Clique na foto para ampliá-la )
( Foto compartilhada pelo amigo Heraldo Amoras - via e-mail )
Nesta foto, presumivelmente, tirada entre os anos de 1958 e 1960, vemos funcionários da antiga SUSNAVA - Superintendência de Navegação do Território Federal do Amapá.
Segundo o historiador Nilson Montoril, o órgão onde o pessoal da fotografia trabalhava era, na verdade, o Serviço de Transporte do Território do Amapá- SERTTA Navegação. O Sertta coordenava o Sertta Rodoviário e o Sertta Navegação. Seu Alceu Ramos era o superintendente.
Em pé, da esq. para dir. (ao fundo) : (?) – 2º (?) – 3º sr. Benedito Santos (Chefe Bené - escoteiro - já falecido) – 4º Idemburgo Almeida ;5º sr. Guedes.
Em pé, da esq. para dir. (frente): 1º (de óculos escuros)sr. Marcos Farias dos Santos (pai do Heraldo); 2º sr. Fukuoka; 3º (atrás) sr. Humnur Franklin Távora; 4ª sra Edite Penafort; 5º(atrás)(?); 6º sr Alceu Paulo Ramos, (ex-superintendente da SUSNAVA); 7º sr. Coutinho; 8º (camisa branca) Haroldo Pinto Pereira; 9º (atrás do Haroldo) (?); 10º, (relógio no pulso), sr. José Maria Franco (irmão do jornalista Haroldo Franco).
(Quem conhecer os demais pode nos ajudar a identificá-los, através da caixinha de comentários ou nos informar pelo e-mail jolasil@gmail.com,  para completarmos a legenda.)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Antigos alunos do Colégio Amapaense

( Foto: Reprodução / Acervo Família Amoras )
 ( Clique na foto para observar melhor )
O próprio Heraldo, descreve os que aparecem na foto: em pé nos fundos, da esq para dir: 1º (? de calça branca) – 2º (?) – 3º (?) – 4º (?) – 5º ,com bigode, é meu pai Marcos Farias dos Santos – 6º é o Edésio – 7º (?) – 8º (?) – 9º (?) – 10º (último à direita, de braços cruzados) Humberto Cruz; As duas moças abaixadas, no centro são: Isabel Conceição de Alencar e Maria de Jesus Conceição Alcantara.
(Quem conhecer algum dos demais, pode ajudar nos comentários ou enviando os nomes para o e-mail  jolasil@gmail.com ).
Esta foto rara, tirada nos anos 50, nos foi compartilhada, via e-mail,  pelo amigo Heraldo Amoras, filho da querida professora Maria Helena Amoras dos Santos - uma das pioneiras do magistério amapaense - e do também pioneiro, Marcos Farias dos Santos.
No registro fotográfico alunos e alunas do Colegio Amapaense - do 2ºsemestre de 1952, postados em frente ao prédio do então Grupo Escolar Barão do Rio Branco, que serviu de sede inicial do referido estabelecimento, conforme o resumo histórico abaixo:
Síntese histórica - O Colégio Amapaense foi criado pelo primeiro governador do Amapá Janary Gentil Nunes, através do Decreto territorial nº 49, de 25 de janeiro de 1947. Recebeu inicialmente o nome de Ginásio Amapaense. Iniciou suas atividades em abril do mesmo ano, de forma condicional, até agosto, quando foi autorizado para funcionar pela Seccional do Ensino Secundário do então Ministério de Educação e Saúde, sediada em Belém (Pará), pela Portaria nº 367/47.
A matrícula inicial foi restrita à 1ª e 2ª séries ginasiais, tendo como sede o Grupo Escolar Barão do Rio Branco (Grupo Escolar de Macapá) em caráter temporário até a conclusão de seu prédio (primeiro bloco).
Em 12 de julho de 1950, o Ministério da Educação e Saúde expediu a Portaria nº 244, concedendo equiparação do Ginásio Amapaense, reconhecendo o ensino ministrado com validade para todo o país.
Em 25.01.1952, pelo decreto governamental nº 125/1952, o Ginásio Amapaense passou a se chamar Colégio Amapaense, recebendo alunos do antigo Curso Científico, que passou a receber a nomenclatura de Curso Colegial, correspondente atualmente ao Ensino Médio, funcionando em três turnos.
Em 13 de junho de 1952 passou a funcionar definitivamente em seu prédio próprio, na Av. Iracema Carvão Nunes com a Rua General Rondon, com apenas 9 salas de aula. (Texto: Edgar Rodrigues) Fonte: Governo do Amapá

domingo, 14 de agosto de 2011

Morre em Macapá, aos 93 anos, o Comandante Annibal Barcellos

(Foto: Reprodução / Google imagens)
Vítima de insuficiência respiratória, morreu às 3 horas da manha do domingo(14), aos 93 anos, em sua residência em Macapá, capital do Amapá, o Comandante Annibal Barcellos.
Seu corpo foi velado por dois dias – domingo e segunda feira - no prédio da Assembleia Legislativa do Amapá, na Av. Fab com a rua Leopoldo Machado, no centro da cidade. Seu sepultamento aconteceu por volta das 12 h da terça-feira(16), no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Macapá.
Annibal Barcellos era natural do Campos dos Goytacazes (um município localizado ao norte do estado do Rio de Janeiro), onde nasceu em 10 de julho de 1918,  filho de Manoel Barcellos Filho e Dona Minervina Barcellos. Casou-se com Dona Maria Cerqueira Barcellos com quem teve dois filhos. Oficial da Marinha, formado pela Escola Naval em 1939, sempre teve participação ativa na vida pública militar, civil e política. Sua passagem pela Marinha foi pontuada por altos cargos de comando, tendo inclusive participado como Membro da Comissão que visitou os Estados Unidos da América do Norte a fim de observar os métodos usados no Comando de Adestramento da Marinha Americana. Obteve várias condecorações, como a Medalha Militar com passadeira de Ouro, por contar mais de 30 anos de bons serviços; medalha do Mérito Tamandaré (Ministério da Marinha); Medalha do Ypiranga (Governo do Estado de São Paulo); Comenda da Grande Cruz da Ordem de Malta, por apoio ao tratamento da Hanseníase, além de inúmeros elogios pelo seu desempenho em várias funções. Foi transferido para a reserva remunerada em 29 de abril de 1969, no posto de Capitão-do-Mar-e-Guerra contando 40 anos e 6 meses de efetivos serviços. Na vida civil foi diretor de vários órgãos,  entre os quais, da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro e membro do Conselho da Administração da ELETROBRAS. Figura extremamente carismática, quando designado para Governador do então Território Federal do Amapá, pelo Presidente da República João Figueiredo, em março de 1979, conquistou a confiança do povo amapaense ao desenvolver várias projetos no campo da agropecuária, eletrificação rural e urbana, educação, transporte, obras civis e de saneamento, tendo deixado o Território com toda a infraestrutura básica necessária à sua transformação em Estado. Confirmado no Cargo pelo Presidente Sarney, continuou ainda Governador por 4 meses na Nova República e, no ano seguinte (1986), foi eleito Deputado Federal Constituinte-(PFL) pelo Território Federal do Amapá, tendo sido o mais votado dentre todos os candidatos e desenvolveu importantes projetos para o Território. Em 1990 elege-se Governador do já Estado do Amapá, para o mandato 1991/1994 com 63,70% dos votos. Após o mandato afasta-se do Estado para tornar-se Membro do Conselho de  Administração da ELETROBRAS, mas a vocação politica fala mais alto e, em 1996, candidata-se a Prefeito pelo Município de Macapá, Capital do Estado que Já governara. Elege-se para o mandato 1997/2000 e toma posse em 1º de janeiro de 1997. Tentou a reeleição, mas ficou em terceiro lugar. Em 2004 foi eleito vereador em Macapá. Ao fim do mandato em 2008, encerrou sua carreira política. Ultimamente, vinha desenvolvendo as funções de Conselheiro da Prefeitura Municipal de Macapá.
Consta do seu extenso currículo a publicação de vários livros: "ANNIBAL BARCELLOS RUMO CERTO", "PRIMEIRO PASSO DA SEGUNDA CAMINHADA", "AMAPÁ AGORA", “30 ANOS DE DEDICAÇÃO AO AMAPÁ“.
(Biografia extraída do Livro Personagens Ilustres do Amapá, Vol.I, de Coaracy Sobreira Barbosa - 1997).
Fontes: Repórteres Aníbal Sérgio (RDM)  e João Bolero Neto, de Macapá( por telefone ).
O governador do Amapá decretou luto oficial de 7 (sete) dias e o prefeito de Macapá por 3 (três), pelo falecimento do ex-governador do estado e ex-prefeito do município.
 (Última atualização em 16/08/2011, às 21h27m)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Derrubada dos velhos prédios da Macapá antiga

( Foto: Reprodução de jornal )
( Foto extraída do album Facebook do escritor Paulo Tarso Barros )
Esta foto, extraída dum recorte do Jornal Amapá, registra os serviços de demolição de um trecho da Rua São José – entre as praças Veiga Cabral e Barão do Rio Branco - no começo dos anos 70, durante o governo do General Ivanhoé Gonçalves Martins. Ivanhoé Martins governou o Amapá de 10 de abril de 1967 a 06 de outubro de 1972.
Nestas imagens dos anos 50, vemos como era o trecho no começo do Território. Bem no cruzamento da Av. Presidente Vargas com a rua São José funcionava, nas décadas de 3O, 4O e início dos anos 5O o comércio do "Seu" Pitaíca, (Sr. Manoel Eudóxio Pereira) tradicional família residente em Macapá desde os primórdios. No prolongamento da São José no sentido da Praça Barão do Rio Branco existia o Café Continental que pertenceu ao Sr. Natan Pecher, (tio da Sarah e do Dr. Leão Zagury). Antes do Continental seu Natan dirigiu a  Sorveteria Central que funcionou no velho casarão da Praça da Matriz e que pertencia à Família Zagury.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ESPECIAL: OS CINEMAS DE MACAPÁ

(*) Texto: Humberto Moreira
O cinema chegou a Macapá bem antes da criação do Território Federal. Existem registros de sessões cinematográficas promovidas pelo Padre Júlio Maria Lombaerd por volta dos anos 20. O Jornal Correio de Macapá, de 26 de fevereiro de 1918, registra o dia 15 de fevereiro de 1918, como a  data em que o padre Júlio Maria Lombaerd funda, em Macapá, o Cine Olimpia, funcionando sempre aos domingos, exibindo cenas das vidas de Cristo e dos Santos. Na realidade, foi um cinematógrafo, conseguido na Bélgica.
Porém a primeira sala de projeção da cidade foi construída e inaugurada em julho de 1944 por Janary Gentil Nunes, primeiro governador do Amapá.


O Jornal Amapá, de 12 de março de 1946, registra que em 9 de março de 1946, é exibido pela primeira vez em Macapá um filme em longa-metragem: “Um barco e nove destinos”, cujo cenário é a Segunda Guerra Mundial. Produção americana.
( Foto: Reprodução/Cortesia do Museu Histórico do Amapá )
O Cine Teatro Territorial funcionava no mesmo prédio da Escola Barão do Rio Branco e no começo os filmes ainda eram mudos.
( Reprodução / Google / imagens )
Somente em 1948, com a chegada de duas máquinas alemãs Zeiss Ikon a população pode então assistir ao melhor do cinema falado. Além de filmes, o Territorial foi palco de inúmeros shows de grandes artistas brasileiros. Luís Gonzaga, Dalva de Oliveira e Ângela Maria, ícones da música popular da época, encantaram a plateia macapaense em apresentações memoráveis naquela casa de espetáculos. São dessa fase as matinês com filas intermináveis, que atraiam a população para assistir clássicos como “E o vento levou”.
( Foto: Reprodução/Cortesia do Museu Histórico do Amapá )
Durante algum tempo o Territorial abrigou os programas de auditório da Rádio Difusora. Logo se constataria que só um cinema era pouco.
Já na década de 50 a Prelazia de Macapá instalou projetores de 16 mm (semelhantes ao da foto menor) em barracões construídos ao lado das igrejas Matriz e Nossa Senhora da Conceição. Era nessas salas improvisadas que a juventude oratoriana assistia semanalmente aos seriados de Jim das Selvas e Robin Hood. A sessão sempre era interrompida na metade para a troca do rolo de filme, já que só havia uma máquina em cada barracão. Enquanto esperava a segunda parte a garotada produzia uma barulheira ensurdecedora, sob os olhares sempre atentos dos padres do Pontifício Instituto das Missões – PIME que tinham mãos pesadas na aplicação de cascudos na cabeça dos mais afoitos.

Na esteira do desenvolvimento da cidade surgiu o Cine Trianon, de propriedade de Guilherme Cruz, que funcionou por pouco tempo na sede velha do Trem Desportivo Clube. O primeiro filme exibido foi “O Homem de Oito Vidas”, da produtora japonesa RKO. A população crescente do chamado bairro proletário preferiu prestigiar o cinema do governo, obrigando o fechamento precoce do Trianon. Porém o próprio Territorial encerraria suas atividades em 1961, quando o Amapá era governado por José Francisco de Moura Cavalcante. Hoje o local serve de auditório para as reuniões da Escola Barão do Rio Branco e pouca gente sabe que ali funcionou uma casa de espetáculos.
( Foto: Reprodução / Samuel Silva / Diário do Amapá / cópia de arquivo )

A sala de máquinas abriga ainda a sucata dos velhos projetores alemães. (Fotos de 2008)

( Foto: Reprodução / Acervo Olivar Cunha )
( Foto: Contribuição do amigo Olivar Cunha )
Primeira metade dos anos 60. A cidade já apresentava ares de capital, quando o empresário Guilherme Cruz inaugurou o Cine Macapá, na Avenida Raimundo Alvarez da Costa. A sala de projeção comportava seiscentas cadeiras, mas no dia da estreia somente 400 lugares estavam disponíveis.
O filme de abertura, (Ladrão de Casaca) estrelado por Gary Grant atraiu uma enorme multidão às bilheterias. Foram várias sessões contínuas para aplacar a curiosidade do povo. A novidade era o tamanho da tela, que era a maior já vista por estas bandas, própria para a exibição de fitas em Cinemascope.
O cinema de Guilherme Cruz virou ponto de encontro. Estreias as quartas e domingos eram sempre muito concorridas. Chanchadas da Atlântida estreladas por Oscarito e Grande Otelo botavam gente pelo ladrão. Públicos antológicos assistiram filmes da envergadura de“Ben-Hur”, “El Cid”, “Os Brutos Também Amam”, “Coração de Luto” e tantos outros.
Para fugir das chanchadas um grupo de cinéfilos fundou o Cine Clube Humberto Mauro, que semanalmente promovia sessões culturais em horários alternativos, para um seleto grupo de amantes da sétima arte.
Por conta das sessões de cinema teve início um comércio paralelo, com venda de bombom, pipoca, cambistas e a obrigatória troca de revistas em quadrinhos, com destaque para gibis de Gene Autry, Roy Rogers, Zorro e Tarzan.
(Foto: Reprodução de Arquivo)
Foi nessa época (1965) que a prelazia de Macapá anunciou a inauguração do Cine João XXIII, extinguindo as sessões de domingo nos barracões paroquiais. O cinema da Prelazia trouxe um pouco mais de modernidade, com cadeiras confortáveis, balcão, sala de projeção mais ampla e máquinas mais sofisticadas. Durante as sessões, uma sorveteria ficava a disposição, com acesso direto à sala de projeção para a alegria da plateia.
Na estreia o filme exibido foi “Melodia Imortal”, com a espetacular Kim Novak. O fino da sociedade local se fez presente para prestigiar o empreendimento dos padres, que inicialmente foi gerenciado por Walter Banhos de Araújo. Na trajetória do João XXIII filmes do quilate de “Roma” de Federico Felini, “Operação França”, “Três Homens em Conflito” e “O Dólar Furado”. Muito namoro começou na sala de projeção e acabou em casamento.
A rivalidade entre as duas casas de espetáculos da cidade perdurou por muitos anos. Era comum assistir a um filme em cada cinema na mesma noite. Filas, empurra-empurra e até brigas se registravam antes da estreia de fitas famosas.
(Foto: Reprodução/blog da Alcinéa)
Nem mesmo a inauguração do Cine Paroquial do Trem tirou a hegemonia dos cinemas do centro da cidade. O principal programa era assistir o filme de domingo e depois saborear a brisa do Amazonas no Macapá Hotel.
Em meados da década de 70 surgiu a televisão, inimiga mortal do cinema. A curiosidade em torno do novo veículo de comunicação foi muito grande. A frequência nas salas de exibição caiu verticalmente. O Cine João XXIII acabou encerrando suas atividades, quebrando um pouco da rotina domingueira da cidade.
Logo em seguida entraram em funcionamento os Cines Orange e Imperator, especializados em filmes de segunda categoria. Os dois eram muito frequentados pela classe estudantil, devido estarem localizados às proximidades dos principais estabelecimentos de ensino de Macapá. Na época proliferavam produções pornôs e Kung-fus. A sétima arte entrou em franca decadência em Macapá. À certa altura não havia nenhuma sala em atividade. As dívidas com distribuidoras, empresa de energia elétrica e funcionários transformaram o cinema numa empreitada inviável.
Nossa reportagem foi ouvir o Padre Paulo Lepre, administrador da Paróquia de São José, que explicou os motivos que levaram o cine João XXIII ao fechamento: “A maioria dos filmes que vinham da distribuidora não era adequada para exibição num cinema católico”.
Hoje a antiga sala de projeção serve para as reuniões da paróquia. O padre diz que reativar o cinema é impossível. Porém a diocese, que já tem um canal de televisão, poderá inaugurar em breve uma nova emissora de rádio: “Estamos lutando para conseguir a concessão".
O prédio onde funcionou o Paroquial do Trem foi cedido a uma Associação de Agricultores, que administra o imóvel desde 1977.
O surgimento da televisão, locadoras de vídeo e Internet não foi suficiente para enterrar de vez a paixão do macapaense pelo cinema. Hoje funcionam quatro salas de projeções na capital com 120 lugares cada uma, todas elas no bairro do Trem. O Cine Imperator exibe atualmente lançamentos mundiais e pelas informações dos funcionários as sessões são muito concorridas. Nada parecido com as sessões dos Cines Macapá e João XXIII. Quem viveu aquela época nunca esquecerá.
(*) Texto - atualizado e adaptado por João Lázaro - escrito por Humberto Moreira, foi publicado originalmente no dia 08/09/2008 sob o título A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA no blog Camisa 10, do conceituado jornalista/radialista e cantor.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...