quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Prédio Comercial Pioneiro: "A PERNAMBUCANA"

(Foto: Reprodução/recorte de jornal)
Esta foto dos anos 50, foi extraída das páginas do Jornal "Amapá", e compartilhada com o blog pelo amigo Paulo Tarso Barros.
O registro histórico na imagem - com a qualidade muito comprometida - nos apresenta a fachada de uma loja pioneira do comércio de Macapá - A Pernambucana - que por mais de 40 anos esteve atendendo ao público macapaense e que deixou boas lembranças por lá.
Localizava-se na Av. Presidente Vargas - Praça Veiga Cabral, no centro de Macapá.
Era comandada pelo Gerente Adaucto Benigno Cavalcante e contava entre os seus colaboradores, mais antigos,  com a figura simpática do "Seu" Medeiros, entre outros que integravam o quadro de vendedores da sortida Loja.
Entre os tecidos que eram oferecidos ao público destacavam-se os produtos da marca OLHO, que eram exclusividade da casa.

Leia a seguir, o artigo do historiador Nilson Montoril, publicado no Jornal Diário do Amapá...

Casas Pernambucanas em Macapá:

"No dia 28/10/1950, a cidade de Macapá ganhava uma loja famosa que tinha filiais em quase todas as capitais brasileiras. Naquela tarde de sábado, populares e autoridades concentraram-se na Avenida Presidente Vargas, trecho compreendido entre as Ruas São José e Cândido Mendes de Almeida para ver a inauguração do empreendimento denominado “Casas Pernambucanas”. Em outros tempos, mormente antes da criação do Território Federal do Amapá, a área correspondia a um largo corredor que ligava a Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos e o velho Largo de São João, logradouros que depois tiveram seus primitivos nomes mudados para Veiga Cabral e Barão do Rio Branco respectivamente. Ali ficava o campo de futebol do Cumau Esporte Clube, a agremiação alviverde da cidade. O terreno já abrigava as obras da Agência dos Correios e Telégrafos. 

Às 15 horas, o governador interino do Amapá, Dr. Raul Montero Valdez chegou ao local para participar do expressivo acontecimento. Fazia-se acompanhar do Sr. Henrique Pehtelsohn, diretor da LUNDGREN TECIDOS S. A, importante firma têxtil e comercial brasileira, cuja matriz estava sediada em Paulista, pequena cidade pernambucana que integrava o distrito de Olinda. Henrique Pehtelsohn fez um breve relato sobre a construção da loja que tinha fábricas próprias. Destacou a colaboração do governo do Amapá e agradeceu o carinho dos macapaenses, alguns acostumados a comprar produtos da firma, principalmente fazendas, quando iam a Belém ou a outras cidades do Brasil. Apresentou ao público e às autoridades os senhores Adaucto Benigno Cavalcante, gerente da filial e Armando Drummond, fiscal da aludida firma. O Dr. Valdez também fez uso da palavra e declarou As Casas Pernambucanas como inaugurada. Após a inauguração foram servidos “frios, gelados e doces”. O senhor Adaucto Benigno Cavalcante dirigiu o empreendimento por um longo período e participou de inúmeras atividades de cunho beneficente na cidade de Macapá. Era natural do Estado do Ceará e trouxe sua família. Seus filhos e filhas foram meus contemporâneos dos tempos de estudante e esportista. Com ele atuaram dedicados funcionários, merecendo destaque os senhores Nelson Medeiros e Aquino. No inicio a loja só vendia tecidos e roupas. O logotipo da firma era bem interessante e compreendia dois losangos que tinham em seu interior um olho grande. Por isso, as fazendas que a Lundgren Tecidos fabricava eram rotuladas como tecidos da “Marca Olho”.

As donas de casa de Macapá e de outras localidades adjacentes a capital amapaense compravam tecidos, toalhas de banho e de mesa, lençóis, fronhas, colchas, travesseiros e outros produtos na filial de Macapá. Os homens preferiam as camisas da marca Lunfor. Depois, a linha de produtos diversificou-se com a venda de tapetes, cortinas, pano para copa, eletrodomésticos, informática e similares. Em 1970, com o lançamento do “Crediário Tentação” o volume de vendas aumentou assustadoramente. O cliente podia dispor do carnê e do cartão de crédito, A firma “Casas Pernambucanas” surgiu em Pernambuco, no dia 25/9/1906, fundada pelo sueco Herman Theodor Lundgren, que havia chegado a Recife em 1885. Inicialmente atuou como corretor e agente de navios estrangeiros. Como falava fluentemente inglês e alemão, servia de interprete a passageiros e tripulantes de embarcações que faziam linha entre a Europa e Pernambuco. Antes da fundação da loja de tecidos, Herman Lundgren montou uma revenda de pólvora e fertilizantes. Também exportava cera de carnaúba, sal e pele de animais. No inicio de 1904, Herman comprou a Companhia de Tecidos Paulista e ingressou no ramo da indústria têxtil. Em 1908, instalou na Praça da Sé, em São Paulo a primeira loja fora de Pernambuco. Entre os anos de 1970 e 1990, começaram as disputas dos herdeiros de Herman Lundgren e o empreendimento sofreu drástica regressão. Apenas o grupo capitaneado por Arthur Lundgren Tecidos, que operava em São Paulo, prosperou e ainda ocupa lugar de destaque no comércio brasileiro. A loja de Macapá foi à falência."
(Nilson Montoril)

Artigo publicado no Jornal Diário do Amapá


Referência Histórica - Quando Herman Theodor Lundgren, o sueco radicado no Recife, adquiriu uma fábrica de tecidos localizada em um pequeno povoado no litoral do Estado de Pernambuco, no início do século 20, talvez não imaginasse que, anos depois, esse empreendimento prioritariamente atacadista se transformaria na principal referência do comércio de varejo de todo o país.
Um século após a inauguração da primeira Casa Pernambucanas, em 1908, a Empresa gradativamente tornou-se para o público brasileiro um sinônimo de qualidade, versatilidade e tradição - esta última forjada principalmente pela inovação e pelo pioneirismo que sempre marcaram a sua história.
 Exemplos disso não faltam. A Pernambucanas sempre buscou estar um passo à frente da concorrência por meio de uma política empresarial empreendedora, que proporcionou grandes inovações em várias fases da sua trajetória. 
Ideias que hoje parecem corriqueiras foram consideradas ousadas em suas respectivas épocas, devido ao seu pioneirismo. Pode-se citar as versatilidades dos vários segmentos de produtos (Lar Têxtil, Vestuário e Eletro), a criação do carnê de pagamento (crediário) e do cartão de financiamento próprio, a implementação da automação comercial (código de barras), a aceitação dos mais diversos cartões de crédito do mercado, além da inclusão da área de serviços financeiros dentro de seu escopo de atuação (seguros e garantias estendidas).
Outras ações da Pernambucanas também fizeram história. A força de trabalho feminino sempre esteve presente em nossa empresa. Mesmo antes da formalização do trabalho feminino, a Pernambucanas já apoiava essa mudança, que foi assegurada pela Constituição de 32, garantindo direitos exclusivos às mulheres e igualando salários e jornadas de trabalho.Inicialmente as mulheres realizavam trabalhos relacionados administração, contabilidade e caixa. Foi no começo da década de 70, que essa história começou a mudar.
 Após lançar a venda de confecções, as mulheres passaram a atuar como vendedoras, exercendo um papel determinante nessa nova fase. Essa relação de trabalho também proporcionou, já nos anos 80, a inauguração de um berçário para as colaboradoras-mães que atuavam na sede em São Paulo.
Diante dessas oportunidades de crescimento e trabalho, os anos 2000 foram marcados por mulheres qualificadas, que chegaram a cargos de destaque e gerência em várias lojas.Esse compromisso entre a Empresa e funcionário se fortaleceu ainda mais quando, em 2005, foi inaugurada a Universidade Corporativa Comendadeira Helena Lundgren, um centro de qualificação profissional que oferece treinamentos e capacitação para os mais de 15 mil colaboradores da rede.
Além do Memorial Pernambucanas, com 60 mil fotos, 10 folders, boletins e cartazes, livros de registros e jingles comerciais.Muitas décadas antes do conceito de marketing agressivo e do advento da tecnologia e suas novas mídias, a Pernambucanas decidiu acompanhar de perto a expansão industrial do país e a formação de novas cidades, na primeira metade do século passado. Interior do Brasil adentro, a empresa utilizou porteiras de fazendas, cercas, troncos de árvores, grandes pedras, morros e lonas de circo, entre outros pontos, para divulgar a sua chegada.O impacto desta forma inusitada de publicidade foi tão grande que consolidou o nome da empresa e, logo, a Pernambucanas se tornou um símbolo de prestígio e modernidade, inclusive sendo convidada por prefeitos a abrir filiais em novos municípios. "Para ser um município tinha que ter uma igreja, um banco e uma Pernambucanas".
Os anos foram passando, o Brasil passou por várias transformações e Pernambucanas continuou a imprimir sua marca por onde passou, com ações administrativas e comerciais inovadoras, marketing atuante com o surgimento de novas mídias, ousadia na inclusão de novos negócios e inauguração de dezenas de lojas. Hoje, pode-se dizer com toda certeza que, desde a sua fundação, a Pernambucanas anda de mãos dadas com o desenvolvimento econômico nacional e faz parte da história recente do país.  Fonte: www.pernambucanas.com.br 
(Post repaginado e atualizado dia 07/11/2013)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Lembranças inesquecíveis: Brindes e prêmios

Quando estive em Macapá, em junho passado, fui fazer uma visita às amigas Quitéria e Tereza Tavares e encontrei enfeitando a sala, dois brindes da Casa Leão do Norte que fiz questão de fotografar pra mostrar para nossos leitores.
Lembranças inesquecíveis: Tratam-se de um cinzeiro e uma xícara com pires que eram distribuídos aos fregueses (clientes) da loja.

No tempo do Flip Guaraná - primeiro guaraná produzido no Amapá - existia uma propaganda que anunciava promoção de prêmios a quem encontrasse, no Flip Guaraná ou Laranjada, o desenho de um copo no interior na tampinha da garrafa.

(Reprodução
O anúncio era veiculado nas Rádios Difusora e Educadora de Macapá. Iniciava com o  som de um copo quebrando, seguido da indagação:  “Quebrou?, Flip dá outro”. E dava mesmo!
(Reprodução)
Nas fotos, dois modelos de copos que eram trocados por tampinhas premiadas dos produtos Flip (Guaraná e Laranjada).

Fotos: Créditos: Édi Prado, Jornal Tribuna Amapaense e Alcinéa Cavalcante
 Copo branco (Reprodução do Jornal Tribuna Amapaense)
Copo azul (Reprodução do blog da Alcinéa Cavalcante)
Garrafa: Imagem de arquivo

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Cosme Esperidião do Nascimento Ramos - o servidor mais antigo em atividade na UNIFAP

Pioneiro Cosme Esperidião do Nascimento Ramos, formado em Artes pela UFPA, no Núcleo de Educação implantado na década de 70 no Amapá e embrião da futura Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). 
Cosme é considerado o servidor mais antigo em atividade na instituição e conhece a história dessa universidade como ninguém.
Macapaense, nascido em 18 de dezembro de 1955, filho do casal Manoel Esperidião Ramos - Carpinteiro Naval do Estaleiro do extinto Território Federal do Amapá  - 
e Angelina do Nascimento Ramos. Tem sete irmãos: seis homens e uma mulher.
Cosme passou toda sua infância no bairro do Laguinho, morador vizinho à sede do Grupo Escoteiro Veiga Cabral, onde passava maior parte.
Cosme considera os saudosos chefes escoteiros Humberto Dias Santos e Clodoaldo Carvalho do Nascimento, como as pessoas que muito colaboraram com a educação e formação dele. Atrás da sede tinha um campo de futebol, hoje ocupado pelo SEBRAE, onde os garotos aprendiam  a  jogar futebol. Lá perto ficava a residência do Mestre Oscar Santos onde chegou a estudar música. Havia também a LBA (Legião Brasileira de Assistência) que ministrava cursos de funileiro, encadernação e outros... Cosme conta que "atrás da Escola Industrial, funcionava a garagem do governo e onde a molecada, por curiosidade. aprendeu mecânica automotiva, sem saber que aquilo lhes garantiria um futuro. Tínhamos assim lazer, aprendizado profissional e formação cívica para nos tornarmos cidadãos de bem. E não eram projetos de inclusão social, com verbas públicas; eram iniciativas de cidadãos de bem que queriam dar um futuro aos jovens amapaenses".
"...quando o jovem terminava o ensino de 2º Grau, automaticamente já estava absolvido pelo mercado de trabalho, que naquela época era carente de mãos-de-obra." Antes de 1979, não havia concurso. "O governo aproveitava os que tinham alguma especialidade mínima".
Cosme conta ainda, que terminou seu primeiro grau em duas escolas Barão do Rio Branco e General Azevedo Costa e o curso de Secretariado no Colégio Comercial do Amapá. Começou a trabalhar no Núcleo de Educação da Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1973, que foi seu primeiro emprego e até hoje ele está lá. Destaca: "Comecei como serviçal, mas fui crescendo e valorizado pelas administrações que ali passaram e cheguei até Técnico Administrativo; não passei a ser professor, porque gosto do que faço na administração. Mas cheguei a lecionar".
Cosme diz que "era difícil o acesso dos jovens amapaenses ao curso superior, por que ele existia na vizinha Belém (PA) e as despesas eram grandes para manter um jovem durante cinco a sete anos na capital paraense. Porém os que foram não envergonharam esse rincão pátrio." Cosme conta que um dos baluartes para ajudá-los a acessar as faculdades paraenses foi o Professor João Brazão da Silva, que chegou à reitoria da UNIFAP. "Ele trabalhava o aluno para fazer o vestibular no Pará e todos os que frequentavam o seu cursinho passavam de primeira. O Amapá vivia e respirava educação, tudo era voltado para as escolas e os alunos. Em 1969 a Rede Globo de Televisão veio ao Amapá filmar o desfile escolar de 13 de Setembro, na Avenida FAB, que as escolas levavam para avenida uma aula de civismo e de conhecimentos gerais e isso repercutiu internacionalmente. Poucos se lembram disso".
Cosme Ramos relembra dos professores daquela época que muitos deles sendo "leigos" ou "autodidatas", davam tudo de si para ajudar os alunos. "O então Diretor de Educação, Geraldo Leite de Moraes e junto com a professora Maria Sá, recém chegada de um curso superior, montaram um projeto, para a criação de um Curso de Licenciatura e o entregaram ao então governador Ivanhoé Gonçalves Martins que abraçou a causa e em parceria com a UFPA, foi instalado o Núcleo de Educação no Amapá. Era um curso de extensão da universidade paraense que nos beneficiou a todos os mestres".
A trajetória desse núcleo superior no Amapá teve diversos apoios de pessoas que se tornaram essenciais para sua continuidade; uma delas foi o Padre Jorge Basile que cedeu salas do Seminário Diocesano de Macapá, ao lado da Igreja Jesus de Nazaré. "Foi no Seminário Diocesano que começou a ser formado o embrião da nossa UNIFAP. Ali se formou a primeira turma, que foi a de Matemática. Como o núcleo era para regularizar os professores que já atuavam, outros cursos foram ministrados. Em seguida o núcleo foi transferido para Escola Tiradentes, sob o comando do professor Leonil Amanajás; uma negociação levou os cursos para o IETA e depois para a Escola Maternal (hoje Emilio Médici), na Rua Cândido Mendes, ao lado da Rádio Difusora de Macapá; em seguida fomos para o Barão do Rio Branco, sob a égide da pioneira professora Guíta (Raimunda Mendes Coutinho). Em 1979 é que fomos para o local definitivo, no entorno do Monumento Turístico Marco Zero onde funciona até hoje. Em março de 1991 as aspirações dos estudantes amapaenses se concretizava, com o apoio do senador José Sarney, quando foi autorizada a criação e instalação da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), porém com reitores pró-tempores. Eles foram os professores Maria Alves de Sá, José Brazão; Antônio Gomes e Paulo Guerra entre outros".
Família - Foram dois casamentos de Cosme Ramos. 
"Eu levei uma sorte muito grande no meu segundo matrimônio; durante uma visita ao Pará, conheci em 1992 a jovem Vânja Nunes Vasconcelos, que trouxe para Macapá e estamos casados há 23 anos. Tive sorte, pois ela é formada em magistério e aqui chegando fez concurso estadual e ingressou na rede de ensino do Amapá".
No primeiro matrimonio Cosme teve dois filhos: uma filha que tem 23 anos e um rapaz que trabalha como projetista de construção e é artista plástico. E tem mais dois filhos no casamento atual e já é avô de uma menina de 1 ano e quatro meses.
Cosme Esperidião já tem tempo de serviço que lhe garante uma boa aposentadoria, entretanto, por conta da mudança da Lei, vai ter que esperar mais 8 meses, pois só poderá dar entrada na documentação a partir de julho de 2014, para se aposentar depois que completar 60 anos.

Fonte: Jornal Tribuna Amapaense com informações complementares do próprio biografado.



domingo, 3 de novembro de 2013

ESPECIAL - A Morte do Escoteiro "Padre"

(*) Por Nilson Montoril
Em julho de 1957, integrantes do Grupo de Escoteiros Católicos São Jorge realizaram um passeio à área onde estava situada a cachoeira Paredão, cujo potencial hídrico já havia sido previamente estudado e deveria favorecer a construção de uma hidrelétrica. (...)
À época do passeio dos escoteiros os trabalhos preliminares para a realização da grande obra já estavam em andamento, mas tudo ainda era inóspito. Na organização do “acampamento” estavam os chefes escoteiros Expedito Cunha Ferro, o popular “91”, Humberto Álvaro Dias Santos e o Padre Ângelo Biraghi, então orientador espiritual dos jovens escoteiros e vigário da Paróquia São José.
Patrulha Tucunaré: Os três primeiros moleques que vemos na fotografia, junto a uma pedra, são os escoteiros José Marques Picanço (curupira), José Ribamar Carvalho (Baé) e Nilson Montoril de Araújo (changai). Entre o Ribamar e o Nilson aparece o Dinaldo e um pouco mais atrás o Mamede(cabeça no saco). Encoberto pelo Nilson há um garoto que não conseguimos identificar. No outro plano, quase de costas, escorado numa pedra, identificamos o Edson Piloto(cabeça chata). Depois vemos o Ranulfo, Reginaldo Café (salazar), Beiço de Burro, Nonato, Pedroca e o chefe Expedito Cunha Ferro(91). Por trás do Zé Marques só aparecem as pernas de um garoto. Um outro escoteiro é visto ao lado do Dinaldo. Há 15 pessoas nesta fotografia.
A região cortada pelo Rio Araguari era muito aprazível e praticamente intocada. (...) Nossa viagem até o Paredão ocorreu em um caminhão cedido pela CEA e nos deixou relativamente apreensivos devido ao traçado bastante irregular da estrada, onde prontificavam subidas e descidas abruptas. Partimos antes do alvorecer e todo mundo ia acomodado debaixo do encerado locomotiva do caminhão e bem abrigados do frio.
Patrulha Aruanã: José de Souza Pennafort (macaco), Olivar Pereira Bezerra (português), Padre Ângelo Biraghi, José Raimundo Tavares (Billypão), Antônio Pereira (padre,de braços cruzados), Estanislau de Araújo Coutinho (Estandico ou acarí bodó, com casquete na cabeça), Zildekias Alves de Araújo, Ernesto Dias Neto (filé) e Jefferson Luiz Santana (Iso).
No canteiro de obras ocupamos uma casa que servia de escola, mas que se encontrava vazia em virtude das férias escolares. No primeiro dia do acampamento procedemos a hasteamento da bandeira nacional, tomamos café com pão torrado, leite, queijo e manteiga que eram mandados para o Brasil, pelos Estados Unidos da América, através da “Campanha Aliança Para o Progresso”. O contingente era formado por pioneiros, escoteiros e lobinhos e não excedia a 30 indivíduos. Após o café o chefe Humberto Dias dividiu o grupo em duas patrulhas: Tucunaré e Aruanã. A patrulha Tucunaré, da qual eu fazia parte teve o privilégio de ser a primeira a chegar bem perto da cachoeira Paredão e fez isso com redobrados cuidados sob as orientações do chefe 91. Para evitar que algum moleque afoito tentasse nadar no remanso formado pelas águas que desciam da queda d’água, o chefe 91 escolheu um local por onde descia um pequeno volume de água, formando um córrego estreito e raso. Os pioneiros e escoteiros mais velhos se instalaram a cerca de 2 metros da foz desse córrego e barravam qualquer tentativa de aventura dos mais afoitos. Passamos a manhã tomando banho e percorrendo locais com águas represadas em busca de peixes para o jantar. Na manhã do segundo dia foi a vez da “Patrulha Aruanã” conhecer o local que tinha sido batizado de “Recanto Encantado”.
A “Patrulha Tucunaré” recebeu o encargo de preparar o almoço, carregar água, coletar lenha e limpar a área do acampamento e a escola. As mesmas atividades que a “Patrulha Aruanã” tinha realizado no dia anterior. Por volta das 10h30min horas, do alto da colina onde estava edificada a escola, observamos que os componentes da Patrulha Aruanã estavam voltando ao acampamento e muitos choravam copiosamente. Indagamos o que havia acontecido e recebemos como resposta a notícia de que o "'Padre' havia morrido afogado", mas seu corpo estava desaparecido. De imediato pensamos que o afogado fosse o Padre Ângelo Biraghi. Entre os que tinham permanecido no acampamento encontrava-se o José Pereira, jovem muito prestativo, que de repente parou de brincar e ficou olhado para os escoteiros retirantes, certamente procurando localizar seu irmão Antônio Pereira, exatamente o menino que tinha morrido. Sem vê-lo, José deduziu que a vítima fatal era o Antônio, cujo apelido no Oratório São Luiz era "padre". Chorando muito se retirou para o local onde estava atada sua rede e ali permaneceu sem procurar saber detalhes do acontecido. 
Antônio "Padre" era muito irrequieto e excelente jogador de petecas. Disputar uma partida com ele era certeza de que ficaria de mãos vazias.
Enquanto trabalhadores do canteiro de obras tentavam localizar o corpo do Antônio, os escoteiros se mantinham em silêncio e acomodados. O Antônio não sabia nadar, mas simulava fazê-lo usando as mãos que tocavam no fundo do córrego para impulsionar seu corpo. Fez isso inúmeras vezes até descuidar-se e passar do marco fincado na areia visualizando o ponto que não deveria ser ultrapassado por ninguém. Escoteiros experientes, acostumados a nadar no canal de Santana se atiraram atrás do Antônio, mas a força d'água era descomunal. Uma coisa intrigante aconteceu no afogamento do "Antônio 'Padre'": ele sentou de uma só vez, certamente puxado para o fundo do rio pelo redemoinho que existia no local. As buscas foram feitas até as 18 horas e suspensas para reiniciar no dia seguinte. Por volta das 19 horas, com todo o material de acampamento e nossos objetos pessoais arrumados, embarcamos no caminhão e rumamos para Macapá. Perto das 22 horas o caminhão adentrou no quintal da Prelazia de Macapá e nos recebemos ordens para nos alojarmos no Salão Paroquial Pio XII, um barracão onde eram realizadas atividades religiosas, projeção de filmes e encenações de peças teatrais. 
Todos deveriam permanecer em silêncio e só deixar o barracão depois que o chefe Humberto Santos fosse à casa do senhor Raimundo Pereira cientificá-lo sobre a morte do filho. Entretanto, alguns meninos não obedeceram a ordem recebida; abandonaram o barracão e foram espalhando a macabra notícia a seus vizinhos, entre eles o seu Raimundo. O corpo do Antônio Pereira só foi encontrado uma semana após o sinistro. Mergulhadores o localizaram preso a uma pedra no fundo do rio Araguari  ali mantido pela força descomunal da água que descia da cachoeira. Em adiantado estado de decomposição e bastante danificado pelos peixes e pelo atrito contra as pedras submersas, o que restou foi sepultado no cemitério da vila de Ferreira Gomes. Em 1960, seus despojos foram levados para o cemitério Nossa Senhora da Conceição e enterrados ao lado dos seis escoteiros que morreram afogados no Rio Amapari, em Serra do Navio, quando uma ponte pênsil da ICOMI desabou. (Nilson Montoril)
(*) Pesquisador, professor, historiador, radialista e blogueiro amapaense.
Texto de Nilson Montoril, reproduzido do blog Arambaé, do renomado historiador amapaense, com adaptações especias para o Porta-Retrato.

sábado, 2 de novembro de 2013

Um Cortejo Fúnebre na Macapá de outrora

Na data em que prestamos homenagens póstumas a nossos entes queridos, trazemos para os leitores do blog, um registro histórico (sem data) de um Cortejo Fúnebre na Macapá de outrora.
Pessoas reconhecidas nas imagens: Seu "Gaivota"(de calça escura à esquerda), Mudo (atrás, de calça escura e camisa branca), Na frente, de branco, os irmãos Bernando e Casemiro Lino Dias (segurando as alças da frente do caixão), Segurando a segunda alça Seu Paulino, e ao lado dele (de camisa branca), parece ser o Nolasco,; à direita (também de roupa branca) o Sr. Joaquim Ramos, tendo um garoto na frente dele.
Costumes e tradições históricos - Lembramos bem que era tradição naquela época, as famílias velarem seu mortos em casa mesmo; em alguns velórios noturnos, para vencer o sono, os homens jogavam dominó e tomavam café até o dia amanhecer. O caixão com o corpo, saia da casa do falecido, a pé, e segurado pelas alças. Parentes e amigos se revezavam, seguindo pelas ruas da cidade, até a igreja.  Na igreja, o sacerdote abençoava o finado e em alguns casos, era celebrada a missa de "corpo presente". Depois da igreja, o cortejo seguia, do mesmo modo, para o cemitério onde ocorria o sepultamento. Daí em diante, até um ano depois, a família vestia preto (as mulheres) e os homens usavam o "fumo": pequena tira de pano negro que se colocava na lapela, na manga, no bolso, ou no chapéu como sinal de luto.

Na missa de sétimo dia, amigos e parentes do falecido, recebiam de lembrança,  o "santinho" com a foto do morto, com alguns dizeres ou orações. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dr. Douglas Lobato Lopes - ex-Prefeito de Macapá

O Pioneiro Douglas Lobato Lopes, nasceu em Belém-Pará, no dia 8 de julho de 1921.
Formou-se engenheiro na turma de 1946, na Escola de Engenharia do Pará. Iniciou suas atividades na função de Procurador-Fiscal e Representante da Prefeitura de Igarapé-Mirim no ano de 1945 e, nesse mesmo ano, convidado pelo Governador do Território, foi para Macapá exercer suas atividades profissionais. Foi nomeado Chefe da Seção de Obras nos anos 1947, 53 e 56; Diretor de Divisão de Obras nos anos de 1950, 61; Diretor de Obras e Viação nos anos de 1965, 75; substituiu várias vezes o Diretor de Obras nos seus impedimentos; representou o Amapá no Conselho Regional de Transporte e na Comissão Central no Conselho Nacional de Estradas de Rodagem, em São Paulo; na 3ª Convenção da Viação Pan-americana de Associações de Engenheiros, em São Paulo e na VII Reunião de Administradores Rodoviários, em Brasília. Foi nomeado Prefeito Municipal de Macapá, exercendo esse cargo no período de 13 de agosto de 1966 a 11 de abril de 1967. Casou-se com D. Edna de Souza Lopes em 31 de maio de 1952, nascendo do casal os filhos Luiz Carlos, Eloísa Elena, Carlos Alberto (falecido), Douglas Filho, Silvana Maria, Rosana Maria e Paulo Sérgio e quase todos lhe deram netos.
Dr. Douglas faleceu dia 16 de janeiro de 2010, em Belém do Pará, com 89 anos de idade.
Fonte: Livro "Personagens Ilustres do Amapá" de Coaracy Sobreira Barbosa, Vol 1, 1997.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Antigo Hospital Geral de Macapá, e adjacências

Nesta foto rara - sem data, extraída de um recorte de jornal - vemos o antigo Hospital Geral de Macapá, ainda com dois pavimentos; à direita a Maternidade e, ao fundo, o Dispensário dos Tuberculosos. Na frente do HGM, havia uma simples pracinha e arborização feita com jambeiros. Na área em primeiro plano, que atualmente abriga a direção da Secretaria de Saúde só prevalecia um gramado. Vemos a Av. FAB, bem larga, e o terreno onde depois foram construídos os prédios do Hospital de Pediatria e Colégio Comercial do Amapá.

Fonte: Foto reproduzida do blog Nilson Montoril -Arambaé

sábado, 26 de outubro de 2013

No tempo da Panair, em Macapá

Durante a 2ª Guerra Mundial, a Panair do Brasil, construiu em Macapá, um aeroporto de emergência, destinado a reabastecer  as aeronaves do Correio Aéreo Nacional, nas duas viagens semanais que realizavam para aquela cidade, ou realizar idêntica  assistência  a pesados bombardeiros norte-americanos, desgarrados por qualquer motivo de sua rota normal, ou à flotilhas da Força Aérea  Brasileira,  no seu caminho desde as fábricas estadunidenses ao Rio de Janeiro.
Era um aeroporto grande, e bem aparelhado, como tantos outros aeroportos.
Havendo aviões no espaço, também funcionava o radiofarol, como preciosíssimo auxiliar das aeronaves. (Artur Miranda Bastos - "Panair em revista")

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Pioneiro José Maria Papaléo Paes

José Maria Papaléo Paes, nasceu em Bem - PA, no dia 8 de agosto de 1928, filho de Raimundo Zacarias de Lima Paes e D. Maria Jacyra Papeléo Paes. 
Estudou os cursos primário e ginasial nos cogios de Belém, o tendo condições de ingressar numa faculdade. Menino ainda, começaram a despontar suas tendências para o desenho, causando espanto em seus familiares e amigos pela rapidez com que fazia uma caricatura ou o esbo de um retrato. Chegou ao Território do Amapá em 10 de dezembro de 1946, contratado pelo Governador Janary Nunes para a função de desenhista da antiga Divisão de Obras, onde foi o autor de todas as plantas dos prédios construídos no início do Terririo do Amapá. Destacou-se também no trabalho de levantamento topográfico do trecho da estrada BR-156, Macapá/Calçoene; fez os estudos das correntes do rio Araguari, no trecho da cachoeira do Paredâo e Ferreira Games; foi autor da sondagem geológica do Porto de Santana e das cidades de Macapá e Amapá; levantamento topográfico das cidades de Mazagão, Oiapoque,, Amapá, Calçoene e Santana. Pela experiência adquirida e pela confiaa que sempre demonstrou, assumiu a Chefia da Seção de Obras, da Divisão de Obras, no período de 1961/1962; Chefe do Serviço de Água e Esgoto, da Divisão de Obras 1965/67; Chefe do Serviço "Autônomo de Água e Esgoto 1967/73; Presidente da Companhia de Água e Esgotos - CAESA - de 1973 a 26 de julho de 1985. Exerceu também a função de membro do Conselho Territorial do Amapá, nomeado pelo Ministro Mário Andreazza, por dois mandatos consecutivos.
Aposentou-se em 08.01.1985 e faleceu dia 24 de outubro de 2007, em Belém-PA, onde encontra-se sepultado.

Fonte: Biografia reproduzida do Livro "Personagens  Ilustres do Amapá" Vol 1, de Coaracy Sobreira Barbosa - edição 1997.

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...