sábado, 14 de setembro de 2019

Foto Memória do Futebol Amapaense: João do Carmo Tavares - "Jangito"

Imagem: Revista ICOMI Notícias
O ex-centroavante João do Carmo Tavares, mais conhecido como “Jangito”, é amapaense da gema, filho de José Rosa Tavares e Maria do Carmo Tavares(falecidos).  Nasceu no Formigueiro – centro velho de Macapá, atrás da Igreja São José - no dia 24 de junho de 1941; irmão de dois craques consagrados do futebol amapaense: Biló e Faustino (em memória).
Jangito iniciou suas atividades esportivas no Oratório da Prelazia de Macapá, onde, nas peladas, era o terror dos goleiros. No futebol oficial, continuou sendo um terrível marcador de gols. 
Em 1963 foi artilheiro do campeonato, além de sangrar-se campeão pelo Cea Clube. Foi também fundador do Juventus, pelo qual jogou futebol e basquetebol até 1961, quando se transferiu para o Cea Clube.
Jangito começou a bater bola desde os 10 anos, na frente da Prelazia de Macapá no campinho da Praça Veiga Cabral, onde o pessoal adulto amador na época jogava, pelos times do Macapá, Amapá, São José e Trem. Isso, antes da inauguração do Estádio Municipal Glycério Marques. Jangito conta que no campo da Matriz, não havia cercado. “Quando havia um jogo mais empolgante eles colocavam cordas cercando da Igreja de São José até a Padaria do Seu “Janjão”, passando a Prelazia. Seu  Janjão era pai do José Marques - Curupira,  que jogou no Juventus e no São José, de lateral-direito”.
O primeiro clube de Jangito, foi o Juventus Esporte Clube, do Chefe Humberto. O Juventus se filiou mais ou menos em 1956. Minha primeira partida interestadual foi vestindo a camisa do Juventus em 1958 com 17 anos contra a equipe do Sport Recife. Fiz o gol de empate. O jogo foi 5 x 2 para o time pernambucano. O elenco do Juventus era: R. Peixe, Zamba, Base, Cadico, Bento Goés, Cremildo, Dico, Raminho, Pompeia, Haroldo Nery, Mafra, Álvaro, Jupaty, Aécio, Círio, Biló, João Leite, Estácio Vidal (Mucuim) e Maximino; o técnico era Humberto Santos. Após essa partida, Biló foi jogar no futebol paraense. Hoje, fico pasmo de ver a ingenuidade do jogador de 20 anos. Nós com 17 anos tínhamos maturidade, o entendimento técnico, acostumados a disputar desde os 15 anos com o pessoal adulto no estádio. Em 1956 perdemos estupidamente o campeonato para o Esporte Clube Macapá. O campeonato estava nas mãos do Juventus. O Juiz já veio comprado de Belém. O juiz era Ricardo Amali(descendência judáica). O Mair Bemergui era judeu, um dos patronos do Macapá".
Jangito conta que foi para o CEA Clube em 1961; na época ele trabalhava como gari na LBA. “Lembro que o tio do Jader Barbalho, chamado Lutércio de Barros Barbalho, me mandou um convite pelo meu irmão, Faustino que trabalhava na CEA, para eu comparecer na empresa. Estavam querendo formar uma equipe competitiva para ser campeã. Na época eu ganhava um salário mínimo de R$ 800,00(valores de hoje), e eles me ofereceram R$ 7.500,00 para trabalhar na empresa/clube. Era muito dinheiro naquele tempo".
CAMPEÃO DE 1963 - Na decisão do campeonato amapaense de 63 contra o Amapá Clube, Jangito driblou todo o time alvinegro; Palito, o Mafra, o goleiro, conquistando o título daquele ano. Equipe campeã: Carlos, Guilherme, Faustino, Armando, Cadico, Domingos, Maximino, Diquinho, Jangito, Perereca e Joãozinho.
A IDA PARA O CLUBE DO REMO - “O Remo veio fazer um amistoso e ganhamos de 4 X 2, fiz três gols. Foi quando eles comentaram: - Manda buscar esse cara. Na época o salário do Remo era 40 mil. Foi quando fiz o teste, marquei dois gols, agradei! Me contrataram. Meu irmão Faustino já estava no Remo me mandou levar para o Dr. Raimundo Carneiro que era diretor do clube, onde me ofereceram 100 mil de salários mais 20 mil de ajuda de custo. Só disse o seguinte para ele - Tinha passado no concurso do Banco do Brasil e estava aguardando, na hora que chegasse a minha nomeação rescindiria meu contrato. Foi quando voltei para Macapá e fui para Rio Branco”.
ESTADO DO ACRE – “Em 1966 saiu minha nomeação para trabalhar no Banco do Brasil em Rio Branco, no Acre. Antes em 1965 eu tinha jogado com o Clube do Remo uma excursão por Porto Velho e Rio Branco. O provocador dessa minha ida para o Acre foi o Dr. Manoel Nogueira (era engenheiro, trabalhou na Prefeitura de Macapá e foi diretor do Colégio Amapaense) estava coincidentemente no aeroporto de Rio Branco. Foi quando ele fez o convite para jogar no seu time, o Atlético Acreano. Nessa época tinha rescindido o contrato em Macapá, e vim mais para trabalhar. Mas optei em jogar pelo Rio Branco Football Club, a convite de um senhor que trabalhava na Varig, de nome Nemetala. Fiquei no Rio Branco um ano e pouco. Em 1967 fui para o Independência, e não fiquei muito tempo. Conheci o Capitão Maia que era do Exército (4ª Companhia de Fronteira). O Maia tinha o sonho de ser campeão pela sua equipe, o GAS(Grêmio Atlético Sampaio). Um dia ele me convidou para ir no treino do Sampaio. Aceitei a proposta, tinha apenas 26 anos. Fomos campeões pelo GAS em 1967, fiquei um ano apenas no time. Houve uma denúncia contra o time, onde o Elias Mansur (patrono do Juventus) fez uma representação na 8ª Região Militar, que o GAS estava desvirtuando o sentido de amadorismo, comprando jogadores. Só que quando o GAS apanhava ninguém denunciava. Foi quando veio a ordem para acabar com o GAS. Daí voltei para o Independência, onde fomos campeões em 1970. Estávamos com um time muito forte. Disputamos a final com o Juventus - Time campeão: Ociraldo, Chico Alab, Jorge Floresta, Palheta, Illimani, Agrícola Flávio, Otávio, Bico-Bico, Aldemir Lopes, Eu (Jangito), João Carneiro, Escapulário, Tião Lustosa, Vila Nova, Mário Duarte e Bebé; Alício Santos era o técnico. Abandonei o futebol no início dos anos 70, passei no vestibular em economia pela UFAC”.
TORNEIO DA INTEGRACÃO DA AMAZÔNIA – Jangito participou de apenas um Copão da Amazônia, como treinador da equipe do Esporte Clube Macapá. Copão realizado em 1976, na capital Rio Branco, no Acre. “Eles não aceitavam que eu me apresentasse em time adversário, me consideravam patrimônio do Acre. Eles comentavam que eu fui o melhor jogador de todos os tempos que viram jogar”.
CRAQUES QUE VIU JOGAR – "Com meus doze anos eu vi Vadoca(Trem/Amapá Clube); Adãozinho(Amapá Clube); Lelé “Perna Torta”(Trem); Caboco Alves(Trem); Chicão(Trem); José Maria Chaves(Amapá Clube); Azamor( centroavante do Amapá Clube); Boró(Amapá Clube); Julinho(quarto-zagueiro); Fogão(Trem); Mafra(centroavante/zagueiro); Palitão; seus manos: Biló e Faustino(falecido).” Jangito conta que o Amapá tinha um celeiro de craques, e o Juventus era formador de craques. Diz que na sua época existia um jogador que jogava muito chamado Pau Pretinho, meio campo do Juventus; Zezé que foi seu substituto depois foi para o Clube do Remo, e fez sucesso por lá. Ele era o Tico-Tico aqui, acharam que o apelido era feio. Contra o poderoso Santos, fez dois a três gols". “Há um fato interessante em relação ao José Ramos, conhecido por nós como Tico-Tico, nome de um passarinho bem sassariqueiro. Uma das paixões dele era criar passarinhos. Seu parceiro mais frequente foi o Jacaré, lateral direito do Macapá e Municipal. Quando foi jogar no Clube do Remo ganhou o apelido de Zezé. Tudo porque Tico-Tico era a alcunha de um marginal que operava no Pará e no Maranhão”, conta Nilson Montoril.
Jangito lembra quando o Rio Branco o emprestou para jogar contra o Flamengo-RJ. O jogo foi 2 X 2, fez os 2 gols do Juventus. Na época enfrentou o Carlinhos, que foi treinador do Flamengo; Nelsinho Rosa, foi treinador do Vasco; Cesar Maluco, depois foi para o Palmeiras; Almir Pernambuquinho, ex-Vasco. Empataram com o Bahia em 1 X 1, fez o gol de empate.
FINALIZANDO – Jangito está hoje com 78 anos de idade. Fundador do Juventus Esporte Clube, jogou futebol e basquetebol. É sócio proprietário do Rio Branco Football Club. Aposentado desde 1991 pelo Banco do Brasil, 52 anos de serviços prestados. Três filhos, duas moças e um rapaz, e 5 netos. Casado há 51 anos com a modista, Aidê Brito Tavares.
Reportagem de Franselmo George no Facebook
Fonte de consultas: Revista Icomi Noticias nº 9 de setembro de 1964.
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